Questão cultural
Magnífica a entrevista de Deco no Arena Sportv do Cleber Machado, na última sexta-feira. Entre outras coisas, porque tocou num ponto crucial: a questão cultural que leva certos times a oferecerem espetáculo mais luminoso do que outros, como, por exemplo, o seu Barcelona (esqueça, por favor, o jogo de sábado, que foi uma horrenda exceção), embora todos, claro, busquem o resultado.
O Barça sempre foi e será um time ofensivo, que privilegia o toque de bola, o envolvimento, a arte de jogar bola. Pois, isso é uma exigência de sua torcida, da mídia catalã, de qualquer que seja seu dirigente principal. É o ar que se respira em Barcelona, seus museus, suas catedrais, suas ramplas festivas, as ruelas medievais do Bairro Gótico, tudo isso inspira uma visão mais estética do jogo.
Mas, não é só o Barça. São vários os times e seleções que preservam a própria identidade cultural com suas respectivas comunidades, pois o futebol, como a vida os povos e os indivíduos , é feito de diferenças, embora na essência sejamos todos iguais.
Não existe um futebol eruopeu, um estilo europeu de jogar bola, como não existe um futebol sul-americano, um estilo sul-americano. Lá, eles jogam assim, aqui, assado, como é comum ouvirmos e lermos na mídia brasileira. Essa visão primária, plastificada, reduzida e pobre do futebol – fruto de pura ignorância – cada vez mais se entranha na cultura brasileira.
E cada vez mais vai apagando os traços mais marcantes da nossa própria cultura futebolística, transformando nosso jogo lúdico, luminoso, criativo, ofensivo, num rosto informe e opaco – um clone de coisa alguma.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria Tags: