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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 Clubes brasileiros, Libertadores | 00:15

VALEU PELA VITÓRIA, SÓ

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Só não foi um desastre total porque o Fluminense deixou o Engenhão com 1 a 0 no placar, gol de Fred, conquistado logo no início da partida, quando o Tricolor encetou uma blitz sobre o Arsenal de Sarandi, desenhando no ar a expectativa da goleada que não veio.

Ao contrário: aos poucos, o Flu refluiu, perdeu o compasso e acabou sendo até pressionado pelo frágil time argentino no final.

Não sei se os brasileiros ficaram nervosos porque passaram a errar muitos passes, ou se passaram a errar os passes porque ficaram nervosos. o que seria um contrassenso para um time que jogava em casa e vencia.

Só sei que a turma perdeu o controle da bola, dos espaços e dos nervos, a ponto de ter dois jogadores expulsos, com toda razão: Wagner, que chutou um adversário pelas costas numa bola parada, e Eusébio, que desferiu um coice no argentino no chão.

Wagner, que deveria dividir o trabalho de criação com Deco, foi ausente a maior parte do jogo em que o seu parceiro de meio de campo, enquanto teve pernas, foi o único a jogar bola de verdade. E Eusébio, além de perder todas de cabeça na sua própria área, quando tinha a bola aos pés, despachava-a de qualquer jeito pra frente.

E, nem mesmo a entrada de Thiago Neves, aos 17 do segundo tempo, no lugar de Sóbis, foi suficiente para conferir ao Flu o mínimo de organização em campo.

Placar magro, exibição pobre, descontrole emocional… O Flu vai ter de melhorar muito para justificar tanta expectativa criada em torno da qualidade de seu elenco.

FALCÃO NO BAHIA

Falcão, o maior volante da história do futebol brasileiro (o amigo pode sentir o tamanho dessa escolha para quem cultuou a vida toda nessa posição o nome sagrado de José Carlos Bauer, o Monstro do Maracanã), acaba de assumir o lugar de Joel Santana no Bahia.

Antes de tudo, admiro a persistência desse amigo. Aos 58 anos, idade em que a imensa maioria das pessoas quer mesmo é se aposentar, rico, famoso, um ícone do futebol mundial, largou ofício confortável e posição invejável na Rede Globo para perseguir um sonho que mais se assemelha a pesadelo: o de vencer definitivamente também na carreira de técnico de futebol, talvez, a mais ingrata de todas as profissões, como ele próprio já sentiu na pele, ainda outro dia, ao ser demitido pelo seu Inter, mesmo sagrando-se campeão gaúcho.

Gaúcho por adoção, o que inclui a absorção de todos os valores do povo da fronteira, dentre eles, o gosto pelos desenhos táticos e estratégicos de um time de futebol, Falcão, na Itália, onde esses mesmos valores são reverenciados ao extremo, ganhou a coroa de Rei de Roma e o epíteto de o Médio Tático.

Como um craque com tal formação aliada à lucidez e a experiência vivida nos dois hemisférios do mundo, líder como jogador e de fácil poder de comunicação, não conseguiu decolar na carreira de treinador? Um desses tantos mistérios da vida.

Quando Falcão ainda comandava dentro do campo aquele Inter espetacular do bicampeonato brasileiro de 75/76, escrevi que ele, ao pendurar as chuteiras, viria a ser o maior técnico do futebol brasileiro desde Zezé Moreira.

A chance recomeça, depois da punhalada vermelha, agora, no Bahia, um dos grandes do Brasil, de imensa e festiva torcida, que está em terceiro lugar no Campeonato Baiano, cinco pontos atrás de seu homônimo de Feira e apenas um acima do eterno rival Vitória, dirigido justamente por Cerezo, seu parceiro na Copa do Mundo de 82 e na Roma.

Torço pela realização do sonho de Falcão, como amigo e por sabê-lo capaz de imprimir novos rumos ao futebol brasileiro, e para que o Bahia, com ele, inicie uma nova era de grandes conquistas.

Notas relacionadas:

  1. VALEU, MANO!
  2. VALEU PELA RAÇA
  3. EMPATES E EMPATES, VITÓRIAS E VITÓRIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 16 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 18:52

TEMPO DE CRISE E REDENÇÃO

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A crise e a redenção rondam a rodada do Brasileirão que começa nesta quarta-feira.

O Fluminense, por exemplo, recebe o Figueira no Engenhão, sob saraivada de vaias da torcida, expressas nos muros do clube em forma de grafites agressivos. E não é que Fred, um dos principais alvos da torcida, está fora, por sentir dores no corpo?

Essa história não vai acabar bem…

Já o Cruzeiro, que se redimiu na última rodada com aquela goleada estupenda sobre o Avaí, vai pegar o Furacão, de tão brava recuperação nas mãos de Renato Gaúcho, na Arena da Baixada, onde o rubro-negro não é sopa, não.

Sem Wallyson, machucado, e Thiago Ribeiro, em processo de transferência, para o Cagliari, o ataque da Raposa será entregue à dupla a Anselmo e Wellington Paulista, enquanto Keirrison, recém-contratado não tem sua situação regularizada na CBF.

Mas, Keirrison tem ido tão mal por seu périplo desde a saída do Palmeiras que nem sei se representa de fato uma esperança.

O Grêmio, por sua vez, cheio de esperanças pela vitória sobre o Fluminense, tenta confirmar a recuperação diante do Ceará, em Fortaleza e sua delirante torcida. É hora de Celso Roth provar que é o cara, pois o time é assim, assim.

Não é bem o caso de Muricy que não tem mais o que provar. Tem é que dar um jeito nesse Peixe que recebe na Vila o Coritiba de bola bem arredonda por Marcelo Oliveira. E o Santos tem time, sim, para dar a volta por cima. Mas, nem sei se a questão do Santos se resuma aos planos táticos do treinador ou à excelência do time. O buraco parece ser mais embaixo. Ou, não: é apenas uma fase ruim, que desaparece ao dobrar a próxima esquina. Vejamos.

Agora, subamos para a região onde não há nem crise, nem redenção. Ou seja: a turma do G-4 ou proximidades.

Quer dizer: crise e Corinthians são indissociáveis na rica história do clube. A atual, porém, convenhamos, é quase irrelevante. Trata-se apenas de reajustar o time, que, depois de extraordinária arrancada, passou a perder gordura e se encontra no limiar de perder a liderança.

O Timão vai a Ipatinga enfrentar um Galo de crista baixa, mas sob nova direção – o competente Cuca, que já tirou muita gente boa desse sufoco no passado. E vai sem um lateral-esquerdo de ofício, mas com Liedson, muito provavelmente, em melhor forma do que na volta contra o Ceará.

Quanto ao Vasco, pega o Avaí, em Floripa. Fácil? Provável. Mas, atenção que o Vasco não terá Felipe, figura de proa na barca enfunada do Almirante.

Já o Bota, sem Loco Abreu, vai ao Beira-Rio, onde o Inter começa a se remontar sob o comando de Dorival Jr., treinador sensato e de métodos simples.

Talvez seja exatamente do que careça o Inter, de voos tão altos e recente trajetória mais terrena.

A FALA DE RIVALDO

De hábito, Rivaldo é um tipo que prefere o silêncio ou respostas breves, quando questionado. Pois, nesta terça, abriu o bico na longa entrevista de imprensa.

E, levantou uma questão que, num dia sem notícias ou fofocas mais estridentes, levou a turma a refletir sobre o assunto. E o que disse nosso Rivaldo que tem seu nicho intacto na galeria dos melhores do mundo eleitos pela Fifa?

Disse que acha mais que legal, necessária, a saída imediata dos nossos jovens astros para a Europa. Não só para acelerar a maturidade de um Neymar, um Ganso, um Lucas, mas, sobretudo, para que, quando a Copa chegar, a turma lá de fora venha a ser mais prudente diante desses craques já conhecidos e badalados no plano internacional.

Diria que é uma faca de dois legumes, lembrando o saudoso Vicente Matheus. Pode ser assim: Neymar, por exemplo, vai para o Real ou Barça. Chega e logo vai mostrando sua bola vertiginosa, metendo medo no mundo todo.

Kaká foi assim no Milan, lembram?

Mas, vai que Neymar chegue no Real ou no Barça de tantas estrelas, estranhe o novo ambiente, a língua, os costumes, a comida, o estilo do futebol lá praticado, essas coisas todas, e não consegue reproduzir seu futebol de início.

Vai para o banco, sente-se desprezado, é tomado pelo banzo ou se irrita além da conta, e, pronto!, o ano acabou, a Copa se aproximou, e essa experiência não poderia ter sido mais deletéria para a alma do craque, refletindo-se, claro, no seu futebol.

Com Robinho foi mais ou menos isso, não foi?

O que quero dizer é que não existe uma receita pronta para esses casos. Cada um é cada um e cada experiência é própria. O cara pode ficar aqui, agasalhado pelos companheiros, pela família próxima, e crescer a ponto de chegar na Copa e brilhar.

Vale ouvir Rivaldo e pensar a respeito. Mas, sempre levando em conta que suas palavras são abalizadas, mas não uma sentença irrefutável.

NOSSOS MENINOS

E chegou a hora de pegar o touro mexicano a unha.

O México ainda não tem a devida marca de grandeza no plano internacional. Mas, tem time, sim, senhor. Ainda outro dia, o México saiu campeão de um desses Mundiais das categorias de base.

Mas, boto fé nos nossos meninos, que já mostraram cabeça e bola para seguir avante nesse Mundial Sub-20.

BARÇA E REAL

No empate por 2 a 2, no campo do Real, o Barça deu o tom dessa Supercopa da Espanha.

Não só por chegar a virar o placar para 2 a 1, mas, sobretudo, porque impôs, mais uma vez, seu toque-toque sobre o rival eterno.

Contudo, atenção: enquanto o Barça nesta fase preparatória da temporada, andou rateando mais do que o Real, que é outro – mais ofensivo e confiante – daquele da temporada passada.

A coisa está mais equilibrada, agora, acredito.

Notas relacionadas:

  1. CRISE NA LIBERTADORES
  2. BOTA E CRUZEIRO EMBOLANDO
  3. TEMPO DE BOAS ESCOLHAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

segunda-feira, 15 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 17:13

FELIPÃO E ABEL, EM CENA

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Dois técnicos cordiais – no sentido em que o saudoso Sergio Buarque de Holanda conferia ao termo ao definir o brasileiro como um ser cordial, isto é; um tipo levado mais pelos ditames do coração do que pela razão – assomaram a cena do futebol, depois da rodada do fim de semana – Felipão e Abel Braga.

Abel é a emotividade doce; Felipão, o rompante ácido.

Abel, que foi esperado feito messias por meses a fio no Fluminense, viu seu nome grafitado nos muros das Laranjeiras, não como uma saudação e sim como uma condenação: “Fora, Abel!”.

Isso, porque seu time perdeu para o Grêmio, em pleno estádio Olímpico, por 2 a 1, resultado absolutamente normal por conta do peso das duas camisas, fator campo, a necessidade extrema de o Tricolor gaúcho sair da inhaca em que se encontrava e tal e cousa e lousa e maripousa.

E, se o Flu não foi bem, também não foi uma tragédia em campo. Até criou algumas chances de empatar, no finalzinho.

Já Felipão meteu a boca no seu Palmeiras, que, diga-se, foi até melhor do que o Vasco na maior parte do jogo. Criou muito mais oportunidades do que o oponente e tomou um gol de falta, em pleno São Januário.

E foi além o celebrado técnico: ou a diretoria troca o elenco, ou troca o técnico.

Abel, depois de apenas dois meses à frente do Flu, me parece descorçoado, como diz o caipira, já Felipão parte para o extremo, quase um confronto. E põe o dedo na ferida: a casa verde ruiu depois daquele episódio com Kleber como protagonista da novela Sai-Não-Sai.

Calma nessa hora, minha gente. O Palmeiras ainda está por ali, rondando a zona de classificação para a Libertadores, e o Flu, atual campeão brasileiro, ainda guarda uma reserva de lenha pra queimar, embora tenha perdido outro dia seu principal jogador e ídolo da torcida, o argentino Conca.

JORGINHO, O BOM

Permita-me o amigo mudar o foco destas mal traçadas linhas para a Série B do Brasileirão, em que a Lusa lidera com campanha até aqui extraordinária. Muito em função de alguns jogadores em grande forma, como os meias Henrique e Marco Antônio, o goleiro Weverton, o volante Ferdinando e o artilheiro Edno, que parece fadado a jogar na Lusa pelo resto de sua longa vida.

Quero, no entanto, saudar aqui a figura do técnico Jorginho, o Jorginho Cantinflas.

Explicando o apelido para os mais jovens: Mário Moreno, o Cantinflas, foi um comediante de fama internacional, popularíssimo aqui no Brasil nos anos 50 com seus filmes baratos e divertidos, uma espécie de Chaves de seu tempo. E o ator tinha duas marcas indeléveis: as calças com cintura rebaixada à altura dos quadris (como, aliás, os jovens usam hoje dia) e o erguer da sobrancelha direita sempre que se deparava com alguma surpresa, o mesmo arco que Jorginho exibe o tempo todo, surpreso ou não.

Mas, voltando ao que interessa: há tempos venho dizendo que Jorginho haveria de ser uma grata surpresa, sim, no mundo dos treinadores brasileiros. E sinais disso ele deu quando assumiu interinamente o Palmeiras, antes da ida ao Parque de Muricy, ainda outro dia.

Rodou por aí, ao deixar o Verdão, sem maiores sucessos, até desembarcar no Canindé, onde presta relevantes serviços. Foi bom jogador, um meia hábil e de muito descortino de jogo, atuando pelo Palmeiras, pela Lusa, pelo Galo e pelo Santos, onde, creio, teve seu melhor momento.

Sabe das coisas e curte o ideal de um futebol ofensivo, leve e inteligente como éramos antes da invasão das hordas de volantões que mataram as jogadas e o discernimento do jogo.

Torço, pois, para que decole de vez a carreira de Jorginho, para o bem do futebol brasileiro.

Notas relacionadas:

  1. NEM FELIPÃO, NEM ADÍLSON
  2. FELIPÃO VERSUS VITÓRIA
  3. A LA FELIPÃO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

domingo, 14 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 18:38

A COMBINAÇÃO DOS LÍDERES

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Parece até que Corinthians e Flamengo combinaram empatar seus respectivos jogos só pra manter em suspense essa luta particular pela liderança do Brasileirão.

Dos dois, porém, o que mais vacilou foi o Timão, que, no Pacaembu, não foi além de um empate por 2 a 2 com o Ceará, que não é tão forte fora de casa. Ainda mais porque o Corinthians conseguiu fazer 2 a 1 e manter esse placar até quase ao final da partida, quando sofreu o empate por Rudney, em melê na área causado por rebote de Júlio César.

Já o Flamengo, sabia-se, pegaria uma pedreira em Floripa. Eis por que os 2 a 0, dois gols de cabeça de Deivid, surpreenderam. Até o Figueira começar a reagir e chegar ao empate.

Então, o que era difícil ficou fácil para endurecer de novo no final.

Fácil, porém, do início ao fim, foi a vitória do Coxa, no Couto Pereira, sobre o Galo, na estreia do técnico Cuca no time mineiro: 3 a 0.

Prova de que o Coritiba realmente começa a recuperar aquele futebol redondinho dos tempos da longa invencibilidade no início da temporada. E que ao Galo não bastava a simples troca de treinadores, ambos, diga-se, de alto calibre.

FORA, TEIXEIRA II (OU VIGÉSIMO)

O que me chamou a atenção na cobertura da Espn sobre a marcha contra Ricardo Teixeira, no sábado, foi a entrevista com um jovem ostentando um nariz de palhaço. Disse o rapaz: “Não estou nem aí com o Ricardo Teixeira. Nem mesmo gosto de futebol. Gosto do Corinthians, só do Coritnthians”.

É bem o retrato acabado de uma maneira de ver a vida que se espalha por aí. O jovem não gosta de futebol, não se preocupa com a ação de Ricardo Teixeira, apenas se interessa pelo Corinthians. Então, está protestando contra o quê? O Corinthians, líder do Brasileirão?

O processo de despolitização das novas gerações é gradual, rápida e progressiva, parodiando o slogan do general Geisel.

O cara afivela um nariz de palhaço, vai para a avenida, porta um cartaz e nem sabe pra quê. Simplesmente elege um símbolo, eventualmente, um clube de futebol para depositar sua paixão, e fim de papo.

Houve um tempo em que jovens morriam literalmente por um ideal. Saíam aos milhares pelas ruas e praças do Brasil inteiro, clamando por liberdade, um bem muito maior do que a simples paixão por um clube de futebol.

Mas, eram outros tempos, não estes, em que tudo passou a ser supérfluo – uma imagem fixada em HD na tv.

OBRIGADO, VELHO

Outro dia, meu dentista, o dr. Antonio, corintiano frenético, boticão:em riste, intimou-me:

- Confesse! Pra que time você torce. Desconfio que seja santista, mas quero saber a verdade.

A verdade, meu caro Tiradentes, é que não torço por nenhum. Já torci, claro. Fui fanático , a ponto de invadir o Pacaembu para reclamar contra o juiz, essas coisas.

Mas, na minha cabecinha, sempre ressoava a lição de meu velho, a quem presto respeitos neste Dia dos Pais – ele, só saudade; eu, aqui: “O futebol só desperta o pior de todos os sentimentos humanos – o fanatismo, que nos faz regredir à irracionalidade”.

Com o tempo, essa lição foi se sedimentando no mesmo espírito, a ponto de livrar-me desse mal, amém.

Foi um presente de meu pai, que nunca pude retribuir em tantos Dias dos Pais que pudemos compartilhar em vida, a não ser diznedo-lhe em pensamento: “Obrigado pela lição”.

Notas relacionadas:

  1. SUBORNO OU FOFOCA?
  2. POR QUE NÃO ITAQUERA?
  3. QUALQUER UM SERÁ O MELHOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , ,

sábado, 13 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 21:20

QUE VIRADA, MEU!

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A virada do Botafogo sobre o América mineiro, por 4 a 2, foi ainda mais sensacional porque o Alvinegro não jogava bem, e corria riscos de tomar o terceiro gol nos contragolpes do adversário.

Isso, entre outras coisas, porque levou dois gols logo de cara, o que obviamente entontece qualquer um. Mas, Elkeson acertou um canudo de fora da área, ainda no primeiro tempo, e Antonio Carlos empatou em cobrança de corner de Renato.

Mas, aí, entrou em campo o menino Alexsander, que desempatou em jogada pessoal e cravou o placar final de pênalti.

E assim o Bota dorme no G-4, sonhando com a permanência dessa posição neste domingo, dia de acordar tarde, que ninguém é de ferro.

BOA, RAPOSA!

O grande placar deste início de sábado, sem dúvida, foi a goleada imposta pelo Cruzeiro sobre o Avaí, em Uberlãndia: 5 a 0. Placar praticamente construído no primeiro tempo, e que recoloca o Cruzeiro numa postura mais condizente com seu elenco e sua camisa.

Sobretudo, porque marcou a volta de Thiago Ribeiro, afastado há um bom tempo, autor de um dos gols da Raposa.

Já o placar mais surpreendente foi o de 2 a 0 do Atlético GO sobre o Santos, de Neymar, Ganso e cia. bela.

Mais surpreendente ainda pelo comportamento das duas estrelas peixeiras: Ganso, mais uma vez apagado, foi até substituído, e Neymar, bem marcado, pouco fez em campo.

Por outro lado, Neymar, mais uma vez, foi vítima de preconceito do juiz, que resolveu não só fechar os olhos para o pênalti que o craque sofreu como, ainda por cima, o castigou com cartão amarelo por simulação.

O Peixe, meu, já começa a preocupar pra valer.

E o resultado mais decepcionante foi o empate do São Paulo diante do Atlético PR. Com chances de dormir na liderança, no fim, o Tricolor apenas conseguiu preservar o terceiro lugar no Brasileirão, o que não é pouco, diga-se, mas não o esperado.

E olhe que só chegou lá numa prece de Rivaldo, aos 45 minutos do segundo tempo, que, ajoelhado junto ao segundo pau, abparou de peito cruzamento da esquerda de Cícero.

O fato é que o São Paulo jogou pouco diante de suas possibilidades.

Mas, há de melhorar, imagino.

FORA, TEIXEIRA!

Cerca de trezentos manifestantes desfilaram pela Avenida Paulista até a Praça Charles Miller, pedindo a saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF.

Pouca gente? Até pode ser. Mas, não me lembro de outra manifestação desse tipo na história do futebol brasileiro.

Mesmo porque, com o poder e a velocidade das tais redes sociais, o que começa como uma marola acaba virando um tsunami. Espero.

Notas relacionadas:

  1. VIRADA COMOVENTE DO FLU
  2. TIMÃO DECISIVO
  3. VASCO, ATÉ QUE ENFIM
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

sexta-feira, 5 de agosto de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 00:55

TRICOLOR SEGURA AS PONTAS

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E o São Paulo se manteve na terceira colocação do Brasileirão, ao vencer o Bahia por 3 a 0, no Morumbi.

Mas, atenção, não se iluda o amigo tricolino com o placar, pois, dois gols foram gêmeas lambanças da defesa baiana, aproveitadas com categoria por Dagoberto e Lucas, e o outro foi de pênalti, convertido por Rogério, que agora não resta a menor dúvida – acabou de marcar o centésimo nas contas da Fifa.

O São Paulo mereceu? Mereceu. Teve a bola a seus pés o tempo todo e fez os gols necessários para evitar maiores sobressaltos. Mas, embora dominasse a bola e os espaços, não agrediu o suficiente para construir um placar largo desses.

FLU E FRED

O Fluminense venceu o Inter por 2 a 0 no Engenhão, e o tititi todo era sobre a ausência de Fred, que abandonou a concentração, pouco antes, por sentir-se abalado com a perseguição de alguns arapongas de araque das noites cariocas.

Sempre que isso ocorre, aqui ou ali, fico me perguntando se esses idiotas não têm nada melhor pra fazer na noite a não ser bisbilhotar jogador de futebol. Pô! Com tantas atrações e prazeres à disposição, os caras ficam ali espionando as idas e vindas dos craques, como comadres de cortiço vigando a vizinha pela fresta da janela.

Vamos ao jogo que é o mais interessante. E, no jogo, se o Flu não tinha Fred, tinha Souza, que, desde quando foi fixado na equipe titular, deu ao meio-campo aquele toque de habilidade e eficiência de que tanto carecia o Tricolor, sobretudo depois da saída de Conca.

E Souza abriu a contagem, de cabeça, para Rafael He Man completar o placar de pênalti.

Por falar em pênalti, D’Alessandro perdeu o seu e o juiz furtou do Flu outros dois.

Mas, isso é do jogo.

QUEDA ANUNCIADA

Não deu um mês e Julinho Camargo já não é mais técnico do Grêmio. Era o que se esperava desde a mudança da diretoria de futebol do clube. Entre outras coisas, porque Julinho, embora possa ser um profissional competente, não tem currículo nem carisma para segurar essa barra pesada.

E, novamente, Celso Roth assume o leme do Tricolor gaúcho.

Também não tem carisma, mas tem vasto currículo, e, com certeza, possui bala para tirar o Grêmio dessa incômoda posição de coadjuvante no campeonato.

NOSSOS MENINOS

O Brasil Sub-20 classificou-se em primeiro lugar de seu grupo na Copa do Mundo da categoria, ao golear o frágil Panamá por 4 a 0, em Barranquilla, na Colômbia.

Poderia ter sido o dobro, se a garotada se empenhasse mais na busca de gols, pois o domínio brasileiro foi pleno e a diferença técnica individual, abissal.

P. Coutinho fez dois, Henrique e Dudu, os outros dois. Todos de bela feitura, fruto de jogadas coletivas sincronizadas e individuais estilísticas.

A Seleçãozinha, depois de uma estreia vacilante diante do Egito, vai pegando no breu, e a esperança do penta também nessa categoria não é vã.

Notas relacionadas:

  1. BOM PARA A ALMA TRICOLOR
  2. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
  3. NOITE TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

domingo, 19 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:56

RECORDE E DECEPÇÕES

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O placar mais estridente desta rodada do Brasileirão foi a goleada do Palmeiras sobre o Avaí, por 5 a 0, no Canindé, o que não seria nenhum espanto pela péssima campanha do lanterna Avaí até aqui. Mas, sim, pelo fato de que o Palmeiras não é dado a esses exageros, nesta quadra modesta de sua gloriosa história.

Ainda mais porque o Verdão não só goleou como passeou diante do Avaí, deu as cartas e jogou de mão, podendo até ter ampliado o bizarro placar.

Mas, a vitória mais significativa foi a do líder São Paulo em Fortaleza: 2 a 0 no Ceará, com direito a gol de placa de Lucas. Com esse resultado, o São Paulo atingiu o recorde de cinco vitórias consecutivas desde o início do Brasileirão, na era dos pontos corridos, com nove gols marcados e apenas um tomado. Pudera! Com esse goleiro. Sim, porque Rogério Ceni pegou um pênalti e ainda fez mais três ou quatro defesas decisivas.

Já Cruzeiro e Fluminense foram as grandes decepções no sábado.

O empate por 1 a 1 com o América mineiro, o que custou à Raposa cair lá para a rabeira da tabela, cumprindo o pior início de Brasileirão de sua história, também derrubou o técnico Cuca, substituído por Joel Santana, famoso por descascar abacaxis como esse.

Assim como não poderia ter sido mais decepcionante o empate por 0 a 0 no clássico carioca, entre Flamengo e Botafogo. A tal ponto que a maior estrela do espetáculo, Ronaldinho Gaúcho, depois de opaca atuação, saiu de campo substituído e vaiado pela torcida que dele tanto espera desde sua chegada à Gávea.

Já o Vasco foi ao Olímpico pela primeira vez com seu time titular e arrancou um empate por 1 a 1 com o Grêmio. Mas, quem resolveu a parada vascaína foi o reserva de luxo Bernardo que cruzou lá direita e o destino desviou a bola para as redes de Victor. Quanto ao Grêmio, bem, as vaias da torcida ao cabo do empate de Roberson dizem tudo.

Outro que decepcionou foi o Galo, que, em casa, teve de suar para chegar ao empate com o seu xará de Goiás por 2 a 2, perdendo a chance de entrar no chamado G-4, dando chance ao Figueirense, que lá chegou ao bater o Furacão por 2 a 0, resultado que, somado aos demais do Atlético, coloca Adílson Baptista em maus lençóis. .

Os mesmos que envolvem o meu querido Falcão, cujo Inter foi a Curitiba, e mais uma vez não conseguiu vencer. Aliás, o empate por 1 a 1 puniu mais o Coritiba, que foi melhor do que o Inter a maior parte do jogo.

Notas relacionadas:

  1. AS DECEPÇÕES DO DOMINGO
  2. AS DECEPÇÕES DO ANO VELHO
  3. E COMEÇA A SARABANDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

quinta-feira, 16 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Libertadores | 00:33

SEM NEYMAR, 0 A 0, CLARO

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charge do iG Esporte

Neymar sucumbiu à marcação cerrada dos beques do Peñarol e, sobretudo, do juiz paraguaio. Logo, o empate por 0 a 0 era inevitável. Melhor para o Santos do que para o Peñarol, claro., pois aumentam as chances de o Peixe, no Pacaembu, levantar a taça continental pela terceira vez em sua existência.

Mesmo porque, no jogo da volta, deverá ter novamente Ganso em campo. E Ganso anda fazendo uma falta danada, apesar dos bons resultados obtidos pelo Santos na sua ausência.

Nesta noite de quarta, então, isso não podia ser mais flagrante. Sem Neymar infernizando lá na frente, restava o jogo coletivo com algumas centelhas ao menos e criatividade no meio de campo, já que a defesa cumpria estoicamente seu papel. E foi justamente o que faltou, embora Arouca, Danilo e Alex Sandro, sempre que possível, investiam pelo meio ou pela ala esquerda com propriedade.

Mas, esse é um jogo feito de espasmos, não aquele envolvente toque de bola, os passes exatos, essas coisas que diferem o time de excelência do time normal.

Claro, houve duas chances claras de gol perdidas por Zé Love, assim como outras duas por parte dos uruguaios, além daquele gol anulado com precisão pelo bandeirinha. Mas, pouco para partida de tamanha importância, principalmente para o Peñarol, que jogava no seu campo esburacado, embora digam que ele atue melhor fora de casa.

De qualquer forma, vale ressaltar, além dos três já citados, a presença serena e atenta de Rafael sob a trave, serenidade até surpreendente para tão jovem goleiro.

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR FILHO POR NEYMAR PAI
  2. O CASO NEYMAR
  3. CASABLANCA, NEYMAR E GANSO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

terça-feira, 14 de junho de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional, Libertadores, Seleção Brasileira | 15:47

CHEGOU A HORA DO PEIXE

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Depois de tantas peripécias – vai de avião, de ônibus (olha a cinza aí, meu!) -, o Santos, finalmente, desembarcou em Montevidéu para a primeira parte da decisão da Libertadores, contra o Peñarol.

Agora, resta Muricy definir o esquema e o time que vai jogar, sem Edu Dracena, Léo, Jonathan e Ganso, que até queria embarcar, mas os médicos vetaram, achando melhor o craque ficar pela Vila se cuidando para estar nos trinques no jogo da volta.

Quanto à tática a ser adotada, seja num 3-5-2, seja num 4-4-2 ou qualquer variação em torno desses temas, é quase certo que o Santos será mais cauteloso do que ousado. É natural, nesses casos. Mas, nem sempre aconselhável, sobretudo porque o Peñarol, se é meio estabanado na defesa, tem lá na frente um trio de respeito – Martinuccio, pretendido pelo Palmeiras, Míer e Oliveira.

Se deixar essa turminha manobrar a bola peto de sua área, o Peixe corre sérios riscos, sobretudo pela ausência de Edu Dracena, seu capitão e experiente zagueirão.

Mas, a verdade é que o Peñarol, mesmo em casa, não é de sair muito para o jogo, velha tradição uruguaia.

Por seu turno, o Santos tem ninguém menos do que Neymar, capaz de, sozinho, infernizar qualquer defesa, ainda mais aquele bando de mal-humorados botinudos, comandados por nosso velho conhecido Lugano.

Prevejo, pois, um embate renhido, com boas chances, porém, de o Peixe voltar de lá com suas escamas intactas.

DANILO NA MIRA DE MANO

Isso mesmo: Danilo, o volante e lateral do Santos, de excelente participação naquela conquista dos Sub-20 de Ney Franco, e que segue sendo o mais dinâmico parceiro de Arouca, no meio-campo peixeiro, está na alça de mira do técnico da Seleção, Mano Menezes.

Se continuar nesse pique, não me surpreenderia se fosse chamado na primeira convocação após a Copa América.

Essa revelação saiu de uma pergunta que lhe fiz, na resenha do Lellis, depois do Bem,Amigos, sobre as chances de Arouca ser chamado.

- Pô, não posso levar o time inteiro do Santos! Mas, o Danilo… Esse tem juventude, técnica, força e velocidade.

Arouca também tem. Mas deixe pra lá. Como diz Mano, as coisas vão se ajeitando com o tempo, um passo de cada vez, em direção à Copa de 2014. Passos que, segundo ele, conduzirão nosso time a um futebol mais ofensivo, com dois volantes, dois meias autênticos (um, armador; outro, mais ofensivo) e dois atacantes.

É mais do que uma promessa – uma convicção.

Que assim seja, pois.

A MORTE DO BRASIL

É  comum a turma aí me chamar de saudosista, ônus da idade e do tempo de serviço. Mas, garanto que estou ligado no meu tempo. Caso contrário, não estaria aqui e sim pedindo esmola na primeira esquina.

Pois, enfurnado na minha caverna de Ibiúna, passei esta tarde plúmbea e fria, como diria o poeta naquela noite na taverna refletindo sobre os mistérios da vida e da morte diante de um cálice de absinto, de olho na tv, assistindo à vitória da Dinamarca sobre a Bielorússia, pela Eurocopa Sub-21, acredite.

E o que vi? Um jogo interessante, sem ser nada excepcional. Interessante porque revela uma nova faceta do futebol mundial. Isto é: regiões do mundo onde até outro dia a bola era tratada com casca e tudo, hoje, é trabalhada com mais ciência e habilidade. As duas equipes buscando o gol, com esta ou aquela jogada individual de alta classe, como o gol de Jorgessen, que passou por três defensores adversários e tocou no canto, com categoria.

Em contrapartida, a publicação esportiva inglesa – 4-4-2 – decreta , em sólido artigo, a morte do futebol brasileiro. Quer dizer: aquele futebol brasileiro do imaginário europeu, em que a criatividade, a habilidade e a compulsão ofensiva se sobrepunham até mesmo às táticas e estratagemas, engendradas nos mais sofisticados laboratórios europeus.

Agora, sinto o tempo pesar sobre os meus ombros ao me ver ao lado de Thomaz Mazzoni, o Olympicus, que, há cinco, seis décadas atrás, investia contra os técnicos brasileiros, que ele chamava na extinta Gazeta Esportiva de alquimistas. Ou do comentarista sardônico do rádio e maior narrador de futebol da tv, Mário Moraes, o Leão, que preferia chamá-los de químicos.

O futebol no Brasil não morreu, é evidente. Mas, o futebol brasileiro, como espelho de suas mais caras tradições, agoniza há algum tempo, até mesmo quando levanta taças.

Não empolga, não anima a torcida ao ponto do paroxismo, seja nas exibições dos clubes, seja nas da Seleção. A última exceção foi aquele Santos do primeiro semestre do ano passado. De resto, é um lugar-comum frustrante, até para inglês ver.

A QUEM  INTERESSAR

Quero declarar, com carimbo oficial de cartório, que não viajo por twitter , face-book ou qualquer outra das tantas vertentes da Internet. Nunca invadi as áreas das tais redes sociais, além do blog que mantenho há anos no IG.

Tudo que tenho a dizer, expresso neste blog, na coluna no Diário de S. Paulo e nas participações nos programas da Sportv, Bem, Amigos e Arena, na qualidade de convidado remunerado.

Nada mais.

Digo isso porque outro dia recebi uma mensagem de um bloguista me esculhambando por ter tripudiado sobre o cadáver do Coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança nos tempos da ditadura militar.

Nunca o fiz, embora tivesse todo o direito, quando ele estava vivo, de fazê-lo, pois estávamos em lados opostos da vida. Sucede que, abstraindo-se as imensas diferenças ideológicas, tínhamos algo em comum: a boemia e o gosto pelo futebol. E, quando cruzávamos na noite, sobrepunha-se a cortesia, sem muita intimidade, claro, mas selada pelo simples fato de que ele era meu leitor assíduo e sempre queria comentar algo sobre minhas colunas.

Agora, é um bloguista que me cobra um absurdo, algo referente a eventual crítica minha a Pernambuco, misturando o bravo estado de Pernambuco a homicídios e tráfico de drogas. Nunca, jamais, fiz essa combinação em textos ou falas públicas, Nem particulares, porque nada tem a ver.

Algum calhorda anda se utilizando de meu nome nas tais redes sociais. Pois, aviso aos navegantes desse caótico mar da Internet: só respondo pelo que escrevo neste blog do IG, nas crônicas do Diário de S. Paulo e no que falo na tv. E só.

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. FLU E PEIXE NA HORA DA MORTE
  3. A LONGA JORNADA DO PEIXE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

segunda-feira, 13 de junho de 2011 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 17:25

AS CONTAS DO BRASILEIRÃO

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Pegue-se como exemplo os quatro primeiros colocados do Brasileirão, aqueles que, neste exato momento, seriam os indicados para a Libertadores do próximo ano, ao lado do Vasco, campeão da Copa do Brasil.

Nem o líder São Paulo, com seus números exuberantes – quatro vitórias consecutivas, sete gols marcados e apenas um sofrido – apresentou até agora um futebol empolgante. Sua melhor partida foi contra o Grêmio, na última rodada, mas nada que o amigo visse e sentenciasse – ah, esse ninguém segura!

Que dirá de Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro.

Mas, é inegável que todos são bons times, uns, mais técnicos; outros, mais cascudos. Alguns, com jogadores de alta classe, poucos, porém, para os padrões da história brasileira escrita nos gramados onde a bola rola.

Esse, porém, não é o caso em pauta, aqui e agora.

Quero me fixar nos números, que dão aos quatro vantagens sobre os demais candidatos, alguns deles com elencos que sugerem muito mais do que obtiveram até agora, tipo Flamengo, Fluminense, Inter e Cruzeiro, por exemplo. Vantagens mínimas, é verdade, sobretudo, se olharmos para o horizonte do Brasileirão que se estende por mais de trinta rodadas.

Mas, é aqui que vale uma reflexão. Tanto Luxemburgo, quanto Muricy, dois campeões em conquistas de Brasileirões, chegaram a tais recordes baseando sua estratégia nesta simples equação: em campeonatos de pontos corridos, lá e cá, cada jogo é uma decisão.

Sim, porque um pontinho obtido aqui, no começo das ações, quando o pessoal está meio distraído, pode significar a diferença, lá na frente, entre o campeão e o vice.

Mas, o amigo dirá que isso não é uma verdade absoluta, e logo sacará da memória aquele arranque espetacular do Flamengo na fase final de campeonato recente.

Tá certo: há exceções. Mesmo porque o Brasileirão, diferentemente dos demais campeonatos nacionais por esse mundão afora, tem sempre um número muito maior de clubes chamados grandes, candidatos naturais ao título, do começo ao fim.

Além do mais, há essa traiçoeira janela do meio do ano, quando, dependendo de quem sai ou entra por ela, pode alterar de vez o cenário armado nos primeiros meses de disputa.

Enfim, o que quero dizer com toda essa prosopopeia é que, como não temos por aqui um Barcelona ou um Manchester United, a ideia de uma progressão aritmética estará sempre ameaçada pelo caos das súbitas transformações desta ou daquela equipe.

A DIAGONAL

Um amável bloguista me pede lá embaixo que explique melhor essa história da Diagonal de Flávio Costa, citada em poste anterior.

Diz o leitor que, embora já bem vivido, nunca tinha ouvido falar nesse sistema denominado de Diagonal pelo saudoso técnico do Flamengo, do Vasco, da Seleção Brasileira, e de tantos outros times, nas décadas de 30,40 e 50.

Tenho aqui, na estante ao lado, um livrinho precioso que me foi presenteado pelo inesquecível jornalista Álvaro Paes Leme décadas atrás: A Evolução da Táctica no Futebol – WM, de Cândido de Oliveira, jornalista, escritor e técnico do Sporting e da Seleção Portuguesa nos anos 30/40, fundador da mais tradicional publicação esportiva de seu país, A Bola.

Nesse livro, Cândido de Oliveira (não confundir com o linguista famoso) conta como as táticas no futebol evoluíram das verdadeiras peladas inglesas do final do século XIX até o WM de Herbert Chapman, o formato mais perfeito para ocupar todos os espaços do retângulo gramado do jogo: três zagueiros (dois laterais e um central), dois médios de apoio, dois meias de ligação e três atacantes (dois pontas e um centroavante), implantado a partir de 1925 no Arsenal.

Por aqui, continuamos a jogar no sistema clássico – dois zagueiros (o stopper e o back, em que o primeiro saía para dar combate ao atacante e o outro ficava na espera), três médios, sendo que o centromédio, também chamado de Eixo, era a figura central da equipe, e cinco atacantes.

Pois bem, o WM só foi bater por aqui mais de uma década depois de sua implantação na Inglaterra e no continente europeu. Quem o trouxe foi um austro-húngaro chamado Dori Kruschner, contratado a peso de ouro pelo Flamengo.

Kruschner penou para fazer a turma entender como a coisa funcionava, mas, seu auxiliar, na época, Flávio Costa, um ex-médio violento como revela seu apelido de Alicate, pegou o pião na unha.

Fez uma pequena variação no esquema WM e o batizou de Diagonal, que pegou por aqui como um rastilho. E, no que consistia essa variação? Simplesmente, deformou o quadrado mágico de Chapman (dois apoiadores e dois meias), passando a jogar com um dos apoiadores um pouco mais recuado, outro, mais avançado, um  mais atrás, que deu origem ao meia-armador, e outro mais avançado, que resultou mais tarde no meia ponta-de-lança. Desenhou-se então uma diagonal no alinhamento dos médios e dos meias.

Como a crônica esportiva brasileira, sempre muito atrasada em relação às mudanças táticas, seguia escalando as equipes no sistema clássico – dois beques, três médios e cinco atacantes –, a diferença se percebia pelas características do apoiador ou volante, fosse pela esquerda, fosse pela direita.

Por exemplo, no Vasco, Expresso da Vitória dos anos 40, Eli era o apoiador, Danilo (que no fim de carreira, no Botafogo e América virou quarto zagueiro) o apoiador mais recuado, e Jorge o lateral-esquerdo, marcador do ponta-direita adversário.

Já no Flamengo, era o inverso: Biguá marcava o ponta-esquerda, Bria atuava um pouco mais atrás de Jaime, que passava a ser o volante mais ofensivo.

Na época, um rico cartola vascaíno, deslumbrado pela invenção, resolveu bancar a ida de Flávio Costa a Portugal para uma série de palestras sobre seu novo sistema revolucionário E o que recebeu de volta foi apenas o ceticismo de todos, sobretudo de Cândido de Oliveira, que definiu a Diagonal como apenas uma pequena e irrelevante variação do WM de Chapman.

Aqui, porém, a Diagonal reinou até fins dos anos 50, quando surgiu a figura do quarto-zagueiro (quarto porque foi o último defensor a juntar-se à linha de três zagueiros do WM) e, consequentemente, o sistema 4-2-4, que, de fato, era já um 4-3-3. Mas, essa é uma outra história que fica para uma outra vez.

Notas relacionadas:

  1. O BRASILEIRÃO E AS BOTAS DO TEXANO
  2. A GANGORRA DO BRASILEIRÃO
  3. BRASILEIRÃO DE RESULTADOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

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