VALEU A FESTA, Ó PA
A festa no Teatro Municipal do Rio poderia ter sido mais bonita, ó pa. Começou atrasada, e o seu andamento foi arrastado, sobretudo nas passagens de uma premiação à outra.
De quebra, os discursos dispensáveis dos cartolas – empolado, do presidente do São Paulo, e inconvenientemente apologético, do presidente do Flamengo, voltado exclusivamente para a torcida rubro-negra que tomava a galeria do teatro.
Valeram os números musicais e o time escalado pela mídia para receber o prêmio de melhores do Brasileirão, com um pequeno senão: embora artilheiro do campeonato, o que justifica sua escolha, Josiel, no conjunto da obra, esteve aquém tanto de Dodô quanto de Leandro Amaral, que, a partir de quando vestiu a camisa do Vasco, transfigurou-se em craque, depois de velho – arma, dá assistências, faz gols e transmite emoção para todos os seus companheiros.
De resto, eram mais ou menos aqueles mesmos que, todos sabem, se destacaram no torneio. Na minha lista, Hernanes figurava como revelação do campeonato e Rodrigo Souto ocupava seu lugar. E, no comando do ataque, Dodô, em vez de Josiel.
Mas, essa é apenas uma visão dentre tantas.
Que Muricy mereceu o título de melhor treinador pelo terceiro ano consecutivo é indiscutível, embora a torcida do Flamengo preferisse Joel, que também fez um trabalho excepcional, ao tirar o time de situação delicada para levá-lo à Libertadores e à disputa do vice-campeonato até a última rodada.
Por fim, a tríplice premiação para Rogério Ceni: o craque do campeonato, pela mídia e pelos torcedores, além de figurar como o goleiro do campeonato.
E, de relance, me lembrei de Oliver Kahn. Kahn vinha de quatro anos soberbos tanto no bayern quanto na Seleção, e assim seguiu ao longo de toda a Copa da Ásia, quando, às vesperas da decisão com o Brasil, recebeu o prêmio de melhor jogador do Mundial de 2002. Eis que, diante do Brasil, aquele disparo de Rivaldo mal aparado pelo goleirão alemão nos pés de Ronaldo levou-o direto ao inferno.
Não foram poucos os companheiros que, lá no Municipal, me asseguraram que, se seus votos fossem dados, depois da última rodada, Felipe seria o escolhido.
Algo aliás, de que muito desconfiava Rogério, tempos atrás, quando achava que não seria o escolhido.
Errado estava Rogério, como errados estariam os companheiros que alterariam seus votos. Ele foi e será para sempre o melhor jogador de 2007.

