Copa Do Mundo | Blog do Alberto Helena Jr.

Publicidade

Arquivo da Categoria Copa do Mundo

segunda-feira, 30 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Mundo | 14:44

ITAQUERÃO E A UTOPIA

Compartilhe: Twitter

Começaram hoje os trabalhos de terraplenagem do Itaquerão, eventual estádio paulista destinado à abertura da Copa de 2014. Digo eventual, porque não se sabe ao certo, ainda, se será erguido com a capacidade de público exigida pela Fifa, ou apenas para o consumo doméstico do Corinthians, como inicialmente havia sido planejado.

Só espero que não haja um tostão público – melhor dizendo, o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho – empenhado nessa empreitada, embora esteja implícita pressão nesse sentido nas palavras do ministro dos Esportes, outro dia, acusando os governos municipal e estadual de São Paulo de não se empenharem devidamente no cumprimento das receitas da Fifa.

Desde quando se começou a falar na possibilidade de o Brasil ser sede da Copa de 2014, lancei a ideia de que esse empenho viesse no bojo de um gigantesco projeto nacional voltado a alavancar o Norte-Nordeste, regiões mais carentes do que o Sul-Sudeste, como se sabe há séculos, que poderiam ser transformados em mega polos de turismo altamente rentável para todos os brasileiros.

Ali há espaço físico para se criar todos os equipamentos e melhoras públicas, sem causar grandes transtornos à população. E todas as instalações previstas para a Copa – estádios etc. – seriam construídos de  tal maneira a que, finda a competição, seriam transformados de  imediato em escolas, hospitais, oficinas, hotéis, toda a infra necessária para atender essas necessidades.

A Copa funcionaria como um grande chamariz para turistas em potencial do mundo todo e o dinheiro gasto, apesar de eventuais desvios, seria de proveito público.

Mas, tudo isso foi considerado utópico pelas autoridades a quem fiz tal sugestão na época, inclusive o ministro dos Esportes.

Então, descartamos a utopia e caímos na real. E o real é isso que aí está.

Notas relacionadas:

  1. O CHORO DA DESPEDIDA
  2. POR QUE NÃO ITAQUERA?
  3. VERDÃO, NOITE SOFRIDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 Copa Sul-Americana, Copa do Mundo | 15:40

O GOIÁS, NA FITA

Compartilhe: Twitter

A brilhante vitória do Goiás sobre o Independiente, num Serra Dourada pleno e vibrante, coloca os verdes na fita para a conquista da Copa Sul-Americana e, consequentemente, de uma das vagas restantes para a Libertadores do ano próximo.

Foi por 2 a 0, mas poderia ter sido o dobro, pelas chances criadas, sobretudo naquelas ultrapassagens de Carlos Alberto pela direita ou nas investidas pelo meio do He Man, o artilheiro que renasceu em Goiânia.

E olhe que, nesse jogo, o Goiás não foi aquele time refém das bolas aéreas lançadas à área inimiga para o cabeceio certeiro de Rafael. Nada disso. Botou a bola no chão, envolveu os argentinos durante todo o primeiro tempo, e só foi apelar para bolas longas no início do segundo tempo, quando os rojos passaram a pressionar um pouco, até a justa expulsão de Silvera. A partir daí, só deu Goiás.

Se me surpreendeu o estilo do Goiás, surpreendeu-me ainda mais a fragilidade do meio de campo e da defesa do Independiente. Mas, certo está o técnico Arthur Neto, que pede pra turma fincar os pés no chão, pois o jogo, em Avellaneda, poderá ser outro, embora esse Independiente que vi na quarta-feira não me inspire maiores temores, não.

A quarta vaga

Com essa vitória, o Goiás, jogou água no chope de Grêmio e Botafogo, adversários do domingo pelo Brasileirão, com os olhos voltados pela eventual quarta vaga da Libertadores.

Mas, a coisa ainda não está decidida, e Tricolores e Alvinegros têm de jogar a alma no Olímpico, e, depois, um deles, o vencedor, fazer figa para que o Goiás seja vice em Avellaneda.

De qualquer forma, tanto para Grêmio quanto para o Botafogo será uma honra terminar o Brasileirão em quarto lugar, essas coisas precisam ser ditas para um povo que só valoriza o título e nada mais.

Rússia e Qatar?

Hummm… Sinto cheiro de arroz queimado nessa escolha pelo Comitê da Fifa para as sedes das duas próximas Copa do Mundo, depois da do Brasil – Rússia e Qatar.

Mais precisamente, afinando o olfato, cheiro de máfia russa e de petrodólares, que perfumam a séria de disparos da imprensa mundial sobre a integridade de vários membros do tal Comitê.

Pena que o charme de uma disputa conjunta em Espanha-Portugal e Holanda-Bélgica não tenha seduzido os jurados da escolha.

Marketing peixeiro

O Santos acaba de apresentar Elano como novo reforço para a Libertadores. Bom reforço. Jogador experiente, que, embora revelado pelo Guarani, ganhou status na Vila Belmiro, naquele inesquecível de Robinho, Diego, Renato etc., dono de tiro exato, seja nos cruzamentos, seja nas cobranças de falta, seu futebol não tem o brilho dos Meninos da Vila, mas é altamente eficiente.

Mas, o Santos não está só olhando seu time principal de futebol. Já trouxe Marta e Cristiane, duas das melhores jogadores do futebol feminino em todo o mundo, e acaba de apresentar também Falcão, o inexcedível Falcão do futsal.

Pois imaginemos o que está bolando o marketing do Santos: um jogo festivo em que Marta, Cristiane e Falcão se juntem a Neymar e cia. bela.

Periga, depois, o Peixe ter de quebrar todas as barreiras ainda existentes no futebol profissional.

PS: Desculpe o amigo e a amiga pelo atraso deste post. É que fiquei fora do ar ontem, o dia todo.

Notas relacionadas:

  1. VERDÃO, GALO, GOIÁS, EM FRENTE!
  2. JOGO FATAL
  3. O CHORO E O RENASCIMENTO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 30 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa do Mundo | 16:37

POR QUE NÃO ITAQUERA?

Compartilhe: Twitter

É evidente que o presidente Lula, como corintiano de carteirinha e a bordo da maior aprovação popular, segundo as pesquisas, de todos os tempos da República, tem interesse na construção do estádio de Itaquera e que ele venha a ser sede da abertura da Copa no Brasil.

É evidente que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, demoliu o Morumbi, pedra a pedra, por razões de foro íntimo e por politicalha.

Assim como é evidente que a falta de habilidade para conduzir o processo por parte do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, pavimentou esse caminho sem volta – a exclusão do estádio tricolor como candidato único da cidade de São Paulo à abertura da Copa do Mundo de 2014.

Aliás, durante esse processo, Juvenal abriu outra frente de batalha que acabaria, por fim, se fundindo à outra, ao tratar com soberba e até desprezo o presidente corintiano Andrés Sanchez, nas negociações sobre o uso do Morumbi pelo Corinthians, em jogos domésticos e nacionais.

Andrés prometeu o troco em alto estilo. É o que está fazendo, sem dúvida, ao anunciar o estádio de Itaquera como um projeto destinado apenas a atender as necessidades de seu clube, mas abrindo a perspectiva de ampliar suas instalações para poder atender às exigências da Fifa (leia-se, Ricardo Teixeira) para o jogo de abertura da Copa.

O governador interino Alberto Goldman e o prefeito Kassab, antes tão apegados ao projeto Morumbi, subitamente mudaram de rumo, ao sabor dos ventos eleitorais que sopram para as bandas da Zona Leste, e passaram a avalizar o Itaquerão. Entre outras coisas, porque no Morumbi vale muito mais preservar o Palácio do Governo que o estádio.

Bem, este é o cenário em que os agentes dessa trama atuam, às vezes, em parcerias, às vezes, em solos próprios, segundo minhas depreensões.

Outra coisa, bem diferente, é a construção do estádio de Itaquera em si mesmo.

Belas são as palavras do presidente corintiano quando diz que o Corinthians tem uma dívida com a Zona Leste da cidade, núcleo central e histórico da grande nação alvinegra. E, realmente, se há uma região desta megalópole que merece atenção especial do poder público é essa. Tudo que for feito de infraestrutura ao redor do futuro estádio será pouco e necessário.

Claro, essas coisas deveriam independer de eventos como a Copa. Mas, entre o ideal e o real vai uma distância de Itaquera a Wembley. E, se a imensa população daquela região tiver de ser beneficiada por descaminhos como esse, meno male.

Outras belas palavras do cartola corintiano são as que prometem não haver nenhuma perspectiva de uso de dinheiro público na obra em si, o que é fundamental. Estádio, sim, mas com grana particular. Dinheiro público só para obras públicas, que atendam as necessidades da população.

Ora, palavras somem com o vento, dirá o amigo mais cético. É verdade. Mas, o fato é que Andrés Sanchez prometeu, na campanha para presidente do Corinthians, acabar com as reeleições sucessivas, que construíram no clube verdadeiros impérios no passado. E cumpriu sua palavra. Logo que assumiu, mudou os estatutos do clube e já avisou que cumprirá estritamente o que lá ficou escrito.

Ao contrário, por exemplo, de Juvenal Juvêncio, que, acenando com a bandeira da reforma do Morumbi para a Copa do Mundo, quebrou a longa e proficiente tradição tricolor de não se permitir senão uma única reeleição, de dois em dois anos. Ampliou seu reinado até 2014, com todos os ônus que o clube teve de arcar nesse período insólito da vida tricolor.

Portanto, até prova em contrário, não há que se duvidar das palavras de Andrés Sanchez.

E, se assim for, por que não Itaquera em vez do Morumbi?

Notas relacionadas:

  1. FINAL MANCHADA
  2. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
  3. CHEIRO DE ARROZ QUEIMADO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 12 de julho de 2010 Copa do Mundo | 14:20

O QUE RESTOU?

Compartilhe: Twitter

Não, claro que não foi uma Copa disputada em alto nível técnico. Tampouco, a Espanha brilhou o tempo todo, nada próximo à potencialidade desse time espanhol. Assim como a Holanda só passou a ser algo mais ou menos parecido com as melhores Holandas do passado a partir da vitória sobre o Brasil.

E as razões disso são várias.

No caso do baixo nível técnico da Copa, sobretudo nas primeiras fases da competição, a explicação passa pelo inchaço do torneio, que abriu as portas para seleções inexpressivas, que só vão à Copa para defender-se e tentar estender ao máximo sua sobrevivência no certame.

Além disso, o fato de que o calendário mundial reserva a Copa para o final de temporada dos europeus, quando os jogadores já estão exaustos, mesmo porque os grandes centros europeus ampliaram o número de suas competições, Liga disso, Liga daquilo e tal e cousa e lousa e maripousa. E, quando falo de europeus, inclua aí o amigo a imensa maioria dos sul-americanos e africanos que atuam na Europa e que compõem as suas respectivas seleções nacionais.

Numa competição disputada no limite do estresse, a condição física ganha importância extra, óbvio.

Então, o que vimos foi o desfile de decepções com craques renomados, como  Robben, Wayne Rooney, Fernando Torres, Kaká, Iniesta, Fábregas, entre outros, atuando bem abaixo do seu próprio nível por questões físicas, contusões recentes ou mal curadas.

Quanto à Espanha, a par do estado físico de Torres, seu goleador, o que limitou em muito a artilharia do time, houve um equívoco de ordem tática, só corrigido já na reta final do torneio, com a entrada de Pedrito pela direita (e, na decisão, a de Navas). Até então,  aquele lado direito todo era reservado para Sérgio Ramos namorar a girada, o que é impraticável até mesmo para um atleta que esbanja saúde.

E mais: a presença imutável de dois volantes do mesmo estilo, que pouco se arriscavam a participar do toque-toque da dupla Xavi-Iniesta, à frente. Eis por que as entradas de Fábregas no lugar de Xabi Alonso sempre foram providenciais nos momentos mais críticos da Espanha.

Mas, mesmo exibindo um futebol abaixo de suas possibilidades, a Espanha sempre soube ter o domínio das partidas que disputou, inclusive na derrota surpreendente para a Suiça, levando a bola a circular no campo adversário, provando que, si, se puede!, jogar ofensivamente até mesmo num campeonato de extrema competitividade como uma Copa do Mundo, feita á base do mata-mata.

Quanto á beleza do espetáculo, este praticamente se reduziu a alguns momentos deslumbrantes protagonizados pela Alemanha, naquelas duas goleadas históricas sobre Inglaterra e Argentina, duas das mais categorizadas equipes da Copa.

De resto, é torcer para que o resultado final contribua para que o mundo comece a ver o futebol sob um ângulo mais prazeroso e menos competitivo, pois essa foi a lição, em última análise, deixada por Espanha, Holanda, Alemanha e Argentina nos campos da África, mesmo não atingindo os seus limites.

Notas relacionadas:

  1. DOIS JOGAÇOS À VISTA
  2. ESPANHA, OLÉ!
  3. LA BALANGUERA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

domingo, 11 de julho de 2010 Copa do Mundo | 19:07

LA BALANGUERA

Compartilhe: Twitter

É inegável que a Espanha foi melhor do que a Holanda, no tempo regulamentar, e, sobretudo, na prorrogação, quando o título foi decidido por aquele gol de Iniesta, aos 11 minutos do segundo tempo.

Teve o domínio da bola e dos espaços durante a maior parte do jogo, desde o início, quando em poucos minutos criou três boas chances para marcar – a melhor de todas, com Sérgio Ramos, que, por sinal, cumpriu performance excepcional nesta decisão, tanto atrás quanto na frente.

Depois, a Holanda apertou a marcação, truncando muito a partida, que caiu numa longa reticência, pontilhada de faltas daqui e dali.

E, no segundo tempo, quando o jogo estava mais enrolado, Robben, justamente ele, desperdiçou as duas oportunidades mais claras para abrir o placar até então, ambas conjuradas pelo goleiro Casillas.

Mas, a Espanha, embora denominada La Furia, é, acima de tudo, um time cerebral, a exemplo de seu modelo básico – o Barcelona. E, aos poucos, retomou seu toque de bola, incrementado pela entrada de Fábregas no lugar de Xabi Alonso, como já ocorrera em jogo passado.

Isso, colocou em campo Iniesta, na plenitude de sua habilidade, e as chances espanholas foram se sucedendo, ao cabo do tempo regulamentar e prorrogação adentro.

Foi, enfim, a vitória da técnica, da habilidade e da cuca fresca, que vem pautando as atuações da Espanha nos últimos quatro anos, tendo como ponto culminante, até agora, a conquista da Europa, em 2008.

Um futebol que, aos poucos, foi abandonando seu tradicional jogo furioso, raçudo, irracional mesmo, pelo jogo altamente sofisticado, tramado de maneira tão paciente e exato que me faz lembrar Maria del Mar Bonet, no pátio da Catedral Gótica de Barcelona, ao som de instrumentos medievais, na Copa de 82, interpretando La Balanguera,  canção que fala da fianderia que se confunde com a  aranha-destino tecendo sua teia invisível e mágica em torno dos pobres mortais e dos seus amores.

La Fúria, pois, pode ser chamada, doravante, de La Balanguera.

A VEZ DE INIESTA

Diego Forlán foi escolhido o craque da Copa. Nada mais merecido, por ter sido o filho de Pablo, que praticamente carregou nas costas o Uruguai, nesta campanha surpreendente da Celeste Olímpica.

Na véspera, porém, o mito holandês, Johann Cruyjff, adiantou seu voto de melhor da Copa: Xavi. Confesso que estava propenso a votar no extraordinário armador da Seleção, por quem a bola tem de passar, seja na ida ou na vinda, inexoravelmente.

E, quando parte de seus pés tem sempre a direção certa, muitas vezes inesperadas.

Mas, Iniesta, seu parceiro de Barça e Seleção, jogou tanto nesta decisão do Mundial, além de ter sido o autor do gol do título, acabou sobrepujando seu companheiro.

Dono de técnica invejável, Iniesta agrega ainda uma energia interminável, movimentação constante e muita habilidade. É daqueles jogadores capazes de partirem com a bola colada aos pés, deixando no rastro fieiras de inimigos batidos.

E, como não há nenhum lance mais importante do que um gol do título mundial, meu voto vai para Iniesta.
Meu voto e minha reverência a um craque que não tem correspondente na atual Seleção Brasileira, embora, por estilo e arte, seja até mais brasileiro do que espanhol.

Notas relacionadas:

  1. DOIS JOGAÇOS À VISTA
  2. ESPANHA, OLÉ!
  3. AS CERTEZAS DE UM PATRIOTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 10 de julho de 2010 Copa do Mundo | 17:56

ALEMANHA, COM JUSTIÇA

Compartilhe: Twitter

O jogo foi disputado sobre o fio da navalha, literalmente, até o último lance, depois de Kiessling perder gol feito – aquela falta cobrada por Forlán, no travessão, . Dez centímetros pra baixo, e iríamos para a prorrogação, e, quem sabe, aos pênaltis, com desfecho imprevisível.

Mas, creio que se fez justiça: ao aguerrido, quando não heroico Uruguai, o quarto lugar, honrosa e inesperada posição para um time que, se não encantou pela técnica, comoveu pela entrega.

E, o terceiro lugar, prêmio de consolação para a Alemanha, time que ofereceu os momentos mais emocionantes e belos da Copa, praticando um futebol leve, inteligente, ofensivo e irradiando juventude de um grupo de garotos que ainda darão muito o que falar.

No toque da jabulani, especificamente, na revirada por 3 a 2 dos alemães, vale dizer que, mesmo desfalcada de alguns jogadores-chave, como o lateral Lahm e o atacante Podolski, dominou a maior parte do jogo, e criou as melhores chances para marcar.

Grande jogo e sugestivo prenúncio para a final deste domingo.

Notas relacionadas:

  1. UNIÃO É GRUPO
  2. O CIVILIZADO MANO
  3. ESPANHA, OLÉ!
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

Copa do Mundo, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 13:46

A DOIS SENHORES, NÃO

Compartilhe: Twitter

Parece que a sucessão de Dunga se encaminha para um desfecho que não será bom nem para a Seleção, nem para o Palmeiras. Refiro-me à possibilidade de  CBF e Verdão virem a dividir os serviços de Felipão.

Trata-se de um retrocesso pra mais de meio século, quando era comum o técnico de um clube assumir ao mesmo tempo o comando da Seleção Brasileira. E olhe que, então, o time brasileiro não jogava nem um terço do joga hoje em dia, entre amistosos e torneios oficiais.

Aliás, há décadas já que todas – rigorosamente, todas – as seleções do mundo mantêm técnicos exclusivos. Um técnico dedicado a se aprimorar – estudando o futebol em todas as suas áreas -, a acompanhar de perto jogadores de todo o país (um continente, diga-se), indo aos treinamentos, aos jogos, viajando pelo mundo para manter-se em dia com possíveis inovações e tal e cousa e lousa e maripousa.

Há muito o que fazer, se realmente o sujeito tiver ganas de assumir integralmente seu ofício.
Felipão, com o respaldo do título mundial de 2002, mais a experiência internacional adquirida no últimos anos, dirigindo a Seleção Portuguesa e o Chelsea, sem dúvida me parece um nome exemplar. Ainda mais porque deu, em Portugal, sobretudo, sinais de plena evolução na sua maneira de ver o futebol.

Da mesma forma – e mais ainda -, o Palmeiras precisa de um Felipão focado apenas nos seus problemas, que não são poucos, como demonstrou na derrota para o Boca, em amistoso disputado na última sexta-feira, na despedida do atual Palestra Italia.
Já o velho livro dizia que não se pode servir a dois senhores. Logo, ou um, ou outro.

HOLAPANHA

Não há quem não identifique as digitais do Barça na Espanha que, neste domingo, decide o Mundial com a Holanda. Assim como quem acompanha a história recente do Barça não deixa de reconhecer a íntima relação entre a forma de jogar desse time com o do futebol holandês.

Desde 1973/74, época do Carrossel Holandês, quando Rinus Mitchels era o técnico de ambos, que os catalães buscam inspiração no futebol holandês.

Depois de Mitchles, Cruyjff, o maior jogador de todos os tempos de seu país e  uma legenda no Camp Nou, seguido por Van Gaal, além da legião de jogadores holandeses que vestiram a camisa grená e azul do Barça.

Dá até pra fazer uma seleção deles: Reizeger, Koeman, De Boer. Bogarde; Van Bommel, Cruyjff, Von Bronckhorst, Kluivert, sei lá quantos mais.

Assim como vários brasileiros foram atraídos pelo gosto catalão por um futebol jogado com engenho e arte, desde Evaristo de Macedo, bem antes dessa fase, passando por Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Giovanni, Rivaldo e tantos outros.

Podemos, a partir daí, criar um triângulo entre os três países – Holanda, Catalunha e Brasil -, traçado por um espírito comum: o prazer pelo espetáculo do jogo da bola, acima de qualquer outro valor.

Cruyjff,  muitos anos atrás, me explicava que o conceito do Carrossel Holandês estivesse ligado ao inconsciente coletivo de seu povo, cultor de danças em rodas, de mesas circulares onde tudo se celebrava, enfim. Os catalães são conhecidos pelo seu refinado gosto pelas artes, enquanto o Brasil é o país do samba e do Carnaval.

Reduzindo: a alegria e a celebração pelo belo são os pontos de união entre povos tão díspares, o que deve fazer desta decisão pela Copa um espetáculo magnífico, onde estaremos presentes, de uma forma ou de outra, livres dos rancores e estupidez que marcaram nossa passagem cinzenta pela África.

Notas relacionadas:

  1. E A COSTA DO MARFIM?
  2. DOIS JOGAÇOS À VISTA
  3. O CIVILIZADO MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 9 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 14:57

AS CERTEZAS DE UM PATRIOTA

Compartilhe: Twitter

Dunga, finalmente, abriu a boca, no Jornal da Tarde. Pra dizer que não se arrepende de nada e que repetiria passo a passo sua caminhada à frente da Seleção Brasileira. Por fim, exaltou o patriotismo demonstrado por seus jogadores.

Já disse um célebre pensador que o patriotismo é o refúgio dos velhacos. Entre outras coisas, porque toca a corda mais sensível de um povo, quando em crise, fazendo-a vibrar tão alto que ensurdece a razão.

Não digo que Dunga seja um velhaco, longe disso. Acho mesmo que crê piamente nessas coisas, em pleno século da globalização, em que os mais caros valores culturais de seu país são dilapidados vertiginosamente, sem que nem ele mesmo perceba.

Dentre eles, a escola brasileira de jogar futebol, que o próprio Dunga é um dos ícones da sua progressiva destruição.

Bem, pra quem não sabe se a escravidão e a ditadura militar foram mesmo um mal na história do Brasil, seu discurso final faz todo o sentido.

O CRAQUE DA COPA

A Fifa divulgou a lista dos dez candidatos ao título de melhor jogador da Copa. Nenhum brasileiro está lá inscrito.

Elano, Kaká e Felipe Melo

Veja bem o amigo: nenhum jogador da maior usina de craques do mundo, desde sempre, país que já escalou cinco melhores do mundo nos últimos anos: Romário, Ronaldo Fenômeno (duas vezes), Ronaldinho Gaúcho (duas vezes), Rivaldo e Kaká. Isso, porque a FIFA só elege quem joga na Europa. E, sem falar em Pelé, eleito o maior atleta do século XX.

O quer isso dizer? Quer dizer que não levamos pra lá craques suficientes para, ao menos, um deles entrar na lista. Tirando-se Kaká, fora de forma, e Robinho, quem restaria, além dos zagueiros Lúcio e Juan?

Em contrapartida, a Espanha, que joga ao nosso desprezado estilo do passado, inclui Xavi, Iniesta e Villa, dois armadores e um goleador. E a Holanda, a outra finalista, está representada por dois meias de alto nível técnico e de muita habilidade – Robben e Sneijder.

Já a Alemanha, que disputa o terceiro lugar com o Uruguai de Forlán, um dos indicados, com toda justiça, pois carregou a Celeste na Copa em sua melhor performance das últimas Copas, tem dois escolhidos, dois meias de habilidade: Schweinsteiger e o menino Ozil (Muller merecia estar na lista, no lugar de Messi ou de Gyan, uma clara homenagem ao futebol africano e só).

Traduzindo: dos dez, sete meias (armadores ou mais ofensivos), exatamente o que nos faltou em meio à legião de volantes que Dunga levou para a África.

Justamente pelo que a mídia em geral – eleita por  Dunga  como a grande inimiga do Brasil -, implorou de joelhos ao técnico brasileiro, tão patriota e soberbo em  suas certezas incompatíveis com a realidade brasileira. E do mundo da bola.

Notas relacionadas:

  1. ALHOS E BUGALHOS
  2. ASSIM, SIM!
  3. COERÊNCIA, SENSIBILIDADE E…ROBERTO CARLOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

quinta-feira, 8 de julho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 12:38

DE VOLTA AO FUTURO

Compartilhe: Twitter

Durante décadas e décadas, sempre que a Seleção Brasileira se dava mal numa Copa do Mundo ou mesmo nos torneios continentais, a culpa do desastre estava implícita: falta de organização, pois craque temos de sobra.

Desta vez, porém, a situação foi inversa. Não faltou organização, até excessiva no tocante à disciplina interna do grupo de jogadores. Trancou-se a turma num quartel ou mosteiro, como queiram, fez-se uma lavagem cerebral completa nos jogadores, elegeu-se a imprensa como a grande inimiga da Seleção, e demos com os burros n’água, literalmente.

Faltou mesmo foi craque. Fruto dessa obsessão dos nossos treinadores em geral pelo tal futebol de resultados, desde as equipes de base dos clubes até o topo da pirâmide. Vezo que tomou conta do nosso futebol há, por baixo, duas décadas.

Não sou daqueles oportunistas, que, ao cabo de uma derrota, sai por aí clamando por mudanças radicais, como se o resultado de uma derrota num jogo de bola fosse o apocalipse.

Mas, há anos venho advertindo para os riscos desse distanciamento progressivo e letal das nossas origens futebolísticas, daquilo que o brasileiro soube desenvolver como nenhum outro no mundo – o jogo jogado com engenho e arte.

Portanto, sinto-me à vontade para botar a boca na vuvuzela e clamar por uma mudança radical nos rumos do nosso futebol.

Com o fracasso do nosso time na Copa da África e a perspectiva do próximo Mundial no Brasil, está mais do que na hora de cartolas, técnicos e mídia partirem para um mutirão em busca da nossa identidade perdida.

OS FINALISTAS

Enfim, teremos um novo campeão mundial. E, mais: o primeiro campeão mundial europeu a conquistar o título fora de seu continente, feito até agora reservado a dois sul-americanos – Brasil e Argentina.

A Holanda bem que merece, pois parte para a sua terceira final de Copa do Mundo. Em 74, assombrou o mundo com a já mítica Laranja Mecânica; e, em 78, deixou escapar o título naquela bola na trave da Argentina, de Resembrinck, no finalzinho da decisão. E sempre primou por um futebol técnico e ofensivo.

Houve, porém, outras duas gerações de ouro da Holanda que nem chegaram lá, embora também merecessem, talvez, mais do que a atual. Basta lembrar aquele time de Reijkaard, Gullit e Van Basteen. E a de Davids, Seedorf, Overmars, Kluivert e cia. bela.

Já a Espanha, que chega como uma Fúria e parte feito brisa de verão, tem na atual seleção sua melhor safra.

Aquela que pratica o futebol mais próximo do nosso glorioso passado, feito de toques, tramas inesperadas, muita movimentação e com o olho fixo no ataque. Pena que não tenha um goleador do porte de um Butragueño, por exemplo, para se esbaldar com aqueles passes e enfiadas magníficos de Xavi e Iniesta.

Aliás, se fosse aqui, de cabeça, correndo o risco de cometer graves injustiças, escalar uma Seleção da Espanha das que vi em ação, diria que, além de Butragueño, entrariam apenas, do passado, o goleiro Zubizarreta (Zamora é uma legenda de um tempo que não vivi) e Guardiola no lugar de Xabi Alonso ou Busquets.

Contudo, n Holanda, ah, quantos: Van der Sar; Suurbier, Reijkaard, Frank de Boer e Von Bronckhorst; Seedorf, Neskeens, Cruyjff e Gullit; Van Basteen e Robben. Como se vê, apenas dois do time que pode muito bem ser campeão do mundo neste fim de semana.

DESENCANTO JAMAICANO

Ao partir de volta de Johanesburgo, dividi o táxi até o aeroporto com um hóspede do hotel em que estávamos e seu filho, um garoto esperto de 11 anos de idade. Trevor é jamaicano, economista que presta serviços para o FMI e que aprendeu a falar português ao participar das negociações entre o governo brasileiro e aquele órgão internacional, anos atrás.

Deixou a mulher e a filha adolescente em casa, e partiu com seu menino para a África do Sul, repetindo o gesto de seu pai, nascido em Trinidad e Tobago, que, em 1970, levou o pequeno Trevor para ver o Brasil no México.

Tervor ficou tão encantado com a bola dos brasileiros que resolveu homenagear aquela seleção de ouro dando o nome de Jair ao garoto que o acompanha no banco de trás do táxi.  Jair, de Jairzinho, o nosso Furacão.

Queria, de coração, que o filho tivesse o mesmo encantamento ao ver o Brasil em campo. Infelizmente, foi uma enorme decepção.

O que afinal aconteceu com o futebol brasileiro de tantos artistas da bola, como Pelé, Jairzinho, Gérson, Tostão, Rivellino, ou mesmo dos dois Ronaldos, de Rivaldo, de Romário ? – perguntava-me o economista jamaicano, com amargura na voz.

Se tivesse seu e-mail, mandaria a crônica de abertura desta coluna. Talvez, ele conseguisse chegar perto da resposta à sua pergunta.

Notas relacionadas:

  1. MEDO DE QUEM?
  2. E A COSTA DO MARFIM?
  3. O CIVILIZADO MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quarta-feira, 7 de julho de 2010 Copa do Mundo | 18:32

ESPANHA, OLÉ!

Compartilhe: Twitter

Tinha de ser Carles Puyol o herói da classificação da Espanha, pela primeira vez em sua história, para a decisão da Copa do Mundo contra a Holanda.

Na cobrança de córner da esquerda por Xavi, Puyol subiu dois degraus acima dos zagueiros alemães e testou para as redes inimigas, aos 27 minutos do segundo tempo, quando o jogo começava a ganhar contornos dramáticos.

Xavi e Puyol, os dois extremos que se encontram nesse time, conferindo-lhe o verdadeiro equilíbrio de um time de futebol: a técnica esmerada, o passe exato, a habilidade do meia por excelência, e a raça, o empenho, a entrega do zagueiro catalão, da cabeça aos pés.

Não aquele equilíbrio fajuto que tanto exaltou nosso treinador nestes anos todos de uma equipe voltada basicamente para a marcação, sem, contudo, dosar na medida exata a criação, a inventiva, o domínio de bola, essas coisa que são o sal do jogo, que lhe dão beleza e versatilidade.

E foi assim que a Espanha envolveu a poderosa Alemanha, nesta semifinal da Copa do Mundo, a partir do instante em que o técnico Del Bosque resolveu iniciar a partida com o canhoto habilidoso Pedro no lugar de Fernando Torres.

Dessa forma, Iniesta e Xavi contaram com um parceiro à altura no toque de bola que é o apanágio desse time, e que nos faz morder de saudade dos tempos em que essa era nossa maior competência.

Carles Puyol é abraçado por Sergio Ramos e Gerard Piqué após marcar

É verdade que, nesse quesito, os alemães sofreram a ausência de Muller, suspenso, um dos seus maiores destaques nesta Copa. Seu substituto, Trochowski, é apenas um bom volante, dedicado, mas de técnica reduzida.

Em consequência disso, Schweistinsteiger, o craque do time, foi o recordista de passes errados, enquanto Xavi, um dos grandes candidatos ao título de melhor da Copa e do mundo, assessorado magnificamente por Iniesta, deitou e rolou no meio de campo.

Assim, Espanha e Holanda fazem uma final inédita, em que, qualquer que seja o vencedor, será campeão mundial pela primeira vez na vida, passando a integrar o exclusivo grupo histórico de Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, França e Inglaterra.

Dois times que, ao contrário do Brasil de Dunga, enfatizam o toque de bola, o drible, a invenção da jogada inesperada, o ataque, sem, contudo, abdicarem da defesa, que isso é essencial.

Tanto que, por exemplo, a Espanha exibe uma das melhores, se não a melhor, dupla de zagueiros do mundo – Puyol e Piqué – numa combinação medida de força e técnica. Pois, se Puyol, o herói da jornada, é, sobretudo, empenho, não nos esqueçamos que foi, de origem, um lateral-direito ofensivo e de boa técnica, enquanto Piqué é o exemplo acabado do zagueiro de porte elegante, passe especial e muita fibra.

Espanha e Holanda, quem ganhar levará com orgulho a taça, assim como teria sido se o destino tivesse escolhido a Alemanha, nesta semifinal.

São três times que praticam o verdadeiro futebol, onde arte, engenho e competitividade se equilibram em todos os setores.

O resto é papo ignorante dos treinadores que não sabem sequer o que é o futebol.

Notas relacionadas:

  1. E A COSTA DO MARFIM?
  2. DOIS JOGAÇOS À VISTA
  3. O CIVILIZADO MANO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. Última