Olimpíada | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 5 de julho de 2012 Copa do Brasil, Olimpíada, Sem categoria | 17:33

SORTE DE CAMPEÃO OU CIÊNCIA DO CRAQUE?

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Se é que existe mesmo essa tal de sorte de campeão, o Palmeiras já pode mandar confeccionar a faixa de campeão da Copa do Brasil, o primeiro título de importância nacional depois de doze anos de estio.

Sim, porque conseguiu superar a inesperada perda de seu artilheiro Barcos no dia do jogo decisivo com o Coritiba, vítima de apendicite, creia, pra começo de conversa.

Em seguida, resistiu o assédio do Coxa durante todo o primeiro tempo, evitando até mesmo uma contagem que poderia definir a situação de vez já nessa partida inicial, pois o Coxa perdeu cara a cara três gols feitos, num deles com dois atacantes, sozinhos, se atrapalhando diante do goleiro Bruno já com as mãos para os céus.

Eis que, aos 46 minutos de bola rolando, num dos raros avanços do Verdão, pênalti, que Valdívia converte. E, aos 19 do segundo tempo, quando o Coritiba pressionava, mas, já sem muitas esperanças, Thiago Heleno, de cabeça estabelece os 2 a 0 finais. Finais, porque Maikon Leite ainda perdeu chance de ouro, quando o Palmeiras já estava com um a menos, por conta da expulsão de Valdívia.

Ah, sim, houve um pênalti de Márcio Araújo em Tcheco, que o juiz não deu (a propósito, ô juizinho ruim de serviço, esse, meu!). Mas, do jeito que a coisa andava, perigava Bruno pegar o pênalti ou a bola ir pra fora, sei lá.

Só sei que a tal sorte de campeão, esse sortilégio, no fundo, no fundo, foi mesmo ajudado pela ciência de Marcos Assunção nas cobranças das faltas que provocaram o pênalti, no primeiro gol verde, e o cabeceio de Thiago Heleno, no segundo.

De qualquer forma, o Verdão leva para Coritiba uma vantagem significativa, se não definitiva. Só a sorte dirá. Ou a ciência do jogo, quem sabe, desta vez prevaleça.

OS DEZOITO DE MANO

Mano chamou os dezoito das Olimpíadas com Hulk como novidade entre os três acima de 23 anos de idade, pois Thiago Silva e Marcelo eram favas contadas. Assim como o era David Luís, que acabou cedendo sua vaga a Hulk, aprovado com louvor nos amistosos recentes. Mas, sobretudo, porque Juan, ao lado de Thiago Luís, teve bom desempenho também.

A presença de Hulk, porém, provoca uma questão instigante. Se vai, é pra jogar. E, se jogar, por certo, não será no lugar de Neymar, a estrela da cia. Como Neymar e Hulk jogam pelas beiradas, Mano terá de escalar um centroavante, seja Pato ou Leandro Damião.

Assim, sobrarão três vagas no meio de campo, onde a dupla de volantes – Rômulo e Sandro – é sagrada para o esquema do treinador. Logo, Ganso terá de disputar a posição de único meia autêntico com Oscar, que esmerilhou nas últimas partidas.

Uma das alternativas que Mano queria experimentar no período dos amistosos era a formação com ambos em campo, sem um centroavante genuíno. Mas, Ganso havia baixado novamente enfermaria e não foi possível.

Aliás, essa é a grande incógnita: como estará Ganso durante as Olimpíadas? Pelo que tem jogado no Santos depois da última cirurgia, só sairá do banco em caso extremo.

Uma pena, porque, se Ganso estivesse nos trinques, Mano poderia ir pras cabeças, com apenas um volante (Rômulo ou Sandro), dois meias (Oscar e Ganso) e o trio atacante Hulk ou Lucas, Pato ou Damião e Neymar.

Mas, nem tudo é azul na canarinho, não é mesmo?

JUJU NA MOSCA

A escolha não poderia ter sido a mais adequada. Ney Franco é um mineiro inteligente, discreto, trabalhador, jovem mas com respeitável bagagem à beira do gramado, e cultor de um futebol jogado nas regras da arte, pra frente, como manda o figurino, com as cautelas básicas, é claro.

Seu trabalho à frente das seleções sub-20, com as quais ganhou cinco títulos expressivos, foi estupendo, a ponto de ter montado o time que acabará servindo de base não só para as Olimpíadas como até mesmo para o Mundial de 2014, passando pela Copa das Confederações.

Só resta agora o Coronel Juju sentar-se na varanda, munido do sagrado copo dourado, e deixar o moço trabalhar em paz, quaisquer que sejam os resultados iniciais.

ENFIM, O CHIP

Demorou demais para a Fifa decidir implantar esse chip na bola que deixa dúvidas sobre a risca do gol – entrou, não entrou? O bichinho vai dizer com segurança na hora o que aconteceu de fato.

O olho humano é tão sensível a enganos e a tecnologia atingiu tal grau de sofisticação que não dá mais para desprezá-la nos campos do futebol.

Aliás, a propósito da falibilidade do olho humano, vale lembrar que isso serviu até para que um filósofo do passado criasse a teoria segundo a qual nossa realidade, de fato, é uma irrealidade, apenas um reflexo do mundo ideal, que está em outra dimensão, lá no céu, digamos.

E, para provar sua tese, basta o cara espiar a olho nu o tampo de uma mesa. A verá, então, lisa, marron etc. Aproximando essa superfície através de uma lupa perceberá que ela, na verdade, é uma soma depequenos orifícios, de cor amarelada. Se vista sob tal ângulo, é assim. De outro, assado, e lá vai o sábio provando que todos os nosssos sentidos – a visão, o olfato, o tato, o paladar – vivem nos pregando peças. Ora, se não poemos crer nas mensagens que eles nos enviam, em que acreditar, a não ser que tudo não passa de mera ilusão, ou projeção de uma realidade que está fora do nosso alcance.

Voltemos ao chip da bola que é algo bem mais palpável, não acha, meu?

Notas relacionadas:

  1. MANO E O LUGAR-COMUM
  2. QUEM PAGA A PIZZA É O PATO DE SEMPRE
  3. BRASIL SEM GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 3 de junho de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira, Sem categoria | 19:04

NENHUMA TRAGÉDIA

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Não, não foi uma tragédia essa derrota para o México por 2 a 0. Foi apenas mais uma experiência para nossos meninos olímpicos – como sair perdendo e revirar um jogo desses, diante de uma equipe mais vivida e determinada em não oferecer espaços para nossos craques.

Sobretudo, quando saímos do primeiro tempo com 2 a 0 no lombo, frutos de duas jogadas incomuns. Na primeira, Giovanni dos Santos, o filho de Zizinho (o outro, não o Mestre Ziza), obviamente tentou cruzar e a bola ganhou o destino do ângulo oposto ao de Rafael. No segundo, pênalti infantil de Juan, que, diga-se de passagem, jogou bem, antes e depois da lambança, convertido por Chicharito Hernandez.

Mas, se não soubemos mudar esse cenário, também não fomos vítimas do desespero, nem mesmo depois de perdermos nosso líder Tiago Silva, já no segundo tempo. Embora Pato tenha perdido aquele gol incrível, em cruzamento exato de Hulk, criamos poucas chances de inverter ou mesmo igualar o placar.

E isso se deveu muito à falta de um parceiro adequado para dividir o sistema de armação com Oscar, diante da sólida marcação mexicana.

Nesse caso, quem sabe, não tivesse sido mais produtivo substituir Sandro por Giuliano em vez de Lucas.

Mas, enfim, até mesmo uma derrota dessas serve como experiência para esse jovem time, que ainda terá outros dissabores pela frente, pois isso é do jogo. Mas, que, ao menos, revelou ter a capacidade de absorver a desdita sem cair no desespero.

Já é um sinal de maturidade.

Notas relacionadas:

  1. QUEM PAGA A PIZZA É O PATO DE SEMPRE
Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 2 de junho de 2012 Boxe, Olimpíada, Seleção Brasileira | 23:17

E LUCAS?

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Mano prefere não anunciar desde já o time que enfrentará neste domingo o México, em Dallas, no penúltimo amistoso da Seleção antes das Olimpíadas.

Tudo indica que, se houver alguma mudança inicial, esta será a escalação de Pato no lugar de Leandro Damião. Ou, até de Hulk. Neste caso, nosso time, do meio de campo pra frente seria todo olímpico: Rômulo, Sandro e Oscar; Pato, Damião e Neymar.

E Lucas?, perguntará o amigo. Pois é. E Lucas?, uma de nossas maiores esperanças para a Copa do Mundo no Brasil, em plena idade olímpica, que tem estado presente em quase todas as listas de Mano, porém, utilizado em doses homeopáticas. E, nesta Seleção armada para as Olimpíadas, às vezes em que entrou no time foi lá na ponta-esquerda, praia que não é a dele.

Confesso que, apesar da grande afinidade com as ideias de Mano, não consigo decifrar o enigma. Será que o técnico brasileiro está testando mais a alma do jogador do que suas habilidades como jogador? Estará querendo ver como reage o menino em situações desconfortáveis pra contribuir com seu rápido amadurecimento? É possível, embora descreia da eficiência de tais métodos no caso em pauta.

Por isso mesmo, gostaria de ver Lucas ali pela direita, com Pato sendo testado pra valer no comando do ataque. E, se quiserem uma novidade, que tal Wellington Nem, esse, sim, ali pela esquerda, até mesmo no lugar de Neymar, que não carece de teste algum?

De resto, é isso aí mesmo, com um olho esperto sobre esse garoto mexicano do Manchester United, Chicharito, que é liso feito quiabo.

LOS HERMANOS, OLÉ!

Foi um baile da Argentina sobre o Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, com show particular de Messi, que vai ganhando o coração até agora empedernido dos seus conterrâneos, desdenhosos, por sua fuga precoce em direção a Barcelona.

Jogo rápido, incisivo, feito de trocas de bola cientes, a partir de Mascherano e Gago, passando por Di Maria e deleitando-se à canhota de Messi, sempre em direção de Aguero e Higuain antes de repousar por quatro vezes nas redes inimigas.

Mas, a defesa dos gringos, meu! Continua aquela temeridade…

COISA DE CINEMA
O beisebol teve sua imagem mais dramática retratada na vida de Lou Gehring, interpretado magnificamente por Gary Cooper, enquanto o futebol americano distribuiu fartas risadas pelo mundo com Buster Keaton iludindo aqueles grandalhões todos nos tempos do cinema mudo, para ganhar legendas surrealistas na fala de Groucho Marx em outro clássico em que o esporte entra incidentalmente.

E quem não viu e se emocionou com Carruagens de Fogo, a obra-prima das telas tendo como mote o atletismo?

Mas, nenhum outro esporte ganhou um nicho tão generoso no panteão dos clássicos do cinema como o boxe. A lista é longa, a partir das cenas chaplinianas, até ganhar contornos dramáticos em Golden Boy, estreia de William Holden nas telas, passando por Punhos de Campeão, Réquiem para um Lutador, os tantos Rockys, Touro Indomável e até mesmo o mais recente Menina de Ouro, de Clint Eastwood.

Mas, por que diabos convidei o amigo deste pedaço a essa insólita sessão de cinema?

Porque acabo de assistir a um drama real, ao vivo e em cores, que mais se assemelhava a um desses filmes sobre boxe eternizados por Hollywood.

Era a despedida oficial de Popó dos ringues. Nosso tetra campeão, o maior pugilista brasileiro depois de Eder Jofre, estava praticamente aposentado há mais de cinco anos, quando Popozinho, seu filho, pediu-lhe que fizesse uma despedida com todas as pompas que cercam esse gesto final dos grandes esportistas, em especial a turma do futebol.

E, Popó, voltou ao ringue para enfrentar a grande promessa brasileira, um garoto de 22 anos de idade, exalando saúde e cercado de todos aqueles cuidados que os promotores de boxe, a televisão, enfim, quem trata desse assunto, costumam dedicar aos predestinados a grandes feitos: Michael Oliveira, campeão latino, seja lá o que isso quer dizer, invicto, com mais de vinte vitórias e uns tantos nocautes em seu cartel.

Resumindo o filme e adiantando o final que o amigo já está sabendo qual foi: depois de dominar inteiramente o combate, desde o início, dando um show de técnica e esquivas, o que não fazia parte do repertório do velho campeão, Popó nocauteou seu jovem adversário no nono assalto.

A cena final foi Popó e Popozinho, abraçados, ambos chorando as lágrimas da vitória considerada até ali impossível.

Não é coisa de cinema?

Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

quarta-feira, 30 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira | 23:35

NO CAMINHO CERTO

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Outra vez, o Brasil fez um primeiro tempo exemplar, marcando no campo adversário e, por consequência disso, disparando logo de cara 2 a 0 no placar. Um, de pênalti cobrado por Neymar, em bola roubada por Oscar (tá virando hábito, muito salutar, diga-se) e servida na medida para Leandro Damião, que chutou para o beque cortar com o braço. Outro, por Thiago Silva, de cabeça em cobrança de corner de Neymar.

Nesse meio tempo, Oscar, que trabalhou incessantemente costurando todo o time brasileiro, enfiou bola mágica para Damião perder diante do goleiro.

Tomamos um gol de Gomez, de cabeça, no finzinho do primeiro tempo. Mas, logo no início do segundo, bela trama pela esquerda, e Neymar serviu Marcelo de colher para emplacarmos 3 a 1.

A partir daí, a exemplo do que já ocorrera contra a Dinamarca, nosso time refluiu. Rõmulo salvou em cima da risca gol feito deles, a trave salvou outro, e Rafael timbrou seu passaporte para Londres com uma série de defesas providenciais, duas delas em sequência, à queima-roupa.

Por fim, já aos 41 minutos da etapa derradeira, Marcelo levanta bola exata para Pato, que havia entrado no lugar de Damião, matar no peito e bater cruzado: 4 a 1. Era o gol que o mesmo Pato havia perdido pouco antes, mandando ao poste passe medido de Neymar.

Placar excessivo? Bem, pelas chances criadas pelos norte-americanos no segundo tempo, a diferença poderia ser menor, uns 5 a 3 seria o mais justo.

Mas, o placar é irrelevante nestas alturas da preparação da Seleção Brasileira com os olhos postos em Londres.

O importante é ver a Seleção Brasileira mudar seu modelo de jogo, indo na direção do discurso inicial de Mano Menezes, aquele que preconizava a volta do nosso time à condição de protagonista. Isto é: o time que dita o ritmo e impõe o espírito do jogo.

Foi exatamente isso que fizemos nos dois primeiros tempos dos jogos com a Dinamarca e os EUA. Quer dizer: diante de duas escolas diferentes. E, se a Dinamarca revelou certa fragilidade, os EUA, ao contrário – jogando em casa, vindo de uma vitória expressiva sobre a Escócia outro dia, mostraram ser uma equipe organizada e determinada, além de veloz nas investidas à frente.

A lamentar apenas a entrada muito tardia de Lucas e numa posição que não lhe é nada confortável – ali pela esquerda, no lugar de Neymar.

E a saudar o extraordinário trabalho de armação de Oscar, que só fico imaginando-o ao lado de Ganso, quando o santista voltar aos campos em plena forma.  Essa, na verdade, era a grande experiência que Mano pretendia fazer nesses amistosos. Pena que não pôde.

Notas relacionadas:

  1. A CARA DO BRASIL
  2. A VEZ DOS OLÍMPICOS
  3. O POLICHINELO DA VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 29 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira, Treinadores | 16:17

AS EXPERIÊNCIAS DE MANO

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A informação que nos chega dos EUA é a de que, num treino em campo reduzido, nove contra nove, Mano Menezes escalou o trio Hulk, Pato e Neymar, juntos, com Casemiro fazendo as funções de beque.

Não sei até onde essas experiências serão levadas a efeito no amistoso desta quarta-feira contra os norte-americanos. Mas, ainda é tempo de Mano testar em campo as ideias que porventura rondam sua cabeça.

A aparentemente mais estapafúrdia seria essa de escalar eventualmente Casemiro na zaga. Mas, a sugestão passa a ser mais válida se lembrarmos que Casemiro foi um dos esteios da Seleção Sub-20 campeã do mundo atuando várias vezes na função de líbero, lá atrás. Acrescente-se a isso o fato de que, pelas regras olímpicas, só poderemos inscrever dezoito jogadores para a competição, o que, certamente, obrigará Mano a se precaver em caso de improvisações necessárias nesta ou naquela partida.

Quanto ao trio atacante, não creio que Pato comece jogando no lugar de Damião. Mas, é preciso testá-lo pra valer nesses jogos preparatórios. Assim como Hulk, destaque da vitória sobre a Dinamarca, vai ganhando sua vaga na Seleção. Todavia, não nesta olímpica, a não ser como o terceiro jogador acima da idade permitida pela disputa. Desconfio, contudo, que Mano deverá guardar esse lugar para setores mais vulneráveis do time, como o gol e as laterais.

Mesmo porque, se levado para Londres, Hulk deveria ser titular, o que obstaria a evolução de Lucas, deslocada para a esquerda, contra a Dinamarca, posição em que o craque tricolor revelou-se desconfortável e improdutivo.

Certo mesmo é que Neymar volte ao time, e que Oscar terá a tarefa de lhe meter as bolas exatas no lugar de Ganso, o parceiro de sempre.

Assim como é certo que o Brasil não terá moleza diante dos EUA, time que, historicamente, só foi vencido por nós, bem e com facilidade, na estreia de Mano, Neymar e Ganso, lembram?

Entre outras coisas, porque os americanos vêm de uma vitória expressiva sobre a Escócia, por 5 a 1, com o veterano Donovan, autor de três gols, nos trinques.

Tudo bem: a Escócia, a exemplo da Dinamarca, não é lá essas coisas. Mas, se numa coisa os escoceses são bons, além do uísque e da gaita de fole, é justamente defender-se com unhas e dentes. Procure nos alfarrábios xadrezes que o amigo não encontrará facilmente outra goleada dessas sofrida pela Escócia ao longo de sua história.

OS NOSSOS GRINGOS

Falou-se um bocado da possibilidade de Guardiola assumir a Seleção Brasileira, numa eventual queda de Mano Menezes. E até o próprio técnico catalão, admirador confesso daquele nosso velho estilo de jogar bola tão desprezado por aqui nos últimos anos, sentiu a picada da mosca azul e andou espalhando por aí que, olhe!, é coisa pra se estudar.

O brasileiro em geral, como a maioria dos latinos, se entusiasma na mesma velocidade com que se decepciona, diante da sucessão de resultados. E o êxito de Guardiola no Barça foi fruto, sobretudo, da paciência, do tempo de trabalho em que ele passou burilando os garotos da base e os marmanjos de cima, dentro de um conceito de jogo estabelecido no clube há décadas.

Não sei se atingiria seus objetivos nesse vapt e vupt do nosso futebol, sobretudo na Seleção, que se junta hoje pra jogar amanhã, sob uma rede intrincada de interesses dos clubes, dos jogadores, da CBF, da tv, dos patrocinadores e outros bichos.

Mas, uma coisa é certa. Afora os tantos técnicos argentinos e uruguaios que moldaram taticamente nosso futebol feito basicamente de talentos individuais, nas décadas de 30, 40, 50 e 60, a passagem por aqui de dois húngaros, com a diferença de vinte anos, instilaram conceitos que criaram raízes e deram belos frutos.

O primeiro deles, o austro-húngaro Dori Kruschner, que, na segunda metade dos anos 30, trouxe o WM para o Brasil, em sua breve passagem pelo Flamengo. Até então, jogávamos na clássica formação de 2-3-5. Isto é: dois zagueiros de área – o back, que ficava na sobra, e o stopper, que partia pro combate -, a linha média de três e o ataque de cinco – dois extremas, dois meias e um centroavante.

O WM, criado no final dos anos 20 pelo britânico Herbert Chapman, por conta da mudança da lei do impedimento (antes, eram três, em vez dos dois atuais, entre o atacante e a linha de fundo), estabelecia três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios apoiadores, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante).

Flávio Costa, que era auxiliar de Kruschner nessa época, com a saída do gringo, fez uma leve alteração no posicionamento dos médios e meias, chamou isso de Diagonal, e implantou esse sistema, mais tarde na Seleção Brasileira. Todo mundo foi atrás, até o advento do quarto-zagueiro, já pra lá da metade dos anos 50.

Foi mais ou menos na época em que outro húngaro ilustre, Bella Gutman, um dos integrantes da comissão técnica da Seleção Húngara de Puskas, Kocsis e cia., o Barça daqueles tempos, assumiu o São Paulo, campeão paulista de 57.

Gutman, que falava uma estranha mistura de espanhol com italiano, resumiu seu conceito à mais simples onomatopeia: Tá-Tá-Tá. Traduzindo: três passes, chute a gol. Isso era o que faltava ao nosso futebol, tão artístico, tão elaborado na troca de passes, nos dribles, nas invenções de jogadas pessoais – objetividade. Ir logo direto ao assunto, o gol inimigo.

Vicente Feola, à época superintendente do São Paulo e técnico intermitente do clube, entendeu a proposta e aplicou-a com esmero na Seleção que ele mesmo dirigiu na Suécia, culminando com a vinda do nosso primeiro caneco.

Quero dizer o seguinte: não é necessário que Guardiola, por exemplo, assuma a Seleção Brasileira hoje para mudar o curso do nosso futebol. Nestes tempos de globalização, os conceitos voam de lá pra cá, num átimo, e, mais cedo ou mais tarde, começam a germinar, independentemente da presença física de seus autores.

Basta o amigo rever as entrevistas dos nossos principais treinadores, pelo menos, desde o passeio do Barça no Santos, na decisão do Mundial de Clubes. Todos passaram a falar na necessidade de reter a posse de bola por mais tempo, de avançar a linha de marcação, de fazer isso ou aquilo como o Barça.

Ora, nós sabemos que, por uma combinação singular de fatores, o Barça é o que é, e nenhum outro time no mundo será capaz de imitá-lo literalmente.

Nem se trata disso. Trata-se apenas de reavivar o conceito do jogo trabalhado, passando da defesa pelo meio de campo antes de chegar ao gol adversário, em vez da chamada ligação direta, do medo extremo de atacar para não perder a segurança lá atrás, da supremacia da técnica sobre a força bruta, essas coisas elementares que fazem do futebol, ao mesmo tempo, uma competição e uma arte.

Algo que dê prazer de ser visto, com emoção, sim, mas também com a razão.

Notas relacionadas:

  1. O CIVILIZADO MANO
  2. OS CAMINHOS DE MANO
  3. A SELEÇÃO DE MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

sábado, 26 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira | 12:58

COMEÇO ANIMADOR

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Hulk foi o nome do jogo. Afinal, marcou dois golaços – um petardo de fora da área e uma investida, limpando o beque e tirando do goleiro – e poderia ter feito o outro, que Zimling tirou de seu pé para empurrar contra as próprias redes.

Além disso, deslocou-se, ajudou muito na marcação, enfim, destacou-se acima dos demais.

Mas, Hulk é daquela turminha com idade acima da olímpica, parâmetro para essa Seleção Brasileira que bateu a Dinamarca por 3 a 1, em Hamburgo. E, na faixa olímpica, o Brasil tem várias outras opções lá na frente, como Pato e Neymar, que não participaram do jogo, além de Giuliano e Wellington Nem, que entraram no segundo tempo. Isso, sem falar em Leandro Damião e Lucas, que atuaram praticamente toda a partida.

No caminho para as Olimpíadas, pois, o mais importante nesse jogo foi o desempenho de Oscar, como armador, no lugar de Ganso, nosso dilema crônico. Pois, Oscar foi muito bem, sobretudo no primeiro tempo, quando o Brasil exerceu uma marcação por pressão no campo adversário e construiu seu placar em menos de quinze minutos de bola rolando.

Assim como gratificante foi a presença de Juan, na zaga, ao lado de Thiago Silva, cujo parceiro deverá ser mesmo David Luiz (machucado) ou Dedé (idem).

Preocupante, porém, foi o comportamento da equipe no segundo tempo, quando refluiu e optou pelo tal jogo pragmático do contragolpe, o que permitiu à Dinamarca crescer, criar chances de perigo, conjuradas com segurança por Jefferson, e até chegar ao seu gol, embora em impedimento não assinalado.

Esse me parece o maior trabalho a ser feito por Mano Menezes: o de manter o time, do início ao fim, com ganas de marcar – o adversário e gols, muito gols.

De qualquer forma, foi um alentador ponto de partida para essa série de amistosos que servirão para definir nosso time olímpico. E, muito provavelmente, na sequência, o da Copa das Confederações.

IMAGEM DA CRISE

A imagem de Ronaldinho Gaúcho sendo substituído por Deivid pela primeira vez sob o comando de Joel, ao eco da maciça vaia da torcida rubro-negra, resume bem o momento por que atravessa o Flamengo.

Basta dizer que o Mengo, em casa, esteve com a vantagem de dois gols por duas vezes ao longo da partida, acabou empatando com um Inter desfigurado por 3 a 3. Isso, na esteira de toda a turbulência que sacode a Gávea há um bom tempo, dá a medida do que virá por aí.

Abstraindo-se esses elementos de crise do Flamengo, o jogo foi bem interessante, com todas essas alternâncias. A começar pela disparada no placar logo no começo da partida, quando Airton, pegando sobra na área, e Ronaldinho Gaúcho de pênalti, em lambança de Índio, marcaram os dois gols iniciais.

E poderia até ampliar para três, logo depois do gol de Gilberto, com Ibson, cara a cara com Muriel, desarmado limpamente pelo goleiro.

Mas, nem mesmo o terceiro gol, obtido por Vagner Love, logo no comecinho da etapa final, mudou o cenário de um jogo que seguia equilibrado, com o Colorado, inclusive, mais organizado em campo.

E a lógica se configurou nos dois gols em fieira do Inter. Primeiro, num petardo de Fabrício; depois, em disparo certeiro de Dátolo, na sequência de frouxo domínio de bola de Ronaldinho Gaúcho, origem da jogada fatal.

Agora, ambos terão dez dias para acertar suas contas no Brasileirão. O Inter, recuperando todos aqueles titulares ausentes. E o Flamengo, à espera de que Joel reveja essa formação de meio de campo, povoada de volantes, e instile ali um pingo de criatividade, ao menos.

E QUE GOLAÇO!

No jogo do vira, o Vasco venceu a Lusa, no Canindé, por 1 a 0. Ou melhor  1 a 0 em letras garrafais, pois o gol de Alecsandro foi um desses momentos mágicos do futebol – uma bicicleta, nas regras da arte, com a bola entrando no ângulo oposto do goleiro.

E a turma ainda mete a boca nesse centroavante, artilheiro com qualquer camisa que vista.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO DE GALA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

sexta-feira, 25 de maio de 2012 Olimpíada, Seleção Brasileira | 16:31

BRASIL SEM GANSO

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O dilema Ganso continua a infernizar a vida do técnico Mano Menezes que, em Hamburgo, inicia a série preparatória para as Olimpíadas, no amistoso com a Dinamarca, neste sábado.

Jogador essencial para a formação do meio de campo da Seleção, por ser um dos raríssimos meias armadores autênticos do nosso futebol, Ganso era a chave para que Mano arriscasse um esquema mais ofensivo, quebrando um protocolo que há muito rege nossa Seleção.

A possibilidade de entrarmos num desses amistosos – quase certo, contra os EUA – com um volante apenas (Rômulo), dois meias (Ganso e Oscar) e três atacantes  (Lucas, Damião e Neymar) era enorme. Assim como, eventualmente, pudéssemos até atuar sem um centroavante de ofício, com um segundo volante (Sandro) sustentando uma linha móvel ofensiva formada por Ganso, Oscar, Lucas e Neymar.

Todas essas alternativas perderam força com mais uma cirurgia a que se submeterá Ganso. Entre outras coisas, porque Mano terá de adaptar Oscar a essa função, resguardando-se com dois volantes, já que outro empecilho surgiu no meio do caminho – a contusão de David Luiz, que será substituído por Juan (o jovem, não aquele ex-Flamengo).

Oscar, na verdade é um meia ofensivo, mas que cumpriu com louvor a função de armador no Mundial Sub-20. Portanto, perfeitamente habilitado a substituir Ganso.

É verdade que, se Mano quisesse experimentar aquela nova fórmula poderia entrar com Giuliano no lugar de Sandro, digamos. Mas, aí correria riscos que ele não pode correr pela situação crítica em que se encontra à frente da Seleção. Mesmo porque a Dinamarca, embora seja aqui encarada como galinha morta, está classificada para a Eurocopa e não é nada boba, não.

O diabo é que para este jogo com a Dinamarca, ainda não poderemos contar com Neymar, que viajará diretamente para os EUA. Hulk entra em seu lugar, quebrando assim a sequência de raciocínio de Mano, que era a de começar já no primeiro amistoso com o máximo de olímpicos possível.

De qualquer forma, lá estarão em campo Danilo, Rômulo, Sandro, Oscar, Lucas e Leandro Damião, além de Juan, todos com idade olímpica Já é uma base, um ponto de partida.

Notas relacionadas:

  1. SEM GANSO E NEYMAR, TÁ BOM ASSIM
  2. A VEZ DOS OLÍMPICOS
  3. O POLICHINELO DA VILA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: ,

sexta-feira, 2 de outubro de 2009 Olimpíada | 17:37

DEPOIS DA FESTA

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Delegação brasileira presente em Copenhague festeja a escolha do Rio de Janeiro

Delegação brasileira presente em Copenhague festeja a escolha do Rio de Janeiro

O Rio está em festa, os políticos celebram o feito, enquanto vão computando de cabeça os votos a favor que cairão nas urnas nas próximas eleições, e todos os aproveitadores de plantão esfregam as mãos na expectativa dos fabulosos ganhos extras que se insinuam na mesa olímpica.

Mas, confessemos, o brasileiro de norte a sul, de leste a oeste, se sente – um tiquinho ao menos – mais orgulhoso. Afinal, rompemos uma barreira secular, acolhendo pela primeira na história da América do Sul, uma Olimpiada, o maior evento esportivo, ao lado da Copa do Mundo, que também patrocinaremos.

Talvez algumas mãos tenham sido devidamente molhadas, nesse escrutínio tão íntimo da escolha da sede da Olimpíada de 2016. Não sabemos, nem saberemos jamais, quem sabe. Mas, talvez, não, e tudo tenha corrido numa lisura impecável.

O certo é que a escolha não recaiu sobre o Rio por causa de seus excelsos equipamentos esportivos, tampouco pela segurança absoluta que reina nas ruas da Cidade Maravilhosa, ou pela magnífica rede viária, aeroviária ou rodoviária que cobre a urbe carioca e tal e cousa e lousa e maripousa.

Dizem que o projeto apresentado ao COI está irreprimível, e que, até lá, todos os problemas atuais estarão resolvidos. Até acho possível, pois nossas mazelas (e não só do Rio) advêm, antes de mais nada, da incúria, da falta de empenho, do despreparo da imensa maioria dos nossos governantes. Isso, desde os tempos coloniais, todos sabemos.

Desconfio, porém, que o toque de convencimento do colégio eleitoral do COI, na verdade, foi um gesto intangível, algo que se dissemina pelo ar, criando uma imagem tão favorável ao Brasil no resto do mundo, antes de tudo pelos efeitos da política econômica tupiniquim em meio à crise que assolou (e ainda assola) o planeta.

O desprezado e desprezível Brasil, exportador contumaz de travestis e prostitutas, abrigo de marginais internacionais, país dominado pelo narcotráfico, berço de imensas favelas, epicentro da mais abjeta divisão de riquezas, composto por essa gente mulata irresponsável, que só se interessa por samba e futebol, reino de desenfreada corrupção policial, judiciária e dos políticos em geral (Executivo e Legislativo), por certo, não mereceria nem mesmo um sorriso de ironia dos jurados do COI diante de tantas promessas.

Nem mesmo o Brasil de César Lattes, Niemeyer, Drummond, Machado, Pixinguinha e Noel Rosa, Villa-Lobos, Pelé, Glauber, Portinari, Eder Jofre e outros tantos gênios da raça tocaria a sensibilidade daquela turma.

O que conta, numa sociedade de resultados como a que se espalha pelo mundo todo, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim, é mesmo o resultado. E o Brasil, com todas as suas gingas e meneios, com todos os problemas estruturais e atávicos, consegui driblar a crise, na medida do possível e do inimaginável. A ponto de merecer encômios em quase todas as grandes publicações do mundo.

Pelé e Lula festejam a vitória

Pelé e Lula festejam a vitória

Acrescente-se aí o carisma indiscutível do presidente Lula, que, com todos os seus defeitos e limitações, encanta não só o eleitorado nacional mas, também, essa gente estrangeira, e teremos, imagino, uma explicação mais próxima do que aconteceu no interior da escolha.

Resta, agora, ficar de olho no nosso bolso, que, inevitavelmente, será tungado, e tentar seguir passo a passo seu roteiro.

Sei bem que o brasileiro, em geral, não é ainda um cidadão com plena mobilidade como tal. Mesmo porque não basta a fiscalização rígida. É preciso que o Judiciário, na comprovação de maracutaias, seja menos lerdo e leniente na aplicação de duras penas aos eventuais infratores.

E que os poderes públicos, as organizações civis, a sociedade como um todo, se empenham na tarefa de viabilizar esse evento, que escapa a uma simples competição esportiva.

A Educação está no centro desse esforço. É preciso que haja neste país, como gosta de dizer o presidente, um imenso mutirão em favor da Educação e da Pesquisa. A Educação para formar atletas, mas, principalmente, cidadãos esclarecidos. Atletas, para que não passemos vergonha no campo esportivo; cidadãos, para que a vigilância sobre os gastos públicos seja eficaz.

Enfim, que o Brasil, como um todo, dê um salto no sentido de transformar-se num país respeitado, antes de mais nada, pelo seu valor intrínseco: o caráter de sua gente, povo, governantes, esportistas e empresários.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,