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Arquivo da Categoria Campeonato Brasileiro

21/11/2009 - 22:07

HERÓICO TIMBU

Se o Náutico conseguir escapar da queda, esta noite de sábado entrará para os anais do clube, pois, terá sido o ponto de inflexão para a fuga desejada.

A revirada alvirrubra, gente, no finzinho do jogo, quando o placar parecia já definido a favor do Corinthians, foi simplesmente uma comoção, coisa de arrepiar, uma Batalha dos Aflitos ao inverso. Com um jogador a menos, diante de um Corinthians que havia virado o jogo para 2 a 1 e acumulava chances de gols perdidos, na casa do adversário, o Náutico foi lá, e, em três pontadas, revirou o placar para 3 a 2.

Ah, mas não foi pênalti a falta decisiva da partida, de Escudero em Aílton, que começou a ser agarrado antes da risca da área, dirá o amigo alvinegro. Tenho minhas dúvidas, depois de várias repetições na tv, se a ação faltosa do zagueiro corintiano não se estendeu para além da risca. Na dúvida, pró-ataque, como reza a cartilha de i9nstruções da IB.

O fato é que o bandeirinha, o componente da arbitragem mais próximo do lance e com melhor visão, não teve dúvidas: cal!

Quanto ao Timão, que fez um primeiro tempo sem nenhuma inspiração, melhorou muito no segundo, sobretudo com as participações de Ronaldo, que fez um gol, deu o passe para o segundo e perdeu duas chances (uma, cara a cara com o goleiro) claras para ampliar.

Mano tem muito que manejar esse tipo até achar o ponto ideal para pegar a libertadores com possibilidades de levantar a taça intercontinental pela primeira vez na história do clube.

Escudero mantém "média" de cartões (Charge de Milton Trajano)

Escudero mantém "média" de cartões (Charge de Milton Trajano)

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
19/11/2009 - 20:38

CHORO DEPOIS DA BRIGA

Leio que o menino Maurício chorou depois daquele entrevero com Obina.

Talvez, ainda mais comovido pelo fato de a diretoria verde ter dado um basta na vida dos dois no Parque. Atitude, cá entre nós, impensada e impensável, partindo de uma turma, em geral, muito equilibrada, apesar das recentes diatribes do presidente Belluzzo contra o juiz Simon.

Tudo bem: a diretoria até poderia chegar a essa decisão. Mas, não sem antes esfriar a cuca e consultar todos os interessados – comissão técnica, jogadores etc. Mesmo porque nem Obina, nem Maurício têm um histórico de indisciplinas no clube e até mesmo na carreira.

Resumindo, baixou a Calábria no Palestra Itália, quando mais conveniente seria ter baixado a Sicília, onde a vingança é sempre um prato a ser digerido frio.

E OS OUTROS?

Bem, cabe a São Paulo, Flamengo, Galo e Inter manterem-se eretos na rodada deste fim de semana, pois mais um tropeção e o Palestra volta à cena, já um tantinho revigorado, talvez na esperança de que alguém lá em cima esteja velando por ele.

Dizem por aí que, no tocante a São e Paulo e Flamengo, a tarefa mais árdua é a do Tricolor que terá de vencer o desesperado Botafogo lá no Engenhão, entre outras coisas, porque jogará desfalcado de cinco titulares.

Pode ser Aliás, acho até muito provável. Mas, é sempre bom lembrar que a grande vantagem do São Paulo neste campeonato é ter um elenco muito equilibrado: nenhum craque de linha desses de arrancar suspiros, mas todos bons jogadores, titulares e reservas, o que lhe confere a regularidade, razão principal de sua liderança.

Quanto ao Mengão, que pega um Goiás, em queda livre, apesar da última vitória, leva a vantagem de jogar num Maracanã delirante, sob o empuxe daquela torcida inigualável. Isso, sem falar em Pet, Adriano e cia.

Mas, depois de tudo que vi até agora no campeonato, sigo sem arriscar nenhum palpite.

TRIBUTO Á RAÇA NEGRA

Esta quinta é feriado, Dia da Raça Negra. Então, permita-me, neguinha, prestar um singelo tributo a esses negros e mulatos maravilhosos que nos encantaram campos afora com seu talento inexcedível, escalando uma seleção de todos os tempos que vi em ação: Dida ou Barbosa. Djalma Santos, Luís Pereira, Aldair e Leovigildo Júnior. Bauer, Zizinho e Pelé; Garrincha, Leônidas da Silva e Canhoteiro.

Isso, sem falar na legião de tantos outros, imensos craques, como Didi, Tesourinha, Coutinho, Edu, Paulo César Caju, Jairzinho, o Furacão da Copa, Luís Pereira, Ademir da Guia, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Romário etc.

Claro que estou deixando de fora alguns monstros sagrados de nossa história que não cheguei a ver jogar, a não ser, eventualmente, em alguma seleção de veteranos, como é o caso de Domingos da Guia, o Divino. Pude vê-lo, ainda menino, defendendo a Seleção Brasileira, em 53, num Campeonato Sul-Americano de Veteranos, realizado no Pacaembu, em 1953.

Domingos não foi apenas, segundo os relatos da época e o testemunho impecável de alguns contemporâneos, simplesmente único. Não só pela bola que jogava. Mas, também, por impor sua negritude sobre os cartolas da época, um gesto singular num tempo em que ainda se ouviam o tilentar das correntes na Senzala disfarçada de urbanidade. Fenômeno semelhante ao a tra´gica figura de Fausto, a Maravilha Negra, que morreu jovem, de tuberculose, praticamente em campo.

E, sim, Arthur Friedenrech, esse mulato de olhos verdes, filho de um comerciante alemão e uma cozinheira negra, primeiro ídolo nacional,que reinou no futebol brasileiro durante vinte anos, nas primeiras décadas do século passado, sem o apoio de uma rede de comunicações como a de hoje, com fidalguia e talento incomparáveis.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
19/11/2009 - 00:21

CATÁSTROFE! MAS PODIA SER PIOR

gremio2x0sep

A ida do Palmeiras ao Olímpico só não foi uma tragédia sem par porque o Grêmio, do início ao fim do jogo, parecia disposto tão somente a preservar sua longa invencibilidade em casa: fez 1 a 0, com Rafael Marques no finzinho do primeiro tempo, e completou o placar com Max Lopes aos 22 minutos do segundo, quando o Verdão estava com apenas nove jogadores, já que Obina e Maurício, ao cabo da etapa inicial, trocaram sopapos em campo.

Mas, se não foi uma tragédia, acabou sendo uma catástrofe. E nem me refiro especificamente à briga dos dois jogadores palmeirenses. Pois, antes disso, durante todo o primeiro tempo, onze contra onze, o Verdão parecia inteiramente desmobilizado. Jogava sem aspiração, muito menos inspiração. Parecia estar ali pelo meio da tabela, garantindo uma vaga na Sul-Americana e olhe lá!

O sempre plugado Muricy caminhava na beira do gramado com uma expressão vazia, de quem não já havia jogado a toalha.

Ora, o Palmeiras, se já abdicou da luta pelo título, tem é de se desdobrar para não perder a vaga na Libertadores, já que vem gente atrás com sede e fome em busca dessa primazia. Remontar esse time, a partir da alma destroçada, com tantos desfalques, não vai ser mole, meu.


FLUBELÊ!

Esse time está mesmo encantado. Talvez não consiga escapar do rebaixamento no Brasileirão. Mas, se isso for mesmo inevitável, cairá de fronte erguida e alma lavada pela extraordinária recuperação nas últimas rodadas do campeonato nacional, e, sobretudo, pela heróica virada sobre o Cerro Porteño num Maracanã iluminado, o que levou o Tricolor à final da Copa Sul-Americana.

E olhe que Fred, o artilheiro implacável dos últimos tempos, perdeu dois gols que não perde jamais. Marcaram, no finzinho do jogo, Gum e Alan, depois de passar o tempo todo perdendo por 1 a 0.

Beleza, Flu.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana Tags: ,
18/11/2009 - 21:45

APITO NA FITA

Há dois, três anos, a arbitragem tomou a cena do futebol brasileiro, e a coisa só piora, de ano a ano, criando um campo cinzento paralelo ao verde, onde a bola não rola, só as suspeitas de todos.

Não há nada pior do que suspeitas cingindo um jogo, por si só já tão imprevisível. Sim, porque a simples suspeita de que o juiz de plantão errou não por falha humana e sim por alguma conspiração em andamento nos bastidores, extrapola as dúvidas sobre cartolas, jogadores, mídia e todos os demais componentes do universo do futebol.

Claro, a figura do juiz ladrão chegou com Charles Miller e as duas primevas bolas de capotão. É centenária, pois. Mas, sempre houve um limite para a aceitação tácita e expressa da ação dessa personagem.

Já houve mil mutretas, envolvendo suborno de juiz, de jogadores e até mesmo de membros da mídia, com raras comprovações reais, passíveis de punição, seja pelos tribunais esportivos, seja pela opinião pública.

Mas, nunca chegamos ao ponto atual, onde a turma toda já parte do princípio de que tudo está devidamente arranjado, mesmo que esse arranjo varie de torcida para torcida.

São tantas as armações sugeridas, que praticamente ninguém escapa.

E, na verdade, não há um fio da meada que você possa puxar para, pelo menos, criar um cenário verossímil nesse sentido. São todas pontas soltas, cujas junções sugerem mais paranoia do que racional composição.

De certo mesmo temos que a arbitragem brasileira, tecnicamente, está num nível muito baixo, errando muito, seja por falta de competência, seja por conta da pressão extraordinária que a cerca.

Solução? Há várias: a instintuição de mais árbitros ou auxiliares em posições estratégicas no campo; a permissão do uso da TV para dirimir dúvidas atrozes, todas essas coisas seriam bem-vindas. Mas, com ou sem esse apoio extra, o árbitro brasileiro, evidentemente, carece de melhor preparo físico, mental e técnico.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
16/11/2009 - 15:32

QUAL DELES LEVA A TAÇA?

35rodada

São Paulo, Flamengo ou Palmeiras, quem vai levar a taça, ao cabo das três rodadas que faltam para o apito final do Brasileirão?

Dos três, o único que pode alcançá-la sem olhar para mais ninguém é o Tricolor paulista. Aos outros dois, resta torcer pelo tropeço tricolor e vencer os jogos que lhe cabem.

Isso, grosso modo, porque infinitas são as possibilidades de fracassos e êxitos desses três times na briga pelos nove pontos restantes.

Assim como tedioso e inútil é tentar garimpar maiores ou menores dificuldades  nos jogos que a tabela reserva para cada um, num campeonato tão nivelado como este, em que os aparentemente fracos criam forças diante dos aparentemente fortes e vice-versa, meu endereço, como me sussurra da varanda a estátua em papel machê de mestre Adonirã Barbosa.

Nestas alturas do campeonato, é tudo pedreira, porque a tensão extrema precede a entrada dos times em campo e, bola rolando, ela pode ser fatal.

Sobra-me, pois, uma única alternativa de análise, aquela que indica para os quesitos técnico e anímico.

Neste aspecto, o Palmeiras é o que me parece mais fragilizado nesse momento. Empatou um jogo que deveria ter e caiu, numa só rodada, da liderança para a terceira posição. Isso abala, cara. Mais ainda porque o time vem jogando mal há várias rodadas.

Contudo, se Muricy puder injetar ânimo novo na equipe e escalar o que tem de melhor, o Verdão continuará no páreo.

Já o Flamengo, dos três, é o que vem em disparada desde lá debaixo, neste segundo turno, praticando um futebol de primeira. Some-se a isso a força de sua torcida, que se espalha por esses brasis afora, delirante, e, então, o bicho pega.

Tecnicamente, é o que está jogando o melhor futebol, embora o Tricolor tenha dado sensíveis sinais de melhora na vitória sobre o Vitória. E, pela experiência de seu grupo tricampeão brasileiro, pode muito bem espantar o temor natural que invade a caça nesta reta final de perseguição.

Traduzindo: o São Paulo, pelos pontos de vantagem, O Flamengo, pelo futebol que está jogando, embora revele certo cansaço na segunda etapa, e o Palmeiras, já mais distante, pela possibilidade de jogar inteiro, nessa ordem, podem levantar a taça, é claro.

Vai apenas depender de quem tropece, onde e quando, neste campeonato dos tropeções históricos.

SIMPLESMENTE ANDRADE

Não há dúvida de que o ponto de inflexão desse Flamengo foi a entrada em cena, de surpresa, do meia Petkovic. Com ele em campo, Adriano, outro destaque do time, passou a jogar mais e está fazendo a diferença, como artilheiro do campeonato.

Assim como a recuperação de Zé Roberto, a chegada de Maldonado e a fixação do menino Airton e de Álvaro lá atrás contribuíram decisivamente para a prodigiosa arrancada do Mengo.

Mas, por trás disso tudo, esconde-se, em sua proverbial modéstia, a figura de Andrade, um dos mais completos volantes da história do nosso futebol, que tanto marcava com eficiência como sabia jogar com elegância e talento, naquele Flamengo inesquecível do começo dos anos 80.

Andrade não tem aqueles arroubos de chefe cheio de verdades, próprios dos nossos treinadores, ainda que iniciantes, nada disso. Apenas, tem a sabedoria de olhar o futebol com a clareza da simplicidade, esse atributo tão sofisticado que para os simplórios metidos a inteligentes soa como demérito, falta de sintonia com os tempos modernos, essas baboseiras todas.

Simplesmente, Andrade deu apoio àqueles que ele julgava capazes de responder positivamente em campo; armou sua equipe sob o sistema mais racional para obter o necessário equilíbrio entre defesa, meio de campo e ataque, e deixou rolar a harmonia decorrente dessas decisões.

Andrade não é daqueles sábios que estudam a semana inteira o adversário e montam sua equipe em função disso, muitas vezes alterando a escalação ou determinando funções não peculiares a este ou aquele jogador. Nada disso,aposta na quintessência de qualquer esporte coletivo, sobretudo o futebol: o entrosamento entre os atletas em campo, que só se aprimora com o tempo e a repetição dos movimentos de cada um.

Simples assim, como Andrade.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
15/11/2009 - 19:42

ADRIANO, COMO DEVE SER

O campeonato pode ser imprevisível, cheio de altos e baixos, mas certo mesmo é que o Flamengo chegou, ao bater o Náutico, nos Aflitos, por 2 a 0, gols emblemáticos, pois de Petkovic, pegando a sobra de um bate-rebate, e de Adriano, aproveitando exato cruzamento de Zé Roberto.

E o Flamengo chega, nas asas de sua torcida, praticando um futebol ofensivo e aprazível, mas eficiente na defesa também.

Diante do Náutico, o Flamengo jogou na conta do chá para vencer, sem sustos, nem ressalvas. E, se Pet, apesar do gol, não reprisou as belas atuações anteriores, Adriano tratou de jogar pelos dois: fez gol, deu assistências, combateu aqui atrás, armou, enfim, deu um exemplo irretocável de como se deve jogar o futebol, como diriam os mais jovens. pois, digo: deu o exemplo de como se deve jogar bola sempre, ontem, hoje e amanhã.

A polarização entre São Paulo, o líder, e Flamengo, o vice, seria inevitável, não fosse este campeonato tão volúvel e inexplicável.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
15/11/2009 - 14:48

TROPICANDO NAS BEIRADAS

cruzeiro-galo

Os dois mineiros, que vinham comendo pelas beiradas, como é de lei nas Alterosas, desta vez, tropeçaram feio nesta rodada tão crucial para quem disputa o título (caso do Galo) ou uma vaga na Libertadores (Cruzeiro). O Galo perdeu para o Coritiba, na casa do inimigo, enquanto o Cruzeiro, em pleno Mineirão, e com um jogador a mais (houve um instante em que eram dois), permitiu o empate do Grêmio. Claro que nenhum dos dois está fora das respectivas disputas. Mas, essa não é hora de tropicar, como diz o matuto das Gerais.

AVOZINHO, HUMMM…

Não diria que foi no sufoco, mas o fato é que a pálida vitória de Portugal sobre a Bósnia, por 1 a 0, plantou mais dúvidas do que certezas de que nosso avozinho conseguirá passar pela fresta da repescagem à Copa do Mundo. Na Bósnia, o clima costuma esquentar, mesmo nesse outono invernal da Europa.

CANA NELES!

O Ministério Público do Estado de São Paulo resolveu recorrer da decisão inicial da justiça, que liberou o nefando árbitro daquelas mutretas de 2005 de qualquer punição. Não era sem tempo e juízo, pois, segundo muitos juristas e o senso comum, houve, sim, estelionato.

PARREIRA, NO MIUDINHO

O meu querido Parreira vai ter de dançar o miudinho para botar ordem e uma pitada ao menos de talento a esse time da África do Sul. Jogando em casa um amistoso com o Japão, o desempenho dos anfitriões da próxima Copa foram absolutamente inócuos. Quanto aos japoneses, essa coisa de o técnico deixar Nakamura na reserva poderá custar-lhe muito caro.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , ,
14/11/2009 - 22:22

JOGANDO COMO LÍDER

Desta vez, sim, o São Paulo praticou um jogo de líder. Meteu 2 a 0 no Vitória e desperdiçou, por baixo, meia dúzia de chances claras — três delas, com o artilheiro Washington, ali na marca do pênalti ou a dois palmos da risca final.

O goleador nem precisava explicar, como o fez depois do jogo: estava na cara que o moço entrou em campo tolhido pela ansiedade de fazer os gols que seduzissem a torcida um tanto arredio à sua bola nos últimos tempos.

Mas, o mais importante foi a maneira como o São Paulo construiu a vitória, tocando a bola, envolvendo o adversário e criando as oportunidades de ampliar o placar através de tramas bem urdidas, bola de pé em pé, essas coisas triviais que viraram um bicho de sete cabeças no futebol brasileiro atual.

Além do mais, essa foi uma partida que bem exemplifica o que venho falando aqui sobre o líder do campeonato: seu segredo maior é ter um elenco sem craques excepcionais (a não ser Rogério Ceni), mas no qual reservas e titulares se equivalem, num bom nível, de tal maneira que sai um, entra outro e não há traumas.

Basta verificar, por exemplo, o que jogaram Arouca e Hugo, que, ao lado de Miranda, foram os melhores do time. Ambos saíram do banco e entraram na equipe como se estivessem lá há tempos.

Assim como a entrada dos meninos Marlos e Oscar, já no último terço do segundo tempo, conferiu mais velocidade e vigor, além do toque de habilidade que impediu o Sport de dar aquele bote final, pressionando a defesa tricolor, fato recorrente em quase todos os jogos do líder.

Se mantiver esse nível de desempenho, o São Paulo estará mais perto do título do que os demais, sem dúvida. O diabo é que nenhum jogo é igual ao outro, sobretudo neste campeonato tão imprevisível.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
12/11/2009 - 00:22

VERDÃO SE SEGURA

Mais charges no blog do Milton Trajano

Mais charges no blog do Milton Trajano

O gol de empate do Palmeiras, aos 40 minutos, foi legítimo (Elder dava condições a Danilo), mas que o juiz apitou antes da conclusão do lance, ah, disso não tenho a menor dúvida: quando Danilo matou a bola lançada por Armero, na área, soam dois trinados curtos. O juiz, em vez de apontar o meio de campo, caminha em direção à meta do Sport e só depois é que sinaliza claramente o tento.

O fato é que o gol manteve o Palmeiras na liderança, embora a sensação de perda tenha sido muito maior do que a de alívio. Pelo menos, para o goleiro Marcos, que, saiu de campo lamentando o empate.

Isso porque o Verdão, no primeiro tempo, levou dois gols bem tramados de um Sport que ainda poderia ter ampliado o placar por duas vezes mais.

No intervalo, Muricy desfez o malfeito e trocou Sandro Silva e Souza por Pierre e o meia Deyvid Sacconi, não por acaso autor do primeiro gol de um Palmeiras que passou a ser mais ofensivo, sobretudo depois da expulsão de Durval, o que permitiu ao técnico verde incrementar o ataque, ao substituir Edmílson, mal no jogo, pelo  atacante Marquinhos.

Enfim, bem ou mal, o Verdão segue na ponta, com todas as chances de chegar à taça de ouro, enquanto o Sport não mais se segura nem nos números, nem na esperança de escapar pela última fresta.

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: ,
11/11/2009 - 14:27

EQUILÍBRIO TRICOLOR

O São Paulo não joga bem há um bom tempo. Aliás, não jogou bem nem mesmo quando foi campeão. Mas, tem sido eficiente. Tanto, que somou pontos suficientes para levar o tri brasileiro e manter-se, agora, ali no topo da tabela.

E conseguiu tais proezas, basicamente, porque soube preservar o equilíbrio entre titulares e reservas. Entre quem sai, por lesão ou suspensão, e quem entra, a distância técnica chega a ser quase irrelevante.

Pegue o amigo, por exemplo, o caso presente: sem poder contar com Dagoberto, Borges e Jean, todos expulsos na última partida do time, o técnico Ricardo Gomes tem à sua disposição, para o lugar de Jean, Arouca, que seria titular na imensa maioria dos times que disputam a divisão especial do Brasileirão. E, para os de Dagoberto e Borges, Washington, o menino Oscar, Marlos e Hugo.

O amigo pode gostar mais deste ou daquele, mas no rigor da análise fria, todos estão ali mais ou menos no mesmo nível.

Outro dia, disse isso no Bem, Amigos e Jorge Wagner, sentado à minha frente, só fez balançar a cabeça em sinal de aquiescência.

O problema, já crônico, do elenco tricolor é a escassez de armadores, aqueles meias que permitam uma passagem mais sutil e inteligente da defesa ao ataque. E muito disso se deve à cristalização no São Paulo do sistema com três zagueiros, que retira do meio de campo a presença desse tipo de jogador, substituído, de hábito, por um volante ou um meia ofensivo.

Ricardo Gomes conseguiu, num determinado momento deste campeonato, melhorar um pouco o toque de bola nesse setor vital de qualquer equipe. Mas, nada ainda que se aproxime do nível de excelência desejado.

Isso tudo, porém, corre paralelo à disputa em si, à capacidade ou não de o time levantar o tetra ao cabo dessa corrida memorável. Esse é outro departamento.

E JOGAR BOLA?

Paulo Autuori já arrumou suas malas em direção às arábias, de volta. Dizem que a distância entre a proposta dos árabes e a disponibilidade do Grêmio era insuperável.

Mas, fico aqui me lembrando da última vez em que estive com Autuori, num papo descontraído depois do programa do Galvão. Falávamos sobre questões táticas, quando o treinador contou uma passagem emblemática.Depois de uma das derrotas do Grêmio, nos vestiários, ele foi coletando aqui e ali as observações dos seus jogadores.

Todas elas, sem exceção, falavam que o time precisava ter mais garra, marcar mais, fechar espaços, enfim, essas tão recorrentes instruções da imensa maioria dos nossos técnicos que já se fixaram no inconsciente do jogador brasileiro. Foi quando Autuori pediu silêncio e arrematou: “E jogar bola? Jogar bola não entra nesse receituário, não?”

Se essa mentalidade fosse restrita apenas ao Grêmio, que tem uma longa tradição guerreira e cuja cultura enfatiza esses elementos acima de tudo, o que, porém, não impediu o Tricolor gaúcho de montar times que jogavam bola e muito bem, seria aceitável. Mas, o diabo é que isso está impregnado na alma do nosso futebol, desde a última década, por baixo.

Conceitos reforçados sempre que um time com tal perfil levanta a taça. Aí, a turma dos pragmáticos de plantão aponta o campeão e ratifica: olhai, ganhou o mais guerreiro, pois futebol é resultado. Sim, claro, se todos jogam sob o mesmo figurino, um deles será campeão. E todos os demais perdedores, que também elegeram esses conceitos como prioritários, não contam?

Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: , , ,
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