O LÍDER E A ESTREIA DE RENATO
Ainda tentando pensar as feridas deixadas pela precoce desclassificação do Brasil na Copa América, voltemos ao nosso campeonato doméstico agora mais atraente com a volta de algumas estrelas da Argentina e a entrada em cena de novos reforços.
É o caso de Renato, volante-meia que se revelou no Guarani, projetou-se no Santos de Robinho e Diego, passou bom tempo na Espanha e estreia nesta quarta no Botafogo que recebe o líder invicto Corinthians em São Januário, já que o Enegenhão acolhe as Olimpíadas Militares.
Renato junta-se a Marcelo Matos, Maicosuel e Marcio Azevedo para acionar a dupla de ataque formada por Elkeson e Herrera. Pena que o Glorioso não possa ainda contar com seu ídolo maior, o uruguaio Loco Abreu, servindo sua seleção na Copa América.
Mas, já é um avanço em relação ao time que Caio Jr. pegou para dirigir há pouco tempo.
O diabo é que pega um Corinthians redondinho, equilibrado e cheio de moral, que, por isso mesmo, pode se dar ao luxo de deixar no banco suas mais recentes e estelares aquisições: Alex e Emerson.
Não, não é um timaço desses pra arrancar suspiros esse time do Corinthians atual. Mas, joga de acordo com a cartilha básica do futebol e tem elenco para levar esse barco até o fim, embora, claro, uma hora vá perder. Quem sabe nesta noite de quarta? Tudo é possível, mas também improvável.
VERDÃO E FLA
Ambos estão de olho na vice-liderança do Brasileirão, ocupada pelo São Paulo. E se pegam nesta quarta-feira num Pacaembu provavelmente lotado para se reencontrar com o Gladiador, depois da novela vai-não-vai justamente para o adversário de agora – o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e outras celebridades.
Mas o Verdão ainda não terá em campo Valdívia, que se apresentou, bateu continência para Felipão e se dispôs a jogar, depois de alguns bons momentos na Copa América pelo Chile. Felipão prefere vê-lo definitivamente recuperado das recorrentes lesões.
Mesmo porque esse time, do meio de campo pra frente, parece-me bem ajustado, com Márcio Araújo jogando o fino, Marcos Assunção e sua bola parada mágica, e o incansável Patrick armando as jogadas para um ataque de respeito: Maikon Leite, Kleber e Luan.
O Fla, porém, não fica nada atrás, com Airton, Willians, Renato Abreu e Thiago Neves metendo bolas lá na frente para Ronaldinho Gaúcho e Deivid, que voltou a marcar gols, seu ofício.
É de se ver.
FIGUEIRA E GRÊMIO
O Figueirense, de tão promissor início no campeonato, declinou, mas não o suficiente para ser presa fácil do Grêmio, no Orlando Scarpelli, onde segue invicto.
Já o Grêmio vem forte na marcação do meio de campo, com o veterano Gilberto Silva ao lado de Fábio Rochemback. O refinamento do setor se dá por conta da volta de Douglas, no lugar de Marquinhos.
Mas, o Grêmio ainda está se reformulando nas mãos de Julinho Camargo, o que não nos oferece nenhuma garantia de sucesso.
MESSI, FORA!
Dias antes da derrocada diante do Uruguai, vi na tv um expert argentino desenrolando longa tese de sociologia de botequim, cujo desfecho era o seguinte, em poucas palavras: “Fora, Messi”.
Isso porque o craque saiu menino da Argentina, o que lhe teria apagado a identidade e o desvinculado de sua pátria e seu povo. Preconceito rasteiro com fumos de alta sociologia. O mesmo, aliás, que ocorreu com Di Stefano, o maior jogador do mundo na década de 50, e repudiado por esse sentimento paroquial e primário.
Justamente Messi, campeoníssimo no Barça, o melhor time do mundo, artilheiro e rei das assistências, além de nos presentear a cada domingo com uma série inacreditável de jogadas espetaculares, dribles, passes, arrancadas, cobranças de falta e tudo o mais que o vasto repertório do futebol pode oferecer.
Simplesmente, eleito por duas vezes seguidas, aos 23 anos de idade, o melhor jogador do mundo.
Trata-se de um menino de comportamento exemplar em campo e fora dele. Não bota banca, não se atira ao chão a cada encontrão, não reclama dos companheiros com gestos ostensivos, apenas joga seu futebol tecido por fios de ouro.
Ah, mas na Seleção Argentina nem de longe é aquele Messi do Barcelona.
Sim, pelo simples fato de que o futebol é como a nossa vida – um eterno descompasso entre o individual e o coletivo.
Não há dois seres humanos absolutamente iguais sobre a face da Terra. Nem gêmeos saídos do mesmo ventre materno. Cada um de nós, desde a formação da raça humana até sua extinção, carrega nas digitais e no seu DNA marcas inconfundíveis que nos diferem dos demais.
Apesar desse estigma da individualidade, o ser humano carece de viver em sociedade, coletivamente, justamente para proteger sua individualidade.
Resumindo este papo furado: no futebol, a sociedade é o conjunto, o time. E a Argentina há muito tempo não consegue montar um time, onde Messi possa exercer sua individualidade compartilhada com os companheiros no seu verdadeiro nível.
Eis por que Messi foi pro espaço, assim como a própria Argentina e os sociólogos de plantão.
Inclusive este que vos fala.
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