Nas mãos de Mourinho
“Pensei que tinha chegado ao máximo da empatia possível com os torcedores do Chelsea. Mas minha empatia com os da Inter é ainda maior. Estou apaixonado pelo clube e por estes torcedores, mas não pelo futebol italiano: este eu respeito, mas não amo”. Assim José Mourinho comentou aquilo que classificou como a “melhor derrota da sua vida”: Barcelona 1 x 0 Internazionale, resultado que levou a Inter, depois de 38 anos, a uma final de Liga dos Campeões da Europa.
Não é a primeira vez que Mourinho faz questão de dizer “não amar” o futebol italiano. A recíproca, porém, não tem sido verdadeira. Depois da classificação da Inter, os italianos, de novo, caíram de amores pelo português. Claudio Ranieri, seu desafeto e técnico da concorrente Roma no Campeonato Italiano, chamou de “espetacular” a classificação interista. Silvio Berlusconi, dono do Milan, brindou pelo feito do rival. Jornais do país não pouparam elogios ao português, acima de todos. Na Itália, Mourinho virou o símbolo de uma classificação heróica.
Agora, na final contra o Bayern de Munique, a Inter jogará por todo o futebol italiano. Não apenas simbolicamente: se vencer no tempo normal ou na prorrogação, manterá a Itália com 4 vagas na Liga dos Campeões da Europa de 2011-12. Se empatar ou perder da decisão, os italianos perderão uma vaga para o futebol alemão. Ironia do destino, o calcio está nas mãos de José Mourinho. O que hoje em dia, apesar da “falta de amor” do português, parece um ótimo negócio.

Esclareço desde já: não tenho simpatia política pelo primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi. Pelo contrário. Mas é inegável que, como dono do Milan, Berlusconi é daqueles dirigentes que dão ao noticiário esportivo, muitas vezes monótono e cheio de clichês, um tempero especial — assim como José Mourinho na categoria dos técnicos. Ao contrário da justiça desportiva italiana, Berlusconi não achou ruim quando o zagueiro Materazzi comemorou a vitória da Inter sobre o Milan usando uma máscara de… Berlusconi! O cartola é indiscutivelmente querido por seus jogadores pela maneira informal como os trata. Até na hora de dar declarações sobre o clube, o político-dirigente não é de embromar. Disse sobre a recente contratação do brasileiro Mancini, ex-Internazionale: “Não entendi sua contratação. É mais um meio-campista, quando precisávamos de alguém que finalizasse. O Mancini está parado há dois anos! Não concordo com sua contratação e já falei ao [Adriano] Galliani [vice-presidente do Milan]“. O caso parece exagerado — um erro, até. Mas, num time vencedor como o Milan, mostra que dirigentes nem sempre precisam se esconder atrás de dissimulações e mentiras para ter sucesso. No caso específico de Berlusconi, talvez o futebol funcione para dar vazão aos seus arroubos de sinceridade: nos estádios, eles são bem menos nocivos do que em um parlamento.
* A Roma está nas semifinais da Copa da Itália depois de 



