Os 23 e o – 1

Cassano na Samp: “Valeu, Pazzini. Vai lá. De nada e boa sorte” (foto Reuters)
Vamos, enfim, à seleção italiana. Que teve 23 convocados para os jogos contra Montenegro e Irlanda, mas uma ausência mais comentada do que as 23 presenças: Cassano.
O atacante até conseguiu emplacar uma convocação, mas não a sua: afinal, qualquer que tenha visto os últimos jogos da Samp sabe que, se não fosse pelo ‘pazzo’, Pazzini dificilmente teria sido chamado para substituir Luca Toni. Há três meses ninguém sonhava com Pazzini na seleção e se hoje ele está lá é muito por mérito do seu parceiro de ataque.
Além de Pazzini, as novidades Bocchetti, zagueiro que vem jogando muito pelo Genoa, e Motta, lateral que vem fazendo o mesmo pela Roma, não foram discutidas por ninguém. São convocações merecidas. Assim como a confirmação do volante Brighi e do meia-atacante Foggia, por enquanto uma aposta de Lippi.
Da ausência de Del Piero, também, ninguém reclamou. Até porque, há um bom tempo, é Cassano quem vem jogando o melhor futebol todos os italianos da Série A. Numa enquete da Gazzetta dello Sport, com mais de 40 mil votos, nada menos do que 80% do internautas votaram por sua convocação.
A impressão que tenho é que os italianos, assim como os brasileiros, querem gostar mais de sua seleção. E hoje apenas Cassano, com loucuras ou sem, pode fazer com que isso aconteça.
Marcelo Lippi conta com o respeito de quem levou a Itália ao seu quarto tÃtulo mundial. Entre outras coisas, com o perdão do chavão, porque conseguiu formar um grupo extremamente unido. “Meu maior desafio é conseguir contar com um elenco tão unido como o de 2006″, disse recentemente.
Sua decisão de não chamar Casssano certamente esbarra nisso. Mas hoje, sem Totti, abrir mão do atacante da Samp é ruim para o futebol — embora não necessariamente seja ruim para a Itália. Lippi, justamente por ter um respaldo com poucos precedentes no futebol italiano, bem que podia tentar, mais uma vez, colocar Cassano “na linha”.
Aos 26 anos, justamente quando os jogadores costumam chegar ao ápice, Cassano teria que aproveitar sua última chance. Se o fizesse, Lippi sairia com o mérito de quem, enfim, fez o craque desabrochar; se não o fizesse, o técnico deixaria de chamá-lo, simples assim. E mesmo nessa segunda hipótese, tenho certeza, não seria criticado e ainda se livraria das pressões.
Não vale tentar?
Para não perder o costume, listo os convocados e a minha “seleção ideal” entre os chamados. Embora seja bom lembrar: De Rossi, Pirlo e Chiellini (ou seria Gamberini?) estão pendurados e podem ser poupados do confronto contra Montenegro (sem Vucinic) para jogar o mais importante duelo diante da Irlanda, a principal rival do grupo.
CONVOCADOS
Goleiros: Amelia (Palermo), Buffon (Juventus), De Sanctis (Galatasaray)
Defensores: Bocchetti (Genoa), Cannavaro (Real Madrid), Chiellini (Juventus), Dossena (Liverpool), Gamberini (Fiorentina), Grosso (Lyon-FRA), Motta (Roma), Zambrotta (Milan)
Meio-campistas: Brighi (Roma), De Rossi (Roma), Foggia (Lazio), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pirlo (Milan)
Atacantes: Di Natale (Udinese), Iaquinta (Juventus), Pazzini (Sampdoria), Pepe (Udinese), Quagliarella (Udinese), Rossi (Villarrea-ESP)
TIME DO BLOG (sem explicações)
Buffon, (Motta, tinha errado) Zambrotta, Cannavaro, Chiellini e Grosso; De Rossi, Brighi e Pirlo; Rossi, Pazzini e Di Natale.
E o seu time ideal, considerando apenas os convocados, qual é?
Autor: Gian Oddi - Categoria(s): azzurra Tags: cassano, convocação, lippi, pazzini