PAPO COM MANO
Jadson? Meu Deus, que Jadson é esse que está entre os relacionados de Mano Menezes para o amistoso contra a França?
Nada melhor, pois, do que ouvir da própria voz do treinador brasileiro justificativa de sua convocação. E Mano, como sempre, pelo telefone, me explicou que Jadson foi seu jogador nos juvenis do Inter, nos tempos de Nilmar. Por questão de caixa, o Inter acabou negociando o menino com o Atlético Paranaense, onde se sagrou vice-campeão brasileiro.
Meia-atacante, destro, hábil o suficiente para armar, mas com vocação para infiltrar-se área adentro.
- No Shakhtar, ele, ao lado de Douglas Costa, é aquele meia que se aproxima de Luís Adriano, ex-Inter, e de Willian, ex-Corinthians. – acrescenta o técnico.
Na verdade, Mano vinha cogitando da convocação do rapaz há tempos. E, para se ter uma ideia do desempenho habitual de Jadson, não seria exagero dizer-se que, se ele estivesse no lugar de Ronaldinho Gaúcho contra a Argentina, talvez o resultado fosse outro, justamente por sua capacidade de invadir a área. Exagero? Só o tempo dirá.
Quanto a Renato Augusto, outra surpresa na convocação de Mano, o técnico o situa mais ou menos na mesma posição que Elano costumava exercer na Seleção: ali pelo lado direito de apoio do meio-campo.
- É um meia, destro, de bom passe e combativo, mas que tem uma habilidade individual capaz de criar jogadas inesperadas. Está muito bem no Leverkusen.
E Nenê, de quem Mano encheu a bola numa entrevista para a imprensa francesa? Bem, digamos, que se trata de um savoir faire. Embora admire o futebol de Nenê, contra ele há o fator idade, quase 30 anos, o que o deixaria distante da Copa, embora não impossibilitado de uma convocação., dependendo das circunstâncias futuras.
O certo é que passa pela cabeça de Mano, neste momento (e futebol é momento, como dizia sabiamente mestre Minelli), uma formação com Júlio César; Dani Alves, Thiago Silva, David Luís e André Santos; Lucas, Ramires ou Elias; Anderson, Renato Augusto ou Jadson; Robinho e Pato.
Um bom time para enfrentar a renovada França de Nasri e cia., sem dúvida.
O resultado, bem, esse é outro departamento.
Menguinho campeão!
Os meninos da Gávea, com méritos, justiça e autoridade, meteram 2 a 1 no Bahia e levantaram a Copa São Paulo Jr., na celebração do aniversário da cidade fundada por Anchieta, há 457 anos.
O Bahia, que cumpriu brilhante campanha ao longo da competição, marcou sua presença pela força coletiva de seu time. Já o Flamengo, que começou titubeando, impôs-se pelas individualidades, como esse zagueiro de escol, Frauches, autor de um golaço, diga-se.
Confirmando, aliás, o slogan que encima as folhas de tantas tradições do Mengo: “Craque, a gente faz em casa”.
É verdade. Poderíamos mergulhar no túnel do tempo e emergir lá pelo início dos anos 40, quando um garoto mirrado, mulato, rosto marcado pela bexiga, desembarcou de Niterói na Gávea carregando sob o braço um par de chuteiras embrulhadas em papel de jornal, pedindo uma chance de mostrar seu futebol no Flamengo.
Por desígnio do destino, naquele exato momento, Leônidas da Silva, o Homem de Borracha, o Diamante Negro, o artilheiro da Copa do Mundo da França, maior ídolo brasileiro desde Arthur Friedenreich, machucou-se durante o coletivo. Flávio Costa, o técnico, então mandou Zizinho entrar no lugar de Leônidas. Não era sua posição, mas a bola e o garoto de Niterói mantinham tão íntima e secreta intimidade que o meia virou centroavante, acabou com o treino, e, se transformou no mais completo jogador brasileiro, na opinião, entre outras, de Pelé.
Mas, a usina de craques da Gávea não parou por aí. Seguiu em frente, produzindo craques vindos do Brasil inteiro, entre eles, o alagoano Dida, Henrique e tantos outros na década seguinte. E, já nos 60, ninguém menos do que Zico, ídolo incomparável do clube. Veio, depois, a trupe do primeiro título da Copinha: Paulo Nunes, Marcelinho Carioca, Djalminha, Jr. Baiano etc.
Se quisermos escalar uma seleção rubro-negra de craques feitos em casa, lá vai: Júlio César; Leandro, Aldair, Mozer e Júnior; Andrade, Zico, Zizinho e Djalminha; Marcelinho Carioca e Índio. Isso, assim, de cabeça, com direito a ausências inaceitáveis.
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: Bahia, entrevista, Flamengo, França, Frauches, Jadson, Leônidas da Silva, Mano Menezes, Nasri, Nenê, Renato Augusto, Zico, Zizinho

