A VEZ DO MALANDRO | Blog do Alberto Helena Jr.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010 Copa do Mundo, Seleção Brasileira | 15:33

A VEZ DO MALANDRO

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Direto de Joanesburgo - Como versava o velho samba, agora é que eu quero ver/ quem é malandro não pode correr.

Na verdade, malandragem, nessa Seleção do Dunga, está fora. Nem a saudável malandragem do passado, que se confundia com inventividade, habilidade e ousadia. Muito menos a deletéria, aquela feita de furtivas escapadas noturnas, de indisciplinas geradas pela vaidade ou pela indolência deste ou daquele.

A turma é disciplinada, coesa e come na mão do técnico, que rosna para toda sombra que passar à porta da concentração, amiga ou inimiga. Esquema, táticas, escalação, até mesmo as possíveis alterações estão devidamente delineados na prancheta do professor, que os jogadores seguem à risca.

Obviamente, muito melhor do que a bagunça. Mas, não tão edificante como alternativas mais transparentes e criativas sugerem.

A entrevista de Elano, nesta quinta-feira revela bem esse espírito. Justamente ele, que deveria dividir o setor de criação de jogadas do time, prefere se autodefinir como um eterno coadjuvante.

De fato, são todos coadjuvantes, talvez com exceção de Kaká e Robinho, que quebrou a lei do silêncio imposta pelo treinador para dar uma entrevista à Rede Globo, no dia de folga dos jogadores.

Mas, enfim, como em todas as Copas que entramos, desde 38, o Brasil é um dos favoritos à conquista. E isso é bem possível.

Raciocine comigo, companheiro: o jogador médio brasileiro é, em regra, superior, tecnicamente, ao jogador médio estrangeiro. A maioria das seleções é composta de jogadores médios.

Logo, se, por acidente qualquer, um Cristiano Ronaldo, um Messi, um Rooney, um Drogba, um desses poucos craques que desequilibram em seus times, estiver de fora na hora do confronto com o Brasil, nossas chances de vitória triplicam.

Portanto, como dizia o sambista maior, Cyro Monteiro, sempre que adentrava um recinto, quem é de bênção, bênção! Quem é de saravá, saravá!

charge daniel alves messi

Charge com Daniel Alves e Lionel Messi, por Milton Trajano

Treino secreto

O céu de Joanesburgo amanheceu com algumas nuvens brancas e esparsas, anunciando o frio que invadiria o dia e a noite. De manhã, nossos craques participaram de um treino secreto, que, segundo consegui apurar, na verdade, foi um coletivo.

Detalhes? Só consultando um oráculo.

À tarde, um treino alemão, em que o campo foi reduzido à metade e cinco equipes de quatro ou cinco jogadores, se revezavam, cada um vestindo uma cor diferente: branco, azul, verde, vermelho e verde.

O frio, já então, era de rachar, mas a moçada mexeu-se pra valer.

O mais importante da história toda é que Júlio César treinou com tudo, sem revelar nenhuma restrição aos seus movimentos.

Ao contrário, houve um lance em que ele foi simplesmente espetacular, defendendo três bolas atiradas cara a cara, em sequência. Coisa de cinema!

Melhor boa nova não poderia haver, pois nossa defesa é excelente, sem dúvida. Mas, muito da sua proficiência se deve ao goleiraço Júlio César, um paredão, como gostava de dizer o saudoso e até hoje insuperável Mário Moraes.

Bafanas em alta

África do Sul e México abrem a Copa nesta sexta-feira. Não se trata, claro, de um espetáculo inesquecível, a não ser pelo ritual próprio do maior torneio de futebol do mundo.

Os bafana-bafana estão entusiasmados com sua seleção, que é, tecnicamente, fraca. Mas, que, sob o comando de Parreira e incentivada pela galera pode surpreender um México que outro dia vi enfrentando a Inglaterra e me decepcionou. Os mexicanos, porém, são guerreiros e jogo de Copa é outro departamento.

França em baixa

Em seguida, o Uruguai pega uma França desacreditada. Ambos campeões do mundo, feitos, porém, distantes no tempo. A  França, mesmo sem ter um Zidane, um Platini ou um Kopa, que a conduziram a um patamar superior na história, tem alguns jogadores que merecem respeito.

Henry, sua maior estrela, está em plena decadência. É reserva no Barça, pra não dizer mais. Benzema, a jovem promessa, não conseguiu se firmar no Real. Restarão, pois, Ribéry, astro do Bayern, Malouda e Anelka, que ressurgiram no Chelsea para que a França tente, nesta Copa, apagar a má campanha na Eurocopa.

Ingleses e argentinos

No sábado, entram em campo mais dois dos sérios candidatos ao título. A Argentina, imprevisível, por conta de seu treinador maluquete, Maradona, enfrenta a Nigéria, e a Inglaterra pega os EUA, uma pedreira, não pela qualidade do time norte-americano, mas, principalmente, por sua determinação. Contudo, se Messi e Rooney acertarem o pé, fatura resolvida.

Notas relacionadas:

  1. NILMAR, TRÊS VEZES NILMAR
  2. COMEÇO ANIMADOR
  3. O VALOR DA TANZÂNIA
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , ,

43 comentários | Comentar

  1. 3 eduardo 10/06/2010 16:17

    legal Garoto

    Responder
  2. 2 Ricardo 10/06/2010 16:12

    Melhor assim a seleção de Dunga do que aquela de 2006 , cheias de craques baladeiros e cachaceiros que voltaram mais cedo.

    Responder
    • Verdadeiro 10/06/2010 18:04

      E “outras” leia-se Z Zidane que acabou com tudo. Mas todos se esquecem pq o Brasil sempre saiu e sai na obrigação de ganhar, e isso cega o torcedor, certamente.

    • Raimundo Alves 10/06/2010 17:12

      Também acho. Foi pelos baladeiros e pelos saltos altos, de 2006 e outras, que perdemos quando tínhamos fortes chances de conquistar a Copa.

    • FZZ 10/06/2010 16:50

      será que esta tb não vai voltar mais cedo ????

  3. 1 Grafir Jr 10/06/2010 15:56

    Agora sim, Helena, merece até um verso:

    “Saravá, São Jorge Guerreiro,
    ajuda na Copa a Seleção,
    aquilo que não ajudou meu Timão,
    roga, humilde, mais um maloqueiro!!!”

    Responder
    • Verdadeiro 10/06/2010 18:02

      Boa a rima, mas acho que vai precisar de um bocado mais de santo.

    • FZZ 10/06/2010 16:50

      São Jorge é Corinthians, não é seleção ….

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