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sexta-feira, 2 de outubro de 2009 Olimpíada | 17:37

DEPOIS DA FESTA

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Delegação brasileira presente em Copenhague festeja a escolha do Rio de Janeiro

Delegação brasileira presente em Copenhague festeja a escolha do Rio de Janeiro

O Rio está em festa, os políticos celebram o feito, enquanto vão computando de cabeça os votos a favor que cairão nas urnas nas próximas eleições, e todos os aproveitadores de plantão esfregam as mãos na expectativa dos fabulosos ganhos extras que se insinuam na mesa olímpica.

Mas, confessemos, o brasileiro de norte a sul, de leste a oeste, se sente – um tiquinho ao menos – mais orgulhoso. Afinal, rompemos uma barreira secular, acolhendo pela primeira na história da América do Sul, uma Olimpiada, o maior evento esportivo, ao lado da Copa do Mundo, que também patrocinaremos.

Talvez algumas mãos tenham sido devidamente molhadas, nesse escrutínio tão íntimo da escolha da sede da Olimpíada de 2016. Não sabemos, nem saberemos jamais, quem sabe. Mas, talvez, não, e tudo tenha corrido numa lisura impecável.

O certo é que a escolha não recaiu sobre o Rio por causa de seus excelsos equipamentos esportivos, tampouco pela segurança absoluta que reina nas ruas da Cidade Maravilhosa, ou pela magnífica rede viária, aeroviária ou rodoviária que cobre a urbe carioca e tal e cousa e lousa e maripousa.

Dizem que o projeto apresentado ao COI está irreprimível, e que, até lá, todos os problemas atuais estarão resolvidos. Até acho possível, pois nossas mazelas (e não só do Rio) advêm, antes de mais nada, da incúria, da falta de empenho, do despreparo da imensa maioria dos nossos governantes. Isso, desde os tempos coloniais, todos sabemos.

Desconfio, porém, que o toque de convencimento do colégio eleitoral do COI, na verdade, foi um gesto intangível, algo que se dissemina pelo ar, criando uma imagem tão favorável ao Brasil no resto do mundo, antes de tudo pelos efeitos da política econômica tupiniquim em meio à crise que assolou (e ainda assola) o planeta.

O desprezado e desprezível Brasil, exportador contumaz de travestis e prostitutas, abrigo de marginais internacionais, país dominado pelo narcotráfico, berço de imensas favelas, epicentro da mais abjeta divisão de riquezas, composto por essa gente mulata irresponsável, que só se interessa por samba e futebol, reino de desenfreada corrupção policial, judiciária e dos políticos em geral (Executivo e Legislativo), por certo, não mereceria nem mesmo um sorriso de ironia dos jurados do COI diante de tantas promessas.

Nem mesmo o Brasil de César Lattes, Niemeyer, Drummond, Machado, Pixinguinha e Noel Rosa, Villa-Lobos, Pelé, Glauber, Portinari, Eder Jofre e outros tantos gênios da raça tocaria a sensibilidade daquela turma.

O que conta, numa sociedade de resultados como a que se espalha pelo mundo todo, sobretudo depois da queda do Muro de Berlim, é mesmo o resultado. E o Brasil, com todas as suas gingas e meneios, com todos os problemas estruturais e atávicos, consegui driblar a crise, na medida do possível e do inimaginável. A ponto de merecer encômios em quase todas as grandes publicações do mundo.

Pelé e Lula festejam a vitória

Pelé e Lula festejam a vitória

Acrescente-se aí o carisma indiscutível do presidente Lula, que, com todos os seus defeitos e limitações, encanta não só o eleitorado nacional mas, também, essa gente estrangeira, e teremos, imagino, uma explicação mais próxima do que aconteceu no interior da escolha.

Resta, agora, ficar de olho no nosso bolso, que, inevitavelmente, será tungado, e tentar seguir passo a passo seu roteiro.

Sei bem que o brasileiro, em geral, não é ainda um cidadão com plena mobilidade como tal. Mesmo porque não basta a fiscalização rígida. É preciso que o Judiciário, na comprovação de maracutaias, seja menos lerdo e leniente na aplicação de duras penas aos eventuais infratores.

E que os poderes públicos, as organizações civis, a sociedade como um todo, se empenham na tarefa de viabilizar esse evento, que escapa a uma simples competição esportiva.

A Educação está no centro desse esforço. É preciso que haja neste país, como gosta de dizer o presidente, um imenso mutirão em favor da Educação e da Pesquisa. A Educação para formar atletas, mas, principalmente, cidadãos esclarecidos. Atletas, para que não passemos vergonha no campo esportivo; cidadãos, para que a vigilância sobre os gastos públicos seja eficaz.

Enfim, que o Brasil, como um todo, dê um salto no sentido de transformar-se num país respeitado, antes de mais nada, pelo seu valor intrínseco: o caráter de sua gente, povo, governantes, esportistas e empresários.

Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , ,

44 comentários | Comentar

  1. 4 Didi 02/10/2009 19:50

    Orgulhoso de que ? enquanto nos hospitais morre gente sem atendimento, e nas ruas matando gente com tiroteio toda hora, orgulho de sediar olimpiadas ? eta brasil robalheira vai começar………

    Responder
    • Sandro gama Jr 03/10/2009 7:18

      Isso que vc relata , meu caro Didi , acontece em todo brasil e para sua informação S. Paulo é o estado com o maior indice de criminalidade do brasil . se vc tiver um tempo vá ao google e pesquise. quanto a robalheira , ela já acontece há anos em em todos os estados . Maluff que o diga.

  2. 3 Rodrigo 02/10/2009 19:16

    Ótimo texto, como sempre. O lamentável é que os cariocas acham que nós, paulistas, estamos com picuinha pela escolha ter sido o Rio e não SP. As críticas que venho lendo não são direcionadas ao fato do Rio ter ganhado o direito de sediar 2016, mas sim por causa da corrupção sistêmica que assola o país, seja no Rio ou em SP. Creio que se as olimpíadas fossem em SP as críticas seriam iguais, apenas mudando a sigla do estado.

    Responder
  3. 2 Lafayette 02/10/2009 18:43

    Concordo que muitos politicos vão tirar vantagens e que vai haver corrupção , mas o Brasil vem sendo roubado desde cabral .
    Muitos passaram e se encheram de dinheiro . Politicos , sulistas , nordestinos , do sudeste e de toda parte.
    presidentes anteriores , atuais e os futuros.
    Todos metem a mão .
    estamos cheios de mensalões há muito tempo .

    agora , prezado Helena : Não vai ser uma olimpiada que vai falir o brasil .
    tem coisas muito piores acontecendo , inclusive no campeonato brasileiro e vcs jornalistas sabem e nada falam.
    falar que vai haver corrupção numa olimpiada no RJ , é inveja de paulista , pois a corrupção no Brasil está enraizada em toda parte , em todas as repartições públicas e em todos os escalões.
    E o pior é que tudo acaba em pizza.
    Então prezado Helena , cale esta tua matraca e fica aí no frio de São paulo.

    Responder
    • nilton 03/10/2009 11:17

      Alberto, Jorge pedoem o Lafayette, pois ele é apenas mais uma vitima que teve os seus direitos a educação lapiados, e como a grande maioria do Brasil não sabe interpertar um texto, por mais simple que seja a linguagem usada.

      Alem do mais se não fosse por pessoas com este tipo de educação o Brasil já teria se livrados de politicos como Maluf, Sarney, Collor entre outros da esquerda e da direita tambem.

    • Jorge 02/10/2009 20:50

      Lafayette,

      Acho que você não leu integralmente o texto ou não o entendeu. Lá está claro que a corrupção não é privilégio do RJ, que está espallhada por todo o território nacional; que é uma prática de séculos no país. Onde você leu que a Olímpiada no RJ vai falir o país? Pior ainda você fala em “inveja de paulista” , quando o jornalista Alberto Helena, paulistano do Brás, confessa o orgulho de ver o Brasil (Rio de Janeiro) sediar os jogos olímpicos. Quando você diz: “coisas muito piores acontecendo , inclusive no campeonato brasileiro”, eu poderia dizer que é inveja de carioca, já que os paulistas estão liderando e são os últimos campeões brasileiros. Mas não vou fazê-lo, prefiro acreditar que você, num momento de euforia, deixou a razão um pouquinho de lado.
      Finalizando, os blogs são para isso mesmo: debater idéias, concordar ou discordar. Não foram criados para que apenas a opinião do “blogueiro” prevaleça. É um canal aberto para que todos manifestem sua opinião. Mas, francamente, educação cabe em qualquer lugar; “cale esta tua matraca” é coisa de…mal educado mesmo.
      Ah…não vamos poder ficar o tempo todo no “frio de São Paulo”…alguém vai ter trabalhar aí no Rio de Janeiro para que as Olimpíadas sejam um sucesso! (Brincadeira, tá? a Olímpiada no Rio será maravilhosas…como a cidade!!!)

    • alberto helenajr 02/10/2009 20:27

      Amigo, se vc leu o que escrevi, seu comentário está defasado. Leia e releia, até entendê-lo.

  4. 1 J. Avellar 02/10/2009 17:51

    Helena:
    Veja pelo lado bom da coisa. É melhor sediar uma olimpiada do que NADA.
    Pelo menos temos o prazer de achar que alguma coisa vai melhorar par o povo , alguma coisa tem que ficar de legado.
    Hoje temos NADA .
    As olimpiadas são (pelo menos) alguma coisa para acreditar .
    Quem sabe atravez do RJ , não venha uma melhoria para todo o Brasil de Norte a sul.
    Eu fico muito contente só em sonhar que sediaremos uma olimpiada.

    Responder
    • nilton 03/10/2009 11:10

      As pessoas mas sensatas, não questiona se vai sobra “algo de bom” pois isto é um fato real, mas sim qual o custo deste “algo de Bom”.
      Eu pessoalmente acho o que vai sobra é uma maior vontade de avança sobre a coisa Publica, pois quando terminarem as obras, vão querer outros bolos para dividirem.

    • alberto helenajr 02/10/2009 20:25

      É isso aí, meu caro. Algo de bom haverá de sobrar disso tudo.

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