Inter 2 x 0 Milan, cereja a escolher

O interista Materazzi comemora vitória no derby com máscara de Silvio Berlusconi, dono do Milan (AFP)
Não me chamem de profeta do acontecido! Eu já dizia sexta-feira, no Bate-Bola da ESPN, que, com a ausência de Nesta na zaga do Milan, o ligeiro favoritismo que poderia se atribuir (por seu bom momento) à equipe de Leonardo no derby deste domingo passaria para o lado da Inter.
Não só porque os interistas jogavam com o apoio de sua torcida. Não apenas porque, sem Nesta, o Milan entraria em campo com uma defesa fraca – com Abate, Favalli e Antonini – diante de um ataque poderoso. Nem mesmo porque certo desinteresse que alguns atribuíam à Inter nos últimos jogos certamente não ocorreria no clássico.
Mas, principalmente, porque o time da Inter, comparados 11 contra 11, era hoje melhor que o do Milan – tivessem os rubro-negros contado com Zambrotta, Nesta e Jankulovski em forma na defesa minha opinião talvez fosse outra.
Portanto, era de se esperar o que se viu no início deste ótimo clássico. Com um meio-campo interista inspirado e uma defesa milanista perdida, a Inter era melhor. Abriu o placar aos 10 minutos, com Milito. E não fosse a expulsão de Sneijder, aos 26 minutos – ainda é cedo, antes das leituras labiais, para julgá-la –, a impressão era de que o Milan não teria vez.
Mas Sneijder foi expulso, e o Milan teve vez. Dominou no início do segundo tempo. Atacou, mas, quando chegou lá, havia um Julio César (pra variar…) no meio do caminho. Ronaldinho? Não ia tão mal, tampouco ia bem. Como também era de se prever, teve bem mais dificuldades de passar por Maicon do que tivera, por exemplo, contra os defensores do Siena.
A dupla Pandev e Milito, em contra-ataques rápidos, levava perigo muito esporádico ao gol de Dida. Mas foi mesmo numa cobrança de falta, e não num contra-ataque, que Pandev foi presenteado com um gol pela ótima atuação deste domingo (e será que Dida não poderia ter chegado?).
Agora, com 9 pontos (e um jogo) a mais que o Milan, um placar agregado de 6 x 0 nos dois clássicos do torneio e o pentacampeonato italiano muito próximo, resta aos torcedores interistas escolher, entre três opções, a sua cereja no bolo, uma imagem para simbolizar a euforia ao fim deste excepcional clássico:
a) O pênalti (pra mim inexistente) cobrado por Ronaldinho Gaúcho e defendido por Júlio César, já nos acréscimos.
b) Os berros e gestos de José Mourinho, fazendo a torcida se levantar numa empolgação de fazer inveja, no final da partida.
c) O genial (pelo menos fora de campo) Materazzi, comemorando a vitória com a máscara de Silvio Berlusconi, dono do Milan.
Uma escolha dura, mas deliciosa, para os nerazzurri.
