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22/06/2009 - 13:35

É mudar. Ou mudar de vez

Estou de volta. E depois de mais de duas semana na Itália (e outros tantos dias na Espanha) não faltam temas para este blog. Vou procurar, nos próximos dias, tratar dos assuntos que esquentam o noticiário italiano e passar por aqui um pouco do clima dos torcedores que captei por lá. Agora, contudo, o tema tem que ser o fiasco da Itália na Copa das Confederações.

Eu bem sabia que não ia dar certo esse negócio de colocar a Lazio para representar a Azzurra na África do Sul… ; )

Brincadeiras sobre o uniforme à parte, e em que pese a ótima atuação da seleção brasileira, foi o pior jogo da Itália nos últimos tempos. Segundo o próprio Marcelo Lippi, “é a pior fase” desde que ele assumiu o time. Para Buffon, “foi melhor sair agora” pra não levar outra cacetada, talvez ainda pior, da Espanha. E a Gazzetta dello Sport, desde a derrota para o Egito, segue chamando os jogadores de múmias. Climão…

Não surpreende o fato de a Itália não ter criado muitas chances contra o Brasil. Primeiro porque, afinal, o rival era o Brasil. Segundo porque nunca impressiona o fato de a Itália não criar. E terceiro porque essa seleção italiana não conta com jogadores excpecionais, aqueles capazes de tirar leite de pedra — Pirlo, talvez, seja quem mais se aproxime dessa categoria no atual grupo da Azzurra; mas é pouco.

Hoje, como há um bom tempo, o futebol italiano tem apenas três jogadores nessa categoria, e nenhum deles está na atual seleção de Lippi, cada um por um motivo. Del Piero, porque já está na fase descentente de sua carreira e, convenhamos, porque poucas vezes mostrou na seleção o mesmo futebol da Juventus. Caso parecido com o de Totti, que, contudo, abriu mão da Azzurra (mas há quem diga que, se Lippi pedir, ele volta). E Cassano, indiscutivelmente o melhor jogador Italiano da Série A e a quem o treinador só não chama por questões disciplinares e de grupo.

Lippi sempre se orgulhou, com razão, de ter formado um elenco muito unido para jogar a Copa de 2006. Agora, acho eu, terá que se orgulhar de conseguir manter a união desse grupo mesmo com a presença de um maluco como Cassano. Porque abrir mão de sua qualidade em um ataque como o seu é loucura. E a volta de Totti, bem mais que a de Del Piero, não seria nada mal. São temas que certamente entrarão em pauta na imprensa esportiva italiana nos próximos dias.

Se a postura ofensiva da Itália não surpreendeu, a defensiva foi uma surpresa e tanto. Porque não me lembro, sinceramente, de a Azzurra ter dado tanto espaço a um adversário, por melhor que este fosse.

A questão ontem, acho, foi mais tática do que de escolha dos jogadores (porque a dupla Cannavaro/Chiellini é mesmo o que Lippi tem de melhor). Mas a opção por escalar o limitado Dossena (como alguém como ele chega ao Liverpool?) e não ter em nenhum momento testado o promissor Santon é talvez o melhor exemplo (ao lado da manutenção de Rossi no banco) do quanto Marcelo Lippi reluta para renovar a seleção italiana.

Ou relutava. Porque, depois do fiasco na copa da Confederações, acho que não lhe restarão muitas opções. Como diria aquele famosos apresentador, chegou a hora de mudar. Ou mudar de vez.

“De brinde”, as notas da Gazzetta para os jogadores da partida de ontem:

Itália
Buffon 6,5; Zambrotta 4, Cannavaro 4,5, Chiellini 5 e Dossena 4,5; Pirlo 5,5, De Rossi 4,5 e Montolivo 4,5 (Pepe 5,5); Camoranesi 6, Toni 4 (Gilardino 6) e Iaquinta 4 (Rossi 6). Marcelo Lippi 4.

Brasil
Júlio César 6,5, Maicon 7, Lucio 8, Juan s/n (Luisão 7) e André Santos 6,5; Gilberto Silva 7,5 (Kleberson s/n), Felipe Melo 7, Ramires 6,5 (Josué s/n) e Kaká 7; Robinho 8 e Luis Fabiano 8. Dunga 8.

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): azzurra Tags: , , , ,
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