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quinta-feira, 2 de julho de 2009 Copa do Brasil | 15:33

A ESCOLHA CERTA

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Por Milton TrajanoTudo, na verdade, começou com a ousada escolha do estilo de jogo que o Corinthians deveria adotar para a disputa da Segunda Divisão do Brasileirão do ano passado.

Os clichês estampavam um modelo único, aquele que se traduzia assim, em palavras: Segundona é coisa de macho, que exige muita raça e pouca técnica.

Pois bem, Mano Menezes escolheu o caminho inverso e montou um time essencialmente técnico, num claro 4-3-3, tão desprezado pela imensa maioria dos nossos treinadores, o que confere ao time, dependendo da escolha dos jogadores, uma ofensividade muito maior do que esse ramerrão que anda por aí no futebol brasileiro há tanto tempo.

Pego como exemplo o meia Douglas, canhoto hábil e inteligente, desses que encantam pelo toque de bola, pelo passe arriscado, cujo nome, se posto à mesa, de 99 por cento dos nossos treinadores, provocará um esgar seguido do inevitável: ah, mas não marca ninguém.

Pois, Douglas foi o principal articulador de um time que jogou com dois beques de área, dois laterais ofensivos, um volante de ofício (Cristian), outro mais versátil (Elias) e três atacantes.
Assim, o Corinthians levantou a taça com um brilho e uma folga jamais vista até então.

No início do ano, Mano recebeu um presente que, para muito treinador brasileiro, seria de grego: Ronaldo Fenômeno, uma incógnita absoluta, mais problema latente do que solução técnica.

Ronaldo integrou-se, recuperou-se o suficiente para ser decisivo na campanha pelo título paulista, e a expectativa de que ainda produzirá muito mais segue em alta.

Nesse momento, Douglas machuca-se, volta reticente ao time, alterna boas e más partidas, reacendendo o velho vezo aos meias de habilidade. Qualquer outro técnico, o teria defenestrado. Mas, Mano manteve Douglas no time, até que o jogador conseguisse se reabilitar. Assim como manteve seu esquema faceiro, como dizem alguns, ofensivo, porém, equilibrado, por isso mesmo. A ponto de ser uma das defesas menos vazadas do país, e um ataque altamente positivo, além dos títulos conquistados.

Todo mundo se deliciou com a serenidade com que o Corinthians driblou em campo todas as pressões exteriores no Beira-Rio.
O fato é que o equilíbrio emocional baseou-se, sobretudo, no equilíbrio técnico e tático da equipe. Na capacidade de alternar o ritmo de jogo de acordo com as circunstâncias. No conjunto de um time que joga junto praticamente desde que Mano assumiu o seu comando.

Sim, claro, individualidades se sobressaíram, de Felipe a Dentinho. Todos tiveram seus momentos de brilho nessa campanha gloriosa. Mas, Jorge Henrique e Dentinho foram emblemáticos.

Explico: ambos, atacantes natos, jogadores de porte e estilo leves, romperam o velho chavão de que os avantes brasileiros, por cultura insuperável, não sabem marcar, nem têm disposição para tanto.

Trata-se de outro estúpido preconceito, gerado pelo medo dos nossos treinadores de arriscarem um sistema mais ofensivo, para garantir seus empregos, com aquela legião de beques e volantes de contenção.

Enfim, mais do que ganhar dois títulos importantes em seis meses, o grande mérito desse Corinthians é ter sinalizado para um novo (eterno) rumo para o futebol brasileiro, onde não há mais lugar para frases feitas, conceitos superados, medos e retrancas.

A não ser para os que pensam pequeno, apesar da grandeza dos clubes que dirigem.

Notas relacionadas:

  1. DECISÕES NA COPA DO BRASIL
  2. TIMÃO, INTER E VASCO
  3. DECISÃO E PRESSÕES
Autor: Alberto Helena jr. Tags: , ,

65 comentários | Comentar

  1. 5 Paulo 02/07/2009 18:44

    O MERITO DAS FRANGAS FOI TER ASSUMIDO O TIME PEQUENO QUE ELES SEMPRE FORAM, ASSIM JOGAM COMO TIME PEQUENO, ASSUMIRO DE VEZ, ESSE E O SEGREDO DOS PEQUENOS, JOGAR COMO PEQUENO, MAS NAO ESQUECEMOS QUE LIBERTADORES E PRA TIME GRANDE, SOMENTE POR ISSO QUE ELAS NUNCA CHEGARAM NEM EM SEMI FINAL DO TORNEIO, A HISTORIA MOSTRA ISSO.

    Responder
  2. 4 Daniel 02/07/2009 18:39

    Mandou bem Helena! Abs!

    Responder
  3. 3 Gamberto 02/07/2009 17:29

    Fácil, extremamente fácil !
    O título mais fácil que vi o Todo-Poderoso ganhar !
    O Paulistão foi mais dificil!

    E o pior e´que disseram que iamos enfrentar o melhor time do Brasil. me desculpe mas o melhor do Brasil é sem dúvidas o Todo-Poderoso Corinthians Paulista !

    O manto sagrado nem vai precisar ser lavado … os jogadores nem suaram !
    Saudações Corinthianas

    Responder
  4. 2 Daniel 02/07/2009 17:19

    Boa, Helena!

    Viva o Coritnhians e viva o futebol brasileiro!

    Responder
  5. 1 Ricardo 02/07/2009 15:44

    Lindo texto !!!

    Resume claramente o que é o Corinthians na era Mano e o que sempre foi nos seus tempos de glorias.

    Futebol brasileiro é assim, jogado pra frente, com ousadia, dribles, gols e não com essas retrancas que temos visto nesses ultimos anos, salvo algumas raras excessões.

    Parabens novamente…..e não é porque sou Corinthiano e sim porque sou amante do futebol brasileiro.

    Abçs

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