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sexta-feira, 4 de maio de 2012 Sem categoria | 17:51

FORRÓ, FANDANGO, CATERETÊ E SAMBA

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O domingo está pontilhado de decisões por esse Brasil afora, sob as mais variadas fórmulas de disputa, como os tantos sotaques que unem e separam este país-continente.

Nesse festival de hibridismos, em que se confundem os sistemas por pontos corridos e o mata-mata, os mais lógicos – ou, menos ilógicos – são o mineiro e o carioca. O mais absurdo, disparado, o catarinense, onde o Figueirense ganhou os dois turnos por pontos corridos, a sua perna das semifinais, e pega o Avaí, em dois jogos, para decidir o título.

O Paulistão é outro que peca pela irracionalidade e paga alto preço por isso. Só serve para derrubar técnico, que nem tempo dispõe para armar devidamente sua equipe, pois pré-temporada não há.

E aí temos na briga pelo título o terceiro e o quarto colocados da fase de classificação, a mais longa de todas, que, diga-se, mereceram a honraria pelo que fizeram nas quartas e semifinais de um jogo só.

Além disso, há outros atrativos: a perspectiva de o Santos arrebatar o tri, feito inédito desde a era Pelé, com Neymar, Ganso, Muricy, o técnico mais vencedor do século, e a milagrosa recuperação do Bugre, que saiu do fundo do poço para chegar, no mínimo, ao vice-campeonato, praticando um jogo gostoso de se ver sob o comando de Vadão.

Os dois jogos serão no Morumbi, por decisão da FPF, embora ninguém me convença que sem o apreço dos dois clubes de olho na bilheteria. Há quem veja nessa decisão um desprezo pelo fator técnico, na base de que o Bugre, no Brinco, é mais Bugre, como o Peixe, na Vila, é mais Peixe.

Mas, afora o fato de o Morumbi proporcionar maior arrecadação aos clubes do que se jogassem em seus respectivos campos, no plano esportivo, nada mais justo: campo neutro e de dimensões mais condizentes para um jogo franco, gramado excelente, vestiários adequados para ambos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Não diria, enfim, que são favas contadas, não, que o Guarani joga certinho e pode surpreender. Mas, quem tem Neymar é o Santos, meu.

ESTRELADO VERSUS ESTRELA

O time estrelado é o do Fluminense, com seus Deco, Fred, Thiago Neves e cia. bela. Mas, o Botafogo é a Estrela Solitária, e não me refiro apenas ao seu implacável e polêmico artilheiro Loco Abreu.  E, sim, àquele brilho singular que cintila em meio aos, de hábito, sombrios augúrios de sua torcida sempre desconfiada, mesmo quando o time cumpre vitoriosa campanha.

Sucede que o Flu não será, desta vez, tão estrelado, com tantos desfalques, dentre eles, o de Thiago Neves, sem falar no menino Wellington Nem, que tem feito a diferença nesse time.

Sua maior esperança, além de Deco e Fred, passou a ser o menino Marcos Jr., de tão exemplar desempenho na Copa São Paulo Jr., sempre uma imprevisibilidade.

Por seu lado, o Bota vai a campo nos trinques, com força máxima. Sei, não.

O COELHO E O GALO

A moral da história dessa fábula moderna do futebol mineiro começa a ser escrita domingo em cima de seus dois capítulos decisivos.

O Galo chega à rinha com a crista baixa e olhar desconfiado, à procura de um coelho esperto. que acabou de espantar a Raposa, rabo entre as pernas, para sua Toca desolada.

O Galo sofre por ter sido depenado na Copa do Brasil pelo Goiás. Mas, que diabo!, ganhou o segundo jogo contra os goianos, e cumpriu a melhor campanha entre todos no campeonato estadual.

Além do mais, se não é nenhuma maravilha, o time do Atlético é bom, tem um treinador experiente, e uma camisa de respeito nacional.

O América, no entanto, vem cheio de moral e isso, muitas vezes, conta mais do que o poderio técnico deste ou daquele.

INTER: UM DESFALQUE SÓ

Se o Caxias, vencedor do primeiro turno gaúcho, chega à decisão em baixa, pela má campanha no segundo, o Inter, por sua vez, joga todo desfalcado.

Meno male
que a CBF, finalmente, resolveu liberar Oscar para esse jogo, depois de ensebar por uma semana a decisão do tribunal competente.

Reforço valioso para o Colorado, claro. Mas, é preciso cautela. Afinal, o garoto, além dessa pressão toda sobre o seu destino, não joga há uma pá de tempo, o que, muito provavelmente, se refletirá em campo.

FORRÓ NO NORTE

O Nordeste estará em festa neste domingo, não vivesse em festa praticamente todos os dias do ano. Mas é que teremos um verdadeiro forró (de for all, para todos, em inglês, segundo os folcloristas a origem do termo) nos campos de lá.

No Ceará, nada menos do que Ceará e Fortaleza, o maior clássico do pedaço, com vantagem para o Ceará, que cumpriu melhor campanha até aqui. Mas, essas coisas pouco dizem num clássico desse porte.

Pernambuco freve (de frevo) à espera desse Santa Cruz e Sport, confronto de dois veteranos que vêm esmerilhando no campeonato: Marcelinho Paraíba e Denis Marques, redivivo como o Cobra Coral, que, nos últimos tempos, rastejava sua humilhação lá por baixo das divisões.

E, na Bahia, Falcão está a dois passos de levantar a taça diante do maior rival de seu time – o Vitória, que era de Cerezo e quase foi de Carpegiani, dois parceiros inesquecíveis do Bola-Bola.

Outro clássico em que o mais sensato é cravar o ar que paira acima deles.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 3 de maio de 2012 Sem categoria | 15:38

TIMÃO E A INCIVILIDADE

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Concordo que o tom das reclamações do Corinthians quanto à arbitragem do jogo em Guaiaquil tenha sido alto demais em relação ao que se desenrolou no campo e nos bastidores do confronto com o Emelec.

Mas, é inegável que a conduta dos nossos hermanos deste continente tem sido, desde sempre, de clara incivilidade, com as exceções de praxe, claro.

É absolutamente inaceitável que, em pleno Século 21, jogadores de times visitantes tenham de ser protegidos por uma barreira de escudos policiais para cobrar um mísero escanteio, ou simplesmente irem ao vestiário.

Outro dia, meu querido Paulo César Vasconcelos falava a respeito das medidas que a Conmebol deveria adotar para coibir essa baixaria nos estádios da Libertadores. O que fazer?

- Troca o povinho todo deste hemisfério – respondi com excesso de mau humor.

Sim, porque dê uma espiada no presidente da Confederação Sul-Americana, que carrega essa sigla de mau gosto e péssima sugestão – Conmebol, Comebola -, com seus cabelos pintados e visão tolhida por interesses mesquinhos.

Que se pode esperar de uma entidade dirigida por alguém desse nível intelectual?

Troque-se, então, o presidente da Sul-Americana. Por quem? Julio Grondona, o eterno jefe da AFA? Marin? Pode escolher à vontade, que é tudo farinha do mesmo saco.

Pensando bem, quero retificar aquela frase ofensiva lá de cima, pois a coisa toda não se resume ao nosso continente. Melhor seria chamar o Criador e implorar-lhe  que recomece tudo de novo.

Ainda outro dia, relendo Honra Teu Pai, de Gay Talese, um dos criadores do new-journalism, que conta a saga da família mafiosa Bonanno, topo com esta preciosidade colhida pelo personagem central, Bill, numa seção de curiosidades da revista Newsweek dos anos 60.

“A Terra está em degeneração. Há sinais de que a civilização chega ao fim. O suborno e a corrupção campeiam. A violência é onipresente. Os filhos já não respeitam os pais, nem lhes obedecem”
. (De uma inscrição assíria datada de 3000 anos AC).

Há cinco mil anos, pois, lá no berço da civilização ocidental já se condenava o comportamento humano com todas as letras que o amigo lê nos jornais e na internet de hoje, aqui ou em qualquer lugar deste planeta em eterna agonia.

LEÃO, A SURPRESA

Em outros tempos teria soltado um rugido e pegado seu boné diante da indevida interferência dos cartolas tricolores em seu trabalho, ao vetarem no vestiário a presença de Paulo Miranda no jogo contra a Ponte.

Leão, embora evidentemente contrariado contou até dez e deu uma volta no assunto, jogando as perguntas dos repórteres para o colo da cartolagem.

Reflexo da idade que amansou o bicho ou resultado de sua longa espera por alguém que o quisesse ainda dirigindo um clube de porte?

Desconfio que isso deve ter contado, sim. Mas, suspeito que o Leão Paz e Amor é mais fruto da expectativa do treinador de moldar uma equipe que poderia dar o que falar no cenário do nosso futebol, mesmo porque ele não precisa de emprego, pois sua vida está devidamente resolvida há muito tempo.

Contratado sob suspeita pelo São Paulo, com prazo de validade curto, ele conseguiu ultrapassar a barreira do fim do ano, e, com os reforços recém-chegados, passou a montar um time bem interessante de se ver.

Somou longa série invicta nestes primeiros meses do ano, recuperou jogadores que estavam mais ou menos no limbo, e deu à equipe um estilo ofensivo, equiparando seu poder de fogo ao do Santos de Ganso e Neymar, sem ter nem Ganso, nem Neymar.

Tão bem se relacionou com o grupo de jogadores que até Lucas, a estrela jovem da cia., alvo de críticas do treinador, veio a público para dizer que a fala de Leão nada mais era do que uma orientação para o seu futuro, pelo qual agradecia comovido.

Eis, porém, que vem o cartola-mor, e balança o coreto do técnico, a harmonia do elenco e coloca em cheque o processo de evolução da equipe, ao primeiro tropeço. E que tropeço? Seu time perdeu um clássico, para o time considerado pela maioria como o melhor do país no momento, bicampeão paulista, campeão da Libertadores e tal e cousa e lousa e maripousa. E, pior: perdeu jogando melhor do que o adversário.

Mais constrangedor ainda foi ouvir o diretor de futebol, que sempre me pareceu um tipo inteligente e sensato, fazendo piruetas com a retórica para explicar o inexplicável. Resumindo: resolveram barrar o rapaz em cima da hora porque, depois de muita reflexão, a diretoria achou que essa seria a maneira de preservar o jogador de coisas piores.

Jesus!

CURINGAS CENTENÁRIOS

Recebi e agradeço o envio do livro Santos – 100 anos, 100 jogos, 100 ídolos, de autoria de Odir Cunha e Celso Unzelte, um trabalho de fôlego que resultou numa leitura fácil e agradável.

E, ao mesmo tempo em que louvo a obra dos dois companheiros, fico imaginando a dureza de um pesquisador de hoje em dia, sobretudo para aqueles que, pela idade, não puderam testemunhar o período do pós-guerra até a década de 70, quando se inicia de fato a memória viva do nosso futebol, através das gravações para a tv de jogos e eventos relacionados.

Esse foi o período em que se operaram todas as transformações e a consolidação dos sistemas táticos até hoje vigentes – do 3-4-3 (o WM e sua variação, a Diagonal de Flávio Costa), ao 4-2-4,  4-3-3, 4-4-2, sem falar em todas as forma de retrancas, no advento do quarto-zagueiro e do cabeça-de-área, hoje denominado paradoxalmente de volante de contenção (se é volante, vai e vem, não pode ser de contenção, aquele que fica para marcar).

Diante disso, o pesquisador terá de recorrer aos jornais da época. E, aí, cai num cipoal duro de desbravar por falta de outras referências. E, pelo simples fato de que nossa imprensa esportiva, a exemplo de nossos treinadores em geral, sempre esteve à reboque da história.

Basta dizer que ao publicar a ficha técnica dos jogos dos anos 40, 50 e até 60, a escalação dos times obedecia o sistema clássico, aquele que já havia sido substituído no mundo todo pelo WM.

Por exemplo, pegue o Santos bicampeão de 55/56. Lá está: Manga, Hélvio e Ivã; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Negri, depois Jair, Álvaro, Vasconcelos e Pepe. Se o amigo traduzisse não para o que é hoje, mas para o que era naquela época, a escalação teria de ser assim formulada: Manga; Ramiro, Hélvio e Ivã; Formiga, Zito, Negri ou Jair e Vasconcelos; Tite, Álvaro e Pepe.

Ou seja: Ramiro era lateral -direito, Hèlvio, beque central; Ivã, lateral-=esquerdo; Zito e Formiga, os médios apoiadores; Jair ou Negri, o meia armador; Vasconcelos o meia ponta-de-lança, e Pepe, o ponta-esquerda.

Mas, se o amigo avançar um ano além do bi santista, verá o apoiador ou volante Formiga transformado em quarto-zagueiro. E, dois anos mais tarde, os jornais passaram a escalar os times como a formação do WM, já em desuso na prática, com o aparecimento do tal quarto-zagueiro.

E, quando já jogávamos num 4-3-3, a rapaziada alegre da imprensa continuava a escalar os times no 4-2-4.

E assim caminha a história do nosso futebol, de atraso em atraso, quando não descamba para o delírio da multiplicação de números que um dia os levará ao requinte da seguinte fórmula: 1-1-1-1-1-1 até completar onze, o que não estará muito longe da verdade, pois futebol real não é pebolim – os jogadores se mexem  em campo, sabia?

Por falar nisso, eis outra armadilha para os pesquisadores: o curinga. Melhor seria
dizê-lo no plural, embora a expressão tenha cunhado para sempre a figura de Lima, o Curinga da Vila.

Mas, a verdade é que a Vila esteve sempre cheia de curingas, antes, durante e depois de Lima.

Só no período que precedeu a chegada de Lima à Vila, vá somando: Olavo, Feijó, Fiotti, Ramiro, Zito, Urubatão, Cássio, Dalmo, Álvaro, Tite, Pagão, Dorval, Odair Titica, dos que lembro assim de cabeça, todos esses jogavam em duas ou mais posições.

Alguns, como Zito, que veio do Taubaté como meia-direita, e criou uma legenda como volante, jogou de lateral-direito, quarto-zagueiro e lateral-esquerdo. Alvaro tanto podia ser centroavante, como meia-armador, meia ponta-de-lança e até volante. Cássio, Olavo e  Dalmo jogavam nas quatro posições da defesa e até de volante.

Toninho Guerreiro foi meia-ofensivo, centroavante e falso ponta-direita várias vezes. Assim como Edu, nas duas pontas e no lugar de Pelé, quando necessário.

E Joel Camargo, então, que atuava com a mesma desenvoltura de zagueiro, lateral, volante e de falso ponta?

Enfim, não faltavam curingas na Vila para desbaratar a marcação dos adversários, desviando de quebra os caminhos da história para nossos dedicados pesquisadores.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

Sem categoria | 00:48

VASCO E TIMÃO, SINAIS TROCADOS

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O Vasco venceu e saiu de campo vaiado pela sua torcida. O Corinthians empatou e o resultado foi recebido com alívio pela Fiel. Coisas do futebol.

É que o Vasco, depois de um primeiro tempo primoroso, coroado por um golaço de Diego Souza (dois chapéus na entrada da área e o tiro fatal), refluiu na etapa final e acabou tomando aquele gol de Regueiro que pode vir a ser a casca de banana no caminho do Almirante para a próxima fase da Libertadores, no jogo de volta contra o Lanús.

Já o Corinthians, que pouco fez para mudar o placar, do início ao fim, não foi além do empate por 0 a 0 com o Emelec, na casa do inimigo. Resultado que deve mais à fragilidade ofensiva do adversário do que fruto de sua própria e inegável superioridade técnica.

Ah, mas houve a expulsão de Jorge Henrique, o que poderia dar ao empate corintiano tintas épicas. Nada disso, pois o Timão, em onze contra onze foi igualmente inoperante, e, depois da expulsão, sequer teve se desdobrar para resistir ao tênue assédio dos equatorianos.

De positivo mesmo, a boa atuação do goleiro Cássio, na sua estreia, cercada de tantas suspeitas na véspera. Pegou duas bolas difíceis e cortou todas as que cruzaram sua área pelo alto.

Mas, desconfio que a tarefa do Corinthians no Pacaembu será mais fácil do que a do Vasco no campo do Lanús. Apenas, desconfiança.

JUJU ENTRA EM CAMPO

E o São Paulo perdeu para a Ponte Preta, em Campinas, pela Copa do Brasil: 1 a 0. Entre outras coisas, porque o presidente do clube, Juvenal Juvêncio, mais conhecido pelos íntimos como Coronel Juju, num arroubo de torcedor, decidiu vetar a escalação do zagueiro Paulo Miranda, que ele mesmo contratou outro dia, porque o rapaz falhou no jogo com o Santos, pelo Paulistão.

Obviamente, isso interferiu no ânimo do grupo e deixou o técnico Leão com a brocha na mão, sem escada a seus pés. Uma atitude jurássica, própria da atual diretoria tricolor, que só pode atrasar o processo de evolução que o time vinha demonstrando em campo nesta temporada.

ALÁ, REAL!

Um pouco antes, o Barça metera 4 a 1 no Málaga, com três gols de Messi, que atingiu mais um recorde em sua curta carreira: com 68 gols, é o maior artilheiro europeu em uma só temporada, marca que há décadas pertencia ao alemão Gerd Muller.

Foi um leve consolo para os catalães, que, mais tarde viram o Real vencer o Athletic Bilbao por 3 a 0 e festejar a conquista do Campeonato Espanhol, roubando o tetra do Barça.

Há quem considere esse desfecho prova de declínio do Barça. Porem, fazendo-se as contas, veremos que o Barça repetiu praticamente a mesma pontuação que lhe deu o tri. O Real foi que extrapolou, cumprindo uma campanha excepcional, tanto na contagem de pontos – 94 -, quanto no poder de fogo de seu ataque – 115 gols em 36 jogos até agora, faltando ainda duas rodadas para o encerramento oficial do torneio, contra 108 do rival.

E, se Guardiola deixa o Barça com o título de maior técnico da história do glorioso clube, Mourinho veste sua sétima faixa de campeão em seguida, do Porto ao Real, passando por Chelsea e Inter de Milão. Não é fácil.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 30 de abril de 2012 Sem categoria | 16:14

NEYMAR E O TRI

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Antes de mais nada, quero me desculpar pela gafe de ontem: Neymar não levou cartão amarelo, portanto, pode, sim, jogar a primeira partida contra o Guaani, o que faz uma diferença brutal.

Sim, porque Neymar é, no futebol brasileiro de hoje, aquele craque que consegue compensar com suas invenções, investidas e gols toda e qualquer eventual deficiência técnica ou tática de sua equipe.

Isso, contudo, não elimina de vez o perigo que o Bugre representa para o Santos nessas duas partidas finais do Paulistão, embora marque um favoritismo evidente do bicampeão em busca do tri.

E é sobre o tri que gostaria de dizer duas ou três palavrinhas.

Hoje em dia, virou moda usar esse negócio de bi, tri, tetra, penta, aleatoriamente, juntando-se títulos conquistados por um clube em largos espaços de tempo. Aliás, a moda começou com o Trimundial do Brasil no México.

No rigor da expressão, não era tri nenhum – ou seja, três títulos obidos em sequência, como o bi de 58/62. Mas, como se tratava de um feito inédito na história da Copa do Mundo até então (só a Itália – bi, em 34/38 – e o Uruguai – 30 e 50 – haviam vencido dois Mundiais como o Brasil), a conquista do terceiro título nos colocava no topo desse torneio. Honraria que merecia um destaque especial, traduzido na palavrinha Tri, mesmo porque a periodicidade da Copa do Mundo não obedece a sequência anual dos demais certames, nacionais ou estaduais, estes só vigentes aqui no Brasil continental.

No Camepoanto Paulista, especificamente, só houve um tetra – o mítico Paulistano, em 19, em plena era do amadorismo. Corinthians e Palmeiras obtiveram, ao longo de suas gloriosas vidas, o tri, nas décadas de 20 e 30. E o Santos, já nos tempos de Pelé, na década de 60, foi duas vezes tri, o último em 67/68/69. E só não foi deca ou mais porque o Palmeiras da Academia introduziu sua cunha verde nos anos em que o Peixe vacilou.

O mesmo Palmeiras que impediu o São Paulo, único dos quatro grandes da província a não celebrar um tricampeonato paulista, nas décadas de 40, por duas vezes, e nos anos 70, ficando por conta do Corinthians esse papel no início dos anos 80.

O fato é que desde o Santos de Pelé não há um tricampeão paulista. É o que busca o Santos de Neymar, que, em três anos e meio de carreira, alcançaria esse título. Nem Friedenreich, nem Leônidas da Silva. Nem mesmo Pelé.

MUDANDO O TIMÃO

A desclassificação do Corinthians nas quartas de final do Paulistão já causou duas vítimas: o goleiro Júlio César, que vai para o banco de Cássio no jogo desta quarta contra o Emelec, pela Libertadores, e Liedson, que nem viajou com a delegação para o Equador.

São substituições de ordem técnica, plenamente justificáveis.

Júlio César, com razão ou não, já carregava a fama de falhar em jogos decisivos antes de falhar duas vezes contra a Ponte.  E Liedson, o artilheiro de raros gols na temporada, há tempos está sob suspeita de não conseguir entrar em plena forma por sequelas de crônica lesão no joelho.

Um, fica esperando nova oportunidade no banco, o outro vai ser submetido a treinamentos mais refinados para voltar aos trinques, deixando para William a tarefa de dividir o poder de fogo alvinegro com Emerson.

Nada de mais, se visto assim à distância. Faz parte do jogo. Mas, é bom esperar pra ver como essa decisão de Tite se refletirá no âmago do grupo. Afinal, a alma humana, embora a almeje sempre, é muito sensível a qualquer mudança.

RAPOSA NA TOCA

A queda da Raposa diante do América na sequência da má temporada passada, que, diga-se, iniciou-se auspiciosa, e a perigo na Copa do Brasil, por certo está provocando agitação na Toca.

A verdade é que esse time do Cruzeiro carece de reforços. Mas, como, se grana não há? A que havia, pelo visto, foi investida na permanência de Montillo, que é fundamental, mas, não tudo.

Como de hábito, sobrará mesmo para o técnico, Mancini, que já não tem em Minas suficiente aprovação pública, embora sua responsabilidade seja limitada como a de qualquer outro treinador de futebol.

NOVA INVESTIDA DO R-10

Se no campo de jogo Ronaldinho Gaúcho não tem feito a tal diferença para o Flamengo, nos bastidores seu irmão e procurador Assis está fazendo o maior auê.

Já está cobrando mais fortemente os tais 4,8 milhões que o Flamengo ainda deve ao craque, apesar de a presidente Patrícia Amorim ter jurado a quitação da dívida tempos atrás.

Mais do que nunca aqui cabe a célebre frase de Vampeta, o Velho Vamp: “O Flamengo finge que paga e nós fingimos que jogamos”.

Agora, fala-se na Gávea no repatriamento de jogadores que tenham identidade com o clube, baseando-se na performance de Vagner Love. Além de Adriano, Renato Augusto, Ibson e Juan.

Bem, Adriano está na estaleiro e sua recuperação plena é mais do que problemática por conta de seu comportamento vida afora, e Juan mais frequenta
a enfermaria da Roma do que o campo de jogo.

Ibson recuperou-se no Santos e Renato Augusto, que pintou tão bem no Flamengo, não conseguiu se desenvolver na mesma proporção na Alemanha, alternando boas e más performances.

Mas, é inegável que todos eles seriam bons reforços. Desde que recebam em dia, claro.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 29 de abril de 2012 Sem categoria | 21:27

NEYMAR E O BUGRE

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Santos e Guarani marcaram neste domingo suas passagens para as finais do Paulistão, pelo mesmo placar, mas, de formas diferentes.

O Santos poderia até ter obtido um resultado mais amplo. Afinal, o juiz anulou gol legítimo de Alan Kardec e validou o de William José em posição de impedimento.

Mas, seria um placar enganoso, pois o São Paulo foi melhor do que o Peixe a maior parte do tempo, dominando as ações de meio de campo, graças às excelentes participações de Casemiro, Denílson e Cícero, que acabou sendo expulso ao tomar o segundo amarelo quando o jogo já estava decidido.

A diferença foi, novamente, Neymar, que, no rigor da análise, só teve um parceiro à altura no seu time hoje: Arouca. Nem mesmo Ganso, que se redimiu em parte com aquele passe exato para um dos gols de Neymar – o primeiro foi de pênalti e o terceiro, em falha do goleiro Dênis.

Já o Guarani, ao contrário: foi muito superior à Ponte, sobretudo no segundo tempo, quando perpetrou a virada histórica na celebração do centenário do clássico campineiro, um dos mais ferozes do Brasil, com gols de Fábio Bahia e dois de Medina, que substituiu Fumagali, o dono do time, com ampla vantagem.

Mas, o craque do jogo e do Guarani nesta temporada surpreendentemente maravilhosa foi mais uma vez Fabinho, um canhotinho esperto, hábil e insinuante.

Com seu futebol veloz e envolvente, o Guarani surge como um perigo iminente diante do Santos que não terá Neymar no primeiro confronto da grande decisão. O Peixe que abra o olho.

O BRILHO DA ESTRELA SOLITÁRIA

Aqui mesmo revelei na véspera minhas suspeitas de que o Vasco iria para a final do Cariocão com o Flu. Dancei, pois brilhou mesmo a Estrela Solitária: 3 a 1, em mais uma tarde decisiva de Loco Abreu, autor de dois gols, aqueles que colocaram o Vasco à beira de um ataque de nervos.

Algo me diz, porém, que esse jogo foi vencido nos vestiários, como gostam de dizer nossos jovens cronistas, onde a tropa de General Severiano se reuniu sob o comando de Osvaldo Oliveira e resolveu se unir para revidar com a bola às tantas críticas que esse time vem sofrendo por parte da torcida da imprensa esportiva do Rio, apesar de sua longa invencibilidade.

NAL, ANTES DO GRE

Lá no Sul, deu Colorado por 2 a 1 em jogo tenso, tão tenso que o técnico Luxemburgo acabou sendo expulso por desavenças com o… gandula, creia.

E olhe que o Inter estava desfalcado de jogadores chaves, como D’Alessandro, Nei, Kleber e Dagoberto, sem falar em Oscar, que a CBF, na sua inutilidade habitual, não liberou a tempo.

Eis, porém, que o autor do gol da vitória foi um dos reservas desses ausentes – Fabrício, o excelente lateral-esquerdo que se projetou na Lusa há dois, três anos.

Coisas do Gre-Nal.

AMÉRICA, QUEM DIRIA?

Em Minas, a expectativa maior era a de que o Cruzeiro, mesmo perdendo o primeiro encontro com o América, pelas semifinais do Mineirão, se reabilitaria no jogo da volta. Pois, sim… Deu América, por 2 a 1, num jogo em que Wellington Paulista chegou a perder um gol feito por duas vezes no mesmo lance – na cobrança de pênalti e na finalização da rebatida do goleiro Neneca, com a meta aberta à sua frente.

Depois, se redimiu, marcando o único gol de seu time, o de empate, num jogo lá e cá, definido no finzinho por ninguém menos do que o veteraníssimo Fábio Jr., aquele centroavante revelado pelo Cruzeiro para ser o substituto de Ronaldo Fenômeno.

Agora, Minas reviverá um clássico dos tempos em que o América tinha a segunda maior torcida do pedaço – a primeira, claro, na época, era a do Galo, seu adversário na decisão do campeonato.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 28 de abril de 2012 Sem categoria | 16:55

LEÃO, MURICY E O ENIGMA DO 3

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Às vésperas do clássico decisivo das semifinais do Paulistão, o cabalístico número 3 gira em torno das cogitações dos treinadores de São Paulo e Santos.

Leão não anunciou ainda se vai de três atacantes de ofício, com a simples entrada de William José no lugar de Fabiano, suspenso, ou se empurra o versátil Cícero mais à frente, encaixando Casemiro no meio, ao lado de Denílson e Jadson.

E Muricy se sente novamente atraído pela configuração com três zagueiros autênticos, deixando apenas Neymar lá na frente recebendo o apoio de Ganso.

Diga-se a bem da verdade que o temor de Muricy procede: vai pegar um Tricolor descansado, embalado pela campanha realizada até aqui, e com alguns jogadores capazes de realizar estragos em qualquer defesa, mesmo sem a presença sólida de Luís Fabiano.

A par disso, Muricy não tem um lateral-direito de fé, já que o titular Fucile, o reserva Cristian e o sempre improvisável Henrique estão no estaleiro. E Maranhão, no mínimo, carece de proteção especial, sobretudo se enfrentar um ponta liso e incisivo como Fernandinho.

Assim, como do outro lado, no lugar de Juan, terá o veterano Léo, que não joga há uma pá de tempo, pegando pela proa o jovem Lucas, estrela do time adversário.

De qualquer forma, ainda mais com Adriano como cabeça-de-área, esse eventual Santos me parece excessivamente defensivo, sobretudo em relação ao perfil habitual do time da Vila.

Diante disso tudo e por jogar em casa, com o apoio de sua torcida, o São Paulo leva ligeiro favoritismo, a não ser que Neymar esteja com a macaca. Aí, meu…

PRA SAIR FAÍSCA

Não espere o amigo um Gre-Nal jogado em alta classe, ornado de belas jogadas, essas coisas que, de hábito, não cabem nessa guerra farroupilha, embora estivessem em campo D’Alessandro, Kleber, Oscar, essa turminha, alguns enfeites haveriam de sobrar.

Vai é sair faísca na decisão do segundo turno gaúcho que levará um dos dois grandes para a final com o Caxias, campeão da Taça Piratini que, porém, não foi bem na Taça Farroupilha.

Estivessem os dois times completos, como o jogo é no Beira-Rio, arriscaria eleger o Colorado como o mais provável vencedor. Mas, nas atuais circunstâncias, nem pensar em dar um palpite sequer.

MAIS VASCO

A decisão da Taça Rio está mais pra Vasco do que pra Botafogo.

Isso porque o Vasco, além de possuir um elenco mais qualificado do que o Bota, não tem dúvidas. Só um grande lamento pela ausência do extraordinário beque Dedé. E o Botafogo, que por si só é um dilema eterno, não sabe se poderá contar com Loco Abreu, seu artilheiro. Mas, sabe que não terá Renato, aquele pêndulo do meio de campo que tanto estabilizou o time nos momentos mais críticos do campeonato.

Terá, todavia, Maicosuel em plena ascensão, além de Andrezinho, Elkeson, Herrera, jogadores que, se não são craques consumados, sabem jogar e podem muito bem complicar a vida do Almirante.

O Vasco, porém, com Juninho, Felipe, Eder Luís e cia, bela é, tecnicamente, melhor.

MINEIRAMENTE FALANDO…

Sei lá, sô!, pra onde vai esse trem. Sei que o América do meu querido amigo Mário Lúcio Marinho saiu na frente do Cruzeiro, nesse mata-mata das semifinais do Mineirão. Mas deixou os azuis chegarem perto, no fim do jogo, de tal maneira que a iminente depressão, talvez fatal para o segundo confronto, transformou-se em esperanças redobradas.

Ainda mais que o técnico Mancini  resolveu escalar Roger ao lado de Montillo no meio de campo. Com esses dois acionando os atacantes, as chances são sempre maiores de dar certo.

GALO LÁ

O Galo já desceu desse trem na plataforma da decisão, ao vencer o Tupi, nesta tarde-noite de sábado, em Sete Lagoas. Bola alçada por Danilinho à área do Tupi, aos 26 do segundo tempo, que André desviou de cabeça para as redes, esse foi o lance fatal de um jogo em que praticamente só deu Atlético.

E o lance mais intrigante ocorreu, porém, antes de a bola rolar para o segundo tempo, quando os jogadores do Galo se reuniram e, juntos, ignoraram as investidas da imprensa. Depois, soube-se que era um protesto pelas críticas à equipe nesta semana, quando o Galo perdeu por 2 a 0 para o Goiás, pela Copa do Brasil.

Que diabo!, aquela foi a única derrota da equipe neste ano em que o Galo vai à final, seja contra o Cruzeiro, seja contra o América, com a vantagem do empate nas duas partidas decisivas. Por tudo isso, mereceria tal tratamento da crítica e da torcida?

Mesmo porque basta espiar a escalação carijó para se perceber que há ali jogadores de boa técnica, em que a esperança supera o desalento por goleada. Mas, enfim…

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sexta-feira, 27 de abril de 2012 Sem categoria | 11:22

FIM DO CICLO GUARDIOLA

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A saída de Pep Guardiola representa o fim de um ciclo no Barça. Não necessariamente o fim do ciclo do Barça. São duas coisas diferentes.

Talvez, até mesmo possa vir a resultar na retomada desse maravilhoso esquadrão ao seu caminho de glórias trilhado nos últimos quatro anos até a perda do título espanhol (praticamente) e a desclassificação da Liga dos Campeões da Europa.  Isso, dependendo, claro, de quem venha a assumir o seu lugar.

Mas, o elenco é o mesmo que conquistou treze títulos em dezoito disputados nesse período, uma façanha histórica para qualquer grande clube do mundo, em qualquer época. A dinâmica de jogo, única, por sinal, é a mesma que fez os catalães dominarem seus adversários ainda que nas recentes derrotas. E o Barça, como instituição, é o Barça.

O que, então, levou Guardiola a pedir o boné? Às vezes, é preciso acreditar no que as pessoas dizem. E Guardiola deixou bem claro que sentiu o desgaste destes anos de fastígio, mas, também, de muito trabalho.

O imortal Vicente Feola, nosso primeiro técnico campeão do mundo, costumava dizer que nenhum esquadrão resiste no topo mais do que três anos, o mesmo prazo que o saudoso Telê dava ao treinador de futebol neste ou naquele clube. É mais o menos o prazo em que o desgaste leva ou o time se desmembrar ou o treinador a cair fora, quando não é demitido.

Guardiola, um dos sujeitos mais inteligentes que o futebol produziu nos últimos anos, já havia pressentido isso muito antes, quando navegava ao leme de uma embarcação vitoriosa. E, tudo indica, seu destino será o Milan, que está perdendo um título praticamente ganho algumas rodadas atrás.

Se assim for, será um desafio que valerá a pena acompanhar de perto.

OSCAR, FINALMENTE!

Finalmente, Oscar volta a campo, munido de uma certidão de alforria concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho. A decisão se baseou num princípio que está acima do valor jurídico de qualquer contrato assinado livremente pelas duas partes: o direito inalienável de o indivíduo exercer sua profissão onde queira.

Claro que o contrato entre Oscar e o São Paulo tem validade, e, como a justiça já se manifestou várias vezes, suas cláusulas terão de ser cumpridas. E a cláusula decisiva é a que fala em multa, no caso de destrato. O valor dessa multa é que deverá ser arbitrada pela justiça, já que a estabelecida, nominalmente, em contrato não é mais aceita pelo clube, que exige uma revisão, baseada na ausência do jogador durante a vigência do acordo e na valorização de sua marca no mercado.

Mas, isso é outra questão, a ser resolvida nos tribunais.

O importante para o futebol brasileiro é que Oscar está liberado para jogar bola, que é seu ofício e vocação. E, se o Inter dele tanto necessita para as disputas decisivas do Gauchão, nossa Seleção Olímpica, então, nem se fala.

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quarta-feira, 25 de abril de 2012 Sem categoria | 18:54

NOITE SEM ESTRELAS

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Foi uma noite brasileira na Libertadores escura, sem lua, nem estrelas.

No Beira-Rio, Inter e Fluminense lutaram muito pela posse da bola mas pouco fizeram para dar-lhe rumo e sentido. Tanto, que raras foram as chances de gol criadas de lado a lado. A maior delas, o pênalti de Edinho em Damião, foi desperdiçada por Dátolo, em providencial defesa de Diego Cavalieri.

Pela dimensão de suas camisas e o nível técnico dos elencos, era de se esperar um jogo mais bonito e emocionante. Mas…

E o Peixe, então? Lá nas alturas de La Paz, deixou-se dominar pelo Bolívar, time brioso mas tecnicamente muito limitado, e volta com 2 a 1 no lombo, três frutos de cobranças de falta. No primeiro, Campos bate protegido por dois companheiros, a bola choca-se com o poste, e, repica nas costas de Rafael, antes de entrar. No empate, Elano é quem atira para o goleiro rebater no poste bola que Maranhão empurra em cima da risca. E, no terceiro, Campos bateu direto, no cantinho de Rafael.

O amigo haverá de me perguntar: e, Neymar? Pois lhe digo que o garoto correu um bocado, apanhou o de hábito, e produziu as poucas boas jogadas do Santos. Quem falhou muito foi Ganso, nos passes, seu maior atributo.

O consolo é saber que na Vila, ao nível do mar, o Peixe estará na sua praia, o que deverá virar de ponta cabeça esse cenário sombrio.

HERÓIS E ANTI-HERÓIS

Cristiano Ronaldo e Kaká, dois dos eleitos melhores do mundo antes de Messi, juntaram-se nesta quarta-feira ao ilustre argentino na caminhada para o inferno do futebol. Ambos, em seguida, desperdiçaram os dois pênaltis na decisão com o Bayern pelo direito de disputar o título da Liga dos Campeões com o Chelsea, e entregaram os louros todos a Schweinsteiger, o herói alemão nessa gloriosa saga alemã, logo depois do goleiraço Neuer, que defendeu os dois pênaltis.

Herói porque, líder de um grupo seleto de craques, passou longo tempo na enfermaria, e, de volta, só nesse jogo conseguiu atuar não apenas os 90 minutos regulamentares, como a meia hora suplementar.

E foi, ao lado do brasileiro Luiz Gustavo, o termômetro de uma equipe que em momento nenhum se abalou em campo. Nem mesmo quando perdia, já no começo da partida, por 2 a 0, dois gols de Cristiano Ronaldo, um deles, de pênalti que não houve, pois claramente o garoto Alaba, ao cair, levou a mão esquerda ao chão para aparar a queda, e bola tocou em seu braço. Não houve intenção, que é o que a lei determina.

Mas, enfim, Alaba levantou a cabeça e passou a jogar com tal desenvoltura a ponto de se transformar numa das principais figuras de seu time. Sem se falar no fato de que abriu a sessão de pênaltis com extrema categoria.

E o Bayern, então, encetou uma blitz sobre a área do Real, que culminou no pênalti claro de Pepe, ao derrubar Mário Gomez. Pênalti que Robben converteu, definindo o placar do jogo. O mesmo Robben que pouco antes perdera um gol feito e, logo depois, cobraria venenosa falta defendida no cantinho por Casillas.

Aliás, Casillas garantiu que esse jogo fosse à decisão por pênaltis, pois praticou mais duas defesas providenciais em disparos de Mário Gomez.

No segundo tempo, o Real reequilibrou as ações, embora o controle emocional da partida continuasse nos pés dos bávaros. Muito perde e ganha no meio de campo, faltinhas sucessivas de parte a parte, até a última gota de suor de todos os jogadores em ação.

E, assim, enquanto o Real parte para a consolação do título espanhol, depois de quatro anos vendo os festejos do Barça, o Bayern, que perdeu o campeonato alemão para o Dortmund, espera em casa o Chelsea, com todas as chances de recuperar a taça europeia, que frequentou tantas vezes sua galeria de troféus num passado mais distante.

Graças, sobretudo, ao seu futebol ofensivo e destemido, na alegria ou na dor.

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terça-feira, 24 de abril de 2012 Sem categoria | 14:12

INTER, FLU E SEUS DESFALQUES

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Pena que D’Alessandro e Wellington Nem estejam de fora desse super clássico nacional, pela Libertadores, entre Inter e Fluminense, no Beira-Rio.

D’Ale é aquele meia-esquerda habilidoso, inteligente, que, na ausência de Oscar, carrega nos ombros a tarefa de organizar sozinho o ataque de seu time. E Nem é aquele menino de Xerém, que ganhou espaço no Figueira, igualmente canhoto, mas atacante nato, desses que invadem a área inimiga aos dribles e têm pleno discernimento entre a finalização e o passe fatal.

Em compensação, o Flu terá novamente Fred em campo. Mas, que Fred? Aquele centroavante ao mesmo tempo técnico e oportunista, que entra e sai da área com a maior desenvoltura, ou o Fred limitado em seus movimentos pelas constantes lesões que o deixam mais na enfermaria do que em campo?

Já o Inter não tem nenhuma compensação, a não ser a volta de Guiñazu, cuja única identificação com D’Alessandro é ser igualmente argentino, pois o futebol de um é a antítese do outro.

Como o jogo é no Beira-Rio, o Colorado leva pequeno favoritismo. E só.

PEIXE NAS ALTURAS

Já o Peixe tem de nadar contra a corrente, subir o morro até La Paz e ainda manter o gás necessário para aguentar a correria da turma do Bolívar e a velocidade traiçoeira da bola naquelas alturas.

Isso tudo, às vésperas de um clássico que poderá até definir desde já o campeão paulista.

Não é mole, não, meu. Em contrapartida, o Santos tem Neymar, esse menino de ouro, de pulmões e músculos de aço, que joga por prazer e para nos divertir com suas invenções sempre renovadas.

Mas, não tem um lateral-direito à altura do resto do time. Se nem o titular – o uruguaio Fucile – dá conta do recado, que dirá o reserva do reserva improvisado (Henrique, machucado), o reinscrito de última hora, Maranhão?

Ah, mas o rapaz meteu um belo gol de cabeça ainda no domingo, pelo Paulistão, dirá o amigo mais otimista. É verdade, graças àquele passe magistral de Neymar. Contudo, na bola rolando, Maranhão cometeu algumas gafes imperdoáveis.

Apesar de tudo, o Peixe tem bala e bola pra voltar à Vila numa boa, já que até um empatezinho maneiro (de preferência, com um gol lá fora) virá a calhar.

PANE NO GOL

Júlio César falhou em dois gols da Ponte, assim como Deola, na mesma proporção, diante do Guarani, pelas quartas de final do Paulistão, domingo.

Claro que não foi só por isso que Corinthians e Palmeiras caíram fora do torneio antes da hora prevista. Mas, o fato é que Júlio César há tempos caminha sob a sombra da suspeita de que não tem estatura para guardar a meta do Timão, sobretudo em momentos decisivos. E Deola é assombrado a cada jogo pela lembrança de Marcos, simplesmente o maior goleiro da história verde e ídolo incomparável de uma torcida que há muito não tem outro herói a quem incensar.

Na verdade, ouso dizer que o futebol brasileiro, em geral, vive uma crise de goleiros, depois de um período de fastígio, desde Taffarel a Júlio César, passando por Dida e Marcos. Na ponta do lápis, só restou Rogério Ceni, dessa safra dourada, ainda em recuperação de séria lesão, já pra lá de trintão.

Dos mais rodados por aí, Fábio, do Cruzeiro, é o mais regular, e, talvez, Muriel, do Inter, o mais promissor.

Sim, há Jefferson, do Botafogo, Fernando Prass, do Vasco, Diego Alves, do Valencia, bons arqueiros, mas nenhum paredão, como gostava de diferenciar o saudoso comentarista Mário Moraes, Leão para os mais íntimos.

No caso específico do Palmeiras, uma escola de grandes goleiros, a alternativa é Bruno, que já demonstrou ter qualidades, mas é preciso vê-lo mais vezes em ação para um julgamento adequado.

E, no do Corinthians, Danilo, em quem Tite diz depositar confiança (nem poderia dizer o contrário, óbvio), que, a exemplo de Bruno, carece ser testado pra valer.

Enquanto isso, permanece no nosso gol apenas a incerteza.

OLIMPÍADAS

Saiu a lista dos nossos adversários no futebol das Olimpíadas: Egito, Bielorrússia e Nova Zelãndia. A princípio, nenhum bicho-papão. Ao contrário: se fizermos o mínimo necessário, estaremos já no mata-mata.

O diabo é saber se o faremos, com tanta descrença cercando a Seleção Olímpica, que se funde intrinsecamente à Seleção da Copa.

Sim, porque do time olímpico é que nascerá a verdadeira Seleção Brasileira para a Copa das Confederações, e, em seguida, o Mundial pra valer, disso ninguém tem dúvida.

Afinal, vivemos um período de entressafra, uma transição entre a turma de Júlio César, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Lúcio etc. para a de Neymar, Ganso, Lucas, Leandro Damião, Oscar e cia. bela.

A vantagem para os olímpicos em relação ao time principal que nos tem representado em amistosos nestes dois últimos anos está justamente no retrospecto. Enquanto os marmanjos, com algumas injeções dos novatos, vacilaram nos principais confrontos realizados, os garotos fizeram bonito em dois torneios essenciais – o Sul-Americano e o Mundial Sub-20.

Claro que os garotos carecem de mais cancha internacional com a camisa amarelinha. Mas, isso virá justamente com a disputa olímpica e com a Copa das Confederações.

Pena que essa não seja esta a convicção dos novos mandatários da CBF, que exalam aqui e ali reticências sobre a permanência de Mano Menezes à frente do time nacional.

Depende do comportamento da equipe nas Olimpíadas, deixam no ar os cartolas.

Depende do quê? De ganhar uma competição que jamais conseguimos vencer? Se for isso, Mano Menezes não merece apenas seguir á frente da Seleção Brasileira, mas, sim, um nicho especial no panteão dos heróis nacionais. Afinal, técnicos campeões do mundo foram cinco – Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Parreira e Felipão. Olímpico, no caso, apenas Mano.

Ou depende do desempenho da equipe, em especial deste ou daquele jogador que confirme ou se revele capaz de ser titular numa Copa do Mundo sem sombra de dúvidas, mesmo que não alcancemos a tão almejada medalha de ouro?

E, mesmo sendo o contrário, não esqueçamos que muitos craques, alguns monstros sagrados, que mais tarde se consagraram em Copas do Mundo, fracassaram em Olimpíadas. A lista é enorme, começando com Vavá, e passando por Gérson e tantos outros.

É verdade que, para as Olimpíadas, Mano terá um tempo maior de preparação da equipe do que lhe é destinado para a Seleção principal nos amistosos, quando convoca hoje, reúne amanhã e joga no dia seguinte em qualquer parte do mundo.

E, se Mano colocar em campo seu discurso correto, segundo o qual o Brasil tem de voltar a ser protagonista, praticando um futebol mais envolvente e ofensivo, não tenho dúvidas de que faremos boa figura, com os jogadores que aí estão à sua disposição. E estaremos a um passo de cumprir uma Copa do Mundo digna, em casa.

UM CRIME

Foi mais um crime lesa-futebol entre tantos já perpetrados ao longo da história desse joguinho cheio de caprichos: Barça 2, Chelsea 2, em pleno Camp Nou.

Aliás, nem se pode dizer que tenha sido um confronto entre catalães e ingleses, pois, mais uma vez, só o Barça buscou jogar bola. O Chelsea, novamente, apenas se defendeu o tempo todo. Na maior parte do jogo, na verdade, os ingleses postavam-se com nove jogadores de linha, além do goleiro, dentro da sua própria área.

Claro que há um traço heroico na tenacidade e concentração com que o Chelsea se defendeu, principalmente depois de perder seu capitão Terry, expulso justamente por ter dado uma joelhada nas costas de Alexis Sanchez, fora do lance da bola.

Apesar disso, permitiu vinte e duas finalizações a gol do adversário, com direito a duas bolas nas traves disparadas por Messi, uma de pênalti, creia, afora cerca de quatro chances de ouro desperdiçadas.

E, aí está a diferença: Messi, aquele que sempre fez a diferença a favor do Barça, desta vez, foi o inverso. O melhor jogador do mundo, incontestável, positivamente atravessa sua pior fase os últimos três anos.

Errou passes que normalmente acerta, e, o mais importante, passa a sensação de que não tem a mesma confiança de sempre para tentar a jogada pessoal, a série de dribles desconcertantes que marcam de hábito sua presença em campo.

Contudo, mesmo sem o Messi genial de sempre, o Barça tocou a bola com ciência e, ainda no primeiro tempo, chegou a abrir 2 a 0 no placar, com Busquets e Iniesta, em duas jogadas trabalhadas, de pé em pé, dentre tantas que realizou na área do Chelsea, do início ao fim.

Tomou, porém, um contragolpe no finalzinho do primeiro tempo, com Ramires escapando pela direita para dar uma cavadinha sobre Valdés, na conclusão. E o segundo, no último minuto de partida, com Torres, nas mesmas circunstâncias, sozinho, driblando o goleiro e tocando para as redes. Mas, aí a vaca catalã já havia se embrenhado no brejo.

E, agora, enquanto o Barça limpa suas feridas, o Chelsea, renascido nas mãos de Di Matteo, só espera a decisão entre Real e Bayern para saber com quem disputará, finalmente, o título europeu. Para surpresa geral.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012 Sem categoria | 16:30

A REALIDADE DE FELIPÃO

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O Palmeiras, a exemplo do que ocorreu no ano passado, começou bem para, de súbito, mergulhar de tal maneira a ponto de ficar fora até mesmo das semifinais do Paulistão.

E já há quem torça na Academia para que Mano Menezes caia e Felipão seja convocado pela CBF em seu lugar, única forma viável de o Verdão se livrar do caríssimo treinador que segue sendo um ícone no clube, apesar dos insucessos recentes.

A propósito, não consigo entender a lógica dessa insistência com o nome de Felipão para a Seleção Brasileira, a não ser como evocação da Copa de 2002, vencida pelo Brasil por ele comandado, embora estivesse a pique de viver o histórico vexame da primeira desclassificação da nossa seleção em todas as Copas do Mundo já disputadas, na fase das Eliminatórias.

Nem de longe quero diminuir a competência de Felipão como treinador de futebol. Ao contrário: desejo apenas colocá-la na sua real dimensão – nem cabeça-de-bagre, nem o luminar ungido pela natureza pairando acima dos demais.

Bom treinador, sabe montar uma equipe e tem carisma suficiente para manter o grupo unido, além de ser muito experiente no ramo. Nunca foi, porém, um profundo estudioso das coisas do futebol, tampouco estrategista de renome.

Fez trabalhos excepcionais no Grêmio e no Palmeiras, anos atrás, mas falhou com a Seleção Portuguesa e o Chelsea, seus maiores desafios depois da Seleção Brasileira.

Digo que falhou tendo como ponto de partida o conceito do futebol-resultado, do qual Felipão sempre foi ferrenho defensor.

Ou perder a Eurocopa com a segunda maior geração de craques da história de Portugal, em casa, para a Grécia, não deve ser considerado como uma falha clamorosa, no dizer de mestre Carsughi?

No Chelsea, segundo Felipão, foi vítima de um boicote dos mandarins da equipe, Terry, Lampard e cia. Não duvido. Mas, isso implica em incapacidade de saber dominar ou persuadir esse grupo, principal atributo de Felipão, diga-se.

Agora, no Palmeiras, há já dois anos não consegue fazer o time decolar.

Sim, o elenco é limitado tecnicamente. O que apenas recoloca Felipão no verdadeiro plano de sua dimensão como técnico de futebol: excelente profissional, sujeito honestíssimo, mas nada excepcional. Pelo menos, não o suficiente para ser tratado como o Pai da Pátria, aquele redentor de que tanto carece nosso futebol.

DESTINO RUBRO-NEGRO

Leio entrevista do vice de futebol do Flamengo, Paulo César Coutinho, anunciando a permanência de Joel, por medida de economia, em meio a uma lista de dispensas e de possíveis contratações.

Paulo César Coutinho é o Cascão, que conheci menino ainda rodopiando em torno de seu ilustre e saudoso pai, Cláudio Coutinho, técnico daquele Flamengo inesquecível de Zico, Adílio, Carpegiani e cia. bela, e da Seleção Brasileira na Copa de 78, o cara mais inteligente que conheci no universo da bola nestes tantos anos de ofício.

Não vi o menino espevitado desde então; portanto, não sei em que homem se transformou. Só sei que o atual Flamengo, como, aliás, de há muito, vem sendo tocado por águas turvas, em rumos tão incertos que acabou aportando em cais solitário – aquele destinado ao único grande do Brasil que não tem nenhum horizonte à frente, até o início do Brasileirão.

Quer dizer: apesar da milionária folha de pagamentos, nenhuma receita à vista.

Tempo suficiente para o Flamengo, pelo menos, repensar seu destino.

E isso implica em decidir o que fazer com Ronaldinho Gaúcho, a estrela que não luziu nem no campo, nem fora dele, atraindo novos e milionários investimentos no clube, como se supunha no instante de sua ensandecida contratação.

CAMPINAS REDIVIVA

As vitórias do Guarani sobre o Palmeiras e da Ponte sobre o Corinthians, na rodada das quartas de final do Paulistão, me remeteram aos anos 70, quando Campinas era chamada de A Capital do Futebol Paulista.

Um tempo em que os dois grandes de Campinas exibiam verdadeiros timaços, revelando craques como Oscar, Polozi, Amaral, Zenon, Careca, Dicá, Manfrini, Renato e tantos outros.

À época, a Ponte bateu na trave do Corinthians, pela disputa do título paulista, embora fosse muito mais time do que aquele de Basílio, o Pé de Anjo. E o Guarani rompeu a barreira dos chamados grandes do Brasil, ao empalmar o Brasileirão (Campeonato Nacional) de 78 com um futebol eficiente e deslumbrante, sob o comando sereno de Zé Carlos, ex-Cruzeiro e Seleção Brasileira, o volante perfeito.

O que levou Guarani e Ponte ao declínio posterior, ambos chegando ao fundo do poço de onde reemergem agora, é matéria para vários livros.

Agora, o que importa é que um dos dois chegará à disputa do título paulista, embora nenhum deles seja time comparável aos daqueles tempos.

Mas, de qualquer forma, é um Derbi Campineiro de fazer história.

O QUE MUDOU?

Estou aqui fuçando meus alfarrábios quando deparo com estas duas pequenas joias de sabedoria eterna:

1 – “Posso dizer que o futebol brasileiro viveu três épocas: a primeira, muitos anos atrás,, quando o centromédio jogava plantado no meio do campo; a segunda, de 1942 a 1947, que reputo a melhor, quando se utilizou o WM; e a terceira, quando veio essa preocupação defensiva que prejudicou o espetáculo”. (Celestino, ex-zagueiro do Palmeiras e do Fluminense).

2 – Sílvio Neto, ex-jogador do Flu e ex-diretor da federação carioca apresentou proposta de transformação dos clubes de futebol em sociedades anônimas. Seu argumento: “o futebol brasileiro saiu do amadorismo para o profissionalismo, trazendo a paixão do amadorismo”.

Essas notas foram extraídas do II Volume de O Caminho da Bola, de Rubens Ribeiro, e datam do ano de 1957. Poderiam ser mais atuais?

E uma coisa está intimamente ligada à outra. Os técnicos optam por esquemas cada vez mais defensivos em razão da precariedade de seus empregos, fruto da inconstância dos cartolas amadores, movidos a paixões imediatistas, embora muitos, hoje em dia, recebam polpudos salários, como se profissionais fossem.

Nada muda, a não serem as aparências. Aliás, nem estas, se o amigo quer saber.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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