TIRO CERTEIRO DE RIVALDO
O disparo de Rivaldo foi tão certeiro que derrubou o técnico Carpegiani. Aliás, vale lembrar que Rivaldo já havia feito reclamações do mesmo teor a semana passada, só que, na ocasião, passou raspando.
Mas, independentemente do desassossego do craque, Carpegiani já vinha na mira de boa parte da cartolagem tricolor, menos por causa de Rivaldo e muito mais pelos movimentos erráticos do técnico na montagem do time. A derrota para o Avaí – sobretudo, nas condições em que ela se deu –, com a consequente queda na Copa do Brasil, foi apenas a gota d’água.
Na verdade, esse tem sido um traço da personalidade e, por consequência, do trabalho de Carpegiani ao longo de sua carreira como treinador. Ainda que o admire muito como pessoa, ex-craque e mesmo como treinador, em certos lances de sua carreira, não me parecia ter o perfil adequado para assumir o Tricolor no momento de sua contratação. E, pior: se esse desfecho já se delineava desde o começo, mais sábio seria substituí-lo a tempo de o novo treinador encontrar a equipe ideal bem antes do Brasileirão. Mas, enfim…
Quanto a Rivaldo, embora sua presença em campo contra o Avaí fosse uma exigência das circunstâncias, o fato é que, com exceção daquela estreia promissora, até hoje, nas poucas vezes em que entrou no time, não correspondeu às expectativas. Não falo nem na possibilidade de revermos o Rivaldo de seus melhores momentos no Mogi, Corinthians ou Barça, longe disso. Mas, algo que, pelo menos, lembrasse aquele Rivaldo: duas ou três jogadas de alta classe ao longo de uma partida bastariam.
O diabo é que, com esse grilhão dos três zagueiros, o meio de campo fica esgarçado, sobrecarregando demais a dupla de volantes Casemiro e Carlinhos Paraíba. Escalar Rivaldo, lento demais, ali fragilizaria mais ainda o setor. Além do que, Rivaldo não é meia-armador, nunca foi. Sempre foi meia ponta-de-lança, a exemplo de Lucas. Resultado: nem ajudaria na marcação, nem seria decisivo na armação de jogadas ao ataque.
E esse tem sido o prego na chuteira tricolor há muito tempo: a ausência de um meia-armador autêntico.
Rivaldo, pela falta de mobilidade e pelo poder de fogo que tem no pé esquerdo e no cabeceio, bem que poderia ser testado mais à frente, como um falso centroavante, movendo-se ali em torno da meia-lua, um pouco mais, um pouco menos. Mas, essa experiência não passou pela cabeça nem do técnico, nem do jogador.
Ou, então, se for para usá-lo no meio de campo, o São Paulo terá de abrir mão de um dos três zagueiros para obter o equilíbrio necessário naquele setor.
Questões que, agora, deverão ser resolvidas por Cuca ou Dorival Jr., se um deles vier para o Morumbi, como parece ser o desejo da diretoria.
ALEX NO TIMÃO
Não, não é o Alex do Fernebaçh, ex-Palmeiras e Cruzeiro. É o outro Alex, canhoto também, hábil e inteligente, que ganhou projeção no Inter e está no Leste Europeu.
Faltam pequenos acertos para esse Alex vestir a camisa do Corinthians, que perdeu Bruno César para o futebol português. Pelo menos é o que diz o presidente do Corinthians, pra não criar marola antes da decisão com o Santos. Mas, o Spartak já anunciou a saída do jogador.
Grande pedida!
VASCÃO REDIVIVO
O Vasco é o único representante dos grandes clubes do eixo central do futebol brasileiro (Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas) nas semifinais da Copa do Brasil, ao lado de Coritiba, Avaí e Ceará. E isso não é apenas um sinal dos tempos, mas, também, um prodígio de recuperação desse time que saiu de humilhante campanha na Taça Guanabara pra disputar o título da Taça Rio e agora criar asas em direção à Copa do Brasil, o que lhe daria vaga na Libertadores do próximo ano.
Esse resgate do grande Vasco deu-se pela combinação de dois fatores: a chegada do técnico Ricardo Gomes e a contratação de alguns reforços preciosos, como Alecssandro, Diego Souza e Bernardo, que se juntaram a Dedé, Eder Luís e a Felipe – reanimado pela presença dos novos companheiros – para alcançar um patamar técnico superior.
Isso não quer dizer que o Vasco já levou a taça, mesmo porque Coritiba, Ceará e Avaí, como provaram nas fases anteriores, têm bola e espírito para chegar lá, também. Nem mesmo que o Vasco tenha se transformado num timaço. Mas, pelo menos, trocou finalmente de papel – de coadjuvante a protagonista. O que não é pouco num futebol tão equilibrado como o nosso.
Notas relacionadas:
8 comentários | Comentar
Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
8 fabricio 15/05/2011 0:38
Helena, Rivaldo foi a gota d´água, mas outros jogadores ajudaram a transbordar o copo. Não foi por acaso que Fernandão fez um ´´acerto amigável´´ pra deixar o clube, que Cléber Santana foi emprestado para o Atlético Paranaense, e que Júnior César está procurando clube no Rio. Insatisfeitos com a reserva, todos infernizavam o ambiente. Não acho que Muricy seja um Telê, mas, pera lá, mandá-lo embora depois da conquista de três títulos brasileiros? Ganhou o São Paulo ao contratar Ricardo Gomes, Carpegiani? Nem vou falar do Baresi! É muito problema para um clube só. Os aspones do Juvenal só atrapalham, como o Muricy cansou de denunciar.
O time, hoje, é um tigre de papel. Alex Silva virou um arremedo de zagueiro, sem tempo de bola, reclamão, apenas preocupado em cobrar que o contratem. Dagoberto é um Dodô, capaz de marcar 3 gols num jogo e sumir de campo nos cinco seguintes. Luís Fabiano vai melhorar o time? Deve. Mas não basta.
7 Antonio Braz 14/05/2011 19:55
Helena, boa noite!
A grande verdade é que o Carpegiani está mais perdido que cachorro em dia de mudança no comando do time.
6 pedro 13/05/2011 21:33
Ora o véio Rivaldo a muito mas muito tempo já parou de jogar, esse Alex é outro refugo.
5 Rodrigo 13/05/2011 20:23
Helena, é isso!!!
Rivaldo deixa o time lento e deve ser usado como centroavante. Só ele não percebeu isso e teve um comportamento infeliz em relação ao técnico e já pressionou o outro que nem chegou.
4 Luiz 13/05/2011 19:28
Helena, falta este meia mas também falta um lateral direito e falta colocar o Júnior César pra jogar ao invés deste ANIMAL do Juan… Eu ofereceria o Dagoberto para o Inter em troca do Nei e do Guinazú. Arrumava a defesa. Mas falta o meia…
3 Diógenes 13/05/2011 17:35
A mídia construiu a idéia de que grandes clubes tem grandes torcidas e que essas intimidam os adversários. Eu sou do tempo em que o Santos jogava contra o Corinthians no Pacaembú ou até no Pq S. Jorge, lotados de corintianos e ganhava fácil. Assim era o Botafogo de Garrincha, que eu vi enfiar cinco gols no São Paulo com Morumbi cheio de sãopaulinos. Vi o Palmeiras do gelado Ademir vencer o Corinthians no Morumbi lotado de corintianos, sem dar a mínima para eles. O Cruzeiro de Tostão humilhar o Santos de Pelé em BH e no no Pacaembú. O que eu quero dizer é que o futebol está nivelado e que, apesar da mídia fazer força, torcida não ganha jogo. Os trinta milhões de flamenguistas ou corintianos não cabem em um estádio onde se realiza um jogo, sejam fiéis ou não, se o adversário for melhor, vão amargar a derrota por mais que esperneiem. O favorecimento da mídia aos times de massa só tem como objetivo vender produto, alavancar patrocinadores, a vitória deveria acontecer sempre em favor das maiores torcidas. Os coadjuvantes não podem montar times que coloquem em risco o negócio, não podem vencer diante das grandes torcidas. É assim na Espanha, na Itália, Alemanha, Inglaterra, Portugal…Acho que não deve ser no Brasil. Nosso futebol foi grande enquanto surpreendeu. Em nenhum lugar do mundo existem tantos clubes capazes de vencer um campeonat nacional como aqui. Querem acabar com isso, por dois ou três, artificialmente acima dos outros e fazer aqueles campeonatos de cartas marcadas, com vitória dos mesmos sempre. Viva a surpresa, o imponderável que hoje se chama Ceará, Avaí e Coritiba e já se chamou Bahia, São Caetano, Juventude, Bangu, Portuguesa, etc. Se dependesse da mídia aquele Santosa que no começo era pequeno, mediano e só depois de Pelé e cia foi grande, jamais existiria. Que os pequenos, com seus estádios acanhados continuem teimando em mostrar que no futebol só se é realmente grande quando se tem um time forte no campo e não uma torcida consumidora de produtos na arquibancada (nas “arenas” já não é esse o nome). Torço muito contra esses times inflados pela mídia, como dizia Nelsom Rodrigues “a unanimidade é burra”. Viva o inuzitado, o imprevisível, a minoria corajosa e criativa contra a burrice coletiva.
pedro 15/05/2011 13:50
Quanta convesa mole ! não convence nem ele mesmo.
2 Rodolfo 13/05/2011 16:52
Pô Helena, listar todos os time brasileiros, menos aquele em que mais jogou, o do coração dele, é pisar na bola….hehe
1 Lombardi tricolor paulista. 13/05/2011 15:03
É uma pena , mas tenho que admitir que é tempo de vacas magras meu querido tricolor está letárgico assim como todo o futebol brasileiro.
Já não somos mais os ‘bambambans’ da américa e qualquer jogadorzinho mediocre que apareça correm logo a guinda-lo a posto de gênio, é uma pobreza de talentos tanto dentro do campo de jogo como no que tange ao campo midiático.
Haja barulho!
Gosto do Rivaldo e penso que pode cooperar ainda com sua experiencia tanto dentro do campo de jogo como na formação dos novos atletas, mas daí a achar que ele é a solução vai uma distancia muito grande.
Falta também determinação, não adianta os jovens estarem dentro do campo de jogo defendendo nossos pobres clubes e com a cabeça no Barça, Real, Milam, Roma, Bayer, Stutgard etc e tal, sonhar é bom para todo mundo, mas primeiro é preciso ser um bom profissional e cumprir seus contratos com trabalho e dedicação.