25/11/2009 - 16:50
‘…, pero que las hay, las hay!”
Não creio nas teorias conspiratórias – essas que correm de boca em boca entre imensa massa de torcedores -, ou seja: um plano bem arquitetado, nascido lá em cima na cabeça de alguma figura sinistra, envolta nas sombras dos bastidores da CBF, cujas artimanhas escorrem por intrincados labirintos até chegarem ao campo de jogo, favorecendo este ou prejudicando aquele.
Mas, creio, sim, em manipulação de resustados, suborno de juízes, de técnicos, de jogadores, e todas essas mutretas que a história do futebol registra até com certa abundância.
Ainda outro dia, tivemos o caso Edílson, que, embora uma averiguação dos jogos por ele apitados, segundo alguns, não sugerisse manipulação, foi comprovado, sem réstia de dúvida, que o famigerado elemento, para usar um jargão policial, estava mancomunado com um site de apostas com o fito de forjar resultados, se necessário.
Agora mesmo, a Uefa está investigando uma rede de corrupção no futebol daquele continente englobando vários países, sobretudo do Leste Europeu, que, com a pulverização do regime comunista, propiciou a criação de fortunas imensuráveis, de origem nebulosa, para dizer o mínimo, logo carreadas para o futebol, transformado em mega máquina de lavagem de dinheiro multiplicado à margem da lei.
Até tu?
Nesse rolo está o Honved, clube criado pelo Ministério dos Esportes da Hungria, na virada dos anos 40/50, para servir de quartel general àquela Seleção Magiar encantada de Puskas, Czibor, Kocsis, Hiddegukti e tantos outros craques inesquecíveis.
Eram os tempos do amadorismo marrão por trás da Cortina de Ferro. Oficialmente, era proibido o jogador receber salário para jogar bola.
Então, o governo transformava-os em funcionários públicos. Puskas, por exemplo, que nunca empunhou um canivete sequer, levava nos ombros a patente de coronel do Exército Húngaro, recebendo o estipêndio correspondente ao seu grau na hierarquia militar de seu país.
Hoje, não. Hoje, o futebol é esse macro indústria de espetáculos, que gera e gira montanhas de dinheiro, circulando por sofisticada rede de interesses os mais diversos possíveis: vai desde a área da construção à indústria de materiais esportivos, passando pela TV, pela comercialização de jogadores e de cartões de crédito, bancos, o diabo a quatro.
Obviamente, a grande maioria desses negócios é legítima, caso contrário, o mundo estaria mergulhado no caos absoluto, um planeta deserto de leis e fiscais. Apesar de todas as nossas mazelas, não é assim. Prova disso, a ação em curso pela Uefa.
Prêmio Golbery
Mas, em qualquer setor onde role tanta grana, medra a cupidez que pode levar à malandragem e todas as consequências de hábito.
Quanto a nós, fico aqui imaginando a quem convém a presente situação do Brasileirão: há duas rodadas do seu final, quatro candidatos diretos ao título, mais dois, indiretos. Se era pra beneficiar este ou aquele clube, a situação era para estar decidida já há algumas rodadas, que diabo! Mas, se o objetivo era criar essa situação inédita na história do nosso futebol, então, precisamos descobrir esse misterioso gênio do mal, capaz de orquestrar tão refinada trama, envolvendo meios de comunicação, a juizada, o STJD, a CBF e até os gandulas.
Descobrindo-se tão astuto personagem, haveríamos de conceder-lhe o Prêmio Golbery de Maquiavelismo Tapuia.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
24/11/2009 - 15:44
Se o estado anímico, moral da tropa, nervos, seja lá como queira o amigo definir essa sensação impalpável mas tão perceptível no rolar da bola, passa a ser decisiva neste instante final do campeonato, o Inter voltou à cena da disputa com essa vantagem: é o que colheu o fruto mais doce da última rodada, e, claro, pode surpreender na reta final.
Mas, se assim fosse, era de se esperar que o Flamengo tivesse massacrado o Goiás no Maracanã, e não conseguiu mais que um empate sem gols.
Aliás, o caso do Inter talvez seja o mais emblemático – tido e havido, com toda razão, um dos favoritos no início do torneio, por causa de seu elenco de primeira, quando mais se apostava nas suas chuteiras, refluía, e, quando era descartado, renascia, como agora.
Na verdade, este Brasileirão tem sido tão errático e imprevisível, que podemos chegar à última rodada com São Paulo, Flamengo, Inter e Palmeiras empatados todos com o mesmo número de pontos, fato absolutamente inédito no nosso futebol, quiçá, no mundo. Mesmo porque, além desses quatro, os mineiros Galo e Raposa, na planilha dos números, também podem levantar a taça, numa reviravolta – das tantas – nestas duas últimas rodadas.
Na média
O que, porém, construiu esse cenário incrível? Certamente, não foi uma excelência ímpar dos postulantes ao título. Isto é: quatro esquadrões excepcionais que se nivelaram por cima, arrasando todos os adversários até à chegada derradeira. Nada disso. Ao contrário: a sensação que se espalhou entre mídia e torcida em geral é a de que ninguém quer ser campeão, tantos os tropeços deles todos em momentos cruciais de definição do panorama do campeonato.
Mas, então, será pela altíssima qualidade dos demais dezesseis participantes do certame que se transfiguraram e passaram a ser um osso mais duro de roer? Também não, pelo que se pôde verificar ao longo de todo o campeonato.
Há, sim, um nivelamento técnico entre os piores e os melhores colocados na tabela, nem por baixo, nem por cima, simplesmente, na média. Tanto, que a diferença de pontos conquistados entre os últimos e os primeiros é relativamente pequena, se levarmos em conta que uma vitória vale por três empates.
Quer dizer: se um time ganhar uma, perder outra e empatar a terceira somará um ponto a mais do que aquele que conquistar uma série invicta de três jogos empatados.
Líder e lanterna
O São Paulo, líder ainda, com as maiores possibilidades de obter o feito histórico, talvez jamais alcançável, do tetra seguido, pois leva um ponto de vantagem sobre o Flamengo, nem de longe pode ser considerado um timaço, desses que servem de base à Seleção Brasileira e tal e cousa e lousa e maripousa, como vários que ostentou no passado. E o Sport, já rebaixado, nem de longe pode ser considerado um timinho, fadado ao descenso pela própria natureza, pois ainda outro dia estava na crista da onda, disputando Libertadores e outros bichos.
Por tudo isso, é praticamente impossível prever o desdobramento das duas rodadas restantes.
OS MELHORES
Dunga anunciou, no Museu do Futebol, a lista tríplice dos melhores do campeonato, prêmio a ser conferido pela CBF, ao fim do Brasileirão. Há distorções claras em vários agrupamentos, tipo Diego Souza e Cleiton Xavier disputando a mesma posição, quando todos sabem que ambos dividem funções diferentes no seu Palmeiras. É o caso, também, de Sandro e Guiñazu, do Inter.
Este ano, pela primeira vez, não recebi da CBF o formulário. E se fosse escalar meu time, nestas alturas de tantas indefinições, seria este: Marcos; Vítor, André Dias, Miranda e Júlio César (Goiás); Hernanes, Diego Souza, Pet e Marquinhos (Avaí); Diego Tardelli e Adriano.
Quanto ao melhor técnico, meu coração balança entre Andrade, que comandou com simplicidade e talento a arrancada recente do Fla, e Paulo Silas, o timoneiro de um Avaí desacreditado que tirou seu time da lanterna para brigar por uma vaga na Libertadores. Já o craque da galera, cravo seco em Petkovic.
FLU NAS ALTURAS
O Fluminense vive uma situação inusitada. Pela primeira vez, no Brasileirão, passou a depender apenas dele mesmo para escapar do rebaixamento, depois de prodigiosa arrancada, a partir da volta de Fred ao time; mas, justamente agora, na hora H, tem de se deslocar para as alturas de Quito, em busca de um resultado que lhe permita sonhar com a conquista da Copa Sul-Americana, no jogo de volta, no Maracanã. Imagine o desgaste que sobrevirá para os dois jogos que lhe restam no Brasileirão…
ERREI, SIM…
Peço mil desculpas aos leitores e telespectadores do Bem, Amigos pelo erro de interpretação em relação ao gol do Botafogo. Não percebi que o cruzamento havia sido disparado pelo mesmo Jobson que colheu, assim, o rebote da zaga tricolor, em posição legalíssima.
E já paguei um preço alto, levando um baile do meu querido Arnaldo César Coelho em público, baile que aplaudo com prazer.
Acontece. E acontecerá, não tenham dúvidas, pelo qual já peço perdões futuros.
Por essas e outras é que procuro ver com olhos o mais desarmados possíveis, as lambanças e acertos da juizada nestes campos do infinito futebol.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
22/11/2009 - 22:17
![fla0x0goias[1]](http://colunistas.ig.com.br/albertohelenajr/files/2009/11/fla0x0goias1.jpg)
Bem, se esse jogo com o Botafogo era a chave para o São Paulo chegar ao título, no fim das contas deste domingo, o Tricolor conseguiu a proeza de seguir líder, mesmo perdendo, graças ao empate do Flamengo em casa com o Goiás e a derrota do Galo para o Inter, no seu terreiro do Mineirão.
Aliás, quem mais saiu aliviado ao cabo desta rodada, na verdade, foi o Palmeiras, que viu reacender uma ponta de esperança, depois de já ter jogado a toalha em relação à disputa de campeão.
O fato é que, no Engenhão, tivemos um jogo incrível, disputado sobre o fio da navalha e cheio de alternâncias. Ora, era o Botafogo que jogava melhor e conseguia seu gol, logo aos 14 do primeiro tempo, com exímio disparo de Jobson de fora da área; ora era o São Paulo, que passava a dominar, empatando e virando o placar, com Washington e Jorge Wagner, sem tempo para celebrar, pois, na recarga, o Glorioso empatou novamente com Renato, com participação discutível de Jobson – o atacante estava em posição de impedimento, quando a bola lhe veio ricocheteada para ser lançada a Renato, que, de cabeça, concluiu.
Houve, então, a expulsão de Richarlyson, e, no finalzinho, Jobson, o nome do jogo, desempatou, logo após Hernanes meter uma bola trave (a segunda do São Paulo).
Enfim, um jogo emocionante, cujo resultado tirou o Botafogo da zona do rebaixamento e manteve o Tricolor na liderança, embora nada esteja garantido neste campeonato dos tropeções.
Já o Flamengo, que perdeu a chance de pular para o topo da tabela, numa arrancada fulminante neste segundo turno, o que lhe daria a vantagem de só depender de si nas duas rodadas restantes, frustrou a imensa e festiva galera que lotou o Maracanã, pelas mesmas razões que vêm fazendo os demais candidatos ao título tropeçarem tanto: a ansiedade de vencer, que desvia o passe, o chute e o foco da melhor alternativa para a jogada certa.
O Goiás, movido ou não por estímulos extras, jogou pra valer, marcou muito bem e soube explorar essa ansiedade rubro-negra em várias pontadas perigosas, do início ao fim da partida.
Além do mais, no instante em que o Flamengo deveria apresentar todas as suas armas, lá pela metade do segundo tempo, cansou, como, aliás, vem ocorrendo nas suas últimas apresentações.
Sobretudo, seus principais jogadores, dentre eles, claro, o mais veterano, Petkovic. É natural, mas pode vir a ser fatal nas duas rodadas restantes do campeonato.
LÁ FORA
O jogo foi espetacular. No primeiro tempo, o Cagliari começou melhor, abriu a contagem, o Milan virou e tomou o empate, antes de revirar tudo com um golaço de Pato, em assistência genial de Ronaldinho, que ampliou de pênalti, para o Cagliari diminuir mais tarde: 4 a 3.
Mas, mais do que os sete gols num futebol atavicamente avaro nesse quesito, vale ressaltar o singelo fato de que Leonardo está recolocando o Milan na linha de sua história: um time mais solto, ofensivo, criativo, o que explica o crescimento de Ronaldinho e Pato, que estão jogando o fino.
Outro dia, o veterano Del Piero, lídimo herdeiro de Rivera, Sandrino Mazzola, Baggio e outros meias históricos do futebol italiano, declarou que a Itália sem Totti não é a Itália. Pois, Totti voltou à Roma diante do Bari, marcando nada menos do que três gols.
Não, nunca espere de Totti um lance a La Ronaldinho, em que a habilidade supere a lógica. Mas, a exemplo de Del Piero, é um jogador de técnica irrepreensível no passe, na visão de jogo, e, sobretudo no remate a gol. Sem dúvida, a Itália sem Totti não é a Itália.
No Campeonato Inglês, a disputa vai se polarizando entre o líder Chelsea e o vice Manchester United. Ambos venceram sues jogos deste fim de semana: o Chelsea goleou o Wolverhampton por 4 a 0, enquanto os Diabos Vermelhos batiam por 3 a 0. O Chelsea dá a impressão de mais compacto, mas o Manchester é o Manchester, e muita água ainda vai rolar nesse eterno Tâmisa.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Sem categoria
Tags: Botafogo, Campeonato Italiano, Flamengo, Goiás, Milan, Palmeiras, Pato, Ronaldinho, São Paulo, Totti
21/11/2009 - 22:07
Se o Náutico conseguir escapar da queda, esta noite de sábado entrará para os anais do clube, pois, terá sido o ponto de inflexão para a fuga desejada.
A revirada alvirrubra, gente, no finzinho do jogo, quando o placar parecia já definido a favor do Corinthians, foi simplesmente uma comoção, coisa de arrepiar, uma Batalha dos Aflitos ao inverso. Com um jogador a menos, diante de um Corinthians que havia virado o jogo para 2 a 1 e acumulava chances de gols perdidos, na casa do adversário, o Náutico foi lá, e, em três pontadas, revirou o placar para 3 a 2.
Ah, mas não foi pênalti a falta decisiva da partida, de Escudero em Aílton, que começou a ser agarrado antes da risca da área, dirá o amigo alvinegro. Tenho minhas dúvidas, depois de várias repetições na tv, se a ação faltosa do zagueiro corintiano não se estendeu para além da risca. Na dúvida, pró-ataque, como reza a cartilha de i9nstruções da IB.
O fato é que o bandeirinha, o componente da arbitragem mais próximo do lance e com melhor visão, não teve dúvidas: cal!
Quanto ao Timão, que fez um primeiro tempo sem nenhuma inspiração, melhorou muito no segundo, sobretudo com as participações de Ronaldo, que fez um gol, deu o passe para o segundo e perdeu duas chances (uma, cara a cara com o goleiro) claras para ampliar.
Mano tem muito que manejar esse tipo até achar o ponto ideal para pegar a libertadores com possibilidades de levantar a taça intercontinental pela primeira vez na história do clube.

Escudero mantém "média" de cartões (Charge de Milton Trajano)
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Corinthians, Náutico
19/11/2009 - 20:38
Leio que o menino Maurício chorou depois daquele entrevero com Obina.
Talvez, ainda mais comovido pelo fato de a diretoria verde ter dado um basta na vida dos dois no Parque. Atitude, cá entre nós, impensada e impensável, partindo de uma turma, em geral, muito equilibrada, apesar das recentes diatribes do presidente Belluzzo contra o juiz Simon.
Tudo bem: a diretoria até poderia chegar a essa decisão. Mas, não sem antes esfriar a cuca e consultar todos os interessados – comissão técnica, jogadores etc. Mesmo porque nem Obina, nem Maurício têm um histórico de indisciplinas no clube e até mesmo na carreira.
Resumindo, baixou a Calábria no Palestra Itália, quando mais conveniente seria ter baixado a Sicília, onde a vingança é sempre um prato a ser digerido frio.
E OS OUTROS?
Bem, cabe a São Paulo, Flamengo, Galo e Inter manterem-se eretos na rodada deste fim de semana, pois mais um tropeção e o Palestra volta à cena, já um tantinho revigorado, talvez na esperança de que alguém lá em cima esteja velando por ele.
Dizem por aí que, no tocante a São e Paulo e Flamengo, a tarefa mais árdua é a do Tricolor que terá de vencer o desesperado Botafogo lá no Engenhão, entre outras coisas, porque jogará desfalcado de cinco titulares.
Pode ser Aliás, acho até muito provável. Mas, é sempre bom lembrar que a grande vantagem do São Paulo neste campeonato é ter um elenco muito equilibrado: nenhum craque de linha desses de arrancar suspiros, mas todos bons jogadores, titulares e reservas, o que lhe confere a regularidade, razão principal de sua liderança.
Quanto ao Mengão, que pega um Goiás, em queda livre, apesar da última vitória, leva a vantagem de jogar num Maracanã delirante, sob o empuxe daquela torcida inigualável. Isso, sem falar em Pet, Adriano e cia.
Mas, depois de tudo que vi até agora no campeonato, sigo sem arriscar nenhum palpite.
TRIBUTO Á RAÇA NEGRA
Esta quinta é feriado, Dia da Raça Negra. Então, permita-me, neguinha, prestar um singelo tributo a esses negros e mulatos maravilhosos que nos encantaram campos afora com seu talento inexcedível, escalando uma seleção de todos os tempos que vi em ação: Dida ou Barbosa. Djalma Santos, Luís Pereira, Aldair e Leovigildo Júnior. Bauer, Zizinho e Pelé; Garrincha, Leônidas da Silva e Canhoteiro.
Isso, sem falar na legião de tantos outros, imensos craques, como Didi, Tesourinha, Coutinho, Edu, Paulo César Caju, Jairzinho, o Furacão da Copa, Luís Pereira, Ademir da Guia, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Romário etc.
Claro que estou deixando de fora alguns monstros sagrados de nossa história que não cheguei a ver jogar, a não ser, eventualmente, em alguma seleção de veteranos, como é o caso de Domingos da Guia, o Divino. Pude vê-lo, ainda menino, defendendo a Seleção Brasileira, em 53, num Campeonato Sul-Americano de Veteranos, realizado no Pacaembu, em 1953.
Domingos não foi apenas, segundo os relatos da época e o testemunho impecável de alguns contemporâneos, simplesmente único. Não só pela bola que jogava. Mas, também, por impor sua negritude sobre os cartolas da época, um gesto singular num tempo em que ainda se ouviam o tilentar das correntes na Senzala disfarçada de urbanidade. Fenômeno semelhante ao a tra´gica figura de Fausto, a Maravilha Negra, que morreu jovem, de tuberculose, praticamente em campo.
E, sim, Arthur Friedenrech, esse mulato de olhos verdes, filho de um comerciante alemão e uma cozinheira negra, primeiro ídolo nacional,que reinou no futebol brasileiro durante vinte anos, nas primeiras décadas do século passado, sem o apoio de uma rede de comunicações como a de hoje, com fidalguia e talento incomparáveis.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Campeonato Brasileiro, Maurício, Obina, Palmeiras
19/11/2009 - 00:21

A ida do Palmeiras ao Olímpico só não foi uma tragédia sem par porque o Grêmio, do início ao fim do jogo, parecia disposto tão somente a preservar sua longa invencibilidade em casa: fez 1 a 0, com Rafael Marques no finzinho do primeiro tempo, e completou o placar com Max Lopes aos 22 minutos do segundo, quando o Verdão estava com apenas nove jogadores, já que Obina e Maurício, ao cabo da etapa inicial, trocaram sopapos em campo.
Mas, se não foi uma tragédia, acabou sendo uma catástrofe. E nem me refiro especificamente à briga dos dois jogadores palmeirenses. Pois, antes disso, durante todo o primeiro tempo, onze contra onze, o Verdão parecia inteiramente desmobilizado. Jogava sem aspiração, muito menos inspiração. Parecia estar ali pelo meio da tabela, garantindo uma vaga na Sul-Americana e olhe lá!
O sempre plugado Muricy caminhava na beira do gramado com uma expressão vazia, de quem não já havia jogado a toalha.
Ora, o Palmeiras, se já abdicou da luta pelo título, tem é de se desdobrar para não perder a vaga na Libertadores, já que vem gente atrás com sede e fome em busca dessa primazia. Remontar esse time, a partir da alma destroçada, com tantos desfalques, não vai ser mole, meu.
FLUBELÊ!
Esse time está mesmo encantado. Talvez não consiga escapar do rebaixamento no Brasileirão. Mas, se isso for mesmo inevitável, cairá de fronte erguida e alma lavada pela extraordinária recuperação nas últimas rodadas do campeonato nacional, e, sobretudo, pela heróica virada sobre o Cerro Porteño num Maracanã iluminado, o que levou o Tricolor à final da Copa Sul-Americana.
E olhe que Fred, o artilheiro implacável dos últimos tempos, perdeu dois gols que não perde jamais. Marcaram, no finzinho do jogo, Gum e Alan, depois de passar o tempo todo perdendo por 1 a 0.
Beleza, Flu.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana
Tags: Fluminense, Palmeiras
18/11/2009 - 21:45
Há dois, três anos, a arbitragem tomou a cena do futebol brasileiro, e a coisa só piora, de ano a ano, criando um campo cinzento paralelo ao verde, onde a bola não rola, só as suspeitas de todos.
Não há nada pior do que suspeitas cingindo um jogo, por si só já tão imprevisível. Sim, porque a simples suspeita de que o juiz de plantão errou não por falha humana e sim por alguma conspiração em andamento nos bastidores, extrapola as dúvidas sobre cartolas, jogadores, mídia e todos os demais componentes do universo do futebol.
Claro, a figura do juiz ladrão chegou com Charles Miller e as duas primevas bolas de capotão. É centenária, pois. Mas, sempre houve um limite para a aceitação tácita e expressa da ação dessa personagem.
Já houve mil mutretas, envolvendo suborno de juiz, de jogadores e até mesmo de membros da mídia, com raras comprovações reais, passíveis de punição, seja pelos tribunais esportivos, seja pela opinião pública.
Mas, nunca chegamos ao ponto atual, onde a turma toda já parte do princípio de que tudo está devidamente arranjado, mesmo que esse arranjo varie de torcida para torcida.
São tantas as armações sugeridas, que praticamente ninguém escapa.
E, na verdade, não há um fio da meada que você possa puxar para, pelo menos, criar um cenário verossímil nesse sentido. São todas pontas soltas, cujas junções sugerem mais paranoia do que racional composição.
De certo mesmo temos que a arbitragem brasileira, tecnicamente, está num nível muito baixo, errando muito, seja por falta de competência, seja por conta da pressão extraordinária que a cerca.
Solução? Há várias: a instintuição de mais árbitros ou auxiliares em posições estratégicas no campo; a permissão do uso da TV para dirimir dúvidas atrozes, todas essas coisas seriam bem-vindas. Mas, com ou sem esse apoio extra, o árbitro brasileiro, evidentemente, carece de melhor preparo físico, mental e técnico.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Charles Miller, STJD
18/11/2009 - 21:41
Portugal e França passaram pelo buraco da agulha e, finalmente, chegaram à África do Sul. Com um gol de Meirelles, Portugal bateu a Bósnia, na casa do inimigo, mesmo placar obtido em terras lusitanas dias atrás. E a França teve de penar diante de sua torcida para empatar com a Irlanda, na prorrogação, com um gol vergonhosamente ilegal de Gallas.
No gol da França, aos 13 minutos do primeiro tempo da prorrogação, Henry ajeitou a bola com a mão esquerda, descaradamente, e cruzou para Gallas concluir de cabeça. Um escândalo, a comprovar que não é só aqui que os juízes cometem erros colossais. Na verdade, se o amigo espiar bem o lance, verá que a infração só poderia ser vista por um outro bandeirinha que corresse deste lado do campo, pois o árbitro e o auxiliar do outro lado não tinham visão plena da jogada. Ou, então, o óbvio: se o juiz pudesse recorrer às câmeras de TV. O fato é que tanto Portugal quanto França cumpriram pálidas Eliminatórias e precisam melhorar muito se quiserem fazer boa figura na Copa.
Nem vale discutir se justa ou injusta a decisão do tribunal que suspendeu o trio tricolor por três jogos, justamente a conta para o final do campeonato. Pois, são tantos os meandros e as armadilhas do código que cada um pode interpretá-lo a seu modo. O que vale mesmo é discutir se esse modelo de justiça esportiva no futebol já não está superado há anos.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional
Tags: Copa do Mundo, Eliminatórias, França, Portugal
17/11/2009 - 15:26
Quem esperava um massacre brasileiro em Mascate, cujo nome ilustra bem a presença da nossa Seleção naquela cidade, quebrou a cara. Foram modestos 2 a 0, gols de Nilmar, que vai se firmando no grupo para a Copa, e do zagueiro árabe, contra, ao ser apertado na área por Hulk, a grande novidade da equipe, no segundo tempo.
Parte, porque a Seleção de Omã não é tão cega de bola como se imaginava por aqui. Parte, porque nosso time não revelou interesse suficiente para emplacar uma goleada, embora tenha perdido várias chances, assim como os árabes, diga-se. Ambos esbarraram, sobretudo, no bom desempenho dos dois goleiros.
Basta dizer que Kaká, a estrela da Cia. Amarela, só entrou em cena nos últimos minutos do primeiro tempo, para deixar definitivamente o campo no intervalo.
E é aqui que a porca torce o rabo: no seu lugar entrou Júlio Baptista, a antítese de Kaká: a força no lugar do talento.
Aliás, várias foram as substituições feitas por Dunga no segundo tempo, mas nenhuma incluiu o nome de Alex, ex-Inter, o mais indicado para conferir um tantinho de criatividade no nosso meio de campo tão carente desse atributo essencial.
Mas, enfim, como o que vale, nestes tempos bicudos, é o resultado, nosso time soma mais uma vitória num ano pródigo em bons resultados.
Cuco e ferrolho
No clássico de Carol Reed, O Terceiro Homem, o genial Orson Welles, no papel do nefando Lime, imortalizou a frase: “Em quinhentos anos de democracia, a única contribuição da Suiça à humanidade foi inventar o cuco”.
Acrescento: inventou também o ferrolho – essa retranca que subsiste até hoje no nosso futebol sob vários disfarces.
Finalmente, só agora, os suíços conseguiram romper essa barreira ganhando o Mundial de 17, de cabo a rabo, eliminando Brasil e outros mais cotados. Belê!
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Futebol internacional, Seleção Brasileira
Tags: amistoso, Mundial Sub-17, Nilmar, Seleção Brasileira, Suíça
16/11/2009 - 15:32

São Paulo, Flamengo ou Palmeiras, quem vai levar a taça, ao cabo das três rodadas que faltam para o apito final do Brasileirão?
Dos três, o único que pode alcançá-la sem olhar para mais ninguém é o Tricolor paulista. Aos outros dois, resta torcer pelo tropeço tricolor e vencer os jogos que lhe cabem.
Isso, grosso modo, porque infinitas são as possibilidades de fracassos e êxitos desses três times na briga pelos nove pontos restantes.
Assim como tedioso e inútil é tentar garimpar maiores ou menores dificuldades nos jogos que a tabela reserva para cada um, num campeonato tão nivelado como este, em que os aparentemente fracos criam forças diante dos aparentemente fortes e vice-versa, meu endereço, como me sussurra da varanda a estátua em papel machê de mestre Adonirã Barbosa.
Nestas alturas do campeonato, é tudo pedreira, porque a tensão extrema precede a entrada dos times em campo e, bola rolando, ela pode ser fatal.
Sobra-me, pois, uma única alternativa de análise, aquela que indica para os quesitos técnico e anímico.
Neste aspecto, o Palmeiras é o que me parece mais fragilizado nesse momento. Empatou um jogo que deveria ter e caiu, numa só rodada, da liderança para a terceira posição. Isso abala, cara. Mais ainda porque o time vem jogando mal há várias rodadas.
Contudo, se Muricy puder injetar ânimo novo na equipe e escalar o que tem de melhor, o Verdão continuará no páreo.
Já o Flamengo, dos três, é o que vem em disparada desde lá debaixo, neste segundo turno, praticando um futebol de primeira. Some-se a isso a força de sua torcida, que se espalha por esses brasis afora, delirante, e, então, o bicho pega.
Tecnicamente, é o que está jogando o melhor futebol, embora o Tricolor tenha dado sensíveis sinais de melhora na vitória sobre o Vitória. E, pela experiência de seu grupo tricampeão brasileiro, pode muito bem espantar o temor natural que invade a caça nesta reta final de perseguição.
Traduzindo: o São Paulo, pelos pontos de vantagem, O Flamengo, pelo futebol que está jogando, embora revele certo cansaço na segunda etapa, e o Palmeiras, já mais distante, pela possibilidade de jogar inteiro, nessa ordem, podem levantar a taça, é claro.
Vai apenas depender de quem tropece, onde e quando, neste campeonato dos tropeções históricos.
SIMPLESMENTE ANDRADE
Não há dúvida de que o ponto de inflexão desse Flamengo foi a entrada em cena, de surpresa, do meia Petkovic. Com ele em campo, Adriano, outro destaque do time, passou a jogar mais e está fazendo a diferença, como artilheiro do campeonato.
Assim como a recuperação de Zé Roberto, a chegada de Maldonado e a fixação do menino Airton e de Álvaro lá atrás contribuíram decisivamente para a prodigiosa arrancada do Mengo.
Mas, por trás disso tudo, esconde-se, em sua proverbial modéstia, a figura de Andrade, um dos mais completos volantes da história do nosso futebol, que tanto marcava com eficiência como sabia jogar com elegância e talento, naquele Flamengo inesquecível do começo dos anos 80.
Andrade não tem aqueles arroubos de chefe cheio de verdades, próprios dos nossos treinadores, ainda que iniciantes, nada disso. Apenas, tem a sabedoria de olhar o futebol com a clareza da simplicidade, esse atributo tão sofisticado que para os simplórios metidos a inteligentes soa como demérito, falta de sintonia com os tempos modernos, essas baboseiras todas.
Simplesmente, Andrade deu apoio àqueles que ele julgava capazes de responder positivamente em campo; armou sua equipe sob o sistema mais racional para obter o necessário equilíbrio entre defesa, meio de campo e ataque, e deixou rolar a harmonia decorrente dessas decisões.
Andrade não é daqueles sábios que estudam a semana inteira o adversário e montam sua equipe em função disso, muitas vezes alterando a escalação ou determinando funções não peculiares a este ou aquele jogador. Nada disso,aposta na quintessência de qualquer esporte coletivo, sobretudo o futebol: o entrosamento entre os atletas em campo, que só se aprimora com o tempo e a repetição dos movimentos de cada um.
Simples assim, como Andrade.
Autor: Alberto Helena jr. - Categoria(s): Campeonato Brasileiro
Tags: Andrade, Flamengo, Palmeiras, São Paulo
Voltar ao topo