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terça-feira, 14 de julho de 2009 Campeonato Brasileiro, Clubes brasileiros, Libertadores, Treinadores | 17:22

CRUZEIRO, NOSSO GUIA

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O Cruzeiro é Brasil, sim senhor, neste confronto com o Estudiantes de La Plata pelo título da Libertadores, no Mineirão. Confesso que me causa náuseas essa mania mais recente de adversários domésticos torcerem contra o time brasileiro que está disputando uma competição internacional. Isso é de uma mesquinharia atroz.

É o nosso Cruzeiro do Sul, guia dos timoneiros sem bússola, um rumo que deveria ser seguido por todos os demais times brasileiros, no sentido de que é um dos raros a preservarem em campo suas identidade histórica.

Basta dizer que, nestas seis décadas em que acompanho o futebol, seja como amante da arte, seja por dever de ofício, não me lembro de um Cruzeiro que não praticasse um jogo técnico, ofensivo, rigorosamente dentro dos ensinamentos da brilhante e vitoriosa escola brasileira.

Não receba, por favor, o amigo estas palavras como fruto de chauvinismo, patriotismo, ufanismo, ou qualquer outro desses ismos que não me tocam nem de longe. É apenas uma constatação.

Não sei se os azuis vão levar a taça, nesta noite de quarta, ninguém sabe na véspera o que esse jogo tão caprichoso nos reserva para o dia seguinte.

Afinal, o Estudiantes é um bom time, que sabe tocar a bola bem ao estilo argentino do toco y me voy, orquestrado por um maestro no meio-de-campo, o eterno Verón.

Mas, desconfio que dá Cruzeiro, com gol de Kléber, o Gladiador, e outro, de despedida de Ramires. Pelo menos, torço, confesso, que assim seja.

DANÇA DO DIABO

Quem acompanha o futebol por um bom tempo não mais se surpreende com essa Dança do Diabo, como intitulou seu antigo livro de memórias o ex-técnico Francisco Sarno.

A surpresa é que, apesar de tantas vagas abertas, treinadores do porte e fama de Luxemburgo, Parreira e Muricy estejam por aí à deriva, assim como o emergente Mancini, que caiu sob uma chuva de ovos, o que me remete à velha máxima lusitana repetida pelo saudoso Oto Glória: sem ovos, não se faz omelete. (Os ovos a que ele se referia eram aqueles que entram em campo, não os que a torcida fez explodir nas janelas do ônibus santista).

A explicação é mais simples do que parece: grana. Grana e um certo desfastio desses técnicos.

Sim, porque os clubes começam a desconfiar que, com o nosso calendário, com tão pouco espaço oferecido ao técnico para treinar adequadamente suas equipes, mais os cofres vazios por tantas razões, o melhor é transferir os vultosos investimentos nos chamados treinadores de ponta para reforçar o elenco, abrindo espaços para interinos ou emergentes que possam tocar o barco mais ou menos da mesma maneira a um custo infimamente menor.

Mas, enfim, isso tudo pode ser apenas circunstancial. Amanhã, o Muricy assume o Santos; Parreira, o Palmeiras; Luxa, o Inter, ou até se associe com um clube de menor expressão, essas coisas, e tudo volta ao normal.

O problema todo é que, com o advento do Brasileirão por pontos corridos, mais o renascimento da Libertadores para nossos clubes (a Copa do Brasil se insere nesse cenário continental), os chamados clubes grandes brasileiros ainda não caíram na nova realidade, muito diferente daquela dos tempos em que os estaduais eram reis.

Naqueles tempos, eram de dois a quatro clubes disputando o título principal da temporada, em cada estado. No máximo, o jejum seria de três anos.

Hoje, são, por baixo, dez clubes dos grandes centros, sem contar as eventuais surpresas, competindo pelo cetro nacional. Pela lei das probabilidades, cada um poderia levar a taça de nove em nove anos. Uma eternidade para nossa cabecinha.

Acrescente aí o risco de rebaixamento, suprema vergonha para os bambambans do pedaço.

Cartola, mídia e torcida nem de longe enxergam as campanhas dos grandes sob essa perspectiva. Ao contrário, se tal clube, que investiu numa comissão técnica de nível e em alguns bons jogadores, não vestir a faixa de campeão, no mínimo, é um fracasso retumbante, mesmo que seja vice.

Só o tempo mudará essa ótica. Se mudar. Enquanto isso, todos continuaremos a seguir os passos da Dança do Diabo.

E AÍ VEM MAIS

Vem aí a décima primeira rodada do Brasileirão, com boas possibilidades de novas cabeças rolarem Ou, de algumas periclitantes se salvarem.

É o caso do interino Jorginho, no Palmeiras. Vai que o Verdão faça bela figura diante do Mengão, no Maracanã, cujo gramado foi destroçado pelo show do Roberto Carlos.

Se o presidente do Palmeiras já começa a acalentar a ideia de mantê-lo até onde der, terá de se render às evidências e soldar a permanência do atual treinador, que, cá entre nós, só precisa de um tempo para provar sua competência.

Afinal, o Flamengo vem muito bem, obrigado, e joga em casa, o que é sempre um grande negócio para os rubro-negros.

Outro que poderá se firmar um pouco mais, no conceito da mídia e da torcida, é Ricardo Gomes, cujo São Paulo vai ao Mineirão pegar nada menos do que o Galo forte, vingador e líder isolado do torneio.

Para tanto, muito contribuirá se o técnico tricolor olhar mais adiante e configurar seu time nos padrões mais modernos, com apenas dois zagueiros e um meio de campo mais ágil e hábil.

E Tite, desse Inter tão decantado no início da temporada e que, além das quedas na Copa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, vem de derrota para o Furacão? Dizem que se u prazode validade vai até o Grenal. Mas, se fizer fiasco diante de um Fluminense acéfalo, na zona do rebaixamento e tal e cousa e lousa e maripousa, sei não se Tite chega até lá.

Por fim, quem não tem que provar nada é Mano Menezes (nem podia ser diferente), que recebe no Pacaembu o Sport, time de campanha mediana no campeonato.

Mas, atenção, pode perfeitamente enfrentar certa turbulência, pois o Corinthians jogará desfalcado de sete titulares, dentre eles, Elias, que o Fenômeno, outra noite, no Bem, Amigos, classificou como o melhor jogador brasileiro da atualidade.

Será a chance de Jucilei, de tantas expectativas, comprovar que está apto a assumir o lugar do titular, um dos cogitados, aliás, para pular pela janela européia de contratações.

Elias, embora tenha jogado muito pouco na derrota por 3 a 0 para o Grêmio, tem sido uma das âncoras do Corinthians, nesta gloriosa campanha do seu time. 

Notas relacionadas:

  1. GRÊMIO E CRUZEIRO NA LIBERTADORES
  2. SPORT E CRUZEIRO NO TOPO
  3. SÃO PAULO, CRUZEIRO E SANTOS
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , , , , ,

326 comentários | Comentar

  1. 6 Fábio 14/07/2009 20:27

    Certíssimo. O Cruzeiro pode sagrar-se tricampeão da Libertadores nesta quarta-feira, feito alcançado apenas pelo todo poderoso São Paulo. Vamos torcer pelo Cruzeiro de Belo Horizonte, rumo à Dubai.

    Responder
  2. 5 LUIZÃO 14/07/2009 20:17

    VAMOS PARAR DE ACHAR QUE TAL TIME É O BRASIL EM QUALQUER COMPETIÇÃO.
    E CLARO E COM RAZÃO QUE QUEM VAI TORCER PARA O CRUZEIRO SÃO OS CRUZEIRENSES, OS OUTROS TORCEDORES VÃO TORCER CONTRA APESAR DE ESTAR UMA BABA PARA O CRUZEIRO.

    Responder
  3. 4 Fernando E. Kallas 14/07/2009 19:04

    Caro Helena,

    Além da camisa azul celeste a mais bonita do Brasil, o futebol praticado pelo Cruzeiro, desde que eu o conheço, é um prazer incomensurável e bonito de se ver. Na verdade é uma arte.
    Isto não quer dizer que com tudo isto a Taça Libertadores esteja já em mãos do Cruzeiro, pois existem vários fatores que podem tirar o brilho desta conquista, e um dos principais será a atuação do trio de arbitragem.
    Pelo jogo, confio mais no Cruzeiro. FORÇA…………….

    Responder
  4. 3 Rafael 14/07/2009 18:58

    Viva ao estudiantes seu pseudo-entendedor de futebol.

    Responder
  5. 2 Nélio L. Campos 14/07/2009 18:02

    Prezado Helena,

    Você realmente é um jornalista sensato. Dos poucos que evita o quanto pode o bairrismo exagerado dos comentaristas e repórteres do eixo maldito.
    Dá-lhe CRUZEIRÃO até o meu último suspiro!!!!!!!!!!!

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  6. 1 Reynaldo Nogueira 14/07/2009 17:42

    Alberto Helena: – Grande lembrança do Cruzeiro, acho que ví um 3X2 do Cruzeiro sobre o Santos de Pelé, no Pacaembú, com Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Pedro Paulo, Rual e outros e o que você disse sobre o Cruzeiro é a pura verdade, pratica sempre o verdadeiro futebol brasileiro. Outra boa foi do Sarno e o que ocorre hoje, não é inveja, mas os professores são altamente remunerados que até quebram os times, que parece que estão começando a perceber, felizmente. Um grande abraço ao mestre da palavra.
    Do corintiano.
    Reynaldo, 66.

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