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Arquivo da Categoria Clubes brasileiros

05/10/2009 - 15:59

A QUEDA DE TITE

Era inevitável: depois de meia dúzia de insucessos seguidos, o que rebaixou o Inter de forte candidato ao título a mero pretendente a uma vaga na Libertadores, o técnico Tite foi demitido.

Tite, embora tenha montado esse time campeão gaúcho e vice da Copa do Brasil, que tantas esperanças semeou no início da temporada e que se manteve firme lá no topo da tabela por quase todo o Brasileirão, nunca foi a menina dos olhos da torcida colorada. Ao contrário: mesmo na melhor fase do Inter, era duramente questionado por grande parte da galera – entre outras coisas, ranços da eterna rivalidade com o Grêmio, muito identificado com o treinador dispensado.

Mas, o que mais se questionava era sua aparente falta de ousadia na formação do time e nas substituições ao longo das partidas. Afinal, mesmo depois da perda de dois jogadores valiosos – Alex e Nilmar -, o Inter se manteve á tona. Só que, na hora de dar o bote decisivo, de partir pra valer em direção ao título, refluiu.

A gota d’água, sem dúvida, foi a derrota para o Coritiba, por 2 a 0. Uma derrota fruto mais da imposição anímica do Coritiba do que por eventuais superioridades técnicas.

Na transmissão pela Sportv, Milton Leite e Maurício Noriega tocaram na ferida: o Coritiba exalava vontade de vencer; o Inter, burocraticamente, esperava o tempo passar. E o tempo passou, sobretudo para Tite no Inter.

E agora? Bem, o Colorado tem duas alternativas à sua frente: uma, imediata; outra, mais a longo prazo.

Se quiser ainda buscar a faixa de campeão brasileiro, ou mesmo recuperar sua vaga na Libertadores, o que  está ao seu alcance, terá de chamar um técnico menos afeito às táticas e mais motivador, para mexer com a cabeça e a alma do time. Um desses técnicos de tiro curto, que chegam, chacoalham o elenco e obtêm efeitos imediatos, mesmo que não tenham estofo para longas empreitadas.

Mas, se considerar que o mais importante é investir num treinador de renome, estrategista e tal e cousa e lousa e maripousa, melhor seria promover o auxiliar mais habilitado, e tramar com calma a escolha e a contratação do novo técnico efetivo, pensando já na próxima temporada.

De resto, é esperar que os próprios jogadores tomem tento da situação e se desdobrem em campo, qualquer que seja o novo treinador, para impor sua melhor técnica, o que não é nenhuma tarefa impossível.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , ,
01/10/2009 - 20:12

JOGANDO NO COLO ALHEIO

Já vi esse menino Oscar, que virou a cara do jogo contra o Náutico, em alguns fragmentos passados, quando revelou extrema tibieza em seu jogo: quando era lançado, chegava depois, e, quando recebia, tocava para o companheiro mais próximo, como querendo se livrar da bichinha o mais rápido possível. Mas, nesta quarta, não. Entrou numa fogueira danada, e plantou sua bandeira na intermediária adversária: chegou antes nas divididas, driblou, chutou a gol, deu a assistência para o gol decisivo de Hugo e tal e cousa e lousa e maripousa.

Merece oportunidades mais assíduas no time principal, sobretudo porque o Tricolor carece de jogadores dessa estirpe e estilo. O fato é que o São Paulo, agora, jogou a bomba no colo dos demais candidatos ao título, que entram em campo neste fim-de-semana premidos pela necessidade da vitória. A começar pelo líder Palmeiras, que enfrenta o Santos no Alçapão da Vila.

É verdade que o Alçapão anda meio enferrujado. E, de vez em quando, abre-se aos pés do seu próprio dono, o que me lembra o verso antológico, não sei se de Orestes Barbosa ou de Noel Rosa, pois ambos são os autores do samba Positivismo: “…E também faleceu por ter pescoço/ O autor da guilhotina de Paris…” Trata-se, porém, de um clássico paulista, o que, naturalmente, reveste o jogo de fatores que transcendem apenas ao embate entre dois times desnivelados tecnicamente.

 O Palmeiras, porém, terá Cleiton Xavier de volta ao time, o que significa muito.

Tarefa mais amena caberá ao vice Goiás, que recebe o Botafogo no Serra Dourada. O Glorioso recebeu uma injeção de ânimo ao classificar-se para a próxima fase da Sul-americana, embora perdendo. Mas, o Goiás está voando.

Outro que não pode vacilar é o Galo, jogando no Mineirão contra o Barueri, sábado. O Atlético está animado, com razão, e deve aproveitar Diego Tardelli, sua maior estrela, enquanto a Seleção não engole o artilheiro carijó.

Já o Inter, que caiu fora desse mesmo torneio e que trepida no Brasileirão, se não bater o Coritiba, na casa do inimigo, certamente entrará no funil de uma crise cujo desfecho é imprevisível. E olhe que o Coxa, no Couto Pereira, não é mole, não, meu.

Quanto ao Corinthians, que já começa a aceitar a ideia de que não chegará lá, pelo menos, poderá começar a armar definitivamente seu time para a Libertadores. Para tanto, Mano Menezes cogita de utilizar Edno na meia-esquerda desde o início do jogo contra o Furacão. Periga, na verdade, encetar uma reação fulminante neste mesmo Brasileirão, pois – a não ser que os fatos me contariem -, Edno é desses jogadores capazes de acrescentar muito mais do que o esperado. Brasil olímpico

BRASIL OLÍMPICO

Nesta sexta. sai o resultado da grande disputa pela sede das Olimpíadas de 2016.

O Rio está bem nas paradas da mídia internacional, pau a pau com Chicago.

E fico me lembrando de um filminho de tv, desses seriados policiais, em que a vítima é uma dama membro do comitê de seleção das Olimpíadas. E o mandante é um maligno lobista pela realização do evento no Rio.

Claro, pura ficção, como advertem os créditos iniciais da fita, afora o fato de que os americanos gostam de cunhar de corruptos todos os que não hasteiam na porta de casa a bandeira de tricolor e estrelada. Já que o mais forte concorrente parece ser Chicago, ventos dos Obama…

Mas, cá entre nós, meu chapa, cultivo há tempos uma dúvida atroz: se a corrupção é o ofício mais antigo ou não daquele outro que a história costuma timbrar.

De qualquer forma – e por isso mesmo -, se a Olimpíada cair no colo carioca, será, tirando todos os sombrios prognósticos (nosso bolso assaltado, caos no trânsito etc.), um passo adiante.

Afinal, o índice de desemprego no país é ainda tão grande que não podemos nos dar ao luxo de abrir mão de frentes das frentes de trabalho que se abrirão nessa eventual situação.

Quem sabe as autoridades não tenham um pingo de juízo e cumpram todas as metas necessárias para a realização das Olimpíadas, e o tal legado social fique para sempre à disposição da população carioca?

Quem sabe? Oremos, irmão, oremos…

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Outros esportes Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
01/09/2009 - 16:02

INTER E GALO JOGAM O FUTURO

Esse é o jogo que pode determinar o futuro de dois dos principais candidatos ao título. Para o Galo, significa manter-se na zona de disputa, estancando a queda que se sucedeu aos tempos de liderança. Para o Inter, o fechamento do primeiro turno, neste último jogo recuperado, com o título de campeão virtual. Mais do que isso: o empuxe para a arrancada em direção à liderança, até agora ocupada pelo Palmeiras, que ainda não pode ser alcançado agora.

O jogo é no Beira-Rio, terreiro do Inter, que deve jogar com o mesmo time que deu um baile no Goiás, na goleada por 4 a 0, no fim de semana. E lá estarão os meninos Marquinhos e Giuliano, que brilharam ao lado ddos veteranos Magrão e Guiñazu.

Já o Galo vem sofrendo pela ausência de Márcio Araújo, que bem aciona a dupla de ataque Eder Luís-Tradelli, ponto alto da equipe. E, mesmo Renteria, que é um atacante nato, não está ainda nos trinques.

Resumindo: o Galo vai ter de buscar lá no fundo da alma o ânimo redobrado que faz parte de sua história para virar essa expectativa tão negativa.

CEM ANOS DE EMOÇÕES

O Corinthians, no dia em que celebra seus 99 anos de idade, deu o pontapé dos fstejos de seu centenário, palavrinha que está intimamente ligada com o clube, desde seus primórdios.

Sim, porque o Timão ficou conhecido como o Campeão do Centenário, em 1922, quando se comemorava o centenário da Independência do Brasil, com um time onde brilhavam suas duas estrelas mais cintilantes dos primeiros anos de existência: o centromédio Amilcar Barbuhy, eixo e líder da equipe, e o meia Neco, que disputava com Heitor, do Palestra, e Friedenreich, do Paulistano, a palma de melhor do Brasil.

E outro centenário, o IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo, em 54, entraria para a extensa galeria de troféus, graças àquele timaço de Gilmar; Murilo e Olavo; Idário, Goiano e Roberto; Claudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Simão.

Calma, Fiel, há muito o que falar sobre a história do Timão. Mas, há tempo de sobra, neste ano que começa a se desenrolar no calendário alvi-negro.

Por enquanto, espiemos o clássico desta quinta-feira, no Pacaembu. Logo um Corinthians e Santos, que marcou a história do Timão, principalmente nos amargos anos 50 (amargos, para o Timão; dulcíssimo para o Peixe de Pelé e cia.).

Nada a ver com essa breve lembrança: ambos estão se remontando no curso do campeonato, E, por isso mesmo, como prever o que acontecerá em campo? Desconfio, porém, que o Corinthians está um passo à frente do Santos nesse processo.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , , ,
28/08/2009 - 15:04

LOVE E SANDRO

Finalmente, o Palmeiras fechou o negócio. E que negócio! Vágner Love, a grande revelação verde das últimas décadas, voltou ao ninho antigo. E voltou num momento de alta da equipe, que carecia justamente de um atacante de sua linhagem, desde a breve e polêmica passagem de Keirrison pelo Palestra Itália.

É verdade que Obina vem quebrando um galhaço ali no comando do ataque palestrino. Aliás, a chegada de Vágner não obrigatoriamente exclui a presença de Obina no mesmo ataque, embora mais judicioso seria colocar pelas beiradas alguém no estilo de Willians ou Marquinhos, se recuperado, tecnicamente, ao nível do que apresentava na temporada passada.

De qualquer forma, com Diego Souza e Cleiton Xavier criando jogadas para Love, o Palmeiras, já líder, ganha uma força extra para arrancar de vez em direção ao título.

A VEZ DE SANDRO

Confesso que não me surpreendo com a convocação do menino Sandro, do Inter, para o lugar de Josué na Seleção Brasileira que vai enfrentar a Argentina e o Chile, na sequência das Eliminatórias.

O rapaz joga muito bem e tem sólido currículo nas categorias de base da Seleção Brasileira. Sim, claro, Pierre, o maior ladrão de bola do futebol brasileiro há duas temporadas, mereceria também essa chamada. Aliás, Pierre tem um perfil técnico e físico mais semelhante ao de Josué do que Sandro: sai mais para o jogo, é veloz e erra poucos passes.

Hernanes também seria outra boa indicação, já que voltou a jogar bem. E não se iluda o amigo com esse papo de que Hernanes não poderia ser primeiro volante. Bobagem. Já foi, e com alto rendimento.

Mas, não considero isso um problema. O problema é que já temos um excesso de volantes na Seleção. E uma carência atroz de meias. Dunga, portanto, poderia reequilibrar um pouco esse setor com a convocação de um Diego Souza, m Cleiton Xavier, um Diego, que está jogando muito na Juventus, enfim, alguém com esse talhe técnico.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Ex-jogadores, Seleção Brasileira Tags: , ,
26/08/2009 - 17:12

À GALEGA

Conselheiro aconselha, pois não? Pelo menos, é o que sugere o nosso português. Mas, a última flor do Lácio, na casa portuguesa, recebe uma leitura inversa: conselheiro não aconselha – xinga, ameaça, e, por fim, provoca a saída do técnico Renê Simões, recém contratado, e coloca em xeque a permanência de seu melhor jogador, Edno.

Depois, reclamam que a Lusa é impedida de voltar aos seus dias de glória por culpa dos juízes, da imprensa, do diabo a quatro.

A propósito, até o Vasco, co-irmão de sangue e cruz, clama por justiça, por ter sido ameaçado pelos seguranças armados da Lusa.

Bem, sou de um tempo em que Lusa e Vasco eram unha e carne. Dois dos timaços mais poderosos e encantadores do futebol brasileiro, na década de 50. Tão íntimos, que viviam trocando craques de lá pra cá, de cá pra lá.

Só assim de cabeça, sem pesquisa, lembro-me de alguns famosos à época que trocaram de camisa: Pinga, Simão, Carlos Alberto Cavalheiro – único amador entre tantos profissionais, por ser oficial do Exército -, Ipojucã, Edmur, sei lá quantos mais.

Ah, sim, e houve o caso rocambolesco de Mário Américo, considerado então uma estrela do futebol, como massagista bicampeão do mundo pela Seleção. Tanto, que foi eleito vereador por São Paulo.

Numa certa noite sem lua, Mário Américo arrumou sua trouxa e escafedeu-se de São Januário em direção ao Canindé.

Ele era o único de quem o Vasco não abria mão. Então, fugiu para os braços da Lusa. Inevitável.

ESSE MEIAS…

Esses moços, pobres moços…, como dizia o gaúcho imortal Lupiscínio Rodrigues, no samba-canção célebre, pouco sabem sobre um passado sem imagens. Não é culpa deles, mas, sim, das gerações que os antecederam, num país que cultiva apenas a juventude e apaga a memória ao nascer de cada dia.

Os americanos e os europeus buscam, desde sempre, manter vivas as lembranças de épocas passadas, com registros que remontam até ao final do século 19. Nós, infelizmente, mal guardamos sequer os feitos prodigiosos de Pelé, cenas dos anos 60, o maior atleta do século 20.

Não temos à mão, uma imagem viva de Fried, raríssimas de Leônidas da Silva, de Zizinho, de Jair Rosa Pinto, de Didi, de Ademir da Guia, Gérson, enfim, os grandes meias armadores da nossa história. E aqui estou excluindo os outros meias, pontas-de-lança, os meias ofensivos, tipo Kaká, por exemplo.

Na verdade, eles funcionavam como segundos volantes, de acordo com a nomenclatura atual.
Marcavam e armavam. Marcavam como volantes ou médios, e armavam como meias, com as exceções de praxe, como Rivellino, Jair, Aílton Lira etc, que apenas armavam e não marcavam.

O que mudou de lá pra cá foi a cabeça dos nossos treinadores, que, por segurança excessiva, preferiram abdicar desse tipo de jogador por um segundo volante,  transformando-o num terceiro jogador de meio-de-campo.  O que já se revela, sobretudo nos principais times da Europa um retrocesso, não um avanço como querem nos fazer acreditar.

A FRESTA DA JANELA

A janela europeia já começa a fechar – faltam quatro dias -, e os clubes brasileiros estão praticamente incólumes. Houve algumas defecções, é verdade. Mas, nada traumático.

É que o cenário mundial mudou, com a crise econômica global. Os clubes europeus preferiram, pelo jeito, investir em contratações dentro de sua comunidade, o que lhes dá mais segurança. Isto é: se investirem em jogadores que já estejam em atividade na Europa, podem utilizá-los de imediato, pois esses já estarão habituados aos usos e costumes do continente.

Já um jogador que sai daqui pela primeira vez exige um tempo de adaptação, em geral, um ano. Casos como o de Kaká, que desembarcou no Milan e saiu jogando tudo o que sabe são raras exceções.

Contudo, antes de abrirmos o champanhe da celebração, é bom ficar com um pé atrás, até a o trinco da janela virar. Pois, esgotadas todas as possibilidades externas, os europeus virarão sua mira para este continente, em recurso extremo.

JOGO ISOLADO

Botafogo e Cruzeiro se enfrentam nesta quinta no Engenhão, ambos com um jogo a menos do que a maioria. O bota está lá embaixo; o Cruzeiro, quase. Jogo, portanto, decisivo para ambos: um, para sair do sufoco; outro, para encetar a reação que o poderá levar ao G-4. Desconfio que seja o ponto de inflexão dos azuis. Apenas desconfio.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Ex-jogadores Tags: , , , ,
23/08/2009 - 00:19

O ENIGMA AZUL DO VERDÃO

Che tremenda confusione!, exclamaria nas páginas da Fanfulla, jornal da colônia italiana, o jornalista Vicenzo Ragognetti, um dos fundadores do Palestra Itália, se vivo estivesse, ao se referir às várias versões fornecidas pela imprensa, em geral, sobre o uniforme azul e branco com que o Palmeiras reverenciou, sábado, suas origens.

Houve até quem dissesse que o Palestra só usou essas cores duas vezes na vida, confundindo o azul primevo com aquele da decisão do Campeonato Paulista de 54, contra o Corinthians.

Na verdade, o alvi-verde, oficialmente, estreou vestido de alvi-celeste. Mais precisamente de branco, com a cruz branca inserida no escudo vermelho no lado esquerdo do peito, pois seu adversário – o Savóia, de Sorocaba, também fruto da imensa colônia italiana da época -, como sugere o nome, era igualmente azul e branco.

Isso ocorreu exatamente no dia 25 de janeiro de 1915, em pleno desenrolar da Primeira Guerra Mundial. Era um jogo beneficente, cuja renda (200 contos de réis) destinou-se à Cruz Vermelha italiana.

Na versão em que o azul predominava, era essa mesma que o amigo viu no jogo contra o Inter: camisa azul, cortada por uma faixa branca larga no meio do torso, o escudo em vermelho, com a cruz branca no centro.

Isso está documentado no livro Palmeiras, a Eterna Academia, editado pela DBA e de autoria deste que vos fala. Basta conferir nas páginas 12 e 13 as fotos das formações do Palestra Itália dos anos 15 e 16, em branco, ou em azul e branco. Ainda que as fotos não sejam coloridas vê-se claramente que as partes mais escuras batem com o azul, não com o verde. Esse azul remete à Casa de Savóia, última dinastia italiana, regida por Vittorio Emmanuelle.

Só mais tarde, é que o Palestra Itália adotou o uniforme com as cores de Garibaldi, o unificador da Itália: verde, branco e vermelho – camisa verde, golas vermelhas e o escudo, um círculo vermelho com o P e o I entrelaçados, em letras douradas. O vermelho manteve-se apenas no escudo até cair fora quando, na Segunda Guerra Mundial, o Palestra virou Palmeiras, só verde e branco.

Já a história da camisa azul que o Palmeiras usou na decisão com o Corinthians, em 54, é outra. Dizem que o presidente da época, Paschoal Walter Byron Juliano,tremendamente supersticioso, seguiu apenas os conselhos de um Pai de Santo, que lhe assegurou a vitória se engessasse o pé e vestisse o Verdão de azul. O Corinthians foi campeão, como todos sabem.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Clubes brasileiros Tags: ,
21/08/2009 - 01:20

ÊTA JOGO BOM DE SE VER

Uni, duni e tê… pronto, deu Náutico e Goiás, como poderia ter escolhido Galo e Avaí ou o clássico do Maracanã, Flamengo e Cruzeiro.

Então, acomodo-me na poltrona, e fico ali, ó, só me deliciando com um jogo rápido, envolvente, quase hipnótico. Os dois times se enfrentam de peito aberto, lá e cá, e a bola ronda as duas metas, até que os timbus começam a tomar conta das ações, e chegam ao seu gol, em cruzamento de Michel que o zagueiro goiano Leandro Eusébio empurra inadvertidamente para as próprias redes.

O mesmo Michel que mandara antes uma bola na trave de Harley.

Sucede que, no segundo tempo, o Goiás veio armado para virar esse jogo, embora Dacosta, logo aos 7 minutos, perde gol feito, ele, a bola e o goleiro. Por cima. A partir daí, o Goiás enreda o Náutico numa trama vertiginosa, mas inconsequente, ainda que metesse uma bola na trave, até que o técnico Geninho mexe aqui, mexe ali, e o Náutico reemerge para, no finzinho, selar o placar, com Anderson Lessa.

Ah, se todos os jogos fossem assim…

NO MINEIRÃO E NO MARACANÃ TAMBÉM

A propósito, o jogo do Mineirão foi mais ou menos isso, segundo os relatos dos que o viram e os excertos exibidos pela tv: um 2 a 2 de provocar síncopes, já que o Atlético vencia por 2 a 0 ainda no primeiro tempo, meteu bola na trave e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, no segundo, o Avaí reincorporou aquele espírito de invencibilidade que o vem insuflando nas últimas dez rodadas, e chegou ao empate.

Assim como dizem que a virada do Cruzeiro sobre o Flamengo, no Maracanã, também provocou altas doses de emoção. Emerson abriu a contagem de cabeça, enquanto Diego Renan e Fabrício mantiveram o Galo ainda na bica de disputar o título com Inter, Goiás, São Paulo e Palmeiras, os degraus a serem percorridos pelos mineiros daqui pra frente.

AÔ, BELLÚ!

Lá no velho Brás dos italianos dizia-se, que quando um calabrês morde as juntas do indicador, é hora de correr pra debaixo da cama e acender uma vela, pois a vingança será malígna.

Então, fico imaginando a cena: o professor Belluzzo, amigo de velha data, mestre em economia e nas artes da política, refinado homem de letras, ex-ministro de Estado, de repente, dá uma mordida nas juntas do indicador, arregaça as mangas, mete o pé na porta do diretor de árbitros da CBF, invade o seu gabinete, agarra-o pelo cangote e, Dio Mio!, ataca sua carótida a dentadas mortíferas.

É sangue por todo lado.

Dirá o amigo leitor que estou variando, quem sabe vítima da gripe suína (sem nenhuma outra alusão, creia). Estou mesmo. Mas não à toa.

É que ouvi no rádio o presidente do Palmeiras declarar, com toda aquela calma que antecede a tempestade,  que tem tentado em vão reclamar civilizadamente das arbitrragens, que, segundo ele, andam prejudicando demais o Verdão. Mas, que, se não houver mudança de rumos, o sangue calabrês lhe subirá à veneta, e aí…

Bem, sugiro a nossos atilados repórteres que fiquem de olho no professor. Se, num dado momento, ele levar o indicador dobrado à boca… área, meu, área!

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , , , , , ,
17/08/2009 - 16:27

O QUE MUDAR

O primeiro turno do Brasileirão acabou. E não acabou, pois ficaram faltando três jogos que, simplesmente, podem definir o campeão virtual desse período e os demais integrantes do G-4, aquele que assegura vagas na Libertadores.

O Inter, aclamado como o melhor elenco do país no início da competição, com toda justiça, tem ainda dois jogos a cumprir, o que, em caso de dupla vitória, lhe dará a liderança isolada do campeonato, o que é sempre um forte impulso anímico para a fase final. Assim como o Galo, que liderou boa parte do certame, tem que fazer mais um jogo, cuja eventual vitória o recolocará no topo da tabela.

Por enquanto, o Palmeiras espia os demais de cima pra baixo. E é muito possível que vire o turno nessa nobre posição. E, mesmo que venha a perder o posto, tem time para seguir brigando pelo título, sobretudo, depois de Robert entrar nos trinques e se vierem os reforços pretendidos, dentre eles, Vágner Love.

Com a arrancada do São Paulo nas últimas rodadas, a grande decepção ficou por conta do Cruzeiro, um dos tantos candidatos habituais ao título. Depois da inesperada perda da Copa Libertadores em casa, mais as saídas de jogadores do porte de um Ramires e de Wagner, os azuis não conseguem se elevar a um patamar digno de sua história na tabela de classificação.

E é nesse cenário que volta á tona a discussão sobre a adequação do nosso calendário ao europeu, com o objetivo de definir melhor as equipes brasileiras para a disputa desse torneio, o mais significativo do país.

Já fui ferrenho defensor dessa idéia, no tempo em que a grande ameaça era o futebol europeu. Mas, hoje, tenho minhas dúvidas. Afinal, outros mercados fortes emergiram mais recentemente, para os quais não há janela, nem tempo de trocas: os fragmentos da antiga União Soviética, os árabes, os turcos, japoneses, coreanos, o diabo a quatro. Imagine só o amigo quando a China, uma economia em franca ascensão, entrar em campo…

Que nosso calendário precisa de fortes ajustes, não tenho a menor dúvida. Mas, talvez, não exatamente no sentido de adaptá-lo ao europeu, o que ainda não descarto de vez. Mas, sim, com vistas à elevação do nível do espetáculo, transformando-o em algo mais atraente para quem paga os ingressos nos estádios ou as assinaturas de tv a cabo ou por satélite.

E isso começa por uma pré-temporada decente, em que os clubes possam afiar músculos e técnica de seus times. Em que possam partir para uma interatividade com a elite do futebol mundial, seja patrocinando torneios internacionais aqui, como deixamos de fazer há muitas décadas, seja excursionando pelos grandes centros ou mesmo em ricas áreas emergentes.

Para tanto, terá de reformular drasticamente os tais campeonatos estaduais, pelo menos, nos principais centros do país, para que eles, estes sim, se adequem à nova realidade global.

De resto, é esperara que nossos cartolas tenham juízo, que nossos treinadores percam esse medo atávico de perder, e que a economia do Brasil cresça o suficiente para, ao menos, competir com esses novos mercados periféricos que avançam sobre nossos talentos com mais avidez até do que os europeus tradicionais.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , , ,
10/08/2009 - 17:13

AMANHÃ SERÁ OUTRO DIA

Mais três treinadores de certa nomeada estão na rua: Renê Simões, defenestrado pelo Coritiba, e Ney Franco, demitido pelo Botafogo, e Paulo César Carpegiani, dispensado pelo Vitória. Nenhuma surpresa, pois essa é a ciranda do futebol brasileiro, desde que Charles Miller desembarcou em Santos com as duas bolas primevas, há mais de século.

E a expectativa é sempre a mesma: quem sabe a troca de técnico não energize o elenco e o time sai do ramerrão em que se encontra? Às vezes, dá certo; muitas outras, não.

Agora mesmo, o amigo pode apontar o dedo para Ricardo Gomes, que chegou ao São Paulo tricampeão brasileiro mas em baixa preocupante, com um currículo ralo, e, de repente, encaminhou o time para uma reação que já o coloca nas fímbrias da disputa pelo título.

E Jorginho, no Palmeiras? Recebeu do justamente afamado Luxemburgo uma equipe que oscilava lá pelo quinto/sexto lugar na tabela, e, em meia dúzia de rodadas, elevou-o ao topo da classificação, entregando-o de mão beijada para Muricy, o ex-super campeão do São Paulo.

Mas, poderia arrolar aqui uma lista telefônica de trocas de treinadores que resultaram apenas em tantas outras trocas, sem nenhum avanço.

Essa impaciência somada ao desejo quase mágico de que, num toque da varinha nova, tudo se transforme, na verdade, está encruada na alma do brasileiro, que apenas se projeta no futebol, enfim um mero espelho de nossa paisagem emocional.

Vota-se pra valer somente no presidente da República, logo elevado à condição de alguém capaz de, num gesto prodigioso, acabar com a corrupção, eliminar o desemprego, botar pão na mesa dos famintos, livrar-nos, enfim, de todo mal, amém. Simples impulso, nenhuma capacidade de tentar entender o todo pelas partes. Nenhum projeto. Ou vários, que não se sustentam diante da primeira adversidade.

Amanhã, será outro dia, como descanta o poeta popular, esse é o nosso lema, quando amanhã não passa da véspera de um outro dia qualquer.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros Tags: , , ,
27/07/2009 - 15:34

O MILAGRE DE OBINA

Que milagre é esse, meu? Eis a questão recorrente: o cara que não fazia um golzinho sequer, nem de pênalti, havia quase um ano no Flamengo, de repente, desembarca de graça no Palestra Itália e desanda a marcar, coroando esse renascimento do artilheiro com três gols contra o arquirrival Corinthians.

Claro que estou falando de Obina. Mas, não há milagre algum, a não ser aquele quase imperceptível que ocorre todo dia com cada um de nós, em qualquer ofício.

No futebol, então, casos como esse são escrachados, evidentes, comuns e repetidos ao longo da história.

Há a estirpe dos artilheiros-craques, aqueles seres especiais que sabem jogar bola num alto nível técnico, donos de habilidades incomuns, que somam a isso tudo a vocação rara de enfiar as bolas nas redes com mais rpecisão do que os demais. Pelé, Zico, Careca, Romário, Ronaldo Fenômeno etc. E há os goleadores que só foram ungidos com o dom de fazer gols, de técnica e habilidade reduzidas.

Ambos estão sujeitos às marés de sorte e azar, períodos de fausto e de estiagem, que se alternam ao longo de suas carreiras. Quando a lua não lhes é propícia, suprem a ausência de gols com passes medidos, dribles inesperados, jogadas deslumbrantes, essas coisas, que, aos olhos da multidão, acabam compensando a ausência de gols.

Já os goleadores da linhagem de Obina, ou fazem gols o tempo todo, ou caem em depressão, pois não contribuem para o time e para o espetáculo com nada mais do que aquele toque final à redes. E, à medida em que perdem gols feitos, perdem também a auto-confiança, num ciclo vicioso que parece interminável.

Então, vem o coro das arquibancadas, amplificado pela mídia: Grosso!

E aí o cara desce aos infernos.

É muito comum o artilheiro desprezado por este clube renascer naquele outro.

Flávio, o Minuano, e Mirandinha foram execrados pela Fiel nos anos 60 e 70, para renascerem no Fluminense, no Inter e no São Paulo, com direito a vagas na Seleção. Citei dois exemplos antigos, mas poderia acrescentar casos de hoje, como Washington, que ficou aí umas rodadas a seco e já pediam a cabeça do rapaz. De repente, voltou a marcar.

Essa é a vida do artilheiro, de ontem, de hoje, de sempre.

A AUSÊNCIA DE RONALDO

Por falar em artilheiros, veja só o caso de Souza, no Corinthians.

Souza é, tecnicamente, irmão gêmeo de Obina. Fez gols por onde passou, desde o Vasco até o Flamengo, mas também passou longos períodos de estio.

Chegou ao Corinthians para segurar as pontas de um Ronaldo em recuperação, uma incógnita à época. previa-se, então, que ambos se alternariam no comando do ataque corintiano, reservando-se Ronaldo para os grandes momentos.

Mas, Ronaldo surpreendeu e Souza jamais conseguiu justificar sua contratação.

Agora, com Ronaldo baixando enfermaria porcinco semanas, seria a chance de Souza se afirmar. Mas, quem confia? Pior: se entrar no time agora, ficará inapto para ser transacionado com qualquer outro clube da Série A do Brasileirão.

O diabo é que, no atual elenco corintiano, não há nenhum substituto à vista.

Tanto pode entrar e resolver a questão, quanto afundar-se definitivamente, levando consigo um time que vinha tão bem, antes de começar a perder alguns de seus principais jogadores.

É uma faca de dois legumes, como diria o saudoso presidente corintiano, Vicente Matheus.

FLA À DERIVA

Fragmentado lá em cima, pelas desavenças políticas, o Flamengo sai à cata de um treinador para substituir Cuca, demitido outro dia.

Assim de nome feito e técnico de longo curso, caiu na praça Leão, depois de se desaver com a diretoria do Sport. Mas, sobretudo, pelos maus resultados que baixaram o Leão à zona do descenso. Mas, Leão é tão complicado… E o Flamengo, ainda mais.

Na verdade, ao que se saiba, o Fla iniciou conversações com Mancini, defenestrado há pouco pelo Santos, mas mantém um olho em Sérgio Guedes, dois emergentes de competência comprovada, mas estilos diferentes.

De qualquer forma, Andrade, o sucessor de Carlinhos como eterno interino, vai ficando. Quem sabe, não fique o tempo necessário para que o Fla ponha a cabeça no lugar?

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Treinadores Tags: , , , , ,
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