“Barreira na distância correta? Um spray vai ajudar os árbitros“. É essa, acreditem, a manchete do site da Gazzetta dello Sport neste exato momento.
Até aí, tudo bem. A gente já se conformou com o fato de que os europeus, com razão ou não, não costumam assistir aos nossos campeonatos. Então até passa que noticiem esse útil sprayzinho, o mesmo que usamos por aqui há tanto tempo, como a se fosse a invenção da roda (gosto particularmente dessa foto quase indecifrável!).
O que fica difícil de engolir, convenhamos, é o textinho logo após a manchete: “A inovação chega da Argentina, onde foi testada na segunda divisão e passará a ser adotada no início do Clausura”.
Eu nem sei se o tal do Pablo Silva, um jornalista argentino que segundo a Gazzetta teria inventado o spray com a ajuda de engenheiros químicos, é mesmo o professor pardal dono da ideia.
Mas, convenhamos, a experiência tão antiga e positiva na primeira divisão do futebol brasileiro é bem mais relevante do que esse alardeado “sucesso” na segunda divisão argentina. Ou não?
Ontem falei rapidinho da inegável importância de Brighi na recuperação da Roma. Hoje, nas notas para o jogo contra o Cluj, a Gazzetta dello Sport dá 8 e faz uma ode (talvez até um pouco exagerada) ao meio-campista. Vejam o que diz o jornal italiano na justificativa para a nota:
“Na Itália dos precários sem esperança e do retorno da classe operária, a sua história é um verdadeiro hino à esperança. A Roma primeiro o colocou no Chievo por três anos e depois o trouxe de volta, sem muita convicção. Convocado, ele foi ao fronte com o espírito de um soldado simples. Os ventos mudaram há um mês e meio, quando virou titular no time de Spalletti. Os dois gols de ontem — o único precendente era uma doppietta em rimini —, os primeiros na Europa, foram o ponto alto de uma partida memorável. Jogador completo, merece realmente a seleção de Marcelo Lippi. O chamavam de Tardelli, mas ele é simplesmente Brighi. O novo líder do sindicato da bola“.
Para ver a ficha de Matteo Brighi no site da Gazzetta, clique aqui.
Só para constar, toda as notas da Roma: Doni 6, Cassetti 6, Mexes 7, Juan 6 e Tonetto 6 (Riise s/n); Taddei 6, Brighi 8, De Rossi 7 e Perrotta 6,5 (Pizarro s/n); Julio Baptista 6,5 e Totti 7 (Vucinic 6).
E as da Inter na derrota para o Panathinaikos: Julio César 6,5, Maicon 6, Cordoba 6, Materazzi 6 e Maxwell 6 (Cruz 6); Zanetti 6, Cambiasso 7 e Muntari 5,5 (Quaresma 5); Figo 5 (Balotelli s/n); Ibrahimovic 5,5 e Adriano 5,5.
Afinal, fazia algum tempo que essa foto não aparecia por aqui…
A rivalidade entre França e Itália, na Europa, começa a ficar (se já não ficou) bem parecida com a que existe por aqui entre brasileiros e argentinos. Vamos recapitular:
Tudo começou com a vitória da França sobre a Itália na prorrogação por por morte súbita, na final da Eurocopa de 2000. Era só o começo…
Seis anos depois, a Itália teria a chance de revanche (no fim, confirmada) na final da Copa do Mundo de 2006, quando Zidane e Materazzi protagonizaram um capítulo à parte, com aquela cabeçada da qual a gente não aguenta mais ouvir falar.
Aí, já com a Itália por cima, quis o destino que as duas seleções se encontrassem de novo nas Eliminatórias para a Eurocopa de 2008: os italianos acabariam como líderes da chave, mesmo perdendo um jogo e empatando o outro contra os franceses, ao fim vice-líderes.
Veio então a Euro, pra valer. De novo, já na primeira fase, o sorteio das chaves providenciou um confronto entre Itália e França. Deu Itália, 2 x 0, e os franceses assim acabaram eliminados do torneio logo de cara — a segunda vaga da chave ficou com a Romênia.
Durante todo esse tempo, além do capítulo Zidane x Materazzi, vários outros nomes protagonizaram um festival de troca de farpas via imprensa. Raymond Domenech, o técnico da França, e Genaro Gattuso, cão de guarda da Azzurra, principalmente — ambos se odeiam e nunca fizeram questão de esconder isso.
A imprensa francesa e italiana, paralelamente, também davam suas espetadas uma na outra o tempo todo, meio na linha do que o argentino Olé costuma fazer com o Brasil (sem resposta, diga-se) . E nesta terça, enfim, um novo capítulo.
Porque, na França, um jornalista francês chamado Pierre Ménès escreveu o que ele mesmo chama de “dicionário absurdo do futebol”, um livro (foto ao lado), segundo o próprio autor, de “humor sarcástico”. No qual definiu com frases como estas abaixo a palavra “italianos”:
1) Tribo do sul capaz de fazer o melhor jogador do mundo perder a cabeça. Novo inimigo íntimo desde os tempos da retirada dos alemães e da explosão do fenômeno Materazzi.
2) O italiano tem muitas particularidades: coloca gel nos cabelos longos, se penteia, levanta a gola da camisa, enagana e dá cotoveladas. Mas o que irrita mais é que ele ganha.
Além das definições, Ménès elencou alguns sinônimos para “italianos”: “Ritals” (que seria, segundo a Gazzetta, um termo depreciativo para imigrantes italianos), “Macaronis”, “Provocadores”, “Gattuso” (seria uma ofensa?) e “Campeões do Mundo” (esse certamente não é).
Mas, apesar da aliviada, não teve jeito. Ménès irritou os jornalistas da Gazzetta dello Sport, que colocaram, na manchete do site, uma resposta ao sarcástico provocador (seria Menès italiano?). “É absurdo, no limite do ofensivo”, disse a publicação italiana, referindo-se ao título do livro.
E a Gazzetta aproveita ainda o gancho da frase ”o que mais irrita é que ganha” para dizer o seguinte: “Quem sabe alguma coisa sobre isso é Raymond Domenech, técnico da França, humilhado repetidamente pela Azzurra. E talvez até Zidane. Ou seja ‘o jogador preferido dos franceses, capaz de caminhar sobre a água e de acertar com a cabeça os mal educados (outra definição do livro)’. Mas não quem escreve dicionários “absurdos” de futebol.
No fim, é tudo muito divertido. Agora com licença que vai começar a Liga dos Campeões.
Quem ganha o scudetto 2008-09? Você concorda com os resultados da enquete da Gazzetta dello Sport?
Eu quase. Inter em primeiro, sem dúvida. Seguida de perto, mas nem tanto como nos resultados italianos, pelo Milan. Entre Juve e Roma, fico na dúvida. E ainda que optasse pelo time de Turim, a diferença jamais seria essa.
De qualquer forma, se o assunto é mercado, pra quem não conhece, tenho obrigação de sugerir o ótimo especial feito pela Gazzetta dello Sport com as contratações, cessões e especulações de todos os times da Série A italiana. Para visitá-lo, clique aqui.
Chega a ser constrangedora a “matéria motivacional” que o site da Gazzetta dello Sport publicou para fazer crer aos torcedores da Roma que, sim, é possível eliminar o Manchester da Liga dos Campeões amanhã.
Diz o jornal que “há precedentes” parecidos. Quais, me perguntei.
O principal deles, diz o jornal, ter feito 2 x 0 no Lyon, nas oitavas-de-final da Liga do ano passado, depois de ter empatado por 0 x 0 em Roma. “Os franceses eram favoritos a passar”, lembra a publicação. Pode até ser, ainda que eu considere ótimo não levar gols em casa nesse formato de regulamento.
Mas, pra não falar de resultados (o primeiro jogo tinha sido 0 x 0, não 0 x 2!), comparar aquele Lyon com esse Manchester é piada.
Talvez meu modesto blog até perca com isso. Mas como, no melhor estilão lanchonete de beira de estrada, “estamos aqui para servir bem”, vou informar: recebi por email o convite para o lançamento da versão em inglês do site da Gazzetta delllo Sport, o que ocorre amanhã.
Não, não sei se o serviço já começa a funcionar nesta terça. E de qualquer forma já aviso: é só em inglês. Em português, só aqui! ; )
Vejam o convite, que informa sobre as presenças ilustres de Casiraghi e Zola no evento.
Aqui, quero só colocar as frases que a edição online da Folha de S. Paulo publicou em seu site atribuindo ao superintendente de futebol são-paulino Marco Aurélio Cunha e as (supostamente mesmas) frases que a Gazzetta dello Sport estampa na matéria de capa de seu site, atribuindo à mesma notícia da Folha. Quem lê o blog sabe como acho a Gazzetta um ótimo jornal. Mas é inacreditável.
Na Folha:
“O atraso de hoje pode ter sido um engano, mas foi uma falta. Daí, ele ficou aborrecido por ter sido cobrado e se retirou antes dos outros. O confronto com o jornalista foi outra falta. O caso será passado ao presidente e ele tomará as providências. Ele terminou o trabalho dele e foi embora porque quis. Estamos ajudando o Adriano, até mais do que ele está nos ajudando, mas isto precisa ser recíproco. Os dois lados precisam se ajudar. O Adriano tem esse tipo de dificuldade de relacionamento. Ele está aqui justamente por tudo que aconteceu na Europa”.
Na Gazzetta:
“Ele foi embora porque quis e decidiu sozinho. Esta vez cometeu três grandes erros. O que posso dizer a ele é que no São Paulo só fica quem joga e trabalha para o grupo. Adriano não faz falta ao time. Aqui só joga quem quer: se ele não está contente, pode muito bem ir embora. Ele deveria pegar o exemplo do Carlos Alberto, que chegou aqui cheio de problemas mas se empenhou ao máximo.”
Alguém por aqui ouviu Marco Aurélio Cunha dizendo algo do gênero? Na Itália, é o que todos tomarão como verdade, podem ter certeza.
>> Para quem não viu o chiliquinho do interista Vieira ao ser substituído por Roberto Mancini no jogo contra a Sampdoria, eis o vídeo:
>> A Juventus, depois de prejudicada contra a Reggina, escreveu uma carta aberta reclamando da arbitragem. A repercussão foi grande, e o Torino já está temeroso de ver os efeitos no clássico desta tarde, às 16h30 (horário de Brasília), com transmissão da ESPN.
>> A lesão de Mutu não é assim tão simples. Ele vai ficar cerca de um mês fora da Fiorentina e perderá cerca de 7 jogos, incluindo os dois contra o Everton pela Copa da Uefa.
>> Demorou menos do que eu pensava: ao ver Boriello chegar aos 15 gols no Italiano, o Milan já cogita resgatar o garoto que, como bem informou o Gilson, é co-propriedade do clube com o Genoa. O preço? Agora, fala-se num valor total de 15 milhões de euros…
>> Enquete realizada pela Gazzetta dello Sport aponta que mais de 40% dos leitores acreditam que a Roma derrota a Inter (sem Ibrahimovic, machucado) no San Siro, nesta quarta, trazendo um pouco de emoção de volta ao Italiano. Será?
A Gazzetta dello Sport está fazendo uma enquete para, vejam só, definir como apelidará o trio ofensivo de brasileiros do Milan, formado por Kaká, Ronaldo e Pato.
PaKaRo, KaRoPa, KaPaRo e RoPaKa são, pela ordem, os apelidos preferidos dos torcedores. Informação essencial, né?
E não. Não vou dar link pra votação. Até porque, covenhamos, será que há mesmo alguma chance de os três chegarem a jogar juntos no Milan?
É editor de esportes do iG, para onde voltou em 2007, depois de seis anos na revista Placar. Num destes anos, morando em Roma, aprendeu a fazer spaghetti alla carbonara e viu crescer a paixão pelo calcio que herdou do nonno Léo. No Twitter, é @gianoddi.