Adriano pode (será?) ficar na Inter
Gilmar Rinaldi, procurador de Adriano, desembarcou ontem em Milão para definir, com os dirigentes da Inter, o futuro do jogador. Mas o clube italiano adiou o encontro, muito provavelmente para hoje.
Diz a Gazzetta dello Sport que o clube ainda não definiu bem que postura tomar em relação a Adriano, que na última quinta-feira anunciou a decisão de parar de jogar futebol temporariamente. Sabem, porém, que querem definir o assunto rapidamente.
No desembarque em Milão, ainda no aeroporto de Malpensa, Rinaldi falou com a imprensa italiana. E adotou, como já era de se esperar, um tom nada beligerante — a própria Gazzetta analisa a postura como “previsível” já que, provocada, a Inter pode exigir que o rompimento do contrato seja unilateral e que Adriano pague a multa por não cumprir suas obrigações profissionais (hoje o clube admite a rescisão amigável como principal possibilidade).
Talvez seja só isso mesmo, mas Rinaldi não descartou a possibilidade de Adriano ficar na Inter, e isso não pode ser ignorado. Disse ele: “O Adriano ainda tem um ano e dois meses de contrato e não podemos excluir sua permanência na Inter. Até porque não existem outras ofertas e, por respeito, a Inter deve ser o primeiro time com o qual devemos falar: qualquer outra avaliação só acontecerá depois disso”.
Rinaldi também afirmou que o jogador precisa apenas de “um ou dois meses parar se reencontrar” e repetiu a velha máxima dos jogadores da Inter, segundo a qual Adriano precisa esfriar a cabeça para “reencontrar primeiro o homem e depois o jogador”.
Gilmar Rinaldi, como sempre, está fazendo tudo certinho, tentando arrumar as pisadas na bola de Adriano.
Não acho que o atacante tenha errado ao anunciar seu “afastamento temporário dos campos”: pelo contrário, foi sua atitude mais honesta nos últimos anos de carreira. Mas, se Adriano tivesse avisado a Inter antecipadamente ao invés de simplesmente não voltar a Milão e informar o clube da decisão “via coletiva de imprensa”, Gilmar Rinaldi provavelmente não precisaria, hoje, adotar um discurso pacificador.
Porque a história recente da Inter comprova: pedindo com jeitinho, o clube provavelmente teria aceitado a decisão do jogador, assim como perdoou seus inúmeros deslizes.
Mas Adriano não pediu, e agora cabe a Gilmar Rinaldi reparar os danos. Aliás, é uma pena para Adriano que Gilmar não possa jogar em seu lugar.
