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Arquivo da Categoria Campeonato Brasileiro

sábado, 27 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional | 18:24

POR UM POUCO DE DIGNIDADE

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Ainda bem que o técnico Felipão não deu ouvidos àquela meia dúzia de idiotas que foram ao Centro de Treinamento do Palmeiras pedir para que seu time entregue o jogo ao Fluminense, a fim de prejudicar o Corinthians, rival doméstico.

Essa gente perdeu o menor senso de dignidade, honra e compostura. E aqui incluo o diretor de futebol Pescarmona que deveria ser eliminado do futebol por falta do mais ínfima respeito pelo esporte, como um todo. São pessoas com essa mentalidade que levaram o Palmeiras à mais indigente situação de sua gloriosa história.

O fato é que, com titulares, com reservas, com Felipão, sem Felipão, o Fluminense é melhor do que o Palmeiras, competente o bastante para vencer esse jogo e chegar à rodada final com todas as chances de levar o título. Sobretudo, se puder contar mesmo com seu quarteto de alta classe do meio de campo pra frente – Deco, Conca, Emerson e Fred.

Ah, mas os meninos palestrinos estão deprimidos pela desclassificação inesperada na fase final da Copa Sul-Americana…

Ora, se estão deprimidos, tristonhos, macambúzios e ensimesmados, nada melhor pra recompô-los do que um tratamento de laborterapia ou ludoterapia, Ou seja: um joguinho de bola, que, para eles, é a combinação dos dois – trabalho e diversão.

Timão da hora

Se não tem Ronaldo Fenômeno, sequer um reserva do mesmo estilo, não resta a Tite senão improvisar uma saída para o impasse.

Já disse e repito: por mim, botava ali Danilo e deixava o barco correr. Tem físico e bola para fazer essa função de pivô, não fixo na área, mas voltando um pouco para acionar os dois pontas – Jorge Henrique e Dentinho.

Pena que não terá Elias, dínamo desse meio de campo.

Mas, nem tudo é perfeito, como dizia o Boca Larga a Jack Lemmon na clássica comédia dos anos 50.

Cilada para a Raposa

Esse jogo com o Flamengo é uma grade cilada para a Raposa.

O Mengo não tem time para vencer, no mano a mano. Mas, beira o desespero, com medo de jogar a rodada final tentando escapar do rebaixamento, joga em casa e, portanto, deve dar tudo para vencer.

O Cruzeiro, de sua parte, não terá Fabrício, que tem sido o motor de seu meio de campo, mas terá Montillo, o cérebro e condutor da equipe.

Vai ser de lascar.

Nas estranjas

Somando os resultados de apenas dois jogos dos líderes deste sábado pelo campeonato inglês, teremos a soma espetacular de catorze gols, média de sete gols por partida.

O Arsenal meteu 4 a 2 no Aston Villa, na casa do adversário, pondo a bola no chão e tocando-a ao seu estilo tradicional, com três gols de Chamakh, que ainda eu uma assistência magnífica para o menino Wilshere completar de cabeça.

Já o Manchester United simplesmente massacrou o Blackburn no Old Trafford por 7 a 1, fora o baile e as chances perdidas, com direito a cinco gols do búlgaro Berbatov. Assim, os Diabos Vermelhos seguem à frente, com os Gunners no seu encalce, o que confere ao campeonato inglês um glamour especial, pois todos que estão lá em cima brigando pelo título jogam uma bola ofensiva e divertida.

Na Itália, o Milan, apesar de todas as possibilidades de que dispõe para oferecer algo no gênero, prefere seguir o roteiro covarde e convencional de sempre. Com Pato machucado e Ronaldinho no banco até os últimos minutos, trancou-se no meio de campo com todos aqueles Gattusos e Ambrosinis, sem falar nos laterais pífios de hábito, e não arrancou mais do que um empate por 1 a 1 com a Sampdoria, em Gênova. Gol de Robinho, claro, ao lado de Ibra, as duas únicas luzes da equipe.

Notas relacionadas:

  1. CLÁSSICOS SOBRE CLÁSSICOS
  2. NEM FELIPÃO, NEM ADÍLSON
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

segunda-feira, 22 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 14:00

AS VERGONHAS DO CALENDÁRIO

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O técnico Celso Roth , aquele que escalou um time reserva contra o Botafogo, adversário direto do Grêmio – rival eterno do Inter – pela quarta vaga da Libertadores, vem a público para denunciar “certas vergonhas que acontecem por aí”. Isenta-se dessas vergonhas porque seu time venceu, embora tivesse vencido pelos desacertos do Bota do que pela excelência do jogo de sua equipe. O que o Bota perdeu de gols foi uma grandeza.

E justificou a escalação dos reservas do Inter como parte da estratégia de preparação com vistas à disputa do Mundial, em dezembro.

Não estou aqui pra duvidar da sinceridade de Roth, que sempre me mereceu respeito. Meu foco é outro. É a solução apresentada pelo treinador para evitar essas vergonhas no futuro: acabar com o sistema de pontos corridos. Aliás, tenho ouvido e lido muito isso nestes dias de tantas suspeitas e nenhuma comprovação.

É o mesmo que jogar na latrina o bebê junto com a água suja.

Antes de mais nada, devo dizer que não sou contra o mata-mata em si. Desde que seja mata-mata de início ao fim, com os times divididos em grupos e só os campeões dos grupos disputem os títulos dos turnos e do campeonato.

Esse negócio híbrido, em que se disputam dois turnos, todos contra todos, para daí extraírem oito, quatro ou mesmo dois para as fases decisivas é, além de anacrônico, um suicídio financeiro para os clubes. Pois, toda essa primeira parte, a mais longa, carrega no seu ventre o peso do desinteresse do público, como já ficou provado em décadas da aplicação desse sistema, seja nos campeonatos estaduais, seja no nacional.

O sistema por pontos corridos, em dois turnos, com todos jogando contra todos, lá e cá, é, se não o mais justo, o menos injusto, pois, ao seu cabo, apura sempre o melhor time do campeonato.

Afora essa imbecilidade de parte da torcida deste ou daquele clube querer que seu time perca só para prejudicar o rival doméstico – uma demonstração de pobreza de espírito, eivada de inveja e ressentimento, sentimentos primários e provincianos -, os casos como os do Inter de Roth, o Palmeiras de Felipão etc., são fruto de um calendário brasileiro e sul-americano ainda não definido nos trinques.

Esses times entram em campo com seus reservas no Brasileirão porque visam outras competições que lhes são mais apetitosas, não para participar de vergonhas.

Isso, sim, é que precisa ser revisto. Entre outras coisas, porque se algo de positivo a mais trouxe o sistema de pontos corridos foi o de ordenar um pouco nosso até então caótico calendário.

É preciso rever o calendário – e não apenas para evitar vergonhas futuras -, sobretudo, para oferecer aos clubes tempo adequado de pré-temporada e espaço justo para disputar as competições mais importantes – Brasileirão, Libertadores, Mundial e, agora, a Sul-Americana que passou a valer algo mais do que apenas uns punhados de dólares.

Isso implica em reduzir ao máximo os campeonatos estaduais, para que o Brasileirão comece mais cedo e corra no prazo certo para que não haja atropelos, nem vergonhas.

Paralelamente a isso é fundamental que todos os envolvidos com o futebol, como na vida, tenham caráter e vergonha de sequer pensar em mutretas, seja por que motivo for.

Notas relacionadas:

  1. TRI, MAIS DO QUE HEXA
  2. EMOÇÃO EM DOBRO
  3. NORMAL E ESTAPAFÚRDIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

domingo, 21 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 21:59

FLU, DE NOVO, LÁ

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E o Fluminense retomou a liderança, em grande estilo, a dois passos do título do Brasileirão: 4 a 1 no São Paulo, na Arena de Barueri, pra alegria das duas torcidas tricolores presentes ao estádio, graças ao perverso desejo dos são-paulinos de jogar água no chope eventual do Corinthians.

Mas, isso não parece ter afetado os jogadores do São Paulo, não. Tanto, que o jogo esteve parelho, correndo sobre o fio da da navalha do empate por 1 a (outro gol de calcanhar do menino Lucas Gaúcho, embora desviado pelo pé de Gum), até a expulsão de Xandão, seguida de outra de Richarlyson.

Aí, só deu Flu, sob o comando desse gringo extraordinário – Dario Conca -, autor de dois gols e de várias jogadas de alta classe. E olhe que poderia ter sido de muito mais se Washington não perdesse gol feito, assim como Fred, em duas ocasiões.

O fato é que, não houvesse expulsão, talvez o Flu não conseguisse alcançar esse placar amplo. Mas, poderia ter vencido igualmente o jogo, entre outras coisas, porque é melhor do que o São Paulo.

Agora, só resta ao Flu manter essa pegada por mais duas rodadas, e a festa brasileira será nas Laranjeiras. Mas, quem garante, se basta alguém chegar lá em cima pra tropeçar em seguida?

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Fred ajudou o Fluminense a golear o São Paulo em Barueri


Timão burocrático

O Corinthians teria de vencer o calor de Salvador, o desespero do Vitória ameaçado de rebaixamento e todas as rezas e mandingas atiradas no seu caminho neste domingo. Só isso já é um empecilho gigantesco. Que dirá tomar essa bola nas costas? Sim, porque perder Ronaldo Fenômeno nesta quadra do campeonato é uma bola nas costas em feitio de punhal de aço.

Ronaldo, obviamente, não é nem um décimo do que já foi nos bons tempos. Mas continua sendo aquele craque, senão aquele cara, que confere ao seu time um poder que transcende ao simples rolar da bola em campo.

Tanto, que de seus pés saiu o passe exato para o gol de Danilo. Mas, logo depois, sentiu dores musculares e saiu. Pronto! O Corinthians caiu na vala comum do jogo burocrático, mais preocupado em evitar surpresas, mesmo depois de ter levado o gol de empate, do que buscar o gol da vitória a qualquer preço.

Definitivamente, não foi a bola de quem quer ser campeão, não senhor.

Bem, como consolo, valeu a garantia da vaga à Libertadores. Meno male.

Raposa de volta

O Cruzeiro foi logo metendo 3 a 0 no Vasco, na Arena do Jacaré, e depois ficou ali cozinhando o galo (oops, o Almirante), o que mantém a Raposa na fita pela disputa do título, um pouquinho atrás do Corinthians e do Flu.

E o curioso é que o Cruzeiro, tão cioso no toque de bola, armou o placar em cima de três cobranças de corner pelos pés hábeis de Montillo. No primeiro, Roger aproveitou; no segundo, foi a vez de Henrique, e, no terceiro, Edcarlos aproveitou sobra na área.

Notas relacionadas:

  1. EMPATES E O NOVO INTER
  2. TIMÃO, FIRME NO TOPO
  3. FLU, DE NOVO LÁ EM CIMA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

terça-feira, 16 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira | 14:18

UMA DECISÃO

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Já fomos fregueses de caderneta – como se dizia naqueles sombrios anos 30/40/50 – deles. Levávamos sovas monumentais, na bola e no pau. Fosse nos antigos Campeonatos Sul-Americanos, nas já extintas Copas Roca, em amistosos, o resultado era sempre o mesmo.

Mas, a partir da conquista da Suécia, em 58, começamos a virar a moeda. E, dos anos 70 pra cá, viemos somando longas séries invictas diante dos argentinos. Agora mesmo estamos aí, sei lá há quanto tempo, sem perder deles. Inclusive naquela decisão célebre da Copa América, quando eles jogaram muito melhor, mas o Imperador Adriano virou tudo de cabeça pra baixo no finalzinho da partida.

Contudo, é bom não reduzir o poder da atual Seleção Argentina, que enfrentamos num amistoso com cara de decisão, em Doha, no Qatar, nesta tarde de quarta-feira. Do meio de campo pra frente, mesmo sem a presença de Tevez, Aguero e Cambiasso, por exemplo, os argentinos têm um poder de fogo respeitável.

Messi continua esmerilhando no Barça, embora até hoje não tenha reproduzido com a camisa alvo celeste o mesmo desempenho. E Higuaín, mesmo não sendo um craque na acepção mais exigente do termo, está no Real fazendo um gol atrás do outro.

Não sei ainda qual será a formação argentina para o confronto com o Brasil, mas seis que isso passa a ser um tanto irrelevante diante das alternativas de que dispõe seu treinador, Sergio Batista.

O ponto fraco desse time, porém, é a defesa, desde o goleiro e passando pela linha de zaga. E é em cima disso que Mano Menezes deverá estabelecer sua tática de jogo.

Mesmo porque a nova Seleção Brasileira, nas mãos de Mano Menezes, tem revelado esse espírito mais ofensivo, leve e insinuante, com jogadores moldados para tal tarefa, tipo Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Robinho etc.

Justamente por conta dessa nova mentalidade adotada pelo time nacional, somada a longa série invicta diante deles, é que esse jogo ganha dimensões maiores para nós do que a de um simples amistoso.

Uma eventual derrota diante da Argentina – o que não é nada improvável, pelas circunstâncias – despertará o clamor embutido dos pragmáticos de plantão: ora, ora, o tal do futebolzinho faceiro do Mano esboroou logo que pegou um time forte!

Portanto, todo cuidado é pouco. Assim como pouca será qualquer ousadia.

O predestinado

Há caras que nasceram mesmo com a estrela na testa, predestinados a deixar sua marca no mundo, nos momentos mais críticos. Não só pelo que são capazes de fazer, fizeram ou fazem, mas, sobretudo, pelo que os outros imaginam possam eles fazer.

O amigo já percebeu que estou falando de Ronaldo Fenômeno, um desses escolhidos pelo destino.

Reveja a cena decisiva do jogo decisivo contra o Cruzeiro no Pacaembu, o pênalti de Gil em Ronaldo que o craque corintiano converteu na vitória do seu time.

Fosse qualquer outro atacante alvinegro que estivesse matando aquela bola dentro da área, de costas pra meta azul, e Gil, até então impecável na defesa de sua área, simplesmente chegaria por trás do sujeito e ali esperaria uma definição prosaica, barrando a possibilidade da virada para o gol.

Mas, não era um atacante qualquer que estava matando aquela bola no peito. Era Ronaldo. Ao se dar conta disso, muito provavelmente, uma luzinha vermelha acendeu na mente de Gil, que, no ato, entrou em curto-circuito: partiu com tudo, cabeça encolhida, ombro direito à frente, e atirou-se sobre as costas de Ronaldo.

Pênalti, claro!

Afinal, entre Gil e a bola havia o corpanzil de Ronaldo. Não daria para o zagueiro alcançar a bola a não ser atropelando o atacante. Não há o que discutir.

Mas, o efeito do gol de Ronaldo não se extinguiu naquele instante, nem nos reflexos sobre a disputa do título. Foi além: desestruturou de vez o Cruzeiro, dos jogadores ao presidente, passando pelo técnico, que passaram a enxergar naquele lance uma conspiração global para favorecer o Corinthians.

Com isso, se Cuca não conseguir recuperar o moral da tropa em tempo, o Timão livrou-se de um concorrente poderoso na corrida pela faixa de campeão, antes mesmo das rodadas finais.

Já disse aqui e repito: se Ronaldo, aos 34 anos de idade, com aquele físico mais de lutador de sumo do que de jogador de futebol, com todas as cicatrizes de tantas e tão as graves lesões sofridas ao longo de gloriosa carreira, receber três bolas de jeito, uma ele guarda.

Pois, foi o que ocorreu nesse jogo com o Cruzeiro: a primeira, ele disparou, raspando o poste; na segunda, foi desarmado na hora do chute; na terceira, rede.

E olhe que não tem jogado metade do que jogou naquela campanha da Copa do Brasil, ano passado, o que significa nem dez por cento do que jogava nos bens tempos.

Mas, sua simples presença em campo, depois de longa ausência, já bastou para que o Corinthians retomasse o rumo do título.

É o poder da predestinação.

Notas relacionadas:

  1. E SE RONALDO JOGAR?
  2. TRÊS VEZES RONALDO
  3. E, CONTUDO, FOI PÊNALTI
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 14 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 23:42

AH, FLU…

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Apesar do acúmulo de tropeços dos líderes neste Brasileirão, confesso que esse eu não esperava. Jogando em casa, diante de delirante torcida, com Fred e Deco de volta ao time e sob o comando de Muricy, mestre nesse tipo de torneio nos últimos cinco anos, o Fluminense não poderia deixar de vencer o Goiás no Engenhão.

Pois, empatou. Empatou, sobretudo, porque desperdiçou todo o primeiro tempo, quando o Goiás abriu a contagem com Rafael Moura. E desperdiçou justamente por causa da presença de Deco, um craque consumado, mas fora de forma pelo longo tempo que esteve ausente do time se recuperando de séria lesão.

Tanto, que, ao substituí-lo no intervalo por Dieguinho, Muricy arrumou seu meio de campo e partiu pra cima do Goiás. Para seu desespero, porém, nem com uma dupla de artilheiros consagrados como Fred e Washington acionada pelo melhor jogador do campeonato, Conca, o Flu conseguiu converter em gols as tantas chances criadas. E teve de se consolar com o gol de pênalti de Conca, já no finzinho da partida.

Assim, o Flu, que liderou boa parte do campeonato, caiu para a vice-liderança a três passos do final de tudo.

Mas, atenção: as cascas de banana estão espalhadas por todos os campos do Brasileirão. Logo, nem Flu, nem Cruzeiro devem desistir da esperança maior. Assim como o líder Corinthians, diga-se.

Vasco e São Paulo

Dois golaços, um pra cada lado, defesas providenciais de Fernando Prass e Rogério e uma montanha de passes errados. Contudo, um jogo disputado em alta velocidade, o que, talvez, explique o excessivo número de passes errados.

Acima de tudo, porém, valeram os dois gols. O do Vasco, um passe magistral de Felipe, que jogou muito, para Eder Luís, que limpou dois adversários e fuzilou no ângulo de Rogério que nem se mexeu, só espiou a bola varar sua meta. O do São Paulo, uma arrancada de Jean, que vai se transformando num excelente lateral-direito, pela direita, o cruzamento exato para o toque de letra do menino Lucas Gaúcho, que acabara de entrar em campo.

É, no fim de tudo, o que conta mesmo.

Furacão soprando

Foi um jogo lancinante na Arena da Baixada, lá e cá, interrompido por um lance inusitado: o juiz teve de ser atendido pelos médicos, ao machucar o ombro, sozinho.

E, para não fugir ao roteiro, Paulo Bayer deixou o campo consagrado pelos dois gols que deu a vitória ao Atlético PR sobre o Grêmio Prudente, mantendo viva a chama paranaense de chegar a uma vaga na Libertadores, ainda.

Notas relacionadas:

  1. A ROLETA GIRANDO
  2. A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
  3. FLU, PERDENDO DE VISTA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

Campeonato Brasileiro | 00:01

E, CONTUDO, FOI PÊNALTI

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O Cruzeiro foi melhor do que o Corinthians, num Pacaembu em delírio da Fiel, e merecia melhor sorte. Mas, que foi pênalti em Ronaldo Fenômeno, ah, disso não tenho a menor dúvida.

Basta dizer que entre a investida do zagueiro Gil e a bola Havaí nada menos do que o corpo de Ronaldo Fenômeno; vale dizer, um latifúndio.  Portanto, não havia a menor chance de o zagueiro disputar a bola, que se aninhava no peito de Ronaldo.

Gil, então, abaixa a cabeça, e, de ombro choca-se às costas de Ronaldo, derrubando o centroavante do Corinthians na área. Pênalti, sob todos os ângulos da lei do jogo, que Ronaldo converteu, aos 43 minutos do segundo tempo, o que elevou o Timão ao topo da tabela, e, praticamente afasta da disputa direta pelo título a Raposa, que entrou em fúria contra o juiz (mineiro de nascimento, diga-se de passagem).

O único ângulo desta questão que me provoca certas dúvidas é o que se oferecia ao juiz, no instante do lance: Ricci estava de frente para Ronaldo; logo, a ação do zagueiro azul estava fora de sua visão. Mas, o conjunto da obra – a bola sendo morta no peito por Ronaldo e a investida de Gil sobre o adversário -, estava no seu campo de visão e lhe permitiria decidir sobre a validade ou não do lance, creio.

De toda a chiadeira do Cruzeiro – num tom excessivamente elevado -, porém, restam apenas dois outros lances sobre Thiago Ribeiro. Num deles, a repetição da imagem revela que Thiago, ao passar por Júlio César, com o pé esquerdo pisa a mão direita do goleiro, enquanto seu pé esquerdo toca o joelho do goleiro. Pênalti? Talvez.

Quanto ao outro – a entrada de William sobre o atacante mineiro em cima da risca da área alvinegra -, à primeira vista, pareceu-me, sim, pênalti. Mas, não pude rever o lance com todos os detalhes dos demais em pauta.

Enfim, polêmicas à parte, o jogo foi bom, mas não tão bom quanto eu esperava. Os dois times enfatizaram a marcação, sobretudo no meio de campo, e a criação ficou prejudicada.

Resultado: poucas chances de gols, numa partida em que só a vitória interessava aos dois contendores.

Galooo!

O grito ecoou pelas Sete Lagoas, e seguiu pelo mar sem fim da imaginação mineira.

Afinal, foi uma vitória épica para o Atlético Mineiro, que passou o campeonato todo amargando a humilhação da vizinhança do rebaixamento, e, finalmente, escapa com uma goleada gloriosa sobre o Flamengo de Luxemburgo, seu ex-treinador: 4 a 1.

E, para maior gosto, Obina, o atacante desprezado na Gávea, fez um gol e deu passe magistral para um dos dois de Renan Oliveira, esse menino de ouro que Dorival Jr. está recuperando para o futebol brasileiro.

Jogo chinfrim

Na Vila, o jogo foi chinfrim. O Santos, sem Neymar, suspenso, e com três volantes de marcação, o que violenta seu melhor estilo e o transforma num time comum, pouco fez. E o Grêmio, com seu artilheiro Jonas expulso logo no primeiro tempo, pouco poderia fazer.

Mesmo assim, o zero a zero poderia ter sido quebrado, quando do pênalti sofrido por Zé Love. A própria vítima bateu e teve de ver a bela defesa de Victor, que aproveitou o voo para desembarcar lá nas arábias, já com a camisa da Seleção, ao lado de Neymar.

O quepermite ao Grêmio, contudo, a continuar sonhando com uma vaga na Libertadores, se esta houver ainda ao cabo da Copa Sul-Americana.

Notas relacionadas:

  1. TRÊS VEZES RONALDO
  2. VERDÃO E O CANTO DO GALO
  3. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

sexta-feira, 12 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, Seleção Brasileira | 03:03

JOGO FATAL

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Eis um jogo que será fatal para um dos dois, se não o for para ambos.

Sim, porque um empate entre Corinthians e Cruzeiro, combinado com uma vitória do Fluminense sobre o Goiás, deixará o Tricolor carioca com uma das mãos na taça, na reta final da disputa pelo título.

Portanto, não é de se esperar um daqueles confrontos ranhetas, reticentes, repletos de faltinhas no meio de campo e cheios de dedos dos dois treinadores com vistas a evitar o gol do adversário mais do que realizar os seus.

E, tanto Corinthians quanto Cruzeiro têm bala na cartucheira para disparar ataques arrasadores um sobre o outro, o tempo todo. A começar pela potência de seus respectivos meio de campo, Ali se concentram o que de melhor há em cada um deles, sem falar nos ataques, reforçados pela volta de dois titulares afastados há um bom tempo: Wellington Paulista, no Cruzeiro, e Jorge Henrique, no Corinthians.

Wellington, pelo visto, deverá já entrar em campo de início. Já a Jorge Henrique, recuperado antes do prazo previsto, haverá de faltar ritmo de jogo e fôlego para cumprir suas múltiplas funções habituais no Timão, o que sugere um banco esperto, de onde sairá em caso de extrema necessidade.

O Corinthians leva a vantagem de jogar num Pacaembu desde já lotado pela Fiel em delírio. Mas, essa Raposa é ladina, gente…

Verde que te quero verde

Os dois Verdões se enfrentarão na semifinal da Copa do Brasil, depois das vitórias do Palmeiras sobre o Atlético, na quarta, e do Goiás sobre o Avaí, em plena Ressacada, na noite seguinte.

Vitória um tanto inesperada, com aquele gol solitário de Rafael Moura, que ainda se permitiu a desperdiçar mais duas chances claras, pelo menos, para ampliar o placar. E olhe que o empate classificaria o Avaí, que vive seu inferno astral.

E o que era apenas uma espécie de humor negro começa a desenhar como uma possibilidade, caso o verde de Goiás elimine o verde paulista: um dos representantes brasileiros na próxima Libertadores estará disputando a Segundona do campeonato nacional.

Copa América

O sorteio de grupos da Copa América, a ser disputada na Argentina nos reservou como adversários iniciais Paraguai, Equador e Venezuela.

Moleza, fosse em tempos passados. Mas, os tempos são outros. Tão bizarros que o mapa dessa disputa, o antigo Campeonato Sul-Americano, consegue o prodígio (o que a grana não faz!) de inserir no nosso continente o asiático Japão e o norte-americano México.

Contudo, apesar do nivelamento geral, com devidas graduações, a dureza maior nesse grupo parece ser mesmo o Paraguai, como de hábito. Como o Equador não poderá contar com seu principal aliado – a altitude de Quito -, e a Venezuela, por mais que tenha evoluído, ainda acendeu a luz de perigo permanente, nossa passagem para a próxima fase dependerá tão somente de nós.

Notas relacionadas:

  1. ÊTA JOGO BOM DE SE VER
  2. PET E RONALDO, O SAL DO JOGO
  3. JOGO UM POUCO MAIS DECISIVO
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana | 02:23

E LÁ VAI O PALESTRA

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Felipão pode ser tosco nos gestos, pensamentos e palavras, mas que sabe manejar uma equipe pelos labirintos do mata-mata como poucos, ah, disso não resta a menor dúvida. Mais uma prova ele deu nesta noite de quarta, ao conduzir seu Palmeiras, toscamente, diga-se, à semifinal da Copa Sul-Americana, batendo o Galo num Pacaembu em chamas por 2 a 0, com direito a um gol quase olímpico de Marcos Assunção (a bola desviou num adversário antes de ir para as redes carijós).

É verdade que o Atlético, em plena fuga do rebaixamento do Brasileirão, jogou com seu time reserva. Mas, isso não impediu o Galo de transformar o jogo numa rinha em que a bola foi mais maltratada do que acarinhada a maior parte do tempo.

Mas, nesta quadra da vida alviverde isso passa a ser irrelevante. Eis um caso em que vencer é tudo, não importa como, desde que dentro das regras do jogo.

E o Palmeiras venceu, segue em frente na Sul-Americana e da salvação da lavoura semeada nesta temporada.

Ah, Papai Joel…

Segunda-feira estive com Joel, e ele revelava claramente dois sentimentos antagônicos: a firme esperança de chegar ao título brasileiro, comendo pelas beiradas os grandões de cima, e a preocupação de não poder contar com Marcelo Cordeiro e Somália.

- Somália é aquele jogador que me oferece várias opções em campo. Pode ser meia, volante, lateral e até atacante. E Marcelo Cordeiro é o cruzamento exato para as cabeçadas de Loco Abreu.

Pois, a esperança se foi no empate por 2 a 2 com o Ceará em Fortaleza, e a preocupação justificou-se plenamente, pois as ausências de Somália e de Marcelo Cordeiro acabaram sendo fatais para o desenvolvimento do Botafogo em campo.

Resta agora a luta pela vaga das Libertadores, que, no Brasileirão, se espreme a cada rodada pelo avanço do Palmeiras na Sul-Americana.

Notas relacionadas:

  1. PALMEIRAS, BOTA E INTER
  2. E DEU MURICY NO PALESTRA
  3. BICHO FEIO E BELO FLU
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 16:06

FLU: O QUE É E O QUE PODERIA TER SIDO

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Caso curioso esse do líder Fluminense. Você espia o time jogando, franze a testa e dirá lá consigo: ora, isso não é futebol de campeão. Contudo, aí está o Fluminense líder durante quase todo o campeonato e a três passos de empalmar o título. Um time cascudo, como gosta de dizer seu técnico Muricy, mestre em conquistas desse tipo.

Mas, se o amigo se afastar a uma distância crítica, e puser a imaginação para funcionar, verá um outro Fluminense em campo, praticando um futebol envolvente, ofensivo, bola no chão, até mesmo revestido de alguns arabescos bem ao gosto do futebol brasileiro, apesar de tão combatidos.

Basta escalar esse time com o que ele tem de melhor e jamais pôde colocar em campo – o quarteto formado por Conca, Deco, Fred e Emerson. Seria justamente o oposto do atual Fluminense, e estaríamos aqui todos encantados com a certeza de que ainda há vida inteligente nos campos brasileiros.

Digamos assim: tivemos um primeiro semestre deslumbrante com o Santos de Ganso, Neymar e cia. bela. E teríamos nos deslumbrado igualmente com este segundo semestre do Tricolor carioca.

Desgraçadamente, Muricy não pôde armar seu time nessa linha dos sonhos nem uma vez sequer ao longo de toda a competição, e teve de recorrer ao jogo prático e funcional que as circunstâncias lhe exigem.

Bem, nem tudo rola como a gente quer. Muito menos essa bola tão cheia de caprichos que se confunde com o próprio destino.

Torcida distorcida

O amigo pode não acreditar. Sei que é quase impossível para o torcedor de futebol admitir que quem ama esse esporte não torça de fato por um time qualquer. Faz parte do espírito grupal que guia nossos passos desde a infância da humanidade.

Portanto, não direi que não tive um time de coração no passado ou que sou absolutamente isento diante de uma partida de futebol., um jogo que me fascina desde menino.

Mas, ao contrário da maioria, deixei de torcer por uma camisa, um escudo, um nome específico há um bom tempo. Digamos, um tanto pedantemente, que torço, sim, por uma ideia, um conceito de jogar, seja qual for o uniforme em campo, algo muito próximo da exata combinação de competição e arte.

Resumindo: torço pelo melhor, nunca contra este ou aquele, movido por essa paixão perversa de colher no escritório, na oficina, nos bares, a humilhação do derrotado da vez.

Estou falando essas bobagens porque se há algo que me causa indignação é essa mania recente do torcedor de futebol concentrar todos os seus ressentimentos sobre um rival antigo, a ponto de clamar para que seu time perca um jogo só para não beneficiar a campanha de outro.

Isso é fato recorrente, sobretudo no Brasil. E é o que se verifica agora, quando torcedores do Palmeiras e do São Paulo encetam verdadeira campanha para que seus times entreguem os jogos diante do Fluminense, só para evitar que o Corinthians eventualmente possa ser o campeão.

Trocam-se os sinais em campeonatos recentes – ora, é o corintiano pedindo para que o Timão perca com o objetivo de prejudicar o São Paulo ou o Palmeiras, e assim vai -, mas o sentimento é o mesmo – algo muito próximo da indigência do espírito que permeia o nosso tempo.

Notas relacionadas:

  1. O CLÁSSICO QUE PODERIA SER
  2. PALMEIRAS, HERÓICO
  3. NOITE TRICOLOR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

sexta-feira, 5 de novembro de 2010 Campeonato Brasileiro | 14:17

NO CÉU, UMA ESTRELA SOLITÁRIA

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Se bem examinado o cenário, surge uma estrela solitária no horizonte da rodada deste fim de semana.

Sim, porque o líder Fluminense, sem Diguinho, além de Emerson, Deco, Fred e até mesmo Washington, enfrenta um Vasco mais seguro pela fuga definitiva de quaisquer embaraços, um clássico estadual, como tal, imprevisível.

Situação parecida com a do Corinthians que encara um clássico doméstico com o São Paulo, em que não apenas entra de sola a tradição como a necessidade expressa de ambos vencerem ou vencerem. O Corinthians para seguir no encalço do título; o São Paulo, em busca de uma vaga na Libertadores para salvar os dedos, já que os anéis se foram nesta temporada.

E o Cruzeiro, em baixa, sobretudo depois da derrota em casa para o São Paulo, terá de se haver com o Vitória, lá no Barradão, terreiro encantado dos baianos.

Em contrapartida, o Botafogo, que vem comendo pelas beiradas, também viaja, mas pega um Avaí desfalcado e desesperado na tentativa de escapar do descenso.

Cá entre nós, está mais para Papai Joel, que põe tudo na conta do Abreu. E, se os astros combinarem com essa estrela solitária, numa conjugação luminosa, bem que o Botafogo pode sair da rodada ao lado de Corinthians e Cruzeiro, na vice-liderança, a um pontinho do líder. Já pensaram?

Pois é. Não esqueçamos que o Flamengo já aprontou uma dessas no ano passado.

Mas, isso tudo não passa de mera especulação, quem sabe um pressentimento,  pois as estrelas lá no céu ainda estão se movimentando para escrever o fim de mais esse capítlo dramático do Brasileirão.

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Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , ,

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