O TWITTER E O CRAQUE
Esse tal de twitter veio para subverter toda relação entre as pessoas, públicas ou privadas. Passou a ser um Big Brothers voluntário, suprindo e superando a necessidade de a turma interagir com seus semelhantes, em que os indivíduos abdicam de sua privacidade em favor da comunicação.
Seja porque reféns da violência urbana, que os conduzem à frente da Internet como única alternativa de se comunicar com outros. Seja pelo fascínio que a Internet oferece. Isso é irrelevante. O fato é que a turma precisa conversar com alguém.
O ser humano, pelo visto, carece do conflito, consigo mesmo ou com outrem. Caso contrário, as novelas não teriam tanto sucesso. Nunca, ou quase nunca, as coisas correm de acordo com os nossos anseios. Sempre tem uma pontinha ali que incomoda.
Muito antes do twitter, da Internet, da televisão, havia a janela da Candinha, que esquadrinhava a rua e ia catalogando comédias, dramas e tragédias do cotidiano.que se desenrolavam ao seu olhar crítico.
No fundo, nada de novo sob o sol.
Digo essas obviedades a propósito da refrega travada entre um ídolo palmeirense, o Gladiador Kleber, e o técnico Felipão.
Felipão, no velho estilo, pra evitar mais problemas além daqueles que o Verdão enfrentava, proibiu até mesmo as declarações dos seus jogadores no intervalo do jogo. E foi além, nem depois da partida, só nas entrevistas programadas.
Na cabeça de Felipão, um quase sessentão, não havia o twitter, nem outra forma de os jogadores se expressarem, a não ser nos microfones de rádio e tv Mas, surgiu o twitter, e Kleber detonou o treinador.
Malandro velho, Felipão deu a volta, na resposta à tv, no dia seguinte.
Misto de paizão e sargentão, Felipão faz lembrar de seu ilustre conterrâneo, Osvaldo Brandão, que, a exemplo de Felipão, conjugava os verbos ganhar, empatar e perder em três formas distintas: eu ganhei, nós ganhamos e eles perdeream.
Ambos foram grandes ganhadores, dirigindo vários times, mas a postura sempre foi a mesma, com mais ou menos sutilezas.
Ambos foram mestres em driblar as adversidades.
Meno male, para o Palestra, nesta quadra crítica de sua vida.
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