O BRASIL NO CAJU
O Brasil não acabou no Caju, tradicional cemitério do Rio, como nos versos do antológico samba-de-breque do saudoso Morengueira. Ao contrário: está nascendo no Caju, a magnífica concentração do Atlético Paranaense, em Curitiba.
Ou melhor: começa a ser afiado para a grande empreitada da Copa, a partir do protocolo médico, fisioterapeuta e de preparo físico. Aliás, nisso já somos campeões mundiais há décadas, pois não há país como este, meninos, nesse campo. Somos, disparados, os melhores em medicina esportiva e preparação física, desde 1970, diga-se.
Só pra semana, quem sabe, começarão os treinos com bola. E aqui vale uma lembrança, lição do velho e saudoso mestre Telê Santana. Quando Telê assumiu a Seleção Brasileira, a moda era o tal do treino alemão e jogadas ensaiadas, método introduzido por Rubens Minelli naquele time inesquecível do Inter de Falcão, Carpeggiani e cia. bela. Minelli jactava-se, com razão, de ter aplicado mais de sessenta jogadas ensaiadas no Inter bicampeão brasileiro de 75/76.
Eis-me, então, cobrando por telefone de Telê, com quem mantinha linha direta, a utilização desse método, ate que o mineiro perdesse a mineirice proverbial e explodisse do outro lado:
- Helena, isso é bobagem! Treino é coletivo toda hora, o resto é conversa fiada.
Pura ignorância do mestre? Ao contrário: a mais fina sabedoria, pois o mais importante, sobretudo numa seleção, essa coletânea de jogadores díspares vindo de toda parte do mundo, em que o tempo de preparação é sempre exíguo, o negócio é dar conjunto a essa constelação de estrelas solitárias.
E só o coletivo proporciona isso. Claro, durante o treino, cabe ao treinador pará-lo eventualmente para instruir este ou aquele setor da equipe, este ou aquele posicionamento de tal ou qual jogador. Como complemento, jogadas de bola parada, seja na parte ofensiva, seja na parte defensiva. O resto, como dizia mestre Telê, é bobagem e perda de tempo.
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5 comentários | Comentar
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5 Telê Saldanhão 26/05/2010 0:06
É por o seguinte time prá jogar 2 coletivos por dia, até a copa:
Júlio César;
Maicon, Lúcio, Luizão e Daniel Alves;
Ramires, Kaká, Ganso e Ronaldinho Gaúcho;
Luís Fabiano e Nilmar.
Pois, como vocês podem perceber esse é o time que pode reeditar as atuações de gala da Seleção de 82
Pois…
Júlio Cesar > Valdir Peres;
Maicon = Leandro
Lúcio = Oscar
Luizão = Luizinho
Daniel Alves = Júnior
Ramires = Toninho Cerezo
Kaká = Falcão
Ganso = Sócrates
Ronaldinho Gaúcho = Zico
Luis Fabiano > Serginho
Nilmar = Éder
Se fizer isso, treinar esse time por 20 dias…Dunga = Telê!
4 FABIO 23/05/2010 21:22
Mestre Helena,
Conjunto é a única coisa que esse time tem. Afinal, repete praticamente a mesma escalação há vários jogos. Logo, a prioridade dada a jogadas ensaiadas, neste caso, faz sentido. Isto não significa que é a melhor formação, nem que concordo com ela. Desejo sorte ao Brasil, mas, na falta do prazer do bom futebol, passarei a Copa toda priorizando o uso do meu tempo com coisas relevantes…
A torcida do Grêmio não canta o hino nacional? Então, está comprovado: Grêmio de Futebol Porto-Alegrense, o “enclave uruguaio” em território nacional…
3 João Sardinha 22/05/2010 13:52
Aquilo não é concentração mais parece sim UM CAMPO DE CONCENTRAÇÂO, a seleção brasileira outrora aberta aos torcedores, hoje mais parece um bunker que mantém os jogadores isolados daqueles que a querem festejar e aplaudir. Dunga acha que a eleçaõ é dele, todos tem que rezar no seu catecismo. A imprensa ontem combativa e do lado da torcida, hoje, subserviente elogia a “segurança exemplar”. Eu nunca vi desde 70 uma copa mais sem graça, mais distante do povo do que essa. Anos passados a essa altura do campeonato o país estva todo mobilizado nos bares, nas ruas, nos clubes e nas casas. Hoje nada parece que sequer a seleção brasileira vai jogar.
Tenho absoluta certeza que o brasileiro está muito mais interessado em assistir aos jogos do Santos, Cruzeiro, São Paulo e Gremio e os outros grandes do futebol brasileiro do que assistir a uma Seleção da Legião estrangeira comandada por um técnico egoísta e burro! Infelizmente ano após ano o brasileiro vai perdendo o interesse e a confiança naquela que foi um dia sua maior alegria!
Paché 22/05/2010 16:46
Vc está certo Sardinha, prefiro ver os jogos da última semana onde se vê os jogadores concentrados e vibrantes (mesmo os argentinos e chilenos) do que o desfile de desconhecidos com a camisa da nossa antiga seleção.
Não é só a torcida do Gremio que não canta o Hino Nacional, esses jogadores da seleção também não o sabem cantar mais. É lamentável!
2 Sakai-san 22/05/2010 12:55
Helena,
Não podemos esquecer do preparo físico. vejo o paixão dizendo q faria tudi igual 2006. Tremo só em pensar.
por mim ele já estaria aposentado da seleção, com seus métodos pouco confiáveis. vc vai ver o Robinho que joga no Brasil, vai apresentar melhor condição física que os q jogam fora.
e o pixão vai fazer o q?
igual 2006 ?
1 Lombardi tricolor. 22/05/2010 12:47
Mestre Helena:
O mestre Telê podia não valorizar jogadas ensaiadas, mas treinava os jogadores em cruzamentos e posicionamentos de forma incansável desta forma surgiam as jogadas expontâneamente.
A repetição ao extremo aperfeiçoava as jogadas e o coletivo permitia o entrosamento expontâneo e cousas e lousas e maripousas.
Não é vero?