NO DOMINGO, SÓ TRICOLOR, PEIXE E RAPOSA | Blog do Alberto Helena Jr.

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domingo, 29 de julho de 2012 Sem categoria | 00:18

NO DOMINGO, SÓ TRICOLOR, PEIXE E RAPOSA

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Mesmo que perdesse para o Flu, no Engenhão, o Galo seguiria na frente do Brasileirão. Não perdeu, mas, quase. Se o juiz não tivesse voltado atrás ao assinalar aquele gol legítimo de Fred, já no finzinho da partida, duvido que o Galo conseguisse empatar.

Quem venceu, com folga e categoria, foi o São Paulo: 4 a 1 no Flamengo. E olhe que foi pouco, diante das tantas chances criadas e desperdiçadas, quando não conjuradas por Paulo Victor. Tudo isso sob o olhar atento de Rogério Ceni, que voltou à cena, depois de seis meses de estaleiro, como mero espectador dentro das quatro linhas, dada a inoperância do Rubro-negro.

Assim como venceram Cruzeiro e Santos, ufa!

O Cruzeiro meteu 2 a 1 num Palmeiras devastado por tantas contusões e suspensões, sem falar em Cicinho, que saiu do hotel pela fresta da janela, direto para Sevilha.

Também os azuis mereciam mais. Contudo, valeu pela exibição de Montillo e os dois gols de Borges, resgatando a fama de artilheiro que lhe cai tão bem.

Já o Santos teve um sobressalto: vencia por 1 a 0, quando lá pelas tantas do segundo tempo, Rildo entrou em campo e despertou a Macaca, que empatou com Roger. O Peixe, porém, partiu pra cima e, no finalzinho, Miralles assegurou a vitória que o deixa no limiar da zona da morte, a um pontinho das trevas.

E o Corinthians? Um sono diante do Bahia. E só isso justifica o zero a zero final.

Sim, teve a bola aos seus pés, mas, e daí, se não a levava com perigo até a área adversária?

E assim conta-se a história principal desse domingo de Brasileirão.

ARTE E CIÊNCIA DOS MENINOS

Por certo, a imagem que ficará na memória dessa vitória do Brasil sobre a Bielorússia por 3 a 1, que nos coloca já nas quartas de final das Olimpíadas, é a do terceiro gol, síntese da nossa escola de jogar bola – o perfeito encontro da arte com a eficiência.

Já nos acréscimos da partida, Neymar recolheu na esquerda, livrou-se do marcador, derivou para o meio e, na entrada da área, ao perceber a passagem de Oscar às suas costas, tocou de calcanhar para o parceiro dominar e tirar do goleiro.

Mas, isso faz parte do nosso repertório eterno. O que não costuma fazer parte do nosso show, nos últimos quinze anos, por baixo, é a paciência. Ou melhor: tire o pa e deixe só a ciência para timbrar o jogo desenvolvido pelo Brasil ao longo de todo o jogo.

Ciência de ir tocando a bola diante da feroz retranca vermelha, alternando os lados e esperando a hora de dar o bote. Sobretudo, depois de ter levado um gol inesperado logo aos 8 minutos de bola rolando – um cruzamento da direita que colheu Thiago Silva fora do lugar e que um brasileirinho de nome de cineasta francês da Nouvelle Vague, Renan Bressan, marcasse de cabeça.

Nosso time absorveu o golpe sem piscar sequer, seguiu sua rotina, e o resultado veio de imediato com aquele passe genial pelo alto de Neymar para a cabeça de Pato. E se consolidou na cobrança de falta que ele mesmo sofreu por Neymar, já aos 14 do segundo tempo.

Um Neymar diferente do habitual, sempre muito participativo mas econômico nas jogadas pessoais e generoso no passe e repasse, o que permitiu, ao lado de Oscar e com o apoio persistente de Marcelo, pela esquerda, e Rafael pela direita, dinamizar o nosso toque de bola, numa configuração que lembrou muito o Barça e a Espanha campeã do mundo.

É assim que se vai forjando um time jovem com o olhar no horizonte de 2014. E nisso Mano Menezes tem, certamente, participação especial.

EMOÇÕES OLÍMPICAS

Tudo começou na véspera, com o show de abertura das Olimpíadas, magnífica produção – um misto bem equilibrado de teatro televisado em linguagem cinematográfica – contando a história da transformação da Velha Albion do pastoreio à indústria e concluindo com um frenético clipe roqueiro, do qual me abstive, sorry.

O sábado, porém, surgiu luminoso para os brasileiros em ação, a ponto de termos cumprido o mais glorioso início de Olimpíadas de nossa história.

As meninas do futebol, mesmo jogando mal, sem criatividade e aos solavancos, bateram a nova Zelândia por 1 a 0, com um gol de raça de Cristiane, que já havia feito a diferença na goleada de estreia, no finzinho da partida.

E as do handebol passaram apertadas, mas passaram, pelas croatas, em bela exibição da goleira Xana, que não se perca pelo nome.

Assim como foi emocionante a conquista do bronze por Felipe Katadai no judô.

Do bronze à prata nas braçadas vigorosas de Thiago Pereira, nas águas em que Phelps reinou em passado recente como um Netuno, e, que neste sábado, ficou vendo o brasileirinho ultrapassá-lo sem forças para manter o trono caído.

Mas, nenhuma outra imagem foi mais comovente e significativa do que a sutil combinação de choro e riso – os dois extremos dos sentimentos humanos – estampada no rosto dessa menina de ouro do judô – Sarah Menezes -, misto de caboclinha doce do pequeno, mas, bravo Piauí e de guerreira serena e decidida,

Nada mais tivesse acontecido neste primeiro dia de Jogos Olímpicos ou aconteça até o final, só isso já justificaria nossa ida a Londres.

A PRIMEIRA DE SEEDORF

A vitória sofrida por 1 a 0, gol de Andrezinho, sobre o Figueirense, no Engenhão, foi a primeira de Seedorf vestindo a camisa do Glorioso.

Embora não tivesse participação no lance fatal, Seedorf já deu mostras do que é capaz nesse jogo, com passes magistrais, toques de alta classe e, sobretudo, com o poder de aglutinar o time, criando um laço forte com a torcida sempre propensa a achar que isso não vai dar certo, como diria nosso capitão Cafu.

Não, Seedorf não é daqueles craques que entram em campo, fazem dois gols, arrebentam a defesa inimiga, essas coisas. É um cara cerebral, que sabe jogar bola, conhece os caminhos mais insondáveis do campo de jogo e confere aquele toque de classe indispensável ao seu time.

O que, diga-se, não é pouco.

A ESTREIA DE FORLAN

A estreia de Diego Forlán no Inter poderia ter sido uma consagração, se o craque uruguaio tivesse marcado pelo menos um dos dois gols que se lhe ofereceram no empate por 0 a 0 com o Vasco, no Beira-Rio.

Mas, ficou apenas na esperança renovada por seu esforço até que as forças lhe faltassem no wegundo tempo, o que é perfeitamente compreensível.

Entre outras coisas, porque, já sem Oscar, o Inter perdeu, novamente, D’Alessandro, lesionado, o que retirou do time todo poder de criação. Fenômeno semelhante ao que ocorreu com o Vasco, que já entrou em campo sem Juninho Pernambucano, até aqui o melhor jogador do campeonato, ao lado do menino Bernard.

E isso explica esse zero a zero final.

Autor: Alberto Helena jr. Tags:

7 comentários | Comentar

  1. 7 CARLOS ALBERTO SÁ 03/08/2012 16:49

    A participação americana nas olimpíadas de Londres só não foi abaixo da China graças ao seu nadador Phelps. Claro que obtém grandes atletas, mas inferiores aos asiáticos. Os ginastas asiáticos são os melhores do mundo e ainda, de sobra, os saltos ornamentais. Quando acabar o ciclo do nadador americano, a China volta a liderar todas as olimpíadas, como sempre fez. Vencer a modalidade que a China participa é um dever cumprido, essa é a cultura esportista chinesa.

    Responder
  2. 6 Renê Bastos Baptista 30/07/2012 21:38

    rPelibando doce mosto,
    que para mim também quero,
    vejo o rico no encosto;
    o pobre no fome zero.

    Em chegando o mês de agosto,
    que o medo na gente gera,
    estará o Brasil exposto
    à oriental primavera?

    Diz o banco forasteiro,
    pra dar fim ao desespero,
    que sua resposta é NÃO

    se o governo brasileiro
    lhe der NEYMAR em DINHEIRO,
    o PRÉ-SAL e o MENSALÃO…
    rPelibando doce mosto,
    que para mim também quero,
    vejo o rico no encosto;
    o pobre no fome zero.

    Em chegando o mês de agosto,
    que o medo na gente gera,
    estará o Brasil exposto
    à oriental primavera?

    Diz o banco forasteiro,
    pra dar fim ao desespero,
    que sua resposta é NÃO

    se o governo brasileiro
    lhe der NEYMAR em DINHEIRO,
    o PRÉ-SAL e o MENSALÃO…
    rPelibando doce mosto,
    que para mim também quero,
    vejo o rico no encosto;
    o pobre no fome zero.

    Em chegando o mês de agosto,
    que o medo na gente gera,
    estará o Brasil exposto
    à oriental primavera?

    Diz o banco forasteiro,
    pra dar fim ao desespero,
    que sua resposta é NÃO

    se o governo brasileiro
    lhe der NEYMAR em DINHEIRO,
    o PRÉ-SAL e o MENSALÃO…

    Responder
    • Alberto Helena jr. 31/07/2012 15:15

      Tá inspirado, hein, meu?

      Um abraço

  3. 5 Marcel Leal 30/07/2012 16:39

    Meu nome é Marcel Leal, sou jornalista e estou propondo um novo sistema de pontuação para o Campeonato Brasileiro, que pode tornar nosso futebol mais ofensivo e um espetáculo melhor.

    Qualquer esporte precisa, antes de mais nada, ser um bom espetáculo para atrair gente para os estádios ou para as transmissões pela tv e internet.

    Por isso proponho um sistema de pontos onde o saldo de gols é tão valorizado quanto a vitória.

    Hoje, tanto faz vencer por 1×0 ou 8×0, a pontuação será sempre 3 e a derrota sempre zero. Não é justo com o time que busca mais os gols e valoriza indevidamente o time defensivo.

    Minha proposta é de que o saldo de gols tenha tanta influência na classificação quanto a vitória, incentivando os times a fazer a maior quantidade de gols possível.

    Pelo sistema, cada vitória vale 2 pontos e o empate 1. Mas a estes pontos são acrescidos (ou tirados) o saldo de gols. Então, uma vitória por 1×0 tem o mesmo valor de hoje, 3 pontos (2 pela vitória e 1 do saldo de gols).

    Mas uma vitória por 3×1 passa a valer 4 pontos (2 da vitória mais 2 do saldo de gols), enquanto essa derrota deixaria o perdedor com -2 ao invés de zero. Vencer por 1×0 significa ganhar 3 pontos, mas golear por 4×0 deixa o time com 6 pontos.

    Com isso, o sistema valoriza e incentiva as equipes a buscar o gol, a ser ofensivas. O jogo defensivo, que é ruim como espetáculo, passa a ser um mal negócio.

    Ganham os times mais ofensivos, os torcedores e o futebol, que passa a desenvolver técnicos mais ofensivos e jogadores mais capazes de fazer gols. Perde quem adota o jogo travado, defensivo.

    O sistema pode trazer de volta o futebol ofensivo que fez a fama do Brasil em 1970 e atrair mais torcedores para um campeonato onde não importa apenas ganhar, mas ganhar de goleada.

    É o que proponho e gostaria de ver debatido por federações, comentaristas, técnicos e torcedores.

    Marcel Leal – marcel.leal@gmail.com
    Jornalista que vem estudando a parte técnica do futebol, táticas, estratégias e formações como hobby.

    Responder
    • Alberto Helena jr. 31/07/2012 15:12

      Marcel, o raciocínio seu é perfeito. É preciso valorizar mais o gol no futebol. Lá pela década de 70, quando era pauteiro do Esporte do JT, pedi à Fundação Getúlio Vargas um estudo a respeito. E a resposta foi a seguinte: 2 pontos por vitória, 1 ponto por empate e cada gol marcado tanto por um time quanto pelo outro passaria a valer 0,25. Assim, até mesmo o derrotado, dependendo do número de gols que fizesse seria premiado com uma pontuação. Todos ganhariam com esse critério.

      Abraços e sorte nessa profissão maldita

  4. 4 Marcos Paulo Oliveira 30/07/2012 14:08

    Sei não Helena, dizer que o Cruzeiro merecia mais?? com um penalti inexistente e um gol impedido?? sei não , mas o que esperar de alguém que escreve o comentário antes do jogo acabar, vide brasil x argentina esse ano!

    Responder
  5. 3 agenor gracindo de oliveira 30/07/2012 8:21

    …..

    Como sempre, os comentários são lúcidos e bem expostos….
    Apenas uma ressalva: neste texto, vc cometeu o mesmo erro que o Mauro Beting no último texto dele, pois quem sofreu a falta que originou o segundo gol não foi o Pato (que havia sofrido falta em lance anterior), mas o próprio Neymar….!
    Abraços

    Responder
    • Alberto Helena jr. 31/07/2012 15:14

      Êpa, releia o texto, meu! Embora me sinta honrado em eventualmente estar ao lado do Maurinho, escrevi que quem sofreu a falta foi mesmo o Neymar.

      Abraços

  6. 2 mizael m nascimento 30/07/2012 7:45

    helena. a seleçaozinha tão criticada por alguns intelijegues,ja esta crassificada para as quartas de final antecipada,e cadê o uruguai favorito que levou uma surra do senegal?e cadê a espanha que joga sem os volantoes que o joão sardinha tanto critica,ha foi eliminada por japão e honduras,,é mole?

    Responder
  7. 1 CARLOS ALBERTO SÁ 29/07/2012 13:08

    Rússia x Brasil
    Um bom jogo, entretanto, os jogadores da seleção brasileira se atrapalham com eles mesmos. A Rússia não foi um adversário para testar o Brasil que cansa no final. O Egito foi melhor. Ainda tem muita coisa para acontecer, olha que nem sei quais os outros grupos de onde surgirá a seleção que vai mandar o Brasil para casa. Por enquanto dá para continuar a falsa ideia de que a seleção brasileira irá ganhar o título. Como sempre, a alegria acontece, por enquanto, a exemplo da copa do mundo, que foi um fiasco! Jogaram a bola nas nuvens! O Neymar, sobre ele, continuo afirmando ser um jogador comum, alimentado pela propaganda e pela mídia, mais nada! Até que apareça o nó cego, a pinga continua nos domingos.

    Responder
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