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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 01:15

DEIVID E A VITÓRIA DO ALMIRANTE

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A cena dessa semifinal do Cariocão que ficará para sempre na memória do torcedor rubro-negro, sem dúvida, será aquela: Deivid, sozinho diante das redes vazias, quase em cima da risca, tocando a bola no pé do poste direito de Fernando Prass.

Mas, para o vascaíno restará sempre a doce e festiva lembrança da virada espetacular sobre o arquirrival que lhe deu o direito de disputar a Taça Guanabara, onde, diga-se, reinou absoluto em toda a fase anterior – O arquirrival de estrelas do brilho de um Ronaldinho Gaúcho e de um Vagner Love.

E Vagner Love foi logo justificando seu cartaz, ao marcar um golaço, aos 3 minutos de bola rolando. Já Ronaldinho, que numa decisão dessas deveria tomar o centro das ações, foi novamente mais um em campo, com esta ou aquela jogada de efeito de seu vasto, mas, oculto repertório de craque incomparável.

Por seu lado, o Vasco voltou a ser um todo mais organizado e incisivo, sob o comando de Juninho Pernambucano (depois, de Felipe), e dessa forma chegou à virada, com gols de Alecssandro e Diego Souza.

E assim, lá vai o Almirante em busca da taça, sem saber em que mares navegará, se os dominados pelo Botafogo ou os do Fluminense, que jogam nesta quinta em situação parecida – o Flu, mais estrelado, e o Bota, mais compacto.

É de se ver.

GRE-NAL

Poucas vezes na história desse campeonato gaúcho à parte, o Gre-Nal, o Inter foi tão favorito. Vinha jogando melhor, atuava em casa e o Grêmio, ao contrário, vivia a turbulência da queda de seu técnico, fruto dos maus resultados em sucessão.

Pois, deu Grêmio, por 2 a 1. E, segundo os relatos, com toda a justiça, graças, sobretudo, às mudanças realizadas pelo interino Roger. Dentre elas, o retorno de Gilberto Silva à sua posição de origem na zaga, e a entrada no meio de campo do recém-contratado ao Porto, Souza.

Mas, quem acabou dando o tom mesmo desse Gre=Nal foi o Gladiador Kleber, autor do gol da vitória.

Isso é Gre-Nal, meu: não tá morto quem pelea, como dizem os gaúchos.

LUSA E TIMÃO

Curioso esse Corinthians do Tite, que acaba de vencer o clássico paulista com a Lusa, por 2 a 0, gols de William e Cachito Ramirez. Time de histórico perfil vibrante, a primeira coisa que faz ao pisar o gramado é extrair qualquer emoção do jogo. Sempre bem organizado, seja com todos os titulares, seja com a mistura fina desta noite de quarta, planta-se firme lá atrás, e vai tocando a bola e o barco até fazer o placar favorável.

Quanto à Lusa, ainda está tateando em busca daquele futebol que, em meio a tantas idas e vindas, se desfez.

EMPATE ELETRIZANTE

O empate por 3 a 3 entre São Paulo e Bragantino foi simplesmente eletrizante, lá e cá, com predomínio da bola e dos espaços pelo São Paulo, que chegou ao índice barcelonês de 72 por cento de posse de bola, embora isso caísse, ao final, para 62 por cento.

À parte o jogo em si, vale anotar a estreia frustrante de Fabrício, que pediu pra sair ainda no primeiro tempo (Casemiro entrou muito bem em seu lugar) e a gratificante passagem de Cícero para o comando de ataque. Afinal, Cícero cumpriu seu papel com louvor, marcando dois gols e ainda metendo uma bola no travessão, além de um cabeceio certeiro salvo pelo goleiro.

Mas, se o meio de campo e o ataque tricolores estiveram nos trinques, a defesa, que horror! Cada bola lançada na área do São Paulo era um perereco. E, pelo menos dois dos três gols do Braga resultaram de erros brutais da defesa.

E, atenção, nada disso teve a ver com eventual fragilidade do meio de campo na marcação. Foi mesmo erro de posicionamento dos beques e de uma saída falha de Piris.

Apesar disso, sigo achando que esse time tricolor tem muito a dar ainda.

ANTEVISÃO E TRANSCENDÊNCIA

Reveja o lance, aquele em que Ganso mandou a bola, de cabeça, na trave. Falta na direita em Neymar, claro, que, de imediato corre pra área, deixando Ganso para a cobrança. O meia, porém, é colhido pelas câmeras da tv fazendo um sinal para Neymar, dizendo com o gesto de mãos que a batida deveria ser para fora. Isto é: com a face interna do pé direito.

Ora, Ganso é canhoto, Neymar, destro. O garoto entendeu logo e trocou de lugar com Ganso, que se postou no primeiro pau para colher o fruto de seu engenho.

Realço esse lance só para sublinhar o óbvio: o quanto esse Ganso enxerga do jogo. Ou, como diria mestre Armando Nogueira, antevê o jogo, atributo essencial do autêntico craque.

Mesmo porque a jogada que derrubou a turma da cadeira foi aquela perpetrada por Neymar, cujo desfecho foi o gol de Ibson, o primeiro na vitória do Santos sobre o Comercial RP por 2 a 0.

O menino recebeu na lateral-esquerda, aquém da linha central do campo. De cara, foi agarrado pelo marcador, que redobrou o abraço na medida em que Neymar tentava dele se desvencilhar. Não conseguiu. Feito enguia, Neymar escapou, disparou em alta velocidade, evitando, em zigue-zague outros quatro adversários e rolou com açúcar para Ibson marcar.

Um, a antevisão; o outro, a transposição e a transcendência. Dois craques nos animam ainda a gostar da bola por aqui jogada.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 14:23

CLÁSSICOS DE FOGO NAS CINZAS

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Quarta-Feira de Cinzas amanhece/ Na cidade, um silêncio que parece/ Que o próprio mundo se despovoou… O poeta popular, por certo, se referia aos velhos carnavais, pois, nestes tempos trepidantes, teremos uma Quarta-Feira de Cinzas altissonante, com os gritos das torcidas calando o toque de clarins além-distante dos versos perdidos na memória.

Sim, senhor, já que teremos clássicos em três grandes cidades do país, dois deles em disputa de vagas valendo título e o terceiro, em nome da tradição: em Porto Alegre, Gre-Nal; no Rio, Vasco e Flamengo, e, em São Paulo, Corinthians versus Lusa.

Raro esse encontro entre Inter e Grêmio tão longe da final nos Gauchões de sempre. Mais raro ainda é o favoritismo que unge o Inter nesse eterno clássico sem favoritos. Não só porque o Colorado tem excelente time e está afinado a ponto de caminhar de fronte erguida pelo campeonato até aqui, seja com seu time titular, seja com os reservas.

Isso, sem falar que o jogo será no Beira-Rio, praia colorada, claro.

(O único, mas significativo problema para o Inter é esse caso embrulhado de Oscar, que poderá ser substituído por Dátolo, por cuidados burocráticos.)

Em contrapartida, o Grêmio acaba de demitir o técnico Caio Jr., depois de apenas oito jogos, justamente porque o treinador não conseguiu em tempo recorde ajustar uma equipe muito modificada desde a temporada anterior. Mas já acertou com Luxemburgo, que, certamente, já meterá seu dedo no time, pelo menos, injetando-lhe mais ãnimo para o clássico.

Ah, mas Luxa já não é o mesmo de outrora, dirá o tricolor mais azedo. É verdade: Luxemburgo atravessa sua pior fase desde que os tempos iniciais do Bragantino. Mas, anote aí: na sua pior fase, Luxemburgo, nos últimos seis anos, ganhou cinco campeonatos estaduais, nos principais centros do país. Tirando-se Muricy, me diga aí qual outro técnico afamado teve tal desempenho nos últimos anos?

VASCO E FLAMENGO

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que se prenuncia para esta semifinal da Taça Guanabara. Afinal, o Almirante vem singrando os mares do Cariocão de vento em popa, enquanto o Flamengo alterna boas e más partidas, de acordo com os humores de Ronaldinho Gaúcho.

É verdade que o Vasco não contará com seu reserva de ouro, aquele que entrava para resolver, Bernardo, em litígio com o clube que não lhe pagou o devido pelos bons serviços prestados até ontem.

E que o Fla, com Vagner Love embalado, junto com os companheiros, pelo espírito jovial do Papai Joel, confere um poder de fogo maior ao seu time, embora o esquema sempre extremamente cauteloso do velho treinador jogue no sentido inverso.
Mas, quem está mesmo conduzindo o Flamengo às vitórias recentes é Leo Moura, voando pela lateral-direita como há muito não fazia.

Clássico pra mais de metro no Engenhão, meu caro.

TIMÃO E LUSA

Adriano se apresentou lampeiro no treino desta terça-feira e ainda tirou uma da cara do reportariado que o aguardava de caneta pingando veneno entre os dedos:

-Vocês não acreditavam, mas ói eu aqui!

Bom pra todos, sobretudo para ele próprio, o Imperador que ainda está distante de sua melhor forma física e técnica. Por isso mesmo, não deve ir nem para o banco no clássico com a Lusa. Nem ele, nem Xeique, nem Douglas.

Mas, o Timão tem elenco para seguir em frente, mesmo que seja por aquele resultado repetido tantas vezes, de um gol apenas de vantagem.

Já a Lusa não poderá contar com Boquita e Renato, ambos emprestados pelo Corinthians e impedidos, pois, de jogar contra o Timão, por cláusula contratual.

A propósito, o técnico Jorginho soltou os cachorros contra essa prática que andava fora de moda, resgatada mais recentemente.

Aliás, essa história começou lá atrás, nos anos 50/60. E começou com Oberdã Cattani, legenda alviverde, pegando tudo no gol do Juventus contra seu eterno Palmeiras, num ano em que foi emprestado ao Moleque Travesso, por desavenças com a diretoria verde. Pegou até pênalti.

Mais tarde, foi a vez de Luisinho, o Pequeno Polegar, que, acusado de liderar a tal Igrejinha do Parque (patota, para os mais jovens), foi emprestado ao mesmo Juventus. E, no primeiro confronto com o Corinthians, Luisinho, em tarde memorável de dribles e assistências, levou o Moleque a mais uma das suas inesperadas travessuras.

Oberdã e Luisinho, diga-se, voltaram rapidinho para seus respectivos clubes, depois disso.

A Vingança dos Desprezados sentenciava a Gazeta Esportiva da época.

Bem, de qualquer forma, o Corinthians vem na ponta da tabela, mesmo sem jogar tudo o que pode, e a Lusa parece estar recobrando parte daquele futebol encantador da Segundona, perdido no início desta temporada.

Jogo que promete.

CÍCERO E GANSO

No Paulistão, que ainda se arrasta nessa tediosa fase classificatória, São Paulo e Santos voltam a campo, contra Bragantino e Comercial RP, respectivamente.

O Tricolor vai a Bragança sem um centroavante de ofício, já que Fabuloso está em recuperação e William suspenso, e também o menino Wellington, que se lesionou gravemente no treino desta terça-feira.

E olhe que Wellington vinha jogando o fino ali na zona de volantes do seu time. Mas, o que não falta no São Paulo é volante de qualidade, dentre eles, o recém-contratado Fabrício que, enfim, deverá fazer sua estreia, ao lado de Denílson e de Jadson.

E Cícero?, haverá de perguntar o tricolino mais ligado no seu time. Pelo jeito, Leão reserva-lhe justamente a vaga deixada por Luís Fabiano e William. O quê? Tá inventando? Nem tanto, nem tanto.

Cícero, embora atue habitualmente como volante ou meia, tem talhe e dons para jogar mais avançado: é alto, bom no cabeceio, chuta bem de canhota e tem técnica para resolver as coisas por ali. Ainda mais se for acionado a partir das extremas por Lucas e Fernandinho. Se vai funcionar, isso é outro departamento.

Por sua vez, o Santos, desde que Muricy firmou o time titular no campeonato, vem num crescendo (não numa crescente, como a turma resolveu adotar hoje em dia) e tem tudo para continuar assim na Arena de Barueri, diante do Comercial.

E cresce o Peixe na mesma proporção em que cresce o futebol de Ganso, aliás, como era de se esperar.

A propósito, ouço e leio o pessoal por aí dizendo que, agora, sim, Ganso aprendeu a ser mais solidário, ajudando na marcação e tal e cousa e lousa e maripousa. Oh, memória de minhoca!

A turma esquece que, antes das lesões que deixaram Ganso no estaleiro por mais de um ano, num entra e sai constante, ele fazia tudo isso e muito mais.

Naquele Santos do primeiro semestre de 2010, o último time a realmente encantar com seu futebol arrasador no Brasil, Ganso atuava ao lado de apenas dois volantes – Arouca e Wesley -, ambos, por sinal, ousados e atirados como nenhum outro. E atrás de um trio atacante composto por Robinho, André e Neymar, apoiados por dois laterais ofensivos, como Pará ou Danilo e Léo ou Alex Sandro.

Se Ganso também não marcasse, por mais gols que fizesse, o Santos nunca teria cumprido aquela magnífica campanha, quando conquistou o Paulistão e a Copa do Brasil ao mesmo tempo. Marcava, e como!

Só agora é que o camisa 10 peixeiro conseguiu estabilizar-se fisicamente e passou a cumprir jogos em seguida, o que lhe permitiu voltar a fazer o que fazia. Com uma diferença: hoje em dia, tem atrás de si três volantes e não dois como antes. E à sua frente, dois atacantes e não três. Logo, atuando mais avançado, não é tão obrigado a marcar como naquele tempo.

Mesmo assim surpreende os desmemoriados, como se isso fosse uma grande novidade.

MERENGUE CONGELADO

O Real foi a Moscou para enfrentar, mais do que o CSKA, o célebre General Inverno, aquele que já derrotou Napoleão e Hitler. E, de cara, sob o frio glacial, esbarrou na forte linha de resistência dos russos, entrincheirados desde sua intermediária, atentos, porém, a rápidos contragolpes.

E, para piorar a situação, Benzema sofreu lesão na virilha e teve de ser substituído por Higuain. Mas, isso não chegou a durar nem meia hora, pois, na segunda chance merengue, Cristiano Ronaldo, pela direita, bateu de canhota, cruzado, e abriu o placar.

O Real, porém, terminou o primeiro tempo cozinhando o galo, e começou o segundo já sendo praticamente dominado pelo CSKA, embora não tivesse força ofensiva para mudar o cenário., nem mesmo depois da entrada do japonês Honda.

Quem tentou isso foi o Real, com a entrada de Kaká no lugar do burocrático Callejón. Em vão. Então, Mourinho trocou o meia Ozil pelo defensor Albiol, que era pra assegurar o resultado apertado, mas vitorioso.

Aí, os deuses da bola se vingaram no último segundo: bola alçada na área que sobra para o becão Wernbloom fuzilar – 1 a 1.

Feio, hein?

NAPOLI MIO!

A batata do português Villas Boas está assando na panela do bacalhau, enquanto a pizza e o tinto enchem as mesas de Napoles nesta noite festiva.

Afinal, o Napoli começou perdendo numa pixotada de Cannavaro, o irmão mais grosso,  no San Paolo para o Chelsea, que não ganha de ninguém há um tempão, apesar de toda aquela grana entupindo os cofres do clube londrino.

Mas, aí o Cone Sul invadiu o calcanhar da Bota, e o argentino Lavezzi fez dois, intercalados por um gol de ombro d uruguaio Cavani.

Olha a batata assando, ó gajo!

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 15:19

CAIO CAIU. TAVA NA CARA.

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O Grêmio não esperou nem a Quarta-Feira de Cinzas para expiar seus pecados. Foi logo demitindo o técnico Caio Jr. e abrindo as portas do Olímpico para a festa da chegada de Luxemburgo, embora isso ainda não esteja devidamente sacramentado.

Talvez, se Luxa não estivesse passeando pela praça do mercado, livre e solto, o Grêmio desse ainda mais algum tempo para Caio tentar firmar o time e se firmar como treinador do Tricolor gaúcho.

Mas, o destino de Caio Jr. no Olímpico já estava traçado desde sua contratação, há dois meses, se tanto. A não ser que produzisse o milagre da hora: montar um time vencedor da noite pro dia, com tanta gente chegando e saindo.

Fosse um Felipão, um Muricy, um Luxemburgo, esses treinadores mais afamados, cheios de títulos em seus currículos e donos de imagens nitidamente carismáticas, a história seria outra.

Mas, Caio Jr., que reputo um cara inteligente e conhecedor do assunto, ainda terá de amargar muitos infortúnios desses num futebol administrado pela impaciência, além da incompetência, quando não por outras ências e idades.

Como? Quem paga as multas e diferenças salariais? Ora, o Abreu, meu caro, o Abreu, aquele, conhece? Nem eu.

ADEUS, JORDAN

O som dos tamborins me distraiu, e quase vou deixando passar pela avenida das lembranças a última palavra sobre Jordan, lateral-esquerdo titular do Flamengo por mais de dez anos, num período de ouro do Mengão, diga-se – a década de 50.

Época em que o Flamengo, enquanto levantava títulos cariocas, que valiam mil vezes mais do que hoje, promovia uma sucessão de ataques fulminantes, em que desfilavam Paulinho, Joel, Rúbens, Moacir, Evaristo, Ìndio, Henrique, Dida, Benitez, Esquerdinha, Duca, Zagallo, sei lá quantos mais.

Mas, ali no meio do campo, onde reinavam as célebres linhas médias do passado, a escalação era pétrea; Jadir, Dequinha e Jordan.

Jadir era um negão taludo, de início médio-apoiador pela direita, que, com o advento do tal quarto-zagueiro, ali se firmou e chegou até à Seleção Brasileira.

Dequinha, cabeça-chata e pernas longas, era, ao contrário, a quintessência da fineza no trato com a bola, o centromédio clássico, de passe refinado e rara visão de jogo, espelho em que se mirou Carlinhos Violino, seu sucessor já sob a denominação de volante, e predecessor de Andrade, último dessa ilustre estirpe de volantes com talentos superiores na Gávea.

E Jordan, fechando a linha média mítica, que havia substituído em técnica e fama, a inesquecível formação dos anos 40 – Biguá, Bria e Jaime Almeida –, era a sobriedade aliada à eficiência na marcação de qualquer ponta-direita que se atrevesse a pererecar na sua praia. Nem mesmo se esse cara fosse conhecido como Garrincha, Sabará ou Telê.

Duro, firme, sem ser violento, Jordan também levava seus bailes, sobretudo de Garrincha. Mas, nessas raras ocasiões sabia manter a dignidade e o pudor, essas relíquias dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.

Nunca chegou à Seleção, ao que me conste, mas ganhou uma vaga cativa no coração dos rubro-negros e na memória eterna do Flamengo.

PS: Só pra constar – ah, essa cultura inútil que me persegue!: no sistema de jogo do técnico Flávio Costa, que ele denominou de Diagonal, Biguá marcava o ponta-esquerda adversário, enquanto Bria ficava mais centrado e Jaime partia para o apoio aos dois meias pela esquerda, ao contrário do esquema adotado por Fleitas Solich e seus sucedâneos naquele Flamengo de Jadir, Dequinha e Jordan.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 19 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 21:42

OLHA O BARÇA AÍ, MINHA GENTE!

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Baticunbum, bundurundum, teleco-teco, teleco-teco, tchaaaa! Olha o Barça aí, minha gente!

Pois é, esse foi o meu Domingo de Carnaval, assistindo de camarote o desfile do Grêmio Recreativo e Escola de Samba e Futebol Barcelona, mais conhecido como a Azul e Grená, nota 10 no quesito diversão.

Assim como 10 leva seu mestre sala, esse endiabrado Messi, capaz de desenhar no gramado passos tão inventivos e acrobáticos de causar vertigens em qualquer jurado mal-humorado.

O bicho fez quatro encantadoras coreografias, todas convertidas em gols, na vitória sobre o Valencia por 5 a 1, de virada. E poderia ter feito mais uns três dentre as tantas chances desperdiçadas também por Fábregas, Iniesta, Alex Sanchez, Piqué, Busquets e o menino Tello.

É quase certo que o Barça não levante esse campeonato, o espanhol, já praticamente aos pés do Real, a outra escola igualmente rica e tradicional daquelas bandas, e, que, sábado, deu outro show de bola, metendo 4 a 0, no Racing Santander, com boa atuação de Kaká.

Aliás, por falar em Kaká, a folia da bola começou mais cedo neste domingo, com o Milan, único time italiano a jogar ofensivamente, batendo o Cesena por 3 a 1, em impecável exibição de Robinho, autor de um dos gols e da assistência para Emmanuelson marcar o seu. Além disso, Robinho circulou o tempo todo pelo campo, armando e chegando para finalizar, em alta velocidade.

Agora, se o amigo me permite, vou rasgar a minha fantasia, e cair na… cama, que é lugar de velho com juízo.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 18 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 22:52

E DEU O ÓBVIO NO CARIOCÃO

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Houve um momento na Taça Guanabara que Flamengo, Fluminense e Botafogo estavam a perigo. Só o Vasco seguia impávido e colosso – afinal, não é o Gigante da Colina? Então.

Então, no vai e volta e tal e cousa e lousa e maripousa, aí estão todos os quatro grandes do Rio classificados para as semifinais do primeiro turno do Cariocão: Vasco x Flamengo e Botafogo contra o Fluminense.

E olhe que o Vasco abriu a brecha para o Boavista tirar do páreo o Fluminense, escalando seu mistão no jogo de hoje. Mas, o Boavista não teve pernas nem alma para evitar até mesmo a derrota, por 1 a 0, gol do menino Kim.

Enquanto isso, o Fluminense se livrava sem muitos incômodos do lanterníssimo Bangu (quem te viu e quem te vê!): 3 a 1, jogando para o gasto e graças à movimentação esperta desse garoto Wellington Nem, que sofreu o pênalti convertido por Fred e fechou o placar, em cruzamento da direita.

Ao contrário do Flamengo que teve de se desdobrar para vencer o Resende também por 3 a 1, num jogo em que o empate lhe tirava a vaga nas semifinais. Para piorar as coisas, o Resende abriu a contagem, e, quando o Fla já virara para 2 a 1, perdeu gol feito. Pouco antes de Negueba selar o placar numa prodigiosa arrancada.

Mas, o mais positivo na vitória rubro-negra foi a presença ativa de Ronaldinho Gaúcho, autor do gol de empate, de cabeça, e de várias jogadas de efeito. Isso, claro, além do gol marcado por Wagner Love, que novamente vai se encaixando como uma luva no ataque do Mengão.

Por fim, o Botafogo, mesmo desfalcado de Andrezinho, Loco Abreu e perdendo por lesão Maicosuel no decorrer da partida, passou fácil pelo Macaé – 3 a 0 -, com destaque para Felipe Menezes, aquele meia habilidoso que está na boca negra de boa parte da torcida botafoguense. Além dos passes precisos, marcou um gol de alta classe.

Bem, agora é briga de cachorro grande, em mata-mata que praticamente anula todo o retrospecto e reduz a quase nada qualquer favoritismo, embora Vasco e Botafogo estejam mais redondos do que Fla-Flu.

A MAGIA DO PASSE

Corinthians e Santos venceram seus respectivos jogos pelo Paulistão, neste sábado. Assim, o Timão voltou à liderança por pontos ganhos (nos critérios de desempate, o Palmeiras está acima) e o Santos saltou para o quinto lugar, praticamente garantindo uma vaga para a fase final do campeonato.

Na vitória do Timão sobre o Azulão, em São Caetano, todos os focos estavam sobre Adriano, que, depois de longa ausência, começou como titular num time quase todo de reservas.

Mais magro do que nos últimos treze meses de Corinthians, mas evidentemente sem ritmo de jogo, Adriano atuou por setenta minutos, deu um chute a gol, e, de resto, ficou ali aplaudindo o passe mágico de Douglas para William marcar o único gol da partida.

Com aquela canhota abençoada, Douglas, gordo e ausente em campo, de repente, enfiou uma bola traçada a régua e compasso para William surgir sozinho na cara do gol. Um desses exemplos de que tanto se fala de o craque definindo um jogo.

Mais tarde, foi a vez de Ganso nos brindar não com um desses passes magistrais, mas, com três, na vitória por 3 a 1 sobre o Mirassol: dois para Juan e um terceiro nos pés de Neymar, que também perdeu a chance de ouro.

A diferença entre Ganso e Douglas foi a de que o santista jogou o tempo todo, participou ativamente do trabalho de marcação, roubou bolas, meteu-as com a inteligência e a precisão de sempre, e ia completando a jogada da noite, quando, de calcanhar, dava um chapéu no beque que cortou a bola com a mão, em pênalti cobrado com êxito por Borges.

Ora, ora, um passe aqui, outro ali, grande coisa!, dirá o sempre azedo amigo. Não é nada, não é nada, mas é tudo, meu caro. Pois, o passe é o principal fundamento do jogo da bola. Sem ele, não há jogo, sobrando apenas essa sucessão de esticões e correria desenfreada que nos matam de inanição e tédio.

GRE-NAL ANTECIPADO

Culpa do Grêmio, que segue, mesmo reforçado e jogando com seu time titular,  tropeçando aqui e ali. Desta vez, foi diante do São José, o que precipitou o clássico gaúcho, em geral o desfecho do campeonato, para as quartas-de-final.

No caminho inverso, o Inter, com seu time reserva, se desvencilhou do Pelotas sem maiores embaraços, por 3 a 1, com dois gols de Jo, creia.

Claro que o técnico Caio Jr. e a estrela da cia. tricolor, Kleber, saíram de campo garantindo que assim é melhor – pegar logo o arquirrival pela proa. Pode ser. Mas, também, pode acabar sendo uma tragédia.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 14:29

VERDÃO, WILLIAM E ADRIANO

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E o Palmeiras voltou ao topo da tabela do Paulistão, ao bater o Guará, lá, por 3 a 2, desta vez, sem o auxílio direto de Assunção. A virada verde deu-se mais graças às arrancadas fulminantes de Maikon Leite e àquele tirombaço de João Vítor, que selou o placar, quando o Verdão corria riscos de levar o empate, apesar da vantagem de dois jogadores a mais.

Aliás, o Guaratinguetá, enquanto inteiro em campo, deu uma canseira danada ao líder, que, por sua vez, manteve a habitual organização e correu muito também.

Na véspera, o São Paulo havia passado pelo Paulista, por 3 a 1, três gols do menino William José, que saiu das cinzas para se transformar no artilheiro da equipe e do campeonato, com sete gols em cinco jogos. Só nesta quarta, ele fez os três do Tricolor.

O diabo, para o rapaz, é que foi expulso, e, com a volta de Luís Fabiano, só Deus sabe quando terá nova chance.

Chance rara é de se ver o Imperador Adriano em campo. Então, aproveite, fiel amigo, e rasgue sua fantasia neste sábado de carnaval em São Caetano, onde, finalmente, Adriano se apresentará desde o início com a camisa do Timão, contra o Azulão.

Outra chance: a de Adriano disparar todos aqueles gols acumulados nos dez meses de espera, ajudando o seu time a fazer uma diferença de cinco gols sobre o São Caetano para poder superar o Palmeiras no topo da tabela.

Quem sabe, né?

ÉTICA DE RESULTADOS

Bem que eu andava desconfiado de que, na hora H, não haveria renúncia alguma de Teixeira (ver o texto abaixo, “Já vai tarde”, postado como “Ciao, Teixeira. Ciao mesmo?”, ontem ou anteontem, já nem lembro).

O bicho está lá há quase um quarto de século, e a mamata é boa demais. Mesmo porque ele está cansado de saber que o tempo é o senhor da razão, como dizia aquele que foi banido do Planalto por tantas maracutaias para voltar nos braços do povo na fantasia de representante de Alagoas no Congresso Nacional.

Eu disse aquele, mas são muitos. Como, por exemplo, o ex-governador de Brasília, o que assinou o polpudo cheque do jogo com Portugal, estopim de uma das últimas denúncias contra Teixeira – 8 milhões de reais dos contribuintes para promover um amistoso da Seleção.

Pois o indigitado já havia renunciado ao mandato de deputado federal para não ser cassado. E, como castigo do eleitorado de Brasília, voltou como governador do Distrito Federal.

Que beleza!, como diria nosso Milton Leite.

Claro, o indivíduo continuou aprontando até cair definitivamente nas malhas da lei. Definitivamente? Sei lá. Amanhã, quem sabe, não reaparece como presidente eleito do Brasil?

No caso Teixeira, não duvido que ele esteja deprimido e até mesmo com vontade de largar tudo, inclusive o Brasil, como dizem por aí. Assim como não duvido que tenha sido demovido da ideia de renunciar ao cargo de presidente da Fifa e de seu posto no Comitê da Copa por um seleto grupo de amigos. Dentre eles, Ronaldo Fenômeno, seu ex-desafeto, que saltou à boca de cena, enquanto Teixeira se esgueirava nas sombras da posse de Bebeto no tal comitê, e sentenciou:

- Afinal, foi ele quem trouxe a Copa para o Brasil.

Então, tá. Uma frase que resume todo o compêndio de ética que serve de guia ao futebol brasileiro (ou será a vida do brasileiro em geral?): quem faz, leva; quem não faz, bate palmas.

Já tínhamos o futebol de resultados, aquele que despreza a arte ou qualquer traço de criatividade no lúdico jogo da bola. Agora, temos também a ética de resultados.

BOLA FORA DE ROMÁRIO

Romário, como um dos quatro maiores centroavantes de nossa história, ao lado de Friedenreich, Leônidas da Silva e Ronaldo Fenômeno, conhecia todos os segredos da grande área. Mas, pelo visto, desconhece a essência de seu novo ofício – o de deputado federal – ao pedir interferência do governo federal na eventual sucessão de Ricardo Teixeira na CBF.

As intenções de Romário são as mais nobres e justas e exprimem, por certo, o desejo da maioria dos brasileiros: que alguém lá de cima escolha entre os tantos impolutos e competentes brasileiros um que assuma a CBF e imprima novos rumos à entidade, dentro dos padrões éticos exigidos pelo cargo e com a devida competência.

Aliás, esse é um vezo do brasileiro em geral, que até agora não conseguiu entender direito como funciona essa tal de democracia, regime reconquistado com muito sangue e amargura há pouco tempo: o de buscar o atalho para seus problemas aberto por alguém lá de cima – o pai de todos, de preferência, o Divino, e, se necessário por um ato de força.

O bom e saudável no nosso sistema de governo é justamente a ausência do ato de força, do atalho cortado pela autoridade suprema, que, por princípio, não detém o poder absoluto da verdade, tampouco é infalível.

Romário pede que dona Dilma tire da bolsa a chave que abrirá os cofres da honestidade e da competência e de lá retire o nome do messias que salvará nosso futebol dos oportunistas, incapazes e desonestos.

Ora, ora, se a presidente possuísse essa chave mágica, não estaria tão embaraçada com tantos ministros, por ela mesma escolhidos, desabando ao peso de denúncias de irregularidades e corrupção.

Já vivemos tempos tenebrosos em que o ditador de plantão mandava prender e soltar a seu bel prazer, sob a égide da honestidade conferida pela farda que vestia, e o resultado não poderia ter sido mais desastroso.

Se o amigo mais jovem quer saber, ainda pagamos caro por aquelas estripulias, sobretudo no campo da educação, pilar de qualquer civilização.

Como deputado federal eleito em sufrágio universal, Romário jurou defender a Constituição no Congresso Nacional, a casa onde reinam as diferenças. E a Constituição separa nitidamente as esferas de ação do público e do privado.

A CBF é uma entidade privada, portanto infensa à ação direta do governo em suas atividades.
Claro, tudo na vida é política, até mesmo as relações familiares. E a presidente da República, pelos poderes que lhe são conferidos, pode perfeitamente manobrar politicamente em nome deste ou daquele eventual candidato à sucessão de Teixeira. Isso faz parte do jogo democrático.

O diabo é escolher entre os possíveis candidatos aquele com o perfil exigido por Romário e o povo brasileiro.

Mesmo porque o sujeito entra lá com as vestes brancas de uma vestal, e acaba saindo com o rosto borrado da mais pesada e vulgar maquiagem.

Então, não há solução? A curto prazo, não.  Mas, a longo, sim. Isso, se o brasileiro souber utilizar as ferramentas adequadas oferecidas pelo sistema em que vivemos, graças a Deus!

Ou seja: o poder do exercício da cidadania. Que cada um pressione seu respectivo clube a eleger presidente capaz de bem escolher o mandatário de sua respectiva federação regional. E que este saiba, na sequência, separar o melhor para a CBF.

Penoso e longo caminho, não? Mas ou é assim, ou fica como está, mudando-se apenas as moscas, pois atalho não há. Nem deve haver, para o nosso bem.

NOCHE TRISTE

Dois empates e uma derrota, esse foi o saldo da noite brasileira na Libertadores. E o mais irônico é que justamente o derrotado – o Santos – foi aquele que mais merecia sair das nuvens de La Paz com a vitória, tantas foram as oportunidades perdidas, bola na trave e outros bichos.

Mas, o mais inacreditável nessa aventura santista na Libertadores foi a falta de cuidados do clube no caso de Juan. O lateral saiu do Brasil escalado como titular por Muricy. E, só quando se aprontava para entrar em campo ficou sabendo que estava impedido, pois teria de cumprir expulsão em jogo anterior pelo torneio.

Aí, Muricy teve de improvisar Fucile na lateral-esquerda e escalar Pará na direita, os dois mais inoperantes da equipe, que perdeu para o Strongest por 2 a 1, com gol no último minuto de partida.

Gol de cabeça no último instante, porém, foi o que salvou o Corinthians de uma derrota em San Cristóbal, diante do Deportivo Tachira. Uma angústia só, pois o Timão, depois de um início promissor, tomou o gol de Herrera, num vacilo da defesa, refluiu e só voltou à tona no segundo tempo, quando criou as melhores chances e acabou, por fim, empatando um jogo tenso e sempre imprevisível por conta dos contragolpes rápidos dos venezuelanos.

Mas, se o Corinthians terminou o jogo em cima do Tachira, o Flamengo viveu angústia oposta: o Lanús foi quem obrigou o goleiro Felipe a se desdobrar para evitar o pior. Felipe e a retranca feroz armada por Papai Joel em Buenos Aires, sobretudo depois de Leo Moura ter aberto o placar.

Moral da história: nem euforia – no máximo, alívio, no caso do Corinthians -, nem depressão. Esse, afinal, foi apenas o primeiro passo desses três brasileiros no longo caminho da Libertadores.

IBRA E ROBINHO

Foi um massacre do Milan sobre o Arsenal, no San Siro, com direito a exibição de gala de Ibrahimovic e dois gols de Robinho, que matou a pau no segundo tempo: 4 a 0!

Mas, o que mais me chamou a atenção foi a enxurrada de mensagens dos telespectadores da Espn durante a transmissão da partida, pedindo a cabeça do técnico Arséne Wenger.

Talvez aí esteja a raiz desse futebol atrasado e insosso que praticamos de hábito no Brasil. Basta qualquer derrota, a galera e a torcida de carteirinha (os cartolas do clube) já partem de machado em punho para decapitar o treinador.

Resultado: nossos treinadores, sempre na corda bamba, morrem de medo de arriscar um jogo mais ofensivo e agradável de se ver. É um salve-se quem puder interminável e quem paga o pato é esse mesmo torcedor, que fecha o ciclo vicioso do nosso atraso.

Wenger é um dos caras mais bem preparados do planeta nesse negócio do futebol. E os ingleses, que são tão passionais como os brasileiros nas arquibancadas, fora delas não são os idiotas que supomos. Ao contrário: não só construíram um império, como inventaram o próprio futebol.

Por isso, Wenger está lá no Arsenal há mais de quinze anos, com todas as glórias conquistadas e as derrotas amargadas.

JÁ VAI TARDE

Informações vindas de várias fontes conduzem a um desfecho feliz: a partir de amanhã estaremos, finalmente, livres de Ricardo Teixeira. Seja por renúncia, seja por um pedido de licença daqueles que acabam sendo uma saída definitiva.

Isso, porque o cartola, rejeitado tanto pela Fifa, na figura de Blatter, quanto pelo governo brasileiro, na figura da presidente Dilma, e acossado por denúncias cada vez mais sólidas de irregularidades e corrupção, já não teria como se sustentar ainda na presidência da CBF e na do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Muito menos dar sequência ao seu projeto mais ambicioso: eleger-se presidente da Fifa, mesmo porque o seu colégio eleitoral na entidade, cevado a muitos trambiques, foi praticamente decepado por Blatter ainda outro dia.

Mas, atenção: Teixeira já deu sinais de que iria largar a rapadura antes, à época em que corria no Congresso Nacional a tal CPI do futebol; quando as coisas amansaram, voltou atrás e seguiu adiante, todo pimpão, se é que tal adjetivo cabe na cara sempre enfarada do cartola.

É sempre, pois, saudável manter um pé atrás com esse povo.

Mas, admitamos que venha a renúncia, a ser comemorada com champagne francês, caviar Beluga e finíssimas fatias de salmão, quando baixarem os eflúvios das celebrações, o que teremos diante de nós?

Um quadro tétrico, no mínimo, feito de sombras assustadoras rondando o trono vazio de Teixeira: Marco Polo Del Nero, Andrés Sanchez, José Maria Marin, essa turma.

A festa, de imediato, vira desolação.

O NEGÓCIO DOS EMPRESÁRIOS

Estava ainda há pouco ouvindo as explicações do agente de Alex Silva sobre o negócio gorado com o Santos. E o próprio admitia que, em meio às tratativas, havia um quesito: o pagamento, pelo clube, do valor referente à comissão do empresário do jogador.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou contra a atuação dessa figura que ganhou vulto nos últimos tempos. Ela, na verdade, ocupou o espaço deixado em aberto pelos clubes, que não souberam (e ainda não sabem) se organizar no sentido de trançar uma rede de garimpeiros de futuros craques mundo afora. Nesse vazio, medraram os chamados empresários.

Assim como eles serviram pra romper aquele regime de Casa Grande e a Senzala que imperava na relação entre clube e jogador, em que o grande prejudicado era sempre o ator principal do jogo.

Nem vou entrar no velho chavão de que há bons e maus empresários, coisa própria da natureza humana em qualquer atividade.

Quero me deter num pequeno detalhe, o das comissões auferidas por esses empresários, em caso de negociações do jogador de um clube para outro.

Ora, o vínculo contratual é entre o empresário e o jogador, pois, não? Então, por que cargas d’água, o clube é quem deve pagar essas comissões? Não seria o jogador o responsável legal por esse ônus?

A lógica do negócio é clara. O jogador contrata o agente e lhe paga pelos serviços prestados, seja em salários, seja em comissões. O clube contrata o jogador e a ele paga o devido no acordo. O empresário apenas representa os interesses de seu cliente nas negociações.

Mesmo porque, se, além disso, o clube desembolsar diretamente para o agente um valor referente á comissão desse cara, a coisa passa a soar como suborno, do tipo, olhaqui, você convence seu jogador a vir pro meu time que eu lhe dou este por fora.

Não é necessariamente isso. Mas, que parece, parece.

CRAQUE SEM LIMITES

Aos 43 minutos do segundo tempo, o Barça vencia o Lverkusen por 2 a 1, e, embora exercesse aquele domínio de bola absurdo de hábito, corria certos riscos de empate, quando Messi recebeu a bola no círculo central e foi agarrado pela cintura por um adversário.

Qualquer jogador no mundo, nessas circunstâncias, abriria os braços e deixaria o juiz apitar a falta, com a subsequente queima de tempo na cobrança demorada, claro. É a velha malandragem brasileira ou a picardia argentina, se o amigo preferir.

Mas, Messi não é qualquer um. É simplesmente aquele menino com talento incomparável, título de melhor do mundo e insaciável fome de bola e de gol. Então, Messi  forçou a passagem, deu dois passos e serviu Daniel Carvalho na cara do gol.

Quem, no entanto, pensar que já havia cumprido seu papel com louvor engana-se. E aí contou com o sangue frio e o descortino de Daniel Alves que, em posição de finalizar a gol, vislumbrou a chegada em alta velocidade de Messi e meteu-lhe a bola na medida para mais um gol histórico desse craque sem limites.

SELEÇÃO

Saiu a lista da Seleção para o amistoso com a Bósnia, nem definidamente a Olímpica, nem a principal dos nossos sonhos. Isso, antes de tudo, porque o futebol brasileiro vive um momento de transição, de troca de gerações, ainda atado a conceitos táticos superados nos principais centros mundiais.

Exemplo disso, a chamada para o nosso meio de campo, onde prevalecem os volantes sobre os meias: 4 a 3. A conferir: Hernanes, volante até o fim da vida, ainda que atue mais avançado na Lazio, Elias, Fernandinho e Sandro, contra Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Lucas.

No rigor da análise, aliás, só Ganso é um autêntico meia-armador, pois Ronaldinho  joga mesmo há muito tempo ali na ponta-esquerda e Lucas é um meia ponta-de-lança nato, desses que pegam e bola e saem rompendo (ou não) as defesas aos dribles, praticamente, um atacante.

E Ganso, depois de tantas ausências por lesões, ainda não conseguiu readquirir seu ritmo ideal, embora venha melhorando nessa sua última volta ao time do Santos.

Quanto a Ronaldinho, é aquela velha história: conhece todos os segredos da bola, mas há tempos, avidamente, guarda-os só para si, não reparte com mais ninguém, a não ser esporadicamente – um passe aqui, um drible ali, ponto.

Sua convocação só se justifica como sinal para os patrocinadores dos jogos da Seleção de que nossas estrelas estarão em campo contra a Bósnia ou quem seja, pois se trata ainda de um nome planetário.

Já Lucas, a exemplo de Ganso, tem idade olímpica, mas, também, não se firmou definitivamente como craque indiscutível, já que, no São Paulo, tem oscilado de jogo pra jogo – ora, faz uma série de jogadas magníficas e ganha o jogo para o seu time; ora desaparece naquele buraco negro da ponta-direita.

O diabo para essas posições (meia-armador e meia ponta-de-lança) é a escassez de talentos na praça.

E Kaká, que ficou de fora, depois de ter sido chamado na última vez, quando teve de pedir dispensa por lesão? Bem, nosso craque, que já foi o maior do mundo, não está conseguindo cavar sequer um lugar de titular no Real, apesar de já recuperado física e tecnicamente. Entrou algumas vezes, fez gols, jogou bem, jogou mal, enfim, segue naquela zona de incerteza, da qual só sairá, pelo visto, quando partir de Madri.

Muito mais do que Kaká, surpreende-me a ausência de Oscar, que tem idade olímpica e bola de gente grande. É o cara ideal, nas circunstâncias atuais, para fazer as funções de Ganso ou ao seu lado, e está esmerilhando no Inter, tanto no Gauchão quanto na Libertadores.

No tocante aos volantes, apesar das pequenas distinções entre eles, são todos mais ou menos do mesmo nível, de mediano pra bom, com Hernanes levando boa vantagem técnica, mas, perdendo na velocidade. Nada, enfim, que inspire ou arrebate.

Nada comparável, por exemplo, ao desempenho deslumbrante daquela dupla de volantes do Santos do primeiro semestre de 2010, formada por Arouca e Wesley, que está voltando ao nosso futebol.

O diretor de futebol, Andrés Sanchez, porém, caiu na esparrela de anunciar o fim das experiências, o que é uma bobagem, com o perdão da palavra. Pois, essa história de formar o grupo fechado dois anos antes da Copa já se revelou improdutiva quando não impossível, pela velocidade das mutações nesse campo mágico do futebol.

Entre outras coisas, porque a Seleção Olímpica, pelo andar da carruagem, será inevitavelmente a base do nosso time na Copa do Mundo de 2014. Mesmo que sobrevenha um desastre em Londres, pois isso já aconteceu várias vezes no passado. É Darwin, meu amigo, aquele que andou falando sobre uma tal de evolução seletiva.

Mas, caminhemos em direção ao ataque, sem não antes dar um recuo à defesa, onde a única estranheza é a presença de um lateral-esquerdo a mais: além de Marcelo e Alex Sandro, Adriano. Pra quê? Mistério.

Agora, chegamos à frente, onde estão listados Neymar, Leandro Damião, Hulk e Jonas. Sobre a dupla Neymar e Leandro Damião, nada a acrescentar, além do óbvio. Jonas está muito bem no Valencia e Hulk tem sido útil nas últimas convocações. Mas, ainda falta aquele salto de qualidade espetacular, dois craques que possam substituir os titulares com talento superior.

Sinais dos tempos.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 14:46

TIMÃO, FLA E PEIXE NA LIBERTADORES

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Corinthians, Santos e Flamengo estão de malas prontas para suas respectivas estreias na Libertadores. E, dos três, o Santos é o que terá de enfrentar um duplo adversário – o Strongest, campeão boliviano mas que não vem bem no campeonato este ano, e a altitude de La Paz.

Isso, sem falar que o atual campeão da América, ainda é um ponto de interrogação, pois nas poucas vezes em que seu time titular esteve em campo neste ano mostrou não estar ainda nos trinques para tão dura competição.

Sim, houve aquele momento mágico de Neymar, na virada sobre o Botafogo, outro dia. Mas, aquilo foi um surto, um prodígio da hora, não fruto de um trabalho organizado e sólido da equipe como um todo.

A boa nova para o torcedor santista é que o lateral uruguaio Fucile entrou no time, por poucos minutos, e deu a impressão de que estava na Vila havia anos. Mas, a inoperância do meio de campo, com a presença difusa de Elano, que não é nem volante, nem meia, nem atacante, preocupa. Assim como preocupa a zaga peixeira.

Esse já não é o caso do Corinthians, que faz uma viagem mais longa, até San Cristóbal, na Venezuela, para pegar o Depoprtivo Tachira: o campeão brasileiro não é nenhuma maravilha, mas, mantém em campo a organização e a segurança do ano passado, e parte sem o peso extra das tradicionais inseguranças desse clube quando se trata de Libertadores. A sensação é a de que vai mais solto e leve do que de hábito.

Por fim, o Fla, que enfrenta em Buenos Aires o Lanús, sexto colocado no torneio Apertura do Campeonato Argentino, e que vem de golear o San Lorenzo por 4 a 1, no Clausura recém-iniciado.

A viagem é um pulo, ao nível do mar, e o adversário, apesar de pertencer à respeitável escola argentina de tocar a bola, não chega a meter medo. O problema é o próprio Flamengo, que venceu o Nova Iguaçu por 2 a 0, na estreia de Vagner Love, no fim de semana, pelo Cariocão.

Pois, apesar das manhas de Papai Joel para amenizar o clima turbulento, até sua chegada à Gávea, em campo, o Fla continua devendo. Sobretudo, Ronaldinho Gaúcho, que terá de ser mais decisivo em Buenos Aires do que tem sido até agora por aqui.

Todavia, com tantos cuidados típicos dos esquemas traçados na prancheta de Joel, não descarto um empatezinho maneiro lá, o que viria a calhar nas atuais circunstâncias.

FUTURO NO ATRASO

Tava vendo os melhores momentos da vitória do Galo neste fim de semana, pelo Mineirão, e admirando a bola redondinha e insinuante desse menino Bernard, autor de um dos dois gols do seu time contra a Caldense – falta cobrada com mestria.

Mas, é na bola rolando que Bernard mais se destaca, com seus dribles em sucessão e passes exatos. E ainda outro dia o via num desses torneios sub-qualquer-coisa esmerilhando com a camisa do Atlético.

É isso: o Brasil segue sendo uma usina de jovens craques incomparável no planeta bola. Em contrapartida, como estamos atrasados quanto à concepção de jogo… Não há um mero olhar em direção ao espetáculo, ao jogo bem jogado de nossos times, onde o foco exclusivo é o resultado a qualquer custo.

Enquanto os grandes centros futebolísticos da Europa – e até do Uruguai e Argentina (outro dia mesmo vimos o Nacional dando um vareio tático e técnico no vice-campeão brasileiro, o Vasco)  – vão se desfazendo desse entulho do meio de campo, a legião de volantes brucutus que invadiu os gramados na década de 90, nós aqui a tratamos ainda a pão-de-ló.

Só pensar em armar uma equipe brasileira com apenas um volante de ofício, como era da nossa escola e o é nos principais centros europeus hoje em dia, já basta para despertar aquele sorriso superior dos pragmáticos de plantão: ah, é, e quem vai marcar, se os meias e atacantes brasileiros não pegam ninguém? É uma questão cultural, acrescentam.

A vontade é responder; a vovozinha! Mas, tomo prumo, e retruco: todos! Desde que você arme sua equipe sem o signo do medo, com uma linha de zagueiros próxima à do meio de campo, e, esta, colada ao ataque.

Os jogadores de frente brasileiros não gostam de marcar porque, para tanto, teriam de correr sem parar setenta metros de terreno, pra cá e pra lá, em virtude da distância entre a sua própria zaga e o ataque. Quem aguenta?

Mas, se o time estiver compactado em pelo menos três quartos do gramado, bastam dez metros para serem cumpridos.

Quanto à questão cultural, trata-se de pretexto para empurrar com a barriga a solução. Que sabem esses neófitos da história do futebol brasileiro sobre nossa cultura futebolística?

Levamos quase um século cultivando um futebol ofensivo, plasticamente deslumbrante, com o qual ganhamos Copas do Mundo e o escambau, para em menos de vinte anos jogarmos tudo no lixo. E ainda falam em cultura?

Vão plantar batatas, que é campo mais fértil para essas cabecinhas ocas do que os sagrados campos dos sonhos e realidades do nosso futebol.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

domingo, 12 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 22:43

TRÊS CLÁSSICOS DISTINTOS

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O Ba-Vi, que se prenunciava o mais sugestivo clássico do domingo, acabou decepcionando pelo 0 a 0 final. Mas, segundo relatos vindos do Pituaçu, apesar do placar em branco, o jogo foi movimentado, com ligeiro predomínio do Bahia.

Enfim, no encontro entre Falcão e Cerezo, entre mortos e feridos, salvaram-se todos, como diria aquele locutor japonês chamado Manuel.

Mais do que movimentado – diria que turbulento – acabou sendo o clássico carioca entre Vasco e Fluminense. Isso, por conta das expulsões de Edinho e Fred, na segunda parte da etapa final, o que retirou do Flu qualquer capacidade de reação diante do crescimento do Vasco na virada sensacional, por 2 a 1. E dos dois pênaltis não marcados pelo juiz – um pra cada lado.

Antes disso, porém, o Vasco, que havia sido dominado pelo Flu durante todo o primeiro tempo, quando Thiago Neves abriu o placar em tabelinha esperta com Deco, já havia começado sua reação, com o gol de Alecssandro, em cruzamento de Fagner.

Assim como a inexplicável substituição de Deco, até então o melhor em campo, por Wagner, se não impediu o Flu de pressionar o adversário, sugou-lhe o poder de armação superior.

E a virada viria novamente com Alecssandro, aquele artilheiro tão amaldiçoado pela  torcida como abençoado pelos fados de São Januário.

Por fim, no Majestoso do Pacaembu, o Corinthians colocou sua proverbial serenidade diante do nervosismo do São Paulo. Resultado: 1 para o Corinthians, 0 para o São Paulo, que desperdiçou um pênalti, com Jadson, e ainda teve João Felipe expulso com toda razão. Gol de Danilo, de cabeça, em cobrança de corner.

Apesar disso, embora o Timão tivesse o controle dos nervos e da partida a maior parte do jogo, o Tricolor, a partir da expulsão de João Felipe e das substituições feitas por Leão, atirou-se á frente e obrigou Júlio César a praticar duas boas defesas.

Se o São Paulo, em formação, lastima a derrota, mas, não sua caminhada neste início de temporada, o Corinthians, que prepara as malas para estrear na Libertadores, festeja a posse de elenco capaz de encarar as duas competições, já que poupou três titulares e não sentiu nada.

E quem agradece por isso é o Palmeiras, que assistiu de camarote esse clássico e de lá saiu com o cetro de líder do campeonato.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

sábado, 11 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 21:29

OS CLÁSSICOS DE DOMINGO

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O domingo se sacode com três clássicos nacionais, cada um com suas peculiaridades: Ba-Vi, Corinthians versus São Paulo e Vasco contra o Fluminense.

Falcão x Cerezo

Dos três, o mais atraente, sem dúvida, é o que terá o Pituaçu como palco. Afinal, será a estreia de Falcão no Bahia, enfrentando seu velho parceiro em campo, Toninho Cerezo, no comando do Vitória, dois ex-craques inesquecíveis – os últimos grandes volantes de nossa história.

Sim, porque, antes deles, tivemos os lendários centromédios de um passado que nossos olhos não alcançaram – Rubens Salles, Lagreca, Amílcar Barbuhy e Fausto, a Maravilha Negra -, e, na chamada era moderna do pós-guerra, Bauer, Dino, Zito e Clodoaldo. Depois deles, uma sucessão de bons jogadores, esforçados, marcadores ferrenhos, mas de técnica e habilidade limitadas.

Bem, mas Falcão e Cerezo já penduraram as chuteiras há muito e agora tratam de fazer história à beira do gramado. De certa forma, esse clássico baiano poderá ser o primeiro grande passo de ambos na mesma direção. Ou, de apenas um deles.

O Majestoso

Já o Majestoso – o clássico entre Corinthians e São Paulo, no Pacaembu – limita-se apenas ao nível da tradição, embora os dois times disputem a liderança isolada do campeonato. Uma disputa, porém, um tanto irrelevante, nesta fase em que conta apenas a classificação para a fase decisiva do torneio.

Por isso mesmo, o Timão pode se dar ao luxo de poupar três titulares de escol, com os olhos postos na estreia da Libertadores, no meio de semana: Alex, Emerson e Liedson.

Mas, se o Corinthians tem um elenco entrosado desde o ano passado, capaz de reduzir o prejuízo das ausências ilustres, o São Paulo ainda está sendo moldado por Leão, que esconde o jogo. Não sei se tanto para não dar sopa ao adversário, quanto por força das tantas dúvidas que o grupo atual despertaria em qualquer treinador, pois muitas são as formações prováveis.

Vasco e Flu

Abel Braga também faz mistérios sobre o Flu que colocará em campo contra o Vasco, em São Januário. Um Vasco que periga entrar em campo com três zagueiros de ofício protegido pela dupla de leões-de-chácara – Nílton e Eduardo Costa.
Se o amigo levar em conta que os dois laterais, sejam quais forem, também terão sempre a tarefa de antes marcar e só depois atacar, é de se supor um Vasco extremamente defensivo, talvez além da conta.

É verdade que o Fluminense, no papel, tem um alto poder de fogo lá na frente. Mas, no campo, até agora isso não se materializou. Nunca se sabe, porém, quando essas coisas começam a acontecer, sobretudo num clássico desse porte.

A BOLA NO SABADÃO

A bola começou a rolar redondinha bem cedo no sábado para o Manchester United, na vitória por 2 a 1 sobre o Liverpool, no clássico inglês deste fim de semana.

Dois gols de Rooney, num jogo marcado pelo odioso gesto do uruguaio Suarez, que se negou a apertar a mão do negro Evra, o que provocou tumulto no intervalo. Resquício ainda dos oito jogos de gancho pegados por Suarez outro dia, por atos de racismo.

No gramado, os Diabos Vermelhos botaram os Reds na roda por três quartos do jogo, e, só sofreram certo sufoco no finalzinho, depois do gol de Suarez.

A bola seguiu rolando nos gramados ingleses, desta vez, mais reticente para o Arsenal, que conseguiu virar sobre o Sunderland só no finzinho, graças, mais uma vez, à lenda dos Emirates. Ele mesmo – Henry, que, no último segundo, desviou cruzamento de Arshavin, fazendo 2 a 1 no placar, num jogo em que o Arsenal foi muito mal.

De virada também foi a vitória do Milan sobre a Udinese, em Friuli, mesmo desfalcado de vários titulares, dentre eles, Ibrahimovic, suspenso, mais uma vez: 2 a 1.

E o nome do jogo acabou sendo Maxi Lopes, aquele mesmo!, que entrou no fim, fez o gol de empate e deu o passe para El Sharawy marcar o da vitória.

Quem não virou o jogo desta vez foi o Barça, que parece estar virando o fio, isso, sim. Levou de 3 a 2 do Osasuna e começa a espiar o Real de binóculos, lá na ponta do Campeonato Espanhol.

Por fim, depois desse tour internacional, a bola do sabadão passou a ser tocada aqui, no Pacaembu e no Engenhão.

No Pacaembu, Palmeiras meteu 3 a 0 no Ituano, com toda autoridade, assumindo a liderança temporária do Paulistão, graças, sobretudo, a Marcos Assunção, autor de duas assistências, duas bolas paradas exatas. Na primeira, de falta, que o argentino Barcos aproveitou no segundo pau, de cabeça, o primeiro de uma série que o novo artilheiro promete para esta temporada. Na segunda, corner, na cabeça de Artur, o lateral que já disse ser fã dessa jogada fatal.

Mas, não foi só de Assunção que o Palmeiras fez seu jogo. Maikon Leite, que abriu o placar com suas investidas pela direita, ao produzir a jogada concluída por Patrik, e Daniel Carvalho, que regeu a banda enquanto teve fôlego.

No Engenhão, o Botafogo ratificou a súbita melhora nas mãos de Osvaldo de Oliveira: depois dos 5 a 0 sobre o Olaria, neste sábado, aplicou outra goleada – 4 a 1, no Bonsucesso, e praticamente se classificou para a fase decisiva do Cariocão.

Sem Andrezinho, o Bota oscilou entre o primeiro e o segundo tempo. E, com Herrera, autor de dois gols, ganhou mais poder de fogo na frente.

Agora, só resta ver o que o domingão nos reserva.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 Sem categoria | 16:52

A NOITE DOS MENINOS

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A noite foi de dois meninos especiais.

Oscar, ameaçado até de ficar de fora do Inter contra o Juan Arich, pela Libertadores, não só entrou em campo como foi o dono do espetáculo. Fez o primeiro gol, em esperta tabela com Leandro Damião, e protagonizou os lances mais agudos de sua equipe, que poderia ter vencido com folga muito maior do que os 2 a 0 finais.

E Neymar? Bem, Neymar passou o primeiro tempo todo tentando articular uma jogada só ao seu estilo contra o Botafogo, em Ribeirão. Nada. A coisa seguia assim segundo tempo adentro, até que outro menino da Vila, Felipe Anderson, entrasse em campo para dividir com Ganso a armação do seu time, que perdia por 1 a 0, acrescente-se.

Resultado: 4 a 1 para o Santos, de virada. Três gols de Neymar, que ainda deu um passe açucarado para Felipe Anderson – um de cabeça, em cobrança de falta exata de Ganso, replay do gol contra o Palmeiras, outro de pênalti que ele mesmo sofreu, em jogada espetacular, e o terceiro, fruto de engenhosa trama entre Ganso, Felipe Anderson e Neymar, que deu um peteleco na bola sobre o goleiro.

Em três minutos, o menino virou o jogo de ponta-cabeça e nos ofereceu quatro momentos de pura magia. Isso, na noite em que tudo parecia dar errado para o menino.

AS ESTREIAS DO DIA

À tarde, Joel comandou o Flamengo pela primeira vez nesta última volta à Gávea, na vitória por 1 a 0 sobre o Madureira. Mas, não se pode dizer que o Flamengo, em campo, foi aquele time mais leve e solto que se imaginava quando se aninhou sob as asas do Papai Joel.

Na verdade, o jogo foi equilibrado, com certa predominância do Madureira, mais perigoso até que o Rubro-Negro.

À noite, Osvaldo estreou no São Paulo, que manteve a liderança do Paulistão, mesmo num magro empate por 1 a 1 com o Comercial de Ribeirão, no Morumbi.

Aliás, dois gols relâmpagos, um em cada início de tempo, antes do primeiro minuto.

É certo que o São Paulo merecia, pelas oportunidades criadas, sobretudo no segundo tempo, pelo menos, um golzinho a mais. Mas, Lucas, em três chances de ouro, não deu sorte.

E Osvaldo? Entrou, correu muito ali pela esquerda, fez duas ou três jogadas espertas, enfim, o que se pode esperar de um estreante em jogo complicado para seu time.

Vai melhorar, não tenho dúvidas.

O CASO OSCAR

Não vou me meter a besta de entrar nesses labirintos jurídicos, que nossa empolada e prolixa legislação faz dar-nos tantas voltas que, no fim, esquecemos já do ponto de partida.

Sem dúvida, o São Paulo tem lá suas razões legais para cobrar seus direitos contratuais sobre o menino Oscar. Caso contrário, a justiça não teria acolhido seu protesto, dando-lhe ganho de causa em primeira (ou será segunda?) instância.

Como cabe recurso e nossa justiça anda a passo de tartaruga, desconfio que esse assunto ficará em suspenso por muito tempo ainda. De qualquer forma, o bom senso sugere que o Inter poderá contar com Oscar no jogo desta noite e até que haja uma solução definitiva da questão.

Todo esse imbróglio, porém, deve ser debitado na conta da atual gestão do São Paulo, incapaz de impedir que seu mais badalado e promissor jogador das categorias de base chegasse ao extremo de romper com o clube, passar um bom tempo treinando em academias, e, só depois de autorização judicial, assinar contrato com o Inter.

Tudo isso por causa do vil metal? Nada disso, meu amigo. O que tirou Oscar do sério, na verdade, foi o fato de se sentir preterido pelo clube quando a hora de entrar no time titular e ali fincar raízes soou e, como eco, ouviu só palavras de preterição.

Enfim, mais uma trapalhada dos Trapalhões do Morumbi.

CIAO, BELLO!

O técnico Fabio Capello não hesitou, tempos atrás, em retirar a tarja de capitão de Terry porque o zagueirão da Seleção traiu um companheiro com sua mulher. Mas, acaba de pedir o boné porque a Federação Inglesa mandou-o repetir o gesto porque Terry teria lançado ofensas racistas sobre um adversário negro.

- Não aceito interferências no meu trabalho. Qui, mando io!

Quer dizer: pular o muro não pode; xingar o tizzone pode. E, dizem as más línguas, que Capello deixou a sede da federação assobiando baixinho aquele velho hino: “Faccetta nera, bella Abizzina… Noi te daremo um altro Duce, um altro Ré!”

SUPER BOOM!

Meu querido Trajaninho, amigo de mais de trinta anos, em seu blog e na rádio Estadão/Espn, convoca-nos a elucidar o súbito sucesso do futebol-americano, aquele confronto de mastodontes de capacetes de titãnio, ombreiras de aço e olhar assassino que se matam em torno de uma bola oval.

Arrisco-me a dizer, já ressalvando minhas desculpas em caso de exagero, que, se essa questão fosse levantada no tempo em que conheci o inquieto Trajaninho, sua resposta seria imediata e dogmática: isso é fruto da colonização americana, o Império.

Hoje em dia, porém, embora isso tenha lá seu significado, não diz tudo. O Império, claro, sempre impõe seus valores aos colonizados, e a presença da cultura americana no resto do mundo está evidente na música, no cinema, nos variados meios de comunicação, nos idiomas chamados pátrios, no comportamento dos cidadãos em sociedade e naturalmente no esporte, essa poderosa expressão coletiva do século 21.

Os gregos antigos, através dos feitos de Alexandre, plantaram as Olimpíadas no imaginário de todos os povos conquistados. Os romanos imortalizaram seus gladiadores. E assim vai, até que os ingleses vitorianos, na divisão entre a força bruta do rúgbi e as sutilezas do Dribbling (traduzindo: Drible), primeira denominação do que viria a ser em seguida o futebol que hoje conhecemos, espalhassem pelas fronteiras do Império e adjacências esse maravilhoso e enigmático em toda a sua simplicidade jogo da bola.

Mas, vamos ao que interessa, que a turma não tem muita paciência com essas voltas históricas.

E o que interessa é o seguinte: não deve ser mera coincidência esse súbito surto de interesse tanto pelo futebol americano como pelo rúgbi e o UFC e seus congêneres, sobretudo entre os jovens brasileiros de classe média – hoje, mais revigorada do que há alguns anos – e alta, ou pelo menos aqueles que dispõem de tv por assinatura, ainda mais em HD.

E aqui entram dois fatores, a meu ver, essenciais: o crescente culto à violência dos jovens, pela própria definição, cheios de energia cujo desgaste é poupado pela presença hipnótica diante da tv e do computador, enclausurados em seus apartamentos. Resta-lhes imaginarem-se dando porradas aqui e ali, nas imagens da tv.

Mesmo porque as sutilezas do nosso futebol também cederam ao poder da força. Quantas vezes, aqui mesmo, comparei o futebol praticado em geral no Brasil ao futebol-americano de tanto confronto físico?

Ora, no cotejo entre um e outro, o americano soa muito mais autêntico em seus propósitos. Isso sem falar nas profundas diferenças traduzidas pelas imagens no tocante a organização e beleza plástica do evento. Isso, sem falar na atração que o paramento típico de um super-herói dos jogadores exerce sobre as mentes infantis e juvenis, de hábito, feito filme de Homem-Aranha ou Batman.

Portanto, outro deles é o visual, a imagem cada vez mais nítida e até encantadora das transmissões em HD, se comparadas com os canais em digital. A diferença é tão mais brutal quando comparado um jogo de golfe, por exemplo, com uma partida do Campeonato Italiano, a pior de todas as imagens europeias que nos chegam.

É natural que um menino de 10 anos, por exemplo, prefira assistir em HD uma partida de futebol-americano do que um joguinho retrancado do nosso futebol, em campos mal engendrados e sem nenhum charme.

O mesmo raciocínio vale para o futebol universal, cujas transmissões do Campeonato Inglês, Espanhol e Alemão são muito mais atraentes do que os dos estaduais brasileiros. E, certamente, muito mais do que o campeonato em geral do futebol-americano, mesmo desconhecendo os números de audiência dos canais que os transmitem.

Mas, não tenho dúvidas: pelo andar do trem-bala, em pouco tempo, as novas gerações abraçarão a bola oval com a mesma sofreguidão com que chutam a esférica.

A não ser que outro Império se levante, cobrindo o sol, trazendo-nos novas referências – quem sabe, o xadrez – que logo virarão obsessão nacional. Faz parte.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

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