FORRÓ, FANDANGO, CATERETÊ E SAMBA
O domingo está pontilhado de decisões por esse Brasil afora, sob as mais variadas fórmulas de disputa, como os tantos sotaques que unem e separam este país-continente.
Nesse festival de hibridismos, em que se confundem os sistemas por pontos corridos e o mata-mata, os mais lógicos – ou, menos ilógicos – são o mineiro e o carioca. O mais absurdo, disparado, o catarinense, onde o Figueirense ganhou os dois turnos por pontos corridos, a sua perna das semifinais, e pega o Avaí, em dois jogos, para decidir o título.
O Paulistão é outro que peca pela irracionalidade e paga alto preço por isso. Só serve para derrubar técnico, que nem tempo dispõe para armar devidamente sua equipe, pois pré-temporada não há.
E aí temos na briga pelo título o terceiro e o quarto colocados da fase de classificação, a mais longa de todas, que, diga-se, mereceram a honraria pelo que fizeram nas quartas e semifinais de um jogo só.
Além disso, há outros atrativos: a perspectiva de o Santos arrebatar o tri, feito inédito desde a era Pelé, com Neymar, Ganso, Muricy, o técnico mais vencedor do século, e a milagrosa recuperação do Bugre, que saiu do fundo do poço para chegar, no mínimo, ao vice-campeonato, praticando um jogo gostoso de se ver sob o comando de Vadão.
Os dois jogos serão no Morumbi, por decisão da FPF, embora ninguém me convença que sem o apreço dos dois clubes de olho na bilheteria. Há quem veja nessa decisão um desprezo pelo fator técnico, na base de que o Bugre, no Brinco, é mais Bugre, como o Peixe, na Vila, é mais Peixe.
Mas, afora o fato de o Morumbi proporcionar maior arrecadação aos clubes do que se jogassem em seus respectivos campos, no plano esportivo, nada mais justo: campo neutro e de dimensões mais condizentes para um jogo franco, gramado excelente, vestiários adequados para ambos e tal e cousa e lousa e maripousa.
Não diria, enfim, que são favas contadas, não, que o Guarani joga certinho e pode surpreender. Mas, quem tem Neymar é o Santos, meu.
ESTRELADO VERSUS ESTRELA
O time estrelado é o do Fluminense, com seus Deco, Fred, Thiago Neves e cia. bela. Mas, o Botafogo é a Estrela Solitária, e não me refiro apenas ao seu implacável e polêmico artilheiro Loco Abreu. E, sim, àquele brilho singular que cintila em meio aos, de hábito, sombrios augúrios de sua torcida sempre desconfiada, mesmo quando o time cumpre vitoriosa campanha.
Sucede que o Flu não será, desta vez, tão estrelado, com tantos desfalques, dentre eles, o de Thiago Neves, sem falar no menino Wellington Nem, que tem feito a diferença nesse time.
Sua maior esperança, além de Deco e Fred, passou a ser o menino Marcos Jr., de tão exemplar desempenho na Copa São Paulo Jr., sempre uma imprevisibilidade.
Por seu lado, o Bota vai a campo nos trinques, com força máxima. Sei, não.
O COELHO E O GALO
A moral da história dessa fábula moderna do futebol mineiro começa a ser escrita domingo em cima de seus dois capítulos decisivos.
O Galo chega à rinha com a crista baixa e olhar desconfiado, à procura de um coelho esperto. que acabou de espantar a Raposa, rabo entre as pernas, para sua Toca desolada.
O Galo sofre por ter sido depenado na Copa do Brasil pelo Goiás. Mas, que diabo!, ganhou o segundo jogo contra os goianos, e cumpriu a melhor campanha entre todos no campeonato estadual.
Além do mais, se não é nenhuma maravilha, o time do Atlético é bom, tem um treinador experiente, e uma camisa de respeito nacional.
O América, no entanto, vem cheio de moral e isso, muitas vezes, conta mais do que o poderio técnico deste ou daquele.
INTER: UM DESFALQUE SÓ
Se o Caxias, vencedor do primeiro turno gaúcho, chega à decisão em baixa, pela má campanha no segundo, o Inter, por sua vez, joga todo desfalcado.
Meno male que a CBF, finalmente, resolveu liberar Oscar para esse jogo, depois de ensebar por uma semana a decisão do tribunal competente.
Reforço valioso para o Colorado, claro. Mas, é preciso cautela. Afinal, o garoto, além dessa pressão toda sobre o seu destino, não joga há uma pá de tempo, o que, muito provavelmente, se refletirá em campo.
FORRÓ NO NORTE
O Nordeste estará em festa neste domingo, não vivesse em festa praticamente todos os dias do ano. Mas é que teremos um verdadeiro forró (de for all, para todos, em inglês, segundo os folcloristas a origem do termo) nos campos de lá.
No Ceará, nada menos do que Ceará e Fortaleza, o maior clássico do pedaço, com vantagem para o Ceará, que cumpriu melhor campanha até aqui. Mas, essas coisas pouco dizem num clássico desse porte.
Pernambuco freve (de frevo) à espera desse Santa Cruz e Sport, confronto de dois veteranos que vêm esmerilhando no campeonato: Marcelinho Paraíba e Denis Marques, redivivo como o Cobra Coral, que, nos últimos tempos, rastejava sua humilhação lá por baixo das divisões.
E, na Bahia, Falcão está a dois passos de levantar a taça diante do maior rival de seu time – o Vitória, que era de Cerezo e quase foi de Carpegiani, dois parceiros inesquecíveis do Bola-Bola.
Outro clássico em que o mais sensato é cravar o ar que paira acima deles.
1 comentário | Comentar
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1 emilio 05/05/2012 7:10
Helena, o Paulistão não só serve para derrubar técnicos como voce falou. Ao contrário , além de ser o regional mais forte do País, mostra a força do interior e novos valores revelados. Vide o exemplo do Guarani e Ponte Preta. Além de Mogi-Mirim, Mirassol e Bragantino.
Mostrou ainda as graves deficiências de corintians e palmeiras. E a recuperação do São Paulo com o bom trabalho de Émerson Leão.É uma equipe que amadurecendo disputará títulos!.
O que é combinado não é caro, diz o ditado!. Todos sabiam do regulamento, tanto assim que o Santos atrasou sua preparação e a reforma do gramado da Vila. Jogou dos 10 mandos apenas 05 na Vila. Teria se tudo terminasse em pontos corridos, com certeza antecipado esses detalhes e terminaria na frente com folga. Mas não precisava!
Outro detalhe que não dá pra reclamar são os mandos na final!. Os dirigentes os delegaram a FPF.
Aprendam pois! Nesse particular o mais prejudicado é o Santos, pois não pode valer seu mando na Vila e de nada adiantou ter melhor campanha que o Guarani!.
Para a disputa joga num campo de dimensões maiores que a Vila e o Brinco de Ouro, consequentemente maior desgaste! Nesse aspecto perdeu a vantagem, o Guarani entra em campo neutro como franco atirador! Jogasse em sua casa a primeira partida e teria que fazer o resultado, agora não!…
Muricy deve entrar com Léo compondo o meio campo, já em sua nova função! E improvisar Adriano na ala direita. Aranha no gol é segurança e não deverá sair mais da equipe! O resto é jogar compacto, “ligado’ na partida e tentar definir o jogo no primeiro tempo pra evitar desgaste pois semana que vem joga “tudo” na Libertadores!
O erro não está nos campeonatos regionais! Está na falta de responsabilidade da CBF, que ao iniciar o cansativo Brasileiro de pontos corridos, aperta as datas dos regionais, da Copa do Brasil e da Libertadores. O que precisa mudar , ou talvez acabar é o”falido” Brasileirão!, abraços.