Foi a mais longa noite de agonia para o torcedor do Flamengo, que viu seu time alcançar por duas vezes o milagre da passagem à fase seguinte da Libertadores, para, no fim de tudo, amargar a queda humilhante logo no início da caminhada no principal torneio da América.
O curioso é que, bola rolando no Engenhão, todas as atenções estavam voltadas para o estádio Defensores del Chaco, em Assunção do Paraguai, onde o verdadeiro drama se desenrolava.
Sim, porque aqui, o Flamengo resolveu a parada logo no primeiro tempo, quando meteu 2 a 0 no Lanús, com Wellinton, de cabeça, em cobrança de corner de Bottinelli, e Deivid, em passe esperto de Ronaldinho, pra selar o placar aos 5 minutos do segundo tempo, num golaço de Luís Antônio, colhendo de primeira jogada sensacional de Ronaldinho pela esquerda.
Mas, lá, era um perereco só. O jogo corria sob o placar de 1 a 1, e tanto Olímpia quanto Emelec acumulavam chances desperdiçadas – numa delas, o Emelec perdeu por duas vezes o gol praticamente sobre a risca, com bola na trave e outros bichos.
Eis, porém, que os equatorianos, já na segunda metade da etapa final, viraram o jogo, para só nos descontos saírem os dois gols, um pra cada lado, que colocou o Emelec nas oitavas de final da Libertadores no lugar do Flamengo. Um espanto!
E, sobretudo, uma punição à desídia do Flamengo, que, na verdade, deu de mão beijada essa classificação ao Emelec, ao recuperar o time equatoriano na última rodada e ter insuflado o Olímpia com aquele empate incrível no Engenhão outro dia.
Resta esperar pra ver o que virá por aí ainda.
NOITE TRANQUILA
Ao contrário do Flamengo, o Vasco teve uma noite tranquila, apesar do alarido da torcida do Nacional, no velho estádio Parque Nacional. Pegou o tradicional adversário uruguaio com um time reserva, meteu 1 a 0, gol de Diego Souza, depois de tabelar com Alecsandro e aproveitando rebote do goleiro, e voltou de Montevidéu classificadíssimo, em segundão de seu grupo.
Não, não foi uma exibição de gala do Vasco. Ao contrário: jogou pro gasto, mais preocupado em evitar riscos maiores do que em sufocar o inimigo. Mesmo porque, sem Felipe ou Juninho Pernambucano naquele meio de campo, a criação estava definitivamente comprometida.
De minha parte, valeu, ao menos, pelo uniforme do Vasco nesta noite – aquele preto, com a faixa diagonal branca e as meias zebradas. Talvez, porque me remetesse ao primeiro Vasco que vi em campo, ainda menino – o Vasco de Tesourinha, Maneca, Ademir, Ipojucã e Chico. Talvez, porque o negro do uniforme número 2 infunda mais temor aos adversários do que o branco, não sei.
Por mim, esse fardamento seria o número 1, isso, sim.
Mas, o que importa é que o vascaíno vai dormir em paz. Não só pela vitória de seu time, mas, sobretudo, por saber que seu vizinho flamenguista está mergulhado em tenebroso pesadelo.
BOA, TIMÃO, MAS O FLU…
Se o Corinthians cumpriu à risca seu papel, ao bater o Nacional paraguaio por 3 a 1 ali do outro lado da fronteira, o Fluminense, meu Deus!, tomou o troco do Boca sem Riquelme, em pleno Engenhão – 2 a 0.
Perder do Boca, lá ou cá, faz parte. Afinal, aquela é uma camisa que merece respeito sempre e em qualquer latitude. O que espanta, porém, foi a maneira como o Tricolor carioca perdeu, presa de tibieza inexplicável para o time que tem, diante de sua animada torcida e sem riscos de cair fora da sequência da Libertadores.
Até pênalti desperdiçou bisonhamente, com Rafael Moura quando ainda restava um fio de reação antes do apito final.
Já o Timão foi aquele de sempre: sereno, firme na marcação, a não ser no lance do belo gol de Peralta, quando sua defesa foi pega de calças curtas, e tomando conta do campo e do espírito do jogo. Com um adendo: acertou o pé nas finalizações, pelo menos, três vezes mais do que o habitual.
Bem, se o Corinthians segue nessa toada, quer chova ou faça sol, o Fluminense precisa espiar fundo na própria alma, enquanto Abel pensa em como resolver o problema daquela zaga de tão prestimosa contribuição para a derrota do seu time.
GOLEADAS DO BRASIL
Dentre tantas goleadas na rodada da Copa do Brasil desta quarta-feira, duas merecem destaque: a do Galo sobre o Penarol, lá no Amazonas, e a do São Paulo diante do Bahia de Feira de Santana. Ambas foram de cinco. A diferença foi que o Tricolor paulista levou dois gols e o Galo voltou com suas penas intactas.
E mais: com direito a três gols de André, um deles, de bicicleta. O mesmo André que brilhou naquele ataque fantástico do Santos do primeiro semestre de 2010, não se deu bem lá fora e agora recupera sua bola fatal no Atlético Mineiro. Aliás, olho nele, que tem idade olímpica e já andou frequentando a Seleção de Mano em seu período de baixa, diga-se.
Quanto ao São Paulo, que pegou um adversário bem mais forte do que o Penarol (o atual campeão baiano), claro, beneficiou-se da expulsão do goleiro adversário, no lance do pênalti sobre Luís Fabiano.
Mas, o fato é que foi melhor o tempo todo e que esse time, do meio de campo pra frente, ainda vai fazer muito barulho por aí, creia.
REAL E BAYERN
Real e Bayern fazem jogo de morte pela Liga dos Campeões na próxima semana. Mas, nesta quarta, foram submetidos a dois testes de abalar os nervos de qualquer um em seus respectivos campeonatos nacionais.
No clássico de Madri, acossado pelo sopro do Barça no seu cangote, o Real sofreu, antes de golear o Atlético por 4 a 1. E fica devendo mais essa ao portuga, pois Cristiano Ronaldo marcou três – um de falta, outro num tiro bestial como gostam de dizer seus patrícios, além daquele de pênalti.
O curioso é que praticamente tudo aconteceu no finzinho da partida, quando o Real ainda poderia ter ampliado esse placar, inclusive com Cristiano Ronaldo.
Assim como foi no finzinho que o Bayern viu o Dortmund disparar de novo na liderança, num tiro da entrada da área que Lewandowski desviou de calcanhar, quando os bávaros mais apertavam os donos da casa.
Pudera! Se até Robben, que vinha sendo ao lado de Ribéry o grande destaque do Bayern, perdeu um pênalti, e mais adiante chutou para as nuvens o empate certo, que esperar além da derrota?
Como? Se esse é um prenúncio do que será o confronto entre Real e Bayern pela Liga? Sei lá. Só sei que não se deve duvidar nunca da recuperação de um time alemão, quaisquer que sejam as circunstâncias.
PALMAS PARA ROMÁRIO! E DAÍ?
Romário, por onde passa, recebe aplausos, como se estivesse marcando aqueles gols inesquecíveis com as palavras candentes sobre a preparação da Copa do Brasil. Isso, porque, obviamente, suas declarações refletem o que o povo pensa a respeito: será uma gigantesca roubalheira com um legado de elefantes brancos que custarão muito caro ao país. Ou melhor: a cada um de nós.
Mas, isso tudo a tribo de cocar verde-amarelo já sabia de cor e salteado desde o instante em que o Brasil se candidatou a sediar a Copa do Mundo de 2014. Não é nenhuma novidade. Esse papo rola nas esquinas, nas padarias, nas oficinas, nos escritórios, nas salas de aula, nos botequins e nas mesas refinadas das hípicas e clubes de elite deste mundão chamado Brasil.
O diabo é que Romário não é apenas um a mais a dizê-lo. É o Romário, ídolo nacional, campeão do mundo e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, sobretudo, deputado federal, eleito por significativa parcela do povo brasileiro.
Então, o que se deveria esperar de Romário, além de seus discursos ácidos, é uma ação firme e eficiente no Congresso, com medidas que visem a, na pior das hipóteses, reduzir o campo de manobra dos que esperam se locupletar com a Copa.
Como? Não sei. O deputado é ele, não eu. Ele é quem tem um staff à sua disposição para bolar medidas adequadas nesse sentido.
Só sei que as ações, na prática, valem mais do que simples palavras de advertência que estão na mente e na boca do povo.
FLA DE PATRÍCIA
A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ficou de pensar antes de dar uma resposta ao convite da CBF para chefiar a delegação de futebol feminino às Olimpíadas.
Por certo, quer esperar, entre outros eventos futuros, o resultado do jogo desta quinta-feira entre Fla e Lanús, pela Copa Libertadores, para encaminhar um sim ou um não ao presidente Marin.
Afinal, o Rubro-Negro corre sério risco de ser o único brasileiro, dentre tantos, a cair fora do certame logo de cara. Isso, num grupo em que, convenhamos, não há um único bicho-papão entre os adversários.
Mas, que diabo!, vencer o Lanús em casa não seria nenhuma façanha superior para esse Flamengo, que, apesar de toda crise vivida, tem jogadores de alto nível, como o goleiro Felipe, o lateral Léo Moura, Vagner Love e, claro, Ronaldinho Gaúcho, que, mesmo em baixa, pode decidir um jogo com um passe inesperado ou uma cobrança de falta exata.
E, com uma combinação de resultados favoráveis, o Fla bem que pode salvar a honra nesta fase da Libertadores, por que não?
Mas, a questão não se encerraria num eventual festejo da passagem para a próxima fase do torneio. Pois, a crise é mais profunda e recorrente na Gávea. A crise, na verdade, é de gestão. Simplesmente, Patrícia não conseguiu até hoje dar um rumo certo e seguro ao clube. Ao contrário: só tem metido os pés pelas mãos, e nada sugere que isso mude no futuro mais imediato.
Nesse cenário, pois,, seria imprudente a presidente largar o clube à deriva por um mês. Ainda mais que aí vêm as eleições no Fla e na política carioca, onde Patrícia atua como vereadora.
Seria mesmo? Pois agora lembro uma máxima muito difundida nos anos 60: “Há ausência que preenche melhor a lacuna”. Quem sabe não seja o caso?
O VASCO E JUNINHO
O Vasco, que já passou de fase, disputa com o Nacional, em Montevidéu, apenas a liderança do grupo. Portanto, esse não é o problema em São Januário.
O problema é Juninho Pernambucano, o Reizinho da Colina, ídolo da torcida e um dos dois únicos armadores autênticos do elenco vascaíno – o outro e Felipe, lesionado.
Mais uma vez, embora digam que já esteja plenamente recuperado fisicamente, Juninho não embarca com a delegação. Raios! E por quê? – questionará o torcedor de bigode grande.
Tá na cara. Juninho, ao voltar a São Januário, depois de brilhante carreira no Lyon, aceitou receber um mísero salário mínimo, como paga simbólica dele ao clube que o projetou para a fama e a fortuna.
Ao renovar o contrato, porém, o Vasco preferiu oferecer-lhe 50 mil reais por partida disputada e um acréscimo de 10 mil por gol marcado. Só que o craque já jogou uma pá de vezes sob o novo acordo, marcou meia dúzia de gols, e até agora só recebeu o equivalente a uma única apresentação.
Juninho não é um bandalho divertido como o Velho Vamp, que cunhou a célebre frase sobre o Fla – “Eles fingem que pagam e eu finjo que jogo”. Juninho é um cara sério, gente! Não finge. Ou joga ou não joga.