Rescaldo do derby de Milão
Hoje não vou falar da rodada completa do Italiano, só do derby Milan 1 x 0 Inter, que, afinal, foi provavelmente o confronto entre os dois principais candidatos ao título (os torcedores da Juve que me perdoem). Então vamos lá, algumas notas a respeito do clássico de Milão:
* Eu poderia falar aqui sobre a importância do gol de Ronaldinho num jogo como esse. Mas não é preciso: alguém se lembra de ver o Gaúcho comemorando um gol com tamanha euforia, quase alucinado, como a gente vê no vídeo abaixo? Eu, por mais que me esforce, lembro-me no máximo daquele bom e velho “hang-loose” com um sorrisão no rosto. Não mais.
* Em contrapartida, se eu fosse milanista, ficaria profundamente irritado com a reação do Pato na hora em que Ronaldinho marca. Se o garoto acha que já está na fase de só ficar feliz quando é o autor do gol (na verdade, não aguento isso nem em veteranos), poderia pelo menos disfarçar.
* Ronaldinho foi badaladíssimo, claro. Kaká, de novo, jogou muito e continuará sendo o craque da equipe na temporada. Mas o jogador eleito pela imprensa italiana como o melhor da partida foi o holandês Seedorf, atuando em “nova posição”, a posição do machucado Pirlo.
* Eu queria muito colocar aqui o vídeo do Gattuso discutindo (uma discussão do bem, sem dúvida) com o Ancelotti no meio do jogo. Mas não achei o vídeo no Youtube. Se alguém achar, por favor, coloque o link aqui embaixo. Agradeço ao Gilson, que enviou para cá o link.
* Após a derrota, Mourinho deu uma entrevista ao vivo para o Domenica Sportiva, da RAI. Não se abalou com a presença do presidente da Lazio, Claudio Lotito, e soltou, sem a média e hipocrisia com a qual estamos acostumados a ouvir em entrevistas no Brasil (e na Itália também):
“Parabéns aos times que estão na frente, mas sinceramente eu não os vejo com potencial de ganhar o scudetto. Tenho que me preocupar com Milan, Juve, Roma e, talvez, a Fiorentina. E fico feliz de estar à frente deles”.
O presidente da Lazio enfezou-se, começou um discurso (um pouco chato) sobre o poder do dinheiro no futebol, falou que “investimento não é tudo”, ao que Mourinho respondeu: “Se a Lazio for campeã, serei o primeiro a cumprimentar o presidente. Mas acho difícil”.
Pouco antes, Fulvio Collovati, ex-jogador da Juve, fez a Mourinho uma pergunta sobre as condições físicas do time da Inter acrescentando aquelas frases do tipo “a torcida da Inter ficou decepcionada…”. Mourinho também não perdoou: “Primeiro, queria parabenizá-lo por em tão pouco tempo ter conseguido ouvir a torcida da Inter. Porque eu, o que vi, foi nossa torcida nos aplaudindo no fim do jogo”. E seguiu-se outra discussão ríspida.
Mas Mourinho, não me entendam mal, está longe de ser um Emerson Leão. Ele é educado, mas, no meu ponto de vista, retruca quando tem que retrucar.
* A única coisa com a qual não concordo é a choradeira da Inter por causa da arbitragem. Porque:
1) Se Kaká estava impedido na hora do gol, foi por milímetros, e a orientação da Fifa é “na dúvida pró-ataque”;
2) Se o choro é por causa da “cotovelada” e suposto pênalti de Flamini em Adriano, é bom lembrar que Materazzi acertou uma igualzinha sobre Kaká no primeiro tempo. Seriam, portanto, dois pênaltis, um pra cada lado (e o do Milan, antes)
3) Contestar a expulsão de Burdisso, depois daquela falta bizonha sobre Kaká, parece piada. Pode-se, no máximo, contestar o primeiro amarelo. Mas seria muito choro para pouca coisa.
4) E, por fim, é demais Materazzi conseguir ser expulso, no banco de reservas, por reclamar de um lance faltoso que ele também havia cometido, igualzinho, no primeiro tempo. Reclamar dessa expulsão, também não dá.
* A Inter pode até dizer que jogou o suficiente para empatar, mesmo com um a menos. Isso é aceitável. Mas culpar o árbitro, como fez Ibrahimovic, jamais.




