DE VOLTA AO BRASILEIRÃO
De volta ao Brasileirão, entremeado pelas agonísticas disputas da vaga verde-amarela na decisão da Libertadores, obtida pelo Cruzeiro, e da conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians, apenas um clássico à vista. Mas, um clássico inusitado, pois o líder Atlético Mineiro recebe, em casa, o lanterna Botafogo.
A mesma camisa, em polos opostos. Quer dizer, então que o Galo já levou? Não é bem assim, mas, quase, já que o Bota nada fez até agora para mudar o rumo de seu sombrio destino no campeonato. Mas, sacumé…
O outro líder por pontos ganhos – o Inter – vai ao Recife em busca de uma recuperação, depois da ressaca da perda da Copa do Brasil para o Timão, e da derrota para a LDU, no jogo do Beira-Rio, pela Recopa Sul-Americana.
Vai, porém, à meia-boca, pois espera ainda inverter o resultado, lá nas alturas de Quito, para salvar parte da fé abalada, já que, no início da temporada, era exaltado como o melhor elenco do país, não sem razão.
Assim como o Cruzeiro, de olho na decisão com o Estudiantes pela Libertadores, e ainda em festa pela classificação diante do Grêmio, não deverá colocar no Serra Dourada toda sua força contra o Goiás.
Já o Grêmio precisa mais do que nunca vencer vencer esse jogo no Olímpico, contra o Atlético PR. Para tanto, porém, carece de se reaprumar emocionalmente da batalha perdida para o Cruzeiro, além de encetar uma arrancada no Brasileirão para não entrar em séria crise.
Pelo que vem jogando, me parece, basta a dupla argentina de ataque começar a enfiar nas redes as bolas que Tcheco e Souza lhes servem, até agora em vão.
Quem também precisa da vitória é o São Paulo, diante do Coritiba, no Couto Pereira. Afinal, o tricampeão brasileiro há três meses não vence uma partida fora de casa. Além do que, seria um tijolo a mais na reconstrução desse time, agora sob o comando de Ricardo Gomes, que estreou bem, diga-se.
Reconstrução que se inicia com o restabelecimento do sistema de jogo com dois zagueiros apenas e dois meias, na formação em quatro do meio-de-campo. Poderia avançar mais o treinador tricolor, se ousasse uma formação ainda mais dinâmica, com dois volantes que sabem jogar (tipo, Hernanes e Arouca), três meias (Jorge Wagner, o menino Oscar e Marlos), com Borges, que, pelo estilo se encaixa aos demais no toque de bola.
Não perderia um tostão de combatividade no setor, e ganharia em velocidade e habilidade, os dois quesitos básicos do dito futeol moderno (eterno).
Mas, são apenas os primeiros passos de Ricardo Gomes na direção certa. E, nesses casos, prdência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Por fim, o Palmeiras, ainda com seu técnico interino Jorginho, enquanto Seu Muricy não vem, vai a Florianópolis pegar o Avaí de Silas. Jogo complicado, pois o Avaí precisa desesperadamente sair da situação em que está, e o Palmeiras não pode mais vacilar na busca, ao menos, de um lugar na Libertadores.
E aqui quero fazer um parentêse para falar de Jorginho, ex-meia de talento e lucidez da Portuguesa, do Palmeiras, do Santos, do Galo, entre outros, que não teve, ao longo de sua carreira a projeção devida, há um bom tempo técnico do Palmeiras B.
Já tive com ele longas conversas sobre futebol, e pude captar, então, o seu alto nível de conhecimento sobre futebol, maior até do que muito treinador badalado por aí. Isso, claro, não basta para conferir-lhe status de grande técnico, capaz de assumir o Palmeiras agora. Aliás, ele mesmo declara isso, que ainda é um técnico de futebol em formação. Mas, se a turma bobear, sei não…
POLÍTICA E FUTEBOL
Leio que o presidente do Corinthians, ao visitar o alvinegro ferrenho Lula, em Brasília, no dia seguinte à conquista da Copa do Brasil, ofereceu-lhe apoio do seu clube à candidatura de Dilma Roussef à presidência da República, em troca de apoio do governo federal para a construção de um estádio próprio.
Bem, política e esporte sempre se confundiram, pontualmente, em todos os tempos e quadrantes. Há exemplos clássicos, como aquela imagem do técnico Vittorio Pozzo erguendo o braço, na saudação fascista, depois das conquistas da Itália de Mussolini das Copas de 34 e de 38.
E quem se esquece de Hitler retirando-se emburrado, como se lhe tivessem roubado o brinquedo da hora, da tribuna de honra do estádio Olímpico de Munique, depois de uma das brilhantes vitórias do negro americano Jesse Owens?
A Seleção Húngara, bicampeã olímpica e vice do Mundial de 54, um dos times mais espetaculares da história, era bancada pelo governo húngaro, assim como o Honved, time que lhe servia de base. Da União Soviética, em todos os esportes, assim como Cuba, nem há o que falar.
E a relação incestuosa do ditador Franco com o Real Madri? Em reação, o Barça e a Catalunha são uma só bandeira.
Os mais vividos não haverão de se esquecer da presença do então governador do Estado, Laudo Natel, sentado no banco de reservas a cada jogo do São Paulo nos anos 70, quando seu time renasceu, depois de treze anos de estio durante a construção do Morumbi, em boa parte erguido sobre terrenos cedidos por Adhemar de Barros, ex-governador.
Pra ficarmos com exemplo mais recente, o Botafogo recebeu quase de presente o Engenhão do governo carioca.
No caso atual, não sei como Lula poderá ajudar na construção do estádio-Corinthians, um sonho de décadas. Mas, sei que o atual presidente do Corinthians, representante de uma verddeira nação, não pode, nem deve, empenhar o clube num projeto desses sem antes consultar seus correligionários. Ou seja, a imensa massa de torcedores espalhados por esse Brail sem fundos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro Tags: Andrés Sanchez, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro, Dilma Roussef, Lula
O Lula pode ajudar declarando a verdade: o Panetone é INVIÁVEL.
Estádio porcamente recauchutado pra abrir uma Copa, é vergonhoso.
E seria o fim da picada se o Corinthians apoiasse uma candidatura elitista, visto que é o Time do Povo.
É Lula-Dilma lá, e Coringão e todo lugar!
Brilhante comentário sobre política-esporte. Não é justo o contribuinte pagar a construção de estádio de futebol para qualquer clube do país.
Nelson, então que o São Paulo devolva todo o dinheiro público investido no Morumbi e claro corrigido pela inflação das décadas.
Olá Helena.
Como disse muito bem o professor Dines sobre o equivoco de Lula ao apoiar os Sarneis pensando na herança do PMDB o presidente está se deixando levar pelos Cantos da Sereias também pelo pessoal da MSI e sua turma toda que ainda está inserida lá na marginal s/n.
Se não vejamos.
O Curintia já teve em suas fileiras politicos semelhantes ao Sarnei, caso do Vadhi Helou, que deixou na educação pública aqui em São Paulo seus parentes e amigos, até hoje, que são os atuais velhinhos do Maluf (que também é curintianu). Também teve aquele presidente que gostava de um cavalo, lembra?
Todavia, nesse sistemão conhecido, não basta a grana ou zona de influencia e sim corporação única.
Para se conseguir o que a MSI/curintia quer, é preciso passar por cima da turma do Rio/Flamengo/Petrobrás/CBF, por cima da turma do MDB/Ulisses, do PMDB/Quercia, do PMDB/Temer, etc.,etc.,etc, coisa que nem o Maluf conseguiu tendo em caixa um milhão para cada voto a fim de vencer o Tancredo, meu amigo.
Não se preocupe meu amigo, ninguém vai por grana lá para eles, primeiro porque eles dão com a língua nos dentes, como se está vendo agora e segundo porque o ralo lá é muito grande e terceiro porque esse presidentezinho que está lá é secretário direto do Dualib, o Capo, digno representante da MSI Russa.
De resto, politica sempre existiu em futebol e outros esportes, porém politica coletiva, onde um ato beneficia a todos.
Abraços.
RICARDO.
Eu tenho impressão que não me fiz entender. Até porque concordo com você.Não estou defendendo o SPFC e nenhum outro clube.É tão errado o SPFC ter construido um estádio com o dinheiro do contribuinte quando o Corinthians qquerer fazer o mesmo. Quanto à devolução do dinheiro seria absolumante juto o clube devolver aos cofres publicos o que desviado.
Mas quem disse que o São Paulo construiu o seu estádio com dinheiro público? Isso é um mito propagado por alguns invejosos. Como está no texto, o clube ficou na fila durante 13 anos, exatamente porque os gastos que seriam para o futebol, foram despendidos para a construção do seu estádio. Como comparação, o Maracanã levou 2 anos para ser erguido para a Copa de 50.
Laudo Natel, foi governador APÓS a contrução total do Morumbi, em 1971. O São Paulo teve sim, a doação de parte do terreno (era propriedade da Construtora e Imobiliária Aricanduva do Adhemar de Barros) para o estádio em 1952.
Sr. Helena, falando em Corinthians, este mesmo clube em 1988, ganhou da prefeitura durante a gestão Jânio Quadros, um imenso terreno em Itaquera.
Meu caro Alberto Helena
sempre tão lúcido, o que ocorreu dessa vez?
em conversa com Jorginho o Sr. captou???
sobre a visita do Sr. André S. ao Presidente Lula o Sr. leu??
quem escreveu também captou o que foi dito ou imaginou???
saudação fascista??? x o cenário atual do nosso futebol
seleção húngara???x o cenário atual do nosso futebol
o general Franco??? x o cenário atual do nosso futebol
o Sr. esqueceu de localizar o favorecimento ao SPFC no nosso
peíodo de ditadura militar , imaginar que isso pudesse se repetir
e descrer da sua função de Jornalista…….
hoje, decididamente, com todo respeito, o Sr. viajou!!!!!!
Realmente a inveja da torcida do “curíntia” não tem limites. Como eles não conseguem encontrar argumentos para se defenderem da imensa superioridade são paulina, estão apelando agora para as mentiras mais incríveis. Puro desespero dos nossos concorrentes.
O São Paulo construiu o Morumbi com os seus próprios recursos. A construção do maior estádio particular do Brasil, constitui uma linda história de trabalho, sacrifícios e esperança. Um estádio que expressa as três principais características do São Paulo Futebol Clube: pioneirismo, competência e excelência.
A concretização do Morumbi lançou as bases para todas as grandes conquistas daquele que hoje é o clube mais importante e vencedor do Brasil. Referência do esporte mundial.
Portanto, aconselho a todos que procurem estudar mais e investigar melhor os fatos. O problema é que, salvo raríssimas exceções, os torcedores do “curíntia” não sabem ler e muito menos estudam. rsrsrsrsrsrsrs
UM IMPÉRIO CHAMADO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE
Paulo Egydio era o governador de SP, no período em que o Corinthians saiu da fila de 23 anos. No link abaixo, há uma foto do ex-presidente do Corinthians, Vicente Matheus, reunido com o General Ernesto Geisel, em plena ditadura militar, meados da década de 70.
Desde aquela época, já havia cerimônias de “beija-mão” e lobbys com os homens do poder. Não é de hoje.
VEJAM A FOTO:
http://www.pauloegydio.com.br/acervodigital/FPb0375.04.jpg
O engraçado que todo mundo acha normal essa relação entre clubes e governantes.
Ninguem mais quer se comprometer, se indispor contra alguem com alta popularidade mesmo que isso implique em se calar diante de crimes prescritos na constituição, atentados a moral, ética e democracia.
Foram pouquissimas as vozes por exemplo q indicaram que o corinthians tentou de todo jeito emplacar patrocinio de estatais federais (afinal, o presidente é corinthiano), não conseguiram isso, conseguiram algo melhor: a Perdigão, dona da marca Batavo, decidiu patrocinar o time do presidente sem qualquer alarde, e vejam que coincidencia incrivel: a Perdigão era controlada por fundos de pensão que de fato definiam os futuros da empresa, e que tem seus membros indicados por, q coincidencia, a presidencia do corintiano lula.
Algo parecido com o patrocinio ao Vasco pela Eletrobras, do vascaino presidente da Eletrobras, indicado ao cargo pela bancada carioca do PMDB do vascaino governador carioca puxa saco de lula.
O bem mais valioso do SPFC, sabem qual é? não, não é o Morumbi, mas o TERRENO sobre o qual o estádio se localiza; e q coisa bacana né? o Estado, representado pelo governador bionico são paulino, DEU, isso mesmo, DEU o terreno a uma entidade privada, sem contar isenções de imposto, e material de construção.
Das coisas que mais me incomadam dessa história é a moral do brasileiro médio q acha normal um governante beneficiar o seu time, tal como consideram normal que um dirigente alugue politicamente a imagem de um time em favor de alguma campanha eleitoral em troca de beneficios imorais, anti-democraticos.
O Corinthians teve 100 anos pra construir seu estádio, precisa que um presidente amoral doe um para que eles sejam donos de um estádio??????
Cade a imprensa????
O jornalismo e cronica esportiva se mostra capaz apenas de falar o óbvio, o banal, o desnecessário, o futil. Não tem alcance, interesse, nem calibre para tratar de temas mais amplos.
Vergonha total.
Não é de estranhar que o Corinthians – que já tem duas taças manchadas em sua galeria – tenha o despudor de pedir ajuda ao presidente da república para ter mais benefícios.
Taças manchadas, sim: a de 2005 e a de agora, da Copa do Brasil. Todos nós sabemos que ambas foram obtidas com a ajuda desavergonhada da trupe do apito.
Pois, quem se vangloria com taça manchada é capaz de outras corruptelas mais…
Prezado Helena,
Gostaria de dividir uma opinião com você, embora fuja um pouco deste tema muito bem escrtio. Ouvi agora há pouco na rádio Globo nacional um comentário de um jornalista que trabalha na Globo de São Paulo dizendo que o jogo do Corísthians com o Fluminense será na quarta-feira, a pedido do time paulista por causa do desgaste das finais da Copa do Brasil e que isso talvez nem tivesse partido do time paulista e sim da TV porque o jogo CRUZEIRO X ESTUDIANTES de La Platta pela final da Taça LIBERTADORES de América não interessava para o eixo Rio – São Paulo. Agora, me diga, quando é um time paulista ou carioca, passa para o Brasil inteiro, porque o time é de MINAS, não interessa para outras praças? Por que é que ficam nos empurrando jogos de paulistas e cariocas guela a baixo? Nós, mineiros, gaúchos, paranaenses e alguns outros estados estamos cansados desta imprensa bairrista. O CRUZEIRO é o BRASIL na LIBERTADORES e deveria ser muito mais louvado uma vez que foi uma situação criada na raça e não no apito, como em grande parte das vezes que clubes paulistas e cariocas chegam às finais.
Obrigado a todos.
Em Portugal,o Benfica tornou-se um grande clube devido ao apoio da ditadura,por oposição o meu Porto sempre foi um clube prejudicado pelo regime…
Falou bobagem Marcelo Alvez. Desinformado ou mal-intencionado?
1º O São Paulo comprou parte do terreno, e a outra ganhou de uma entidade particular: Construtora e Imobiliária Aricanduva em 1952. O bairro do Morumbi e cercanias, se valorizaram muito depois, mas quando o São Paulo chegou ali, o que tinha na região além de um imenso descampado?
2º Ditadura militar e governador biônico? Nos anos 50? Cala a boca, asno. O São Paulo concluiu mais da metade do estádio em 1960. Ditadura militar e governador biônico? Não seja estúpido. E outra, Laudo Natel tornou-se governador só em 1971, após a construção total do Morumbi (que durou quase 15 anos).
3º Isenção de impostos e material de construção também é fruto da sua imaginação fértil e ordinária. Debata, mas não seja desonesto! E pra mim, chega de jogar pérolas aos porcos…
Não me surpreenderia se a Lula se engajasse nessa empreitada. Afinal, este tipo de atitude é típico dos politicos brasileiros (desde os representantes dos municípios até o chefe dos executivos). Quanto ao comentário feito por ti, achei que foi muito brando, como se dissesses que não concorda, mas que também é normal se acontecesse. Lamentável.
Caro Alberto Helena Júnior: – Sou corintiano, e achei oportuníssimo seu comentário, apesar dos vários exemplos das coisas horríveis, inclusive do famoso “nosso tempo”, Mussolini, Franco e coisa e tal, ARGH. É necessário colocar a distância adequada de uma coisa e de outra, o resto são manifestações sempre empolgadas, etc.
Uma grande abraço e continue nos brindando com suas belíssimas análises.
Reynaldo, 66