Os três grandes do Brasil que mais e melhor contrataram reforços até aqui foram, sem dúvida, Grêmio, Fluminense e São Paulo.
Só pra ficarmos com os mais famosos, vejamos.
O Grêmio montou um ataque de respeito, com Kleber Gladiador e Marcelo Moreno, mais Marco Antônio para acioná-los, ao lado de Douglas, que está sai-não-sai mas, pelo jeito, fica no Olímpico. E ainda tem lá Marquinhos, outro hábil e experiente armador – três armadores, num futebol sem armação, é um luxo que nenhum ouro time ostenta.
Talvez, só o Fluminense, que trouxe Wagner de volta ao Brasil para formar a dupla de regentes com Deco. E, se Souza cumprir o prometido – de voltar a jogar o que sabe, então o Flu se equiparia nesse quesito ao Grêmio.
Caso se confirme a volta às Laranjeiras de Thiago Neves, então, sai de baixo.
Outra boa contratação do Flu foi o volante, que joga também na lateral-direita, Jean, ex-São Paulo. Tem boa técnica, disciplina tática e é muito dedicado na marcação.
Falando em São Paulo, a chegada de Jadson foi a grande tacada, o preenchimento de uma ausência que já se tornava crônica no Morumbi. Assim como as vindas de Fabrício e de Cortês são também são promissoras.
Ainda falta um atacante pra compensar a saída de Dagoberto, grande reforço do Inter, que, a exemplo de Corinthians e Vasco, não foram ávidos ás compras.
Mas, mantiveram suas equipes, em alto nível.
Quem ainda está devendo nessa área? Flamengo, Botafogo, Palmeiras, Santos, Atlético e Cruzeiro.
Flamengo, Cruzeiro e Santos ainda se debatem para manter algumas de suas principais atrações – Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves, Montillo e Ganso -, enquanto o Palmeiras, zonzo pelo soar constante e estridentes das cornetas, não sabe para onde ir.
Quanto ao Galo, está ali, mineiramente, na encolha, à espera da tão demorada alvorada para soltar seu canto de guerra, finalmente.
MONTILLO POR GANSO
A coisa toda não passou de um bate-papo no ar entre meu querido Fábio Sormani e um diretor do Santos. O comentarista perguntou sobre hipotética troca, por empréstimo de um ano, de Ganso por Montillo, e o cartola achou a ideia boa. Ponto.
O presidente do Santos, de volta das férias, negou qualquer movimento nesse sentido, mas a ideia ficou no ar e floresceu rapidamente neste campo árido da entressafra de notícias do futebol.
Mas, digamos que essa sugestão se infiltre nas almas dos cartolas dos dois clubes. Seria um bom negócio para quem?
Bem, em primeiro lugar para meu considerado Sormani, que teria dado origem a uma notícia estrondosa, a mais surpreendente e espetacular do ano que mal se inicia.
Antes de mais nada, vale comparar o momento e as possibilidades de cada um dos jogadores citados.
Montillo, beirando a fatídica idade dos 30 anos, vem jogando demais. É um daqueles meias raros que unem aos seus pés descortino, habilidade e senso tático.
Ganso, mal dando seus primeiros passos na cena principal do futebol, em pouco tempo, mostrou toda a sua genialidade, assinalando para um futuro sem limites. Isso, caso, as constantes e graves lesões já sofridas neste pouco tempo de carreira, não se tornarem crônicas e intermitentes, o que certamente o impedirá de atingir o auge de suas potencialidades.
Nesse caso – se Ganso não recuperar a plenitude de seu futebol, ou sofrer novas lesões –, a Raposa fica com o mico na mão, enquanto Montillo, pela sua experiência, seria de grande valia para o Peixe numa Libertadores, digamos.
Por outro lado, se Ganso acertar o pé na Toca, o céu é o limite.
Mas, a questão não me parece se restringir às vantagens ou desvantagens de um ou de outro no plano técnico ou físico.
O que provocou a possibilidade de saída de Montillo do Cruzeiro não foi nenhum desconforto do jogador com o clube ou vice-versa. Ao contrário: a torcida o adora e ele nunca esteve tão bem na vida em outro clube como agora.
A sua saída de lá passou a ser cogitada a partir de uma proposta vertiginosa do Corinthians que abalou as estruturas do jogador, claro. Seria sua última (e única) chance de ganhar na Mega-Sena do futebol, na idade limite da carreira.
O Santos, nem de longe, estaria disposto a investir isso tudo em Montillo, tendo Ganso lá na Vila, ainda que em evidente desconforto das duas partes. E por quê? Grana, cara, grana, que o Cruzeiro jamais chegaria a desembolsar no nível do plano de carreira oferecido pelo Peixe ao craque, e por ele recusado.
Portanto, embora nunca diga não, como aconselhava Miguel Vaccaro Neto (tá vivo, meu?) na Era do Rádio, desconfio que essa ideia não prospere além das muitas discussões na padaria, na tv, no rádio e em crônicas medíocres como esta.
FERNANDO PEIXOTO
Foi-se no domingo o diretor de teatro Fernando Peixoto. Não o vi partir. Aliás, não me encontrava com ele há muitos anos.
Mas lembro de quando chegou a São Paulo, lá pelo início dos anos 60.
Na época, eu era diretor de redação da agência de notícias Interpress, da Santos & Santos Publicidade, no verdor dos meus 20 anos. Hoje, sou um velho gagá, como gostam de lembrar alguns jovens neste pedaço, mas, já fui muleke esperto, meu, acredite.
E quem me apresentou o Fernando foi Luiz Vergueiro, publicitário e produtor musical, irmão da grande atriz Maria Alice Vergueiro, e primo do meu chapinha, o ilustre compositor e cantor Carlinhos Vergueiro, todos dignos herdeiros do histórico Senador Vergueiro.
Vergueiro, de um dia pro outro, me avisou que estava de partida. Iria dar uma mãozinha na produção do célebre show de Bossa Nova no Carnegie Hall, ou outro evento do gênero. Então, para cobrir sua ausência na redação me apresentava um gaúcho genial que havia chegado agora do Sul, de braço dado com sua mulher na época: a deslumbrante Ítala Nandi, que pouco tempo depois viraria Sex-Simbol do Brasil.
Confesso que, na época, Ítala não me pareceu tão deslumbrante assim. Espinhas. Ítala Nandi tinha espinhas As espinhas se foram com o tempo e só restaram espinhos na minha alma pela primeira impressão besta.
Enfim, Fernando Peixoto ficou por ali, na Interpress, o tempo suficiente para ajeitar seu ninho no teatro – Oficina, se não me engano – e recomeçar sua brilhante carreira, agora no eixo Rio-São Paulo.
Era um tanto avesso ao diálogo e, todavia, candente e incontrolável, na defesa de suas teses sobre teatro, cultura em geral, a vida, enfim. Sério, grave mesmo, diria, íntegro e devotado a suas ideias e causas. Pelo menos, era assim naquela ´peoca, quando me deixou essa imagem para sempre.
É mais um que embarca. O cerco está se fechando.