Contrato 1 x 0 Vontade
Quando desembarcou na capital italiana, em agosto de 2007, Cicinho ganhou da torcida da Roma uma recepção de superstar. Fazia sentido, nem tanto pelo futebol que jogara no Real Madrid, mas porque o clube italiano havia pagado 9 milhões de euros para tirar o brasileiro de um dos maiores times do mundo.
O investimento, porém, não se justificou: na temporada 2007-08, Cicinho jogou em 30 das 38 partidas do time no Italiano, com pouco brilho. No campeonato seguinte se machucou, é verdade, mas nos 22 jogos que fez pelo campeonato nacional continuou a exibir futebol discreto. Virou assim uma espécie de terceira opção para a lateral-direita, depois de Cassetti e Motta. Tanto que, no torneio em curso, jogou apenas 44 dos 900 minutos disputados pelo time.
Imitando a tática usada por outros brasileiros em baixa no exterior, Cicinho então resolveu alardear que estava infeliz, que jogava pouco (nesse caso, não se referia à qualidade) e que queria porque queria voltar ao São Paulo. Tudo o que conseguiu foram algumas vaias de sua própria torcida no jogo contra o Catania, pela Copa da Itália.
“Eu não vinha sendo muito aproveitado pelo treinador e em razão disso acabei me precipitando, na tentativa de buscar meu espaço em outro lugar”, justificou o lateral. Acrescentou ainda que as manifestações contrárias à sua saída mostraram, na verdade, o carinho dos torcedores por ele.
Pode ser. Mas, se quiser um pouco menos de “carinho” daqui pra frente, Cicinho deveria considerar que um contrato assinado, às vezes, vale mais que sua “vontadinha”.