AMBIÇÃO E VAIDADE
Respondendo a algumas das questões formuladas pelos nossos bloquistas, quero dizer que, sim, no bojo dessa decisão de Ricardo Teixeira, em formalizar o título brasileiro de 87 em favor também do Flamengo, além do Sport, viaja a intriga política, tendo por base, sobretudo, a questão dos direitos de transmissão pela tv do próximo Brasileirão.
Dividir para conquistar é uma velha máxima que o mestre Maquiavel já ordenou em texto brilhante há séculos, embora a prática venha desde quando os primeiros homens se abrigaram nas cavernas.
Juntando Flamengo ao Corinthians, os dois clubes de maiores torcidas do Brasil, portanto, de maior audiência, como seus aliados, Ricardo imagina romper o bloco fechado do Clube dos Treze, comandado por Fábio Koff, com apoio irrestrito de Juvenal Juvêncio, desafeto do presidente da CBF.
Rompido assim, o Clube dos Treze, o processo de licitação na base do envelope fechado, em que a melhor oferta leva estaria inviabilizado, levando a questão para uma solução negociada entre clubes e tv, separadamente.
Se o golpe deu certo ou não, só saberemos depois do desfecho das negociações. É esperar pra ver.
O que acho disso tudo?
Bem, meu amigo(a), há muito tempo deixei de ter esperança na raça humana. E, nessas histórias onde a grana preta e a luta pelo poder falam mais alto, não há mocinhos nem bandidos. Apenas, ambição e vaidade.
Papo com Ney Franco
Ney Franco é um moço inteligente, articulado, tomado por aquela serenidade mineira que muitas vezes se confunde com sabedoria, atributo essencial para um técnico de seleções de jovens como a que ele levou à conquista do Sul-Americano Sub-20 e à uma das duas vagas para as Olimpíadas em Londres.
Mas, por trás do corte conservador de sua personalidade aparente, agita-se um lance de ousadia, quase em conflito com seu temperamento.
Pegue o amigo aquele momento fatal da decisão com o Uruguai, quando, Saimon comete o pênalti e é expulso. Por reflexo, Ney Franco chamou o volante de contenção Zé Eduardo à beira do gramado, já que não havia nenhum outro zagueiro disponível no banco brasileiro. Sua intenção era a de trocar o meia Oscar por um volante de marcação e tentar segurar o resultado.
Era o gesto convencional, natural a qualquer treinador naquelas circunstâncias, em que o Brasil, que vencia por 2 a 0, poderia levar o gol, e, com um a menos, o sufoco inevitável, prenúncio da virada que nos levaria á breca.
Eis que o menino uruguaio perde o pênalti, e logo em seguida fazemos o terceiro. Ney, então, percebeu na hora a oportunidade de ir além do óbvio e tentar o magnífico – uma vitória histórica.
Golpe de sorte? Intuição que deu certo? Chame do que quiser. Mas, o fato é que, já nesse mesmo torneio, em fase anterior, quando a situação, vista sob o ângulo do convencional, exigia que essa troca fosse feita, Ney inverteu a fórmula estabelecida: em vez de colocar em campo um volante, aumentou o número de meias com a entrada de Alan Patrick, que, na ocasião, infelizmente, não respondeu à altura de seu futebol.
Isso tudo pude esclarecer com o próprio Ney Franco, num papo de meia hora antes do início do Bem, Amigos, na Sportv.
E mais:
1 – Que Lucas tem alma e bola para ser chamado, sim, já na próxima convocação de Mano Menezes.
2 – Que Neymar, o artilheiro e maior estrela do campeonato, com quem conviveu por dois meses, é bom de grupo, parceiro, disciplinado, e sem um pingo de máscara.
3 – Que Casemiro é um volante como poucos, mas que precisa conter um pouco seus ímpetos ofensivos, controlando melhor seus avanços com a volta ao setor.
4 – Que ele pretende seguir nesse trabalho na CBF, ampliando seu campo de ação, mantendo contatos mais estreitos com treinadores das equipes de base do país inteiro, no intuito de catequizá-los para a nova ordem das Seleções Brasileiras (titular e de jovens): aquela que aponta para um jogo mais destemido, técnico e hábil do que apenas de força.
Pois, que os deuses da bola iluminem o caminho desse mineiro discreto, mas, nem por isso, menos ousado. É disso que precisa nosso futebol.
Notas relacionadas:
6 comentários | Comentar
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6 Pedro Santos 23/02/2011 14:50
Canetada de BANDIDO vale mais que a justiça?
Veja que BOMBA isso vai dá.
Martorelli: “O Leão vai rugir mais alto”
Sport vai tomar medidas contra Ricardo Teixeira e CBF
O Sport não vai ficar de braços cruzados, assistindo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmar que o título do Campeonato Brasileiro de 1987 também é do Flamengo.
O vice-presidente jurídico do clube pernambucano, João Humberto Martorelli (foto), afirmou que a torcida Rubro-negra pode ficar tranqüila, que medidas serão tomadas. “Quero tranqüilizar a torcida do Sport quanto a este assunto. O título do Campeonato Brasileiro de 1987 é exclusivamente do Sport e de mais ninguém. Não há nada para ser dividido e nem vai ser. Essa decisão de Ricardo Teixeira é inócua, nula, não vale nada, pois ele não pode se sobrepor a Justiça. Já existe uma decisão judicial sobre o título de 1987 para o Sport, inclusive essa decisão é concreta e não cabe mais recurso nenhum, pois ela foi transitada em julgado”, explicou.
De acordo com Martorelli, Ricardo Teixeira cometeu um crime muito grave. “No Brasil todo mundo pensa que pode se passar por cima de tudo e agir de acordo com os próprios interesses. Essa decisão do Ricardo Teixeira foi gravíssima, pois ele virou as costas para uma decisão da Justiça. O título de 1987 é exclusivo do Sport que disputou a competição de acordo com o regulamento, que só previa um campeão. A torcida pode ficar tranqüila, pois dessa vez isso não ficará impune e o Leão vai rugir forte e ninguém vai tomar esse título”, contou.
O advogado Rubro-negro ainda afirmou o que vai fazer para punir o mandatário da CBF. “Vamos interpelar o Ricardo Teixeira e a CBF. Ele e a CBF descumpriram uma decisão judicial e vamos acioná-lo criminalmente. Vamos notificar a prática do crime ao Ministério Público Federal (MPF) e isso pode culminar na prisão de quem descumpriu a Lei. Posso dizer que essa não vai “terminar em pizza”, a torcida do Sport pode ficar tranqüila”.
João Humberto Martorelli ainda afirmou que entrará em contato com o Departamento Jurídico do São Paulo para que o Sport e o clube paulista façam algumas ações em conjunto sobre o assunto. O São Paulo tem interesse que a CBF volte a reconhecer o Leão como o único Campeão Brasileiro de 1987 para poder ficar com a Taça das Bolinhas (entregue ao primeiro pentacampeão brasileiro)
5 PAULO 22/02/2011 23:23
O PROBLEMA RICARDO AMARAL, É QUE A MAIORIA DA IMPRENSA ESPORTIVA É PARCIAL, TENDEM A ESCLARECER OS LEITORES OU OUVINTES DE ACORDO COM O COMANDO DE DETERMINADOS JOGADORES, CLUBES, CBF, OU REDE GLOBO. OU SERÁ QUE ESTOU ERRADO. AGORA QUE A RECORD GANHOU ÀS OLIMPÍADAS, ELA SÓ ANUNCIA QUE É A UNICA A TRANSMITIR OS JOGOS. FAZENDO O MESMO JOGO DA GLOBO, COM RELAÇÃO A COPA ( A PALAVRA É EXCLUSIVIDADE ) E OUTRA EMISSORA NÃO CONSEGUE TRANSMITIR O EVENTO.
4 ANIBAL DOS SANTOS FILHO 22/02/2011 19:04
Definição em três: interesse mútuo, grana e política. Chega a ser patético.
3 José Roberto 22/02/2011 18:33
Ô Helena, Voce sabe que tudo isso o Ney Franco aprendeu na passagem pelo mengão.
2 José Alfredo 22/02/2011 16:47
Caro Helena,
e onde é que fica a pressão e os interesses da Globo nisto tudo?
1 Ricardo Flor Amaral 22/02/2011 16:24
Nada contra a suas afirmativas acima, porém não posso me furtar a comentar as suas declarações no programa “Bem Amigos” na noite desta segunda, dia 21/02/2011, de qeue o Módulo Amarelo era de fato a segunda divisão do campeonato de 1987. Gostaria que você encontrasse um modo de justificar como o vice-campeão de 1986, no no caso o Guarani de Campinas, e o terceiro colocado de 1986, aqui o America-RJ, foram rebaixados para a sSegunda Divisão no ano de 1987? Mais um coisa para finalizar, o Clube dos 13 concordou num primeiro com o cruzamento proposto ou imposto pela CBF antes do inicio da competição, e foi o Sâo Paulo quem comandou, posteriormente, a rebelião da mesma instituição com relação a isto já com o campeonato em andamento. Todos os fatos acima citados estão fartamente documentados e, portanto, a imprensa esportiva deveria ser mais atenta quando analisa e comenta os fatos relativos a disputa da Copa União de 1987.