LÍDER, COM UM TOQUE DE NOSTALGIA
É com prazer tocado por uma ponta de nostalgia que vejo o Vasco cintilar no topo da tabela do Brasileirão, jogando um futebol de acordo com suas mais caras tradições.
Sou do tempo do Expresso da Vitória, aquele timaço da virada dos anos 40 pra os 50, base da Seleção Brasileira na Copa do Mundo disputada no Brasil, aquela do fatídico Maracanazo. Apesar disso, o Vasco era um timaço, desses que não víamos há muito tempo com a camisa da Cruz de Malta: Barbosa, Augusto e Wilson; Eli, Danilo e Jorge; Tesourinha, Maneca, Ademir de Menezes, Ipojucã e Chico, foi esse o primeiro Vasco que vi em campo, num amistoso com a Portuguesa, no Pacaembu, Lusa igualmente deslumbrante naquela época.
Não ousaria comparar o atual líder com esse esquadrão do passado, longe disso. Nem mesmo com aquele outro da segunda metade dos anos 50, de Paulinho, Bellini, Laerte, Orlando Peçanha, Coronel, Sabará, Almir, Valter Marciano (depois o Dr. Rúbis) e Pinga.
Mas este de agora parece ter incorporado o espírito daqueles, pois pratica um futebol leve, ofensivo e bem tramado a partir do meio de campo, onde apenas Eduardo Costa destoa pela rudeza de seu futebol.
Torço para que o Almirante siga nesse rumo até o porto tão almejado. Para o bem do Vasco e do futebol brasileiro.
MANCINI NA TOCA
Vagner Mancini, que acaba de ser demitido do Ceará, onde fazia um trabalho exemplar, diga-se, acaba de assumir o Cruzeiro, que havia demitido Joel e efetivara o interino Emerson Ávila.
E Mancini se enfia na Toca da Raposa com a água batendo no queixo: o Cruzeiro, que despontara no início da temporada como o melhor time da América, sob o comando de Cuca, desabou de tal maneira que agora só lhe resta lutar para escapar da zona da degola e assumir um posto mais digno de suas tradições.
E o que aconteceu para tal virada? Aquela derrota inesperada na Libertadores, que rompeu sua alma, e a perda sucessiva de titulares básicos, seja em negociações extemporâneas, seja por contusões graves.
Perdas sentidas, sobretudo no ataque, até outro dia composto por Thiago Ribeiro, transacionado com o exterior, e Wallyson, há tempos no estaleiro. Ambos, com talento, velocidade e precisão. resolviam tudo lá na frente.
Não vai ser mole Mancini remontar esse time, principalmente no aspecto emocional, que, pelo visto, é o maior problema da Raposa.
FRANQUEZA E DISSIMULAÇÃO
Sempre desconfiei que por trás da proverbial franqueza, muitas vezes tosca, de Felipão desliza certa sutileza de dissimulação. Nem sempre, mas, às vezes.
Como agora, quando saiu disparando sua metralhadora giratória sobre os jogadores de seu próprio time.
Que foi um vexame o Verdão permitir o empate do Atlético GO, domingo, no Serra Dourada, com dois jogadores a mais do que o oponente, ah, isso foi mesmo!
Fosse um episódio isolado, vá lá que Felipão soltasse os cachorros sobre seu grupo de jogadores. Mas, o Palmeiras, praticamente desde a chegada de Felipão, vive um ambiente extremamente conturbado, tanto nas derrotas quanto nas vitórias.
Resumindo, em bom brasileirês: acho que o Palmeiras (alguns jogadores-chave e parte da diretoria) está de saco cheio com Felipão, e vice-versa. Posso estar redondamente enganado – e até torço para estar -, mas acho que o fim desse antigo caso de amor será resolvido brevemente, na tela da calculadora – quem paga o que pra quem.
O CASO EMERSON
A expulsão de Emerson na maca, quando estava sendo retirado do jogo do Timão contra o Bahia, no Pacaembu, tem uma explicação óbvia: Emerson fez sinal a Tite de que sentia um problema na região da virilha; o técnico, então, querendo evitar as vaias da torcida ao substituir o atacante mais importante do time, pediu-lhe que expressasse seu desconforto claramente para todos; aí o jogador exagerou na queda e na saída.
O que isso quer dizer? O óbvio: o clima anda tão denso para os lados de Tite, que cada gesto seu tem de ser precedido de uma justificativa evidente para toda a Fiel, nas galerias ou em frente à tv.
Quando se pisa em ovos, o escorregão é inevitável, meu camaradinha.