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19/08/2009 - 15:51

Thiago Motta, um italiano


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“Meio-campista completo, pura classe, personalidade indiscutível e uma extraordinária temporada passada jogando pelo Genoa”. 

Parece um pouco de exagero, mas se depender da descrição na abertura da entrevista publicada ontem pela Gazzetta dello Sport, o brasileiro Thiago Motta, um dos reforços da Inter de Milão para a próxima temporada, tem todos os motivos para acreditar numa futura convocação para a seleção italiana — que ele disse preferir em relação à seleção brasileira, como foi discretamente divulgado ontem, aqui no Brasil.

Digo “discretamente” porque a nota da agência Efe que serviu de base para as notícias dos portais, ontem, e jornais brasileiros, nesta quarta-feira, deixou de lado partes interessantes da entrevista.

Como a paixão que Thiago Motta diz ter pelo Palmeiras (alguém sabia? informam-me que ele já havia dito), a necessidade de mostrar que ele tem mesmo “sangue italiano” (na linha César Cielo) e a gafe que a Gazzetta cometeu (mas não omitiu) ao confundir o Juventus com o Juventude.  Por isso, reproduzo abaixo alguns trechos da entrevista:

Avô paterno de Polesella (província de Rovigo), domingos de macarronada em casa, grande paixão pelo Palmeiras (time fundado por italianos em 1914) e Roberto Baggio como ídolo…
Sim. Ainda que breve, esta foi a Itália da minha infância, vivida em São Paulo.

Você está fazendo campanha pela sua convocação?
Tenho sangue italiano, me sinto italiano e peço somente para ser considerado na corrida por uma vaga na Azzurra: o passaporte eu sempre tive, antes mesmo de vir morar na Europa, e portanto não se pode usar certos argumentos contra minha convocação. Quero ganhar essa vaga naturalmente, no campo. Não estou pedindo presentes a ninguém.

Mas se amanhã Marcelo Lippi e Dunga oferecessem uma vaga nas suas respectivas seleções, qual você escolheria?
Hoje eu escolheria a Itália. O Brasil sempre me teve à disposição, joguei em várias seleções de base, da sub-17 à sub-23, mas nunca pensaram em mim para fazer parte da seleção principal.

Você sonhava jogar no Palmeiras?
Sim, joguei lá por apenas um mês, mas depois tive que mudar de clube porque para chegar aos treinos pegar dois ônibus e um metrô não eram suficientes.

Por isso passou para o Juventude?
Não. Para o Juventus. Como a Juventus italiana, mas com as cores do Torino.

Está claro que Thiago Motta aprendeu com o recente episódio do atacante Amauri, que, embora não tenha sido descartado pelo técnico Marcelo Lippi, hoje sofre rejeição no grupo da seleção italiana por ter “esperado o Brasil” antes de se dizer disposto a jogar pela Azzurra.

Nesse sentido, agindo espertamente ou não (afinal, suas chances na seleção brasileira são pequenas), Thiago Motta sai à frente de Amauri, porque nenhum italiano poderá contestar sua “italianidade”.  Motta também sai à frente por já ter um passaporte disponível e contar, hoje, com a generosidade da imprensa italiana com seu futebol.

Dessa forma, seu principal entrave para jogar a próxima Copa do Mundo com a camisa azul é provavelmente a grande quantidade de bons meio-campistas que a Itália tem. Nada que um grande campeonato pela Inter não possa superar…

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): azzurra, imprensa, inter Tags: , , ,
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