ENTRA ANO, SAI ANO… (2)
Diante de alguns comentários dos amigos bloguistas, vale esclarecer alguns pontos a respeito dos campeonatos estaduais.
O primeiro é que não proponho a pura extinção desses torneios, que, diga-se, só são disputados no Brasil. No resto do mundo, não há campeonatos estaduais ou provinciais, como queiram. Há apenas os campeonatos nacionais, intercalados pelas copas, domésticas ou continentais. Imploro tão-somente pelo período de um mês de pré-temporada para todos os clubes, indistintamente.
Claro que cada estado, cada região, tem suas peculiaridades que merecem ser atendidas. Nos estados que eventualmente não haja nenhum representante no Brasileirão, em suas variadas séries, justifica-se plenamente um campeonato regional que ocupe a temporada inteira. Cada um deve avaliar o que mais lhe convém, óbvio.
No caso específico de São Paulo, que terá seis clubes disputando o Brasileirão do ano entrante, além dos dois na Libertadores, mais ainda se faz necessário dar-lhes esse prazo básico de preparação. Não só para benefício dos representantes desse estado nas competições mais importantes do nosso futebol. Mas, sobretudo, para o próprio campeonato paulista.
Sim, porque o São Paulo, por exemplo, campeão brasileiro, já anunciou que começará o torneio estadual com um time misto, pois, pensando na Libertadores, quer afiar devidamente sua equipe titular.
Palmeiras e Santos, que sofreram fundas reformulações de elenco, por certo, não conseguirão participar das rodadas iniciais em plena performance, óbvio. Dos grandes, só o Corinthians chega mais animado, porque teve mais tempo para descansar a tropa e reativá-la, ao conquistar o título da Segundona com muita antecedência.
Ora, o torcedor nem quer saber quem pintou a zebra. Se o time começar a vacilar nas primeiras rodadas do Paulistão – como, aliás, ocorreu no ano passado -, sobrevêm, inevitavelmente, as crises de várias dimensões, que podem até prejudicar o resto da temporada.
Portanto, melhor seria se o Paulistão começasse em fevereiro, num fomato de copa, mata-mata, e não nessa fórmula falida e esdrúxula de um turno corrido, seguido do mata-mata final. Sei lá, os vinte clubes divididos em cinco chaves de quatro participantes, em dois ou três turnos, de acordo com as datas disponíveis. Os campeões das chaves disputariam o título de um turno. E os campeões dos turnos, o título.
O certame todo estaria recheado de emoção (leia-se, rentável), além de tecnicamente mais conveniente para todos. E por que não é algo no gênero? Simplesmente, porque o presidente da FPF, para se eternizar no cargo, precisa dos votos dos pequenos, que representam a maioria. E os pequenos querem todos eles jogar contra todos os grandes, pelo menos uma vez, para salvar as receitas que eles são incapazes de produzir num nível alto pelas próprias pernas.
Quando o Brasileirão não tinha as dimensões que ganhou neste século, e a Libertadores era desprezada pelos brasileiros, tais esquemas se justificavam em parte. Mas, já nos anos 70 e 80, davam claros sinais de esgotamento. Mesmo porque a tendência à clobalização, cada vez mais forte, indica no sentido contrário à regionalização, ao paroquial.
E não me venham com aquela velha perguntinha: “E os coitadinhos dos pequenos, vão morrer de inanição?”.
Se for o caso, vão, sim. Pois futebol é um macro negócio na área do entretenimento e da alta competitividade, não um provedor de assistencalismo aos mais fracos. Ao contrário: é onde a lei do mais forte, do mais apto, se torna mais feroz, quer gostemos ou não.
Nem se o ano tivesse mil meses, caberiam todos os clubes brasileiros numa só série durante toda a temporada. Sempre, a imensa maioria ficará à margem da mesa do banquete real. Isso é inevitável. Cabe a cada um deles, no seu patamar, ajeitar-se, não apenas para sobreviver, mas, também, ascender por suas próprias forças.
Sei que não é nem um pouco cristão dizer-se isso em plena celebração das festas natalinas. Mas, nas arenas de disputa, desde o circo romano, o cristão é sempre a primeira vítima.
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo