O VALOR DA TANZÂNIA
Direto de Joanesburgo – O Brasil pega a Tanzânia, nesta segunda-feira, no seu segundo e último jogo-treino na África, antes de a bola rolar no Mundial. E tudo que se espera é que ninguém saia lesionado da partida, pois sistema de jogo, time titular, estilo e tal e cousa lousa e maripousa, estão devidamente delineados pelo técnico Dunga.
A maioria das outras seleções está realizando confrontos mais duros, com equipes mais qualificadas das que couberam ao Brasil nesta fase de preparação. Mas, confesso que não sei se isso é melhor ou pior do que a estratégia adotada pela nossa Seleção.
Em princípio, fazendo um joguinho de festa por aqui contra um time de baixo rendimento, o risco de contusões é sempre menor. E o resultado a favor é, de hábito, mais provável, o que evita traumas desnecessários às vésperas do maior torneio de futebol do planeta.
Contudo, mesmo as seleções do grupo de elite têm jogado em boa parte com seus times recheados de reservas. A própria Holanda, que obteve o resultado mais significativo, ao bater a Hungria por 6 a 1, poupou sua estrela maior – Robben -, no primeiro tempo. E, mesmo assim, teve de viajar pra cá sem o craque, baleado nesse jogo.
O amigo pode responder com Júlio César, que sentiu dores lombares e teve de se retirar ainda no primeiro tempo, na partida contra Zimbábue, outro dia, e ainda está em recuperação.
Parece que a coisa não é nada grave. Ainda bem, pois não consigo imaginar o Brasil sem seu goleiraço, um dos dois ou três melhores do mundo no momento. Mesmo porque, confesso, seus dois reservas – Gomes e Doni – não me inspiram muita confiança.
Bem, tudo pode acontecer nesse caprichoso universo do futebol. Ainda ontem, papeando com a rapaziada por aqui, lembrava o caso de Pepe, às vésperas do Mundial de 58, na Suécia. Titular absoluto, depois da dispensa de Canhoteiro, que chegara à concentração de madrugada, Pepe entrou debaixo do chuveiro calçando tamancos; torceu o tornozelo, e viu do banco Zagallo jogar duas Copas campeãs no seu lugar.
O jeito, pois, é torcer pra quem ninguém torça nada, nem antes, nem durante a Copa.
SHOW AMEAÇADO
Bem, o Brasil de Dunga, Kaká e demais palestrantes nas entrevistas coletivas aqui em Joanesburgo, já deixou bem claro que show é levantar a taça. O resto, aquele negócio de jogar bonito, ao estilo bem brasileiro de fazer da bola um objeto de arte, é coisa de cronista poeta que não tem o que fazer a não ser dar palpite infeliz no trabalho dos outros.
Talvez seja esse também os desejos dos deuses da bola, que lá do Olimpo do Futebol, estão atirando suas setas invisíveis sobre os possíveis astros do imenso e luminoso show da Copa.
Kaká, o maior do mundo, há três anos, está em fase de recuperação, cuja extensão nem ele mesmo sabe qual será. O mesmo se dá com Wayne Rooney, outro candidato ao título de melhor da Copa e do mundo, por consequência.
Robben, que vinha matando a pau no Bayern e na Seleção Holandesa, acaba de baixar enfermaria, assim como Drogba. Restam, em plena forma, apenas Cristiano Ronaldo e Messi, os dois últimos eleitos melhores do mundo pela Fifa. Olho neles.
APARTHEID SOCIAL
O abominável apartheid político foi abolido há um par de décadas. Mas, o social está presente aqui em todos os cantos. Ainda no sábado, era evidente a separação entre brancos e negros no hotel da Seleção, que é também um clube de golfe: todos os servidores, negros; os fregueses, brancos. Sem uma única exceção.
Nas ruas, tente flagrar um casal misto. Quase impossível. Mas, na escolinha onde o Brasil treina, já se vê adolescentes de ambas as cores confraternizando-se, o que é um bom sinal.
BOXE NA MADRUGADA
Acordei neste domingo, às cinco da matina, só pra ver a noite de gala do boxe, no Madison Square Garden, lotado (75 mil pessoas), que reabriu seus ilustres portões para o embate entre o portorriquenho Miguel Cotto, campeão mundial, e a nova estrela de Davi, Yuri Foreman, judeu do Brooklin, que luta sob a bandeira de Israel, fato inusitado na história dos ringues americanos.
Foreman, mais alto, excelente postura, bom jogo de pernas, passou os seis primeiros rounds mantendo Cotto à distância. Assim mesmo, o campeão, mais sólido, compacto, fechadinho, quando acertava seus poderosos golpes fazia um estrago no adversário. Luta equilibrada que literalmente se desequilibrou quando Foreman torceu o joelho direito e mal conseguia manter-se em pé.
Aí, no oitavo assalto, ocorreu algo jamais visto: o manager de Foreman jogou a toalha no ringue, sinal de abandono. Mas, o juiz, simplesmente, se negou a encerrar o combate. Devolveu a toalha e mandou seguir a luta, que se encerrou definitivamente no nono round, quando Foreman foi abatido por um hook de esquerda no fígado. Tá loco, seu!
BOXE NA MADRUGADA
Acordei neste domingo, às cinco da matina, só pra ver a noite de gala do boxe, no Madison Square Garden, lotado (75 mil pessoas), que reabriu seus ilustres portões para o embate entre o portorriquenho Miguel Cotto, campeão mundial, e a nova estrela de Davi, Yuri Foreman, judeu do Brooklin, que luta sob a bandeira de Israel, fato inusitado na história dos ringues americanos.
Foreman, mais alto, excelente postura, bom jogo de pernas, passou os seis primeiros rounds mantendo Cotto à distância. Assim mesmo, o campeão, mais sólido, compacto, fechadinho, quando acertava seus poderosos golpes fazia um estrago no adversário. Luta equilibrada que literalmente se desequilibrou quando Foreman torceu o joelho direito e mal conseguia manter-se em pé.
Aí, no oitavo assalto, ocorreu algo jamais visto: o manager de Foreman jogou a toalha no ringue, sinal de abandono. Mas, o juiz, simplesmente, se negou a encerrar o combate. Devolveu a toalha e mandou seguir a luta, que se encerrou definitivamente no nono round, quando Foreman foi abatido por um hook de esquerda no fígado. Tá loco, seu!
Notas relacionadas:
Autor: Alberto Helena jr. Tags: apartheid, Boxe, Copa 2010, Cristiano Ronaldo, Doni, Drogba, Gomes, Holanda, Júlio César, Kaká, Messi, Pepe, Robben, Rooney, Seleção Brasileira, Tanzânia
