05/11/2008 - 16:43
Pela primeira vez, um negro venceu o campeonato mundial de F-1. Pela primeira vez, os EUA elegeram um presidente negro, ou, marron, segundo sua própria denominação, o que, há bem pouco tempo, seria considerado uma impossibilidade, em país tão marcado pelo racismo.
Mudou o mundo, para melhor, ou simplesmente são mudanças para que nada mude, como diria o céptico sábio siciliano? Não me atrevo a responder. Mas, me faz lembrar de um episódio perdido na história do futebol, contado por Rubens Minelli, jogador à época.
O técnico Caetano de Domenico, então, resolveu escalar o seu Nacional da rua Comendador Souza só com jogadores brancos, segundo ele, mais disciplinados taticamente. A cada jogo, uma lavada. E, a cada jogo, ao descer para o vestiário, o crioulo Charuto, ícone do clube, sussurrava ao ouvido do técnico: “É preciso pintar esse time”. Até que de Doemencio explodiu: “Pintar como, Charuto?”. Charuto: “Pintar de preto, seu Caetano”.
Seu Caetano pintou o Nacional de preto, e o time melhorou. Mas, continuou na lanterna, até o final do campeonato, como, aliás, era de seu hábito nos anos 50, com brancos, pretos ou marrons. Moral da história: o talento, como todas as virtudes e defeitos, não tem cor.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Fórmula 1
Tags: Barack Obama, Caetano de Domenico, Charuto, Comendador Souza, Lewis Hamilton, Nacional, Rubens Minelli
03/11/2008 - 16:17
O amigo sabe do meu desamor pelo automobilismo. E desamor não quer dizer desprezo, contrariedade, nada disso. Apenas é uma competição que não consegue me contagiar, essas coisas. Os motivos, se podem ser detectados, não vêm ao caso.
Mas, não consigo me distanciar da figura de Felipe Massa e das circunstâncias que o fizeram ganhar a corrida em Interlagos e perder o título mundial para o inglês Hamilton, o primeiro negro campeão do mundo de F-1.
Desconfio que essa estranha combinação do destino queira nos dizer algo. Algo como timbrar uma estrela na testa do brasileirinho, e, ao mesmo tempo, repudiar um secular preconceito.
Massa está destinado a ser campeão do mundo, mais cedo ou mais tarde. Tá na cara, até mesmo para quem, como eu, nada entende desse troço. E Hamilton está aí para contrariar o preconceito, segundo o qual o negro é bom em atletismo, futebol, basquete, enfim, qualquer esporte intuitivo que não exija cérebro e controle emocional.
Se Hamilton tivesse sido campeão nos tempos de Fangio, Gonzales ou Villorese, quando as máquinas eram primitivas em relação às atuais, não seria tão emblemático, em que os carros de F-1, são verdadeiros computadores ambulantes.
Quanto ao nosso Massa, é um menino de ouro, o típico ídolo nacional que cai bem na cultura e na história do Brasil, ao contrário do ácido Piquet e do carismático (no sentido religioso e social) Senna. Bem-humorado, sempre, batalhador, competente, parceiro de seus parceiros, ousado na pista e modesto fora dela, deu uma aula de civilidade ao conter sua natural decepção, na entrevista coletiva depois da prova.
Massa não ganhou o título mundial, mas ganhou definitivamente o coração dos brasileiros, o maior de todos os campeonatos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Fórmula 1
Tags: Felipe Massa, Ferrari, Lewis Hamilton, McLaren