QUESTÃO DE JUSTIÇA
Dizem que, no futebol, não há justiça. Bem, pode-se estender essa sentença a todas as relações humanas, até aquelas que, oficialmente, levam o nome de justiça.
Mas, é óbvio que, no futebol, a fórmula menos injusta de disputa é a de pontos corridos, dois turnos, lá e cá. Raramente, nesse sistema, o melhor deixa de levar a taça.
Contudo, um jogo decisivo como esse entre Vasco e Fluminense, todo o campeonato se resume naquela partida. É um campeonato disputado em 90 minutos, mais acréscimos de praxe.
Sendo assim, se levarmos em conta que Vasco e Flu se equiparam no quesito tradição e torcida, mais imprevisível ainda se torna uma previsão sobre seu desfecho.
Todavia, não há como eliminarmos de vez o retrospecto recente de cada um. E, aqui, o Vasco leva cem por cento de vantagem. Time montado há tempos, bem treinado, com uma mescla adequada de veteranos como Felipe e Juninho Pernambucano e de jovens como esse esperto William Barbio, o Vasco ainda por cima vai ao Engenhão motivado pela virada emocionante sobre o Flamengo na semifinal do Cariocão.
Motivação que impelirá também o Flu, que conseguiu se safar diante do Botafogo no final e virou o placar nas cobranças de pênalti.
Além do mais, o Flu é um time estrelado, com seus Decos, Thiagos Neves, Freds etc., embora nesse cotejo extra o Vasco não fique atrás, não. Com um detalhe: os craques vascaínos se apoiam na força do conjunto do time, enquanto os do Flu padecem justamente pela falta de conjunto de uma equipe em formação.
De resto, é esperar pra ver.
O GRÊMIO DE LUXA
O Grêmio vai a Caxias, domingo, para disputar a semifinal da Taça Piratini já sob o comando de Luxemburgo, cujo projeto – como ele gosta de dizer – é o de levar seu novo clube à Libertadores, e, se possível, no caminho, o Gauchão e o Brasileirão.
Improvável? Nem tanto, nem tanto. Afinal, o Grêmio foi, juntamente com Flu e São Paulo, aquele que mais e melhor se reforçou para esta temporada. E o tempo de ajuste já cobrou seu preço: a cabeça do técnico Caio Jr. Tem camisa, história, torcida e estádio, tudo de que um grande clube precisa para brigar por títulos e levantar taças.
Mas, projetos e possibilidades à parte, o Grêmio tem, agora, a chance de provar que não tirou o Inter do páreo por acaso. E, mesmo que tivesse sido, ganhou moral para garantir sua ida à final da Taça Piratini.
Ia dizer que está, pois, tudo nas mãos de Luxa. Mas, retifico: nos pés, na mente e no coração dos jogadores. Só cabe a Luxemburgo dar uma força na escalação do time certo e nas eventuais substituições ao longo da partida, sem falar nos seus proverbiais discursos motivadores antes do jogo e no intervalo.
CHOQUE-REI
Foi assim que o saudoso Thomaz Mazzoni, o Olympicus de a Gazeta Esportiva d’antanho, batizou esse clássico entre Palmeiras e São Paulo – Choque-Rei. Clássico que teve seus momentos históricos, sobretudo nos anos 40 e 70.
Mas, neste exato momento, sua relevância não vai além da tradição.
Sim, claro, o Verdão briga por uma volta à liderança do Paulistão, nesta fase que vale pouco mais de um tostão furado para os grandes da província, já que todos estarão na raia no momento decisivo do certame.
E o São Paulo busca ajeitar esse time tão modificado de uma temporada pra outra. De preferência, igualando-se ao rival em pontos ganhos na tabela, na terceira colocação. Está difícil para o técnico Leão, que a cada jogo enfrenta uma pá de desfalques.
Sua sorte é que o Tricolor tem um bom elenco, com exceção da lateral-direita, onde Piris, que é fraquinho tecnicamente, não tem sequer um reserva de ofício.
Pegue como exemplo o grande desfalque do São Paulo para esse clássico: Lucas, que não foi liberado pela CBF para embarcar depois da Seleção em direção ao amistoso contra a Bósnia. Pois, apesar da justa chiadeira de Leão, além de Lucas não estar jogando o que dele se esperava, Osvaldo está na ponta dos pés só esperando um chamado do treinador.
Já o Verdão acena com a possibilidade do retorno de Valdívia. Será? Se for, ganhará na criação de jogadas ofensivas, desafogando um pouco Assunção da tarefa de ser sempre infalível nas bolas paradas.
Mas, mesmo que não seja. Daniel Carvalho, com exceção do empate com o Oeste, no meio de semana, tem dado conta do recado.
Assim, mesmo sem coroas reais encimando as duas cabeças, o Choque-Rei promete ser bem interessante. A conferir.
AS SURPRESAS DE TEIXEIRA
Ricardo Teixeira, que nos deu durante alguns dias a doce esperança de que o veríamos, finalmente, pelas costas, não apenas frustrou-nos com sua permanência na presidência da CBF como acaba de anunciar uma surpresa para o dia 29, mantendo a convocação de Assembléia Geral da entidade, quando serão discutidas pequenas alterações no estatuto.
Que alterações, meu Deus?
Sou capaz de apostar uma rapadura que Teixeira aproveitará a ocasião para alterar aquele item segundo o qual, na ausência do titular, assume o vice mais velho, no caso, José Maria Marin, pau mandado de Marco Polo, presidente da FPF, que sonhou, naquele breve instante de hesitação geral, passar uma rasteira em Teixeira e assumir a CBF através de seu parceiro.
Estou imaginando Teixeira chamando Marin à mesa e oferecendo-lhe, como prêmio pelos serviços prestados, uma medalha de latão, com a seguinte inscrição: “Teje fora!”.
Aos demais membros da assembleia, reservará um agrado aqui, para os menos infiéis, outro ali, para os que se deixaram levar pela insubordinação sem muita convicção, e, para os mais ambiciosos, uma dieta rançosa de pão mofado e água insalubre.
As denúncias contra Teixeira, porém, continuam a se multiplicar. Uma hora essa mamata acaba. Ou não?
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