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16/07/2009 - 00:31

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O Cruzeiro foi o anti-Cruzeiro, e o Estudiantes, simplesmente o Estudiantes de sempre. Eis a razão básica do funéreo desenlace da Copa Libertadores num Mineirão com atmosfera de Maracanazo.
Quando não lento, apressado, tenso, incapaz de botar a bola no chão e fazer seu jogo, o Cruzeiro só viveu um breve momento no início do segundo tempo. E foi aí que tudo se deu, para o bem e para o mal: o gol de Henrique – um tiro de fora da área que desviou no beque e enganou o goleiro.
A celebração excessiva, como se ali a taça já era azul, sinalizava para uma sequência desastrosa, fruto do relaxamento posterior. E não deu outra: sob a regência do eterno maestro Verón, o Estudiantes nem se assustou, nem se apressou. Botou a bola no chão e seguiu no mesmo cantochão, barrando o adversário no meio-de-campo, só esperando a hora de dar o bote, o que ocorreu logo em seguida, aos 12 minutos, em bola cruzada na área, que Fernandez guardou.
A pá de cal veio aos 28, em córner cobrado na medida por Verón, que Basolli, artilheiro da competição, conferiu de cabeça. O resto foi apenas uma agonia que terminou com aquele disparo de Thiago Ribeiro no travessão, já quando os cortejos se dividiam: os gringos, em direção à taça onde repousava o vinho da vitória; os brasileiros, pra casa, sorvendo o fel da derrota.
Como diria o velho sábio portenho, cosas del bandoneón.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Libertadores
Tags: Cruzeiro, Estudiantes, Libertadores
14/07/2009 - 17:22
O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.
É o nosso Cruzeiro do Sul, guia dos timoneiros sem bússola, um rumo que deveria ser seguido por todos os demais times brasileiros, no sentido de que é um dos raros a preservarem em campo suas identidade histórica.
Basta dizer que, nestas seis décadas em que acompanho o futebol, seja como amante da arte, seja por dever de ofício, não me lembro de um Cruzeiro que não praticasse um jogo técnico, ofensivo, rigorosamente dentro dos ensinamentos da brilhante e vitoriosa escola brasileira.
Não receba, por favor, o amigo estas palavras como fruto de chauvinismo, patriotismo, ufanismo, ou qualquer outro desses ismos que não me tocam nem de longe. É apenas uma constatação.
Não sei se os azuis vão levar a taça, nesta noite de quarta, ninguém sabe na véspera o que esse jogo tão caprichoso nos reserva para o dia seguinte.
Afinal, o Estudiantes é um bom time, que sabe tocar a bola bem ao estilo argentino do toco y me voy, orquestrado por um maestro no meio-de-campo, o eterno Verón.
Mas, desconfio que dá Cruzeiro, com gol de Kléber, o Gladiador, e outro, de despedida de Ramires. Pelo menos, torço, confesso, que assim seja.
DANÇA DO DIABO
Quem acompanha o futebol por um bom tempo não mais se surpreende com essa Dança do Diabo, como intitulou seu antigo livro de memórias o ex-técnico Francisco Sarno.
A surpresa é que, apesar de tantas vagas abertas, treinadores do porte e fama de Luxemburgo, Parreira e Muricy estejam por aí à deriva, assim como o emergente Mancini, que caiu sob uma chuva de ovos, o que me remete à velha máxima lusitana repetida pelo saudoso Oto Glória: sem ovos, não se faz omelete. (Os ovos a que ele se referia eram aqueles que entram em campo, não os que a torcida fez explodir nas janelas do ônibus santista).
A explicação é mais simples do que parece: grana. Grana e um certo desfastio desses técnicos.
Sim, porque os clubes começam a desconfiar que, com o nosso calendário, com tão pouco espaço oferecido ao técnico para treinar adequadamente suas equipes, mais os cofres vazios por tantas razões, o melhor é transferir os vultosos investimentos nos chamados treinadores de ponta para reforçar o elenco, abrindo espaços para interinos ou emergentes que possam tocar o barco mais ou menos da mesma maneira a um custo infimamente menor.
Mas, enfim, isso tudo pode ser apenas circunstancial. Amanhã, o Muricy assume o Santos; Parreira, o Palmeiras; Luxa, o Inter, ou até se associe com um clube de menor expressão, essas coisas, e tudo volta ao normal.
O problema todo é que, com o advento do Brasileirão por pontos corridos, mais o renascimento da Libertadores para nossos clubes (a Copa do Brasil se insere nesse cenário continental), os chamados clubes grandes brasileiros ainda não caíram na nova realidade, muito diferente daquela dos tempos em que os estaduais eram reis.
Naqueles tempos, eram de dois a quatro clubes disputando o título principal da temporada, em cada estado. No máximo, o jejum seria de três anos.
Hoje, são, por baixo, dez clubes dos grandes centros, sem contar as eventuais surpresas, competindo pelo cetro nacional. Pela lei das probabilidades, cada um poderia levar a taça de nove em nove anos. Uma eternidade para nossa cabecinha.
Acrescente aí o risco de rebaixamento, suprema vergonha para os bambambans do pedaço.
Cartola, mídia e torcida nem de longe enxergam as campanhas dos grandes sob essa perspectiva. Ao contrário, se tal clube, que investiu numa comissão técnica de nível e em alguns bons jogadores, não vestir a faixa de campeão, no mínimo, é um fracasso retumbante, mesmo que seja vice.
Só o tempo mudará essa ótica. Se mudar. Enquanto isso, todos continuaremos a seguir os passos da Dança do Diabo.
E AÍ VEM MAIS
Vem aí a décima primeira rodada do Brasileirão, com boas possibilidades de novas cabeças rolarem Ou, de algumas periclitantes se salvarem.
É o caso do interino Jorginho, no Palmeiras. Vai que o Verdão faça bela figura diante do Mengão, no Maracanã, cujo gramado foi destroçado pelo show do Roberto Carlos.
Se o presidente do Palmeiras já começa a acalentar a ideia de mantê-lo até onde der, terá de se render às evidências e soldar a permanência do atual treinador, que, cá entre nós, só precisa de um tempo para provar sua competência.
Afinal, o Flamengo vem muito bem, obrigado, e joga em casa, o que é sempre um grande negócio para os rubro-negros.
Outro que poderá se firmar um pouco mais, no conceito da mídia e da torcida, é Ricardo Gomes, cujo São Paulo vai ao Mineirão pegar nada menos do que o Galo forte, vingador e líder isolado do torneio.
Para tanto, muito contribuirá se o técnico tricolor olhar mais adiante e configurar seu time nos padrões mais modernos, com apenas dois zagueiros e um meio de campo mais ágil e hábil.
E Tite, desse Inter tão decantado no início da temporada e que, além das quedas na Copa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, vem de derrota para o Furacão? Dizem que se u prazode validade vai até o Grenal. Mas, se fizer fiasco diante de um Fluminense acéfalo, na zona do rebaixamento e tal e cousa e lousa e maripousa, sei não se Tite chega até lá.
Por fim, quem não tem que provar nada é Mano Menezes (nem podia ser diferente), que recebe no Pacaembu o Sport, time de campanha mediana no campeonato.
Mas, atenção, pode perfeitamente enfrentar certa turbulência, pois o Corinthians jogará desfalcado de sete titulares, dentre eles, Elias, que o Fenômeno, outra noite, no Bem, Amigos, classificou como o melhor jogador brasileiro da atualidade.
Será a chance de Jucilei, de tantas expectativas, comprovar que está apto a assumir o lugar do titular, um dos cogitados, aliás, para pular pela janela européia de contratações.
Elias, embora tenha jogado muito pouco na derrota por 3 a 0 para o Grêmio, tem sido uma das âncoras do Corinthians, nesta gloriosa campanha do seu time.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Libertadores, Treinadores
Tags: Cruzeiro, Dança do Diabo, Muricy Ramalho, Parreira, Vagner Mancini, Vanderlei Luxemburgo
07/07/2009 - 18:15
Mais uma vez, a cartolagem sul-americana se mostra insensível e irresponsável diante de um cenário grave como esse da pandemia de gripe suína, que, por estas bandas, assola a vizinha Argentina.
Tudo sugeria que esse primeiro jogo da decisão em 180 minutos fosse adiado, até que a febre passasse. Mas, não: a Conmebol, essa excrescência continental, um escritório gerido por um ancião, apesar dos apelos da CBF e do Cruzeiro, insistiu em marcar o jogo para La Plata.
Não bastasse o Estudiantes ser um bom time (o único a vencer o Cruzeiro na fase de classificação, embora em jogo atípico, em que os azuis tiveram de se trocar no próprio ônibus), comandado por esse excepcional Verón, que, se jogar será à meia-boca, o Cruzeiro vai lá atado mais pelo medo de contrair a gripe do que de enfrentar o adversário em campo.
O pior para os brasileiros é saber que, nos últimos tempos, esse critério no qual o segundo jogo beneficia o time de melhor campanha mudou o braço da viola. Tem acontecido exatamente o contrário: o que obtém melhor resultado na primeira partida, acaba levando.
O consolo é saber que o Cruzeiro tem um time excelente, com um goleiro de primeira, um meio-campo ativo e de toque envolvente e um ataque onde Kleber, o Gladiador, se destaca pelo vigor e pela habilidade.
Além do que, tem se dado muito bem fora de casa.
É a nossa esperança.
TIMÃO E FLU
O Corinthians recebe em casa o Fluminense, o mais completo possível, menos o becão William, com um problema antigo no tornozelo, que agora vai ser atacado pra valer.
E não é um desfalque qualquer, não, pois tanto o técnico Mano Menezes quanto seus companheiros de equipe consideram William um jogador especial, capaz de aliar em seu jogo um senso de liderança positiva a uma visão tática refinada.
É hora, pois, de se verificar como reage o Timão ao natural relaxamento que sempre sobrevém às grandes conquistas. Resumindo: o uísque depois do orgasmo.
Mesmo porque o Corinthians, para não levar esse relaxamento além da conta, o que poderia criar desdobramentos negativos até à Libertadores tão sonhada, tem de mergulhar no Brasileirão de cabeça.
Já o Fluminense, segundo os relatos que me chegam do Rio, prepara-se para esse jogo sob um clima de despedida do atual elenco e de incertezas sobre aquele que tentará reerguê-lo no segundo semestre. Isso pode ser para o bem ou para mal.
O certo é que a bola está no campo do Timão. Resta saber se saberá levá-la às redes adversárias com juízo e empenho.
CORINALDO
Ronaldo Fenômeno esteve no Bem, Amigos do Galvão, e, naquele jeitão simpático, deixou transparecer que sua associação com o Corinthians vai mesmo muito além de um mero contrato de prestação de serviços.
Trata-se de uma autêntica parceria, em que o atleta entra com sua fama e prestígio internacionais para levantar recursos com vistas à construção de um CT alvinegro à altura de suas pretensões.
Mais do que o tão decantado estádio corintiano, o CT é essencial para que o clube tenha uma verdadeira base de trabalho, tanto para os profissionais quanto para a formação de talentos, que é uma tradição alvinegra, apesar de tão poucos recursos existentes nesse sentido.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Cruzeiro, Estudiantes, gripe suína, La Plata. Argentina
06/07/2009 - 13:04

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Para encarar a Libertadores nas regras das artes, antes de tudo, o Corinthians precisa esquecer a Libertadores, já. Sobretudo, porque daqui até lá, haverá tantos imprevistos de toda sorte, sem falar no curso normal das coisas, o que em futebol significa qualquer coisa.
Certo mesmo é que o Corinthians terá de chegar à Libertadores assentado, equilibrado emocionalmente, pelo menos. Para tanto, não pode relaxar agora, pois se o fizer correrá o sério risco de chegar lá fragmentado, portanto, vulnerável.
Faz bem, pois, Mano Menezes em eleger o Brasileirão como um alvo absolutamente prioritário. Não só porque esse título seria a terceira coroa a fechar com chave de ouro um ano até aqui prodigioso para o Timão. Mas, sim, para manter o time ligado, aceso, já com vistas ao objetivo maior – a Libertadores.
Claro, é normal, ao fim de uma campanha em que o Corinthians aumentou o seu acervo de glórias com o Paulistão e a Copa do Brasil, que sobrevenha um certo relaxamento, aquela sensação de prazer satisfeito, o desejo a siesta, cochilo reparador e tal e cousa e lousa e maripousa.
Mas, o lema que tem impulsionado esse Corinthians é aquele que vem da galera: Não pára, não pára, não pára…
RACISMO NO FUTEBOL
O racismo é um desses demônios que devem ser erradicados de vez da alma humana. Mas, o bicho é resistente. Alimentado pela ignorância e a impotência dos homens, sobrevive há milênios – às vezes, abertamente; às vezes, nas sombras da dissimulação.
Nem sei se não é, enfim, a tal Marca de Caim, impressa na alma humana até a eternidade. Mas, de qualquer forma, é preciso combatê-lo sempre, em todos os quadrantes, para que, ao menos, finjamos que somos civilizados.
Da segunda metade do século passado até aqui, o mundo avançou muito nesse sentido, apesar dos bolsões de resistência de bandos de estúpidos espalhados por esse planeta afora. Mas, ainda há muito o que avançar nesse caminho civilizatório.
E o futebol, talvez a mais abrangente expressão esportiva mundial, que se insere nos corações mais recônditos, passa a ser um alvo prioritário nessa luta.
A Fifa, a Uefa e as federações nacionais da Europa já se deram conta disso, e baixaram medidas disciplinares, não apenas sobre jogadores e clubes que eventualmente recorram a tal método odioso, como também sobre as torcidas que manifestem sua idiotia nas arquibancadas com ritos e cânticos racistas.
Mas, o que fizeram até aqui a Conmebol e a CBF a respeito? Zero!
Vez por outra, jogadores entram em campo com faixas condenando essa prática malsã. E só.
Não basta. Devem ir fundo nessa questão, estabelecendo punições severas sobre as torcidas e seus respectivos clubes que adotem tal postura nos estádios.
É absolutamente inaceitável, neste nosso Brasil mulato, cafuz, mameluco, onde Ocidente e Oriente se fundiram tão profundamente que é impossível distinguir um nissei de um descendente de índio, manifestações como as de parte da torcida do Grêmio chamando jogadores do Cruzeiro de macacos.
Na fauna simiesca, sabemos, há macacos negros, marrons, brancos, cinzas, de todos os tamanhos e formatos. O traço comum entre eles, porém, é a imitação.
Tanto, que no linguajar popular, quando se refere a um imitador, diz-se que parece macaco.
Desde o início da rivalidade entre os brancos argentinos e os mulatos e negros brasileiro, nas primeiras décadas do século passado, eles nos chamam, abertamente, de macaquitos.
Se for por causa da nossa cor, é ofensa. Se for porque parte dos nossos os imitam em tudo nas arquibancadas, então, é apenas uma constatação: macacos são aqueles os imitam, sem nenhuma originalidade nem vergonha.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Corinthians, Libertadores, Mano Menezes
03/07/2009 - 00:23

A decisão começou nervosa, num Olímpico fremente, com muitas faltas de lado a lado. Mas, logo o Grêmio assomou o meio-campo, acuou o Cruzeiro no campo adversário e foi acumulando chance sobre chance de gol, em vão. Parte, pela impotência de sua dupla de ataque – os argentinos Maxi López e Herrera. Parte, pelas precisas intervenções do goleiro Fábio. Sem contar o pênalti em Herrera, não assinalado pelo juiz.
O Cruzeiro, por sua vez, era o anti-Cruzeiro: recuado em demasia, tenso, mal conseguia fazer a bola passar da linha divisória do campo. Cadê aquele toque-toque, aquele jogo envolvente, leve e veloz de praxe? Nem sombra disso.
Mas, o Cruzeiro ainda tinha um trunfo na manga: Kleber, o Gladiador. E foi justamente ele quem deu o tom para o resto da partida e da competição, ao executar uma passagem genial pela direita, concluindo com passe medido para Wellington Paulista abrir a contagem, já tão favorável aos mineiros, aos 34 minutos.
E, na sequência, enquanto o Grêmio tentava assimilar o golpe, Jonathan cruza da direita para Wellington Paulista, desta vez de cabeça, sepultar qualquer esperança do inimigo.
O Tricolor gaúcho voltou de fronte erguida para o segundo tempo e chegou ao empate, com Rever, de cabeça, em cobrança de córner, e Souza, com tiro exato e traiçoeiro de fora da área.
Nessas alturas, o Grêmio já havia perdido Adilson, expulso, e o Cruzeiro, com a entrada de Thiago, recuperou em parte seu habitual toque de bola, o suficiente para levar o jogo até o fim sob a proteção da vantagem de três gols na contagem agregada das duas partidas.
Assim, temos o Cruzeiro nas finais da Copa Libertadores. Nada mais justo. Não apenas pela bela campanha dos mineiros na competição. Mas, sobretudo, porque é um time que valoriza o bom futebol, embora disso tivéssemos apenas alguns traços na partida do Olímpico.
Por fim, ao Gladiador, a coroa de louros, pela força que imprime a seu jogo, mas, sobretudo, pela técnica, que se esmera a cada dia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Cruzeiro, Kléber, Wellington Paulista
01/07/2009 - 15:19
O Grêmio teve a melhor campanha entre os brasileiros na Libertadores até esta fase. Mas, o Cruzeiro passou por provas mais difíceis e leva para o Olímpico uma vantagem considerável, embora não definitiva, colhida no jogo do Mineirão.
Outro detalhe importante: o Tricolor gaúcho, sob recente comando de Paulo Autuori, passa por um processo de transformação esquemática – saiu do sistema com três zagueiros para o com dois, o que me parece um avanço. Isso, contudo, parece, detonou uma crise em que o ala Ruy passou a ser o pivô, a ponto de ser afastado da equipe. Não joga nesta quinta, e pode até ser dispensado.
Sem um lateral-direito de ofício, já que a alternativa Joílson foi descartada, o técnico terá de improvisar o zagueiro Thiego naquela posição, o que significa uma opção intermediária, que tanto pode dar certo quanto errado.
Além do mais, o Grêmio tem dificuldades evidentes lá na frente, onde a dupla de argentinos não está dando conta do recado. O Grêmio cria, mas não faz. Em contrapartida, terá a impulsioná-lo aquela massa azul delirante, o que não é pouco, creia.
Quanto ao Cruzeiro, organizado a mais tempo, cultivando um jogo de toques e envolvimento, só precisa atravessar a barreira dos nervos para saltar à final da Copa Libertadores. Não vai ser fácil.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Cruzeiro, Grêmio
19/06/2009 - 00:43

Os sinais estão por toda parte, só não vê quem não quer, indicando o declínio da força bruta em favor da técnica e da habilidade.
Está sendo assim na Copa das Confederações, como foi na Eurocopa, nos campeonatos inglês, espanhol e até mesmo no Brasileirão liderado pelo Galo e pelo Inter e na Copa do Brasil.
E esses sinais estavam claramente inscritos nas estrelas do céu de cobalto que cobriu o Morumbi, na decisão da vaga pelas semifinais da Libertadores: o Cruzeiro, precisando apenas de um empate, meteu 2 a 0 no São Paulo, marcando bem, pois isso é de praxe, mas fazendo a bola circular com ciência e arte, enquanto o Tricolor repetia seu crônico e escasso repertório baseado apenas na disciplina tática, no empenho de seus jogadores e nas bolas alçadas à área inimiga, uma eterna repetição de um mecanismo repetitivo, previsível e tedioso.
Se fosse fazer uma analogia com a música, o Tricolor é um refrão sem segunda parte, o samba de uma nota só, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais, executando sempre as mesmas marchas marciais, que, a princípio despertam certa emoção patriótica, mas, logo, chateia.
Em contrapartida, o Cruzeiro parece um grupo de pagode afinado, com solos de um Dudu Nobre ou de Um Zeca Pagodinho, aqui e ali. E, se for preciso meter um bolerão lento e cadenciado, então, tome lá.
Foi mais ou menos nesse ritmo que o Cruzeiro envolveu o São Paulo no Morumbi, ao longo de toda a partida, antes e depois da expulsão de Eduardo Costa. Expulsão, aliás, emblemática, pois quem aposta mais na força do que na técnica estará sempre correndo esse risco.
Amornou o jogo, sugando a energia do São Paulo naquela vai-da-valsa do toque de bola, e, aos 21 minutos do segundo tempo, Henrique acertou um magnífico disparo no ângulo de Denis. E, já lá pelos 35, quando a Raposa rondava o galinheiro tricolor, Bernardo acertou um chute forte, que André Dias cortou com a mão, em salto espetacular. Pênalti, que Kleber converteu, logo após a expulsão do zagueiro do São Paulo.
Agora, é o Cruzeiro encarar o Grêmio, outro que já se molda aos novos tempos nas mãos de Paulo Autuori, com dois zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes. Dois jogaços sob os signos da modernidade, que, na verdade, não passa de um arcano.
Quanto ao São Paulo, resta Muricy mudar o braço da viola, outro bordão que venho repetindo há séculos, desde os tempos de glórias recentes. O diabo é que Muricy está preso ao círculo de giz que ele mesmo e sua diretoria traçaram em torno do conceito superado do tal futebol de resultado. Cadê os jogadores com habilidade e molejo pra botar uma dose de imprevisibilidade nesse time tão mecanizado?
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Cruzeiro, Libertadores, São Paulo
16/06/2009 - 18:23
O Palmeiras, do técnico Luxemburgo, cultor do sistema com apenas dois zagueiros de área, vai a Montevidéu, com um beque a mais da sua própria conta para pegar o Nacional.
O Grêmio, por tradição time guerreiro com tons defensivos acentuados, nas mãos de Paulo Autuori, muda o braço da viola e recebe o Caracas no Olímpico.
É o futebol brasileiro, tentando ir às finais do maior torneio continental, por vias diferentes.
No fundo, no fundo, essa sintonia fina é muita relativa, numa disputa mata-mata como esta, em que tantos outros fatores atuam com maior intensidade do que a escolha deste ou daquele sistema de jogo, embora este seja sempre essencial.
Autuori já foi duas vezes campeão da Libertadores – pelo Cruzeiro e pelo São Paulo -, logo, há de se supor que sabe muito bem o que está fazendo.
Luxemburgo, de tantos títulos, porém, nunca chegou a levantar essa preciosa taça. Mas, é um técnico atilado, pragmático antes de mais nada, e versátil, capaz, pois, de fazer funcionar um esquema que não lhe é caro, em especial.
O que eu quero dizer, com toda esse lero, é que Grêmio e Palmeiras, assim mesmo, ou de sinais invertidos novamente, têm tudo para seguir adiante neste funil da Libertadores.
TIMÃO OU INTER?
O Inter vai ao Pacaembu sem três titulares de peso – Nilmar e Kleber, servindo à Seleção Brasileira, e D’Alessandro, machucado.
Em contrapartida, o Corinthians não terá apenas o lateral-esquerdo André Santos. De resto, vai com tudo, inclusive o Ronaldo Fenômeno.
Portanto, favas contadas, pois não? Jogando em casa, com o apoio da Fiel ensandecida, com Ronaldo e contra um Inter ferido em três posições chaves da equipe, o Timão é favorito.
Até pode ser. Mas, não necessariamente.
Olhemos por outro ângulo: Ronaldo está gripado e vem de uma recuperação de lesão muscular na panturrilha, o que drena sua energia e limita suas ações, e a ausência de André Santos é uma lacuna sem preenchimento. Mano terá de apostar em Saci, que não tem ido bem, ou em Diego, um beque que não funciona por ali, ou ainda Marcelo Oliveira, um meiocampista improvisado no setor.
Já o Inter, no lugar de Kleber, tem Marcelo Cordeiro, que vem jogando melhor do que o titular.
Para a vaga de D’Alessandro, lá está Andrezinho, de tão boas atuações recentes.
E, para o comando do ataque, Alecsandro, que, se não tem a técnica e a mobilidade de Nilmar, longe disso, é um atacante eficiente e goleador por natureza.
Ah, sim, ia esquecendo de Bolívar, outro ausente no Inter. Mas, se jogar Danilo, talvez o Colorado ganhe até mais no apoio ao ataque por aquele setor.
De qualquer forma, seria, como será, briga de cachorro grande. E qualquer um que saia vencedor desse jogo em 180 minutos será digno representante da vanguarda atual do futebol brasileiro na Libertadores.
NOSSO VELHO CANSAÇO
Depois da suada vitória sobre o Egito, na estréia da Copa das Confederações, a turma justificou-se, não sem alguma razão, botando a culpa maior no cansaço de tantas viagens, no fuso horário e tal e cousa e lousa e maripousa.
Sim, claro, tudo isso influenciou na pífia apresentação brasileira, apesar da vitória emocionante por 4 a 3.
E aí me pergunto se esses fatores não atuaram mais decisivamente sobre o jogo brasileiro justamente porque adotamos um conceito em que a força de marcação se sobrepõem excessivamente à técnica.
Explico melhor: se fossemos um time treinado para reduzir o espaço de ação mais à frente, marcando a saída de bola do adversário (como, aliás, fez o Egito), e, quando de posse da bichinha, passássemos a fazê-la circular com exatidão e arte, nos desgastaríamos menos fisicamente e teríamos melhor resultado no andamento da partida.
Isso é elementar, básico. Mas, para tanto, teríamos de contar com menos volantes e mais meias habilidosos, esses carinhas que recebem a bola de costas para o adversário, gingam, saem da marcação e tocam com precisão.
Infelizmente, não é o nosso caso. Logo, temos de ralar para chegar onde chegaríamos sem ter de ralar tanto.
Esse é um daqueles casos em que me lembro da célebre Seleção Holandesa de 1974, a do Carrossel e outros bichos. Sua dinâmica de jogo era tão surpreendente e vertiginosa que o povo, por aqui, exaltava o vigor de vaca holandesa da tal Laranja Mecânica.
Para quem estava lá como eu, e, que no ano seguinte levou um papo varando a madrugada, no bar do Hotel Eldorado, aqui em São Paulo, com Cruyff, a história era justamente o contrário. A Holanda chegou à Alemanha sem o menor preparo físico, sem zagueiros de ofício (o único, Israel, judeu como sugere seu nome, por razões de segurança – leia-se, Munique 72 -, foi poupado) e sob uma troca de tiros entre os de Roterdã e os de Amsterdã, um Rio-São Paulo de tamancos de bico curvo.
Pois bem, o técnico Rinus Mitchles, então, tocando o Barça de Cruyff, quando chegou à concentração da Seleção, depois da disputa da Copa de Campeões da Europa, encontrou o caos, já que, além desses problemas todos, os jogadores caíram na esbórnia.
Mitchels, então, mandou chamar as mulheres de todos os jogadores, pra cortar a onda da tropa, reuniu a turma e deu as devidas instruções:
1) Como não há nem força física, nem força de conjunto, nem zagueiros, nem nada, vamos construir um novo conceito, capaz de suprir todos esses defeitos. Como? Simples: improvisamos dois volantes nas posições de zagueiros (Reijberg e Haan) e agrupamos os dez jogadores de linha entre as duas intermediárias, utilizando uma linha de impedimento em que todos partam sobre o adversário da bola, como um grupo de selvagens. A corrida é pouca, nesse caso, e o efeito, múltiplo, pois não só tomamos a bola já no campo inimigo como, na sequência, promovemos um ataque em massa.
2) Os vértices do triângulo, aqueles que esperam o passe do nosso que estiver com a bola, em vez de ficarem estáticos à espera da definição, rodam em torno dele. Esse movimento, além de dificultar a marcação, oferece rapidez no passe, que não precisa ser justo, mas, simplesmente despachado para o ponto futuro, onde chegará um dos dois companheiros que rodam ao seu redor.
3) Então, formavam-se em campo aquelas rosáceas que deslumbraram o mundo e a mim e ao mestre Armando Nogueira, que assistimos à final com a Alemanha lá do último degrau do estádio Olímpico de Munique.
Um prodígio que jamais se repetiu em campo algum, mas que remete à essência do futebol desde que ele se constituiu como jogo: o negócio é o jogador correr o menos possível, e fazer a bola circular ao máximo.
Lição que os brasileiros haviam ensinado ao mundo há muito tempo, agora executada pelos espanhóis. E que nós esquecemos nas últimas duas décadas.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores, Seleção Brasileira, Sem categoria
Tags: Copa das Confederações, Copa do Brasil, Copa Libertadores, Corinthians, Cruyff, Espanha, Grêmio, Holanda de 74, Internacional, Palmeiras, Seleção Brasileira
29/05/2009 - 00:30
Foi uma noite para Luxemburgo apagar de seu glorioso memorial, mas preservar viva em sua memória, para nunca mais repetir tamanho equívoco.
Contra um Nacional retrancado desde os tempos das Missões, Luxemburgo colocou seu Palmeiras no Palestra Itália com tr~es beques de ofício, mais dois volantes de contenção, um armador e dois atacantes. E naufragou nessa barca furada, abraçado a todos eles.
Nesse interregno, fez uma mixórdia, trocando ainda no primeiro tempo o volante Souza pelo centroavante estreante Obina e o ponta Marquinhos para atuar como lateral no lugar de Capixaba.
Não exatamente por isso, pois o time era um pastiche em campo, mas, sim, pelo talento individual de Diego Souza, o Palmeiras fez 1 a 0 aos 10 do segundo tempo.
Foi o bastante para Luxemburgo trocar o artilheiro Keirrison pelo volante Jumar. Resultado: 1 a 1, gol de Garcia.
Isso, sem contar as duas defesas providenciais de Marcos no primeiro tempo, muito mais do que fez o goleiro uruguaio (qual é mesmo o nome?). Quer dizer: com tanta gente para se defender de um time que jogava entrincheirado em seu campo, ainda assim, Marcos é forçado a praticar defesas difíceis.
E o mais patético era ver Luxemburgo à beira do campo esbravejando para seus zagueiros tocarem a bola, em vez de dispararem chutões a esmo.
Ora, ora, você enche o time de zagueiros e quer que seu time toque a bola? Isso não faz jus à história de Luxemburgo e de nenhum técnico medianamente perspicaz.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Libertadores
Tags: Libertadores da América, Nacional-URU, Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo
28/05/2009 - 00:50

Foi um jogo bem disputado, tenso, do início ao fim, com cada equipe vestindo seu próprio figurino: o São Paulo, na defesa, aguerrido na marcação e perigoso no contragolpe, quando este podia ser executado. O Cruzeiro, dominando a bola e seu terreiro, envolvente e afiado nas jogadas de área.
Mas, a ausência de Wagner prejudicou muito o estilo da Raposa, e, como Ramires foi muito bem marcado por Jean, chegar à vitória por 2 a 1, mesmo no Mineirão, não foi fácil. Mas, foi merecido, claro.
Na verdade, o Cruzeiro, que havia aberto o placar já nos suspiros da etapa inicial, com Leonardo Silva, só teve um instante de vacilo, no início do segundo tempo, quando o técnico Adilson foi obrigado a trocar o atacante Thiago Ribeiro pelo ala Athirson.
Kleber Gladiador se isolou lá na frente, e o time todo perdeu a sincronia, do que se aproveitou o São Paulo para empatar com Washington, em rebote de Fábio da cabeçada de Dagoberto.
Percebendo isso, Adílson foi rápido no gatilho e, aos 16 minutos, trocou Gérson Magrão pelo atacante Zé Carlos. Foi entrar e desempatar, aproveitando rápida troca de passe entre Kleber e Jonatha.
O São Paulo conseguiu, no finzinho, espetar dois contra-ataques, naquelas bolas longas já tradicionais, às vezes, eficientes, às vezes, inúteis. Mas, embora tenha tocado um pouco mais a bola no chão, com a presença de três volantes, segue sofrendo da crônica falta de criatividade de seu meio-de-campo.
Nada, porém, está definido nesse jogo dividido em dois.
GRÊMIO MAL?
Enquanto isso, o Grêmio, o outro brasileiro da noite de Libertadores, penava para empatar com o Caracas, lá. Mérito do Caracas? Provavelmente. Mas, segundo as próprias explicações do técnico Paulo Autuori, quem jogou muito mal foi o Grêmio.
Isso quer dizer que, se mesmo jogando mal, o Grêmio empatou em Caracas, aqui, no Olímpico, a vitória é quase certa.
VASCO, TIMÃO, INTER E COXA
Assim como foi sofrido o empate colhido pelo Corinthians num Maracanã transbordando de emoção. No primeiro tempo, o Timão foi melhor, o que justificou a vantagem por 1 a 0, gol de Dentinho, em belo passe de Jorge Henrique.
Mas, no segundo, o Almirante aprumou-se, chegou ao empate com Pimpão, em toque esperto de Elton, e poderia até ter virado o jogo, que segue em aberto para os próximos 90 minutos.
Já o Inter, em pleno Beira-Rio, hesitou no início, tomou o gol de Marcos Aurélio, mas foi buscar o resultado final de 3 a 1 graças ao talento desse menino Taison, que fez um e gerou os outros dois.
Apesar da vitória, que praticamente garante sua ida para a final da Copa do Brasil, o Inter deixou o campo com uma ruga na testa: Nilmar sofreu uma pancada muito forte nos quadris, saiu de maca e só saberemos mais tarde qual a dimensão do machucado.
É rezar para que não seja nada tão grave capaz de afastá-lo da Seleção, como acaba de ocorrer com o zagueiro Alex, do Chelsea. Seria muito azar para quem esperou tanto por essa convocação.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores
Tags: Copa do Brasil, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Libertadores, São Paulo, Vasco
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