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Arquivo da Categoria Copa do Brasil

02/07/2009 - 15:33

A ESCOLHA CERTA

Por Milton TrajanoTudo, na verdade, começou com a ousada escolha do estilo de jogo que o Corinthians deveria adotar para a disputa da Segunda Divisão do Brasileirão do ano passado.

Os clichês estampavam um modelo único, aquele que se traduzia assim, em palavras: Segundona é coisa de macho, que exige muita raça e pouca técnica.

Pois bem, Mano Menezes escolheu o caminho inverso e montou um time essencialmente técnico, num claro 4-3-3, tão desprezado pela imensa maioria dos nossos treinadores, o que confere ao time, dependendo da escolha dos jogadores, uma ofensividade muito maior do que esse ramerrão que anda por aí no futebol brasileiro há tanto tempo.

Pego como exemplo o meia Douglas, canhoto hábil e inteligente, desses que encantam pelo toque de bola, pelo passe arriscado, cujo nome, se posto à mesa, de 99 por cento dos nossos treinadores, provocará um esgar seguido do inevitável: ah, mas não marca ninguém.

Pois, Douglas foi o principal articulador de um time que jogou com dois beques de área, dois laterais ofensivos, um volante de ofício (Cristian), outro mais versátil (Elias) e três atacantes.
Assim, o Corinthians levantou a taça com um brilho e uma folga jamais vista até então.

No início do ano, Mano recebeu um presente que, para muito treinador brasileiro, seria de grego: Ronaldo Fenômeno, uma incógnita absoluta, mais problema latente do que solução técnica.

Ronaldo integrou-se, recuperou-se o suficiente para ser decisivo na campanha pelo título paulista, e a expectativa de que ainda produzirá muito mais segue em alta.

Nesse momento, Douglas machuca-se, volta reticente ao time, alterna boas e más partidas, reacendendo o velho vezo aos meias de habilidade. Qualquer outro técnico, o teria defenestrado. Mas, Mano manteve Douglas no time, até que o jogador conseguisse se reabilitar. Assim como manteve seu esquema faceiro, como dizem alguns, ofensivo, porém, equilibrado, por isso mesmo. A ponto de ser uma das defesas menos vazadas do país, e um ataque altamente positivo, além dos títulos conquistados.

Todo mundo se deliciou com a serenidade com que o Corinthians driblou em campo todas as pressões exteriores no Beira-Rio.
O fato é que o equilíbrio emocional baseou-se, sobretudo, no equilíbrio técnico e tático da equipe. Na capacidade de alternar o ritmo de jogo de acordo com as circunstâncias. No conjunto de um time que joga junto praticamente desde que Mano assumiu o seu comando.

Sim, claro, individualidades se sobressaíram, de Felipe a Dentinho. Todos tiveram seus momentos de brilho nessa campanha gloriosa. Mas, Jorge Henrique e Dentinho foram emblemáticos.

Explico: ambos, atacantes natos, jogadores de porte e estilo leves, romperam o velho chavão de que os avantes brasileiros, por cultura insuperável, não sabem marcar, nem têm disposição para tanto.

Trata-se de outro estúpido preconceito, gerado pelo medo dos nossos treinadores de arriscarem um sistema mais ofensivo, para garantir seus empregos, com aquela legião de beques e volantes de contenção.

Enfim, mais do que ganhar dois títulos importantes em seis meses, o grande mérito desse Corinthians é ter sinalizado para um novo (eterno) rumo para o futebol brasileiro, onde não há mais lugar para frases feitas, conceitos superados, medos e retrancas.

A não ser para os que pensam pequeno, apesar da grandeza dos clubes que dirigem.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , ,
02/07/2009 - 00:16

DA SEGUNDONA À LIBERTADORES

E o Corinthians, que saiu lá da Segundona em fulminante carreira, de passagem, levou o título paulista e chegou para levantar a cobiçada Copa do Brasil, garantindo sua participação na Liertadores do próximo ano.

E levantou a taça diante do poderoso Inter, em pleno Beira-Rio, num jogo em que o Timão deu as cartas no primeiro tempo, meteu dois gols, com Jorge Henrique e André Santos, e deixou de ampliar com Ronaldo, cara a cara com Lauro.

No segundo, o Inter partiu para o tudo ou nada, empatou com Alecsandro, e depois virou bagunça, o que, no fim, favoreceu mais o visitante do que o mandante.

Enfim, a taça não poderia estar em melhores mãos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Sem categoria Tags: , , ,
30/06/2009 - 15:50

DECISÃO E PRESSÕES

E aí, amigo, temeroso pelo que possa acontecer no Beira-Rio nesta noite de quarta, por conta das pressões do Inter sobre a arbitragem?

Sim, falo sobre essas coisas, tipo DVD exibido pelo cartola colorado Fernando Carvalho, selecionando erros de arbitragem que favoreceram o Corinthians, é uma bobagem, todos sabemos, pois exemplos desses podem ser editados favorecendo ou prejudicando qualquer time do Brasileirão, quiçá do mundo.

Só não podemos prever os efeitos que isso poderá causar nos ânimos já exacerbados da fervorosa torcida colorada e, sobretudo, no jovem juiz da partida, Ricardo Marques, cujo currículo não é muito animador, apesar de ser árbitro-Fifa. Tanto, que já foi devidamente guardado na geladeira, depois de algumas lambanças logo no começo do campeonato.

Torço para que as torcidas se comportem civilizadamente e que o juiz resista a qualquer pressão e erre o menos possível, pois o confronto entre Inter e Corinthians, na decisão da Copa do Brasil, vem cercado de um valor bem mais alto – a força das duas equipes, que praticam um futebol ofensivo e equilibrado nos três setores, nas regras da arte.

O Timão leva para o Beira-Rio uma vantagem significativa, mas não definitiva, e tem em Douglas, Elias, Dentinho, Ronaldo Fenômeno e Jorge Henrique um quinteto afiado e perigoso, perfeitamente capaz de buscar aquele gol que eventualmente desmontaria de vez o adversário.

Já o Inter, com Nilmar de volta ao ataque, ao lado de Taison, e apoiado por Guiñazu, Magrão, D’Alessandro e Andrezinho, suponho, que ocuará a vaga do menino Sandro, é lépido e incisivo o suficiente para virar o jogo de ponta-cabeça.

Tecnicamente, portanto, se equivalem. Nesse caso, imagino, ganhará quem melhor souber controlar os nervos.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , ,
18/06/2009 - 00:19

GRANDE VITÓRIA DO TIMÃO

Foi um jogo desses que merecem um nicho na galeria de ouro do futebol brasileiro. Corinthians e Inter jogaram de peito aberto e fina técnica. Era bola lá e cá, o tempo todo, com uma pequena diferença: o Timão entrou em campo disposto a atacar. E atacou.

Fez 1 a 0, com Jorge Henrique, aos 27 do primeiro tempo, em bela arrancada de Marcelo Oliveira pela esquerda. E aumentou para 2 a 0 logo aos 9 minutos da etapa final, com Ronaldo Fenômeno, que recebeu de Elias pela direita, em pleno arranque, olhou para ver se Havia alguém em melhores condições; como não havia, deu um corte sensacional no zagueiro Indio e guardou, de canhota.

O Inter não se abateu. Ao contrário: partiu pra cima do Corinthians, com esse menino Taison, espetacular, e, não fosse Felipe, o resultado final poderia ter sido outro, embora o Timão, também, esbarrasse no goleiro Lauro.

Ah, sim, houve um pênalti em Alecsandro, no primeiro tempo, que o juiz não marcou, e a cobrança rápida de falta por Elias, que resultou no gol de Ronaldo, foi, sim irregular, pois a bola ainda estava rolando. Ou não?

De qualquer forma, grande exibição do Corinthians, ótimo resultado, mas o jogo da volta é um outro capítulo ainda a ser escrito na história da Copa do Brasil – o final.

AH, VERDÃO… UFA, GRÊMIO!

E, mais uma vez, o Palmeiras sai fora da Libertadores antes da hora, ao empatar sem gols com Nacional, em Montevidéu. Sim, claro, o Verdão teve chances claras para abrir a contagem – duas, incríveis, com Obina, no segundo tempo.

Mas, se serve de consolo, vale dizer que o Palmeiras fez um excelente primeiro tempo e um segundo já sob a pressão do tempo que passava e o gol que não saía.

Já o Grêmio, em pleno Olímpico, passou pelo buraco da agulha diante do Caracas, num jogo mais duro do que se imaginava na véspera.

Duro de furar a retranca venezuelana, o que o Tricolor tentou em vão, do começo ao fim da partida.

Entretanto, o que interessa é isto: o Grêmio já está na semifinal da Libertadores.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , ,
16/06/2009 - 18:23

TIMÃO, INTER, GRÊMIO, VERDÃO E SELEÇÃO

O Palmeiras, do técnico Luxemburgo, cultor do sistema com apenas dois zagueiros de área, vai a Montevidéu, com um beque a mais da sua própria conta para pegar o Nacional.

O Grêmio, por tradição time guerreiro com tons defensivos acentuados, nas mãos de Paulo Autuori, muda o braço da viola e recebe o Caracas no Olímpico.

É o futebol brasileiro, tentando ir às finais do maior torneio continental, por vias diferentes.

No fundo, no fundo, essa sintonia fina é muita relativa, numa disputa mata-mata como esta, em que tantos outros fatores atuam com maior intensidade do que a escolha deste ou daquele sistema de jogo, embora este seja sempre essencial.

Autuori já foi duas vezes campeão da Libertadores – pelo Cruzeiro e pelo São Paulo -, logo, há de se supor que sabe muito bem o que está fazendo.

Luxemburgo, de tantos títulos, porém, nunca chegou a levantar essa preciosa taça. Mas, é um técnico atilado, pragmático antes de mais nada, e versátil, capaz, pois, de fazer funcionar um esquema que não lhe é caro, em especial.

O que eu quero dizer, com toda esse lero, é que Grêmio e Palmeiras, assim mesmo, ou de sinais invertidos novamente, têm tudo para seguir adiante neste funil da Libertadores.

TIMÃO OU INTER?

O Inter vai ao Pacaembu sem três titulares de peso – Nilmar e Kleber, servindo à Seleção Brasileira, e D’Alessandro, machucado.

Em contrapartida, o Corinthians não terá apenas o lateral-esquerdo André Santos. De resto, vai com tudo, inclusive o Ronaldo Fenômeno.

Portanto, favas contadas, pois não? Jogando em casa, com o apoio da Fiel ensandecida, com Ronaldo e contra um Inter ferido em três posições chaves da equipe, o Timão é favorito.

Até pode ser. Mas, não necessariamente.

Olhemos por outro ângulo: Ronaldo está gripado e vem de uma recuperação de lesão muscular na panturrilha, o que drena sua energia e limita suas ações, e a ausência de André Santos é uma lacuna sem preenchimento. Mano terá de apostar em Saci, que não tem ido bem, ou em Diego, um beque que não funciona por ali, ou ainda Marcelo Oliveira, um meiocampista improvisado no setor.

Já o Inter, no lugar de Kleber, tem Marcelo Cordeiro, que vem jogando melhor do que o titular.

Para a vaga de D’Alessandro, lá está Andrezinho, de tão boas atuações recentes.

E, para o comando do ataque, Alecsandro, que, se não tem a técnica e a mobilidade de Nilmar, longe disso, é um atacante eficiente e goleador por natureza.

Ah, sim, ia esquecendo de Bolívar, outro ausente no Inter. Mas, se jogar Danilo, talvez o Colorado ganhe até mais no apoio ao ataque por aquele setor.

De qualquer forma, seria, como será, briga de cachorro grande. E qualquer um que saia vencedor desse jogo em 180 minutos será digno representante da vanguarda atual do futebol brasileiro na Libertadores.

NOSSO VELHO CANSAÇO

Depois da suada vitória sobre o Egito, na estréia da Copa das Confederações, a turma justificou-se, não sem alguma razão, botando a culpa maior no cansaço de tantas viagens, no fuso horário e tal e cousa e lousa e maripousa.

Sim, claro, tudo isso influenciou na pífia apresentação brasileira, apesar da vitória emocionante por 4 a 3.

E aí me pergunto se esses fatores não atuaram mais decisivamente sobre o jogo brasileiro justamente porque adotamos um conceito em que a força de marcação se sobrepõem excessivamente à técnica.

Explico melhor: se fossemos um time treinado para reduzir o espaço de ação mais à frente, marcando a saída de bola do adversário (como, aliás, fez o Egito), e, quando de posse da bichinha, passássemos a fazê-la circular com exatidão e arte, nos desgastaríamos menos fisicamente e teríamos melhor resultado no andamento da partida.

Isso é elementar, básico. Mas, para tanto, teríamos de contar com menos volantes e mais meias habilidosos, esses carinhas que recebem a bola de costas para o adversário, gingam, saem da marcação e tocam com precisão.

Infelizmente, não é o nosso caso. Logo, temos de ralar para chegar onde chegaríamos sem ter de ralar tanto.

Esse é um daqueles casos em que me lembro da célebre Seleção Holandesa de 1974, a do Carrossel e outros bichos. Sua dinâmica de jogo era tão surpreendente e vertiginosa que o povo, por aqui, exaltava o vigor de vaca holandesa da tal Laranja Mecânica.

Para quem estava lá como eu, e, que no ano seguinte levou um papo varando a madrugada, no bar do Hotel Eldorado, aqui em São Paulo, com Cruyff, a história era justamente o contrário. A Holanda chegou à Alemanha sem o menor preparo físico, sem zagueiros de ofício (o único, Israel, judeu como sugere seu nome, por razões de segurança – leia-se, Munique 72 -, foi poupado) e sob uma troca de tiros entre os de Roterdã e os de Amsterdã, um Rio-São Paulo de tamancos de bico curvo.

Pois bem, o técnico Rinus Mitchles, então, tocando o Barça de Cruyff, quando chegou à concentração da Seleção, depois da disputa da Copa de Campeões da Europa, encontrou o caos, já que, além desses problemas todos, os jogadores caíram na esbórnia.

Mitchels, então, mandou chamar as mulheres de todos os jogadores, pra cortar a onda da tropa, reuniu a turma e deu as devidas instruções:

1) Como não há nem força física, nem força de conjunto, nem zagueiros, nem nada, vamos construir um novo conceito, capaz de suprir todos esses defeitos. Como? Simples: improvisamos dois volantes nas posições de zagueiros (Reijberg e Haan)  e agrupamos os dez jogadores de linha entre as duas intermediárias, utilizando uma linha de impedimento em que todos partam sobre o adversário da bola, como um grupo de selvagens. A corrida é pouca, nesse caso, e o efeito, múltiplo, pois não só tomamos a bola já no campo inimigo como, na sequência, promovemos um ataque em massa.

2) Os vértices do triângulo, aqueles que esperam o passe do nosso que estiver com a bola, em vez de ficarem estáticos à espera da definição, rodam em torno dele. Esse movimento, além de dificultar a marcação, oferece rapidez no passe, que não precisa ser justo, mas, simplesmente despachado para o ponto futuro, onde chegará um dos dois companheiros que rodam ao seu redor.

3) Então, formavam-se em campo aquelas rosáceas que deslumbraram o mundo e a mim e ao mestre Armando Nogueira, que assistimos à final com a Alemanha lá do último degrau do estádio Olímpico de Munique.

Um prodígio que jamais se repetiu em campo algum, mas que remete à essência do futebol desde que ele se constituiu como jogo: o negócio é o jogador correr o menos possível, e fazer a bola circular ao máximo.

Lição que os brasileiros haviam ensinado ao mundo há muito tempo, agora executada pelos espanhóis. E que nós esquecemos nas últimas duas décadas.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores, Seleção Brasileira, Sem categoria Tags: , , , , , , , , , ,
04/06/2009 - 11:22

NAS NÉVOAS DE TERESÓPOLIS

A Seleção segue driblando aquela névoa que finge que vai e volta sobre o campo de treinamento de Teresópolis, com vistas ao Uruguai, adversário de sábado, em Montevidéu.

E segue do ponto em que parou: com exceção de Maicon, recuperando-se de delicada lesão, o time é aquele mesmo, com três volantes, um meia-ofensivo e dois atacantes.

Essa formação, às vezes, dá resultado, às vezes, não. Teoricamente, um sistema adequado para jogar no contragolpe, expediente recomendado pelos pragmáticos de plantão, sobretudo quando se joga no campo do inimigo.

Nesse caso, a força ofensiva da nossa equipe fica muito dependente de Kaká, o homem indicado para coordenar os contra-ataques, a partir do meio-de-campo. Robinho, também, costuma dar sua mãozinha nesse sentido.

Sucede que Kaká e Robinho não andam lá essas coisas nos últimos tempos e estão em fim de temporada, portanto, naturalmente desgastados. Além disso, Kaká está envolto nessa vertiginosa transação com o Real Madrid (ou será o Chelsea?), o que certamente deixa qualquer um tanto desfocado.

Para completar, o Brasil não ganha do Uruguai, lá, há mais de três décadas, tempo pra burro!

Aliás, tempo em que o futebol uruguaio esteve em baixa, muito distante dos gloriosos dias da Celeste Olímpica dos anos 30/40/50/60 e parte dos 70. Basta dizer que, desde Francescoli, os uruguaios não têm um ídolo desses como Pedro Rocha, Schiaffino e outros de passado mais distante.

Mas, ultimamente, o Uruguai começou a dar sinais de recuperação, e vai ser carne de pescoço, não tenha dúvida. Aliás, mesmo em baixa, quando enfrenta Brasil ou Argentina costuma se erguer ao mesmo nível dos gigantes de cima.

É sempre uma questão de honra para nossos vizinhos.

Mas, não me surpreenderia, apesar disso tudo, se o Brasil voltar de lá com um bom resultado. E, nesse caso, incluo um empatezinho maneiro, por que não?

MEU BRASIL

Amigos me perguntam que time escalaria se fosse o Dunga. Ora, se fosse o Dunga, escalaria o time do Dunga, óbvio. Mas, para meu gosto especial, teria feita uma convocação mais equilibrada no meio-de-campo, onde temos sete volantes – Gilberto Silva, Josué, Felipe Mello, Elano, Júlio Baptista, Ramires e Kléberson  – e apenas um meia de ofício, mesmo assim um meia-ofensivo, quase atacante – Kaká, para oito vagas, entre titulares e reservas.

É um despropósito, um desequilíbrio desnecessário, mesmo com a escassez de meias que ronda nosso futebol há muito tempo.

É que, na cabeça de Dunga, Elano, Júlio Baptista, Kleberson, Ramires e Kléberson são meias, que fazer?

O que eu faria, nesse caso, com a convocação que aí está, seria escalar o time, do meio pra frente, com Felipe Mello, que joga de primeiro volante na Fiorentina, Ramires, Kaká e Robinho; Nilmar ou Pato e Luís Fabiano.

Já estou esperando a chuva de pedras que se erguem das trincheiras dos pragmáticos de plantão.

TIMÃO OU INTER?

Corinthians e Inter passaram para as finais da Copa do Brasil, cujo prêmio é uma vaga antecipada para a próxima Libertadores. Mas, a que custo, meu!

Agora, resta saber quem tem mais chance de levar a taça. Chances são chances, não certezas. Assim, não hesito em dizer que as melhores chances pendem para o Inter. Não só porque, cotejando a campanha mais recente de ambos em dois fronts, veremos que, enquanto o Corinthians ocupa uma posição subalterna no Brasileirão, o Colorado é líder, cem por cento, o que revela uma força maior de elenco.

Do ponto-de-vista anímico, essa situação confere ao Inter mais tranquilidade, diante da perspectiva de ter uma segunda chance já bem encaminhada de chegar, via Brasileirão, ao mesmo porto da Libertadores.

O Timão, ao contrário: se perder a Copa do Brasil, vai ter de correr atrás no Brasileirão, com o moral abatido e ameaçado daquelas proverbiais crises desagregadoras que costumam desabar sobre o Parque São Jorge quando as coisas não dão certo.

Mas, tudo isso é mera especulação. Lá no campo, tudo muda (ou não), como as nuvens no céu.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Seleção Brasileira Tags: , , , ,
04/06/2009 - 00:18

PÍFIO ANÚNCIO DA GRANDE FINAL

O Corinthians avançou para a decisão da Copa do Brasil, mas teve de passar pelo buraco da agulha, pois o Vasco foi superior em todos os quesitos, por baixo, três quartos da partida.

Sem saída pela esquerda, onde o becão Diego supria a ausência de André Santos, e com um a menos no meio-de-campo, já que Jorge Henrique foi obrigado a atuar como ala-esquerdo, o Corinthians entregou o campo e a bola ao Vasco, que só não marcou seu gol por causa de Felipe, que fez cerca de três defesas espertas – uma delas, diante de Elton, espetacular.

Sim, o Corinthians também teve suas chances, sobretudo no fim do jogo. Mas, esse não parecia ser seu objetivo maior, e, sim, evitar aquele que poderia tirá-lo da final com o Inter.

Mesmo porque o Fenômeno não estava em noite inspirada, apesar de uma finta de corpo que jogou Amaral ao chão e daquele lance em que passou pelo goleiro Prass, mas não teve ângulo para o chute.

EM CURITIBA…

O Inter também sofreu em Curitiba. A diferença estava na situação do Inter no placar agregado, muito mais folgada. Tanto, que pôde até perder por 1 a 0 que está na final.

Grandíssima final, diga-se, pois são dois dos melhores times brasileiros da atualidade, que praticam um futebol ofensivo e agradável de se ver. Não, nesta noite de quarta, mas no decorrer de suas respectivas campanhas neste ano.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil Tags: , , ,
02/06/2009 - 17:18

NOITE DE DECISÕES

Nesta noite de quarta, vamos conhecer os dois finalistas da Copa do Brasil, atalho mais suave para a Libertadores.

No Pacaembu, o Corinthians recebe o Vasco, precisando de uma vitória simples. Simples, não? Nem pensar, pois o Vasco está se encorpando nas mãos de Dorival Júnior, e, com esse Pimpão mais do que nunca pimpão e iluminado, ao lado de Elton, bom centroavante, com Carlos Alberto e Jefferson na armação, o Almirante chega com grandes chances de afundar o barco corintiano, já que o empate por mais de dois gols lhe assegura a ida às finais.

O Timão, porém, é mais time, mais escolado e justo. E terá Ronaldo Fenômeno lá na frente, o que representa o infinito.

Desconfio que, com o apoio da Fiel, dá Corinthians. Mas…

Já o Inter não terá sua vibrante torcida colorada a seu favor. Ao contrário: nesse quesito, o Coritiba dará de goleada.

Todavia, o Inter já pisa o gramado com uma vantagem significativa pela vitória categórica no jogo do Beira-Rio. Além do que, tem um elenco e um time bem mais afinado do que o Coxa.

KAKÁ MERENGUE

No exato instante em que Leonardo assume a direção técnica do Milan, anunciando que contará com Kaká e Ronaldinho para aplicar um futebol mais ofensivo na sua equipe, os jornais espanhóis dão como certa a transferência de Kaká para o Real, pela bagatela de 65 milhões de euros.

Acho pouco provável que o negócio mele, pois atende ao interesse duplo: do Milan, que está no vermelho, e de Kaká, que vê nessa negociação a possibilidade de multiplicar seu patrimônio e ainda por cima jogar num clube de ponta do mundo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Futebol internacional Tags: , , , , , ,
28/05/2009 - 00:50

A HORA DA RAPOSA

Charge de Milton Trajano

Foi um jogo bem disputado, tenso, do início ao fim, com cada equipe vestindo seu próprio figurino: o São Paulo, na defesa, aguerrido na marcação e perigoso no contragolpe, quando este podia ser executado. O Cruzeiro, dominando a bola e seu terreiro, envolvente e afiado nas jogadas de área.

Mas, a ausência de Wagner prejudicou muito o estilo da Raposa, e, como Ramires foi muito bem marcado por Jean, chegar à vitória por 2 a 1, mesmo no Mineirão, não foi fácil. Mas, foi merecido, claro.

Na verdade, o Cruzeiro, que havia aberto o placar já nos suspiros da etapa inicial, com Leonardo Silva, só teve um instante de vacilo, no início do segundo tempo, quando o técnico Adilson foi obrigado a trocar o atacante Thiago Ribeiro pelo ala Athirson.

Kleber Gladiador se isolou lá na frente, e o time todo perdeu a sincronia, do que se aproveitou o São Paulo para empatar com Washington, em rebote de Fábio da cabeçada de Dagoberto.

Percebendo isso, Adílson foi rápido no gatilho e, aos 16 minutos, trocou Gérson Magrão pelo atacante Zé Carlos. Foi entrar e desempatar, aproveitando rápida troca de passe entre Kleber e Jonatha.

O São Paulo conseguiu, no finzinho, espetar dois contra-ataques, naquelas bolas longas já tradicionais, às vezes, eficientes, às vezes, inúteis. Mas, embora tenha tocado um pouco mais a bola no chão, com a presença de três volantes, segue sofrendo da crônica falta de criatividade de seu meio-de-campo.
Nada, porém, está definido nesse jogo dividido em dois.

GRÊMIO MAL?

Enquanto isso, o Grêmio, o outro brasileiro da noite de Libertadores, penava para empatar com o Caracas, lá. Mérito do Caracas? Provavelmente. Mas, segundo as próprias explicações do técnico Paulo Autuori, quem jogou muito mal foi o Grêmio.

Isso quer dizer que, se mesmo jogando mal, o Grêmio empatou em Caracas, aqui, no Olímpico, a vitória é quase certa.

VASCO, TIMÃO, INTER E COXA

Assim como foi sofrido o empate colhido pelo Corinthians num Maracanã transbordando de emoção. No primeiro tempo, o Timão foi melhor, o que justificou a vantagem por 1 a 0, gol de Dentinho, em belo passe de Jorge Henrique.

Mas, no segundo, o Almirante aprumou-se, chegou ao empate com Pimpão, em toque esperto de Elton, e poderia até ter virado o jogo, que segue em aberto para os próximos 90 minutos.

Já o Inter, em pleno Beira-Rio, hesitou no início, tomou o gol de Marcos Aurélio, mas foi buscar o resultado final de 3 a 1 graças ao talento desse menino Taison, que fez um e gerou os outros dois.

Apesar da vitória, que praticamente garante sua ida para a final da Copa do Brasil, o Inter deixou o campo com uma ruga na testa: Nilmar sofreu uma pancada muito forte nos quadris, saiu de maca e só saberemos mais tarde qual a dimensão do machucado.

É rezar para que não seja nada tão grave capaz de afastá-lo da Seleção, como acaba de ocorrer com o zagueiro Alex, do Chelsea. Seria muito azar para quem esperou tanto por essa convocação.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Copa do Brasil, Libertadores Tags: , , , , , , ,
26/05/2009 - 12:11

LIBERTADORES, COPA BR E OBINA

A noite desta quarta-feira é de gala e de angústia para três brasileiros na Libertadores: Cruzeiro e São Paulo, que se enfrentam no Mineirão, além do Grêmio, que pega o Caracas, lá na Venezuela.

O Grêmio tem tudo para seguir avante, embora o futebol venezuelano tenha evoluído muito nos últimos anos, mas nem tanto. Lá, talvez, complique a vida do Tricolor gaúcho, que, no Olímpico, é quase certo, garante a vaga.

Já no clássico brasileiro em 180 minutos, um deles cairá fora, nem que seja nos pênaltis.

Certo mesmo é que o Cruzeiro precisa aproveitar seu melhor momento e fazer o placar definitivo no Mineirão, pois o São Paulo, todos sabemos, mesmo jogando muito aquém do exigido, nessas situações costuma ser mais raposa do que a própria Raposa.

Mesmo porque o Cruzeiro ainda terá Ramires, seu principal jogador, nesta primeira rodada do duplo encontro, o que não deverá ocorrer no jogo do Morumbi.

Time por time, o Cruzeiro é melhor – e está melhor – do que o São Paulo. Mas, em decisões como essa é sempre bom deixar os prognósticos fechados numa caixinha dourada.

TIMÃO E INTER?

O Corinthians não terá Ronaldo Fenômeno diante do Vasco, no Rio, pelas semifinais da Copa do Brasil. E isso pesa muito, sem trocadilhos. Em contrapartida, o Vasco não terá Carlos Alberto, seu jogador essencial.

Mas, poderá ter Jefferson, liberado pelo seu departamento médico, reforço inestimável no setor de criação do time.

O Timão está mais escolado e encorpado do que o Almirante ainda em formação. Ganhar, lá, porém, é outro departamento.

Quem não pode, nem deve, perder é o Inter, em casa, para um Coritiba sempre tão oscilante. Tá certo: o Coxa tem os dois Paraíbas que dinamizam seu ataque. Mas, atrás, humm…  

Contudo, o Inter tem muito mais. E precisa aproveitar a chance de contar nesse primeiro confronto com Nilmar, que não deverá estar presente na segunda partida.

OBINA NO VERDÃO

Obina já não tinha mais clima para sobreviver na Gávea. Boa parte da mídia e da torcida rubronegra já estava transformando Obina em chacota, e o artilheiro vivia atroz estiagem de gols. Simplesmente, nenhum neste ano, nem de pênalti, nem quando a bola se lhe rolava faceira na boca da meta, nada, um deserto sem oásis.

Sim, claro, Obina nunca foi, não é, nem será craque, desses que mantêm com a bola aquele diálogo silencioso e íntimo, quase esotérico, que faz o encanto do futebol. É tão-somente um cabra de fibra e vigor, daqueles que rompem na área sempre em busca do gol.

Pois esse tipo de jogador é assim mesmo: conforme a lua, dispara a fazer gols. De repente,  bate a temporada de seca que se estende pelo tempo em que a perda da auto-confiança não seja quebrado por um, dois gols essenciais. O gol é o exorcismo do artilheiro, enfim.

Quem sabe no Palmeiras, sob nova orientação, novos ares, Obina inspire uma golfada de fé em si mesmo e chegue ao outro lado desse deserto árido e cruel. Quem sabe?   

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores Tags: , , , , , , , , , ,
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