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Arquivo da Categoria Campeonato Brasileiro

terça-feira, 24 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro | 14:57

LÍDER E VICE: TORNEIO À PARTE

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Líder e vice jogam nesta quarta uma cartada de alto preço na disputa pela ponta do Brasileirão.

Visto assim, pelo ângulo da tabela, dos números lá expressos, o Fluminense, mesmo jogando no Serra Dourada, é franco favorito diante do Goiás, lá na rabeira e em crise aberta na diretoria. Mas, é justamente isso que mais preocupa o técnico Muricy – a história do leão ferido.

Além, claro, da ausência de Diguinho e a natural pressão para que Deco já comece no lugar do volante titular. Diguinho é mais defensivo, enquanto Deco, um craque ainda sem o devido ritmo de jogo, bem mais ofensivo. Será que Muricy, tão cauteloso, arriscará abrir esse seu meio-campo logo de cara? Tenho minhas dúvidas.

Já o Timão vai a Minas pegar o forte Cruzeiro, que até outro dia esteve nas mãos de Adílson, hoje técnico alvinegro.

Adílson acena com a possibilidade de entrar com três zagueiros. Deve ter lá seus recônditos motivos. Mas, o time jogou tão bem no domingo contra o São Paulo…

Enfim, é esperar pra ver.

Ah, sim, a propósito, o técnico Adílson Batista dá como quase certa a volta de Ronaldo Fenômeno no jogo do fim de semana do Corinthians. O craque fará um teste na sexta-feira, e se aprovado entra em campo, domingo, contra o Vitória.

Segundo o treinador, Ronaldo já está mais leve e terá condições de atuar, pelo menos, meio tempo.

Dilema na Vila

Wesley partiu e deixou um dilema na cabeça do técnico Dorival Jr. Maior até do que as provocadas pelas saídas de André e de Robinho, creia, amigo.

Sim, porque para o lugar de André será ocupado por Keirrison, jogador, digamos, da mesma estatura técnica do antigo titular, ou até mais, se voltar a jogar como o fazia no Coritiba e nas primeiras apresentações pelo Palmeiras.

Quanto a Robinho, claro, guardadas todas as imensas proporções, Zé Eduardo vem dando conta do recado sempre que entrou na equipe.

Mas, Wesley, um volante-meia de múltiplas funções na equipe, ah, esse é um problemão. Dorival tem um leque de opções: Danilo, Rodriguinho, Zézinho e, agora, o recém-chegado Rodrigo Possebon, um desses garotos que partem para a Europa antes mesmo de ganhar um fio de barba.

Revelado pelo Inter, confesso que não me lembro dele com a camisa colorada. Fui vê-lo, por alguns breves momentos, com a camisa rubra do Manchester United – entrou e saiu algumas vezes durante a temporada retrasada, assim como os gêmeos Rafael e Fábio, e, confesso, chamou-me a atenção.
Seu estilo não se assemelha ao de Wesley, mas sabe jogar, marca e pode muito bem vir a se integrar no espírito singular desse time peixeiro. É uma questão de tempo.

Notas relacionadas:

  1. TIMÃO, LÍDER
  2. AINDA LÍDER
  3. MAIS LÍDER AINDA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

segunda-feira, 23 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 15:51

ESSE RIO-SÃO PAULO PARALELO

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Até aqui, os cariocas estão vencendo os paulistas, nessa eterna disputada paralela no Brasileirão. O Flu é líder e o Botafogo terceiro colocado, enquanto o Vasco, nas mãos de PC Gusmão e com os novos reforços, sobe a cada rodada.

Só o Flamengo não acompanha seus pares nessa corrida. Mas, com a chegada da dupla de ataque Diogo-Deivid, por certo, haverá de melhorar substancialmente sua perfromance.

Em contrapartida, do lado dos paulistas, o São Paulo mergulha para as profundezas limítrofes á zona do rebaixamento e o Palmeiras não consegue evoluir sob o comando de Felipão. Neste caso, porém, a readaptação de Valdívia ao nosso futebol e a volta de Lincoln acenam para uma recuperação progressiva do Verdão.

O diabo é o São Paulo, que segue praticando um futebol opaco, sem alma nem talento. E é isso que preocupa o atacante Fernandão, mais até do que a delicada posição do seu time na tabela. Pela ausência de um meia criativo ao menos para dividir com Marlos a armação, defeito já crônico do Tricolor (assim como a ausência de um lateral—direito de ofício), o time não consegue tocar a bola, envolver o adversário e assim aproveitar o máximo da excelente dupla de ataque formada por Ricardo Oliveira e Fernandão.

O Santos, depois das atribulações recentes, o que certamente influiu no seu rendimento, tem bala para avançar mais daqui pra frente. Com Neymar e Ganso estabilizados emocionalmente, e Keirrison ganhando condições melhores de jogo, mais o menino Danilo ocupando a posição de Wesley, as coisas voltarão quase ao normal na vila. Fica faltando alguém para suprir – mesmo que num patamar inferior – a ausência de Robinho.

Bem, mesmo, continua o Corinthians, sob nova direção, vice-líder e com recursos técnicos para ameaçar e até ultrapassar o Fluminense, dependendo das circunstâncias, claro.

A formação adotada por Adílson contra o São Paulo conferiu maior equilíbrio ao meio-campo corintiano, com Elias, um desses raros casos de volante que tem ginga e velocidade para atuar como meia, mais avançado, ao lado de Bruno César, apoiando uma dupla de ataque versátil e rápida, que já vai compensando a ausência recorrente de Ronaldo Fenômeno. E olhe que ainda há o Dentinho para entrar aí.

Isso tudo, porém, é um flagrante do momento. Bola rolando nas tantas rodadas que faltam, quem sabe como esse quadro se alterará? Ou não.

Carabina calada

Foi-se o nosso Waldemar Carabina, aos 78 anos de idade.

Carabina, volante e quarto-zagueiro espigado, bom no cabeceio, teve a honra de se revelar naquele Ypiranga memorável da virada dos anos 40 para os 50. Aquele timaço de Liminha, Rúbens (depois, Walter Marciano), Silas, Bibe e Valter.

Não bastasse isso, mais tarde integrou-se à Academia do Palmeiras, já como quarto-zagueiro viril mas de boa técnica, onde protagonizou o insólito e antológico lance do “pênalti” em Pelé, engendrado pelo gênio também moleque do Rei.

Pra quem não sabe, foi assim. Corner a favor do Santos pela direita. No bolo da área, Pelé enlaçou seu braço esquerdo no direito de Carabina, levantou o direito, em sinal de protesto, gritando que estava sendo agarrado pelo adversário. Carabina, perplexo, ainda tentava retirar com toda força seu braço do enlace real quando o juiz já corria em direção à marca do pênalti.

O apelido, segundo ele mesmo me relatou anos atrás, quando já era treinador de futebol, nasceu de uma expressão do inesquecível comentarista Mário Moraes, o Leão, ao acertar um tiro de longa distância e muita potência no gol adversário: “Foi um tiro de carabina”, sentenciou Moraes no microfone da Panamericana, se não me engano.

Saudades, velho.

Notas relacionadas:

  1. E O SÃO PAULO CHEGOU
  2. CAMPEÃO, CAMPEONÍSSIMO SÃO PAULO
  3. VAIVÉM NO SÃO PAULO E PALMEIRAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 22 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 21:15

TIMÃO, CATEGÓRICO

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O Corinthians foi o grande vencedor dos dois clássicos deste domingo. Não apenas bateu o São Paulo com autoridade, por 3 a 0, como encostou novamente no líder Fluminense, que não foi além de um empate emocionante por 2 a 2 com o Vasco, no Maracanã.

No Pacaembu, Elias, com dois gols e movimentação magnética no meio de campo alvinegro, foi o grande destaque do clássico paulista. No Maracanã, Carlos Alberto, com afinco e ginga, jogou uma sombra até mesmo sobre a estreia de Deco.

Por fim, restou ao perdedor da rodada – o São Paulo – o gosto amargo de passar a rondar a zona do rebaixamento do campeonato, onde já se encontram dois grandes de muita tradição – Galo e Grêmio.

Verdão e Peixe

Duas estreias animaram santistas e palmeirenses neste domingo: Keirreson e Valdívida.

Na Vila, Keirrison entrou quando o Santos já vencia o Galo por 2 a 0, com direito a mais gols, além dos obtidos por Neymar, de pênalti, e de Danilo.

No Brinco de Ouro da Princesa, o Verdão, que havia cumprido épica performance no meio de semana, ao vencer o Vitória por 3 a 0, pela Sul-Americana, murchou diante do Guarani, mesmo com Valdívia entrando no segundo tempo.

Já o Peixe, livre dos assédios estrangeiros, retomou seu passo frente ao Galo. Meteu 2 a 0 e poderia ter ampliado esse placar dado o volume de jogo empreendido ao longo da partida, sob o comando de Ganso (meu Deus, como joga esse menino!) e de Neymar, enfim, definido.

Notas relacionadas:

  1. GALO, FLA E TIMÃO
  2. TIMÃO, LÍDER
  3. TIMÃO QUERIA, MAS QUEM PODE É O FLU
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

sábado, 21 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Futebol internacional, Seleção Brasileira | 18:53

DOMINGO DE GALA

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São dois clássicos de arrepiar: no Maracanã, o líder Flu de Muricy contra a estrela ascendente – o Vasco de PC Gusmão; no Pacaembu, o vice Corinthians de Adílson, ainda tomando tento no Parque, contra um São Paulo que se prevê mais ofensivo do que o habitual, agora sob o comando do novato Sérgio Baresi.

No Maracanã, há ainda a expectativa do confronto entre os dois quartetos ofensivos, além da estreia de Deco no Tricolor. Mas, na pior das hipóteses, pelos menos três deles de cada lado estarão em campo, o que já garante a probabilidade de um jogo emocionante e ousado.

No Pacaembu, findou a expectativa da volta de Ronaldo Fenômeno, o que deixa o Corinthians ainda carente de um centroavante de porte, ao contrário do São Paulo que, nesse quesito, sobra, pois tem dois para a mesma posição – Fernandão e Ricardo Oliveira – que podem jogar juntos.

E, se o técnico Baresi optar por Fernandinho em lugar de Richarlyson, pois essa é sua dúvida, Fernandão e Ricardo Oliveira, dois eméritos cabeceadores, por certo, serão favorecidos pelas infiltrações do ponta-esquerda até a linha de fundo.

De qualquer forma, um domingo de gala na ponte Rio-São Paulo.

Mano, treinando

Como a CBF não conseguiu fechar amistosos de nível para as duas próximas datas-Fifa, Mano decidiu chamar uma seleção de “estrangeiros” para fazer dois jogos-treinos lá na Europa.

É uma chance de conviver um pouco mais com os jogadores selecionáveis, observando de perto, sobretudo, os mais jovens candidatos a uma vaga na Seleção Olímpica.

Esse me parece o caso de Douglas Costa e P. Coutinho, que já chegou agradando em Milão. São dois meias de estilo e habilidade, do tipo de que tanto necessitamos e ao gosto do modelo que Mano pretende implantar no time nacional.

Surpreende a chamada de Hulk, que já não tem idade para as Olimpíadas mas estará em plena maturidade na época do Mundial. Embora badalado no futebol português, confesso que não tiver sorte nas poucas vezes em que o vi em ação.

Luís Fabiano, neste momento, me parece muito mais habilitado a uma convocação dessas. Vale, porém, a tentativa de Mano de ver mais de perto esse jogador, quem sabe…

Chuva de gols na Inglaterra

O Chelsea, campeão inglês, repetiu diante do Wigan a mesma goleada da estreia no campeonato imposta ao Weste Bromwich: 6 a 0. Não é mole, meu – doze gols marcados nas duas primeiras rodadas do certame sem levar unzinho sequer.

E olhe que o Wigan, no primeiro tempo, jogou melhor do que o Chelsea, apertou e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, no segundo, foi um massacre.

Massacre igual ao praticado pelo Arsenal sobre o caçula Blckpool, que esteara cheio de vento, metendo 4 a 0 no Wigan. Outro placar de 6 a 0, sem contar umas vinte chances claras – não é exagero, não – de ampliar esse placar já dilatado, raças à espetacular atuação do ponta Theo Walcott, ponta-ponta mesmo, desses que avançam pela direita, aos dribles e em alta velocidade.

Estarão os grandes times ingleses tão mais bem equipados do que os demais? Ou, estes é que não passam de frágeis coadjuvantes? Há um pouco de cada uma dessas coisas. Mas, acho que, acima de tudo, está a fome de gols que assola o futebol inglês. É a compulsão pelo espetáculo que move esses times a não se acomodarem quando alcançam um placar seguro.

Veja o caso do Arsenal. Já goleava por uns quatro ou cinco, não me lembro bem, quando, aproveitando-se da expulsão de um adversário, o técnico Wenger trocou o único volante de ofício da equipe (Diaby) por um meio-campista de extrema habilidade, passe exato e chute a gol, Fábregas.

É só uma questão de ver o que é melhor para o público ou o que é mais conveniente para o treinador.

Que beleza!

Bem que a CBF, onde a grana se acumula até o teto sem outro destino além da Seleção, poderia se mirar no exemplo alemão. A abertura do Campeonato Alemão, neste sábado, no Allianza Arena, foi digna de uma Copa do Mundo. Um espetáculo visual bonito, de bom gosto, sem exageros, e no tempo certo para não adiar demais o começo da partida entre Bayern de Munique e Wolfsburg, um belo jogo, diga-se.

O Bayern venceu por 2 a 1, com um gol de Schweinsteiger no finzinho do jogo, depois de o Wolfs ter criado e desperdiçado uma pá de oportunidades claras, sobretudo com o bósnio Dzek, um desses centroavantes espigados, que batem pra gol do jeito que a bola vem e de qualquer lugar.

E isso é só o começo.

Fogão, lá

O Botafogo, confirmando sua ascensão no campeonato, venceu o mistão do Avaí, numa tarde-noite festiva no Enegenhão. Festiva pela presença maciça dos torcedores alvinegros e, principalmente, pela homenagem prestada a um dos maiores ídolos da história do Botafogo – Jairzinho Furacão -, materializada numa bela estátua em bronze a se eternizar ao lado das de Garrincha e de Nilton Santos.

Na verdade, o Botafogo não jogou tudo o que vinha jogando nas últimas partidas, mas fez o suficiente para ganhar, com um gol de cabeça do zagueirão Fábio Ferreira numa daquelas cobranças de falta enviesadas que são o tormento de todas as defesas.

Mais que isso: o suficiente para abrir as portas do G-4 e passar a sonhar, na ilustre posição de terceiro colocado, sonhar em surpreender mais á frente Corinthians e Flu, por que não?

Grêmio, cá

Chiii… Logo na estreia de Mário Sérgio como treinador do Ceará, Renato Gaúcho sofreu sua primeira derrota no comando do Grêmio, que caiu para aquela incômoda posição limítrofe à zona do rebaixamento.

Segundo o próprio Mário Sérgio foi um jogo entre dois Grêmios, aqueles Grêmios que a torcida tricolor adora, muita força na disputa de bola e no congestionamento do meio-campo e da defesa.

- Cheguei no Ceará, olhei em volta e escolhi os jogadores mais fortes, pois conheço bem o futebol gaúcho – completou Mário Sérgio.

Resultado: um gol contra de cada um e o da vitória, de Geraldo, o veterano Geraldo, cuja força maior ainda é a habilidade.

Notas relacionadas:

  1. DOMINGO TENSO
  2. PALMEIRAS, INTER E CRUZEIRO, NA MOSCA
  3. CLÁSSICOS DE DOMINGO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , ,

quinta-feira, 19 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Futebol internacional | 15:35

A LA FELIPÃO

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Foi mesmo uma vitória a la Felipão, arrancada do ventre do time verde, aos gritos, como um dó de peito de tenor napolitano, daqueles de quebrar cristais.

Felipão conclamou a torcida, que inundou de verde o Pacaembu e não parou um instante de incentivar o time, e fez um remelexo na equipe que, de início, parecia levá-lo ao caos. Durante os primeiros vinte minutos de bola rolando, só deu Vitória, que, para cair fora da Sul-Americana teria de perder por, no mínimo, 3 a 0, coisa praticamente impossível.

Pois, aos poucos, o Palmeiras foi se arrumando em campo, a partir do momento em que o terceiro zagueiro Fabrício, recém-chegado da Gávea, passou a atuar como lateral-esquerdo, o que permitiu ao seu time equilibrar as ações do meio de campo. E, já nos descontos do primeiro tempo, Tadeu recebeu em velocidade e matou o goleiro Vaiafara.

O mesmo Viafara que, no início do segundo tempo fez uma tremenda lambança lá na lateral, cujo desfecho foi outro gol de Tadeu, aquele que demoliria de vez o moral dos baianos, já afetado pelo clima todo que os envolvia.

Eis, porém, que quando já se esperava a decisão por pênaltis, Marcos Assunção acertou aquele petardo no ângulo de Viafara, aos 43 minutos da etapa final, e abriu as portas para seguir em frente na Sul-Americana.

Dito assim até parece pouca coisa. Mas, uma vitória dessas, às vésperas da reestreia de Valdívia, ídolo da torcida palestrina, tem o poder mágico de soldar o time à galera verde e dar uma nova feição a esse Palmeiras que há muito tempo carece, antes de mais nada, dessa força anímica exibida na noite encantada do Pacaembu.

Clássico dos quartetos

Já está no ar o clássico carioca de domingo, entre Vasco e Fluminense. Não apenas porque o Flu é o líder isolado do campeonato e o Vasco, nas mãos de PC Gusmão, vem em franca ascensão, mas, sobretudo, pelo duelo de alta classe que se prenuncia entre os dois quartetos de frente de ambos os times.

De um lado, a possibilidade de o Vasco contar com Felipe, Carlos Alberto, Zé Roberto e Éder Luís, todos juntos pela primeira vez nesta temporada. De outro, a esperança na estreia de Deco, seja começando a partida, seja entrando no seu decorrer, ao lado de Conca, Emerson e Washington.

PC e Muricy testaram essas formações nos treinamentos e se fecharam em copas.

No caso do Vasco, seu treinador não teria de fazer nenhuma alteração no sistema tático adotado, mas, certamente, teme uma fragilização na marcação de meio de campo, sobretudo porque Felipe ainda não está fisicamente nos trinques, o que o compromete no cumprimento das duas funções básicas – marcar e armar.

No caso do Flu, o aproveitamento de Deco, também ainda aquém de sua melhor forma física, claro, implicaria em abrir mão de um dos três zagueiros, expediente tão a gosto de Muricy.

O jeito é esperar pelas definições dos dois técnicos, na certeza de que teremos um belo jogo no Maracanã.

A Fifa e o espetáculo

O presidente da Fifa, Sepp Blatter, revelou outro dia sua preocupação com o nível técnico dos jogos da Copa do Mundo, um futebol excessivamente defensivo para seu gosto e do público em geral.

Acha o presidente que a saída para esse impasse é eliminar o empate da competição – o jogo que terminasse em igualdade no placar teria uma definição em pênaltis ou morte súbita, o tal gol de ouro, já enterrado e sepultado.

Ora, esse desfecho, no meu modo de ver, teria efeito contrário, estimulando mais a retranca do que impulsionando os times para frente. Afinal, a imensa maioria dos competidores já entra em campo em inferioridade técnica, e sua única proposta é levar de barriga até onde der sua participação no evento. (Além do mais, seria contraproducente – nesse sentido – equiparar um empate de 4 a 4, por exemplo, com um mirrado e sonolento 0 a 0).

E é aqui que está o enrosco: o número excessivo de participantes da Copa, dobrado desde os bons tempos dos 16 disputantes de outrora. É muita seleção ruim em campo.

A fragmentação do Leste Europeu, depois da queda do Muro de Berlim, somada às vagas abertas para a Ásia, África, Américas do Norte e Central, mais Oceania são as responsáveis pela baixa de qualidade da competição.

O ideal seria reduzir-se o número de participantes da Copa, o que me parece inviável, por todas as razões políticas implícitas no processo.

Mas, se a Fifa quer melhorar o espetáculo, estimulando um futebol ofensivo com mais gols e emoções, que vá direto ao assunto: se o assunto é gol, então que se valorize esse que é o objetivo essencial do jogo.

Para tanto, há duas alternativas: 1) estabelecer um valor extra por cada gol marcado; 2) estabelecer um valor extra por gols assinalados acima de dois ou três.

A segunda alternativa, aliás, já foi usada aqui no Brasil com muito sucesso, até a Fifa proibir, coisa de um ponto extra quando o time marcava no mínimo três gols na partida.

E, se quiser, de quebra, pode incluir aquele sistema do excesso de faltas coletivas convertidas em pênalti ou cobrança sem barreira da meia-lua, como também já foi praticado por aqui, com pleno êxito.

Isso é andar pra frente, não pra trás.

Neymar fica

Ainda bem, para ele e para nós, que poderemos continuar nos encantando com seu futebol mágico duas vezes por semana, aqui, sua terra, sua gente.

Para ele, porque terá tempo suficiente para desenvolver seu físico, sua alma e seu futebol até chegar a hora da despedida. Para nós, porque teremos aí um longo tempo de degustação de seu jogo imprevisível, inventivo, absolutamente fora dos padrões convencionais, seja com a camisa do Santos, seja com a canarinho.

Neymar tem apenas 18 anos de idade, gente. É uma criança, embora maduro o suficiente para encarar qualquer parada. Até poderia dar certo no Chelsea logo de cara, Tem bola e personalidade pra isso. Mas, teria de vencer barreiras que, aqui, ele já transpôs com duas ou três pedaladas.

Em geral, o cara mais experiente e vivido leva um ano de adaptação no futebol europeu. Um ano de ostracismo. A grande exceção foi Kaká, que chegou no Milan e explodiu de cara. Mas, Kaká vinha de outra fornada e já tinha lá seus 21 anos de idade quando estreou no Milan.

Neymar iria para o Chelsea, comandado por um técnico italiano, Mancini, em geral forjado mais nos conceitos táticos do que na virtuosidade individual, que é o charme de Neymar.

Tenho, pois, minhas dúvidas de que o menino, lá, teria o espaço e o tempo que o Santos lhe oferece para desenvolver ao máximo seu potencial.

Já de cara, quando se deparasse com aquele caiçarinha mirrado, Mancini, por certo, o mandaria para o departamento de preparação física para ganhar corpo antes sequer de cogitar em aproveitá-lo no time principal.

Na Vila, não. Na Vila, Neymar vai se desenvolver como manda a natureza, com o apoio de todos, sobretudo de Ganso, seu parceiro de longa data e funda afeição.

E, nesse imbróglio todo, vale ressaltar a ação do presidente do Santos, Luís Álvaro, que conseguiu em breve tempo amarrar um pacote de vantagens para o craque capaz de desfazer o encanto da proposta milionária do Chelsea.

Coisa de quem é do ramo e não se submete passivamente aos ditames de um mercado de uma só mão.

Assim como o Corinthians fez com Ronaldo Fenômeno – guardadas as proporções e as características das respectivas negociações -, o Santos abre um novo caminho para o futebol brasileiro se livrar dos grilhões do mercado, que, até agora, só mostrava uma saída: exportar craques, a qualquer preço, em qualquer idade, por qualquer circunstância.

O que, aliás, prova haver neste país condições para elevar-se o nível do espetáculo a um ponto em que nossa dependência ao euro e ao dólar se reduzam a níveis aceitáveis num mundo globalizado. Basta arregaçar as mangas e botar a cabeça pra funcionar.

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terça-feira, 17 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Copa Sul-Americana, Libertadores | 15:35

INTER, COM AS MÃOS NA TAÇA

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Não posso sequer imaginar o Inter perdendo o título da Libertadores em pleno Beira-Rio. E o Beira-Rio, tingido de vermelho, sem dúvida, estará pleno nesta noite de quarta-feira, quando o Colorado enfrentará o Chivas.

Antes de mais nada, porque o Inter é um time de primeira e está um aço, tanto na alma quanto na bola. Prova disso, a maneira descontraída e envolvente com que atuou na vitória sobre o Chivas, lá. Depois, porque o Chivas não chega a ser lá essas coisas, apesar da eficiente campanha no torneio continental.

Ânimo, Palestra!

Agora, sim, Felipão está no seu papel preferido: escudado na primeira vitória do Palmeiras sob seu comando, busca levantar o moral da tropa e conclama a torcida a apoiar com fé seu time na tarefa quase impossível de meter 3 a 0 no Vitória, no Pacaembu, e seguir em frente na Sul-Americana na noite desta quinta-feira.

Quase impossível porque, além da vantagem de dois gols, o Vitória é um excelente time, bem regido pelo veterano Ramón e com esse esperto Elkeson lá na frente.

Uma vitória, mesmo que não com o placar desejado, porém, já servirá para, pelo menos, manter em alta o ânimo da moçada. E esse é o grande entrave do Palmeiras, desde o final desastroso da temporada passada.

Que desânimo, Peixe…

Já o Santos, tão conturbado pelo assédio de outros clubes sobre seus principais jogadores, pega o Avaí, na Ressacada, nesta quarta, praticamente sem chances de seguir avante na Copa Sul-Americana.

Aqueles desastrosos 3 a 1 no jogo do Pacaembu, semana passada foram excessivos para a esperança de um time em plena turbulência, cheio de desfalques e medos. Isso, sem falar no valor do Avaí, que está ciscando no G-4 do Brasileirão desde o começo do campeonato.

Craques sensíveis

A reação de Ronaldo Fenômeno no seu twitter, apoiado por Kaká, revela como os jogadores atuais perderam o contato com a realidade: não há um ser vivo que duvide do talento de Ronaldo e de Kaká. Nem mesmo o poder de recuperação dos dois craques, sobretudo Ronaldo que renasceu das cinzas várias vezes em sua brilhante carreira. O que há é apenas a constatação do momento. E, neste momento, ambos estão fora de combate. Ponto.

Temporizo essa susceptibilidade excessiva, porque no passado não era bem assim.

Lembro que critiquei, pontualmente, gênios da bola como Carlos Alberto Torres, Rivellino, Zico, entre outros, e nunca nenhum deles teve uma palavra sequer de mágoa ou rancor. Aliás, somos amigos até hoje.

Técnicos do porte de um Oswaldo Brandão, um Zagallo, um Parreira foram alvos de muitas críticas deste cronista menor, e jamais me negaram um aperto de mão efusivo.

As coisa mudanrono munto, si mudarono, como dizia o carcamano interpretado pelo saudoso Vicente Leporace, no rádio antigo.

Notas relacionadas:

  1. INTER, VASCO E GALO
  2. INTER, LÂMINA AFIADA
  3. INTER EM SINTONIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

domingo, 15 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:57

TIMÃO QUERIA, MAS QUEM PODE É O FLU

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Bem que o Corinthians queria aproveitar esta rodada do Brasileirão para recuperar a liderança. Queria… Mas, nem se vencesse o Avaí na Ressacada, teria alcançado seu objetivo, pois o Fluminense de Muricy, a cada rodada, mais vai fincando sua bandeira no topo da tabela.

Ah, mas o Flu pegou em casa o reserva do Inter, de corpo e alma voltado para a decisão da Libertadores, quarta-feira, no Beira-Rio. Sim, mas espie só esse time reserva do Colorado e verá que não é nenhuma baba, nenhuma galinha morta. Ao contrário: se estivesse disputando o Brasileirão com uma outra camisa de igual porte estaria aí brigando por uma vaga entre os quatro primeiros, creia.

O fato é que o Tricolor carioca está em estado de graça, e, com os 3 a 0 sobre o Inter, abriu quatro pontos de distância do Timão, que continua se ressentindo da ausência de um centroavante de escol.

Nem falo em Ronaldo Fenômeno, que esse está num patamar acima dos mortais, mas sem condições de jogo. Falo de alguém que possa atuar no nível dos demais corintianos que entram em campo.

Mesmo assim, graças a Bruno César, esse meia em alta no Parque, o Corinthians chegou a marcar dois gols no Avaí, o que não é pouco, convenhamos. Mas, insuficiente, para se igualar aos três do time Catarina, que vai de vento em popa sob o leme de Antônio Lopes, como o fora com Silas, no ano passado.

O salto do Bota

Ao vencer o lanterna Atlético GO por 2 a 0, num segundo tempo exemplar, o campeão carioca, que vinha caminhando à sombra do campeonato, acabou saltando para a quarta posição, situando-se no chamado G-4.

Depois de um tempo de hesitação, o fato é que jogadores como Somália, Edno e Jobson começam a pegar no breu, e o time todo cresceu com isso.

A estreia de Baresi

Confesso que gostei do São Paulo, na estreia do técnico interino Sérgio Baresi, no empate por 2 a 2 contra o Cruzeiro. Aliás, gostei do Cruzeiro também, e, consequentemente, do jogo, que foi instigante, cheio de alternâncias e de jogadas interessantes, além dos quatro gols.

Foi um São Paulo mais solto do que habitual, que bateu ficha com a Raposa, um time de respeito, capaz de ir longe neste Brasileirão, ainda.

E que teve no menino Casemiro, volante de boa estatura e muita técnica, autor de um dos gols, seu ponto alto, ao lado de Carlinhos Paraíba, que andava encostado no São Paulo de Ricardo Gomes.

Ufa, Palestra!

Finalmente, no sábado, o Palmeiras ganhou uma: 2 a 0, em casa, no Atlético Paranaense, com direito a um golaço de Ewerthon, graças ao passe genial de Tinga, o assistente do jogo. Ainda que Ewerthon estivesse impedido. Mas, o bandeira não deu e Felipão, por fim, conseguiu colher sua primeira vitória.

Não, não foi uma exibição de gala do Palmeiras. Ao contrário: foi uma vitória sofrida, cavada com muitas faltas praticadas pelo Verdão, e que Felipão creditou, ao cabo, à alma verde que se apossou de seu time.

É o tipo do discurso que toca a galera, a quem Felipão repreendeu por não fazer pressão sobre o juiz, de acordo com a cartilha dos que creem que futebol se ganha no grito.
Às vezes, isso é verdade. Mas, em geral, futebol se ganha jogando bola.

E o Palmeiras, com a volta de Lincoln e a reestreia de Valdívia, por certo, ganhará muito nesse quesito.

Peixe, com emoção

O Santos, sob fogo cerrado dos gringos interessados em seus principais jogadores, já sem Robinho e André e com um time misto, foi ao Barradão e levou de 4 a 2 do Vitória. Apesar disso tudo, como de hábito, o Peixe ofereceu um espetáculo emocionante, que, até na adversidade, jamais deixou de atacar o Vitória.

Basta dizer que o Vitória disparou 2 a 0 logo no começo do jogo, o Santos reduziu antes do intervalo, e, no segundo tempo, sempre que estava a pique de atingir o empate, tomava um contragolpe fatal. Teve dois jogadores expulsos, e ainda assim seguiu buscando o gol, sob o comando desse extraordinário Ganso. Não fosse por mais nada, só por ele valia a pena ver o jogo, graças ao seu futebol elegante, sagaz, diferente de tudo o mais que há por aí.

Grêmio e Galo

O Grêmio, já sob o comando de Renato Gaúcho, bateu o Goiás, no Olímpico, e começa a esticar a cabeça fora da zona do rebaixamento. Era o esperado, nem tanto por Renato, embora também, mas porque o Tricolor gaúcho tem um elenco muito mais qualificado do que a posição que ocupa agora na tabela.

É o caso do Galo, que, no sábado, meteu 3 a 1 no Guarani, em casa, com dois gols de Tardelli, o que sugere que a Seleção fez um bem danado ao artilheiro atleticano. Não é aceitável que o Atlético, com o elenco de que dispõe e tendo Luxemburgo no comando, permaneça lá na rabeira do campeonato.

Notas relacionadas:

  1. TOQUE TRICOLOR
  2. CINCO JOGOS BÁSICOS
  3. TIMÃO LÁ EM CIMA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , ,

sábado, 14 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Seleção Brasileira | 17:19

O CLÁSSICO QUE PODERIA SER

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Pena que o Inter entre com seu time reserva diante do líder Fluminense, pois este seria, sem dúvida, o clássico da rodada de domingo. Mas, mesmo tão desfalcado, o Colorado pode surpreender, embora o Tricolor seja franco favorito.

Não só porque é líder e está jogando, mas, sobretudo, porque está embalado emocionalmente, com a chegada de Deco, logo depois da ida às Laranjeiras de Washington, o que confere ao Flu um poder ofensivo raro neste campeonato.

O outro grande clássico nacional do domingo é São Paulo e Cruzeiro, que vem revistido de um fato novo: a estreia do garoto Sérgio Baresi como técnico interino – quem sabe, definitivo – do Tricolor.

Garoto porque é de ontem a lembrança dele jogando como zagueiro dos juniores do São Paulo. Mas, já técnico das categorias de base por um bom tempo, o que lhe confere certa experiência para tentar mudar o braço da viola desse time que se repete à exaustão.

Nem repito a voz comum que diz que esse time não renovou. Renovou-se, sim. Só para esta temporada, o São Paulo contratou uma penca de novos jogadores. Não mudou foi seu jeito de jogar – aquele velho esquema de se defender antes de tudo, contragolpear em lances longos e nunca tentar envolver o adversário no toque de bola, que é o sal do jogo.

De resto, é esperar pra ver.

Luz nas trevas

Aos poucos, vai se lançando luzes sobre as trevas que cercaram a Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África.

Cada vez mais me convenço que, por trás da grosseria fascista que blindou nosso time na África, havia um toque de esperteza: impedir que a imprensa invadisse os segredos guardados a sete chaves por Dunga e cia.

Peitar a toda poderosa Globo – um elefante em loja de louças -, com tanta rejeição por aí, eleger a imprensa – em geral, condenada por grande parcela de uma opinião pública que não lê nem faz reflexões – como a grande inimiga, e exaltar o tal fervor nacional como única alternativa pra quem seja patriota, fazia parte de um plano, ainda que tosco, para desviar a atenção do torcedor para as reais questões da Seleção.

Durante meses, advertimos para o risco de irmos à Copa com apenas um meia – Kaká, evidentemente baleado, seja pelos problemas pubianos, seja pelas sequelas dessa lesão básica.  Em vão. Kaká foi como nosso único meia, não produziu metade do que é capaz e agora vem a público confessar que jogou sob infiltrações no joelho para aplacar as dores atrozes que o consumiam.

Esses idiotas, que desdenham da história por desconhecê-la, nunca vão aprender que a verdade, mais cedo ou mais tarde sempre vem à tona. E eles, de heróis temporais, acabam sempre se transformando em vilões eternos.

Notas relacionadas:

  1. QUEM NO LUGAR DE KAKÁ
  2. RODADA DE FOGO
  3. TRÊS CLÁSSICOS BRASILEIROS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

terça-feira, 10 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 16:42

FELIPÃO VERSUS VITÓRIA

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Vitória, na verdade, não tem sido a peça de resistência no cardápio de Felipão, desde sua festejada volta ao Palmeiras. Há quem diga que, a propósito dos cinco jogos sem vitória sob o seu comando, Felipão dungou.

Não me parece preciso isso. Afinal, Felipão sempre foi assim, meio desbocado, irritadiço, um tanto temperamental nos momentos críticos, embora também saiba recorrer ao bom humor quando lhe convém. Diria que está mais para Muricy do que para o Dunga da Copa do Mundo.

Os mais maldosos, então, garantem que nesta noite de quarta-feira, enfim, Felipão conhecerá, não necessariamente a vitória, mas com certeza o Vitória, vice-campeão da Copa do Brasil – Toninho Cecílio, que ele conhece de longa data, diga-se.

O problema é que Felipão voltou para o Palestra Itália a bordo de uma negociação milionária e cercada de uma expectativa quase messiânica.

No imaginário verde, era chegar e tocar aquela lata-velha para transformá-la em ouro reluzente na hora. Ora, na vida real sabemos que não é bem assim que as coisas acontecem.

Em primeiro lugar, o elenco palmeirense não é nenhuma lata-velha, embora não seja nem de longe uma Ferrari. Mas, não é inferior, por exemplo, ao líder Fluminense, que corre lá na ponta, anos-luz à frente do Palmeiras.

Felipão, na verdade, nunca se notabilizou por ser um estrategista de sofisticadas soluções técnicas ou táticas, ainda que seja excelente treinador de times. É muito mais, no entanto, um motivador, um líder que sabe mexer com os brios de sua equipe e tal e cousa e lousa e maripousa.

E é justamente na sua praia que Felipão não está conseguindo até agora obter os resultados desejados, pois o time segue inseguro, hesitante, como o era nas mãos de Muricy e todos os outros que o antecederam nos últimos tempos, com exceção daquele breve período sob o comando do interino Jorginho.

Desconfio que seja essa a origem das reações um tanto intempestivas do treinador, não propriamente as perguntas dos repórteres sobre quais explicações ele pode dar para a série de cinco jogos sem vitória.
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INTERINO DEFINITIVO

O São Paulo acaba de anunciar algo inusitado: um técnico interino que até pode se transformar em definitivo, enquanto dure. Sérgio Baresi, que apesar do apelido herdado do extraordinário italiano Franco, foi um zagueiro que não conseguiu alçar grandes voos, mas que fez bela figura á frente dos juniores do São Paulo na última Copa São Paulo.

Não apenas porque a conquistou, mas, sobretudo, porque traçou um perfil muito distinto daquele adotado pelos titulares: uma equipe ofensiva, leve, envolvente, com bom toque de bola e aguda no ataque. Se conseguir transplantar esse modelo para o time titular, Baresi não será apenas definitivo, mas eterno.

Com Baresi, o São Paulo tem a chance de iniciar uma remodelação progressiva. Não só da equipe, renovando-a com o lançamento de garotos que estejam em condições de já ir entrando na equipe principal para pegar cancha. Mas, principalmente, implantar um novo modelo de jogo, mas próximo do que se pratica nos principais centros do mundo, algo mais semelhante ao nosso Santos do que essa retranca, sucata dos anos 90, que tem prevalecido nos últimos tempos, para o bem e para o mal.

FALANDO EM SANTOS…

Ao contrário de Felipão que resolveu jogar a toalha no Brasileirão e apostar tudo na Sul-Americana, Dorival Júnior, no Bem, Amigos, foi enfático: mesmo já com vaga assegurada na próxima Libertadores, vai encarar tanto esse torneio continental quanto o Brasileirão com igual interesse.

Prevejo, porém, problemas maiores do que o esperado se o Santos perder agora o volante e meia Wesley, não tão badalado quanto Ganso e Neymar, por exemplo, mas essencial para manter esse ritmo alucinante com que o Santos, que pega nesta quinta o Avaí, na Vila, passa da defesa ao ataque.

De qualquer forma, Dorival Júnior já deu uma pista, no papo que se sucedeu ao programa, na mesa do Lellis. Lembrando seu ilustre tio Dudu, um meia ofensivo de muita vitalidade e habilidade insuficiente para a época, embora excelente tecnicamente, que foi recuado para a cabeça-de-área, onde plantou seu nome para a eternidade, Dorival deu a dica – é o que pretende fazer, sempre que possível.

É muito melhor você recuar um meia não tão hábil para a posição de volante do que inverter o processo, tendência dos últimos vinte anos, transformando um volante em meia, pois abre espaço para meias autênticos ao mesmo tempo em que qualifica o setor dos volantes, mais técnicos e hábeis do que os habituais brucutus de plantão.

Aliás, foi o que fez Antonio Lopes com Wesley, nos tempos do Atlético PR: recuou o garoto, que era um meia contestado, para transformá-lo num volante de fino desempenho.

RENATO DE VOLTA AO LAR

A verdade é que Silas não conseguiu passar pelo goto, assim mesmo, sem “s” (quem não souber, procure no dicionário, hábito que todos deveriam cultivar principalmente nestes tempos de internet), do torcedor gremista, desde que lá chegou.

Ganhou o Gauchão, montando um time leve demais para o gosto (agora, com “s”) da torcida tricolor, e passou esse tempo todo sob intenso bombardeio, com alguns breves momentos de trégua.

Com a crítica situação na tabela do Brasileirão, não havia como mantê-lo no comando do Grêmio. E a diretoria foi rápida e certeira no gatilho: trouxe logo sua antítese – Renato Gaúcho, ídolo revelado pelo próprio clube, onde foi campeão mundial e outros bichos de bom tamanho.

Agora, é esperar pra ver como toda essa energia se transformará em sinergia, pelo menos, o suficiente para arrancar o Grêmio da situação incômoda atual.

Notas relacionadas:

  1. TARDE DE VINGANÇAS
  2. RODADA DE FOGO
  3. JOGANDO NO COLO ALHEIO
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

domingo, 8 de agosto de 2010 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros | 20:54

FLU, TIMÃO E AQUELE TIME DE AZUL E AMARELO

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O Corinthians dominou aquele time de uniforme azul e listras amarelas, de cabo a rabo, e venceu por 1 a 0, gol de Elias. Quer dizer, menos o rabo, quando aquele time de uniforme azul com listras amarelas pressionou e obrigou o goleiro Júlio César a fazer duas ou três excelentes defesas.

Mas, que time era esse de uniforme azul com listras amarelas? Ora, levava o glorioso nome do Flamengo, derivado de flamingo, ave de coloração rosada, rêmiges pretos e asas de  um encarnado vivo. E afamado por sua flama e muita ginga. Pois, esse time de azul com listras amarelas nem foi flamejante, nem teve ginga ou mengo.

E o Corinthians, em tarde de Jucilei, venceu com folga esse jogo, apesar do placar modesto.
Apesar disso, continua na vice-liderança, pois o Fluminense de Muricy foi ao Olímpico e arrancou uma vitória portentosa sobre o Grêmio em crise, por 2 a 1, confirmando sua liderança. Quanto ao Grêmio, fossa total. E, Silas, claro, foi demitido, como se esperava há muito tempo.

Verdão empacado

Já o Palmeiras, se não mergulhou na fossa, segue caminhando jururu nesse campeonato, com a quinta partida seguida sob o comando de Felipão, saudado com salvador da pátria à sua chegada, sem vencer. Não perdeu, ao menos. Mas, empatou por 1 a 1 com o Goiás, lá no Serra Dourada, placar convencional, digamos, não se somasse a essa série de infortúnios recentes.

Estamos lá

O Brasil já está em Nova Jersey, com exceção da turma que participou da rodada do Brasileirão deste fim de semana.

A questão é saber como Mano Menezes vai montar esse time, já que o treinador não deu nenhuma pista a respeito até agora.

Vale espiar o retrospecto do treinador e fazer um exercício de imaginação, em cima de suas predileções.

Diante disso, arrisco aqui um time: Vítor; Daniel Alves, Thiago, David e André Santos; Jucilei, Hernanes e Ganso; Robinho, André e Neymar.

Jucilei, pela ausência de Sandro, que, segundo Mano declarou no Bem, Amigos eram os únicos dois primeiros volantes chamados por ele. E André, pela contusão de Pato, o que, também, lhe permitiria transportar do Santos uma peça inteira de ataque: Ganso, Robinho, André e Neymar.

Mas…

Que pobreza…

O São Paulo ganhou de presente esse empate por 1 a 1 com o Furacão, na Arena da Baixada, pois nada fez para merecê-lo. O Atlético foi melhor o tempo todo e só não alcançou um resultado folgado porque Rogério Ceni estava lá, atento, como sempre, diga-se.
O gol tricolor, de Cleber Santana, foi fruto de um dos raros contragolpes de Marlos pela esquerda, quando maior era a pressão do adversário, que empatou com Maikon Leite logo em seguida.
Ao São Paulo não basta trocar de técnico. Urge trocar de conceito sobre sua forma de jogar, já esgotada há muito tempo.

Deco da hora

Finalmente, o Fluminense encerrou as negociações com Deco, que está para desembarcar nas Laranjeiras logo, logo. Deco, há duas temporadas, já não é aquele meia magnífico do Barça e da Seleção Portuguesa. Mas, sabe jogar como poucos. E, neste burocrático futebol brasileiro, ao lado de Conca e atrás de Fred e Washington, sem dúvida haverá de conferir um toque extra de classe e inteligência ao Tricolor carioca.

Quem, afinal?

Rolam muitos nomes com vistas à vaga deixada por Ricardo Gomes, a mais anunciada dispensa da história do São Paulo. Ricardo Gomes chegou porque tinha “postura”, como dizia o presidente do clube, e saiu porque não tinha estofo para tocar um time de tal magnitude. Fala-se em Dunga – já descartado por um diretor -, em Silas e em Sérgio Soares. Mas, há dias, um passarinho me soprou que o nome desejado de fato é o de Wanderley Luxemburgo, até agora vetado pelo São Paulo por razões que escapam à sua mera competência como treinador. É esperar pra ver.

Supercopas

O Bayern, mesmo sem Robben, machucado ainda, e Ribéry, envolvido em caso de eventuais relações com uma menor de idade, levantou a Supercopa da Alemanha, batendo o Schalke 04 por 2 a 0, gols de Klose e Muller, a nova sensação do futebol tedesco. Pelo visto, o Bayern vai levar de galopinho esta temporada alemã.

Já na Inglaterra, o Manchester ganhou a taça da Supercopa, ao vencer o Chelsea por 3 a 1, com todos os méritos, numa situação inusitada: o torneio é disputado desde um século entre os campeões do Campeonato Inglês e da Copa da Inglaterra. Sucede que o Chelsea, nesta temporada, ganhou as duas taças, e o Manchester entrou como vice, e saiu como campeão, com todos os méritos, pois foi muito melhor.

Notas relacionadas:

  1. O ENIGMA AZUL DO VERDÃO
  2. NOITE TRICOLOR… E AZUL
  3. PALMEIRAS? DEIXE-ME EXPLICAR
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

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