04/07/2009 - 16:42
De volta ao Brasileirão, entremeado pelas agonísticas disputas da vaga verde-amarela na decisão da Libertadores, obtida pelo Cruzeiro, e da conquista da Copa do Brasil pelo Corinthians, apenas um clássico à vista. Mas, um clássico inusitado, pois o líder Atlético Mineiro recebe, em casa, o lanterna Botafogo.
A mesma camisa, em polos opostos. Quer dizer, então que o Galo já levou? Não é bem assim, mas, quase, já que o Bota nada fez até agora para mudar o rumo de seu sombrio destino no campeonato. Mas, sacumé…
O outro líder por pontos ganhos - o Inter - vai ao Recife em busca de uma recuperação, depois da ressaca da perda da Copa do Brasil para o Timão, e da derrota para a LDU, no jogo do Beira-Rio, pela Recopa Sul-Americana.
Vai, porém, à meia-boca, pois espera ainda inverter o resultado, lá nas alturas de Quito, para salvar parte da fé abalada, já que, no início da temporada, era exaltado como o melhor elenco do país, não sem razão.
Assim como o Cruzeiro, de olho na decisão com o Estudiantes pela Libertadores, e ainda em festa pela classificação diante do Grêmio, não deverá colocar no Serra Dourada toda sua força contra o Goiás.
Já o Grêmio precisa mais do que nunca vencer vencer esse jogo no Olímpico, contra o Atlético PR. Para tanto, porém, carece de se reaprumar emocionalmente da batalha perdida para o Cruzeiro, além de encetar uma arrancada no Brasileirão para não entrar em séria crise.
Pelo que vem jogando, me parece, basta a dupla argentina de ataque começar a enfiar nas redes as bolas que Tcheco e Souza lhes servem, até agora em vão.
Quem também precisa da vitória é o São Paulo, diante do Coritiba, no Couto Pereira. Afinal, o tricampeão brasileiro há três meses não vence uma partida fora de casa. Além do que, seria um tijolo a mais na reconstrução desse time, agora sob o comando de Ricardo Gomes, que estreou bem, diga-se.
Reconstrução que se inicia com o restabelecimento do sistema de jogo com dois zagueiros apenas e dois meias, na formação em quatro do meio-de-campo. Poderia avançar mais o treinador tricolor, se ousasse uma formação ainda mais dinâmica, com dois volantes que sabem jogar (tipo, Hernanes e Arouca), três meias (Jorge Wagner, o menino Oscar e Marlos), com Borges, que, pelo estilo se encaixa aos demais no toque de bola.
Não perderia um tostão de combatividade no setor, e ganharia em velocidade e habilidade, os dois quesitos básicos do dito futeol moderno (eterno).
Mas, são apenas os primeiros passos de Ricardo Gomes na direção certa. E, nesses casos, prdência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Por fim, o Palmeiras, ainda com seu técnico interino Jorginho, enquanto Seu Muricy não vem, vai a Florianópolis pegar o Avaí de Silas. Jogo complicado, pois o Avaí precisa desesperadamente sair da situação em que está, e o Palmeiras não pode mais vacilar na busca, ao menos, de um lugar na Libertadores.
E aqui quero fazer um parentêse para falar de Jorginho, ex-meia de talento e lucidez da Portuguesa, do Palmeiras, do Santos, do Galo, entre outros, que não teve, ao longo de sua carreira a projeção devida, há um bom tempo técnico do Palmeiras B.
Já tive com ele longas conversas sobre futebol, e pude captar, então, o seu alto nível de conhecimento sobre futebol, maior até do que muito treinador badalado por aí. Isso, claro, não basta para conferir-lhe status de grande técnico, capaz de assumir o Palmeiras agora. Aliás, ele mesmo declara isso, que ainda é um técnico de futebol em formação. Mas, se a turma bobear, sei não…
POLÍTICA E FUTEBOL
Leio que o presidente do Corinthians, ao visitar o alvinegro ferrenho Lula, em Brasília, no dia seguinte à conquista da Copa do Brasil, ofereceu-lhe apoio do seu clube à candidatura de Dilma Roussef à presidência da República, em troca de apoio do governo federal para a construção de um estádio próprio.
Bem, política e esporte sempre se confundiram, pontualmente, em todos os tempos e quadrantes. Há exemplos clássicos, como aquela imagem do técnico Vittorio Pozzo erguendo o braço, na saudação fascista, depois das conquistas da Itália de Mussolini das Copas de 34 e de 38.
E quem se esquece de Hitler retirando-se emburrado, como se lhe tivessem roubado o brinquedo da hora, da tribuna de honra do estádio Olímpico de Munique, depois de uma das brilhantes vitórias do negro americano Jesse Owens?
A Seleção Húngara, bicampeã olímpica e vice do Mundial de 54, um dos times mais espetaculares da história, era bancada pelo governo húngaro, assim como o Honved, time que lhe servia de base. Da União Soviética, em todos os esportes, assim como Cuba, nem há o que falar.
E a relação incestuosa do ditador Franco com o Real Madri? Em reação, o Barça e a Catalunha são uma só bandeira.
Os mais vividos não haverão de se esquecer da presença do então governador do Estado, Laudo Natel, sentado no banco de reservas a cada jogo do São Paulo nos anos 70, quando seu time renasceu, depois de treze anos de estio durante a construção do Morumbi, em boa parte erguido sobre terrenos cedidos por Adhemar de Barros, ex-governador.
Pra ficarmos com exemplo mais recente, o Botafogo recebeu quase de presente o Engenhão do governo carioca.
No caso atual, não sei como Lula poderá ajudar na construção do estádio-Corinthians, um sonho de décadas. Mas, sei que o atual presidente do Corinthians, representante de uma verddeira nação, não pode, nem deve, empenhar o clube num projeto desses sem antes consultar seus correligionários. Ou seja, a imensa massa de torcedores espalhados por esse Brail sem fundos.
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03/07/2009 - 00:23

A decisão começou nervosa, num Olímpico fremente, com muitas faltas de lado a lado. Mas, logo o Grêmio assomou o meio-campo, acuou o Cruzeiro no campo adversário e foi acumulando chance sobre chance de gol, em vão. Parte, pela impotência de sua dupla de ataque - os argentinos Maxi López e Herrera. Parte, pelas precisas intervenções do goleiro Fábio. Sem contar o pênalti em Herrera, não assinalado pelo juiz.
O Cruzeiro, por sua vez, era o anti-Cruzeiro: recuado em demasia, tenso, mal conseguia fazer a bola passar da linha divisória do campo. Cadê aquele toque-toque, aquele jogo envolvente, leve e veloz de praxe? Nem sombra disso.
Mas, o Cruzeiro ainda tinha um trunfo na manga: Kleber, o Gladiador. E foi justamente ele quem deu o tom para o resto da partida e da competição, ao executar uma passagem genial pela direita, concluindo com passe medido para Wellington Paulista abrir a contagem, já tão favorável aos mineiros, aos 34 minutos.
E, na sequência, enquanto o Grêmio tentava assimilar o golpe, Jonathan cruza da direita para Wellington Paulista, desta vez de cabeça, sepultar qualquer esperança do inimigo.
O Tricolor gaúcho voltou de fronte erguida para o segundo tempo e chegou ao empate, com Rever, de cabeça, em cobrança de córner, e Souza, com tiro exato e traiçoeiro de fora da área.
Nessas alturas, o Grêmio já havia perdido Adilson, expulso, e o Cruzeiro, com a entrada de Thiago, recuperou em parte seu habitual toque de bola, o suficiente para levar o jogo até o fim sob a proteção da vantagem de três gols na contagem agregada das duas partidas.
Assim, temos o Cruzeiro nas finais da Copa Libertadores. Nada mais justo. Não apenas pela bela campanha dos mineiros na competição. Mas, sobretudo, porque é um time que valoriza o bom futebol, embora disso tivéssemos apenas alguns traços na partida do Olímpico.
Por fim, ao Gladiador, a coroa de louros, pela força que imprime a seu jogo, mas, sobretudo, pela técnica, que se esmera a cada dia.
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02/07/2009 - 15:33
Tudo, na verdade, começou com a ousada escolha do estilo de jogo que o Corinthians deveria adotar para a disputa da Segunda Divisão do Brasileirão do ano passado.
Os clichês estampavam um modelo único, aquele que se traduzia assim, em palavras: Segundona é coisa de macho, que exige muita raça e pouca técnica.
Pois bem, Mano Menezes escolheu o caminho inverso e montou um time essencialmente técnico, num claro 4-3-3, tão desprezado pela imensa maioria dos nossos treinadores, o que confere ao time, dependendo da escolha dos jogadores, uma ofensividade muito maior do que esse ramerrão que anda por aí no futebol brasileiro há tanto tempo.
Pego como exemplo o meia Douglas, canhoto hábil e inteligente, desses que encantam pelo toque de bola, pelo passe arriscado, cujo nome, se posto à mesa, de 99 por cento dos nossos treinadores, provocará um esgar seguido do inevitável: ah, mas não marca ninguém.
Pois, Douglas foi o principal articulador de um time que jogou com dois beques de área, dois laterais ofensivos, um volante de ofício (Cristian), outro mais versátil (Elias) e três atacantes.
Assim, o Corinthians levantou a taça com um brilho e uma folga jamais vista até então.
No início do ano, Mano recebeu um presente que, para muito treinador brasileiro, seria de grego: Ronaldo Fenômeno, uma incógnita absoluta, mais problema latente do que solução técnica.
Ronaldo integrou-se, recuperou-se o suficiente para ser decisivo na campanha pelo título paulista, e a expectativa de que ainda produzirá muito mais segue em alta.
Nesse momento, Douglas machuca-se, volta reticente ao time, alterna boas e más partidas, reacendendo o velho vezo aos meias de habilidade. Qualquer outro técnico, o teria defenestrado. Mas, Mano manteve Douglas no time, até que o jogador conseguisse se reabilitar. Assim como manteve seu esquema faceiro, como dizem alguns, ofensivo, porém, equilibrado, por isso mesmo. A ponto de ser uma das defesas menos vazadas do país, e um ataque altamente positivo, além dos títulos conquistados.
Todo mundo se deliciou com a serenidade com que o Corinthians driblou em campo todas as pressões exteriores no Beira-Rio.
O fato é que o equilíbrio emocional baseou-se, sobretudo, no equilíbrio técnico e tático da equipe. Na capacidade de alternar o ritmo de jogo de acordo com as circunstâncias. No conjunto de um time que joga junto praticamente desde que Mano assumiu o seu comando.
Sim, claro, individualidades se sobressaíram, de Felipe a Dentinho. Todos tiveram seus momentos de brilho nessa campanha gloriosa. Mas, Jorge Henrique e Dentinho foram emblemáticos.
Explico: ambos, atacantes natos, jogadores de porte e estilo leves, romperam o velho chavão de que os avantes brasileiros, por cultura insuperável, não sabem marcar, nem têm disposição para tanto.
Trata-se de outro estúpido preconceito, gerado pelo medo dos nossos treinadores de arriscarem um sistema mais ofensivo, para garantir seus empregos, com aquela legião de beques e volantes de contenção.
Enfim, mais do que ganhar dois títulos importantes em seis meses, o grande mérito desse Corinthians é ter sinalizado para um novo (eterno) rumo para o futebol brasileiro, onde não há mais lugar para frases feitas, conceitos superados, medos e retrancas.
A não ser para os que pensam pequeno, apesar da grandeza dos clubes que dirigem.
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02/07/2009 - 00:16
E o Corinthians, que saiu lá da Segundona em fulminante carreira, de passagem, levou o título paulista e chegou para levantar a cobiçada Copa do Brasil, garantindo sua participação na Liertadores do próximo ano.
E levantou a taça diante do poderoso Inter, em pleno Beira-Rio, num jogo em que o Timão deu as cartas no primeiro tempo, meteu dois gols, com Jorge Henrique e André Santos, e deixou de ampliar com Ronaldo, cara a cara com Lauro.
No segundo, o Inter partiu para o tudo ou nada, empatou com Alecsandro, e depois virou bagunça, o que, no fim, favoreceu mais o visitante do que o mandante.
Enfim, a taça não poderia estar em melhores mãos.
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01/07/2009 - 15:19
O Grêmio teve a melhor campanha entre os brasileiros na Libertadores até esta fase. Mas, o Cruzeiro passou por provas mais difíceis e leva para o Olímpico uma vantagem considerável, embora não definitiva, colhida no jogo do Mineirão.
Outro detalhe importante: o Tricolor gaúcho, sob recente comando de Paulo Autuori, passa por um processo de transformação esquemática – saiu do sistema com três zagueiros para o com dois, o que me parece um avanço. Isso, contudo, parece, detonou uma crise em que o ala Ruy passou a ser o pivô, a ponto de ser afastado da equipe. Não joga nesta quinta, e pode até ser dispensado.
Sem um lateral-direito de ofício, já que a alternativa Joílson foi descartada, o técnico terá de improvisar o zagueiro Thiego naquela posição, o que significa uma opção intermediária, que tanto pode dar certo quanto errado.
Além do mais, o Grêmio tem dificuldades evidentes lá na frente, onde a dupla de argentinos não está dando conta do recado. O Grêmio cria, mas não faz. Em contrapartida, terá a impulsioná-lo aquela massa azul delirante, o que não é pouco, creia.
Quanto ao Cruzeiro, organizado a mais tempo, cultivando um jogo de toques e envolvimento, só precisa atravessar a barreira dos nervos para saltar à final da Copa Libertadores. Não vai ser fácil.
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30/06/2009 - 15:50
E aí, amigo, temeroso pelo que possa acontecer no Beira-Rio nesta noite de quarta, por conta das pressões do Inter sobre a arbitragem?
Sim, falo sobre essas coisas, tipo DVD exibido pelo cartola colorado Fernando Carvalho, selecionando erros de arbitragem que favoreceram o Corinthians, é uma bobagem, todos sabemos, pois exemplos desses podem ser editados favorecendo ou prejudicando qualquer time do Brasileirão, quiçá do mundo.
Só não podemos prever os efeitos que isso poderá causar nos ânimos já exacerbados da fervorosa torcida colorada e, sobretudo, no jovem juiz da partida, Ricardo Marques, cujo currículo não é muito animador, apesar de ser árbitro-Fifa. Tanto, que já foi devidamente guardado na geladeira, depois de algumas lambanças logo no começo do campeonato.
Torço para que as torcidas se comportem civilizadamente e que o juiz resista a qualquer pressão e erre o menos possível, pois o confronto entre Inter e Corinthians, na decisão da Copa do Brasil, vem cercado de um valor bem mais alto – a força das duas equipes, que praticam um futebol ofensivo e equilibrado nos três setores, nas regras da arte.
O Timão leva para o Beira-Rio uma vantagem significativa, mas não definitiva, e tem em Douglas, Elias, Dentinho, Ronaldo Fenômeno e Jorge Henrique um quinteto afiado e perigoso, perfeitamente capaz de buscar aquele gol que eventualmente desmontaria de vez o adversário.
Já o Inter, com Nilmar de volta ao ataque, ao lado de Taison, e apoiado por Guiñazu, Magrão, D’Alessandro e Andrezinho, suponho, que ocuará a vaga do menino Sandro, é lépido e incisivo o suficiente para virar o jogo de ponta-cabeça.
Tecnicamente, portanto, se equivalem. Nesse caso, imagino, ganhará quem melhor souber controlar os nervos.
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29/06/2009 - 15:27
Foi, sim, uma vitória épica, essa do Brasil sobre os EUA. Pelo desenrolar do jogo, não pela dimensão das forças em confronto.
Explico: se o Brasil metesse 3 a 0, como o fez no jogo da fase de grupos da Copa das Confederações, não haveria nem um traço épico nessa vitória, dada a imensa diferença histórica e técnica entre os dois times.
Épico, porém, não significa excelência técnica. Nesse aspecto, o Brasil não cumpriu - a não ser em breves momentos do segundo tempo - seus altos desígnios. Foi muito mais guerreiro, determinado do que qualquer outra coisa. Claro que esse atributo é também essencial, mas jogar bola, esse, sim, é o nosso destino.
Mas, virar um placar de 2 a 0 contra, numa decisão qualquer, nas condições em que isso ocorreu, com o adversário inteiro até o final, sem pênaltis ou gols ilícitos (ao contrário: aquela bola de Kaká entrou e o juiz não deu), é, sem dúvida, um feito épico.
Mas, passando de pato a ganso - e, neste momento, estou vendo três patinhos brancos deslizando no regato que banha meu jardim, como a saudar a vitória brasileira -, então, quer dizer que já temos o time da Copa e que Dunga está mais firme do que as Muralhas da China no comando da Seleção?
Bem, a não ser que advenha uma catástrofe irremediável, Dunga selou sua passagem para a Copa do Mundo, não apenas pela conquista da Copa das Confederações, com cinco vitórias - uma delas, sobre a Itália, campeã do mundo, mas, também, pela reação nas Eliminatórias nos jogos que precederam a ida à África do Sul.
Quanto ao time, não há nenhuma garantia, pois, até lá, sempre haverá a possibilidade de lesões, queda acentuada de rendimento deste ou daquele jogador, aparecimento súbito de um craque desses que estão acima de qualquer suspeita e tal e cousa e lousa e maripousa.
Esse time mesmo já teve bons e maus momentos, mesmo no curso das vitórias recentes. Isso faz parte. Mesmo porque há outros fatores, além dos técnicos e táticos, que contribuem para tanto - cansaço, falta de tempo para treinamento adequado, má fase deste ou daquele jogador etc.
Mas, digamos, como um exercício de imaginação, que essa turma toda chegue na Copa do Mundo nos trinques, o que ficará ainda faltando? Estou convencido de que falta uma alternativa tática confiável para quando as coisas não correrem do jeitinho que a gente gosta.
Na defesa e no ataque, não há muito o que se cogitar: os últimos convocados se suprem na medida do necessário. Mas, no meio-de-campo é que a porca torce o rabo. Há volantes demais e meias de menos.
Não custa nada Dunga trocar dois ou três volantes por dois ou três meias habilidosos. Vai que precisa, não é mesmo?
MURICY RETICENTE
Não tenho conversado com Muricy nos últimos tempos, apesar de vizinhos aqui em Ibiúna, onde ele descansa e reflete sobre seu futuro. Desconfio que ele anda agastado comigo, o que lastimo mas entendo. Afinal, passei, por baixo, este ano e meio pedindo para que Muricy mudasse o braço da viola, escapasse daquele círculo de giz que ele mesmo riscou ao seu redor, fixando-se num sistema que tornava seu time previsível, repetitivo e sem brilho.
A propósito, alguns internautas me cobram coerência: como, depois de tantas críticas, venho aqui condenar a demissão de Muricy do São Paulo?
Poderia, simplesmente, responder-lhes como o sábio: coerência é apanágio dos idiotas. Mas, não o farei, pois, não é esse o caso: ao mesmo tempo em que critiquei a postura tática inflexível do São Paulo de Muricy, antes mesmo, muitos anos atrás, venho repetido que se trata da maior vocação para técnico de futebol de que me lembro nas últimas décadas.
Uma coisa é o sistema adotado por Muricy; outra coisa é seu potencial como treinador de futebol, sua honradez, sua disposição de trabalhar de sol a sol na montagem de uma equipe, seus conhecimentos sobre os segredos do futebol, esse jogo tão simples em toda a sua complexidade.
O fato é que passei agora pouco pela frente do seu condomínio e me deaprei com uma fila de pretendentes aos seus serviços técnicos que atravessava a estrada.
Qual o clube que não quer Muricy, tricampeão brasileiro?
O primeiro a saltar na frente foi o Palmeiras, que, aliás, só se desfez de Luxemburgo, o mais vitorioso técnico brasileiro, depois que soube que Muricy estava na praça.
Muricy, porém, está reticente: aceita ou não aceita o convite? Pediu uns dias para pensar.
Num prato da balança está o pudor de assumir o grande rival do São Paulo, clube que está entranhado na sua alma simples e direta. No outro, o desejo da família de que ele continue mesmo por aqui, na rota São Paulo-Ibiúna-Guarujá.
Ora, se Muricy estivesse pensando em trocar o São Paulo pelo Palmeiras por vontade própria, por uma oferta irrecusável etc., esse sentimento de lealdade se justificaria plenamente. Mas, não é o caso. Muricy foi simplesmente defenestrado do Morumbi. Logo, ninguém poderia condená-lo por aceitar uma oferta do Palmeiras nessas circunstâncias.
O homem, porém, é a soma de seus desejos e hábitos, muitas vezes conflitantes. E o que Muricy gostaria mesmo, lá no fundo, era suspirar feito Greta Garbo: Leave me alone!
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28/06/2009 - 21:44
O clássico carioca não foi apenas oxo, como costumava dizer meu amigo Walter Abrahão na falecida TV Tupi de São Paulo. Foi, sobretudo, xoxo, ops, chocho. Havia o apelo da despedida de Thiago Neves do Flu e da presença do Imperador no Fla. Dupla frustração: Neves jogou muito abaixo do que é capaz e Adriano perdeu um gol na pequena área de fazer inveja àquele ex-rubronegro célebre.
Já o clásico paulista esteve alguns pontos acima no quesito vibração, mas sem nenhum brilho especial. Foi um jogo dividido em dois tempos. No primeiro, o Palmeiras teve o controle da bola e dos espaços, e fez seu gol… isso mesmo, com Obina aproveitando rebote de Douglas em tiro esperto de CCleiton Xavier. No segundo, o Santos voltou melhor, com Robson no lugar de Neymar, e chegou ao empate justamente com Robson, num melê na área verde.
OS GAÚCHOS
Destaque mesmo nessa roada, em termos individuais, foi Bolaños, que passou dentro da concha sua breve passagem pela Vila, autor dos três gols do Inter, na vitória sobre o Coritiba, o que abafou no nascedouro o grito da galera (”É Muricy”) e confirmou o Colorado na vice-liderança, posição excepcional com o time jogando a maioria das partidas com seus reservas.
Já o outro gaúcho - o Grêmio, também com seu time misto - levou de 3 a 1 do Sport na Ilha do Retiro. Mas, atenção: até a expulsão de Jonas, autor do gol gremista, o Tricolor gaúcho estava melhor na parada. A partir daí, o Leão mostrou suas garras, partiu pra cima e, já na prorrogação plantou os números finais no placar. E olhe que Elder Granja perdeu o gol do campeonato ao preferir cavar pênalti - passou por quatro, pelo goleiro e se atirou.
OLHE SÓ O BARUERI!
Isso mesmo: olhaí o Barueir, em quarto lugar na tabela. E vale dizer que não chegou ali impulsionado pelo vácuo, não. Chegou, metendo 4 a 2 no líder Galo.
Grande vantagem, dirá o baiano rubronegro: afinal o Vitória está em terceiro, e ninguém fala nada? É verdade: brilhante campanha do Vitória, sob o comando de Carpeggiani, que andava meio escondido nos últimos tempos.
Mas, calma, vamos esperar um pouco que a jornada é longa e pedregosa.
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28/06/2009 - 17:48

Foi uma vitória épica e uma conquista exemplar do Brasil na África do Sul. Conquista exemplar porque conquistamos a Copa das Confederações ganhando todos os jogos, alguns deles, com folga e apresentando bom futebol. E uma vitória épica porque os EUA, fazendo jus à tradição que marca estes confrontos, deu-nos um sufoco inusitado, ao disparar logo de cara, dos 9 aos 27 minutos do primeiro tempo, 2 a 0, gols de Dempsey e Donovan, seus dois melhores jogadores, por sinal.
E o Brasil, ali, com a bola nos pés, sem saber o que fazer com ela, até que, ao raiar da etapa inicial, aos 46 segundos, Luís Fabiano recebe na entrada da área, mata e gira de canhota para reduzir o placar e, aí, sim, colocar nossa Seleção no jogo.
E veio o gol de Kaká, que nem bandeirinha, nem juiz deram. Em seguida, as mudanças que mudaram a fisionomia do nosso time – as entradas de Dani Alves no lugar de André Santos e de Elano, no de Ramiores. Meio perdido entre ir e vir.
Kaká, então, aos 29, carregou pela esquerda, cruzou para Robinho emendar na trave, e, na recarga, Luís Fabiano, de cabeça, empatou o jogo que Lúcio desempataria em cabeceio certeiro na cobrança de córner de Elano.
Justo prêmio para o capitão e sempre presente Lúcio, um dos maiores zagueiros de nossa história.
Enviado por: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Seleção Brasileira
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27/06/2009 - 15:46
Quer saber, meu amigo? Preferia que o nosso adversário na decisão da Copa das Confederações fosse Espanha ou Itália, menos esses EUA que aí estão.
Isso mesmo: um time com muito mais tradição do que os americanos, que jogasse o jogo, o que sempre nos dá a vantagem das individualidades mais refinadas e decisivas.
Esse time americano, porém, parece uma máquina desenvolvida em Detroit, destinada a não deixar o adversário jogar, mesmo porque carece de jogadores de alta qualidade. Tirando-se aí Dempsey e Donovan, descole o amigo um outro que tenha algo mais a oferecer.
Ah, mas passamos por ele, na fase de grupos, com facilidade, no placar e no jogo jogado: 3 a 0. É verdade, mas, agora, eles vêm ainda mais determinados, aplicados, envoltos na bandeira americana e inspirados nas palavras de Obama - aquele patriotismo único que fazem os americanos hastearem a bandeira nacional em cada casa dos subúrbios, de norte a sul do país.
Além do mais, parecem estar mais descansados do que os nossos, quase todos em fim de temporada, o que nos torna presa mais fácil à marcação cerrada e dobrada que certamente exercerão. Vide o jogo com a África do Sul, quando não conseguimos escapar ao pertinaz combate dos adversários.
Sim, porque, nesses casos, para fazermos prevalecer nossas técnica e habilidade superioras, é preciso que a turma da frente, sobretudo, se movimente muito, mesmo sem a bola. Haja gás para isso.
Apesar de tudo, mesmo se for um jogo chato, cansativo, emprenhado, sou muito mais Brasil.
A QUEDA DE LUXA

Claro que a demissão de Luxemburgo, na madrugada de sábado, não se deveu apenas à suposta quebra de hierarquia nas palavras explodidas pelo técnico em entrevista em que a negociação de Keirrison com o Barça era o foco, embora o discurso de Luxa tivesse excedido ao tom natural nessas circunstâncias.
A verdade, desconfio e posso estar equivocado, é que o desgaste de Luxemburgo no Palmeiras já havia atingido um ponto de saturação.
Em primeiro lugar, porque os resultados obtidos, comparados ao volume do investimento no técnico e sua comissão de auxiliares, e mesmo ao currículo excepcional do treinador, vinha sendo muito inferior à expectativa.
Em segundo lugar, porque é insuportável para a cartolagem ouvir e ler todos os dias que Luxemburgo mandava prender e mandava soltar no Parque, a seu bel prazer. Por mais equilibrado e comedido que seja o dirigente, chega uma hora que isso fere muito mais do que qualquer coisa.
Mas, o diabo era se livrar de um vencedor nato como Luxemburgo numa hora dessas. Pois, deu-se a conjunção, quando Muricy levou um pé nos fundilhos do São Paulo.
Muricy passou a ser o objeto de desejo de vários grandes do Brasil, dentre eles o Internacional, em crise técnica, o Flamengo, com quem Cuca mantém um relacionamento atado a um fio muito tênue etc. A hora, então, era essa, antes de Muricy subir num barco do qual, todos sabem por sua biografia, que só desembarcará ao final do contrato, ou se for demitido, fato raro em sua carreira.
O problema é que Muricy passa a sensação de estar um tanto abalado ainda - menos pela demissão em si, e mais pelo fato de o São Paulo, nas suas mãos, neste primeiro semestre, não ter dado sinais claros de recuperação.
Aliás, saiu do Morumbi dizendo que queria mesmo era descansar por uns tempos, o que é muito compreensível, para quem vem numa balada de conquistas, desde o Sport, São Caetano, Inter e São Paulo.
Resta, pois, à direção do Palmeiras convencê-lo, acenando-lhe com algo que realmente o comova, a ponto de voltar imediatamente à ativa. Seria muito bom para ambos.
Quanto a Luxemburgo, se o Inter fizer aquele sinalzinho do dedo indicador voltado pra dentro, indo e vindo, também seria uma boa solução, imagino. Somaria um elenco de escol a um técnico de alta competência, coisa bem a gosto de Luxa.
Por fim, a saída de Keirrison para o Barça era inevitável, já que essa possibilidade estava tramada antes mesmo de o craque se transferir do Coritiba para o Palmeiras. Tanto, que constava do contrato de K-9 com o Verdão como uma cláusula específica.
Acho que é cedo para um salto desses. Mas, quem sabe?
ESTRÉIA DE RICARDO GOMES
Na estréia de Ricardo Gomes no lugar de Muricy, o São Paulo foi outro, diante do Náutico. Não apenas por ter vencido com o placar de 2 a 0, gols do zagueiro Rolt, de cabeça, em cobrança de falta de Hernanes, que marcou o segundo, também de falta, com desvio do zagueiro do Timbu.
É que, jogando com apenas dois zagueiros, e três volantes, o time ficou um pouco mais equilibrado, e, embora tenha sofrido contragolpes perigosos do Náutico, manteve melhor fluência na saída para o jogo e criou maior número de chances para abrir a contagem.
Melhorou ainda mais depois das entradas dos meias Jorge Wagner e Oscar, o que provocou a volta de Hernanes a seu lugar ideal - segundo volante.
Sim, levou duas bolas nas traves e meteu uma, mas, pelo menos, mudou o braço da viola.
SURPRESA
A grande surpresa desta rodada de sábado, sem dúvida, foi a derrota do líder Atlético Mineiro para o Barueri, na casa do inimigo: 4 a 2, quem diria?
E olhe que o Galo, depois de sofrer dois gols no início - um deles, em falha do goleiro Aranha, ao tentar devolver com os pés bola pressionada pelo atacante do Barueri -, chegou ao empate, com dois pênaltis convertidos por Diego Tardelli. Mas, a expulsão do beque Wesley e a determinação dos jogadores do Barueri acabaram por decretar a goleada no finalzinho da partida.
Assim, o Galo perdeu a invencibilidade, mas não perdeu a liderança.
Já a derrota do Corinthians para o Furacão, na Arena da Baixada, não chega a surpreender ninguém.
Afinal, Mano Menezes escalou todo o time reserva, além do banco, poupando seus principais jogadores para a decisão da Copa do Brasil diante do Inter.
Com magnífica cobrança de falta de Paulo Baier, o Atlético PR livrou-se da lanterna. Por enquanto. E o Timão segue ali rondando o G-4, o que não é mau negócio.
Enviado por: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Seleção Brasileira, Treinadores
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