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Arquivo da Categoria Clubes brasileiros

quinta-feira, 16 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 00:33

SEM NEYMAR, 0 A 0, CLARO

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charge do iG Esporte

Neymar sucumbiu à marcação cerrada dos beques do Peñarol e, sobretudo, do juiz paraguaio. Logo, o empate por 0 a 0 era inevitável. Melhor para o Santos do que para o Peñarol, claro., pois aumentam as chances de o Peixe, no Pacaembu, levantar a taça continental pela terceira vez em sua existência.

Mesmo porque, no jogo da volta, deverá ter novamente Ganso em campo. E Ganso anda fazendo uma falta danada, apesar dos bons resultados obtidos pelo Santos na sua ausência.

Nesta noite de quarta, então, isso não podia ser mais flagrante. Sem Neymar infernizando lá na frente, restava o jogo coletivo com algumas centelhas ao menos e criatividade no meio de campo, já que a defesa cumpria estoicamente seu papel. E foi justamente o que faltou, embora Arouca, Danilo e Alex Sandro, sempre que possível, investiam pelo meio ou pela ala esquerda com propriedade.

Mas, esse é um jogo feito de espasmos, não aquele envolvente toque de bola, os passes exatos, essas coisas que diferem o time de excelência do time normal.

Claro, houve duas chances claras de gol perdidas por Zé Love, assim como outras duas por parte dos uruguaios, além daquele gol anulado com precisão pelo bandeirinha. Mas, pouco para partida de tamanha importância, principalmente para o Peñarol, que jogava no seu campo esburacado, embora digam que ele atue melhor fora de casa.

De qualquer forma, vale ressaltar, além dos três já citados, a presença serena e atenta de Rafael sob a trave, serenidade até surpreendente para tão jovem goleiro.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR FILHO POR NEYMAR PAI
  2. O CASO NEYMAR
  3. CASABLANCA, NEYMAR E GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

terça-feira, 14 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores, Seleção Brasileira | 15:47

CHEGOU A HORA DO PEIXE

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Depois de tantas peripécias – vai de avião, de ônibus (olha a cinza aí, meu!) -, o Santos, finalmente, desembarcou em Montevidéu para a primeira parte da decisão da Libertadores, contra o Peñarol.

Agora, resta Muricy definir o esquema e o time que vai jogar, sem Edu Dracena, Léo, Jonathan e Ganso, que até queria embarcar, mas os médicos vetaram, achando melhor o craque ficar pela Vila se cuidando para estar nos trinques no jogo da volta.

Quanto à tática a ser adotada, seja num 3-5-2, seja num 4-4-2 ou qualquer variação em torno desses temas, é quase certo que o Santos será mais cauteloso do que ousado. É natural, nesses casos. Mas, nem sempre aconselhável, sobretudo porque o Peñarol, se é meio estabanado na defesa, tem lá na frente um trio de respeito – Martinuccio, pretendido pelo Palmeiras, Míer e Oliveira.

Se deixar essa turminha manobrar a bola peto de sua área, o Peixe corre sérios riscos, sobretudo pela ausência de Edu Dracena, seu capitão e experiente zagueirão.

Mas, a verdade é que o Peñarol, mesmo em casa, não é de sair muito para o jogo, velha tradição uruguaia.

Por seu turno, o Santos tem ninguém menos do que Neymar, capaz de, sozinho, infernizar qualquer defesa, ainda mais aquele bando de mal-humorados botinudos, comandados por nosso velho conhecido Lugano.

Prevejo, pois, um embate renhido, com boas chances, porém, de o Peixe voltar de lá com suas escamas intactas.

DANILO NA MIRA DE MANO

Isso mesmo: Danilo, o volante e lateral do Santos, de excelente participação naquela conquista dos Sub-20 de Ney Franco, e que segue sendo o mais dinâmico parceiro de Arouca, no meio-campo peixeiro, está na alça de mira do técnico da Seleção, Mano Menezes.

Se continuar nesse pique, não me surpreenderia se fosse chamado na primeira convocação após a Copa América.

Essa revelação saiu de uma pergunta que lhe fiz, na resenha do Lellis, depois do Bem,Amigos, sobre as chances de Arouca ser chamado.

- Pô, não posso levar o time inteiro do Santos! Mas, o Danilo… Esse tem juventude, técnica, força e velocidade.

Arouca também tem. Mas deixe pra lá. Como diz Mano, as coisas vão se ajeitando com o tempo, um passo de cada vez, em direção à Copa de 2014. Passos que, segundo ele, conduzirão nosso time a um futebol mais ofensivo, com dois volantes, dois meias autênticos (um, armador; outro, mais ofensivo) e dois atacantes.

É mais do que uma promessa – uma convicção.

Que assim seja, pois.

A MORTE DO BRASIL

É  comum a turma aí me chamar de saudosista, ônus da idade e do tempo de serviço. Mas, garanto que estou ligado no meu tempo. Caso contrário, não estaria aqui e sim pedindo esmola na primeira esquina.

Pois, enfurnado na minha caverna de Ibiúna, passei esta tarde plúmbea e fria, como diria o poeta naquela noite na taverna refletindo sobre os mistérios da vida e da morte diante de um cálice de absinto, de olho na tv, assistindo à vitória da Dinamarca sobre a Bielorússia, pela Eurocopa Sub-21, acredite.

E o que vi? Um jogo interessante, sem ser nada excepcional. Interessante porque revela uma nova faceta do futebol mundial. Isto é: regiões do mundo onde até outro dia a bola era tratada com casca e tudo, hoje, é trabalhada com mais ciência e habilidade. As duas equipes buscando o gol, com esta ou aquela jogada individual de alta classe, como o gol de Jorgessen, que passou por três defensores adversários e tocou no canto, com categoria.

Em contrapartida, a publicação esportiva inglesa – 4-4-2 – decreta , em sólido artigo, a morte do futebol brasileiro. Quer dizer: aquele futebol brasileiro do imaginário europeu, em que a criatividade, a habilidade e a compulsão ofensiva se sobrepunham até mesmo às táticas e estratagemas, engendradas nos mais sofisticados laboratórios europeus.

Agora, sinto o tempo pesar sobre os meus ombros ao me ver ao lado de Thomaz Mazzoni, o Olympicus, que, há cinco, seis décadas atrás, investia contra os técnicos brasileiros, que ele chamava na extinta Gazeta Esportiva de alquimistas. Ou do comentarista sardônico do rádio e maior narrador de futebol da tv, Mário Moraes, o Leão, que preferia chamá-los de químicos.

O futebol no Brasil não morreu, é evidente. Mas, o futebol brasileiro, como espelho de suas mais caras tradições, agoniza há algum tempo, até mesmo quando levanta taças.

Não empolga, não anima a torcida ao ponto do paroxismo, seja nas exibições dos clubes, seja nas da Seleção. A última exceção foi aquele Santos do primeiro semestre do ano passado. De resto, é um lugar-comum frustrante, até para inglês ver.

A QUEM  INTERESSAR

Quero declarar, com carimbo oficial de cartório, que não viajo por twitter , face-book ou qualquer outra das tantas vertentes da Internet. Nunca invadi as áreas das tais redes sociais, além do blog que mantenho há anos no IG.

Tudo que tenho a dizer, expresso neste blog, na coluna no Diário de S. Paulo e nas participações nos programas da Sportv, Bem, Amigos e Arena, na qualidade de convidado remunerado.

Nada mais.

Digo isso porque outro dia recebi uma mensagem de um bloguista me esculhambando por ter tripudiado sobre o cadáver do Coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança nos tempos da ditadura militar.

Nunca o fiz, embora tivesse todo o direito, quando ele estava vivo, de fazê-lo, pois estávamos em lados opostos da vida. Sucede que, abstraindo-se as imensas diferenças ideológicas, tínhamos algo em comum: a boemia e o gosto pelo futebol. E, quando cruzávamos na noite, sobrepunha-se a cortesia, sem muita intimidade, claro, mas selada pelo simples fato de que ele era meu leitor assíduo e sempre queria comentar algo sobre minhas colunas.

Agora, é um bloguista que me cobra um absurdo, algo referente a eventual crítica minha a Pernambuco, misturando o bravo estado de Pernambuco a homicídios e tráfico de drogas. Nunca, jamais, fiz essa combinação em textos ou falas públicas, Nem particulares, porque nada tem a ver.

Algum calhorda anda se utilizando de meu nome nas tais redes sociais. Pois, aviso aos navegantes desse caótico mar da Internet: só respondo pelo que escrevo neste blog do IG, nas crônicas do Diário de S. Paulo e no que falo na tv. E só.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 13 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 17:25

AS CONTAS DO BRASILEIRÃO

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Pegue-se como exemplo os quatro primeiros colocados do Brasileirão, aqueles que, neste exato momento, seriam os indicados para a Libertadores do próximo ano, ao lado do Vasco, campeão da Copa do Brasil.

Nem o líder São Paulo, com seus números exuberantes – quatro vitórias consecutivas, sete gols marcados e apenas um sofrido – apresentou até agora um futebol empolgante. Sua melhor partida foi contra o Grêmio, na última rodada, mas nada que o amigo visse e sentenciasse – ah, esse ninguém segura!

Que dirá de Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Mas, é inegável que todos são bons times, uns, mais técnicos; outros, mais cascudos. Alguns, com jogadores de alta classe, poucos, porém, para os padrões da história brasileira escrita nos gramados onde a bola rola.

Esse, porém, não é o caso em pauta, aqui e agora.

Quero me fixar nos números, que dão aos quatro vantagens sobre os demais candidatos, alguns deles com elencos que sugerem muito mais do que obtiveram até agora, tipo Flamengo, Fluminense, Inter e Cruzeiro, por exemplo. Vantagens mínimas, é verdade, sobretudo, se olharmos para o horizonte do Brasileirão que se estende por mais de trinta rodadas.

Mas, é aqui que vale uma reflexão. Tanto Luxemburgo, quanto Muricy, dois campeões em conquistas de Brasileirões, chegaram a tais recordes baseando sua estratégia nesta simples equação: em campeonatos de pontos corridos, lá e cá, cada jogo é uma decisão.

Sim, porque um pontinho obtido aqui, no começo das ações, quando o pessoal está meio distraído, pode significar a diferença, lá na frente, entre o campeão e o vice.

Mas, o amigo dirá que isso não é uma verdade absoluta, e logo sacará da memória aquele arranque espetacular do Flamengo na fase final de campeonato recente.

Tá certo: há exceções. Mesmo porque o Brasileirão, diferentemente dos demais campeonatos nacionais por esse mundão afora, tem sempre um número muito maior de clubes chamados grandes, candidatos naturais ao título, do começo ao fim.

Além do mais, há essa traiçoeira janela do meio do ano, quando, dependendo de quem sai ou entra por ela, pode alterar de vez o cenário armado nos primeiros meses de disputa.

Enfim, o que quero dizer com toda essa prosopopeia é que, como não temos por aqui um Barcelona ou um Manchester United, a ideia de uma progressão aritmética estará sempre ameaçada pelo caos das súbitas transformações desta ou daquela equipe.

A DIAGONAL

Um amável bloguista me pede lá embaixo que explique melhor essa história da Diagonal de Flávio Costa, citada em poste anterior.

Diz o leitor que, embora já bem vivido, nunca tinha ouvido falar nesse sistema denominado de Diagonal pelo saudoso técnico do Flamengo, do Vasco, da Seleção Brasileira, e de tantos outros times, nas décadas de 30,40 e 50.

Tenho aqui, na estante ao lado, um livrinho precioso que me foi presenteado pelo inesquecível jornalista Álvaro Paes Leme décadas atrás: A Evolução da Táctica no Futebol – WM, de Cândido de Oliveira, jornalista, escritor e técnico do Sporting e da Seleção Portuguesa nos anos 30/40, fundador da mais tradicional publicação esportiva de seu país, A Bola.

Nesse livro, Cândido de Oliveira (não confundir com o linguista famoso) conta como as táticas no futebol evoluíram das verdadeiras peladas inglesas do final do século XIX até o WM de Herbert Chapman, o formato mais perfeito para ocupar todos os espaços do retângulo gramado do jogo: três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios de apoio, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante), implantado a partir de 1925 no Arsenal.

Por aqui, continuamos a jogar no sistema clássico – dois zagueiros (o stopper e o back, em que o primeiro saía para dar combate ao atacante e o outro ficava na espera), três médios, sendo que o centromédio, também chamado de Eixo, era a figura central da equipe, e cinco atacantes.

Pois bem, o WM só foi bater por aqui mais de uma década depois de sua implantação na Inglaterra e no continente europeu. Quem o trouxe foi um austro-húngaro chamado Dori Kruschner, contratado a peso de ouro pelo Flamengo.

Kruschner penou para fazer a turma entender como a coisa funcionava, mas, seu auxiliar, na época, Flávio Costa, um ex-médio violento como revela seu apelido de Alicate, pegou o pião na unha.

Fez uma pequena variação no esquema WM e o batizou de Diagonal, que pegou por aqui como um rastilho. E, no que consistia essa variação? Simplesmente, deformou o quadrado mágico de Chapman (dois apoiadores e dois meias), passando a jogar com um dos apoiadores um pouco mais recuado, outro, mais avançado, um  mais atrás, que deu origem ao meia-armador, e outro mais avançado, que resultou mais tarde no meia ponta-de-lança. Desenhou-se então uma diagonal no alinhamento dos médios e dos meias.

Como a crônica esportiva brasileira, sempre muito atrasada em relação às mudanças táticas, seguia escalando as equipes no sistema clássico – dois beques, três médios e cinco atacantes –, a diferença se percebia pelas características do apoiador ou volante, fosse pela esquerda, fosse pela direita.

Por exemplo, no Vasco, Expresso da Vitória dos anos 40, Eli era o apoiador, Danilo (que no fim de carreira, no Botafogo e América virou quarto zagueiro) o apoiador mais recuado, e Jorge o lateral-esquerdo, marcador do ponta-direita adversário.

Já no Flamengo, era o inverso: Biguá marcava o ponta-esquerda, Bria atuava um pouco mais atrás de Jaime, que passava a ser o volante mais ofensivo.

Na época, um rico cartola vascaíno, deslumbrado pela invenção, resolveu bancar a ida de Flávio Costa a Portugal para uma série de palestras sobre seu novo sistema revolucionário E o que recebeu de volta foi apenas o ceticismo de todos, sobretudo de Cândido de Oliveira, que definiu a Diagonal como apenas uma pequena e irrelevante variação do WM de Chapman.

Aqui, porém, a Diagonal reinou até fins dos anos 50, quando surgiu a figura do quarto-zagueiro (quarto porque foi o último defensor a juntar-se à linha de três zagueiros do WM) e, consequentemente, o sistema 4-2-4, que, de fato, era já um 4-3-3. Mas, essa é uma outra história que fica para uma outra vez.

Notas relacionadas:

  1. O BRASILEIRÃO E AS BOTAS DO TEXANO
  2. A GANGORRA DO BRASILEIRÃO
  3. BRASILEIRÃO DE RESULTADOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 2 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Libertadores | 00:39

PARECIA FÁCIL, MAS…

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Foi uma decisão a la Libertadores dos velhos tempos: jogo acirrado, pedrada que atingiu a testa do técnico Muricy, e um placar de 3 a 3 lancinante, com bolas nas traves de cá e de lá.

E olhe que no primeiro tempo parecia que a coisa caminharia facilmente para o Peixe, que abriu 3 a 1, graças à esperteza de Zé Love, à lambança da defesa do Cerro e ao talento de Neymar, contra o oportunismo de Benitez.

Mas, no segundo tempo, o Peixe recuou demais e concedeu espaços para o Cerro empatar, e quase virar o placar, o que também não alteraria em nada o rumo do Santos em direção à final da Copa Libertadores da América.

VASCÃO!

No primeiro tempo da decisão da Copa do Brasil, o Vasco levou a melhor sobre o Coritiba, por 1 a 0, gol de Alecsandro, desviando de cabeça cruzamento da direita. Era mais ou menos o esperado, já que o Vasco jogava em casa e o Coritiba parece ter quebrado aquele encanto da incrível série invicta dos primeiros meses do ano.

Mas, o placar reflete o equilíbrio da partida, o que deixa em suspenso o desfecho final.

Notas relacionadas:

  1. PÍFIO ANÚNCIO DA GRANDE FINAL
  2. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

terça-feira, 31 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 19:28

O PEIXE NA RAIA OFICIAL

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Certamente, o discurso que todos os torcedores portadores do tal DNA do Santos gostariam de ouvir às vésperas do derradeiro confronto com o Cerro, pelas semifinais da Libertadores, seria mais ou menos este: vamos a Assunção impor nosso jogo, nosso estilo, nossa maneira de jogar, destemida, ofensiva, recheada de dribles desconcertantes, chapéus, passes inesperados e muitos gols, ainda que percamos o jogo, um risco que correríamos sempre se, ao contrário, nos amoitássemos atrás de feroz retranca, pois, em futebol, num jogo só, o resultado é imprevisível.

Mas, não é essa a fala peixeira. Ao contrário: o que a turma chegou lá dizendo é que se trata de jogo difícil, que exige extrema cautela, que essa história de jogar bonito é conversa mole pra boi dormir, e que o zero a zero será saudado com fogos e champanha, já que esse desfecho projeta o Santos para a decisão da taça.

Nem poderia ser outra, aliás. Pois, o time que entrará no estádio Pablo Rojas não é aquele que foi capaz de unir eficiência e espetáculo na dose exata, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil e do Paulistão. E o elenco de que dispõe Muricy para esse jogo, embora de qualidade comprovada, não tem bala para atingir esse patamar especial.

Pode, sim, voltar de Assunção com a classificação para a final e até com uma vitória consagradora. Mas, se o fizer, será num nível mais próximo da realidade do atual futebol brasileiro: bom, eficaz em certos momentos, mas de brilhos intermitentes, em geral, cintilando nos pés de Neymar.

Portanto, se me permitem, sugiro ao amigo peixeiro, em vez da inebriante champanha da celebração antecipada, uma dose de uísque pra relaxar, e reza braba pra que tudo dê certo.

Depois, sim, é soltar as frangas. Ôps, as lagostas com champanha.

O FUTURO DE HERNANES

Cruzo com Hernanes nos corredores da tv e colho dele a certeza de que, apesar de algumas sondagens para sair de Roma, ele está disposto mesmo a ficar no Lazio.

Garante que está adorando a cidade, o clube, os companheiros e tutti quanti. E que já se adaptou à nova função, mais adiantada, quase um atacante verdadeiro.

Mas, cá entre nós, duvido que Hernanes, jogando o que jogou nesta temporada na Lazio, permaneça por lá muito tempo.

CONCEITO CATALÃO

O conceito precede à prática e aos resultados. Pelo menos, no caso desse deslumbrante Barça.

Nesse caso, o conceito básico é o seguinte: vamos montar um time que ocupe um terço do gramado – da nossa intermediária à deles. Por quê? Porque, como já ensinou Rinus Mitchels – o inventor do Carrossel Holandês da Copa de 74, jamais reproduzido na íntegra, por nenhum outro time do planeta -, à época, treinador também do Barcelona de Cruyjff, Neskeens etc., se você compactar o seu time de intermediária a intermediária, estará sempre mais próximo da meta adversária, e capacitado a trocar passes de primeira: um-dois.

Quanto mais trocar passes, seu time estará mais próximo do fundamento essencial do jogo. Além do mais, evitará o confronto direto com os marcadores, e não desgastará os músculos, os pulmões e as mentes de seus jogadores, correndo atrás do adversário ou de bolas lançadas a esmo.

E, mais, se o amigo apoiar seu jogo no toque-toque, fará poucas faltas e não perderá o equilíbrio emocional. Resultado: menos suspensões por cartões e por lesões.

Assim, se você preservar a integridade física e mental de seu time, o amigo terá o mesmo time jogando junto por um tempo maior do que ocorrer com os demais, habituados a jogar a partir de uma defesa recuada, que lança chutões pra frente.

A sua marcação se resume em ocupar espaços que estão próximos de você mesmo, pois a compactação das três linhas (defesa, meio-campo e ataque) facilita essa tarefa. Além do mais, vale lembrar a estatística que diz o seguinte: a recuperação de bola por um time é coisa de setenta por cento resultante do erro de passe do adversário. Logo, você não precisa estar atacando o adversário com a bola via carrinhos e outros lances que permitam a ele se organizar em campo, durante uma cobrança de falta.

Por fim, você mantendo por um longo tempo seu time principal com os músculos, os pulmões e a mente em forma, mais vezes esse time entrará em campo. E, quanto mais vezes o mesmo time entrar em campo, mais se afia o conjunto, a capacidade, enfim, de tocar a bola e impor seu jogo conceitual.

Esse é o mistério do Barça, não treinamentos específicos ou qualquer outro artifício de um técnico milagroso. Traduzindo: a mais pura simplicidade, fruto da maior complexidade, como costuma ser a simplicidade, aliás.

E que consegue a proeza de manter a bola sob seu domínio por setenta por cento do jogo, praticar a base de cinco faltas por jogo (sofre coisa de 15, no máximo) e mantém a média de gols nas cercanias dos três.

O Barça joga como Guardiola jogava, quando era um volante de alta classe, tocando a bola sem dar pelota às críticas dos pragmáticos de plantão, que exigiam dele mais voluntariedade.

Isso, na esteira desses tantos holandeses voadores, de Rinus Mitchels a Reijkaard, passando por Cruyjff e Van Gaal.

As sofisticações foram se depurando, ao longo do tempo, até que a decantação final produzisse esse Barça, de tanta consistência, cor e sabor.

FIFA SOMBRA

Está marcada para amanhã a eleição – ou melhor, aclamação – de Sepp Blatter para mais um mandato do suiço à presidência da Fifa. Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo o Comitê Executivo da entidade e do próprio presidente, Blatter conseguiu desviar os disparos sobre os inimigos e saiu ileso, com seus amigos, do tiroteio.

A Federação Inglesa pede adiamento do pleito, mas os ingleses, que também não são flores que se cheirem, embora me pareçam do lado certo neste caso,  duvido que tenham êxito.

Aliás, se houvesse um rapa geral na Fifa, como na CBF e demais entidades que tocam essa barca entupida de barras de ouro de cá pra lá, duvide-o-dó que a nova tripulação fugiria do roteiro traçado pela amibição desmedida e descarada dos dias em que vivemos.

Já tive tantas decepções nesta minha já longa caminhada – e não só no esporte -, que me sinto um Diógenes apesentado.

Pra quem não sabe, Diógenes era aquele filósofo da Grécia Antiga, discípulo de Antístenes, criador da Escola Cínica (cínico, de cão, o único bicho confiável), que morava num barril e de lá saía com uma lanterna acesa pela cidade em busca do homem íntegro. Morreu sem encontrar.

Lendário é o episódio em que, estando tomando sol diante de sua barrica, postou-se um desses poderosos à sua frente e intimou-o:

- Diize o que desejas neste momento e te concederei a dádiva de imediato. O que quiseres: ouro, poder, palácios, as mais belas donzelas, o que desejares!

Diógenes, então, olhou-o nos olhos, e respondeu:

- Só desejo que saias da minha frente para que não continues me roubando o raio de sol que me aquece.

Notas relacionadas:

  1. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 30 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Mundo | 14:44

ITAQUERÃO E A UTOPIA

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Começaram hoje os trabalhos de terraplenagem do Itaquerão, eventual estádio paulista destinado à abertura da Copa de 2014. Digo eventual, porque não se sabe ao certo, ainda, se será erguido com a capacidade de público exigida pela Fifa, ou apenas para o consumo doméstico do Corinthians, como inicialmente havia sido planejado.

Só espero que não haja um tostão público – melhor dizendo, o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho – empenhado nessa empreitada, embora esteja implícita pressão nesse sentido nas palavras do ministro dos Esportes, outro dia, acusando os governos municipal e estadual de São Paulo de não se empenharem devidamente no cumprimento das receitas da Fifa.

Desde quando se começou a falar na possibilidade de o Brasil ser sede da Copa de 2014, lancei a ideia de que esse empenho viesse no bojo de um gigantesco projeto nacional voltado a alavancar o Norte-Nordeste, regiões mais carentes do que o Sul-Sudeste, como se sabe há séculos, que poderiam ser transformados em mega polos de turismo altamente rentável para todos os brasileiros.

Ali há espaço físico para se criar todos os equipamentos e melhoras públicas, sem causar grandes transtornos à população. E todas as instalações previstas para a Copa – estádios etc. – seriam construídos de  tal maneira a que, finda a competição, seriam transformados de  imediato em escolas, hospitais, oficinas, hotéis, toda a infra necessária para atender essas necessidades.

A Copa funcionaria como um grande chamariz para turistas em potencial do mundo todo e o dinheiro gasto, apesar de eventuais desvios, seria de proveito público.

Mas, tudo isso foi considerado utópico pelas autoridades a quem fiz tal sugestão na época, inclusive o ministro dos Esportes.

Então, descartamos a utopia e caímos na real. E o real é isso que aí está.

Notas relacionadas:

  1. O CHORO DA DESPEDIDA
  2. POR QUE NÃO ITAQUERA?
  3. VERDÃO, NOITE SOFRIDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

domingo, 29 de maio de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 21:51

EMPATES E EMPATES, VITÓRIAS E VITÓRIAS

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Reza a cartilha do Brasileirão que é sempre bom negócio ganhar em casa e empatar fora. Nem sempre, nem sempre… Há empates e empates fora, assim como vitórias e vitórias em casa.

Por exemplo, esse empate do Flamengo com o Bahia, em Salvador, certamente não foi bom negócio para o Rubro-Negro. Não apenas porque vencia por 3 a 2, de virada, e, mesmo com um jogador a mais, permitiu o empate, o que sempre deixa um gosto amargo na boca do time e dos torcedores. Mas, sobretudo, porque, no jogo da estratégia ao longo do campeonato, se há um time a ser vencido agora pelos eventuais candidatos ao título como o Fla, esse é o Bahia, recém-chegado à Série A e ainda em fase de formação, como declara seu técnico Renê Simões.

Mais à frente, com o time organizado e aquela torcida delirante do Pituaçu, o Bahia, aí, sim, vai ser parada dura.

Já o empate do Palmeiras em Sete Lagoas contra o Cruzeiro, um dos sérios postulantes ao titulo, apesar do início trôpego, esse, sim, pode ser celebrado como um feito pelo Verdão. Principalmente, pela forma com que atuou, equiparando-se, na maior parte do jogo, com o Cruzeiro, tecnicamente, superior, mas que só foi apertar mesmo o adversário no finalzinho da partida, e ali esbarrou em São Marcos.

Assim como há vitórias e vitórias em casa. A do Corinthians sobre o mistão do Coritiba, por 2 a 0, em Araraquara, transmite mais preocupação do que desejo de comemorar. Resumindo: ganhou, mas, não convenceu.

Já a vitória por 3 a 0 do Expressinho do Vasco contra o América mineiro só anima mais a tropa do Almirante, cuja luneta está assestada para a outra frente de batalha decisiva, a da Copa do Brasil, com o Coritiba.

Por outro lado, Grêmio e Flu ganharam seus respectivos jogos na casa do inimigo.

O Grêmio, desfalcado de sete titulares, conseguiu sair da Arena da Baixada com a vitória por 1 a 0, agradecendo ao zagueiro do Atlético PR, Rafael Santos, pelo bizarro gol contra.

E o Flu, em bela exibição de Deco, finalmente, bateu o Atlético GO, no Serra Dourada. Mas, também, não mostrou um futebol digno de seu elenco.

Notas relacionadas:

  1. MISTURANDO AS ESTAÇÕES
  2. O POSSÍVEL E O PROVÁVEL
  3. E COMEÇA A SARABANDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

quinta-feira, 26 de maio de 2011 Clubes brasileiros | 17:15

O PEIXE E AS ORIGENS

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Não estou aqui para defender, nem atacar o técnico Muricy, por quem tenho apreço pessoal e admiração profissional pelo craque que foi e treinador de futebol que é.

Mas, apenas para fazer algumas reflexões em cima dos murmúrios na Vila sobre sua eventual investida contra o DNA do Peixe, como bem propalou o presidente Luís Álvaro. E aqui já se inicia uma arqueologia ontológica. DNA é a estrutura básica do ser humano, representada graficamente como uma escadinha em caracol que, até onde se sabe, determina quem é quem.

E o Peixe simboliza o início da espécie humana, vinda da água para se transformar, ao longo dos milênios, no rei do planeta. Por isso mesmo, talvez, o símbolo do cristianismo, que, segundo seus prosélitos, representava o renascimento, um novo começo para a humanidade.

Se tentarmos uma simbiose dos dois, poderíamos chegar à conclusão de que o DNA do Peixe significa um recomeço, uma volta às origens do futebol brasileiro, feito da exata combinação entre a eficiência e a arte.

Mas, deixemos de lado essas abstrações, que podem perfeitamente não passar de uma bobageira, e voltemos à vaca fria, que, se devidamente assada, cozida ou frita, nos deu energia para chegarmos até aqui.

Pois bem. Quem somos para invadir a alma de Muricy e saber o que lá reside, seus mais recônditos desejos, essas coisas?

Seus atos dizem por si, de acordo com as circunstâncias e as necessidades. No São Paulo, por exemplo, foi um grande vencedor, adotando uma postura mais defensiva. No Flu, foi campeão buscando um jogo mais franco, embora não tenha podido chegar ao paroxismo de escalar ao mesmo tempo Conca, Deco, Emerson e Fred, nem uma única e escassa vez, no período em que esteve nas Laranjeiras.

Mas, esse era seu desejo óbvio. Se tivesse conseguido isso, com todos os craques em plena forma, talvez esse Fluminense campeão brasileiro teria entrado para a história como um exemplo bem acabado dessa combinação de eficiência e arte.

Ao desembarcar na Vila, o que Muricy encontrou? Um sistema defensivo falho, um armador do tamanho de Ganso voltando de longa recuperação e prestes a cair de novo na enfermaria, como ocorreu, e, lá na frente, apenas Neymar, um fora de série. E, na reserva dessa turminha de elite, só alguns meninos de futuro promissor mas incerto.

Isso, sem tempo para respirar, pois era uma decisão atrás da outra, em duas frentes de batalha: o Paulistão e a Libertadores.

O que fez Muricy? O óbvio. Fechou seu time e atirou sobre Neymar toda a responsabilidade de decidir as coisas lá na frente. E, Neymar, com seus gols e assistências, até agora, tem resolvido.

Muricy, pois, fez o que qualquer técnico, do passado ou do presente faria.

O termo técnico define tudo, pois, segundo o velho livro, antes do peixe e de toda a Criação, veio o Verbo, a palavra. E técnico designa  aquele cara pragmático, que resolve problemas pontuais quando eles se oferecem.

Muricy não tem cabedal nem espírito para vagar pelas ondas da teoria. No seu íntimo, imagino, bem que gostaria de montar um time que deslumbraria o mundo, como o Santos de Pelé ou o Barça de Messi, para citarmos dois tempos tão distantes entre si..

Mas, entre isso e a necessidade de escapar do jogo seguinte, prevalece a segunda hipótese.

Dessa forma, não está agindo em nada diferente dos seus mais ilustres predecessores.

Raríssimos foram os treinadores na história do futebol brasileiro que ergueram a cabeça além do horizonte dos resultados. Pode-se contar no dedo um Flávio Costa, autor da Diagonal, que prevaleceu durante os anos 40/50; um Zezé Moreira, que implantou a marcação por zona, hoje adotada no mundo inteiro, nessa mesma época.

Mas, paramos por aí. De resto, sempre foi a busca pela vitória por qualquer preço, inclusive Telê, mestre de Muricy, basicamente um treinador que buscava sempre um futebol, tecnicamente, bem jogado. Uns mais toscos; outros mais ousados.

O desconhecimento teórico sobre o desenvolvimento histórico das táticas e estratagemas, entre os atuais técnicos, mesmo os tidos como “estudiosos”, é espantoso, para quem, como este aprendiz de escriba, os ouve com certa frequência.

São técnicos, práticos, em geral, ex-jogadores, alguns ex-craques, outros nem tanto. Caras que conhecem os mistérios das quatro linhas e até desenvolveram treinamentos específicos eficazes para montar e manter uma equipe.

Mas, não estão ligados na evolução da espécie. Muito menos na volta às suas origens.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

segunda-feira, 23 de maio de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Futebol internacional | 17:02

DOIS PRA CÁ, DOIS PRA LÁ

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O Santos, que descansou o time principal neste fim de semana com os olhos postos no jogo com o Cerro Porteño, pelas semifinais da Libertadores, está em vias de anunciar oficialmente a contratação do centroavante Borges do Grêmio.

O cara certo no lugar certo, pois Borges é daqueles centroavantes que sabem jogar, não apenas marcar gols. Seu estilo encaixa-se, pois, perfeitamente ao da  molecada da Vila, que prima pelo toque de bola e ligeireza nas ações. Será o reforço de que tanto carece o Peixe, desde a saída de André, incluindo a chegada de Keirrison, sobre a qual depositei muitas esperanças, em vão.

Já o Flamengo finaliza as negociações com o São Paulo para levar o lateral-esquerdo Júnior César. Embora Egídio tenha jogado bem na goleada sobre o misto do Avaí, no sábado, essa é uma posição em aberto na Gávea. Luxa já experimentou por ali Renato Abreu, Ronaldo Angelim, Egídio, sei lá quan tos mais, sem os resultados esperados. Júnior César me parece o nome certo.

No Corinthians, que segue na espera de contar um dia com o Imperador, desembarcou Emerson Xeique, um avante incisivo e de boa técnica, de excelente participação no Flamengo, mas, de pouca utilidade no Fluminense, em razão das recorrentes contusões de que foi vítima durante as duas últimas temporadas. Se conseguir dar a volta por cima nas lesões intermitentes e entrar em forma, por certo, será ótimo substituto de Dentinho, que já se foi.

Ah, sim, e Alex, extraordinário reforço. Mas, o craque, por razões burocráticas, só entrará em ação depois da janela do meio do ano. Uma pena.

Por falar em Flu, as Laranjeiras na festa da esperança, só aguarda a chegada do messias – o técnico Abel Braga -, enquanto o Vasco torce para que Juninho Pernambucano, um dos maiores ídolos de São Januário, volte rap idamente.

Como Ricardo Gomes vai encaixá-lo num time que já tem, do meio de campo pra frente, Bernardo, Felipe, Alecssandro, Diego Souza e Eder Luís, não faço ideia, mas, num campeonato longo e exaustivo como o Brasileirão, é sempre melhor pecar por excesso do que por escassez.

No São Paulo, é só desova. Partiram Marcelinho Paraíba, Cleber Santana, agora Júnior César. E o grande contratado repousará ainda por um bom tempo na enfermaria – Luís Fabiano. A vantagem é que o São Paulo está aproveitando bem a garotada da base, embora sofra da carência crônica de um meia-armador, sobretudo com a prolongada ausência de Lucas, que cumpre parte dessas funções, durante a disputa da Copa América.

O Grêmio, de sua parte, fala no repatriamento de Gilberto Silva, o veterano herói brasileiro da Copa de 2002, mas que, há muito, deixou de ser aquele volante versátil dos bons tempos. Quem sabe, n ?

Enfim, na dança das contratações, que ganhará um compasso de batucada no meio do ano, a coisa caminha em ritmo de bolero – dois pra cá, dois pra lá.

MARADONA E O DOPING

Maradona disparou sua metralhadora giratória e atingiu não só o presidente da AFA, Julio Grondona, como todos os jogadores e comissão técnica da Seleção Argentina que participaram das Eliminatórias da Copa de 94.

Disse que todo mundo participou da festa da bolinha no café veloz servido antes do jogo com a Austrália. E que Grondona não apenas sabia como estimulou o golpe, garantindo que não haveria exame antidoping depois do jogo que levou os argentinos à Copa dos EUA.

Alguém aí se surpreende?

O RECORDE DO MURRUGA

Cristiano Ronaldo, convenhamos, é um portento. Já foi eleito o melhor do mundo e perdeu o cetro para Messi nos últimos dois anos. Mas, não deixou de ser aquele craque decisivo que já havia sido no futebol português e no Manchester United.

Hábil, veloz, capaz de se mover com naturalidade tanto na esquerda quanto na direita ou pelo meio, dribla fácil, bate forte e certeiro com ambas as pernas, além de ser emérito cobrador de faltas e cabeceador  implacável, graças à excelente estatura e impulsão.

Pois, o murruga bateu mais um recorde neste fim de semana. Com 40 gols no Campeonato Espanhol, acaba de se sagrar o maior artilheiro na história desse centenário torneio, por onde atuaram muitos dos maiores atacantes que o mundo já viu, de Di Stefano a Ronaldo Fenômeno, passando por Cruyjff, Romário e cia. bela.

É pra se dançar o vira, regado a vinho verde, oh pá!

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terça-feira, 17 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Copa do Brasil, Futebol internacional | 13:59

O PEIXE DESTE SÉCULO

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O Peixe mal teve tempo pra festejar a conquista do título paulista e já está com um pé no Pacaembu à espera do traiçoeiro Once Caldas e com os olhos postos nas semifinais da Libertadores. Mas, antes, terá de passar pelos colombianos, que, embora não sejam nenhum timaço, carregam na bagagem a fama de se dar melhor fora do que em casa.

Prova disso, a virada que aplicou no Cruzeiro, a melhor equipe da disputa até então, em plena Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Eis por que o técnico Muricy lamenta mais uma baixa importante – Jonathan, que ficará, por baixo, duas semanas de molho.

Não é mole, meu: o Santos vem  de decisão em decisão, nas duas frentes de batalha, há mais de mês, sem pré-temporada adequada, e com jogadores fundamentais voltando de longa inatividade, como Ganso, Arouca e Jonathan, entrando e saindo da enfermaria.

Mas, o Santos, nesta primeira década do século, tem sido tocado pelos fados. Basta lembrar que chegou a seis decisões e levantou cinco dessas taças. Isso, desde os idos de Robinho e Diego até estes dias de Ganso e Neymar.

E, o mais significativo: chegou a todas essas conquistas contrariando o vezo defensivo que permeia nosso futebol há duas décadas, por baixo. Chegou lá, colocando em campo o que os pragmáticos de plantão consideram coisa de museu – vencer jogando bonito, marcando muitos gols e dando espetáculo.

Por tudo isso – e não só porque o Santos é o único brasileiro ainda vivo na Libertadores – , vale a pena torcer para que siga em frente, até a glória final.


TRAPALHÕES DO MORUMBI

Há muitos anos não usava essa expressão para qualificar a direção do São Paulo, que, ao longo da história gloriosa desse clube, tem sido um modelo de administração sensata e eficiente, com esta ou aquela exceção.

Esta é uma das exceções que merece o resgate do título – Trapalhões do Morumbi.

Na sexta-feira, o presidente deu claros sinais de que Carpegiani estava fora. Na segunda, estava dentro de novo. O que houve entre um dia e outro?

Simples, o São Paulo fez as contas de quanto gastaria para pagar as multas rescisórias de Carpegiani e de Dorival Jr., por exemplo, um dos dois aventados para substituir o (ex) atual técnico, e voltou atrás. Teria de desembolsar um milhão para a rescisão do contrato de Carpegiani, e mais dois, pela de Dorival Jr. com o Galo. Ao mesmo tempo, Cuca ratificava, em Minas, seu desejo de permanecer no Cruzeiro. Logo…

Esse é apenas mais uma trapalhada das tantas que vêm marcando a atual gestão tricolor e que justificam o período de estiagem de títulos vivido pelo São Paulo nos dois últimos anos.

SEEDORF NO BOTA?

O Corinthians estava dando como praticamente certa a vinda de Seedorf, caso o holandês não renovasse seu contrato com o Milan, graças à interveniência de Ronaldo Fenômeno.

E, também, pelo fato de que Seedorf, casado com uma brasileira, fala português com fluência e adora passar uns tempos por aqui.

Eis, porém, que estoura na Internet a notícia de que dirigentes do Botafogo estiveram reunidos com Seedorf por cerca de quatro horas, neste fim de semana, o que abre a perspectiva de o holandês acabar mesmo em General Severiano.

Ou, simplesmente, assinar novo contrato com o Milan, que cultua seus velhinhos como nenhum outro clube do mundo.

ZAGALLO, PEPE E…

Zagallo e Pepe têm em comum muitas coisas. Ambos jogavam na mesma posição – a ponta-esquerda, hoje praticamente extinta no Brasil – e foram os bicampeões mundiais, em 58 e 62, além de jogar nos dois times que dominaram a cena do futebol à sua época, o Botafogo e o Santos..

Mas, diferenciavam-se nos estilos.

Zagallo, meia-esquerda de origem, era basicamente um jogador tático, aquele ponta que voltava para fechar espaços, e ajudava o lateral a combater os adversários que por ali circulassem, não se abstendo, porém, de ir à linha de fundo, sempre que possível.

Já Pepe era o Canhão da Vila, o aríete que partia com a bola colada à canhota em velocidade até chegar à zona de conclusão, quando disparava um foguete de meter medo a qualquer goleiro.

Contam-se muitas histórias de como Zagallo ganhou, através daqueles seus sortilégios onde o cabalístico número 13 cintilava com poderes sobrenaturais, a posição de titular da Seleção naquelas duas conquistas inesquecíveis.

E, por falar em sortilégios, enquanto os dois, sentados lado a lado no estúdio do Bem, Amigos, iam desfiando suas histórias e opiniões, vejo materializar-se atrás deles, a figura de um crioulo com um sorriso maroto nos lábios. Aponta para os dois e me dá uma piscada de olho malandra.

Logo reconheci a figura e entendi a mensagem silenciosa. Era o maranhense José Ribamar de Oliveira, mais conhecido como Canhoteiro, o Mago, que certamente estaria no lugar dos dois craques eternos, não fosse a atração irrefreável pela noite, que, às vésperas dos cortes finais para a Copa da Suécia, escapou da concentração e recebeu bilhete azul no dia seguinte.

Para os jovens que jamais ouviram falar de Canhoteiro, morto ainda jovem, recomendo o livro de impressões sobre ele escrito com primor pelo corintiano Renato Pompeu. E presto aqui meu testemunho pessoal e o de ninguém menos do que Mestre Zizinho, o mais completo jogador brasileiro de todos os tempos, para quem Canhoteiro era o Garrincha da esquerda, com um repertório de dribles e assistências ainda mais variado.

Naquela segunda metade dos anos 50, se você comprasse o ingresso de Arquibancada, no Pacaembu, tinha livre acesso à Geral e vice-versa. Então, eu e meu irmão Cyro comprávamos duas arquibancada e ficávamos à espera do toss. Se o São Paulo atacasse a Concha Acústica (hoje, Tobogã), corríamos para as gerais e, ali, colados ao alambrado, ficávamos nos maravilhando com seus prodígios a poucos metros de Canhoteiro. Indescritível o que esse cara fazia com aquela canhota mágica

Vá somando aí Denílson, Neymar e Ronaldinho Gaúcho e o amigo chegará perto do que fazia Canhoteiro, com aqueles calções gaiatos, arriados à altura das ancas, como um Cantinflas  (famoso cômico mexicano do cinema daqueles tempos) ou os manos de hoje em dia, a fazer estripulias nas defesas adversárias.

Não basta? Então, chamo um parceiro de adolescência, o hoje renomado ginecologista Dr. Nelson B. Cymbalista, na época, o Neca, inseparável vizinho na rua Maestro Elias Lobo, ali no Jardim Paulista.

Pois, nas tardes ociosas, Neca e eu íamos à pé até o Morumbi, que se resumia num gramado bem cuidado, com duas traves e cercado por cabanas de madeiras utilizados como vestiários para os jogadores e os trabalhadores que erguiam o gigante de concreto absurdo para aqueles tempos.

Pois, depois do treino coletivo do time, já de roupa social, Canhoteiro, para nosso encanto, jogava uma moeda no ar, aparava-a com aquele pé esquerdo ungido, produzia algumas embaixadas, até o toque final que enviava a moeda ao seu bolsinho de chaves na calça.

Acredite se quiser.

COPA DO BRASIL

Na Copa do Brasil, nesta quarta-feira, o Vasco é o grande favorito. Não só pela extraordinária recuperação que teve nos últimos tempos, mas, sobretudo, por jogar em São Januário, contra o Avaí. Mas, o time catarina, atenção!, está certinho nas mãos de Silas, e tem Marquinhos controlando o jogo no meio de campo.

Além do mais, vem embalado pela classificação espetacular diante do São Paulo, em Florianópolis.

Quanto ao outro jogo das semifinais da Copa do Brasil, a previsão fica mais nebulosa: o Coritiba vem cumprindo um semestre sensacional. Acumulou vinte e tantos jogos de vitória, antes de perder sua longa invencibilidade diante do Palmeiras, num jogo em que podia perder, pois metera 6 a 0 no adversário. Será que quebrou o encanto? Não sei.

Só sei que o Ceará, agora com seu artilheiro Marcelo Nicácio, de volta, depois de uma ida e vinda, é um time bem armado por Mancini, que derrubou o outro invicto brasileiro, nenhum outro senão o poderoso Flamengo.

É jogo pra mais de metro.

FESTAS ESTADUAIS

Esta segunda foi dia de festa para os estaduais que se encerraram no fim de semana, com a escolha dos melhores de cada um nas tais seleções dos respectivos campeonatos.

No Rio Grande, o Cruzeiro, time-surpresa do torneio, levou o maior número de prêmios. Assim como em Minas os Américas (TO e MG) tiveram um destaque especial. Por exemplo: Fábio Jr., o centroavante e artilheiro do campeonato. Mas, cá entre nós, mesmo sem ter visto o suficiente desse campeonato, Douglas não poderia ficar de fora desse time..

Sim, aquele mesmo Fábio Jr. que surgiu no Cruzeiro como um provável substituto de Ronaldinho Fenômeno, quando este partiu para a Holanda. Rodou mundo e nunca conseguiu comprovar essa expectativa. E, quando o julgávamos aposentado, balançando na rede da varanda das lembranças, ressurge fazendo gols adoidado e levando seu time ao pico da disputa do campeonato mineiro.

Em São Paulo, montaram uma seleção meio Mandrake. Chicão, por exemplo, não foi o melhor zagueiro central do campeonato. É um belo defensor, mas não jogou bem, neste certame.

Renatinho, meia-armador da Ponte, merecia um lugar nesse time. E Dagoberto, que cumpriu sua melhor performance nesta disputa, teria de estar ali no trio de ataque, no lugar de Kleber, que esteve um mísero degrau abaixo do tricolor, nas contas finais.

Por fim, no Rio, me estranha a presença de Ronaldinho Gaúcho na Seleção do Rio. Estranha mas não espanta. Afinal, o gauchinho marcou o gol da vitória na conquista  da Taça Guanabara, o primeiro turno do caricoa.

Como segundo atacante, talvez a vaga devesse ser de Eder Luís. Mas, nada reclamar, quando se trata de um craque do porte de Ronaldinho.

De qualquer forma, no geral, é isso aí.

O BIZARRO TEVEZ

Outro dia, o motorista da Sportv que veio me  buscar, perguntou-me o que queria dizer a palavra bizarro. E explicou: carregava daqui pra lá jovens repórteres que, a qualquer momento, repetiam essa palavra, fosse em referência a pessoas ou situações.

Bem, o Aurélio fala num cara elegante, bem posto etc, mas admite alguém fora do comum.

E, quando o motorista me fez a pergunta, veio-me à memória uma estampa da infância: o Supero-Homem Bizarro, a contrafacção do autêntico Super-Homem – um Super-Homem de rosto e uniforme retalhados.

Pois Tevez me lembra esse anti-herói dos quadrinhos: o rosto devastado pelas chamas de uma infância infeliz, o corpo atrofiado pela fome, e o talento único, soprado pelo destino que lhe foi antes tão cruel.

Nesta terça, meteu dois gols na vitória por 3 a 1 sobre o Stoke. Um, de alta classe, ao limpar dois beques e concluir fora do alcance do goleiro; outro, batendo falta no ângulo.

Isso é bizarro, embora tão natural.

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