Outros Esportes | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010 Outros esportes, Sem categoria | 18:17

O GALO DE OURO 50

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Já se passou meio século e a lembrança continua viva na memória. Pelo menos, da turma da minha geração, que viu Eder Jofre em ação desde quando se iniciou na Forja dos Campeões, torneio de boxe promovido pela Gazeta Esportiva.

Eder, pequenino e magrinho, por essa época chegou a abandonar o pugilismo, por não sentir gosto de sangue. Isto é: não sentir prazer em bater com seus punhos em outras pessoas, fossem ou não atletas da modalidade.

Curtia mais desenhar, profissão em que chegou a se iniciar, e bater sua bolinha como ponta-esquerda incisivo do time de várzea do Peruche, onde nasceu e cresceu, ao som dos tamborins da primeira grande (em tamanho) escola de samba de Sampa.

Mas, o boxe estava de tal forma entranhado em seu DNA que era impossível virar as costas para os ringues. Afinal, ele era filho de Kid Jofre, o principal técnico de boxe do Brasil, que o pegou pelo colarinho e senteciou: “Vai lá, salame!”

Argentino de nascimento, Kid provinha de uma família circense de ciganos saídos do ventre do antigo Império Austro-Húngaro, que, depois de algumas gerações na Espanha, desembarcaram em Buenos Aires. Ali, como peso mosca de relativo sucesso, Kid aprendeu o ofício não só de escapar dos punhos adversários como da mão de ferro da repressão aos esquerdistas como ele.

Kid, então, evadiu-se para São Paulo, onde acabou se instalando no prédio Santa Helena, ali na Praça da Sé, onde funcionava um luxuoso cinema na época e os ateliês dos artistas plásticos que compunham o chamado Grupo Santa Helena – Volpi, Clóvis Graciano, Pennachi e companheiros, quase todos de esquerda, quando não comunistas de carteirinha.

Deu-se então a estranha simbiose entre a arte de pintar e a denominada nobre arte, o boxe.

Paralelamente, uma família de calabreses veio para o Brasil, fixou-se no interior paulista antes de se mudar para São Paulo, onde os quatro irmão Zumbano fizeram história muito parecido com o clássico do cinema italiano – Rocco e seus irmãos.

Waldemar era o cérebro, o guia da trupe e guardião das histórias da família; Higino, o estrategista; Tonico, o coice de mula, boêmio e briguento, que protagonizou a mais célebre luta de rua com o então mais afamado bandido da praça – Quinzinho -, e Ralph, o esteta do boxe, que nas Olimpíadas de 48 recebeu o título de Luvas de Ouro, embora não nos trouxesse merecida medalha. Ricardo, que conheci tocando o chaveiro da família no Quadrilátero da Barão, quase esquina com a Sete de Abril, era menino nessa época.

Época em que os Zumbano, todo fim de semana, saíam por esse interiorzão afora, com quatro cordas e um caixote de madeira na bagagem. Onde chegavam, instalavam as cordas nas árvores da praça da matriz, Waldemar subia no caixote e conclamava a cidade a participar da grande noitada de boxe, desafiando quem quisesse duelar com os  irmãos.

De quebra, exaltava a luta contra o imperialismo na sua mais perfeita tradução – o capitalismo selvagem, claro -, adornando tudo isso com algumas frases de Marx ou a ele atribuídas.

Waldemar, aliás, por causa disso, era frequentemente recolhido ao xadrez que não distinguia presos políticos dos marginais comuns. Caía a sopa no mel, pois Waldemar aproveitava essas estadas para aliciar seus parceiros de cela tanto para a o Partidão quanto para o boxe.

Enfim, encurtando o papo, num determinado ponto dessa história, Kid Jofre e Angelina Zumbano se conheceram, casaram e deles surgiu o nosso Eder, o Galo de Ouro, título, aliás, da biografia do campeão escrita pelo meu chapinha Orlando Duarte.

Eder, com poucas lutas como profissional, já disputava o título sul-americano com o ladino e esquivo Eernesto Miranda, um argentino de porte longilíneo, rápido, de jogo de pernas vertiginoso, tecnicamente quase perfeito, daqueles lutadores que batem e saem feito um raio.

Foram duas lutas empatadas, uma no Ginásio do Pacaembu, outra no Luna Park de Buenos Aires. A negra, disputada se não me falha a memória já no Ginásio do Ibirapuera, Eder sabia que tinha de vencer ou vencer. Mas, como pegar aquela gazela saltitante, que estava sempre fora do seu alcance?

Eis que, num determinado momento, os dois no centro do tablado, Eder abre a guarda para receber um direto de Miranda, famoso também por não ter pegada forte, no rosto. Eder bambeou e foi retrocedendo ás cordas, como se estivesse grogue com o golpe recebido.

Miranda, ao vê-lo assim, ainda vacilou, desconfiado, antes de dar o bote final. É quando Eder, sempre desperto, desde o soco recebido, desfere uma daquelas esquerdas potentes e manda o gringo à lona, sagrando-se campeão sul-americano da categoria dos galos.

Daí em diante a carreira de Eder decolou, e, depois de bater em sucessão dois filipinos de renome – Leo Espinosa e Danny Kid, este uma das paradas mais duras de sua carreira – acabou encontrando uma brecha para a disputa do título mundial, com o abandono do campeão Joe Becerra, abatido pelo fato de ter matado um adversário em cima do ringue.

Era uma espécie de eliminatória entre Eder e dois mexicanos de estirpe: Joe Medel e Eloy Sanchez, ambas disputadas nos EUA.

Medel foi carne de pescoço. Chegou mesmo a derrubar nosso campeão, antes de ser jogado na lona definitivamente. Com Sanchez, a coisa foi mais maneira. Outro nocaute, o título, conservado por anos, até a dupla perda para o japonês Harada, ou, como se dizia na época, para a balança, pois Eder, que nunca foi de treinar muito, começou a desafiar o próprio peso, o que lhe retirava a energia necessária.

Anos depois, já na década de 70, Eder voltou aos ringues para ganhar o título mundial dos penas, no Ibirapuera, numa tremenda confusão com os empresários que resultou no adeus definitivo do maior campeão de boxe brasileiro, considerado pelos experts americanos como um dos dez melhores lutadores de boxe em toda a história e categorias, além de ter um lugar no Hall da Fama como o maior galo de todos os tempos.

Jofreanas

Se no início de sua carreira, Eder até pensou em abandonar o boxe por não querer machucar um semelhante, em duas ocasiões de sua carreira foi cruel. Na primeira vez diante do colombiano Bernardo Caraballo, que o desacatara e levou imerecidamente a medalha de ouro nas Olimpíadas disputada por Eder.

Quando ambos já profissionais, o confronto se deu aqui. E Eder me confessou, anos atrás,  que evitou o nocaute o quanto pôde, para castigar o colombiano o tempo necessário para calar sua boca.

Outro caso foi o do galês John Caldwell, campeão europeu, quando Eder já defendia seu título mundial, no Ibirapuera. O gringo desembarcou em São Paulo cantando de galo, dizendo isso e aquilo, até que cruzou no ringue com Eder. Aí foi um massacre lento, progressivo e dolorido. Eder levou até onde pôde o nocaute inevitável.

Kid Jofre costmava dizer que um verdadeiro campeão não tinha alma. Tionha um cabide de pé no lugar da alma. Isto é: o verdadeiro campeão, mesmo nocauteado, não caía, como se mantido ereto por um cabide invisível.

Pois foi o que me convenceu que Eder era um verdadeiro campeão, quando, diante do argentino Castro (talvez, Raúl, apesar da semelhança com o nome do irmão de Fidel), ele sofreu um golpe fatal. Mas, olhos vidrados, Eder permaneceu em pé. E, no assalto seguinte, demoliu o adversário. Vi essa luta no gargarejo.

Ao conquistar o título mundial dos penas, nos sombrios anos 70, sob a mais trevosa ditadura militar, o presidente Medici resolveu lhe ofertar uma medalha de honra, oficialmente, Pois, dona Angelina, sua mãe, simplesmente proibiu Eder de receber a tal honraria. E Eder cumpriu ao pé da letra o desejo da mãe, apesar de todas as possíveis e não realizadas eventuais retaliações da ditadura.

Leio na Internet uma pergunta absurda: quem foi melhor – Eder ou Popó? Absurda porque não pode haver nenhum outro pugilista melhor do que Eder. Simplesmente, porque Eder foi o mais completo pugilista brasileiro. Tinha uma técnica impecável, seja na defesa, seja no ataque.

Dominava, como raros na história do boxe mundial, a capacidade de evitar golpes, fosse pela esquiva de cabeça, fosse pelo jogo de pernas, fosse pela guarda perfeita. Tanto, que até hoje, com mais de 70 anos não revela marcas de sua longa e gloriosa carreira.

Poucas foram suas quedas, acho que duas em sua carreira. Além disso, soltava seus golpes, de esquerda, a mais potente, ou de direita, rigorosamente dentro das regras da arte. Seus diretos eram retos, impecáveis; seus jabs rápidos e precisos: seus cruzados mantinham os cotovelos na posição exata para obter o melhor efeito; seus hooks, no fígado ou no baço, eram perfeitos, assim como os uppercuts, que vinham de baixo em direção ao queixo do adversário como se desenhados por compassos.

Talvez, essa exatidão na aplicação dos golpes conferisse aos punhos de Eder a sensação de que batia com uma força superior a duas categorias acima da sua. De qualquer forma, era a técnica elevada à quinta potência.

Notas relacionadas:

  1. UM TRIBUTO À MEDALHA SOLITÁRIA
  2. ÍDOLO CAÍDO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sábado, 20 de fevereiro de 2010 Outros esportes | 14:38

TIGER E O BIG BROTHER

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Bem, cada um sabe onde aperta seu calo. E o calo do extraordinário golfista Tiger Woods talvez lateje insuportavelmente a cada patrocínio milionário perdido, a partir do instante em que a mídia revelou seus pulinhos de cerca e a mulher anunciou seu desejo de se separar do esportista bilionário.

Talvez, não. Talvez, aquele constrangedor pedido de desculpas público tenha sido ditado pela formação puritana que molda, em geral, a alma dos americanos, com igual poder do direito de se enriquecer a qualquer custo.

De qualquer forma, doeu-me o calo imaginário ao assistir na TV aquela cena de Tiger, vertendo lágrimas pelo pecado cometido. Que pecado? Uuuu!, o adultério, condenada ao apedrejamento (físico ou moral) pela cultura judaico-muçulmana-cristã, com as devidas gradações.

Para nós, tropicais e sensuais criaturas, embora inserido em lei, por força da moral religiosa e não pela natureza humana (e isso vale para os dois gêneros – masculino ou feminino), a coisa não tem essa dimensão, em geral, pela progressiva e vertiginosa submissão aos valores americanos, nas últimas gerações, não duvido que amanhã , ao pular a cerca, homem ou mulher, levará tiro certeiro da justiça.

Por falar em tiro, os tão puritanos americanos, que condenam à morte moral o sujeito ou a sujeita que pula a cerca, como o fazem os muçulmanos e os judeus ortodoxos, assim como os cristãos beatos, resistem bravamente ao desarmamento geral e irrestrito da sua população. Pretexto: defender, nem que seja a tiros, sua privacidade. Bom argumento. O que, por sinal, facilita um daqueles garotos malucos munir-se do rifle do pai, subir a sacorossanta torre da igreja, e, dali, disparar tiros nos colegas, matando um a um. Fato recorrente como em nenhum outra praça do mundo.

A privacidade do indivíduo, de um cidadão, depois que as sociedades se organizaram em urbes e, mais tarde, em metrópoles, deve ser preservada a qualquer custo. O que rola entre as quatro paredes de uma alcova, não é de interesse de ninguém.

Deveria ser assim. Mas, depois que o olho do Big Brother – entidade profetizada lá pelos anos 30 pelo genial escritor inglês Goerge Orwell – se abriu nestes tempos de mídia irresoluta e tecnologia inimaginável, qualquer um de nós está sob o foco permanente do seu olhar sinistro.

Destruir aldeias inteiras no Vietnã, invadir o Iraque sob falsos pretextos, bombardear o Afeganistão, onde se esconderia o mesmo Ladden, o Anti-Cristo que matou três mil americanos, mas que continua lépido e fagueiro por aí, o diabo a quatro, pode. Derrubar governos legitimamente eleitos em toda a América Latina pode. Nada disso merece mais do que uma nota do Pentágono.

Mas, ceder ao pecado que expulsou Adão e Eva do Paraíso, segundo a leitura literal do velho livro, pedra nele!

E o olho onipresente do Big Brother está aí, em cada esquina das cidades grandes, em nome da segurança pessoal; nos serviços internacionais de inteligência, em nome da segurança nacional; na janela da Dona Candinha,em nome da santa fofoca, enfim, em cada metro quadrado de nossas vidas.

Ou, o olho de Alá, Deus, Lord, Jeová, o Grande Arquiteto, seja lá que nome se Lhe dê, perscrutando nossas almas e nos ditando o que o fazer.

Que Tiger Woods, o garoto pobre, negro, caddy esforçado e astuto, que chegou a se transformar no bilionário maior golfista da história, encontre sua paz interior. Nem que seja sob as regras do Big Brother. Mesmo porque ele não é mais do que um golfista excepcional e um ser humano como outro qualquer.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quinta-feira, 1 de outubro de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes | 20:12

JOGANDO NO COLO ALHEIO

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Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.

É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.

 O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.

Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.

Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.

Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.

Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico

BRASIL OLÍMPICO

Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.

O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.

E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.

Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…

Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.

De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.

Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.

Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?

Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…

Notas relacionadas:

  1. O DOMINGÃO E OS DIABOS CAMPEÕES
  2. INTER E TUTTI QUANTI
  3. VERDÃO SOBE E FLU DESCE
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009 Outros esportes | 20:01

“ESSE ZÉ BOLT É DEMAIS!”

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Andando pelas ruas de Ibiúna, sou abordado por um caboclo, que me reconhece pela televisão:

- Seu Helena, esse Zé Bolt é demais!

É isso aí, o brasileiro já abraçou Usain Bolt, o recordista fenomenal dos 100 e dos 200 m rasos, as duas provas mais nobres do atletismo. Virou Zé, o nosso Zé.

Talvez, por osmose, por esse seu jeito divertido de ser, uma alma alegre, que se expressa nos passos da dança jamaicana tão próxima das nossas; talvez, por essa capacidade singular de romper barreiras como se não estivesse fazendo o menor esforço, o que sugere novas surpresas logo depois da esquina.

Na verdade, diria que a humanidade abraça Bolt como uma esperança de que ele, com seus prodígios, possa conduzir-nos a um novo patamar, desafiando as leis do espaço e do tempo, que tanto nos intriga.

Até onde pode chegar o nosso Zé ninguém é capaz de adivinhar. Mas, sempre será um passo adiante na história do homem.

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sexta-feira, 31 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Outros esportes | 17:29

MAGNÍFICO CIELO

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O futebol, por ser tão imprevisível, é minha paixão. Mas, meu grande fascínio é pelo atletismo e pela natação, essa luta individual do ser humano contra o espaço e o tempo, um desafio interminável cujo desfecho sempre está aí, ó, mas nunca está.

AP

Por isso mesmo, quero depositar uma coroa de louros para o menino César Cielo Filho, que bateu o recorde mundial da prova mais nobre da natação – os 100 metros livre, num campeonato em que os recordes estão sendo pulverizados, prova a prova, seja porque a tecnologia das piscinas atingiu um nível de excelência ímpar, seja porque os atletas aprimoraram sua técnica ao infinito.

Mas, tudo isso está ao alcance de todos – ou quase todos. E Cielo foi lá, como um Príncipe Submarino, varando o tempo e o espaço e deixando seu nome marcado na história. Por quanto tempo, não sei. Mas, o suficiente para entrar na história, o que não é para qualquer um.

FLA, TRICOLOR E AVAÍ

As vitórias de maior repercussão, sem dúvida, foram as do Flamengo sobre o Galo, no Maracanã, e a do São Paulo sobre o Grêmio, no Morumbi. Afinal, estavam em confronto ali quatro das principais forças do futebol brasileiro. Mas, a mais significativa, por sua simbologia, foi a goleada do Avaí sobre o forte Vitória, em Floripa.

O Avaí não apenas bateu um time que vinha firme frequentando a zona da Libertadores – saltou todos os degraus que o separavam da zona de rebaixamento durante grande parte do campeonato. E já começa a visualizar no horizonte algo ainda mais nobre.

Mas, a vitória que deu nova configuração ao topo da tabela foi a do Flamengo, sob o comando provisório de Andrade, o que, aliás, pode estar na origem da recuperação do Mengo nestas duas últimas rodadas.

Em momentos de turbulência como o que vive o Flamengo, um temperamento manso e conciliador, parceiro, como o de Andrade, ajuda muito a afastar o grupo das travessuras dos cartolas. Isso (mais o fato de o Galo ter oscilado demais ao longo da partida) pode explicar a contundente vitória, de virada, sobre o Galo, que deixou o Periquito no alto do poleiro, sozinho e, portanto, bem acompanhado.

Quanto ao São Paulo, parece estar ganhando nova feição. Ou melhor: retomando sua velha cara, a de um time competitivo, forte na marcação com seus três zagueiros de ofício e tal e cousa e lousa e maripousa. Com um traço original, porém: a boa e rápida saída de bola ao ataque, graças à volta da dupla Hernanes e Richarlyson, ambos atuando como volantes, atrás de Jorge Wagner e de dois atacantes mais leves e insinuantes – Borges e Dagoberto, que não só marcou os dois gols do seu time como jogou muito bem.

Já o Grêmio passou a sensação de cansaço, mais mental do que físico. Mesmo assim, depois do gol de pênalti cobrado por Tcheco, apertou e poderia ter chegado ao empate no final.

PS: Por razões técnicas, este post não pôde ser editado ontem à noite, logo depois dos jogos. Desculpe, amigo.

Notas relacionadas:

  1. ATÉ AGORA, SÓ O INTER
  2. RECUPERAÇÃO GAÚCHA
  3. A GRANDE VITÓRIA
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domingo, 7 de dezembro de 2008 Outros esportes | 13:10

ÍDOLO CAÍDO

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É mais um ídolo do boxe que despenca do pedestal, desta vez, definitivamente. Pois, não dá para imaginar Oscar De La Hoya subindo novamente no ringue depois da tunda que levou sábado do filipino Manny Pacquiao. Apanhou do início ao fim, sem esboçar uma reação sequer ao longo dos oito assaltos, até que jogasse a toalha, rosto desfigurado pelas canhotas do oponente que entraram sem cessar na guarda do ex-grande campeão.

Sim, porque De La Hoya foi dez vezes campeão mundial em várias categorias, e um dos mais elegantes e eficientes lutadores de todos os tempos. Sábado, foi uma contrafacção de si mesmo: parado no centro do ringue, enquanto Pacquiao se movimentava com incrível velocidade parecia um ancião sendo surrado por um rapazote forte e ágil. Triste imagem final de um gigante do ringue.

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