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terça-feira, 31 de maio de 2011 Clubes brasileiros, Futebol internacional | 19:28

O PEIXE NA RAIA OFICIAL

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Certamente, o discurso que todos os torcedores portadores do tal DNA do Santos gostariam de ouvir às vésperas do derradeiro confronto com o Cerro, pelas semifinais da Libertadores, seria mais ou menos este: vamos a Assunção impor nosso jogo, nosso estilo, nossa maneira de jogar, destemida, ofensiva, recheada de dribles desconcertantes, chapéus, passes inesperados e muitos gols, ainda que percamos o jogo, um risco que correríamos sempre se, ao contrário, nos amoitássemos atrás de feroz retranca, pois, em futebol, num jogo só, o resultado é imprevisível.

Mas, não é essa a fala peixeira. Ao contrário: o que a turma chegou lá dizendo é que se trata de jogo difícil, que exige extrema cautela, que essa história de jogar bonito é conversa mole pra boi dormir, e que o zero a zero será saudado com fogos e champanha, já que esse desfecho projeta o Santos para a decisão da taça.

Nem poderia ser outra, aliás. Pois, o time que entrará no estádio Pablo Rojas não é aquele que foi capaz de unir eficiência e espetáculo na dose exata, no primeiro semestre do ano passado, campeão da Copa do Brasil e do Paulistão. E o elenco de que dispõe Muricy para esse jogo, embora de qualidade comprovada, não tem bala para atingir esse patamar especial.

Pode, sim, voltar de Assunção com a classificação para a final e até com uma vitória consagradora. Mas, se o fizer, será num nível mais próximo da realidade do atual futebol brasileiro: bom, eficaz em certos momentos, mas de brilhos intermitentes, em geral, cintilando nos pés de Neymar.

Portanto, se me permitem, sugiro ao amigo peixeiro, em vez da inebriante champanha da celebração antecipada, uma dose de uísque pra relaxar, e reza braba pra que tudo dê certo.

Depois, sim, é soltar as frangas. Ôps, as lagostas com champanha.

O FUTURO DE HERNANES

Cruzo com Hernanes nos corredores da tv e colho dele a certeza de que, apesar de algumas sondagens para sair de Roma, ele está disposto mesmo a ficar no Lazio.

Garante que está adorando a cidade, o clube, os companheiros e tutti quanti. E que já se adaptou à nova função, mais adiantada, quase um atacante verdadeiro.

Mas, cá entre nós, duvido que Hernanes, jogando o que jogou nesta temporada na Lazio, permaneça por lá muito tempo.

CONCEITO CATALÃO

O conceito precede à prática e aos resultados. Pelo menos, no caso desse deslumbrante Barça.

Nesse caso, o conceito básico é o seguinte: vamos montar um time que ocupe um terço do gramado – da nossa intermediária à deles. Por quê? Porque, como já ensinou Rinus Mitchels – o inventor do Carrossel Holandês da Copa de 74, jamais reproduzido na íntegra, por nenhum outro time do planeta -, à época, treinador também do Barcelona de Cruyjff, Neskeens etc., se você compactar o seu time de intermediária a intermediária, estará sempre mais próximo da meta adversária, e capacitado a trocar passes de primeira: um-dois.

Quanto mais trocar passes, seu time estará mais próximo do fundamento essencial do jogo. Além do mais, evitará o confronto direto com os marcadores, e não desgastará os músculos, os pulmões e as mentes de seus jogadores, correndo atrás do adversário ou de bolas lançadas a esmo.

E, mais, se o amigo apoiar seu jogo no toque-toque, fará poucas faltas e não perderá o equilíbrio emocional. Resultado: menos suspensões por cartões e por lesões.

Assim, se você preservar a integridade física e mental de seu time, o amigo terá o mesmo time jogando junto por um tempo maior do que ocorrer com os demais, habituados a jogar a partir de uma defesa recuada, que lança chutões pra frente.

A sua marcação se resume em ocupar espaços que estão próximos de você mesmo, pois a compactação das três linhas (defesa, meio-campo e ataque) facilita essa tarefa. Além do mais, vale lembrar a estatística que diz o seguinte: a recuperação de bola por um time é coisa de setenta por cento resultante do erro de passe do adversário. Logo, você não precisa estar atacando o adversário com a bola via carrinhos e outros lances que permitam a ele se organizar em campo, durante uma cobrança de falta.

Por fim, você mantendo por um longo tempo seu time principal com os músculos, os pulmões e a mente em forma, mais vezes esse time entrará em campo. E, quanto mais vezes o mesmo time entrar em campo, mais se afia o conjunto, a capacidade, enfim, de tocar a bola e impor seu jogo conceitual.

Esse é o mistério do Barça, não treinamentos específicos ou qualquer outro artifício de um técnico milagroso. Traduzindo: a mais pura simplicidade, fruto da maior complexidade, como costuma ser a simplicidade, aliás.

E que consegue a proeza de manter a bola sob seu domínio por setenta por cento do jogo, praticar a base de cinco faltas por jogo (sofre coisa de 15, no máximo) e mantém a média de gols nas cercanias dos três.

O Barça joga como Guardiola jogava, quando era um volante de alta classe, tocando a bola sem dar pelota às críticas dos pragmáticos de plantão, que exigiam dele mais voluntariedade.

Isso, na esteira desses tantos holandeses voadores, de Rinus Mitchels a Reijkaard, passando por Cruyjff e Van Gaal.

As sofisticações foram se depurando, ao longo do tempo, até que a decantação final produzisse esse Barça, de tanta consistência, cor e sabor.

FIFA SOMBRA

Está marcada para amanhã a eleição – ou melhor, aclamação – de Sepp Blatter para mais um mandato do suiço à presidência da Fifa. Em meio à enxurrada de denúncias de corrupção, envolvendo o Comitê Executivo da entidade e do próprio presidente, Blatter conseguiu desviar os disparos sobre os inimigos e saiu ileso, com seus amigos, do tiroteio.

A Federação Inglesa pede adiamento do pleito, mas os ingleses, que também não são flores que se cheirem, embora me pareçam do lado certo neste caso,  duvido que tenham êxito.

Aliás, se houvesse um rapa geral na Fifa, como na CBF e demais entidades que tocam essa barca entupida de barras de ouro de cá pra lá, duvide-o-dó que a nova tripulação fugiria do roteiro traçado pela amibição desmedida e descarada dos dias em que vivemos.

Já tive tantas decepções nesta minha já longa caminhada – e não só no esporte -, que me sinto um Diógenes apesentado.

Pra quem não sabe, Diógenes era aquele filósofo da Grécia Antiga, discípulo de Antístenes, criador da Escola Cínica (cínico, de cão, o único bicho confiável), que morava num barril e de lá saía com uma lanterna acesa pela cidade em busca do homem íntegro. Morreu sem encontrar.

Lendário é o episódio em que, estando tomando sol diante de sua barrica, postou-se um desses poderosos à sua frente e intimou-o:

- Diize o que desejas neste momento e te concederei a dádiva de imediato. O que quiseres: ouro, poder, palácios, as mais belas donzelas, o que desejares!

Diógenes, então, olhou-o nos olhos, e respondeu:

- Só desejo que saias da minha frente para que não continues me roubando o raio de sol que me aquece.

Notas relacionadas:

  1. A LONGA JORNADA DO PEIXE
  2. O PEIXE DESTE SÉCULO
  3. PEIXE, PIRATAS, COPA DO BRASIL, GIGGS E ABDIAS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , ,

12 comentários | Comentar

  1. 12 Januario S. Fontes 03/06/2011 14:27

    Atualmente leva-se mais em conta o condicionamento físico; fato que automatiza o jogador. Pensar antecipadamente a jogada nunca vai ser para qualquer um. Há quanto tempo o Brasil não tem um verdadeiro CAMISA 10? Djalminha, Alex etc foram disperdiçados em copas recentes. Ganso, pode escrever, já é mais um. A força se impõe perante a criatividade, assim como a arbitrariedade é fator peculiar no despotismo da bola. Aquele que PENSA será, sempre, penalizado. Ademir da Guia já tinha esse problema com o Zagalo, em 1974. De lá para cá, só piorou…

    Responder
  2. 11 santista 02/06/2011 10:08

    Já que o assunto descambou para a copa américa, segue a lista de campeões e vices desde 1916:

    Copa América
    Ano Campeão Vice
    2007 Brasil Argentina
    2004 Brasil Argentina
    2001 Colombia Mexico
    1999 Brasil Uruguai
    1997 Brasil Bolivia
    1995 Uruguai Brasil
    1993 Argentina Mexico
    1991 Argentina Brasil
    1989 Brasil Uruguai
    1987 Uruguai Chile
    1983 Uruguai Brasil
    1979 Paraguai Chile
    1975 Peru Colombia
    1967 Uruguai Argentina
    1963 Bolivia Paraguai
    1959
    1959 Uruguai
    Argentina Argentina
    Brasil
    1957 Argentina Brasil
    1956 Uruguai Chile
    1955 Argentina Chile
    1953 Paraguai Brasil
    1949 Brasil Paraguai
    1947 Argentina Paraguai
    1946 Argentina Brasil
    1945 Argentina Brasil
    1942 Uruguai Argentina
    1941 Argentina Uruguai
    1939 Peru Uruguai
    1937 Argentina Brasil
    1935 Uruguai Argentina
    1929 Argentina Paraguai
    1927 Argentina Uruguai
    1926 Uruguai Argentina
    1925 Argentina Brasil
    1924 Uruguai Argentina
    1923 Uruguai Argentina
    1922 Brasil Paraguai
    1921 Argentina Brasil
    1920 Uruguai Argentina
    1919 Brasil Uruguai
    1917 Uruguai Argentina
    1916 Uruguai Argentina

    Responder
  3. 10 santista 02/06/2011 10:01

    Ô Carlos Alberto deixa de papo furado e dor de cotovelo. Santos fez três gols, não importa se foi contra, o que importa é o que conta no placar. Pessoas como você fantasiam e tentam imaginar sonhos, em vez da realidade dura e cruel. Santos está na final e ponto. Se vai ser campeão, não sei … mas está. Com certeza o seu timeco nem foi pra Libertadores…

    Quanto ao Brasil, você fala da raça Uruguaia, dos chilenos, etc e tal. Quando foi que eles ganharam a última copa américa??? Nem lembro. A Argentina foi em 1993. O Uruguai, se não me engano, em 1995. O Chile foi lá nos anos 80, se é que ganhou alguma vez. Pois, continue apostando na raça deles contra o Brasil, você tem tudo pra quebrar a cara.

    Portanto, pare de sonhar e veja a realidade como ela é. Não invente historinhas e deixe de fantasias. Pega mal um homem adulto brincando de menino. Acorda, Carlos Alberto

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  4. 9 Matheus Ferrari Hering 02/06/2011 8:00

    Desculpe-me se fui rude, não foi a minha intenção, só fico um pouco incomodado quando ouço alguém falar que é fácil jogar que nem o Barcelona. Eu digo por que sei o quanto é difícil ter paciência para se jogar futebol, e não basta um simples puxão de orelha do treinador, é questão de treino, muito treino. O Talento para mim é a fusão do treinamento com a capacidade e velocidade de reciocínio de cada jogador e com a capacidade física de cada jogador.

    Muito obrigado Alberto, por ler o meu post.

    Parbéns pelo seu trabalho, abraços!

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  5. 8 CARLOS ALBERTO GUIMARÃES DE SÁ 02/06/2011 0:07

    O Santos foi ajudado num gol contra, portanto, só fez dois gols. Mesmo com essa maravilha com caminho de rato na cabeça, não convenceu. Ganhou aqui com as calças na mão e empatou lá ajudado com um gol contra. Basta lembrar que o Rafael foi o herói do Santos. Por que não o Neymar? Vou me vingar na copa América. Vamos ver se ele é essa Coca-Cola toda.
    Eu esperava mais do Iturbe, mas acho que na copa América ele vai deslanchar. Creio na competência da Argentina, na força do Uruguai, na garra do Paraguai e na capacidade do Chile contra o Brasil. Pode não a gosto do Milton Neves, mas é a minha opinião, que usa a democracia, da página do caro Alberto Helena.

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  6. 7 Márcio Rocha 01/06/2011 20:22

    Ah,antes que eu esqueça: muito embora esse Barcelona seja o maior time deste século e um dos grandes da História do Futebol, ele não está a altura dos grandes esquadrões do passado.

    O Flamengo de Zico e o Santos de Pelé são muito, muito superiores a este Barcelona. Executavam todos os fundamentos barcelonistas e ainda tinha muita fantasia (dribles, canetas, chapéus).

    O Barcelona atual é grandioso, é belo, mas não tem fantasia suficiente. Manter a posse de bola, executar passes com perfeições e pressionar o adversário no campo de ataque foi executado em menor de dimensão pela criticada (ao meu ver injustamente) seleção de 94.

    Nas escolinhas, na varzéa e até mesmo no desporto universitária é curial a máxima: “bola no pé, ninguém perde jogo.” O time catalão só levou essa máxima ao extremo.

    Saudações,

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  7. 6 Márcio Rocha 01/06/2011 20:16

    Helena, o poderoso em questão era Alexandre, o Grande.

    Saudações “culés”.

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  8. 5 André 01/06/2011 16:15

    Quando voce fala que o Santos vai mal, ganha facil ! hoje certamente vai ser assim.

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    • Alberto Helena jr. 01/06/2011 19:33

      Acho que o amigo deveria ler melhor. Não disse que o Santos vai mal. Ao contrário: apenas faço a diferença entre o time atual e aquele time encantador e eficiente do primeiro semestre do ano passado. Só isso. Nada mais.
      Abraços

  9. 4 M Neves 01/06/2011 13:08

    O nome do filosofo não é Diogenes?

    Responder
    • Alberto Helena jr. 01/06/2011 19:34

      Exatamente. O que escrevi?

  10. 3 Matheus Ferrari Hering 01/06/2011 12:07

    Dr. Alberto, eu só gostaria de fazer algumas colocações em relação ao BArcelona, que para mim já é o maior time da história. Eu não preciso ver 20 partidas de nenhum outro time no mundo para saber que nenhum outro teve tanta posse de bola e tantos resultados positivos quando o barcelona num espaço de 3-4 temporadas.

    A minha primeira colocação é em relação à filosofia que o Barcelona aplica desde as categorias de base. Eu não acho que seja tão fácil assim de se aplicar um jogo como o do BArcelona. Os comentaristas brasileiros se habituaram a simplificar esplicações do porque que nosso país sempre produzia muito mais craques que qualquer outro país, “mas é claro que é uma mística, algo que tem nessa terra braziles, só pode”. O Brasil sempre fez muito mais jogadores do que outros países porque seus jogadores aprendiam a jogar bola na rua, e jogavam bola o dia inteiro, enquanto que na maioria dos países na europa, o Frio, a Educação e vários outros fatores, além da população envelhecida, os impedia de formar tantos jogadores quanto o Brasil.

    Portanto eu parto do princípio de que o treinamento é tudo, e a parte física, biológica e química do jogador é claro que vai facilitar e muito a compreensão e a absorção destes treinamentos.

    “Mas matheus, me responda então porque os brasileiros jogam tão bem se não treinam…”.
    R: Não treinam uma ova, os jogadores brasileiros treinam e muito, jogando bola na rua, no corredor de casa, na garagem, e é por isso que são tão melhores nos dribles do que na parte tática.

    Portanto a conclusão da minha primeira colocação é de que apesar dos talentos individuais, você precisa formar um jogador para ele jogar no BArcelona, não basta ele ser bom técnicamente, ele tem que ser feito para jogar no Barcelona. A Paciência que esse time têm não parte simplismente de uma mera solicitação do treinador, isso tem que ser treinado, como tudo na vida.

    QUando nós nascemos não sabiamos comer, andar, falar… E tu isso se Aprende (treinando), nada é por acaso.

    Responder
  11. 2 Romário Silva 01/06/2011 10:04

    Helena, evidentemente que gostaríamos que o Santos se comportasse agressivamente no Paraguai, mas para isso, é necessário se preparar, não é de uma hora para outra que o time vai resolver ser contundente ofensivamente, afinal, o Barça, diga-se, se preparou e continua aperfeiçoando sua brilhante característica de jogo.

    A Copa de 82 não fez bem para o futebol. Como amante do futebol, torço profundamente para o Barcelona ganhar tudo que disputar. Os catalães ganham desfrutando. Que maravilha! Tenho apenas 19 anos, não vi os grandes times, mas tenho o privilégio de ver o Barça, um dos maiores, que tem excelentes jogadores e três fora de série: Xavi, Iniesta e Messi. Aliás, embora o argentino seja um exímio driblador, me encanta muito Xavi com a bola, pensando o jogo, de cabeça erguida, passadas lagas, dando mais de 200 passes por partida e errando… 2! Xavi passa meses sem errar passe. Jogador cerebral!

    Abraço

    Responder
  12. 1 Antonio Braz 01/06/2011 8:40

    Helena, bom dia!
    Bastou um brasileiro presidir a FIFA para contamina-la.

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