Escrevi ontem, na coluna do post de baixo publicada pelo jornal Placar, sobre o esforço (bem sucedido) que Kaká fez para deixar a Itália de bem com a torcida do Milan.
Esforço que também prevaleceu durante sua apresentação ao Real Madrid, para mais de 40 mil pessoal, no Santiago Bernabéu.
Kaká foi impecável no mega-evento: primeiro, pelo esforço em falar espanhol. Depois, pela esperteza em citar ‘os donos do vestiário’ merengue como Raúl e Guti (e ainda fazer uma referência aos “holandeses”, que estariam insatisfeito com essa nova fase galáctica do clube). E terceiro, na coletiva de imprensa, por lembrar que não eram apenas os espanhóis a ouvi-lo.
“Eu sempre disse que SE UM DIA TIVESSE QUE SAIR…”; “Sempre falei que NO CASO DE TER QUE DEIXAR o Milan”; “O Real sempre foi minha prioridade SE EU DEIXASSE o Milan”. Foram essas algumas das frases de Kaká que, ao deixar bem clara sua preferência pelo Real em relação a outros clube, não disse ter essa preferência também em relação ao Milan.
Sua vontade de permanecer no Milan poderia até ser verdadeira, hoje já não importa. Mas, no grandioso evento de ontem, não seria surpresa se num deslize de populismo, para agradar seus novos fãs, Kaká dissesse algo na linha de “Sempre sonhei jogar aqui” ou “Este é o máximo que um jogador pode atingir”.
Se o mérito é todo seu ou se meu amigo Diogo Kotscho, seu assessor, tem participação na performance eu não sei. Mas Kaká foi perfeito, pois agradou a gregos e troianos.
Tanto que, hoje, a Gazzetta dello Sport destaca justamente a ‘fidelidade’ de Kaká e o fato de ele “não ter se desmentido” ontem. Ao lado do relato da apresentação há uma coluna, assinada por Alessandra Bocci, que termina assim:
“Agora que ele se foi, esperemos que continue como é. Um homem que não inventou o futebol, como destacou o seu ex-empregador Berlusconi, mas que inventou o seu estilo. E como ontem ele já beijou duas vezes Florentino Perez [presidente do Real], esperemos que pelo menos não beije tão cedo a camisa branca. Nem por engano.”