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Arquivo da Categoria Copa Sul-Americana

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Copa Sul-Americana, Copa do Mundo | 15:40

O GOIÁS, NA FITA

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A brilhante vitória do Goiás sobre o Independiente, num Serra Dourada pleno e vibrante, coloca os verdes na fita para a conquista da Copa Sul-Americana e, consequentemente, de uma das vagas restantes para a Libertadores do ano próximo.

Foi por 2 a 0, mas poderia ter sido o dobro, pelas chances criadas, sobretudo naquelas ultrapassagens de Carlos Alberto pela direita ou nas investidas pelo meio do He Man, o artilheiro que renasceu em Goiânia.

E olhe que, nesse jogo, o Goiás não foi aquele time refém das bolas aéreas lançadas à área inimiga para o cabeceio certeiro de Rafael. Nada disso. Botou a bola no chão, envolveu os argentinos durante todo o primeiro tempo, e só foi apelar para bolas longas no início do segundo tempo, quando os rojos passaram a pressionar um pouco, até a justa expulsão de Silvera. A partir daí, só deu Goiás.

Se me surpreendeu o estilo do Goiás, surpreendeu-me ainda mais a fragilidade do meio de campo e da defesa do Independiente. Mas, certo está o técnico Arthur Neto, que pede pra turma fincar os pés no chão, pois o jogo, em Avellaneda, poderá ser outro, embora esse Independiente que vi na quarta-feira não me inspire maiores temores, não.

A quarta vaga

Com essa vitória, o Goiás, jogou água no chope de Grêmio e Botafogo, adversários do domingo pelo Brasileirão, com os olhos voltados pela eventual quarta vaga da Libertadores.

Mas, a coisa ainda não está decidida, e Tricolores e Alvinegros têm de jogar a alma no Olímpico, e, depois, um deles, o vencedor, fazer figa para que o Goiás seja vice em Avellaneda.

De qualquer forma, tanto para Grêmio quanto para o Botafogo será uma honra terminar o Brasileirão em quarto lugar, essas coisas precisam ser ditas para um povo que só valoriza o título e nada mais.

Rússia e Qatar?

Hummm… Sinto cheiro de arroz queimado nessa escolha pelo Comitê da Fifa para as sedes das duas próximas Copa do Mundo, depois da do Brasil – Rússia e Qatar.

Mais precisamente, afinando o olfato, cheiro de máfia russa e de petrodólares, que perfumam a séria de disparos da imprensa mundial sobre a integridade de vários membros do tal Comitê.

Pena que o charme de uma disputa conjunta em Espanha-Portugal e Holanda-Bélgica não tenha seduzido os jurados da escolha.

Marketing peixeiro

O Santos acaba de apresentar Elano como novo reforço para a Libertadores. Bom reforço. Jogador experiente, que, embora revelado pelo Guarani, ganhou status na Vila Belmiro, naquele inesquecível de Robinho, Diego, Renato etc., dono de tiro exato, seja nos cruzamentos, seja nas cobranças de falta, seu futebol não tem o brilho dos Meninos da Vila, mas é altamente eficiente.

Mas, o Santos não está só olhando seu time principal de futebol. Já trouxe Marta e Cristiane, duas das melhores jogadores do futebol feminino em todo o mundo, e acaba de apresentar também Falcão, o inexcedível Falcão do futsal.

Pois imaginemos o que está bolando o marketing do Santos: um jogo festivo em que Marta, Cristiane e Falcão se juntem a Neymar e cia. bela.

Periga, depois, o Peixe ter de quebrar todas as barreiras ainda existentes no futebol profissional.

PS: Desculpe o amigo e a amiga pelo atraso deste post. É que fiquei fora do ar ontem, o dia todo.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
  2. JOGO FATAL
  3. O CHORO E O RENASCIMENTO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 25 de novembro de 2010 Copa Sul-Americana, História | 17:38

HÁ OUTRAS COISAS MAIS

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Não sei se já contei aqui essa historinha. Se contei, repito, pois a imagem daquele garotinho chorando compulsivamente nas arquibancadas do Pacaembu continua fresca na memória.

Devia ter a idade dele, coisa de sete ou oito anos, quando peguei cachumba ou catapora, já não me lembro bem. Lembro do fato de que, no imaginário da época, era doença que, se você não ficasse de quarentena, na cama, corria o risco da desgraçada descer para os testículos e acabar com a festa futura, coisa que meu velho esconjurava com todas as forças de sua alma itálica.

Então, fiquei lá deitado na cama, mais de mês, abatido por febres altíssimas que me faziam ver as pessoas andando às vezes em câmera lenta, às vezes em vertiginosos movimentos. Um horror, que deixava dona Irene, minha mãe, em pânico, achando que o filho, no mínimo, estava ficando maluco.

Numa certa tarde de domingo, despertei tranquilo e lúcido. Milagre! Todos comemoraram a minha lenta e dolorida recuperação. E, como prêmio, meu pai, que odiava o futebol por considerá-lo uma fábrica de fanáticos (para ele, o fanatismo em todas as suas manifestações era o pior do ser humano) deixou que ligasse o rádio de cabeceira para ouvir um jogo: XV de Piracicaba e São Paulo.

Tricolor doente, na época, logo sintonizei a Record, cujo locutor era Geraldo José de Almeida, são-paulino ainda mais fanático. Corria o ano de 1948 ou 1949, não sou capaz de precisar agora. Acho que 49.

Enfim, bola que vai e que vem, jogo empatado, no finalzinho, pênalti de Rui Campos, centromédio mítico do São Paulo. Geraldo José de Almeida, com aquele vozeirão envolvente e a paixão incontida, foi mais do que enfático: “Um roubo, um acinte, Rui matou a bola no peito em cima da risca e saiu jogando com a classe que lhe é habitual!”

De Maria bateu o pênalti, e gol do XV, o gol da vitória.

Simplesmente, entrei em transe, as lágrimas incontidas começaram a ganhar temperaturas extremas, o termômetro foi a 40 graus, a casa entrou em ebulição, e o pouco que lembro desses momentos foi meu pai, à beira da cama, me esculhambando e se execrando por me ter permitido ouvir o jogo do diabo.

Muitos anos depois, numa das boates da Boca do Lixo, topei com Rui Campos, já aposentado, já adulto, cruzei com Rui Campos, veteraníssimo, aposentado, elegante como sempre. Contei-lhe, então, a minha desventura de infância:
- Cara, você quase me matou!
Calmo, como quando controlava a bola no meio de campo, Rui ouviu tudo, foi às cavernas de sua memória e de lá extraiu a resposta exata:
- Lembro, sim, desse jogo. E lembro que peguei a bola em cima da risca, com as duas mãos. O goleiro – Berttolucci ou Mário – estava batido, e a bola ia entrar.

Quanto ao menino da tv, quem sabe o que lhe vai na alma e ficará na memória para sempre. Um gol perdido, um pênalti não marcado, um gol certo que o bandeirinha abortou, a bola que o beque não rebateu, isso, aquilo e aquilo outro.

Tudo faz parte do jogo, como as lágrimas se misturam a todos os sentimentos, de tristeza à alegria. O importante é que o menino não eleja o futebol como único escape para a vida sem emoções que eventualmente o destino lhe reserve.

Há outras tantas coisas mais, meu garoto…

Notas relacionadas:

  1. Natais, felizes e amargos
  2. INTER, COM AS MÃOS NA TAÇA
  3. O CHORO E O RENASCIMENTO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

Copa Sul-Americana | 02:21

O CHORO E O RENASCIMENTO

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O choro convulso daquele garotinho nas arquibancadas, choro incontrolável, profundo, daqueles que vêm das cavernas da alma traduz ao pé da letra o que significou esse inesperado resultado para o torcedor palestrino.

Porque poucas vezes um time foi tão favorito, e, na sua história gloriosa, raríssimos foram os episódios em que o Palmeiras precisasse tanto da vitória (ou, neste caso, até mesmo do empate) para cicatrizar tantas feridas abertas nos últimos tempos. Pelo menos, desde a perda do Brasileirão do ano passado.

Mas, à dor palestrina se sobrepõe o feito do Goiás, que bateu o Palmeiras em pleno Pacaembu, de virada, por 2 a 1. Rebaixado outro dia para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, e vindo de duas derrotas consecutivas em casa – a última, um vareio do Santos, pelo Brasileirão -, a passagem para as finais da Copa Sul-Americana, nessas condições, seria, no mínimo, uma iluminação, o que seu técnico anunciara, aliás, como o renascimento do Verdão goiano.

E, foi, num jogo parelho, sem brilho mas tenso.

O Goiás, assim, saiu do Pacaembu envolto num halo luminoso desses que lembram personagens de histórias sobrenaturais. E o Palmeiras aprofunda-se nas trevas do caos, de volta aos seus fantasmas, sob o som do choro do garotinho da arquibancada.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
  2. E LÁ VAI O PALESTRA
  3. JOGO FATAL
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

quarta-feira, 24 de novembro de 2010 Copa Sul-Americana | 02:14

DÁ VERDÃO. MAS, QUAL?

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Depois do treino, Felipão reuniu a tropa no meio de campo e aplicou dez minutos de injeção de ânimo e concentração ao Palmeiras que, nesta noite de quarta, jogará sua sorte diante do Goiás.

São dez anos de fila de um clube acostumado a grandes conquistas, e meter a mão na taça sul-americana não só quebrará esse jejum como salvará a pátria alviverde numa temporada, de resto, deplorável. Foi isso, em suma, o que disse Felipão, daquele jeitão convincente de sempre.

Certa vez, o zagueiro uruguaio Lugano, ex-São Paulo, ao ser perguntado sobre esse negócio motivacional, febre dos tempos modernos, respondeu indignado que ele dispensava qualquer discurso desse tipo, pois a motivação tinha de ser inerente a qualquer competidor.

Mas, nem todos são Luganos, e essa coisa pega, quando injetada com jeito na alma dos tais grupos de jogadores.

De qualquer forma, esse é o grande trunfo do Palmeiras para o jogo fatal de hoje à noite; as artes de Felipão no manejo dos instrumentos disponíveis para esse tipo de mata-mata, mesmo porque as artes no futebol não façam parte de seu repertório.

Além disso, claro, o fator campo, a mira certeira de Marcos Assunção, o moral elevado do time nessa competição e tal e cousa e lousa e maripousa, tudo isso confira ao verdão paulista amplo favoritismo diante do Goiás.

Porém, atenção: o Goiás também tem camisa – e verde como a do Palmeiras. E, como o Palmeiras, passou um ano de cão, prestes a entrar no próximo já na Segundona e tudo mais. Da mesma forma, esse é o jogo que lhe pode garantir um título internacional – o, na pior das hipóteses, de vice-campeão da Copa Sul-Americana. Não é nada, não é nada, mas é um fio de compensação para tão pífia temporada.

Logo, vai peitar o Verdão paulista com igual ênfase, o que haverá de provocar faíscas em campo, não tenho dúvidas.

E que gol!

O gol de Ronaldinho Gaúcho contra o Auxerre é pra ser recortado e colado na cartilha que ensina a turma a jogar bola. Ronaldinho entrou no lugar de Ibra, autor do primeiro gol do Milan, já no finzinho da partida. E ficou lá na frente, feito centroavante de verdade.

E foi ali que recebeu a bola de Robinho, que passara, num drible de calcanhar, por dois defensores e lhe rolou a bichinha de jeito. Ronaldinho então parou diante do zagueiro, olhou através dele, ajeitou e deu um toque mágico de canhota para a bola rodear o goleiro e entrar justinha no canto esquerdo. Só vendo e revendo.

Os olhos extras da Fifa

Eis que a Fifa, tão resoluta em evitar o uso da mais moderna tecnologia no futebol, resolveu acrescentar dois auxiliares de linha de fundo ao trio de arbitragem, sem falar no já tradicional quarto árbitro.

Pois bem: bola com Cristiano Ronaldo, na ponta-esquerda. O português dá aquele seu drible clássico de letra e invade a área do Ajax, sob o olhar atento do tal auxiliar extra, postado na linha de fundo, não mais do que meio metro do lance.

O beque, então, desfere uma rasteira de fazer inveja a Mestre Pastinha, histórico capoeira baiano, que atinge as duas pernas do craque do Real e nem trisca na bola, que escorre sonolentamente para fora, aos pés do auxiliar. O ínclito e concentrado homem de amarelo simplesmente afivela uma cara de paisagem e sai de lado assobiando, como se nada acontecera, para desespero de Cristiano Ronaldo.

Mistão no mata-mata

Ah, sim, o Real foi a passeio a Amesterdã, com um time misto, pois já está classificado para a próxima fase da Liga dos Campeões, e meteu 4 a 0 no Ajax. E aí fiquei coçando a cabeça: mas, então, como fica o argumento desse pessoal que quer o mata-mata de volta no Brasileirão, sob o pretexto de que isso evitaria este ou aquele time entrar com reservas em campo, o que prejudicaria terceiros e quartos ou quintos outros pretendentes ao título?

Virada romana

A virada da Roma sobre o Bayern de Munique, no estádio Olímpico, foi algo emocionante. Perdia por 2 a 0 no primeiro tempo e não dava o mínimo sinal de que poderia sequer evitar uma catástrofe no segundo.

Mas, foi justamente o contrário: os romanos voltaram como verdadeiros gladiadores e viraram o jogo para 3 a 2, com gol de pênalti cobrado por Totti já nos acréscimos. O que mudou no intervalo, além da provável injeção de ânimo aplicada pelo treinador? Ouso dizer que a entrada do brasileiro Simplício, que deu outro molejo ao ataque romano, embora volante de ofício, antes da inclusão decisiva no jogo do veterano e sempre genial Totti.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
  2. VERDÃO, NOITE SOFRIDA
  3. E LÁ VAI O PALESTRA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sexta-feira, 12 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, Seleção Brasileira | 03:03

JOGO FATAL

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Eis um jogo que será fatal para um dos dois, se não o for para ambos.

Sim, porque um empate entre Corinthians e Cruzeiro, combinado com uma vitória do Fluminense sobre o Goiás, deixará o Tricolor carioca com uma das mãos na taça, na reta final da disputa pelo título.

Portanto, não é de se esperar um daqueles confrontos ranhetas, reticentes, repletos de faltinhas no meio de campo e cheios de dedos dos dois treinadores com vistas a evitar o gol do adversário mais do que realizar os seus.

E, tanto Corinthians quanto Cruzeiro têm bala na cartucheira para disparar ataques arrasadores um sobre o outro, o tempo todo. A começar pela potência de seus respectivos meio de campo, Ali se concentram o que de melhor há em cada um deles, sem falar nos ataques, reforçados pela volta de dois titulares afastados há um bom tempo: Wellington Paulista, no Cruzeiro, e Jorge Henrique, no Corinthians.

Wellington, pelo visto, deverá já entrar em campo de início. Já a Jorge Henrique, recuperado antes do prazo previsto, haverá de faltar ritmo de jogo e fôlego para cumprir suas múltiplas funções habituais no Timão, o que sugere um banco esperto, de onde sairá em caso de extrema necessidade.

O Corinthians leva a vantagem de jogar num Pacaembu desde já lotado pela Fiel em delírio. Mas, essa Raposa é ladina, gente…

Verde que te quero verde

Os dois Verdões se enfrentarão na semifinal da Copa do Brasil, depois das vitórias do Palmeiras sobre o Atlético, na quarta, e do Goiás sobre o Avaí, em plena Ressacada, na noite seguinte.

Vitória um tanto inesperada, com aquele gol solitário de Rafael Moura, que ainda se permitiu a desperdiçar mais duas chances claras, pelo menos, para ampliar o placar. E olhe que o empate classificaria o Avaí, que vive seu inferno astral.

E o que era apenas uma espécie de humor negro começa a desenhar como uma possibilidade, caso o verde de Goiás elimine o verde paulista: um dos representantes brasileiros na próxima Libertadores estará disputando a Segundona do campeonato nacional.

Copa América

O sorteio de grupos da Copa América, a ser disputada na Argentina nos reservou como adversários iniciais Paraguai, Equador e Venezuela.

Moleza, fosse em tempos passados. Mas, os tempos são outros. Tão bizarros que o mapa dessa disputa, o antigo Campeonato Sul-Americano, consegue o prodígio (o que a grana não faz!) de inserir no nosso continente o asiático Japão e o norte-americano México.

Contudo, apesar do nivelamento geral, com devidas graduações, a dureza maior nesse grupo parece ser mesmo o Paraguai, como de hábito. Como o Equador não poderá contar com seu principal aliado – a altitude de Quito -, e a Venezuela, por mais que tenha evoluído, ainda acendeu a luz de perigo permanente, nossa passagem para a próxima fase dependerá tão somente de nós.

Notas relacionadas:

  1. ÊTA JOGO BOM DE SE VER
  2. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

quinta-feira, 11 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana | 02:23

E LÁ VAI O PALESTRA

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Felipão pode ser tosco nos gestos, pensamentos e palavras, mas que sabe manejar uma equipe pelos labirintos do mata-mata como poucos, ah, disso não resta a menor dúvida. Mais uma prova ele deu nesta noite de quarta, ao conduzir seu Palmeiras, toscamente, diga-se, à semifinal da Copa Sul-Americana, batendo o Galo num Pacaembu em chamas por 2 a 0, com direito a um gol quase olímpico de Marcos Assunção (a bola desviou num adversário antes de ir para as redes carijós).

É verdade que o Atlético, em plena fuga do rebaixamento do Brasileirão, jogou com seu time reserva. Mas, isso não impediu o Galo de transformar o jogo numa rinha em que a bola foi mais maltratada do que acarinhada a maior parte do tempo.

Mas, nesta quadra da vida alviverde isso passa a ser irrelevante. Eis um caso em que vencer é tudo, não importa como, desde que dentro das regras do jogo.

E o Palmeiras venceu, segue em frente na Sul-Americana e da salvação da lavoura semeada nesta temporada.

Ah, Papai Joel…

Segunda-feira estive com Joel, e ele revelava claramente dois sentimentos antagônicos: a firme esperança de chegar ao título brasileiro, comendo pelas beiradas os grandões de cima, e a preocupação de não poder contar com Marcelo Cordeiro e Somália.

- Somália é aquele jogador que me oferece várias opções em campo. Pode ser meia, volante, lateral e até atacante. E Marcelo Cordeiro é o cruzamento exato para as cabeçadas de Loco Abreu.

Pois, a esperança se foi no empate por 2 a 2 com o Ceará em Fortaleza, e a preocupação justificou-se plenamente, pois as ausências de Somália e de Marcelo Cordeiro acabaram sendo fatais para o desenvolvimento do Botafogo em campo.

Resta agora a luta pela vaga das Libertadores, que, no Brasileirão, se espreme a cada rodada pelo avanço do Palmeiras na Sul-Americana.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS, BOTA E INTER
  2. E DEU MURICY NO PALESTRA
  3. BICHO FEIO E BELO FLU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 9 de novembro de 2010 Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana | 16:50

VERDÃO, NOITE SOFRIDA

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Palmeiras de Atlético Mineiro decidem nesta noite de quarta-feira, em São Paulo, quem vai para a semifinal da Copa Suil-Americana. O jogo de 180 minutos está empatado por 1 a 1, resultado do confronto de ida. Logo, em matéria de empates, ao Verdão só interessa o zero a zero inicial.

O resto ou vai para os pênaltis ou favorece o Galo, que já anunciou sua intenção de entrar com um time reserva, a exemplo do que ocorreu em Sete Lagoas. Mas, por precaução tipicamente mineira, o técnico Dorival Jr. trouxe toda a turma, reservas e titulares que não estão na enfermaria do clube.

Falando em precaução, pelos sinais do último treinamento do Galo, Dorival parece propenso a vir com três zagueiros e tal e cousa e lousa e maripousa.

Resumindo: vai retrancar seu time e explorar os contragolpes, com Neto Berola e Ricardo Bueno. Nunca diga nunca, pois na vida como no futebol, tudo é possível, o que seria um encanto para o Galo e uma tragédia para o Palmeiras que só sonha com esse título para salvar a temporada.

Já a proposta do Galo é escapar de uma vez do rebaixamento no Brasileirão. A Sul-Americana seria dispensável cereja no bolo, nesta quadra da vida do Atlético.

Isto posto, restará ao Palmeiras atacar e atacar, se quiser garantir sua passagem para as semifinais do torneio.

Sucede, como já foi dito, que o zero no placar cumpre esse desígnio verde plenamente. E a incerteza sobre o aproveitamento pleno de Valdívia, o craque do time, aumenta ainda mais a suspeita de que o Verdão jogará pelo resultado que mais lhe convém..

Moral da história: tudo indica que teremos uma longa noite de quarta-feira, feita de angústia e vã expectativa.

Itaquerão, finalmente

Eis, então, que governador, prefeito e Ricardo Teixeira bateram o martelo: a abertura do Mundial no Brasil será jogada no Itaquerão, que nem saiu do papel ainda.

Cá entre nós? Carta marcada desde há muito tempo.

Na África, conversando algumas vezes com o presidente do Corinthians, fácil era captar no seu olhar o brilho do golpe que engendrava sobre o coronel Juju, como se costuma chamar o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, que abriu tantas frentes delicadas de combate que já não lhe restava nenhuma sustentação nessa área.

Sim, claro, há objeções específicas sobre o Morumbi, que teria de abrir espaços para o estacionamento de uma legião de veículos – desde caminhões de transmissão de tv , ambulâncias, ônibus etc. -, onde espaços não há na zona em torno do estádio. Sem falar no rebaixamento do gramado, sob o qual desliza um regato, para atender os patrocinadores, cujas placas nos estádios aumentaram de 80 centímetros para metro e poucos.

Mas, não sobra a menor dúvida de que o Corinthians foi mais ladino do que o São Paulo nesse drible de corpo sobre as exigências da Fifa.

O problema, como sempre, é a grana. A grana que separa o projeto inicial do Corinthians para um estádio doméstico, mais modesto, e outro, capaz de abrigar uma abertura de Copa do Mundo. A diferença é de centenas de milhões de reais, coisa que nossa vã imaginação é incapaz de transformar em moeda viva.

Do meu bolso não tiram, nem que eu tenha de carregar cartazes de protesto na Avenida Paulista. Desta vez, chega! Não basta essa ideia de jerico de restaurar a nefanda CPMF, logo ao cabo das eleições presidenciais? Imposto criado pelas mais altruísticas intenções, mas que caiu nesse poço sem fundo, sem volta para as necessidades dos contribuintes.

O Corinthians não tem esse dinheiro, e a Oldebrecht compromete-se até agora nos limites do projeto inicial. Restam, pois, as possibilidades de investimentos de grupos privados, da CBF ou da Fifa para complementar o orçamento, que, sabemos por experiência, é sempre, no mínimo, o dobro do previsto.

Vejamos no que vai dar, pois, essa melódia. Mas, aviso: o meu, não!

Adílson na Vila

Cá entre nós, bem que, depois daquele abraço carinhoso entre Neymar e Dorial Jr., gostaria que o ex-técnico do Santos fosse chamado a reassumir seu posto na Vila. A identidade dele com o estilo de jogo do time foi tão feliz que seria gostoso ver a continuação interrompida por episódio tão infantil.

Mas, sei bem que a história não se repete a não ser num formato espiralado, como o DNA humano. Isto é: degraus acima dos vividos antes.

Então, Adílson chega à Vila. O mesmo Adílson que acaba de ser deixar o Parque São Jorge, cabisbaixo.

Pois, ainda nesta madrugada, depois do Bem, Amigos, conversando com Joel Santana, concordávamos com esta situação de sinais invertidos: Joel assume o Botafogo depois de humilhante derrota por 6 a 0 para o Flamengo, no campeonato carioca, e enceta uma reação fulgurante que o leva à conquista do título estadual e o coloca na bica de ganhar, pelo menos, uma vaga na Libertadores, no Brasileirão; Adílson assume o Corinthians na liderança, e, ao cair para a terceira posição, ainda que nobilíssima, é mandado embora.

Tudo gira em torno do nível de expecativa. Se você tá embaixo e sobe, subitamente, esse é o melhor dos mundos. Se você está em cima, e, de repente, caiu um ou dois degraus, é o fim do mundo.

Enfim, Adílson carrega o título eterno de Capitão América por sua esplêndida atuação na conquista da Libertadores como beque e capitão do Grêmio. Adílson levou o Cruzeiro à final de outra Libertadores. Logo, na impossibilidade de o Satos contratar um dos dois campeões da Libertadores (e do mundo), Abel Braga e Paulo Autuori, que se vá de Adílson.

Entre outras coisas porque se trata de um técnico que gosta de botar seus times jogando ofensivamente, como é tradição da Vila.

A única ressalva que faço é que esse tipo de jogo requer, antes de mais nada, entrosamento. O cara que recebe a bola já deve saber onde o seu companheiro mais próximo está, essas coisas, para que a bola role fluida e consistente de um lado para outro.

Era assim que funcionava o Santos de Dorival do primeiro semestre.

Já Adílson curte examinar o adversário, as circunstâncias, e montar seus times de acordo com essas variáveis, o que compromete a harmonia quase por osmose da equipe.

Particularmente, sou do time de Zizinho, o Mestre Ziza, o mais completo e intelig~ente jogador que vi em ação depois de Pelé, que costumava sentenciar: meu time joga o seu futebol; os outros que corram atrás.

Quem sabe, Adílson acertando uma linha fina entre as duas tendências, consiga retomar aquele caminho glorioso do Santos do primeiro semestre.

A propósito, nesta madrugada, ao me despedir de Joel Santana, no Lellis, recebi do técnico do Botafogo bons votos:

- Espero que seu time chegue lá.

- Qual time, Joel?

- O Santos, ora!

Pois é. Como tudo é interpretado ao pé da letra… Nunca fui santista, nem por nascimento, nem por devoção. Mas, torci, sim, pelo Santos bicampeão paulista de 55/56, aquele formado por Manga ou Veludo (um dos maiores goleiros que vi em ação); Hélvio Piteira e Ivã; Ramiro, Formiga e Zito ou Urubatão; Tite, Álvaro, depois Jair Rosa Pinto, Pagão, Vasconcelos ou Del Vecchio e Pepe.

Assim como estendi minha admiração pelo Peixe de Pelé e cia,, retomei-a quando da fase de Robinho, Diego etc., e caí de joelhos diante de Ganso, Neymar e aquele deslumbrante time do início da temporada.

Só porque esses times jogavam uma bolinha cintilante e redondinha.

Assim como fui Brasil em 58, 62 e 70, desbragadamente; Hungria, em 54; Holanda, em 74 e assim por diante.

Que o melhor vença, embora nem sempre.

Notas relacionadas:

  1. AH, VERDÃO…
  2. ROGÉRIO, TIMÃO, VERDÃO E DECISÃO
  3. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

terça-feira, 26 de outubro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Sem categoria | 19:12

FLA, TIMÃO E TRAVESTIS

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O Flamengo espera o Corinthians no Engenhão com aquela manifestação de mau gosto e repetitiva da torcida, lembrando o episódio de Ronaldo com os travestis, nos tempos em que o craque se recuperava na Gávea e era a grande esperança rubro-negra.

Ronaldo, porém, pelas duas últimas exibições com a camisa alvi-negra, mesmo longe de sua melhor forma física, deu sinais de que pode, sim, ser a diferença. Se vai ou não se inibir com o protesto da torcida rubro-negro, quem sabe?

O fato é que o Timão precisa dessa vitória desesperadamente para manter-se ali na cola dos líderes, incrementando a expectativa de chegar ao título brasileiro, descontando assim os pontos perdidos em casa nas rodadas mais recentes.

Mas, o Flamengo, com todas as suas limitações técnicas, sob o comando de Luxemburgo, parece estar em plena recuperação. Nada excepcional, mas o suficiente para impor-se em campo com renovada confiança e um tantinho de organização tática.

Some-se isso ao apoio da torcida, e o Corinthians corre sérios riscos de se afastar dos líderes neste momento tão crucial do Brasileirão.

Galo e Verdão

Pena que o Galo esteja dando tanto prioridade à fuga definitiva da Segundona do Brasileirão. A ponto de colocar em campo um time reserva para receber em Sete Lagoas um Palmeiras centrado na disputa da Sul-Americana, sua grande chance de salvar a temporada com um título expressivo e a vaga para a Libertadores.

Um Palmeiras que segue na incerteza de contar com Valdívia, seu principal organizador de jogadas de ataque, em razão dessa tal fibrose de tão traiçoeiros efeitos.

A propósito, os que me acompanham aqui e em outras divulgações, sabem bem que não morro de amores pelos conceitos e posturas de Felipão. Ao contrário. Mas, neste caso, Felipão tem sido vítima de uma falsa incompreensão da mídia em geral, a ponto de levá-lo a reações malcriadas, embora, para tanto, não seja necessário muito. O bicho tem estopim curto, quando lhe interessa.

Os médicos e o técnico foram muito claros desde o primeiro minuto. Valdívia sofre de fibrose, algo como uma casca de ferida que se forma sobre ruptura muscular anterior. Isso não o impede de jogar. Apenas, pode provocar, a qualquer momento, não previsível, dores.

Ora, contra o Sucre, Valdívia jogou, e bem, por 90 minutos. No clássico contra o Corinthians, poupado, só entrou no segundo tempo. Porque seu time perdia e ele é o craque do pedaço, aquele capaz de criar algo mais, o que, na verdade, o fez, no período em que esteve em campo.

Aí, sentiu as tais dores imprevisíveis. Felipão, então, o substituiu, óbvio. Nada que merecesse a condenação geral ao técnico.

Contra o Galo, Valdívia tanto pode entrar direto no jogo, como no seguindo tempo, ou, até mesmo, ficar de fora definitivamente, dependendo do andamento da carruagem. Nada mais racional.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO QUERIA, MAS QUEM PODE É O FLU
  2. TIMÃO, CATEGÓRICO
  3. FLU, LÍDER; TIMÃO, O GRANDE VENCEDOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

quinta-feira, 21 de outubro de 2010 Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana | 01:31

VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!

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Palmeiras e Atlético Mineiro será um dos confrontos das quartas-de-final da Sul-Americana. E o curioso é que ambos entraram em campo nesta noite de quarta-feira com planos opostos.

O Palmeiras juntou todas as suas forças para bater o Sucre, na Arena de Barueri, por 3 a 1, três gols de cabeça, pela ordem, Kleber, Luan e Danilo, em dois cruzamentos exatos do menino Gabriel, e falta ao estilo de Marcos Assunção, fechada sobre o goleiro.

Já o Galo, ao contrário: enviou a Bogotá apenas dezesseis jogadores e o auxiliar do técnico Dorivalç Jr., que preferiu ficar em Belô afiando seus titulares para o clássico com o Cruzeiro, pelo Brasileirão.

É que, se, para o Palmeiras a meta é ganhar uma vaga na Libertadores – e o atalho mais suave para isso é a Sul-Americana -, para o Atlético Mineiro, escapar da zona de reabaixamento é questão de vida ou morte. Mais até do que conquistar uma vaga para a Libertadores.

Resultado: mesmo perdendo para o Santa Fé, em Bogotá, o Galo vai em frente na competição. E até poderá enfrentar o Palmeiras em circunstâncias mais favoráveis no Brasileirão, o que, certamente, haverá de mudar o braço da viola.

O curioso, nessa disputa é que o Goiás, que está na área da degola do Brasileirão, passou também pelo Peñarol, mesmo perdendo em Montevidéu por 3 a 2, e o Avaí, que flerta com a região da queda, pega nesta quinta o Emelec, na Ressecada, com boas chances de saltar também para as quartas-de-final.

Moral da história: em se configurando esse cenário, bem que poderemos ter na próxima Libertadores um campeão da Sul-Americana na Segundona do Brasileirão.

Os vários Brasileirões

Curioso este Brasileirão, que, parodiando o poeta popular não é um só, é muitos. Pelo menos, três: um campeonato disputado antes da Copa do Mundo; outro, logo após sua realização, com aquela parada de 40 dias; e, por fim, este se inicia agora, com rodadas só aos fins de semana
.
Sim, porque esta segunda fase que se finda foi pontilhada por uma série monumental de contusões em praticamente todos os disputantes, sobretudo, os que se mantinham e se mantêm ainda no topo da tabela.

Foram tantos os desfalques – alguns que nem terão tempo para voltar ainda neste Brasileirão – que todo o cenário da disputa ganhou traços dramáticos, colocando em campo não mais dois ou três candidatos, mas, por baixo, meia-dúzia deles, uns mais próximos, outros, porém, em condições de escalar a montanha dourada.
Muricy, por exemplo, que esteve no Bem, Amigos de segunda, onde fez um longo desabafo a respeito ainda da sua frustrada ida para a Seleção, é da mesma opinião.
Portanto, nunca esteve tão em aberto a disputa do título como neste limiar das últimas oito rodadas.

Mesmo porque, se na primeira parte do campeonato, Corinthians e Fluminense dispararam na frente, o Cruzeiro arrancou justamente em meio à devastação geral de titulares, e, agora, Santos e São Paulo dão sinais de que, com seu futebol ofensivo, desabrido, podem surpreender correndo por fora na reta final, embora as chances tricolores sejam bem mais reduzidas do que as dos demais pretendentes.

E, sim, olhai o Grêmio chegando, montado em pingo veloz e zebrado de azul e negr, além, claro, do Furacão, que voltou a soprar forte..

Mas, Fluminense, com as voltas de Deco e de Emerson, mais adiante, tem caixa para manter-se no páreo, assim como o Corinthians, já com Tite e vários titulares recuperados, pode sonhar em recuperar a liderança perdida.

Contudo, por enquanto, é o Cruzeiro quem leva vantagem nessa disputa final.

Mais Real

O Real ganhou fácil do Milan, por 2 a 0, gols de Cristiano Ronaldo, de pênalti, e de Ozil, em bela jogada de Cristiano Ronaldo. Aliás, foi pouco diante do domínio espanhol.Não que o Real tenha criado um volume tal de chances de gols que mereceria meter uma goleada no adversário. Mas, fez mais do que o suficiente para vencer, com folga.

Mano e Ronaldinho

O técnico Mano Menezes, da Seleção Brasileira, deve ter ficado decepcionado com Ronaldinho Gaúcho, que não jogou nada nessa partida. Mas, mesmo assim, deve chamar o jogador para a partida com a Argentina, por tudo que já viu do craque nessa sua estada na Itália.

A propósito, pelo que está jogando o garoto turco-alemão, Ozil, Kaká terá de se esmerar muito para recuperar a posição. Pelo menos, essa, a de meia ofensivo.

Chelsea bala

O Chelsea, em Moscou, pegou uma carne de pescoço, o Spartak, de Ibson e Wwlliton (fazer o quê, se o a grafia legal do jogador é essa?). E desfiou, beleza: 2 a 0, gols de Zhirkov e de Anelka. Zhirkov, diga-se, entrou no lugar do nosso Ramires. É um daqueles canhotos técnicos e inteligentes, e seu gol foi espetacular – um petardo de esquerda de fora da área. Ramires terá de rebolar para recuperar o posto.

Sem Rooney

O Manchester sonhava em manter Wayne Rooney, que estreou na sua equipe principal com 18 anos de idade, até o fim da vida. Coisa semelhante a Giggs, que já beira vinte anos de Diabos Vermelhos. Mas, Rooney virou a cara para o técnico Sir Alex Ferguson, o Manchester, e está de saída. Manchester City e Chelsea já entraram na rinha para arrebanhar Rooney.

Mesmo sem seu principal jogador, e com Berbatov no banco, o Manchester United, logo aos 7 minutos de jogo, com um golaço de Nani, definiu sua questão com o Bursaspor, e segue adiante na Liga dos Campeões. Embora, tenha controlado bem a partida, o Manchester certamente já não é aquele time espetacular de tempos recentes.

Com Messi

O Barça também já não é o mesmo. Mas, ainda é superior à maioria, entre outras coisas, porque tem Messi, autor dos dois gols contra o Copenhague. Além, claro, de Xavi, Iniesta e cia. bela.

Notas relacionadas:

  1. INTER, VASCO E GALO
  2. VERDÃO SOB FOGO
  3. VERDÃO, INGLESES E MENGO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Futebol internacional | 15:35

A LA FELIPÃO

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Foi mesmo uma vitória a la Felipão, arrancada do ventre do time verde, aos gritos, como um dó de peito de tenor napolitano, daqueles de quebrar cristais.

Felipão conclamou a torcida, que inundou de verde o Pacaembu e não parou um instante de incentivar o time, e fez um remelexo na equipe que, de início, parecia levá-lo ao caos. Durante os primeiros vinte minutos de bola rolando, só deu Vitória, que, para cair fora da Sul-Americana teria de perder por, no mínimo, 3 a 0, coisa praticamente impossível.

Pois, aos poucos, o Palmeiras foi se arrumando em campo, a partir do momento em que o terceiro zagueiro Fabrício, recém-chegado da Gávea, passou a atuar como lateral-esquerdo, o que permitiu ao seu time equilibrar as ações do meio de campo. E, já nos descontos do primeiro tempo, Tadeu recebeu em velocidade e matou o goleiro Vaiafara.

O mesmo Viafara que, no início do segundo tempo fez uma tremenda lambança lá na lateral, cujo desfecho foi outro gol de Tadeu, aquele que demoliria de vez o moral dos baianos, já afetado pelo clima todo que os envolvia.

Eis, porém, que quando já se esperava a decisão por pênaltis, Marcos Assunção acertou aquele petardo no ângulo de Viafara, aos 43 minutos da etapa final, e abriu as portas para seguir em frente na Sul-Americana.

Dito assim até parece pouca coisa. Mas, uma vitória dessas, às vésperas da reestreia de Valdívia, ídolo da torcida palestrina, tem o poder mágico de soldar o time à galera verde e dar uma nova feição a esse Palmeiras que há muito tempo carece, antes de mais nada, dessa força anímica exibida na noite encantada do Pacaembu.

Clássico dos quartetos

Já está no ar o clássico carioca de domingo, entre Vasco e Fluminense. Não apenas porque o Flu é o líder isolado do campeonato e o Vasco, nas mãos de PC Gusmão, vem em franca ascensão, mas, sobretudo, pelo duelo de alta classe que se prenuncia entre os dois quartetos de frente de ambos os times.

De um lado, a possibilidade de o Vasco contar com Felipe, Carlos Alberto, Zé Roberto e Éder Luís, todos juntos pela primeira vez nesta temporada. De outro, a esperança na estreia de Deco, seja começando a partida, seja entrando no seu decorrer, ao lado de Conca, Emerson e Washington.

PC e Muricy testaram essas formações nos treinamentos e se fecharam em copas.

No caso do Vasco, seu treinador não teria de fazer nenhuma alteração no sistema tático adotado, mas, certamente, teme uma fragilização na marcação de meio de campo, sobretudo porque Felipe ainda não está fisicamente nos trinques, o que o compromete no cumprimento das duas funções básicas – marcar e armar.

No caso do Flu, o aproveitamento de Deco, também ainda aquém de sua melhor forma física, claro, implicaria em abrir mão de um dos três zagueiros, expediente tão a gosto de Muricy.

O jeito é esperar pelas definições dos dois técnicos, na certeza de que teremos um belo jogo no Maracanã.

A Fifa e o espetáculo

O presidente da Fifa, Sepp Blatter, revelou outro dia sua preocupação com o nível técnico dos jogos da Copa do Mundo, um futebol excessivamente defensivo para seu gosto e do público em geral.

Acha o presidente que a saída para esse impasse é eliminar o empate da competição – o jogo que terminasse em igualdade no placar teria uma definição em pênaltis ou morte súbita, o tal gol de ouro, já enterrado e sepultado.

Ora, esse desfecho, no meu modo de ver, teria efeito contrário, estimulando mais a retranca do que impulsionando os times para frente. Afinal, a imensa maioria dos competidores já entra em campo em inferioridade técnica, e sua única proposta é levar de barriga até onde der sua participação no evento. (Além do mais, seria contraproducente – nesse sentido – equiparar um empate de 4 a 4, por exemplo, com um mirrado e sonolento 0 a 0).

E é aqui que está o enrosco: o número excessivo de participantes da Copa, dobrado desde os bons tempos dos 16 disputantes de outrora. É muita seleção ruim em campo.

A fragmentação do Leste Europeu, depois da queda do Muro de Berlim, somada às vagas abertas para a Ásia, África, Américas do Norte e Central, mais Oceania são as responsáveis pela baixa de qualidade da competição.

O ideal seria reduzir-se o número de participantes da Copa, o que me parece inviável, por todas as razões políticas implícitas no processo.

Mas, se a Fifa quer melhorar o espetáculo, estimulando um futebol ofensivo com mais gols e emoções, que vá direto ao assunto: se o assunto é gol, então que se valorize esse que é o objetivo essencial do jogo.

Para tanto, há duas alternativas: 1) estabelecer um valor extra por cada gol marcado; 2) estabelecer um valor extra por gols assinalados acima de dois ou três.

A segunda alternativa, aliás, já foi usada aqui no Brasil com muito sucesso, até a Fifa proibir, coisa de um ponto extra quando o time marcava no mínimo três gols na partida.

E, se quiser, de quebra, pode incluir aquele sistema do excesso de faltas coletivas convertidas em pênalti ou cobrança sem barreira da meia-lua, como também já foi praticado por aqui, com pleno êxito.

Isso é andar pra frente, não pra trás.

Neymar fica

Ainda bem, para ele e para nós, que poderemos continuar nos encantando com seu futebol mágico duas vezes por semana, aqui, sua terra, sua gente.

Para ele, porque terá tempo suficiente para desenvolver seu físico, sua alma e seu futebol até chegar a hora da despedida. Para nós, porque teremos aí um longo tempo de degustação de seu jogo imprevisível, inventivo, absolutamente fora dos padrões convencionais, seja com a camisa do Santos, seja com a canarinho.

Neymar tem apenas 18 anos de idade, gente. É uma criança, embora maduro o suficiente para encarar qualquer parada. Até poderia dar certo no Chelsea logo de cara, Tem bola e personalidade pra isso. Mas, teria de vencer barreiras que, aqui, ele já transpôs com duas ou três pedaladas.

Em geral, o cara mais experiente e vivido leva um ano de adaptação no futebol europeu. Um ano de ostracismo. A grande exceção foi Kaká, que chegou no Milan e explodiu de cara. Mas, Kaká vinha de outra fornada e já tinha lá seus 21 anos de idade quando estreou no Milan.

Neymar iria para o Chelsea, comandado por um técnico italiano, Mancini, em geral forjado mais nos conceitos táticos do que na virtuosidade individual, que é o charme de Neymar.

Tenho, pois, minhas dúvidas de que o menino, lá, teria o espaço e o tempo que o Santos lhe oferece para desenvolver ao máximo seu potencial.

Já de cara, quando se deparasse com aquele caiçarinha mirrado, Mancini, por certo, o mandaria para o departamento de preparação física para ganhar corpo antes sequer de cogitar em aproveitá-lo no time principal.

Na Vila, não. Na Vila, Neymar vai se desenvolver como manda a natureza, com o apoio de todos, sobretudo de Ganso, seu parceiro de longa data e funda afeição.

E, nesse imbróglio todo, vale ressaltar a ação do presidente do Santos, Luís Álvaro, que conseguiu em breve tempo amarrar um pacote de vantagens para o craque capaz de desfazer o encanto da proposta milionária do Chelsea.

Coisa de quem é do ramo e não se submete passivamente aos ditames de um mercado de uma só mão.

Assim como o Corinthians fez com Ronaldo Fenômeno – guardadas as proporções e as características das respectivas negociações -, o Santos abre um novo caminho para o futebol brasileiro se livrar dos grilhões do mercado, que, até agora, só mostrava uma saída: exportar craques, a qualquer preço, em qualquer idade, por qualquer circunstância.

O que, aliás, prova haver neste país condições para elevar-se o nível do espetáculo a um ponto em que nossa dependência ao euro e ao dólar se reduzam a níveis aceitáveis num mundo globalizado. Basta arregaçar as mangas e botar a cabeça pra funcionar.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

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