OS BRASILEIROS NA LIBERTADORES
Para o Santos, o jogo lá em Santiago contra o Colo Colo, é decisivo. Não só com vistas à sua permanência na Libertadores, como, sobretudo, para definir que rumos sua diretoria irá tomar a respeito do comando técnico da equipe: se fica com Marcelo Martelotte ou se parte com tudo pra cima de Muricy. Com Ganso desde o começo, as coisas ficam mais propícias para o Peixe, claro.
E, mesmo de papo por ar, tomando sua cervejinha aqui ao lado de casa, em Ibiúna, Muricy projeta sua sombra sobre Celso Roth,lá na Bolívia, onde o Inter enfrenta o Jorge Willstermann.
Sim, porque, embora, tecnicamente falando, o Inter não deva correr nenhum risco com o time que tem e diante de um adversário da Segundona boliviana, Celso Roth, como de hábito, segue sendo espicaçado pela torcida e mídia coloradas.
Mas, a verdade é que Roth parece gostar de viver perigosamente, como disse outro dia o meu chapinha Sérgio Buás no Redação da Sportv comandada com brilho pelo André Rizek. Tanto, que está em dúvida se enfrenta os bolivianos com três ou quatro volantes, pois seu coração balança entre o pegador Mathias e o meia Oscar. Dois já é de bom tanho; três, um excesso; quatro, um absurdo.
Mas, enfim, cada um escolhe sua própria trilha, para o bem ou para o mal. Não é o que dizem sobre o tal livre arbítrio?
Quem segue navegando sob céu azul é o Cruzeiro, que meteu 7 a 0 no Democrata de Governador Valadares, outro dia, e recebe esta noite o Tolima, em Sete Lagoas, com a mesma escalação da goleada por 5 a 0 no Estudiantes, na estreia da Libertadores. Só se uma zebra gigantesca atravessar o gramado, a Raposa deixará de festejar mais uma vitória.
Por fim, o Grêmio pega o León, amanhã, lá. Time que o Tricolor já venceu no Olímpico, por 2 a 0. Mesmo sem André Lima, lesionado, o Grêmio poderá sustentar lá a segunda posição que ocupa no seu grupo, sobretudo se entrar o lépido Diego Clementino, embora haja a possibilidade de Renato Gaúcho avançar o gringo Escudero para formar dupla com Borges.
O que não está dando é para manter Carlos Alberto ali. Primeiro, porque ele não vem jogando nada desde que desembarcou no Olímpico; segundo, porque sentiu dores musculares.
Em princípio, pois, eis uma rodada no jeito para os brasileiros avançarem em direção à próxima fase da Libertadores.
CHUTES A GOL
O leitor Luiz Fortes faz uma observação neste blog procedente. Diz que, no Bem, Amigos, discutimos muito o jeito de jogar dos times e nem tocamos no essencial: o chute a gol.
E, vai além: descreve um método por ele adotado nos EUA para aperfeiçoar esse fundamento, com garrafas de água cheias de terra. É um sistema sofisticado, que poderia substituir o simples esquema adotado pelo técnico Bella Guttman nos idos de 1957 no São Paulo.
Naquele tempo, o técnico que veio do Benfica, depois de trabalhar na comissão técnica da maravilhosa Seleção Húngara de Puskas e cia., montou um paredão no campo de treinamento do São Paulo, com vários quadrados numerados.
Então, cantava o número para o batedor, alternadamente, e ia computando os erros e os acertos. Bem, pra resumir a história: Canhoteiro, o Mago, dos dribles e dos cruzamentos exatos na cabeça dos companheiros, que era uma tragédia, porém, nos chutes a gol, virou um dos artilheiros da equipe.
Na verdade, o problema do quase crônico erro de finalização de nossos jogadores não está tão relacionado ao eventual método de treinamento. Mas, sim, ao fato de que esse calendário apertado do futebol brasileiro impede qualquer tipo de treinamento de chutes a gol.
Se o amigo perguntar a qualquer especialista do ramo – preparador físico, fisioterapeuta ou médico esportivo -, receberá como resposta imediata que o chute a gol é justamente aquele exercício que mais exige dos músculos do atleta.
Um jogador sem tempo adequado para recuperação, submetido a esse tipo de exercício, corre sérios riscos de lesão muscular. Exemplo: Robinho, depois da sensacional participação diante do Japão, na Copa da Alemanha, caiu fora do jogo contra a França, decisivo, treinando chutes a gol.
Resumindo: embora fascinado pelo método do leitor, a má pontaria de nossos jogadores deve mesmo ser creditada ao calendário e não às eventuais formas de treinamento.
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1 comentário | Comentar
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1 CARLOS ALBERTO GUIMARÃES DE SÁ 16/03/2011 23:50
Eu vi, pela internet, o Neymar dizer que o Colo-Colo iria conhecer o Ganso. Eu nada respondi, de cá do nordeste, mas já é hora de responder a este senhor, chamado de Neymar, que lugar de Ganso é na panela depois de uma boa faca e isso os adversários já fazem. Ficou, demasiadamente, feio para este tal senhor, Neymar, investido numa soberba, que lhe caracteriza e que irrita os sensatos e comedidos. Me lembra o Pelé, numa atitude de gênio, humilde, sensato, sábio e craque, quando os jornalistas ingleses, a véspera de um grande clássico de copa do mundo, contra a Inglaterra, perguntaram-lhe o que ele achava da entrevista que o técnico inglês tinha dado sobre uma forte marcação que a Inglaterra iria lhe impor. O maior gênio do futebol respondera que eles, os ingleses, ficariam atônitos diante de tantos gênios iguais a ele que encontrariam pela frente. Vejam que diferença da resposta de um craque sensato e humilde! Aconteceu, justamente, o que ele previu, bem marcado, mas que não o impediu que ao receber uma bola do gênio, Tostão, fez rolar pelo peito, até chegar aos pés e com elegância, rolou a bola para chegada de Carlos Alberto fazer o único gol do clássico, um dos jogos mais emocionantes que já tive a oportunidade de assistir. Claro que, diante do exposto, se o indagado fosse o Neymar, a resposta seria de 360° de diferença do maior gênio do futebol que o mundo conheceu. O gênio provou porque é gênio. Uma resposta inteligente e uma jogada melhor ainda, foi marcado, mas não impedido de mostrar a sua genialidade compartilhada com os seus apelidados de gênios. Como é bom viver para ver! Fico sentido pelos que não viram e se iludem com tantos jogadores comuns e que gostam, mesmo, é de aparecer.