São 9 os jogadores italianos na lista dos 100 melhores da atualidade divulgada na edição de novembro da conceituada revista inglesa FourFourTwo. A eles:
Entre os 10 primeiros colocados da relação, apenas um joga no futebol italiano: Samuel Eto’o, da Inter, que ocupa a 9ª colocação. A Série A também fica atrás das ligas de Inglaterra e Espanha no número total de jogadores entre os 100: são 23, contra 33 da Premier League e 29 da Liga. Para saber mais sobre a relação, clique aqui.
Depois da acalorada (e de bom nível) discussão três posts atrás, voltei ao tema “seleção italiana e seus craques (nessa não estou com você, Cow!)” na coluninha de hoje do jornal Placar. Aí vai.
Alessandro Del Piero tem 34 anos e nunca mostrou na seleção italiana o mesmo ótimo futebol que cansou de exibir na Juventus; mas é um craque. Francesco Totti pode ter incomodado muita gente ao pedir para abandonar a Azzurra e, com a aproximação da Copa, ter dado a entender que toparia voltar; mas é um craque. Antonio Cassano se transforma em um maluco quando entra num campo de futebol; mas é um craque. Eles são hoje, provavelmente, os únicos três craques que a Itália pode chamar de seus.
Depois do fiasco na Copa das Confederações, falou-se muito sobre a necessidade de renovação na atual seleção campeã do mundo. Faz sentido, não só porque o grupo italiano tem média de idade acima das demais seleções, mas também porque a Itália conta hoje com uma boa geração de jovens jogadores, como, entre outros, Giovinco, Balotelli, Criscito e Marchisio — os dois últimos estrearam como titulares no empate por 0 x 0 com a Suíça, quarta-feira.
Além de renovar, porém, falta à Itália de Marcelo Lippi fazer valer o sentido da palavra “seleção”. Porque, mesmo num país onde a obviedade de convocar os melhores jogadores não é tradição (até Roberto Baggio já foi ignorado), não chamar para uma Copa do Mundo ao menos um dos três melhores jogadores à disposição parece ser um tremendo exagero.
Bruxa prematura
A temporada nem começou e a Juventus já teve uma série de problemas físicos com seu elenco: Diego, Sissoko, Giovinco, De Ceglie e Zebina são alguns exemplos. Num país em que nenhum dos grandes clubes tem primado pela qualidade de seus departamentos médicos, é bom a torcida da Juve começar a se preocupar.
Eterno sucessor O jornal Le Parisien informou ontem que a Inter teria feito uma oferta de 25 milhões de euros para contratar o meia Yoann Gourcuff, aquele “eterno sucessor de Zidane” que fracassou no Milan, mas que está comendo a bola no Bordeaux. Ficará legal o humor dos já cabisbaixos milanistas se ele estourar no rival?
Um sonolento 0 x 0 com a Suíça. Uma ”renovação” que começou com as escalações de Criscito e Marchisio. De relevante mesmo, no amistoso desta tarde, apenas o fato de Fabio Cannavaro ter completado 127 partidas pela seleção italiana, superando o antigo recorde, de Paolo Maldini.
Depois do fiasco na Copa das Confederações, talvez tenha chegado a hora de Marcelo Lippi, ao invés de renovar, simplesmente fazer o óbvio: abrir mão da tradição italiana de não convocar os melhores jogadores do país para a seleção. No caso, os três melhores — tecnicamente falando.
Ainda que um deles tenha aberto mão da Azzurra para depois voltar atrás. Ainda que outro não tenha mostrado, na seleção, o mesmo excelente futebol que sempre mostrou em seu time. E ainda que o terceiro seja um maluco.
Dá pra chamar pelo menos unzinho deles, professor?
(se for preciso dar nome aos bois, consulte as tags do post)
Ó, me desculpem. Mas como o futebol italiano anda meio mortão, seja no campo ou no mercado, vamos registrar aqui, em relação ao fim de semana, a natação em Roma!
Primeiro para dizer que, diante do fracasso dos nadadores italianos homens no Mundial deste ano, foi impressionante como a torcida de Roma adotou César Cielo (que, verdade seja dita, soube explorar bem suas origens na imprensa local). O público bateu até palminha na hora do hino brasileiro durante a premiação dos 100m (se bem que, os programas da RAI são prova, italiano adora uma palminha…).
Depois, para contar a quem não viu que o Milorad Cavic, aquele sérvio metido que ficou provocando o Phelps antes da final dos 100m borboleta, exibiu uma toalha com o símbolo da Roma antes de cair na água. Cavic treina em Roma, até tem uma ligação com a cidade e o clube, mas usou o recurso para ganhar a galera, óbvio.
De nada adiantou, porque, na piscina, Phelps borboleteou bem mais e saiu vencedor, rugindo como um leão depois da vitória (e das provocações). Agora, convenhamos: Cavic provocar o Phelps é mais ou menos como o Luciano Spalletti, técnico da Roma, sair dizendo que no próximo Italiano não tem pra Inter porque a Roma já levou. Ou não?
Cena histórica
Ok, Não vamos deixar o futebol passar totalmente de lado. É algo tão raro, mas tão raro, que tem que ser pelo menos registrado aqui, ainda que com atraso, o patético pênalti desperdiçado por Del Piero na final da Copa da Paz, contra o Aston Villa, ontem. Se tivesse convertido, a Juve ficaria com o (vá lá) título do torneio, que acabou com os ingleses depois de um novo erro, desta vez de Legrotaglie (aí já tá tudo dentro da normalidade).
Por enquanto é isso. Mas nesta próxima quinta tem Roma na Liga Europa e, no sábado, Supercopa Italiana com Inter x Lazio no Japão ops, na China (!). Aos poucos, o futebol (de verdade) está voltando…
Como já era esperado, o jogo da rodada foi Roma 2 x 2 Milan, com dopietas de Pato e Vucinic. Mas disso eu falo depois, até porque tenho que falar mais. Por enquanto, vamos com os pitacos breves sobre os outros nove jogos da 18ª rodada do Italiano:
Genoa 3 x 0 Torino
Thiago Motta marcou um do gols do Genoa e deixou o jogo por causa de uma pancada na cabeça. Mas não foi nada sério, e o brasileiro poderá seguir sua ótima recuperação no futebol italiano. Já o Torino, com esse recomeço, vai parar onde? Algum palpite?
Inter 1 x 1 Cagliari
Não é novidade que Ibrahimovic salve a Inter, marcando o único gol da equipe. A novidade é que, em 2008, esse gol seria o do 1 x 0. Ou então o sueco faria dois. Será indício de que a sorte mudou de lado? Não importa muito, na verdade, porque essa Inter não depende tanto da sorte.
Bologna 1 x 1 Chievo
O resultado, contra o lanterna, foi bem ruim para o Bologna. Mas o golzinho de pênalti do Di Vaio, seu 13º, o levou à liderança da artilharia do torneio.
Fiorentina 1 x 2 Lecce
Começar 2009 assim… a Fiorentina só pode estar de brincadeira. Felipe Melo fez o inútil gol viola. E o Lecce, quem diria, começou o ano deixando a zona de rebaixamento.
Juventus 1 x 0 Siena
Del Piero (foto AP), de falta, decidiu. Taí um time onde as coisas não mudam, a não ser por motivos extra-campo. E agora a Inter está a apenas quatro pontinhos…
Napoli 1 x 0 Catania In genaio, decide Maggio. E o Napoli, hoje, estaria na Champions.
Palermo 3 x 2 Atalanta
Graças à vitória, com gols de Cavani (ele ainda vai para um time grande), Bresciano e Miccoli (ele ainda volta para um time grande?), o Palermo passou a própria Atalanta: 8º contra 10º.
Reggina 2 x 3 Lazio
Pandev decidiu o jogo com uma tripleta. A primeira da sua história.
Udinese 1 x 1 Sampdoria
No jogo de dois times com qualidade, mas que patinam, patinam e não saem do lugar, nenhum resultado poderia ser mais apropriado. O 0 a 0 talvez…
É isso, 2008 praticamente já se foi. E como para o futebol europeu o ano começa em julho e acaba em junho, nem dá pra gente fazer muitos balanços. Porque, se o final da temporada passada não foi legal para o calcio — italianos fora da final da Liga, violência, prisões etc —, o começo da temporada 2008-09 foi bem promissor — vários candidatos ao título, Ronaldinho, Mourinho, Beckham etc.
Melhor, agora, é olhar para frente. Porque não faltam boas perguntas a serem respondidas sobre o futebol italiano neste ano que está prestes a começar. Vou colocar aqui 20 delas (quem tiver mais que mande) e, como não sou de ficar em cima do muro, vou dar meus palpites pra cada uma. Quem encarar que faça o mesmo.
1) Amauri jogará mesmo pela seleção italiana ou Dunga, na hora H, não vai permitir, convocando-o para a seleção brasileira para enfrentar justamente a Itália, no dia 11 de fevereiro? Pelo jeito, Dunga tremeu com a possibilidade de enfrentar Amauri e levar cacetadas e mais cacetadas se o atacante viesse a marcar pela Azzurra contra o Brasil. Agora, parece, a convocação será para a seleção Brasileira (aliás, Dunga, precisava o Júlio César te avisar sobre as qualidades do Amauri?!). Resta saber o quanto ele jogará. Tenho dúvidas sobre o que seria melhor para o atacante…
2) Adriano terá a enésima chance de voltar à Inter? Ou será que Mourinho e, principalmente, Moratti terão enfim chegado ao limite? Meu bom senso não me permite acreditar que a Inter dará outra chance a ele. Aposto numa saída já em janeiro…
3) A Inter, hoje líder com seis pontos de vantagem no Italiano, continuará sobrando rumo ao tetracampeonato? Sobrando, não. Essa diferença, acho, ainda será reduzida em algum momento – e acredito mais no Milan do que na Juve como segunda força. No final das contas, porém, o título irá mesmo para a Inter, sabe-se lá com qual vantagem.
4) E a postura de Mourinho? O português irá enfim parar de brigar com a imprensa italiana? Dependerá dos resultados para isso? Mourinho incorporou um personagem e não parece disposto a mudar. Se perder, mal-humorado, terá mais motivos para criticar tudo e todos no futebol italiano. Se ganhar, seu moral vai para as nuvens. E aí, com o ego (ainda mais) inflado, alguém acha mesmo que ele vai parar?
5) Ibrahimovic, Kaká ou Del Piero: qual deles será escolhido o melhor jogador do Italiano? A história diz que o melhor do campeonato pertencerá sempre ao campeão, e até por isso coloquei apenas os três como candidatos. Seguindo a mesma lógica, portanto, fico com Ibra. De novo.
6) Os garotos da Juventus, Marchisio, De Ceglie e Giovinco, seguirão em alta até o fim do campeonato? Nessa “alta” atual sim: os três já mostraram que sabem jogar, embora nenhum deles tenha tido a regularidade necessária para ser mantido como titular indiscutível. O problema é que se a Juve seguir na Liga dos Campeões essa regularidade pode ser imprescindível.
7) Beckham será só um (eficiente) garoto-propaganda no Milan ou terá importância em campo? E, se tiver, tem chances de ficar? Beckham será útil nesses poucos jogos que fará pelo dilacerado meio-campo milanista. Mas não o suficiente para que o Milan cogite uma loucura (financeiramente falando) a ponto de tirá-lo do Galaxy já. Sua passagem, no fim das contas, terá sido útil tanto do ponto de vista do marketing (mais) como do ponto de vista esportivo (menos).
8) Como o Milan irá (se é que irá) resolver seus problemas defensivos sem Thiago Silva? Sem a perspectiva da escalação do brasileiro e nem da volta de Nesta, a solução definitiva fica para 2009-10. O que não quer dizer que o Milan, com o meio-campo e ataque que tem, não possa dar trabalho no Italiano e, ainda mais fácil, conquistar a Uefa.
9) Como será o balanço final da primeira temporada de Pato e Ronaldinho no Milan? Nem decepcionante, nem excpecional. Para ambos, algo entre uma nota 6,5 e 7. E ambos podem estourar em 2009-10.
10) A disputa entre Milan e Juventus para ver quem conta com mais ‘elenco’ no departamento médico continuará acirrada?
Não faço a menor idéia. Mas, sem Nesta e Gattuso, o Milan deve sentir mais as ausências. Até porque a Juve, entre os seus lesionados, tem o Zebina (maldade…).
11) E por falar em lesões, a de Totti durará quanto tempo? Era um mês, já virou dois. Quem dá mais? Dois meses sem Totti já podem bastar para tirar a Roma da Liga dos Campeões. O fato, triste, é que Totti, o melhor jogador de futebol italiano hoje, não consegue mais passar dois meses seguidos jogando futebol.
12) Para compensar a tristeza romanista, Menez vai mesmo deslanchar, como ameaçou neste fim de ano? E Brighi continuará jogando tudo o que ninguém achou que jogasse? Menez já mostrou ser bem mais que aquele jogador bizarro do começo de temporada. E a “ex-surpresa” Brighi, acho, até veio para ficar, dentro das suas limitações. Mas nada disso basta para compensar a possível ausência de Totti. Sem ele, a Roma não vai.
13) Napoli, Lazio e Genoa vão mesmo dar trabalho na briga por uma das quatro vagas na Liga? Não. Se a Roma ficar mesmo fora dessa disputa, a Fiorentina já pode comemorar: a quarta vaga na Liga é sua. E, pra ousar ainda mais: o Napoli vai para a Uefa.
14) Quem será o artilheiro do Italiano: Ibrahimovic, Amauri ou nda? Ibra.
15) Quem vai cair? Sem surpresas: Chievo, Reggina e Lecce. Se um deles não cair, o Siena vai.
16) Cannavaro, Toni, Rossi, Grosso, Oddo, Dossena… Quem será (se é que haverá) o destaque italiano fora da Itália na temporada?
O tempo passa, o tempo voa, as críticas vêm e eu sigo sempre com Luca Toni.
17) Cassano chegará a ser convocado por Marcelo Lippi em 2009 para ter alguma esperança de ir à Copa de 2010?
Não é minha vontade. Mas Cassano está fora da Copa, desde já.
18) A boa dupla Gilardino e Mutu, da Fiorentina, continuará fazendo mais sucesso que a boa dupla Di Natale e Quagliarela, da Udinese?
Em seus clubes, sim. Se não brigarem por vaidade (afinal, quem é a estrela do time?), Gila e Mutu vão longe. Até porque, o que quer a Udinese? Mas é bom lembrar que a dupla Di Natale e Quagliarela, com Amauri descartado e Toni em baixa na Azzuurra, poderá mostrar serviço também na seleção.
19) Quem será o melhor e o pior brasileiro ao fim do Italiano 2008-09? Os melhores, Kaká e Maicon. O pior, Adriano, mesmo saindo agora.
20) Onde vão parar, se é que vão parar, os italianos na Liga dos Campeões? A Inter vai pagar a bobeada na primeira fase e cai já nas oitavas, contra o Manchester. A Roma, com Totti, passa do Arsenal. E a Juve, surpresa, elimina o Chelsea! Depois disso, sem saber o que o sorteio reserva, dar qualquer palpite já seria abusar da sorte, né?
É estranha essa eleição que a Associação Italiana de jogadores de futebol faz todo ano. Na verdade, estranha é data da cerimônia de premiação, que acontece no fim do ano e não da temporada. Pelo seguinte: a eleição, feita na pré-temporada com votos dos próprios jogadores, tem como objetivo escolher os melhores do torneio passado, no caso o de 2007-08.
Mas, convenhamos, certos prêmio podem soar estranhos ao público, já que na cabeça do torcedor estarão bem mais frescas, sempre, as recentes atuações dos atletas, aquelas do começo da temporada seguinte. Por exemplo: parecerá estraho se Del Piero, talvez o melhor jogador desse início de campeonato 2008-09, não for escolhido o melhor italiano no torneio, né? Pois é. Parecerá estranho, mas não será.
Coloco abaixo os candidatos aos prêmios relativos à última temporada, com os meus preferidos em negrito.
Melhor técnico: Carlo Ancelotti (Milan), Cesare Prandelli (Fiorentina), Luciano Spalletti (Roma)
Melhor árbitro:
Emidio Morganti, Roberto Rosetti, Massimiliano Saccani
Melhor jogador jovem:
Mario Balotelli (Inter), Sebastian Giovinco (Juventus), Marek Hamsik (Napoli) (acho que já escolhi o Balotelli numa outra enquete similar, mas…)
Melhor defensor: Giorgio Chiellini (Juventus), Philippe Mexés (Roma), Alessandro Nesta (Milan)
Melhor jogador italiano: Alessandro Del Piero (Juventus), Daniele De Rossi (Roma), Andrea Pìrlo (Milan)
Melhor jogador estrangeiro: Zlatan Ibrahimovic (Inter), Kaká (Milan), Adrian Mutu (Fiorentina)
Melhor jogador:
concorrem os indicados a melhor jogador italiano e melhor estrangeiro (vou de Ibrahimovic)
Antes que algum engraçadinho ironize depois de escolhidos os melhores, já adianto: vou “acertar” apenas quatro dos prêmios, não mais.
Aproveite e escolha os seus melhores no campo de comentários abaixo.
Não é que a alcunha de Nelson Rubens do calcio, proposta por um leitor alguns posts atrás, me incomode muito. Mas realmente chegou a hora de deixar um pouco de lado os strips, as brigas, os hotéis e as biografias e voltar a falar de futebol.
Ainda que o futebol na Itália, mesmo com grandes estrelas, não esteja empolgando.
Porque se é verdade que alguns times (não clubes) médios como Lazio, Udinese e Napoli têm mostrado mais do que deles se esperava, gigantes como Inter e Milan, principalmente, têm mostrado muito menos. O saldo, portanto, apesar do divertido equilíbrio até aqui, é negativo.
Vejamos, time por time:
MILAN Os resultados até tem vindo, porque é normal que com os jogadores que têm à frente o Milan resolva algumas partidas mesmo não jogando bem. O meio-campo, com a recuperação de Gattuso, a iminente volta de Pirlo, Flamini se acertando e Seedorf em boa fase — não citarei Beckham já que sua passagem, pelo jeito, será breve — também não deve nada a ninguém. Mas depois de jogar com uma zaga formada por Favalli e Kaladze (um bom reserva) acho que chegou a hora de o Milan desconsiderar de vez a existência de Maldini e Nesta e contratar um zagueiro para ser titular. Não acho que esse cara seja o Senderos, mas preferia não dizer isso até que ele, enfim, estreasse. O Ronaldinho Gaúcho, segundo a Gazzetta de hoje, faz lobby pelo Thiago Silva. Será?
INTER
No fim das contas, apesar de toda a turbulência em que vive, é a líder do Italiano. Mesmo assim, e mesmo jogando (um pouco) mais que o Milan, o time continua sendo o principal alvo de cobranças e pressões. Será que é por que o futebol não empolga como se esperava que empolgasse na Era Mourinho? Ou será que é porque o técnico tem feito questão de ser vidraça? Precisava, por exemplo, ele ir à festa do futebol italiano (na qual seu antecessor Mancini foi eleito o melhor técnico da temporada 2007-08) e dizer que o calcio é um “produto que não agrada”? Não que não tenha razão, não quero entrar nesse mérito agora. Mas talvez essa divertida mania do técnico português de dizer absolutamente tudo o que pensa e de escancarar até mesmo os problemas internos não esteja fazendo bem para a Inter. Repito, gosto do Mourinho. Mas talvez ele tenha incorporado demais seu personagem. Às vezes a diplomacia é necessária.
JUVENTUS
É o time que conta com as ótimas fases de Del Piero e Amauri, e isso não tem sido pouco nesse Italiano. Ainda assim, e embora sua camisa faça milagres na briga pelo scudetto, pelo que a gente viu até agora eu não colocaria a Juve como um time em igualdade de condições com Milan a Inter na disputa pelo título. Digo isso mais pelo banco do que pelos times titulares: e quando digo “banco” leia-se técnico + opções de jogadores no elenco. De Ceglie, Marchisio e Giovinco? São ainda grandes promessas. Se conseguirem mudar de “status” ainda durante o campeonato, aí sim, acho, o título para a Juve será factível. Sem falar que esse time experiente tem boas chances de ir longe (e portanto priorizar) a Liga dos Campeões. Seria um sonho para que há pouco estava na Série B da Itália.
ROMA
Por que coloco aqui a Roma, 17ª colocada, e não bons times e mais bem colocados como Napoli, Lazio, Udinese e Fiorentina? Porque a Roma é, ainda, a quarta força desse Italiano. Porque uma vitória em um derby como o de domingo (e só quem conhece muito bem o futebol italiano entende o tamanho do jogo) tem poderes quase sobrenaturais de mudar tudo. Porque Spalletti enfim abriu mão de um esquema que não funcionava mais por motivos óbvios (leia mais na coluna de Leonardo Bertozzi, da Trivela). E porque se o jogo contra a Lazio pode ser um divisor de águas para o time da capital, o mesmo pode ocorrer com o autor do gol decisivo do derby: Júlio Baptista, que se não era até aqui um fracasso absoluto como o francês Menez, também não havia justificado, entre lesões e atuações medianas, a grana investida pelos Sensi em seu futebol.
O Alexandre citou dois posts abaixo: Del Piero está impossível na cobrança de faltas. Estava pensando que é curioso como mesmo os grandes cobradores de falta atravessam boas e más fases nesse fundamento. Mas não cheguei à conclusão sobre possíveis motivos.
Rogério Ceni é um bom exemplo: houve um tempo em que falta para o são Paulo perto da área era quase certeza de gol; hoje já não é assim. Marcelinho Carioca, Neto, Zico, Baggio e até mesmo Maradona, para ficar em poucos nomes, eram temidíssimos quando se preparavam para bater uma falta; mas também atravessaram momentos de menos sucesso.
Por que? Será que “o jeito do cara bater que fica batido”? O goleiro do Chievo, um ex-Juve, disse após levar o último tento (como diria Silvio Lancelotti), que o capitão da Juve mudou sua maneira de cobrar e por isso vem tendo tanto sucesso. Será?
Hoje, de fato, talvez não haja ninguém no planeta acertando mais faltas do que Del Piero. Até porque ele acerta as de longe e as de perto.
Para ilustrar, seguem os vídeos do que Del Piero fez nos últimos três jogos da Juve, contra Chievo, Real Madrid e Roma. E como daqui a pouco o time de Turim enfrenta o Genoa, talvez eu tenha que adicionar um vídeo logo logo…
Contra o Chievo
Contra o Real (a visão de um juventino na arquibancada do Bernabéu)
Pra mim, a cena da rodada da Liga dos Campeões dessa semana não foi um golaço, um drible desconcertante ou passe preciso. E o protagonismo não sei bem a quem pertence, se à torcida ou ao craque. Assistam:
É bem verdade que já não é mais em todos os lugares da Europa que a gente ainda vê atitudes do tipo — na própria Itália, infelizmente, é cada ver mais difícil ver algo do gênero. Mas ver uma torcida reconhecer assim a qualidade de um adversário é muito legal pra quem gosta de futebol. De bom futebol.
Pode-se argumentar que a torcida do Real Madrid é a mais chata da Europa, que não se preocupa tanto com os resultados do time etc etc etc. E tudo isso pode até ser verdade. Mas nesse caso, estava claro, os aplausos não eram irônicos. Não eram de revolta.
Pode parecer meio bobo, prosaico, mas eram só aplausos a um excepcional jogador que tinha jogado muito bem. E que, além de tudo, é um grande caráter. Ainda que seja, ao mesmo tempo, um adversário.
O que tem demais? Tem que tudo isso deveria ser normal, mas não é.
É editor de esportes do iG, para onde voltou em 2007, depois de seis anos na revista Placar. Num destes anos, morando em Roma, aprendeu a fazer spaghetti alla carbonara e viu crescer a paixão pelo calcio que herdou do nonno Léo. No Twitter, é @gianoddi.