Campeonatos Estaduais | Blog do Alberto Helena Jr.

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segunda-feira, 14 de maio de 2012 Campeonatos Estaduais | 15:32

NEYMAR TOTAL

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Os números do iG Futebol sobre o desempenho de Neymar apresentados aqui no Esporte do iG são impressionantes: além de levar a palma de artilheiro do Paulistão, com 20 gols, sete a mais do que o segundo colocado, e de melhor jogador do torneio, segundo eleição da FPF e do jornal Diário de S. Paulo, Neymar destaca-se em todos os outros quesitos pesquisados – assistências, dribles, posse de bola e até em desarmes (26 concluídos em 27 tentados).

Leia mais: Neymar atropela rivais e comanda Santos no tricampeonato paulista

Quer dizer: não só brilha individualmente, como contribui em alta dose para o coletivo. Joga todas, nem sabe onde fica a porta da enfermaria do clube, e, em menos de quatro anos como profissional, já abarrotou sua estante de troféus com uma galeria dourada de títulos: campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e tricampeão paulista, se é que não me escapa mais algum. Em todos, foi o principal protagonista e artilheiro de seu time. O que mais se pode exigir de um craque?

Neymar ficou só de cueca após título do Santos no Paulista

Ah, sim, o carisma, essa capacidade intrínseca de atrair em torno de sua imagem multidões. Pois, também aqui Neymar lidera a lista. A tal ponto de estar prestes a reproduzir na Vila o fenômeno de arregimentação que só Pelé conseguiu na virada dos anos 50 para os 60. Isto é: fazer a cabeça de toda uma geração de garotos e garotas, que já começam a se bandear dos clubes de seus pais para o Santos de Neymar.

Veja ainda: Números do iG Futebol contestam seleção dos melhores do Paulistão

Como estimar o valor disso? Quanto vale criar uma geração inteira de novos torcedores de um clube que, depois de Pelé até Robinho, mais perdia do que ganhava novos adeptos? Esse é um patrimônio para todo o sempre, não tem preço.

E isso se deve muito à coragem e inteligência do presidente Luís Álvaro, que bancou o que parecia até então impossível, o de manter Neymar na Vila a qualquer custo.

Por fim, outro detalhe relevante, talvez até mais do que tudo que foi dito antes: Neymar é o símbolo, hoje, do resgate do nosso verdadeiro futebol, moleque, criativo, incisivo e inexplicável, porque mágico. Seu jogo não cabe em qualquer formulação pseudocientífica, ou em traçados táticos e estratégicos que povoam a mente dos treinadores, e esse sempre foi nosso maior trunfo diante do resto do mundo.

E o mais gratificante é saber que esse menino está apena dando seus primeiros chutes nos campos de futebol, transformando-os em autênticos campos dos sonhos.

A SELEÇÃO DO CAMPEONATO

Nesta noite serão entregues os prêmios para os melhores do Paulistão, a saber: Rafael; Oziel, Dracena, Rodolfo (nego-me a acrescentar aqueles agás fora de esquadro) e Cortez; Assunção, Paulinho e Ganso; Lucas, Hernani e Neymar.

O que se pode depreender dessa escalação, concordemos ou não com este ou aquele nome?

Em primeiro lugar, que o Corinthians, campeão brasileiro e líder da fase classificatória, a mais longa do torneio cede tão somente Paulinho, que realmente esmerilhou, prova de que o Timão é mais conjunto do que individualidades.

Em segundo lugar, que a distribuição tática dessa equipe representa um avanço em relação às formulações dos últimos dez anos, por baixo, pois se configura num claro 4-3-3, sistema resgatado pelos grandes centros europeus há um bom tempo.

De resto, é dizer que meu lateral-esquerdo seria Fábio Santos, pelo enorme significado desse jogador para o time corintiano, como um todo, embora Cortez, tecnicamente, seja mais bem dotado e tenha feito um excelente campeonato.

Assim como Arouca ocuparia o posto de Assunção. Mas, como substituir aquele que foi a peça principal do Palmeiras, com suas bolas paradas mortíferas?

Notas relacionadas:

  1. NEYMAR, FRED, KAKÁ, GANSO E PATO
  2. BÊNÇA, DORIVAL, POR ESSE SANTOS
  3. NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR, NEYMAR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

domingo, 22 de abril de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 18:59

FLA E TIMÃO, NAÇÕES EM TRANSE

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As duas maiores nações do Brasil do futebol estão em transe neste fim de domingo.

No Rio, o Flamengo levou de 3 a 2 do Vasco e perdeu a última chance de conquistar qualquer título neste primeiro e desastroso semestre, num jogo em que o veterano e talentoso Felipe deu as cartas e jogou de mão. Entre outras coisas, deu o chute que seu xará rebateu nos pés de Eder Luís, no primeiro gol, e marcou os outros dois – um tiro certeiro de fora da área e uma cobrança de pênalti.

Já o Mengo viveu apenas da expectativa de Vagner Love, que marcou o primeiro (o segundo, um belo tiro de Kleberson de média distância), e se mexeu lá na frente o tempo todo.

Moral da história: enquanto o Vasco parte pra cima do Botafogo em busca do título da Taça Rio, o Flamengo mergulha ainda mais fundo na crise que aponta seu dedo acusador para Joel e Ronaldinho Gaúcho, que, mais uma vez, não fez a tal diferença.

Em São Paulo, o Corinthians, primeirão em tudo, invicto há doze jogos e tal e cousa e lousa e maripousa, caiu da Ponte, por 3 a 2, e, quando reemergir será para assistir de longe as semifinais do Paulistão.

Mas, se há espaço de sobra para a decepção no Parque, não há nenhuma razão mais forte para crise alguma. Afinal, se a Ponte foi melhor no primeiro tempo, quando fez 2 a 0 (no primeiro gol, em tiro longo, forte e rasteiro no canto, falha do goleiro Júlio César, que falharia também na saída da meta, no terceiro, de Pimpão), o Corinthians lutou e quase chegou ao empate que levaria a decisão aos pênaltis.

FAVORITOS SEM SUSTOS

Santos e Inter, por seu lado, nem foram surpreendidos, nem passaram sequer pelos sustos habituais em jogos decisivos como os que feriram nesta tarde de domingo, contra Mogi e Veranópolis.

O Inter já saltou para a final da Taça Farroupilha, em mais um Gre-Nal de arrepiar, ao golear o Veranópolis, com um pé nas costas: 4 a 0, na volta auspiciosa de Dagoberto à equipe.

E o Santos, depois de passar pelo Mogi por 2 a 0, em mais uma tarde de Neymar, que deu passe magistral para Maranhã abrir a contagem, e selar o placar com um golaço, em que passou por dois e tocou no canto, pegará nas semifinais do Paulistão, nada menos que o São Paulo – o encontro de dois ataques arrasadores.

PELAS OROPAS

Na Espanha, o Barça já jogou a toalha, ao perder para o Real, que já está com o pano de lustrar a taça na mão. Na Alemanha, o Dortmund já deu a volta olímpica do bi, ao vencer outro dia o Bayern e completar a missão no sábado diante do M’Gladbach.

Mas, na Inglaterra, a disputa pelo título pegou fogo neste domingo, com o insólito empate do United e a vitória do City, às vésperas do encontro decisivo entre ambos na outra segunda-feira.

Empate insólito porque os Diabos Vermelhos venciam por 4 a 2, de virada, dominavam o jogo, e, logo depois de Evra meter de cabeça uma bola na trave do Everton, em menos de dois minutos, já no finzinho, tomou os dois gols que recolocaram o City no páreo.

Já o City, em novo show de Tevez, meteu 2 a 0 no Wolverhampton, gols de Aguero e Nasri, e ficou a uma vitória do United, seu próximo adversário. E, cá entre nós, apesar do carisma eterno do United, hoje em dia, o City é mais time, sobretudo porque melhor e maior elenco.

Mas…

Notas relacionadas:

  1. PEIXE, TIMÃO E FLA
  2. TIMÃO, INTER, MENGÃO E TRICOLOR
  3. TIMÃO E TRICOLOR, IGUAIS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sábado, 21 de abril de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros, Sem categoria | 18:06

SÁBADO DE GOLEADAS

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São Paulo e Botafogo ganharam seus respectivos jogos decisivos marcando quatro gols cada, enquanto o Grêmio foi à final do Gauchão batendo o Universidade apenas por 1 a 0.

Mas, a verdade é que o Tricolor gaúcho merecia, por baixo, ter alcançado o mesmo placar de seus pares paulista e carioca, pois perdeu um caminhão de chances em jogo que esteve sempre sob seu domínio.

Assim como também é verdade que os 4 a 1 do São Paulo sobre o Bragantino, pelas quartas de final do Paulistão não refletem a superioridade do Tricolor paulista, que, além de oportunidades desperdiçadas, meteu duas bolas nas traves adversárias e ainda perdeu um pênalti, com Luís Fabiano, autor de dois gols de sua equipe, diga-se.

Aliás, fato similar ao que aconteceu com Loco Abreu, que fez três na vitória por 4 a 2 diante do Bangu e desperdiçou um pênalti também, o sexto dos últimos sete cobrados pelo artilheiro uruguaio.

De qualquer forma, tanto o Loco quanto o Fabuloso, saíram de campo sob aplausos da torcida. Mesmo porque o goleador tricolor completou nesse jogo onze tentos marcados em onze partidas disputadas nesta temporada.

Mas, aqui quero bater palmas para os treinadores das duas equipes – Leão e Osvaldo Oliveira, que, em jogos tão delicados, não frearam suas equipes, colocando em campo formações claramente ofensivas.

E os frutos foram colhidos nas redes inimigas – um balaio de gols.

DOMINGO DE FAVORITOS

O domingo será um festival de decisões e clássicos, em que apenas dois são absolutamente imprevisíveis: Vasco x Flamengo, pelas semifinais da Taça Rio, e Atletiba, que pode praticamente definir o campeonato paranaense, caso o Coxa vença.

São dois jogos que não permitem a indicação de um favorito, seja pela equivalência de força técnica, seja pela tradição dos clubes em questão.

A vantagem que o Vasco leva sobre o Flamengo é certa tranquilidade advinda do fato de estar firme na Libertadores, sempre um respaldo na eventualidade de nem chegar à disputa direta pelo título carioca.

O Flamengo, ao contrário: justamente por ter caído fora na fase de grupos do torneio continental e ter perdido a Taça Guanabara para o Fluminense, periga encerrar o semestre sem nenhuma conquista e com baixa expectativa para o Brasileirão, apesar de seu elenco milionário, onde os garotos é que se destacam, ao lado de Vagner Love.

Tudo isso envelopado por uma daquelas crises sem fim, às vésperas das eleições no clube e outros bichos.

Sucede que esses clubes de massa, justamente nessas circunstâncias, é que costumam dar a volta por cima. Portanto…

Já o Coritiba, que lidera o segundo turno do paranaense, a exemplo do que fizera no primeiro, se vencer o eterno rival, praticamente selará a disputa estadual. Por isso, é de se esperar um Atlético ensandecido atrás da vitória, mesmo sendo o jogo no Couto Pereira. Vai sair faísca.

Outro clássico, redivivo como tal nos dois últimos anos, pode entrar nessa lista.

Falo, claro, de América MG e Cruzeiro, que vem embalado pela virada sobre o Chapecoense na Copa do Brasil. Sei não, mas acho que a maré está mais pra azul do que pra verde, embora as praias de Minas estejam lá do outro lado da fronteira com o Espírito Santo.

Na outra perna, o Galo está de crista alta. Sucede que o Tupi também vem tinindo. E o jogo é em Juiz de Fora. Mesmo assim, deve dar carijó.

Quanto à rodada mortal das semifinais paulistas, apenas Guarani x Palmeiras sugere uma quebra de escrita dos grandes.

O Guarani vem em franca recuperação, depois das recentes humilhações, joga no Brinco de Ouro da Princesa e pega um Palmeiras abalado pelos últimos maus resultados, em que até o sempre badalado Felipão está na boca das tradicionais cornetas do Parque.

Trata-se, porém, de mera sugestão, nada mais do que isso.

Corinthians e Santos, porém, vão além das probabilidades, diante de Ponte e Mogi, respectivamente. Têm time e camisa, além de atravessarem excelente fase. Mas, jogo é jogo.

O mesmo vale para Inter e Veranópolis, pelas semifinais do Gauchão: a bola gira, gira e acaba sempre caindo no vermelho.

ENFIM, REAL

O cenário e o roteiro desse clássico planetário foram os mesmos dos últimos, sei lá, dez jogos entre Barcelona e Real Madrid: os catalães pressionando o jogo todo  e os madridistas se defendendo. Só o desfecho foi diferente: 2 a 1 para o Real, que, até então, havia vencido apenas um desses confrontos históricos.

O gol de Khedira logo aos 17  do primeiro tempo foi determinante para que o Real pudesse resistir lá atrás com mais ciência e calma do que o fez das vezes anteriores.
A isso, soma-se a fase de baixa de dois jogadores essenciais do Barça – o cerebral Xavi  e o imprevisível Messi – que, mais uma vez, não renderam o que sabem, seja pela precisa marcação dos merengues (em especial, Khedira e Xabi Alonso), seja porque estejam esgotados, seja porque simplesmente tiveram uma queda normal de rendimento, depois de tantas exibições portentosas de ambos.

Mesmo assim, Xavi teve uma oportunidade de ouro para empatar ainda no primeiro tempo, em passe de Messi, assim como Tello desperdiçou outras duas já no segundo tempo, quando Sanchez fez o seu.

O Barça, porém, não teve nem tempo de comemorar, pois Cristiano Ronaldo, até então apagado na partida, foi lá e decretou a vitória merengue.

A vitória de um ataque arrasador, que nesse mesmo clássico vibrante, alcançou a marca de maior artilharia dos campeonatos espanhóis em todos os tempos, com 109 gols. Um feito que Madri celebra em dobro esta noite de muita sangria e puchero.

Notas relacionadas:

  1. GAÚCHOS, DE GALOPE
  2. LIBERTADORES, GOLEADAS E…
  3. VERDÃO E O SÁBADO DE GOLEADAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Campeonatos Estaduais, Clubes brasileiros | 14:21

E DEU FLU NA LOTERIA

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Foram setenta e cinco minutos de profundo tédio no clássico decisivo do Engenhão, entre Botafogo e Fluminense – uma interminável sucessão de passes errados de lado a lado, muito pega-pega no meio de campo e praticamente nenhuma emoção nas áreas.

Até que, aos 30 minutos, bola alongada lá detrás colheu Herrera em disparada pela direita, sozinho; o passe do gringo saiu exato para Elkeson, no meio, tocar às redes de Diego Cavalieri.

Pronto, acendeu-se o pavio, e o jogo eletrizou-se, lá e cá, sobretudo depois que Abel mandou pra campo Araújo e Rafael Moura a fim de aumentar seu poder de fogo. Coube, porém, a um zagueiro – Leandro Eusébio – marcar o gol de empate, numa tentativa errada da defesa alvinegra de provocar a linha de impedimento, em bola lançada à sua área.

Aí, sobreveio a decisão por cobranças de tiros diretos da marca do pênalti, que, dizem, nada tem a ver com loteria, sorte ou azar, mas, simplesmente produto de treinamento adequado.

Pois, na véspera, Jean, que entrou no decorrer do segundo tempo, foi o rei das cobranças de pênalti nas Laranjeiras: converteu os seis batidos, cem por cento de aproveitamento.

Eis que, na hora H, Jean bate e Diego Cavalieri salva, como salvaria o último, cobrado por Loco Abreu, outro especialista no assunto.

Resultado: Fluminense e Vasco decidem domingo o título da Taça Guanabara. Outra loteria?

NOITE VERDE

Dois verdes fizeram a noite desta quinta-feira de Paulistão.

O Palmeiras, que, ao empatar por 1 a 1 com o Oeste, em casa, perdeu a liderança para o Corinthians, e o Guarani, que, ao bater o XV de Piracicaba por 2 a 0, no Brinco de Ouro da Princesa, tomou ainda por cima até a vice-liderança do Verdão.

Não vi o jogo de Campinas, de olho que estava no clássico carioca. Mas, não é difícil imaginar a superioridade bugrina, com base na brilhante campanha que vem cumprindo neste Paulistão.

Mas, vi o Palmeiras ser dominado pelo Oeste em boa parte do jogo. Tomou o gol logo de cara e conseguiu empatar no finalzinho do primeiro tempo. Mas, não teve descortino para, no segundo, mesmo com certo predomínio, mudar um cenário cada vez mais decepcionante.

Resta agora se reerguer diante do São Paulo, domingo, caso não queira repetir o mesmo trajeto do ano passado, quando começou a toda e foi, foi, foi e acabou fondo pro fundo, como dizia aquele luminar do passado.

O PESO DAS SUSPEITAS

Para Vagner Love, que conhece muito bem a posição, Deivid pensou na celebração antecipada antes de se cocentrar para empurrar aquela bola fatídica às redes vazias do Vasco.

Pode ser, como pode ter sido resultado de milhões de outros motivos, tantos quantos neurônios levamos na testa. Sem contar os fatores físicos, tipo velocidade da bola, eventual saliência imperceptível do gramado e tal e cousa e lousa e maripousa. Coisa para cem anos de estudos em laboratórios da mais alta tecnologia.

Mas, há quem creia no Sobrenatural de Almeida, figura criada pela fértil imaginação do dramaturgo e cronista Nélson Rodrigues. Aquela sombra miraculosa que intervém, para o bem ou para o mal, nos espaços abertos pela razão. Também pode ser, quem sou para duvidar do imponderável?

Prefiro, porém, do fundo de meu poço de ignorância sobre a alma humana, supor que esse foi o desfecho do acúmulo progressivo de suspeitas sobre seu futebol que tem arrastado esta passagem de Deivid pelo Flamengo.

Deivid, se nunca foi um craque deslumbrante, mostrou apreciável técnica e extrema eficiência por onde passou aqui no Brasil, no Santos, no Corinthians e no Cruzeiro. Nunca foi o cabeça-de-bagre em que se transformou no imaginário rubro-negro.

Sim, porque, desde que chegou à Gávea, a peso de ouro, que, diga-se, teve de cobrar na justiça, Deivid tem sido tratado como um estorvo, o cara que perde gols feitos. Há pouco tempo, num jogo importante (não me lembro mais contra quem), mas, nem tanto, do Brasileirão, cabeceou pra fora gol certo.

Lance corriqueiro entre artilheiros. Pois, o erro alcançou proporções inimagináveis na mídia, sobretudo carioca. Quando entrevistado pela tv a respeito, respondi que já vira coisas muito piores.

Ainda que marcando seus gols, alguns providenciais até, a cada jogo, Deivid, percebia-se, entrava em campo sob o peso das suspeitas crescentes. Não é fácil, meu.

O amigo, por certo, dirá: o grande craque costuma dar a volta por cima, nessas circunstâncias. É verdade. Eu mesmo sou testemunha de tantos casos assim. Mas, Deivid não é, nem nunca foi, um grande craque. É apenas um excelente atacante, tecnicamente melhor do que muitos fadados a sucedê-lo com a camisa do Flamengo.

Pode até ser que ele consiga se recuperar emocionalmente desse lance mortificante. Mas, livrar-se definitivamente das suspeitas que o perseguem desde sua chegada à Gávea, ah, isso é tarefa que me parece fora do seu alcance.

CAÇA AO MENINO

Muricy, depois da vitória do Santos sobre o Comercial, saiu reclamando do rodízio de faltas a que vem sendo submetido o menino-craque Neymar, jogo após jogo, sob o olhar complacente dos juízes.

- Desse jeito, uma hora vão quebrar o menino pra valer. Não tem essa de cai-cai, não. Ele apanha mesmo, sem parar. É preciso preservá-lo, principalmente, para a Copa de 2014.

Ah, mas não é função do juiz preservar este ou aquele jogador em campo, pois, isso seria privilegiar uns em detrimento de outros, dirá o frio catedrático do apito. Que arrematará: cabe ao juiz apenas aplicar as leis do jogo.

Eis aqui, nesta última frase, um equívoco básico sobre a função principal de um árbitro de futebol. As leis do jogo são as ferramentas práticas e legais para que o juiz, a suprema autoridade em campo, cumpra seu dever precípuo – o de preservar o espetáculo no tocante á parte disciplinar.

Não é seu dever apenas evitar o pior, uma lesão grave produzida por entrada desleal ou temerária em excesso do adversário. Suas atribuições vão além, no sentido de garantir a fluidez do jogo, o que implica em punir severamente o time que recorre ao famigerado rodízio das tais faltinhas necessárias, aquelas que, na verdade, matam o espetáculo no seu nascedouro.

Como a juizada flutua entre a mentalidade do sargentão, mais preocupado em impor sua otoridade (assim, com o mesmo), e a do funcionário público relapso, que faz vistas grossas à irregularidade para não se complicar, houve até a necessidade de se apelar para aquele expediente das sete faltas coletivas convertidas em cobrança de pênalti ou equivalente, que vigorou por uns tempos nos campos de futebol.

Grande ideia, que, infelizmente, não frutificou.

De qualquer forma, é dever fundamental do juiz preservar o espetáculo. E, por conseguinte, preservar os Neymares da vida, que eles são o espetáculo no fim das contas.

Notas relacionadas:

  1. UM ATAQUE DE ARRASAR PARA O FLA
  2. VASCO, ATÉ QUE ENFIM
  3. A RAPOSA E O OSSO DURO TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Campeonatos Estaduais | 16:33

DOMINGO DE CLÁSSICOS

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Domingo de clássicos no Paulistão, Gauchão e Cariocão.

O mais tradicional e renhido, sem dúvida, será o Gre-Nal, cuja tabela imprevidente marcou para este início de temporada quando os times ainda estão tateando em busca das melhores formações e de um ritmo adequado ao tamanho de ambos.

O Grêmio foi o que mais se reforçou (aliás, continua ainda em busca de novas caras). Mas, acaba de perder um jogador precioso – Douglas. É verdade que, para a função de Douglas, tem Marco Antônio, ainda em fase de adaptação ao seu novo time.

O diabo é que o Grêmio não conseguiu pegar no breu e a torcida já começa a pegar no pé do técnico Caio Jr. Eis, pois, a chance de o técnico dar a volta por cima, em pleno Olímpico. Ou cavar mais uns palmos na sua iminente sepultura.

Já o Inter, que vem de dura viagem da Colômbia, amenizada, claro, pela passagem para a fase de grupo da Libertadores diante do Once Caldas, está mais bem definido. Não devem jogar, porém, Dagoberto, Nei e Tinga. Mas, lá estarão D’Alessandro, Oscar e Leandro Damião, três promessas de bom jogo.

Mas, como sempre, nada é definitivo nesse eterno Gre-Nal.

A VEZ DO VERDÃO

Essa é a grande chance de o Palmeiras, que vem cumprindo opaca campanha no Paulistão, a exemplo do segundo semestre do ano passado, ganhar moral para dar aquele salto de qualidade tão esperado por sua torcida.

Sobretudo, depois que puder contar com o centroavante Barcos, ainda enroscado nos meandros das negociações com a LDU.

Sim, porque time por time o Santos é bem superior ao Palmeiras. Sucede que o Peixe está dando seu segundo passo depois das férias, e o primeiro foi um pálido empate com o Oeste, no meio de semana.

O próprio técnico Muricy anunciou, depois do jogo de quinta, que seu time ainda não está devidamente preparado para um clássico desse porte.

O que anima um pouco a turma da Vila é que Neymar e Ganso voltaram nos trinques. E eles podem suprir, com seus respectivos talentos, os demais problemas da equipe.

BOTA E FLAMENGO

O Botafogo, sob o comando de Osvaldo de Oliveira, ainda não conseguiu engrenar no Cariocão, e o Flamengo, sem comando, é um dilema para o clássico carioca deste domingo: será um time mais aguerrido e solto, pela saída de Luxemburgo, que teria problemas com o tal grupo, ou, ao contrário, com os jogadores atados à ânsia de provar que podem dar conta do recado sem um treinador de renome no banco?

Bem, pelo menos um deles, Ronaldinho, que foi bem na vitória sobre o Potosi, com direito a golaço no finzinho da partida, terá de assumir, em campo, o comando da equipe, e mostrar a que veio.

DOUGLAS NO PARQUE

Na impossibilidade da vinda de Montillo, o Timão foi buscar de volta o meia Douglas, que tanta falta andou fazendo no Parque.

Sim, sei bem, que parte da torcida corintiana não engolia o futebol brilhante, mas, intermitente de Douglas, apesar de ele ter sido o principal jogador do time na campanha da Segundona e o assistente exato para a breve e fulgurante passagem de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians.

A propósito de Douglas, lembro Sócrates, quando de sua chegada ao Corinthians, no final da década de 70. Aparentemente lento, cerebral, seu futebol conflitava com a tradicional trepidação da Fiel nas arquibancadas.

E as primeiras vaias se sucederam em manifestações até violentas da torcida contra o Dr., que, certa noite, preso nos vestiários do Pacaembu, com a galera irada à porta pedindo sua cabeça, calmamente me revelou: “Vou ensinar esse pessoal a torcer”.

Dali em diante, punha a bola no chão, e, sinalizava para a torcida quando devia esperar o desfecho do lance ou quando devia vibrar. E o Corinthians foi campeão com um futebol de primeira, o que não ocorria desde duas décadas antes.

A ESTREIA DE JADSON

Jadson, a principal contratação do São Paulo nesta temporada, finalmente estreia contra a Ponte Preta, em Campinas.

Enfim, o Tricolor ganha um meia capaz de articular com senso o ataque, que, por sua vez, carecerá da presença de Luís Fabiano, ainda no estaleiro.

Mas, se não tem tu, vai tu mesmo, como diz o malandro. E o tu, aqui, chama-se William José, um garotão taludo, bom no cabeceio e no chute a média distância, autor do gol de empate no jogo do meio de semana, contra o Guarani.

O menino tem potencial, sem ser um craque, longe disso. E poderá se beneficiar muito da presença de Jadson no meio de campo. Portanto, calma com o andor, tricolino amigo.

LUXA TRAÍDO

Luxemburgo, afinal, se abriu publicamente: foi traído pela proverbial indecisão da presidenta do Flamengo, que se deixou levar pelas más línguas.

Isso é evidente, tá na cara.

Por outro lado, está na hora de Luxemburgo – e digo isso como amigo – parar e repensar sua vida.

Luxa já acumulou patrimônio suficiente para não mais depender do futebol pelo resto da vida, segundo se sabe. Portanto, pode se dar ao luxo de optar entre retomar sua carreira como técnico de futebol num nível superior ao dos últimos tempos, ou simplesmente preservar para a história tudo o que conquistou nos tantos anos de brilho e eficiência anteriores à atual fase, e ficar no bem-bom.

Se decidir por seguir adiante na profissão que lhe deu fama e fortuna, então que parta para ser o melhor dos melhores. Vá estudar inglês, espanhol, italiano, alemão, essas línguas que facilitariam sua volta à Europa, hoje, o centro mundial do futebol. Vá estudar futebol, aproveitando a extraordinária vocação natural para a profissão somada a tantos anos de experiência prática.

Percorra os principais centros futebolísticos do mundo. Veja, anote, faça um curso numa escola superior de gestão esportiva da Espanha ou da Itália, coisas do gênero.

E, quando voltar á beira dos gramados, voltará outro. Bem melhor como técnico ou manager, como ele gostaria de ser. E, sobretudo, como ser humano, mais sábio e seguro de si; portanto, menos ansioso para abarcar o mundo com as duas mãos.

BOLA DE CRISTAL

Quer dizer, então, que minha bola de cristal estava bem nítida quando anunciei aqui que a Seleção Brasileira para os amistosos de junho será composta basicamente por jogadores com idade olímpica, mais os três acima da data limite?

Aliás, não precisa ser adivinhão para prever isso. Entre outras coisas porque a nossa seleção principal, com exceção da defesa, é composta mesmo por garotos em idade olímpica. Assim como as maiores estrelas da cia. estão enquadradas nesse quesito, tipo Neymar, Ganso, Leandro Damião, Lucas etc.

Bem, de qualquer forma, foi o que anunciou o técnico Mano Menezes na festa de lançamento das novas camisas da Seleção, que, no entanto, não revelou quais seriam esses três com idade acima dos 23 anos.

Pois arrisco nomear dois deles: Thiago Silva e David Luís, a dupla de zaga titular da Seleção. O terceiro nome vai ficar para a época da convocação, talvez um meio-campista, talvez um atacante.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. DOMINGO DE CLÁSSICOS
  3. DOMINGO DE DECISÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 Campeonatos Estaduais, Seleção Brasileira | 14:45

O BRASIL E SUA CARA

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O Brasil volta a campo, em Torreón, contra o México, muito mudado em relação ao fiasco de San José da Costa Rica.

Entram no time o goleiro Jefferson, os laterais Dani Alves e Marcelo, os volantes Lucas Leiva e Fernandinho, e, no lugar de Fred, Hulk. Mais de meio time, como se vê.

Se vai funcionar, quem sabe? Sim, porque essa Seleção, apesar dos talentos que lá estão e da mistura de jovens promessas e craques consumados, não consegue decolar, nem contra os grandes, nem contra os pequenos. E o México está a meio caminho de uns e outros, numa posição capaz de nos criar problemas sérios sempre que o enfrentamos nos últimos tempos.

É óbvio que não se pode exigir de um time em formação – mais campo de experiência de individualidades por parte do técnico do que de afinação de um conjunto propriamente dito – um jogo coletivo de alto padrão, com os craques soltos nas asas da imaginação e da improvisação, que sempre foram nossa marca.

Mesmo porque não há tempo para treinar devidamente. Assim como, por conta desse odioso e insano calendário brasileiro, quase nunca o técnico pode convocar todos os jogadores que povoam suas expectativas.

Ora, são só os de fora; ora, os de casa; ora, com os olhos postos na Copa de 2014; ora, nas Olimpíadas. Enfim, um cipoal por onde o técnico Mano Menezes tem de se mover com cuidado e ao mesmo tempo ousadia, carregando nos ombros o peso eterno dos resultados.

Tudo isso, creio, acaba se refletindo na cara da Seleção, um rosto sem expressão definida, sem personalidade, onde se sobressaem mais as rugas da incerteza do que o ar desabrido do desejo de conquistas.

Diante disso, impossível prever o que acontecerá em Torreón amanhã à noite (e aqui não excluo até uma derrota humilhante).

Se Ronaldinho Gaúcho, Lucas e Neymar jogarem o que sabem, em harmonia resultante dos jogos recentes em que atuaram juntos, podemos até fazer bonito. Caso contrário, será aquela inhanha de sempre.

Nesse sentido, a presença de Fernandinho, o menos votado dos que entram no time, pode vir a ser catalisadora. Não que Fernandinho seja um craque ungido pelos deuses, longe disso. Mas, é um volante mais ativo do que Luiz Gustavo e Hernanes, que ocuparam essa vaga na vitória sobre a Costa Rica, e dono de passe suficientemente bom para servir bem os companheiros lá da frente.

Além do mais, Dani Alves e Marcelo, por certo, darão maior suporte pelos lados do campo do que o fizeram Fábio e Adriano no jogo de sexta.

E Hulk? Bem, apesar do físico taludo, o atacante do Porto não é um centroavante de ofício.  Na verdade, prefere mais é atuar pela direita, apesar de canhoto. Em compensação, movimenta-se muito mais do que Fred e tem um disparo longo potente, o que, em muitos casos, é o melhor caminho para um time sem o devido entrosamento.

Suponho que, com a entrada de Hulk, Lucas seja deslocado para o meio, partindo mais detrás, próximo a Ronaldinho. É onde o menino mais gosta de jogar, como um meia ofensivo, não como ponta.

Por fim, Jefferson, a par da contusão que desligou Júlio César da delegação, já está merecendo uma sequência de jogos no arco brasileiro, em razão de suas excelentes atuações no Botafogo nestas duas últimas temporadas.

É de se ver no que vai dar tudo isso.

TIMÃO FAVORITO?

Nem o mais fanático fiel alvinegro, do fundo da alma, cravaria neste momento com absoluta convicção o Corinthians como a um passo do título brasileiro. Como pode, num campeonato doidinho, doidinho, como esse?

Mas, se há hoje um time que possa ser chamado de favorito, esse é o Corinthians, sem dúvida. Não porque esteja na tabela um degrauzinho acima dos mais próximos concorrentes, como Vasco, São Paulo e Botafogo. E, sim, porque dentre tantos vacilantes candidatos à faixa de campeão, tem sido o que menos vacila. Ou melhor: quando entra naquele limbo da hesitação constante, não despenca de vez.

Fica ali, esperando a hora de o vento mudar de rumo. Vento a favor, dispara, e recupera a liderança que ocupou a maior parte do campeonato.

E olhe que mesmo sob fogo cerrado da Fiel contra Tite e alguns jogadores do time. Não é fácil.

Pois, se há um fator importante nisso tudo, sem dúvida, é a barragem criada pela diretoria corintiana em torno de Tite, que, se não é nenhum gênio, nada fica devendo a seus pares.  Com algo mais: o equilíbrio emocional que lhe permite atravessar sem chiliques os momentos mais cruciais na caminhada do seu time.

Deve-se também essa, digamos, estabilidade num torneio tão instável ao elenco corintiano, capaz de suprir ausências significativas ao longo da competição.

Pegue-se o jogo de domingo como exemplo. Sem Liedson, sem Emerson e com Adriano pró-forma, nunca em forma, o ataque corintiano conseguiu se virar sem um artilheiro de ofício, a ponto de disparar 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

Os meias Alex e Danilo se revezaram naquela função final tão bem que a defesa goiana se viu órfã de uma referência e desestruturou-se toda.

São pequenos detalhes que formam um todo, no fim das contas. Mas que o Corinthians e a Fiel não considerem desde já esses números favas contadas. Ainda virá por aí muita trepidação.

Notas relacionadas:

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domingo, 15 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais | 19:22

VENCERAM OS MELHORES

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Santos, Inter e Cruzeiro, no fim, ganharam os melhores, apesar de todas as variações dessas finais em dois tempos. E, quando digo os melhores, refiro-me àqueles times com elencos mais qualificados.

PEIXE, BI

Foi o caso do Santos, que bateu o Corinthians na Vila por 2 a 1, emblematicamente com gols de Arouca e Neymar. Arouca, que não é de fazer gols, mas atua como a âncora desse Peixe fluido e agressivo, apesar das sábias contenções impostas por Muricy. E, Neymar, o craque da equipe, aquele cara capaz de, num repente, transformar água em vinho.

No primeiro tempo, foi um massacre, tático e técnico do Santos, que conseguiu apenas um gol, embora tivesse chance de golear. Basta lembrar aquela bola na trave de Arouca e o gol feito perdido por Neymar.

No segundo, houve a reação corintiana, as falhas dos dois goleiros – Júlio César, no de Neymar, e Rafael, no de Moraes -, e a celebração peixeira, justíssima.

VIRADA AZUL

O Cruzeiro, com seu ataque titular, ainda que sem Montillo, seu principal jogador, meteu 2 a 0 no Galo e levantou a taça mineira, salvando o primeiro semestre, quando levitou acima de todos, antes de levar aquele inesperado tombo diante do Once Caldas, em Sete Lagoas.

Poderia ter definido a vitória já no primeiro tempo, quando o Galo foi excessivamente cauteloso. Mas, só foi definir tudo na etapa final, quando o Galo resolveu sair para o jogo e até poderia ter criado uma encrenca danada se Magno Alves marcasse aquele gol feito desperdiçado.

GRENAL, NOS PÊNALTIS

E Falcão vestiu sua primeira faixa de campeão como técnico do Inter. Mas, não se pode dizer que a vitória por 3 a 2, no tempo regulamentar, em pleno estádio Olímpico, tivesse suas digitais impressas em primeiro plano.

Não, foi um Grenal como tantos outros, renhido, estoico, emocionante. E, mais: ao escalar seu time com três zagueiros, o Inter entregou o meio de campo ao Grêmio, que abriu o placar com Lúcio.

Eis que Falcão teve juízo para desfazer o malfeito, colocando o atacante Zé Roberto no lugar do terceiro zagueiro Juan, e virou o jogo para 3 a 1, antes de tomar o gol de Borges que levoum a decisão para os pênaltis.

Aí, a disputa ficou entre os dois goleiros, vencida, ao cabo, por Renan.

Notas relacionadas:

  1. CANSAÇO E DESOLAÇÃO NAS DECISÕES
  2. CANSAÇO E DESOLAÇÃO NAS DECISÕES
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sábado, 14 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais, Futebol internacional | 15:17

DOMINGO DE DECISÕES

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É domingo de decisões por esse Brasil afora, Decisões imprevisíveis, sobretudo porque, em campo, estarão rivais históricos.

PEIXE E TIMÃO

O Santos recebe na Vila o Corinthians, na decisão do título paulista, com os músculos em frangalhos, mas, a alma em festa. Afinal, não só conseguiu vencer a dura jornada até Manizales, como bateu o Once Caldas, pela Libertadores, por 1 a 0. Placar, diga-se de passagem, modesto diante da exibição do Peixe, que perdeu mais umas três grandes chances para até mesmo folgar no jogo de volta.

E é isso o que mais anima o torcedor santista e o técnico Muricy: saber que seu time não só teve bola para envolver o traiçoeiro adversário no campo inimigo como, ainda por cima, resistiu com ciência ao assédio adversário, nos minutinhos finais do jogo, mesmo sem Ganso e Arouca, dois craques essenciais da equipe.

Assim como é ainda mais animador ver que Neymar, sempre sob os olhares suspeitos dos mais céticos, é guerreiro, sim senhor, em situações de extrema adversidade, sem perder, contudo, seus dons artísticos. Muito menos o humor, expresso naqueles tantos chapéus e dribles que espalhou pelo campo colombiano.

Um deles – aquele perpetrado no segundo tempo que resultou na cobrança de falta por Elano na trave -, tive a pachorra de rever, quadro por quadro, para tentar entender toda a sofisticada trama de movimentos do menino-craque: com o pé direito, faz um rolinho em cima da bola que culmina com uma leve batida sobre a bichinha para elevá-la alguns centímetros, permitindo-lhe tocar de esquerda além do alcance do zagueiro. Um primor de engenho e habilidade.

Sem contar que Neymar foi quem vislumbrou Alan Patrick entrando pela esquerda e serviu-lhe uma bola açucarada para o gol da vitória santista, além de provocar, com seus dribles e manhas, a expulsão de Calle, o que facilitou muito a tarefa de seu time em Manizales.

Isso tudo, porém, não quer dizer que o Timão já está fora de combate. Ao contrário: mais uma vez, ao longo dessa disputa em dois atos, o Corinthians passou a semana afiando-se para a decisão, estocando energias e aprimorando-se tática e tecnicamente.
Mesmo que a situação fosse outra – isto é: os dois no mesmo patamar físico -, o Corinthians tem poder de fogo suficiente para sair vitorioso, inclusive enfrentando o Alçapão da Vila.

Liedson, Bruno César, Jorge Henrique e Willian ou Dentinho formam um quarteto ofensivo capaz perfeitamente de fazer um ou dois gols em qualquer adversário e em qualquer praça.

E, quando coloco aqui a alternativa entre Dentinho e Willian é porque essa me parece ser a grande dúvida do técnico Tite. Na verdade, Dentinho, depois de sua última lesão de demorada recuperação, não voltou a jogar o que sabe. Dizem que é por causa de uma proposta do futebol do Leste Europeu, não sei. O fato é que, ao mesmo tempo, Willian tem sido mais efetivo, quando entra na equipe.

De qualquer forma, é jogo pra mais de metro, sobretudo se o Timão decidir usar esse poder de fogo pra valer, e não ficar ali mais preocupado em evitar o pior do que alcançar o melhor.

GRENAL DE FOGO

No Sul, tudo é mistério, claro.Os técnicos Renato e Falcão escondem os seus respectivos times, mas é de se supor que o Grêmio entre com seu meio campo titular – Adílson, Rochemback, Lúcio e Douglas, enquanto o Inter deverá atuar com Guiñazu, Bolatti, Andrezinho, D’Alessandro e Oscar. Quer dizer: cinco contra quatro para o Inter.

Isso pode indicar um domínio pelo Inter no meio de campo, setor nevrálgico de qualquer time. Mas, estamos falando de Grenal, e esses detalhes táticos costumam ter relevância relativa.

Além do mais, o jogo é no Olímpico, onde o Grêmio entra com vantagem da vitória no Beira-Rio. Num Grenal, essas coisas pesam muito.

EM MINAS

Cruzeiro e Atlético, em qualquer campo, sempre é um desafio sobre o fio da navalha. E o campo, nesse caso, é neutro, como o foi, afinal, no jogo de ida, vencido pelo Atlético, a não ser pela presença maciça dos azuis..

Mas, ao contrário daquele embate, o Cruzeiro vai a Sete Lagoas com seu ataque titular – Thiago Ribeiro e Wallyson, o que faz muita diferença.

É de se ver.

É ENCARNADO…

Confesso que, no velho Pernambuco, sou Timbu, em homenagem ao ministro Vilella, presidente da Academia Brasileira de Letras. Mas, gostaria de ver o Santa Cruz, a Cobra Coral, o Encarnado, Branco e Preto, clube histórico, capaz de arregimentar ainda a maior torcida de Pernambuco, apesar de tantos anos rebaixado à cena menor do futebol brasileiro, vestir a faixa de campeão.

Mesmo porque o Sport já está enjoado de tantos títulos conquistados nos últimos anos. Não lhe faria falta. Em contrapartida, esta decisão pode vir a ser a catapulta para o Santa dar a grande virada em sua história recente.

O futebol brasileiro precisa do Sport, mas não pode abrir mão do Santa Cruz.

MANCHESTER EM FESTA

A cidade de Manchester está em festa. Neste sábado, o United sagrou-se pela décima nona vez campeão inglês, transformando-se assim no maior vencedor dessa taça, um título a mais do que o Liverpool; e o City levantou a Copa da Inglaterra, o mais antigo troféu do mundo.

São feitos extraordinários, que merecem longas celebrações em todos os pubs ingleses.

Os Diabos Vermelhos empataram com o Blackburn por 1 a 1, gol de pênalti de Rooney, a maior estrela de Manchester, num jogo parelho e encardido, apesar do domínio dos campeões.

E os azuis do City bateram o Stoke, por 1 a 0, gol de Balotelli, ratificando sua volta à linha de frente do futebol britânico, graças à fortuna nebulosa do russo Abramovich.

Enfim, Manchester é definitivamente a capital do futebol inglês.

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  3. DECISÕES E A GRANDE VIRADA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , ,

domingo, 8 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais | 20:13

IMORTAL E GALOOO!

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Nesta rodada de tantas decisões – ou melhor, primeiro tempo de decisões -, Galo e Grêmio saltam à frente da cena.

Isso, porque o Grêmio, apesar de campeão do primeiro turno gaúcho, ao longo do resto da temporada vinha à sombra do Inter, que o venceu na luta pelo segundo turno e agora recebia o velho rival num Beira-Rio pintado de vermelho.

Um vermelho fosco, para vestir a desolação daquela Noche Triste que se abateu sobre um Inter mais que favorito, então. E, como o rival sofreu igual baque na mesma trágica quarta-feira, logo, em matéria de abatimento estava 10 a 10, o Inter apostava no seu elenco mais qualificado, no carisma de Falcão e no apoio da nação colorada.

E o que se viu foi um assombro: o Grêmio, morto e enterrado, eleva-se do túmulo, como verdadeiro Imortal, assoma o Beira-Rio, apesar de sair perdendo por 1 a 0, vira o jogo impossível e praticamente define o título gaúcho deste ano.A não ser que o Inter resolva, num sortilégio, encarnar também o Imortal.

Mas, o Imortal é só um! Sim, até que outro o substitua, pois a imortalidade, meu caro, é apenas uma metáfora, que, vez por outra, parece real.

Já o Galo, apesar de sua visível recuperação sob o comando de Dorival Jr., e da massa atleticana tomando de assalto a Arena do Jacaré, sabia de há muito que o Cruzeiro estava mais bem equipado para levar a faixa de campeão mineiro.

Afinal, o Cruzeiro vinha de galope na Libertadores, goleando e dando show, enquanto o Atlético, mineiramente, só esperava aquela prosopopeia toda amansar. Outra das maiores vítimas da tal quarta-feira negra, o Cruzeiro não teve tempo de levantar a fronte e levou de 2 a 1 do Galo, no primeiro jogo da decisão.

O emocional, nessas horas, pode ser fatal, e o Galo estava isento de toda a confusão do meio de semana, calmo, na sua.

DECISÃO A ZERO

Sim, houve alguns momentos de emoção neste clássico entre Corinthians e Santos, no Pacaembu, sobretudo no segundo tempo, quando Neymar desembestou e foi um perereco, com bolas nas traves, dos dois lados, e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, o primeiro tempo foi uma chatura, com a bola retalhada no meio de campo, e apenas duas chances de gols para cada um: Neymar, na trave; Bruno César, pra fora.

No segundo tempo, quando se esperava que o cansaço natural do Peixe, de viagem em viagem, oferecesse campo ao ataque corintiano, deu-se o inverso e, por pouco, naquelas arrancadas todas de Neymar, o Peixe não sai de campo em direção ao próximo avião, com uma vantagem significativa para o jogo da Vila.

E isso apesar de ter perdido Ganso, com lesão muscular no fim do primeiro tempo. Aliás, ele, a exemplo de Arouca, que sucumbiu em Querétaro, e outros caminham sobre o fio da navalha do estresse, muscular ou mental, tanto faz.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES E A GRANDE VIRADA
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  3. DECISÃO PRA FRENTE
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , ,

sexta-feira, 6 de maio de 2011 Campeonatos Estaduais | 15:20

CANSAÇO E DESOLAÇÃO NAS DECISÕES

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São três clássicos decisivos neste fim de semana.

O Peixe entra em campo estafado, de olho na viagem para a Colômbia, no meio de semana, seguido do jogo da volta contra um Corinthians que só descansa e treina, enquanto isso.

O Cruzeiro entra arrasado, pela súbita e inesperada saída da Libertadores, em casa, diante do Once Caldas, para pegar um Atlético revigorado pelo insucesso do eterno rival.

E Inter e Grêmio, igualmente desolados pela dupla desclassificação na Libertadores,  decidem o primeiro tempo da disputa pelo Gauchão.

O que deveria ser um fandango de arraial, com chula, gaita, amargo a rodo e muito riso, na expectativa de que Grêmio e Inter apenas estariam iniciando uma série de confrontos inéditos, com os esperados jogos pela Libertadores acoplados ao Gauchão, virou a tábua de salvação do primeiro semestre para ambos.

Mais até do que ser campeão, o importante, agora, é recuperar o senso de grandeza de cada um.

O jogo é no Beira-Rio e o Grêmio, embora possa contar com as voltas de Borges e Rochemback, seguirá muito desfalcado, enquanto o Inter dá voltas na cabeça de Falcão para achar a sua melhor formação, talvez em novo desenho, com Oscar voltando à meia, que é seu lugar de origem.

Já, em Sete Lagoas, o Cruzeiro não só terá de exorcizar os demônios encarnados na alma azul na negra noite de quarta-feira, como, sobretudo, a massa alvinegra, absoluta na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas.

Ah, sim, e também o Galo, que passou esse tempo todo só se afiando para o duelo tradicional, ao comando do incansável Sergnho, da astúcia do implacável Magno Alves e sob o olhar competente de Dorival Jr. Embora, o empate favoreça o Cruzeiro, é sempre bom lembrar que ainda estará sem Thiago Ribeiro e, muito provavelmente, sem Wallyson, a dupla de área que fazia toda a festa cruzeirense nos seus recentes dias de glória.

Por fim, o Santos, que, pelo visto, será escalado mais pelo departamento médico e a turma da preparação física do que por Muricy, terá de buscar energias naquele reservatório que se encontra além das entranhas.

Elano, poupado da aventura de Querétaro, deve voltar. Mas, Arouca, o centro nervoso do Peixe, não. Perda inestimável, se assim for. Assim como desastrosa pode vir a ser as ausências de Neymar e Ganso, ou um dos dois que também estão na mira da avaliação do estresse generalizado.

É, pois, a grande chance de o Timão se aproveitar e avançar nessa competição de 180 minutos.

SÓ LEMBRANDO

Àqueles que menosprezavam o feito do Coritiba até então vale lembrar que esses 6 a 0, fora o baile, representam até agora a maior goleada nesta fase da Copa do Brasil, em toda a sua história.

E que ela foi obtida, limpamente, tocando a bola, sobre a, até outro dia, mais sólida defesa do Brasil, aquela que tomou apenas nove gols em vinte jogos pelo campeonato paulista, decantado como o mais renhido do país, e sob o comando de Felipão, considerado mestre nas artes de se defender, com toda justiça.

Não sei se o Coritiba vai ter um desempenho desse porte no Brasileirão, torneio que exige mais do que uma equipe ajustada um elenco suficientemente qualificado e abrangente para enfrentar os percalços da longa caminhada.

Mas, é, sem dúvida, uma brisa de esperança para quem gosta do futebol bem jogado, sempre em direção à meta adversária.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES PELO BRASIL
  2. DECISÕES E A GRANDE VIRADA
  3. UM OUTRO FLA-FLU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. 4
  6. 5
  7. 10
  8. Última