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quarta-feira, 15 de abril de 2009 inter | 10:19

Adriano pode (será?) ficar na Inter

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Gilmar Rinaldi, procurador de Adriano, desembarcou ontem em Milão para definir, com os dirigentes da Inter, o futuro do jogador. Mas o clube italiano adiou o encontro, muito provavelmente para hoje.

Diz a Gazzetta dello Sport que o clube ainda não definiu bem que postura tomar em relação a Adriano, que na última quinta-feira anunciou a decisão de parar de jogar futebol temporariamente. Sabem, porém, que querem definir o assunto rapidamente.

No desembarque em Milão, ainda no aeroporto de Malpensa, Rinaldi falou com a imprensa italiana. E adotou, como já era de se esperar, um tom nada beligerante — a própria Gazzetta analisa a postura como “previsível” já que, provocada, a Inter pode exigir que o rompimento do contrato seja unilateral e que Adriano pague a multa por não cumprir suas obrigações profissionais (hoje o clube admite a rescisão amigável como principal possibilidade).

Talvez seja só isso mesmo, mas Rinaldi não descartou a possibilidade de Adriano ficar na Inter, e isso não pode ser ignorado. Disse ele: “O Adriano ainda tem um ano e dois meses de contrato e não podemos excluir sua permanência na Inter. Até porque não existem outras ofertas e, por respeito, a Inter deve ser o primeiro time com o qual devemos falar: qualquer outra avaliação só acontecerá depois disso”.

Rinaldi também afirmou que o jogador precisa apenas de “um ou dois meses parar se reencontrar” e repetiu a velha máxima dos jogadores da Inter, segundo a qual Adriano precisa esfriar a cabeça para “reencontrar primeiro o homem e depois o jogador”.

Gilmar Rinaldi, como sempre, está fazendo tudo certinho, tentando arrumar as pisadas na bola de Adriano.

Não acho que o atacante tenha errado ao anunciar seu “afastamento temporário dos campos”: pelo contrário, foi sua atitude mais honesta nos últimos anos de carreira. Mas, se Adriano tivesse avisado a Inter antecipadamente ao invés de simplesmente não voltar a Milão e informar o clube da decisão “via coletiva de imprensa”, Gilmar Rinaldi provavelmente não precisaria, hoje, adotar um discurso pacificador.

Porque a história recente da Inter comprova: pedindo com jeitinho, o clube provavelmente teria aceitado a decisão do jogador, assim como perdoou seus inúmeros deslizes.

Mas Adriano não pediu, e agora cabe a Gilmar Rinaldi reparar os danos. Aliás, é uma pena para Adriano que Gilmar não possa jogar em seu lugar.

Autor: Gian Oddi Tags: ,

sexta-feira, 3 de abril de 2009 inter, jogadores | 17:42

Adriano, a doença e a infantilidade

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Mais de uma vez recebemos de algumas agências noticiosas, aqui no iG Esporte, textos ironizando ou fazendo graça sobre os reincidentes problemas disciplinares de Adriano. Como quando, por exemplo, ele teria chegado a um treino da Internazionale alcoolizado. Sempre pedi que mudássemos esses textos, que tirássemos a pitada de ironia ou humor que eles pudessem conter. Adriano, afinal, tem assumidamente problemas com álcool. E o alcoolismo, assim como suas consequências, não me parece motivo pra piada…

Só que esse não é o único problema de Adriano. Sua infantilidade é um outro, tão grave quanto. Não é compreensível que vez sim e outra não ele atrase a reapresentação na Itália quando vem ao Brasil. Não quero acreditar que seu chororozinho dizendo que “não sabe se vai renovar com a Inter” tenha mesmo como finalidade o rompimento com o clube, como especula a Gazzetta dello Sport.

Adriano precisa crescer. Porque embora recorra sempre aos seus problemas particulares e à sua infância difícil para justificar seus erros, alguns dos deslizes que comete lembram muito mais os de uma criança mimada.

Onde Adriano acha que será mais bem tratado? Onde ele acredita que encontrará um time tão forte quanto a Inter, que lhe dê espaço para jogar como titular? Onde terá um presidente de clube generoso e cuja marca principal é o paternalismo com seus atletas? Onde achará um técnico de ponta que, apesar das inúmeras pisadas de bola, continua lhe dando confiança. Em que outra cidade terá mais de dez jogadores brasileiros ao seu lado para matar essa saudade que ele mesmo diz tanto atrapalhá-lo? Onde terá uma torcida ansiosa para voltar a chamá-lo de imperador no primeiro indício de que ele pode voltar a ser o que já foi um dia?

Em 2007, ainda editor da Placar, fiz uma matéria sobre Adriano para a revista. Após várias entrevistas, fiquei impressionado com a dedicação que Gilmar Rinaldi, procurador de Adriano, dedicava ao atacante. Ele parecia, como já tinham me dito, um “segundo pai” para o jogador – seu verdadeiro pai havia morrido pouco mais de um ano antes. Mas depois de um longo papo com Rinaldi, lembro-me de ter ficado, também, com a impressão de certa descrença, de falta de esperança por sua parte.

Gilmar, claro, não me disse nada diretamente, nem podia. Mas todas suas respostas, juntas, me deram a impressão de que a cada resposta ele gostaria de acrescentar: “O que mais eu posso fazer?!”. Rinaldi lembrava um pai a ponto de desistir do filho. A cada mês que se passa, entendo melhor o porquê.

Porque os inúmeros perdões de Moratti, a constante confiança de Mourinho e a eterna dedicação de Rinaldi não bastarão, sozinhos, para Adriano voltar a ser um jogador de verdade. Infelizmente.

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , ,